Blog 2 (PEAPAZ)

Brisa

O corpo quente,

queimado sente...

 

Pela brisa da noite afagado,

clamado, envolvido, consente.

Em voluptuoso abandono

o deseja,

Se sacode.

 

Serás tu vento,

o que faz fremer

o corpo suavizado

que uso sem prazer?

Que pões lágrimas nestes olhos

que olham sem ver?

 

Vento doce, brisa quente,

que me alerta,

continua tua desinibida busca,

de mil mãos em descoberta,

iguais a essas da lembrança,

que anunciam as da esperança.

 

Mas vento...

esta carne não arrefeces,

nem o sangue acalmas;

não vibro, nem tremo.

Não tens lábios,

não posso descobrir

ou acariciar

as marcas de teus passos.

Não me podes dizer

os obeliscos

que serpenteias;

nem as florestas que aumentas,

nem as ondas que cavas

em orgânicos abismos;

nem quais os cumes

cósmicos e pacíficos,

onde tudo começa.

 

Brisa...

lembrança e prelúdio.

Não mais saudade do passado

que fechou comportas,

mas do futuro a descobrir.

 

Em tuas mil vozes

és, afinal

como o meu dormir,

trazendo tigres vorazes

que me comem sem dó

e que anseio o rugir.

 

Mas vento...

és pó… ilusão,

não me atravessas

noutra dimensão

de almas acesas.

Só tens desejo,

não podendo entender

este meu ensejo.

Meu fogo jamais poderás apagar,

sou chama feita de mar.

Washington DC / Verão 1982

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