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ANGÚSTIA

3541718593?profile=originalPreciso de teu chão, por Deus, preciso
do húmus de teu ser, onde renasço, 
liberta dessas dores, do cansaço
deste viver incerto e de improviso.

De ti recolho as flores de Narciso
e assim me recomponho, passo a passo,
a palmilhar teu chão, tão fértil e lasso
deixando as minhas marcas onde piso.

Preciso no teu chão deitar raízes
beber das águas tuas - minhas seivas -
senti-las percorrendo as minhas veias.

Se tu me queres muito – como dizes –
põe fim na dor que a minha vida eiva
e me sufoca com viscosas teias.

Em resposta ao soneto do poeta Marco Aurélio Vieira: Meu chão

Corcel aprisionado em tuas celas,
sentindo teu calor de sóis ardentes,
feliz, cavalgo a saltos mui potentes
em torno dos limites teus, cautelas...

Mas sangro com as farpas entre dentes,
se tu me faltas para abrir janelas,
se não me vens para acender as velas
das energias minhas, tão dormentes.

Cativo assaz liberto e à mercê
de tua flor de luz, condões, poesias,
cinzelo em tua vida meu porquê... 

Preciso deste teu celeste olhar...
De tua boca me ditando os dias...
Preciso de teu chão pra caminhar...



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Comentários

  • Marco Aurélio Vieira - para quem não conhece -  é um grande amigo e sonetista que publica seus poemas no Recanto das Letras. Gosto de trançar os meus sonetos com os dele. Um excelente exercício poético. Publicou o livro de sonetos: Encantos e Desencantos em 2011.

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