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A Responsabilidade do escritor no mundo atual

 

Todos os movimentos que levaram a grandes transformações sociais e políticas tiveram origem em grandes pensadores. Devemos as grandes mudanças da nossa história, assim como novas formas de pensamento - a muitos dramaturgos, filósofos, historiadores, poetas e escritores.

O mundo está atravessando a maior crise de toda a história conhecida, mas fora algumas exceções - muitos escritores continuam enterrados na mesmice, no vulgar e na repetição

Ninguém pode mudar o mundo com a mesma forma de pensar que o criou, já dizia Einstein. Então, se tanto queremos mudanças, por qual razão continuamos caminhando na via da repetição e da mesmice?

- Será que vivemos em tempos envelhecidos?

- Será que a imaginação se transformou em estátua de sal?

- Será que os sentidos entraram em buracos negros?

***

Para provocar mudanças o escritor tem de informar-se, aprender cada vez mais e pesquisar.

Temos de sair da mente coletiva para passar a usar a mente individual. Temos de procurar a ponta do fio que nos poderá transformar em pensadores de acordo com os novos tempos.

Isso, por que na era do espaço e dos grandes acontecimentos e descobertas científicas - não podemos continuar a ter as mesmas pequenas e apagadas       -  ambições e crenças de nossos avós e bisavós.

     Os sonhos também têm de mudar. Tudo tem de ser diferente.

A luta do nosso presidente, Professor Mário Lopes Carbajal, é fundamentalmente a conscientização do mundo para a realidade da fome, da ignorância e da miséria, males que afligem a maior parte da Humanidade. A meu ver, cada um de nós deve participar desse mesmo ideal. Temos uma grande arma em nossas mãos – Somos escritores.

Porém, não é apenas apresentando dados estatísticos que conseguiremos ir a algum lado. Temos de criar e inventar outros conceitos e formas de pensar que elevem a consciência da Humanidade. Se quisermos mudança - temos de entender que em primeiro lugar temos de fazê-lo nós mesmos.

A maior pergunta dos tempos modernos não é sobre o que vai acontecer com a economia.  Mas o que vai acontecer com a Humanidade.                      Haverá outro horizonte?

Será que nós, os escritores, temos o dever de mostrar que para lá destas grades e deste cubo que tanto nos cega e prende - existe algo mais? Claro que sim.

É nossa obrigação dizer que além do que está no mapa há outros horizontes e um número infinito de caminhos.

Para isso temos de dar largas à nossa imaginação, sermos arrebatados por um grande entusiasmo e inventar o nosso próprio universo. Machado de Assis fez isso, dentro da linha de Cervantes. E nós? Por que não criar um novo universo dentro da linha da ciência? O astrofísico e poeta Jeff Hester defende a teoria de que poesia é ciência e esta é poesia.

Eis um de seus poemas científicos:

Um elefante

Como entrou no meu pijama

Nunca irei saber

 

***

 

As minhas paixões sempre foram arqueologia e física. Nem sou arqueóloga nem astrofísica, mas uma grande parte dos livros, revistas e artigos que leio estão embebidos no conhecimento dessas duas ciências. Cada um tem seus dons, virtudes e inclinações, devemos procurar qual a ciência que nos toca a alma e escrever de acordo com o que vamos aprendendo. Mas sempre dentro do caminho que leva a novos horizontes.

Contra o que muitos pensavam e ainda pensam - a Ilíada e a Odisseia não são poemas épicos de ficção, mas de história. No mínimo – seriam poemas que há 2.800 anos teriam sido precursores do Realismo Fantástico.

Esses livros contêm descrições históricas - a prova está na descoberta de Tróia – que foram repassadas para a posteridade na mais sublime forma literária, a poesia.

Vocês podem perguntar: para que nos servem livros tão antigos?  Porque o que aconteceu entre essa época e o nosso tempo nos fez esquecer alguma coisa muito importante: a História das nossas raízes. E, PARA QUE HAJA FUTURO – HOJE – temos de mergulhar nessa característica fundamental que nos diferencia do robô: acreditar que o maior direito humano é saber quem é.

Não poderemos saber para onde vamos - sem saber de onde vimos. Qual é a nossa identidade? No caminho da descoberta deparamo-nos com encruzilhadas maravilhosas e misteriosas, mas também cheias de espinhos e incongruências. Todavia, descobrir quem somos é onde o trabalho do escritor se torna absolutamente necessário enquanto a alma é permeada por um prazer desconhecido.

É a vontade de aprender que nos leva a pesquisar - e o resultado é um desejo incontido em transmitir o que aprendemos.

