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PRATA BABPEAPAZ

Casa velha

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Lá estava ela escondida, de cor adormecida, paredes desbotadas, a casa não era notada.

Indicada por divina providência, um dia, amparou a esperança, abriu portais de um novo tempo, tornou-se pouso leve de bonança.

 Foi ficando viçosa, encorajando aqueles a quem abrigara, reconstituindo sonhos, desenhando planos e evangelizando corações outrora atordoados. Por certo, um sentimento gigantesco movia a tudo e, pela fé, o pão nunca faltara. Tempo de muita luta, mas também de bênçãos, com a chegada de uma estrelinha de tão alva, “Luz”!

Um ser angelical que, com a chave das aventuranças, fazia a todos voltarem a ser crianças.

A casa, a casa velha, por si, guardava sábia bagagem. Portanto, tornou-se grandiosa tal qual  um castelo  e sua realeza e, em seu interior vibravam musicalidade a cada dia onde o sol expandia nas  paredes refletindo alegria,  enquanto dançavam os girassóis nascidos no quintal.

Tardes árduas de labor, mas também tardes suaves de sabor! Visitas maravilhosas.

 À noite era chão de sonhar, estrela, luar, sem se esquecer dos sabores dos sanduíches e pastéis da lanchonete do vizinho nos finais de semana.

Tantos encontros, amigos, inesquecíveis reuniões familiares, natais, aniversários, e ano novo, tudo como manda o figurino das possibilidades de bom gosto e dos esforços de cada um!

 Havia bananeiras, muito entulho e nenhuma flor!  Mas, as mulheres borboletas preencheriam cada espaço vazio e sem cor!   

Foi assim que se deu a jardinagem onde o paisagismo era coragem, amor. Só não plantaram corações magoados. Decidiram por fragrâncias e encantos.  Momentos de ouro, de riso, de lágrima, de trabalho, um pouco de tudo, assim como a vida é.

Um o pé de manga não poderia ficar esquecido, o pé que sustentou o balanço onde a mais nova borboleta voava e sorria a cada movimento...

E da algazarra dos meninos de escola sem dar trégua, passando e pulando o muro em tempo das mangas maduras... A essa hora faltava um cão de guarda. Havia de ser mais sossegado!

Ao centro, a Schefflera com seus cachos alaranjados. Fora um deles, casualmente apanhado, servindo de buquê em alguma boda. Lembranças intensas, ricos ensinamentos, saudade!

Hoje, na lembrança, a beleza das ZINNIAS, é pura emoção  onde sonhos sonhados são reais em pétalas da vida e do viver da gente!

Reconhecidas as  flores mais alegres e simples que em noite de Réveillon foram decoração da mesa principal.  

Ao fundo, rememórias de gargalhadas no quintal, a varanda, a rede preguiçosa, o cuidado com as plantas ornamentais, a cozinha, lugar ideal de prosa boa, o cheiro de café fresco...

Alguém corria à padaria, e a felicidade da convivência repetia! Capim-cidreira, quem o via, levava para fazer chá. Mas ele se multiplicava toda vez que era colhido.  O pé de pitanga, ainda nanico, deu as primeiras quatro mais lindas pitangas...  

À casa, gratidão pelo teto que abriga! Ao lar, louvor!  E ao tempo da memória infalível e detalhista do cheiro, do som, da cor e da vida! A gente tem saudade...

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Maria das Graças Araújo Campos. Casa Velha.

Graça Campos, 22/02/2015.

Imagens  Google

 

“E a gente tem saudade de tudo nesta vida”... De tudo! De uma espera por uma tarde azul de primavera; de um silêncio, da música de um pé cantando pela escada;

 de uma lágrima até...”

Guilherme de Almeida

 

 

 

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