enquanto há claridade recosto-me em muros de areia sem sentir a luz nos olhos. esse faz de contas de que estou seguramente apoiada me leva a por as mãos nos bolsos e percebo que eles já estão cheios de mundos alheios. desamparadas, elas se enveredam em atividades rotas, leves de vazio, fantasmas são, se esforçando a tocar a vida e tudo o que se posta a frente, para incutir no ressono da mente a necessidade do reviver. aguardo a salvação vinda das horas escuras com a ânsia de um fumante crônico sem cigarros pra queimar. são elas que me livrarão do assedio da parede que me faz ser desenho com o sorriso de sempre; passa um trem e as janelas que já me sabem, levam, ligeiras, olhos presos talvez em tabloides noticiando o lançamento de um sedam espetacularmente polido e desumano ou uma catástrofe traçando mapas de sangue numa vampiresca avenida . lá pelas horas que a noite se afoga em si mesma, saio a catar coisas que ninguém quer. como um mendigo de ventre colado na vértebra, rapo sobras desconhecendo a procedência e abocanho fontes que me sustentarão com algum convencimento de que é válido viver por aqui. esfomeada, lambo os dedos e com certa pena vou me inventando num destino de outro mundo sem ciência ou conceitos falhos de vivência. faço o esboço de uma estrela-deusa que derrama sempre o paraíso quando uma lágrima ousa escapar querendo sobrepujar meandros dos meus rios.



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