Devia ter sido por isso que Platão nos falou de Atlântida e Hesíodo dos deuses e heróis. Na Teogonia ele diz: “Primeiro teve origem o Caos, em seguida a Terra e o Amor que é o criador de toda a vida”.

Atualmente, com raríssimas exceções, o amor é apenas exaltado de uma forma sentimental e piegas ou na forma incondicional. Hesíodo nos falava do amor criador. Esse que nos transforma organicamente! - É por isso que a filosofia grega continua sendo o padrão ou raiz da civilização ocidental.

Olhando um passado mais recente, sabemos que as grandes mudanças assim como a descoberta do mundo interior do ser humano, sempre estiveram intimamente ligadas a novas filosofias. Por isso, a importância da literatura.

Nenhum movimento que revolucione antigos parâmetros e pragmatismos pode sobreviver sem a força de novas formas de pensar refletidas em poderosos movimentos literários.

Mas todos sabemos que muitos escritores não declaram as suas mais intrínsecas ideias, aquilo que sentem e pensam – desde que seja algo novo ou incomum - por medo. Simplesmente por medo.

Deixemo-nos disso!! Estamos no século XXI. Mas o tempo deixa de ter sentido se não formos nós a transformá-lo no que ontem era o tão desejado futuro.

Todos temos sede de mudanças. Mas como se pode mudar se temos medo daquilo que os outros pensam? Sem audácia ainda estaríamos na Idade da Pedra. Como mudar se continuamos a idolatrar a mesmice?

Qualquer escritor que se preze já leu Ésquilo, dramaturgo que viveu no apogeu da cultura helênica. Ésquilo foi o pai da tragédia, onde ele teve a coragem de falar dos Mistérios e da origem da Humanidade. Mesmo sabendo que sua vida corria perigo, revelou um grande segredo: que o ser humano era descendente dos deuses

e, com o passar dos milênios, os deuses viriam a reconhecer os humanos como seus descendentes e herdeiros. (Não são só os Maias que falam do retorno dos deuses...)

Esse retorno aconteceria no momento em que certa percentagem da Humanidade atingisse o Verdadeiro Poder Criativo e descobrisse a sua verdadeira identidade. Finalmente, tantos séculos mais tarde, no nosso tempo, cientistas e escritores dedicam suas vidas à procura dessa verdade silenciosa que parece ter sido propositadamente escondida, para não sabermos quem realmente somos; e com isso - fáceis de manipular.

***

Agora os convido a fazer uma pequena viagem com escritores que não são de língua portuguesa, e que muito influenciaram a história mundial. A meu ver, em literatura não deve haver fronteiras. Isso é um limite que só nos leva a ilhas desertas. Como sabemos, o escritor, além de influenciar o seu tempo, também influencia escritores que lhe sejam contemporâneos ou de gerações futuras.

Karl Marx é talvez o mais conhecido reformador, assim como o mais popular. Mas vou falar de outros escritores: o francês Gustave Flaubert foi um dos mestres do Realismo, movimento estético do Romantismo europeu, tendo também sido influenciado pelas - teorias científicas da época, a Revolução Industrial e a filosofia de Auguste Comte - sobretudo a filosofia positiva ou Positivismo.

Flaubert marcou a literatura francesa pela profundidade de suas análises psicológicas, seu senso de realidade, sua lucidez sobre o comportamento social, e pela força de seu estilo em grandes romances, tais como Madame de Bovary. No livro Viagens ao Oriente, Flaubert nos faz sentir que viajamos com ele. Sentimos os cheiros, sentimos o movimento do trem e também sentimos a ânsia que o autor tem em aprender constantemente.

Flaubert e outros escritores, como Auguste Comte, representam a evolução do primeiro estágio do romantismo. - O conhecimento positivo de Comte buscava “ver para prever, a fim de prover”, ou seja, conhecer a realidade para prever o resultado das ações humanas e assim melhorar a realidade. Dessa forma, a previsão científica caracteriza o pensamento positivo.

Depois vem Émile Zola, criador e também o mais expressivo representante da escola literária Naturalista. Foi influenciado pelo Darwinismo, Evolucionismo e Determinismo Científico, além do socialismo.

