Blog 2.0

_ afonia   _ 
 
   

a lâmina do silêncio corta a poesia em fatias

e a palavra  morre na boca das indiferenças

 

sem palavras não há poema , e  o poeta

agoniza entre os sonetos,versos e rimas

 

todavia, nada muda

as lágrimas do poeta não engrossarão as nascentes

os dias permanecerão fluindo em calendários dolentes

 

nada sei!

há pouco descobri que dentro de mim

corre um rio ,água que tende ao fogo

chama que brota na caverna do medo

 

nada sei!

mas o tempo existe, e existe um deus

tudo ancorado em superfícies de gelo

 

poesia é cartilha de perdas, é um modo de solidão

como um barco sem bússolas, sem rotas, sem cais

 

o  invisível também existe:- o poeta sabe, toca e sente

quanto importa ao mundo este morrer de palavras lentamente...

 

[em que cargas d'água  se esvai o poeta nesta afonia que explode na garganta,tão voraz e cruelmente?]

 

anadebrãomerij

01/02/2011

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Comentários

  • PRATA BABPEAPAZ

    Encantada releio todos os sentimentos contidos neste belo poema...Te abraço aonde estiver

  • Lindo e tocante... Que venham muitos outros para nos encantar ! Bjs. Paolobrasilgeral.pnh
  • DIAMANTE BABPEAPAZ

    Também sempre gostei do trabalho da poetisa.

    Um talento nato para a poesia.

    Muito bom poder reler.

  • BRONZE BABPEAPAZ

    Não faço ideia por onde andas,o aconteceu contigo Poetisa.

    Mas esteja onde estiveres digo-te:

    Fostes,não sei se voltas,não tive eu o privilégio de conhece-la

    ao menos em troca de impressões poéticas, mas de uma coisa sei bem:

    Teu legado aqui ficou,esculpido no tempo, tal qual a espada de Artur.

    Não sei porque sempre lembro-me de Ti e sem explicação,preocupo-me

    e tenho uma estranha saudade.

    Deve ser coisas de poeta ou será coisas desse meu coração que nunca segue a lógica?

    Apenas sei que ao ler-te é como se ouvisse a tradução dos meus medos,minhas confusões.

    como se fosse através das tuas letras a expressão máxima da fome e sede que tenho do mundo

    mágico da poesia e como assusta-me estar fora dele.

    É como Dr.M na máxima de sua crise bipolar, parado no meio da rua

    correndo perigo sem saber o que fazer ou onde ir.

    Nem sei mais o que dizer-te mas gostava imenso de o saber, olha...

    Não desistas da poesia que habita em Ti, a poesia que faz a tua identidade ser o que é.

    Não desistas dos sonhos mesmo os mais tristes que acalentou-te a alma a tal ponto

    de fazer-te a criadora sublime de semelhante beleza.

    Não desistas de nós...

    Estejas onde estiver segue no ar meu abraço e uma prece de que estejas bem e

    feliz com os teus e em outros portais,com outras penas,para outros corações a poesia de Ti

    e em Ti esteja viva cumprido a missão de todo poeta na terra.

    Dar de si ao nada e ao tudo.

    Guardarei na minha memória esse pedacinho:

    "...poesia é cartilha de perdas, é um modo de solidão

    como um barco sem bússolas, sem rotas, sem cais

     

    o  invisível também existe:- o poeta sabe, toca e sente

    quanto importa ao mundo este morrer de palavras lentamente..."

    Bisous Ana,até um dia e grata por tua marca deixada para nós aqui no PEAPAZ.

    Ps: Para ti uma canção que o vento faça essas notas chegar até teu coração.

  • Ana Lúcia,

    Quando as palavras engasgam na garganta do poeta...

    Muito belo, amiga.

    Beijinhos

    Nanda

  • DIAMANTE BABPEAPAZ

    Reflexão permitida pela poetisa ao compor poemas,brotando de dentro do seu EU.

    Parabéns.

    Muito bom.

    Bjsss

  • DIAMANTE BABPEAPAZ

    "[...] sem palavras não há poema [...]"

    Concordo que não existam poemas sem palavras, mas a Poesia existe sem palavras, em particular no silêncio, quando a reflexão ou a emoção atingem um alto grau. Teu "Afonia" expressa a solitude silenciosa do poeta. Os dois poemas são maravilhosos e profundos! Adorei! Parabéns!

    3542678558?profile=original

  • PRATA BABPEAPAZ

    Lindos versos que parecem sair do fundo da alma  da poetisa..

    .Abraços............

  • Obrigada Manuela...Bjs,anamerij
  • _ no princípio era a pedra _

      

      

    ...e deus disse:

    - faça-se a pedra e a pedra se fez !

     

     

     

              

     

    em sua voz a urna sacra de todas as horas

    território  numinoso  onde o  homem  se eterniza

    e o poema recosta-se devagar no regaço do mito  

     

    a palavra , encravada  em seu dorso

    revela os pontos  cardeais da aurora

    dos tempos, da memória e dos seres

     

    onde os vivos saúdam seus mortos

    onde os mortos saúdam seus vivos

     

    a pedra é paisagem vívida, fala ,e canta   

    a saudade da poesia e a poesia da saudade

     

    na pedra dorme a fremente beleza de todas as coisas:   

    - quando a vida e a morte conversam no mesmo  tom !

     

    anadeabrãomerij

     

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