Blog 2 (PEAPAZ)

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artista: soso piava   

Relembrar a noite passada…

Acordo com as memórias dos prazeres da noite passada em minha cabeça.

Há muito tempo eu e Helena não tínhamos momentos tão bons. Contrastava com as últimas vezes que nos vimos, onde tudo parecia um tédio. E, eu sabia que não era por culpa dela. Percebia que meu enfado pela vida não dependia de sua presença. Ao contrário, ela era meu porto seguro, meu oásis, como parecia aquele buraco na parede que refletia a única gota de luz solar, que se atrevia a roubar minha escuridão matinal, que eu amava tanto. Já estava amanhecendo e os raios do sol invadiam o quarto, dizendo que já era hora de me levantar. Ele parecia muito mais vigoroso que eu, nesse momento. Só queria ficar recordando aqueles beijos molhados, quentes e excitantes que ela me lançou assim que nos vimos. Isso era tão bom!

Ela prendeu seus braços em volta de meu pescoço e com suas carícias em beijos sublimes, introduziu sua língua morna, em minha boca, explorando minha surpresa e arrancando de mim sensações de prazer que reverberaram em todo meu corpo, fazendo meu desejo de estar com ela nua ir às alturas. Mas, tínhamos um longo caminho pela frente. Esse era nosso primeiro contato, daquela noite que já parecia gloriosa.

A gota invasora estava cada vez mais forte, fazendo-me lembrar que já era hora de ir tomar meu banho matinal. E, eu naquela preguiça toda, lutava com a intensidade dela, para que aquele momento que eu recordara, não acabasse jamais. Mas, não podia faltar ao trabalho. Agora não era hora de me perder nas gostosuras dessa mulher, por quem eu estava completamente apaixonado, embora ela fazia parte do pacote que eu estava inserido.

Lembrando da sensação inebriante que a dança com ela me produziu, fui ao chuveiro. Tinha, ainda fresca, a ideia de sua mão em meus ombros, seu corpo aconchegado ao meu, enquanto dançávamos a salsa, tão elegante. Suas cadeiras balançando associadas ao ritmo de meu quadril que dançava em passos determinados, fazendo com que suas ancas se misturassem a minha cadência e meu frescor e, além disso, ainda posso reviver esses bons momentos de entrega que ela me proporciona, sempre que dançamos juntos. Esses ritmos latinos deixam-nos mais próximos. Ela nunca esteve na Colômbia, mas lá, eles dançam nas ruas. E todas as mulheres balançam as cadeiras assim. Aqui, no Brasil, nem sempre elas acompanham esse compasso tão marcado e tão sedutor.

As gotas de água começam a cair em meu corpo, dizendo que é hora de me conectar com o agora. Já chega de lembranças boas. É tempo da dura realidade de ter que matar o coelho de todo dia, para que as refeições sejam lautas. No entanto, se eu não precisasse trabalhar agora, ficaria relembrando o resto da noite que tinha sido mais que ardente, fenomenal. A vida reserva boas lembranças quando deixamos os momentos gostosos tomarem conta de nossas sensações e esquecemos de todo o resto, mesmo que seja por algumas horas. Nosso oásis de alegria, que nos alimenta e nos protege para que a luta diária tenha sentido.

A minha… bom, essa não tem tido muito sentido, não. Cada conquista profissional já não me agrada mais como antes. E sei que tudo isso é culpa de minha mãe, que precisava de um filho notável, para pôr em seu currículo mais esse feito.

Ao ensaboar minha cabeça, as sensações de peso e desânimos recomeçam. Oh! Vida triste essa que eu me deixei levar. Chegar no escritório a cada manhã, tendo que criar uma campanha de marketing digital para as empresas, deixam-me entediado. Esse Facebook, só anda nos atrapalhando com suas mudanças. E o Google resolveu nos embaralhar mais uma vez nessas métricas, que nada mais são do que o alcance que conseguimos com nossas postagens, para divulgar a marca ou produtos, duas coisas tão distintas, que a empresa nunca dá o seu devido valor. Apenas querem que venda, mas esquecem que a empresa tem que permanecer no tempo e, na trajetória, ganhar espaço no coração dos clientes, fidelizando suas compras em nossa companhia…

Nossa empresa? Eu devo estar maluco mesmo. Se fosse minha, seria muito diferente de tudo o que eles fazem lá. Nesse mundo globalizado e digital, os donos perderam a mão de seus negócios quando não atualizaram seus procedimentos de administração em todos os setores da empresa.

Água morna caindo no corpo, deixa a esperança de ser um dia bom…

Desligo o chuveiro, pego a toalha e uma sensação esquisita percorre meu corpo todo… Como se fosse acontecer alguma tragédia. Oh! Sensação estranha essa. Que começo de dia tão esdrúxulo. Mas, estou falando em português. Esquisito mesmo, de excêntrico, inusitado, fora do normal. Não é espanhol, que é bom, esse esquisito. Não estou achando nada agradável essa sensação de domingo de manhã.

Não ouço barulhos vindos da rua. O que houve? O pessoal se esqueceu de que hoje é quarta-feira, dia de trabalho e de jogo?

Escolho minha melhor roupa, porque tenho uma apresentação aos diretores, dessas inovações que foram feitas no Facebook e no Google. São as hashtags que vão comandar o que aparece nos perfis e nos androides. Meu terno azul turquesa agora me vai muito bem, porque deixa esse frescor de inovação que está em minha mente, com a camisa branca de riscas acinzentadas, cintos e sapatos azul marinho, e a gravata azul marinho com fios dourados, dão um toque de elegância ao meu visual que eu sou tão cuidadoso. Em minha cabeça tudo é muito simples, no entanto, não creio que seja assim para todas as pessoas da diretoria, que mais parecem mortos vivos. Não sabem nada do mundo atual e querem que a empresa sobreviva sem fazer nada para ela atravessar o tempo em que está inserida e chegar ao futuro com a promessa de estar funcionando e ainda obtendo lucros. Deixassem suas mulheres no comando, que não estariam morrendo, como estamos, porque elas tem sede de novidades e capacidade pra se reinventar sempre que for preciso e, mesmo que não tivessem essa competência, estariam muito melhor equipadas para o futuro, porque sabem pensar nele e olhar longe, com a distância de uma sequência de ações futuras todas programadas. Elas não vivem só para o momento.

As hashtags vão comandar onde nossos produtos chegam. Isso é complicado de explicar às diretorias. Elas teriam mais chance nesse mundo globalizado por conta da capacidade de se ater às minucias.

Lá vou eu fazer o café após calçar os sapatos. Mas, que dia tão estranho!!! Onde está o barulho da cidade que acorda feito um vulcão em erupção todos os dias? Não estamos falando de uma cidade pequena. Estamos na capital. E, o que houve hoje?

Esqueço os sapatos e saio correndo, vou de chinelo até lá em baixo e ligo a TV para saber notícias. Será que todo mundo foi embora e me largaram aqui? Ideia absurda essa, falando sozinho…

Ligo a TV e nada de aparecer imagens.

Olho o celular, canal de notícias e não tem nada. Nenhuma chamada, nenhuma notícia.

Isso é estranho demais…

Saio de meias até o quintal e parece que os vizinhos não estão. Não sei o que pensar.

Vou tomar meu café e verificar depois o que aconteceu… Deve ser alguma pane no satélite de comunicação e os celulares TV e rádio não estão no ar.

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