Sua obra máxima, Germinal, elevou a estética e a descrição naturalistas a um novo patamar de realismo e crueza. O romance é minucioso ao descrever as condições de vida sub-humanas de uma comunidade de mineiros. Para compor Germinal, o autor passou dois meses trabalhando como mineiro na extração de carvão. Viveu com os mineiros, comeu e bebeu nas mesmas tavernas. Sentiu na carne o problema do calor e a umidade da mina; o trabalho insano que era necessário para escavar o carvão e empurrar os vagonetes; a promiscuidade das moradias; o baixo salário; a fome e os grandes problemas respiratórios que levavam à morte prematura. Atualmente, muitos jornalistas e até atores de cinema submetem-se a experiências idênticas.

Já no século XX, o inglês Thomas S. Eliot, que recebeu o prêmio Nobel de literatura em 1948, escreveu poesias hoje conhecidas no mundo inteiro através da peça de teatro Cats, assim como da canção de abertura Memories. Foi um poeta modernista, dramaturgo e crítico literário. Four Quarters, quatro longos poemas, estão associados aos elementos da filosofia grega e também fundados em seus conhecimentos nas áreas de misticismo e filosofia. Aí ele especula sobre a natureza do tempo e sua influência nos seres humanos. O que nessa época era misticismo hoje é pura ciência.

Quando Eliot viveu em Paris era amigo de Charles Baudelaire, cuja obra prima é o livro Les Fleurs Du Mal. Reconhecido internacionalmente como o fundador da poesia moderna e precursor do simbolismo. Sua obra muito influenciou as artes plásticas.

No movimento feminino temos: Virginia Woolf, uma das mais proeminentes figuras do modernismo, pioneira na procura ou resgate do princípio feminino e no estudo sobre as entranhas do ser humano. Margaret Sanger escreveu Um plano para a paz, considerado por religiosos e puritanos “um livro maldito”. Simone de Beauvoir, com seu livro O Segundo Sexo, faz uma profunda análise sobre o papel da mulher na sociedade. A antropóloga Margaret Mead e suas pesquisas sobre sociedades primitivas em ilhas do Pacífico, como Samoa e Papua, também foi muito criticada. O livro Sexo e Temperamento em Três Sociedades Primitivas, converteu-se na principal pedra angular do movimento da libertação feminina, desde que assegurou que as mulheres eram quem dominavam as tribos. Margaret foi extremamente criticada, mas hoje é estudada em muitas universidades do mundo. Por último, Nancy Friday, que abertamente cria livros interativos e totalmente desinibidos sobre a sexualidade feminina e masculina. No livro My mother myself, Nancy mostra como o amor pode triunfar sobre o ressentimento.

Essas mulheres mudaram o mundo para sempre.

Enquanto isso, no momento presente, o mundo inteiro fecha os olhos ao que se passa com as mulheres do Afeganistão, pois segundo os fundamentalistas – a mulher não deve frequentar escolas. Desobedecer pode ser condenação à morte.

Por muitas horas eu poderia ficar aqui falando de Arthur Schopenhauer, filósofo alemão do século XVIII, e da sua influência no pensamento de escritores, compositores, psicanalistas, pintores, poetas e filósofos, ou de suas ideias sobre os direitos dos animais ou sobre a antropologia do egoísmo, determinismo etc.

Sua influência vai desde o compositor Richard Wagner, passando por Tolstoi, Zola, Marcel Proust, Conrad, Jorge Luís Borges, Machado de Assis, Thomas Eliot, Bernard Shaw, Friedrich Nietzsche até Sigmund Freud e Carl Gustav Jung. Freud disse que se nunca tivesse lido Schopenhauer, nunca teria pensado em psicanálise. Isto é um exemplo típico da influência da literatura na ciência, assim como o impulso que eleva a mente a outro nível.

No fim do século XVIII, Thomas Paine, um dos pais fundadores dos Estados Unidos, muito influenciou a Revolução Francesa com o livro - Os Direitos do Homem, um guia das ideias Iluministas.

Referindo-se à necessidade que sentiu em escrever o livro A Idade da Razão, Paine afirma: “...tornou-se extremamente necessária uma obra desta natureza, a fim de que, das ruínas gerais da superstição, dos falsos sistemas de governo e da falsa teologia, não percamos de vista a moralidade e a humanidade”. Por essas ideias Thomas Paine foi ridicularizado por políticos e religiosos, tanto nos Estados Unidos como na Inglaterra, mas o livro não deixou de ser um bestseller.

Por outro lado, no século XIX, Lord Edward Bulwer-Lytton, autor dos livros A raça Futura e Os Últimos dias de Pompeia, entre muitos outros, dá início à chamada ficção científica, expondo fatos muito difíceis de serem assimilados ou admitidos, tanto nesse tempo como hoje. Na realidade Lord Lytton é o pai do Realismo Fantástico, já que, infelizmente, tudo o que sai do normal ou da mesmice - do vulgar e do comum - passa a ser rotulado de oculto, fantasia ou ficção.

