Blog 2.0

A DAMA DO MAR

 

A vida era cinza

E a água gelada

Feria minhas pernas

 

O mar tedioso

Insistia em ondas iguais

Na praia da solidão

 

Nuvens carregadas

Choravam doído

A chuva grossa

 

Até que um dia

A maré trouxe

Minha sereia

 

Fez-se a vida

Raiou o sorriso

Instalou-se o arco íris

 

O sol brilhou forte

O sonho acordou

A maré virou poesia

 

Minha musa

Minha deusa

Minha luz

 

Brincava nas ondas

Como golfinho

E aqueceu meu coração

 

Eu a queria tanto

Com unhas e dentes

Com todas as células

 

Noite e dia

A sonhar com seu beijo

Puro desejo

 

Nada importava

Somente a amada

Necessária criatura

 

Até que um dia

Com as próprias mãos

Rasgou sua pele

 

Veio até a praia

Ajoelhou-se na areia

E beijou meus pés

 

Tão fria

Tão humana

E toda minha

 

O que era sonho

Loucura e paixão

Virou meu inferno

 

No desejo da posse

Tornei-me um cego

De vida e valor

 

Nunca pensei

Que eu fosse tão triste

Tão cheio de dor

 

A mulher era minha

Agora só minha

Para meu prazer

 

Mas perdi para sempre

A bela sereia

Minha dama do mar

SIGMAR MONTEMOR

Enviar-me um e-mail quando as pessoas deixarem os seus comentários –

Para adicionar comentários, você deve ser membro de Belas Artes Belas.

Join Belas Artes Belas

Comentários

This reply was deleted.