Escada

3542044133?profile=originalUm torvelinho na imaginação

Destranca as portas do transcorrido,

Consente que visões esquecidas

Se adonam do meu momento.

 

Vejo-me sozinha no meio do nada.

Caminho para um lado, para outro,

Paro, volto-me... diante de mim,

Uma longa escada com degraus íngremes.

 

Vagarosa e apreensivamente, subo-a.

Os degraus, um a um, ficam para trás.

No topo, encontro-me com rostos exigentes

E olhares confiantes num futuro incerto.

 

Travo séria batalha com a cegueira.

Com vontade férrea, palavras e conselhos,

Apresento autores que permanecem

Por obras de conteúdo inigualável.

 

Inúmeros diálogos sobre afetividades

Traço com jovens indecisos e desconfiados.

Conquisto sua atenção com minha vitalidade.

Aprendo como ensiná-los a organizar pensamentos.

 

Com eles brinco de tecer quimeras

Por serem elas para mim

Tão importantes como para eles.

E os sonhos tornam-se reais...

 

O dia de descer a escada chega.

Assim como não vacilei em subi-la,

Também acontece quando a desço.

Concluo que foi mais difícil descer que subir.

 

Hoje, muito tempo depois, pipocam

As lições ensinadas, seja por meio de imagens,

Seja por meio de ações exemplares,

Seja por meio de discursos verdadeiros.

 

 

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: Diogo Beltrame

 

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