Os escritores dos dias de hoje que escrevem sobre arqueologia, antropologia e física, com o fim de desvendar enigmas históricos que digam respeito aos primórdios da raça humana, como, por exemplo, David Wilcock, Graham Hancock e Erich Von Daniken, só porque causam polêmica com suas descrições e interpretações científicas, as quais se chocam com crenças seculares, não são considerados como deveriam por instituições governamentais e religiosas. No entanto, tudo o que escrevem são bestsellers.

Hoje, através de escritores como esses e da arqueologia, paleontologia e antropologia as pedras falam e contam histórias mais misteriosas do que livros – nos contam verdades absolutas que escritores atuais procuram perfurar, pois sabem que representam os Mistérios de Dionísio, Homero, Ésquilo, Platão e muitos outros.

A Responsabilidade do escritor no mundo atual

Nós, todos os aqui presentes - temos uma grande responsabilidade.

Temos de escrever livros de Verdade.

O Evolucionismo e o Determinismo Científico, assim como o socialismo influenciaram a literatura mundial dos séculos XIX e XX.

Depois da primeira guerra mundial houve outro tipo de literatura, baseada no medo de uma segunda Guerra, como a magnífica peça de teatro - La Guerre de Troie n’aura pas lieu – A Guerra de Tróia não terá lugar - de Jean Giraudoux, onde ele diz: “O privilégio dos generais é ver as guerras do alto de um terraço”.

E hoje?  Vejamos um pouco do nosso mundo:

  • Conflitos entre famílias. Entre igrejas. Entre partidos. Onde o valor humano é esquecido.
  • A repugnante corrupção num planeta tão rico e lindo, mas apesar disso tão miserável.
  • Cientistas e escritores serem silenciados. Alguns mortos.

                                  NOS DIAS DE HOJE

  • A triste realidade são governos - sejam eles quais forem – para os quais cada cidadão não passa de um dado estatístico.

Onde está a nossa Humanidade? Como poderemos mudar? O que poderemos fazer? Como poderemos resgatar a dignidade humana do tempo dos heróis gregos?

Tal como nos anos 30, onde o medo de uma segunda guerra assolava os corações tão massacrados pela Primeira Guerra Mundial, hoje tememos um conflito que não só pode dizimar uma grande parte da Humanidade, mas ter como consequência chagas - que só depois de várias gerações poderão ser esquecidas. Isso só acontece porque os povos têm medo de se impor. Mas somos nós que construímos o nosso futuro.

Nós escritores temos de escrever sem medo, porque o medo nos reduz à insignificância que nos dizem que somos, para que nunca saibamos a nossa verdadeira capacidade. Eu sei do que estou falando. Na carne - muitas vezes já senti os efeitos da minha audácia.

É por essas razões que nos dias de hoje se torna inaceitável escrever apenas sobre passarinhos, cortinas ao vento e folhas de outono. Todos os escritores do passado e do presente já escreveram sobre tudo isso de mil e uma maneiras. Por outro lado, muitos ainda escrevem dentro do teor dogmático, onde suas ideias contêm dedos em riste, e deixam o sabor amargo de ideias sem liberdade.

O escritor de hoje deve ter outro tipo de responsabilidade. Como ninguém pode dar o que não tem, o escritor deve ler muito, aprender muito e debruçar-se sobre o problema mundial ou local que mais o toque e com o qual mais se identifique.

Quando estamos abertos - os assuntos a tratar veem na nossa direção. Mas não podemos incorrer no erro da ideia absoluta. Devemos mostrar fatos e expor perguntas pertinentes. Devemos suscitar polêmica. Só assim o escritor leva o leitor - a pensar. Mas para isso é necessário escrever sem medo – sem medo do que os outros pensem ou se vamos ser excomungados pelo avô, pela igreja, pelos amigos.

Nós escritores não mais podemos ser fúteis e vazios. O tempo em que vivemos não o permite. Por mês na Somália morrem de fome 750,000 mulheres e crianças. Na Somália não há índice de longevidade, porque o índice de descaso se sobrepõe.

Por outro lado, o sofrimento individual, não pode ser descrito como algo sem cura. As cavernas da alma têm muitas sombras, mas não é exaltando essas sombras que ajudamos o ser humano. Temos de entrar nessas grutas com uma lanterna na mão esquerda, uma vassoura na mão direita e livros pendurados nas orelhas. Para obter resultados teremos de fazê-lo em nós mesmos. Temos de entrar em nossas próprias minas de carvão, e só depois poderemos melhorar a realidade.

