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Reflexões (7): sobre a dor

 

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Se na dor sobrevive algum enlevo,

a réstia que ficou de  um terno encanto,

precipitado sólido do pranto,

cantá-la, sim,  desejo – e mesmo devo.

 

Ignorá-la? Nunca! Não me atrevo!

Por isso aqui a exalto, rimo e canto

(ainda que te cause certo espanto)

neste soneto que chorando escrevo.

 

Sem luz não haveria escuridão,

sem erro não teria, não, perdão

e o mundo, enfim, seria uma tristura.

 

A dor expõe a nossa humanidade,

do amor é filha, é filha da saudade,

a sacrossanta dor que nos tortura.

 

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