A PAZ VERDADEIRA

Deixai-me morrer em paz,

Ainda que a paz de quem arrefece e é consumido

Pelas larvas que as entranhas produzem

Não seja uma paz como a que sonhei um dia.

Essa paz que me espera – nos espera a todos –

É uma paz sem fundamentos, sem alicerces,

Sem raizes que assegurem futuro.

É uma paz vazia de ideais e sonhos,

Parida na impiedade do tempo esgotado,

Germinada no acaso incidental de um dia desigual.

 

Paz, paz… essa paz que busco vai para além da paz

Que se acoberta sob sete palmos de terra,

Na potência demolidora dum forno crematório,

Na aziaga insanidade de um tiro, duma corda suspensa,

Da sublimação pérfida de um caudal liquefeito,

Do perfume intragável duma overdose de heroína.

 

A paz está muito além de mim, em mim,

Ainda que morrendo acredite que permanecerei

Para usufruir dessa paz inexplicável.

 

Em 13.Nov.2017

PC

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