Cada um de nós é uma célula da Humanidade. A Humanidade precisa de nós. Nem todos têm o nosso privilégio de poder escrever e de ter prazer em pensar.

? Vamos jogar fora o nosso dom e o nosso tempo de vida com coisas que só alimentam o comum e o vulgar? Creio que é imperativo ir além dos sentidos e alimentar ideais que nos ultrapassem.

Não podemos continuar na mente coletiva. Nem podemos continuar na mesmice.

No mundo de hoje vimo-nos obrigados a abrir janelas e desbravar novos horizontes, mesmo que no lado de lá haja um mundo desconhecido que nos faça tremer. Porém, existe um antídoto – A criação de um sonho ainda não sonhado. Acreditem. A mente humana não tem limites.

Penso que teremos de ter a audácia de ser escritores de verdade e como Thomas Paine sermos porta vozes de outra dimensão de pensamento. E, repito, sem medo daquilo que os outros possam pensar. O escritor não pode se preocupar com essas coisas. Se assim o fizer não é escritor, mas copiador de fórmulas obsoletas e sem valia, mesmo que no passado tenham sido válidas.

Escrevamos as nossas “Quimeras”, como diria o grande escritor francês, Jean-Jacques Rousseau sobre o seu livro Emílio – obra que tanto marcou a nova maneira de educar uma criança. Para Rousseau, o jovem deve, na sua infância, dispor de total liberdade física e durante o seu crescimento deverá descobrir e conquistar a liberdade interior.

 

Nós escritores desta época de transição, também temos de procurar a nossa liberdade.

Uma ideia nova vale mais do que um milhão de ideias antigas, por muito úteis que tenham sido no passado.

Sejamos audaciosos, inovadores e felizes quando escrevemos. Deixemos a mesmice e o passivismo no passado - e as borboletas nas florestas.

Escrever com liberdade é o maior prazer. E quando o escritor é feliz ao escrever, o leitor só tem a ganhar.

Como ironicamente dizia José Saramago,

“Não procures trabalho: escreve”.

 

 De: Rosa DeSouza

1 de junho, 2012

Academia de Letras do Brasil

Assembleia Legislativa, Florianópolis, SC

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Comentários

  • DIAMANTE BABPEAPAZ

    Bravo Rosa. Um excelente discurso.

    Também acredito nessa inovação. A ousadia de um escritor permite, que novas idéias possam de alguma forma ajudar.

    Parabéns.

  • TOP BABPEAPAZ

    Um só livro derrubou o comunismo na Rússia: "O Arquipélago Gulag", de Alexander Soljenitsin.

    Boa palestra, Rosa.

  • Obrigada a todos pelos lindos comentários. Agora temos de trabalhar nesse sentido - Abaixo a mesmice e a repetição. Sejamos criativos e inovadores.

  • PRATA BABPEAPAZ

    Li e adorei! Sempre me preocupo com o que publicar, ois a palavra tem poder, e escrita é ainda mais forte!

    Parabéns, escritora!

    Bjs

  • Debater o momento atual, sanar os vícios que vive a sociedade, bem como projetar um futuro mais digno para as sociedades do futuro, esta seria a meta dos escritores, e esquecendo, o que foi exposto no passado, a palestra veio abrir a mente de todos os presentes naquela tarde do dia primeiro de junho de dois mil e doze,

    Parabéns Confreira Rosa, pela bela lição,

     

    Mário Osny Rosa

  • Sua palestra é muito mais do que eu poderia dizer. . .É na realidade uma verdadeira aula de literatura e cidadania. É com imensa satisfação que a aplaudo de pé. Receba meu abraço e beijo poético.

    Wilson Carlos

  • Parabéns escritora Rosa de Souza !

    Assisti sua palestra e gostei muito,sou diretora de Eventos da Academia de Letras do Brasil/SC-Florianópolis

    e foi com muito carinho que a escolhemos para palestrante do nosso evento.

    Ficamos maravilhados e orgulhosos por nossa escolha, todos os palestrantes foram elogiados atingindo nossas expectativas e do nosso Presidente Nacional Dr. Mario Carabajal e sua Comitiva .

  • DIAMANTE BABPEAPAZ

    Sem palavras, para definir a emoção que a leitura do teu discurso me oferece...

    Simplesmente, PARABÉNS, querida Escritora!

    3542836160?profile=original

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