AI QUEM ME DERA!

Ai quem me dera
Voltar ao tempo
Que da varanda
Se ouvia a banda
Tocando marcha
Ou minueto
Lá no coreto
No meio da praça.

Ai quem me dera
Voltar ao tempo
Em que do trem
Vinha a fumaça.
Em que pulávamos
Da velha ponte,
Pra que se conte,
Só por pirraça!

Ai quem me dera
Voltar ao tempo
Em que o melaço,
Pelo bueiro,
Ganhava espaço
No mundo inteiro.
Quando a doçura
Da rapadura
Vinha no cheiro!

Ai quem me dera
Voltar ao tempo
Em que jogava
Forte o pião
E ele girava
Riscando o chão,
Depois na palma
Da minha mão!

Ai quem me dera
Voltar ao tempo
Das brincadeiras
De bolas de gude,
De amarelinha,
De passa anel,
De pular corda,
De empinar pipa
Perto do céu!

Ai quem me dera
Voltar ao tempo
Em que eu tomava
Banho de chuva,
Banho de açude,
Banho de rio,
Sem temer gripe,
Sem sentir frio!

Ai quem me dera
Voltar ao tempo
Que não existia
Tecnologia,
Mas se vivia
Mais emoção,
Mais alegria,
Mais afeição!

Ai quem me dera
Voltar ao tempo
Em que o tempo
Passava em vão?

-claro que não-

Em que não tinha
Só depressão,
Só violência
E solidão!

Ai quem me dera
Voltar ao tempo
Da minha infância
No meu torrão;
Viver os sonhos,
As brincadeiras
Que guardo ainda
No coração!

ANTONIO COSTTA

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