Posts de Waulena d'Oliveira Silva (494)

PRATA BABPEAPAZ

Memórias

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Certos sons ou cheiros trazem em si a memória viva do que um dia já se viveu ...

Quando nos chegam imediatamente somos lançados no tempo, viajamos de volta apenas para ter as mesmas sensações de antes.

De que são feitas as memórias ? Qual a sua essência ?

Penso que muitas são feitas de risos e dias de sol ; lembranças viçosas, com sons de alegria  e cheiro de flor. São as que mostramos ao mundo, em fotos que exibimos sobre os móveis. Mas, e aquel’outras, as feitas de neblina ? As sombrias, silenciosas, com cheiro de chuva e que guardamos apenas no fundo do peito ?...

Muitas ficarão para sempre, postas em livros de contar histórias. Mas há as que serão esquecidas depois, quando nos formos. Eram pedaços de nós, quase matéria ...

Busco em mim o que tenho de memórias, de risos e névoas. Encontro tantas a povoar meus porões ...  Cumprimento as que passam diante de mim, sabendo serem velhas conhecidas...

Algumas tão antigas, esmaecidas ... Um balão de gás preso a uma pedrinha, ‘delicados’ da Kibon. E os oitis caídos da vila, festa da criançada ... O bondinho do Pão de Açúcar, de madeira e o cordão de luzes a enfeitar o pescoço da enseada ao anoitecer ...

Mas encontrei outras mais novas, ressabiadas por serem ainda calouras. Vagalumes encantando uma noite ... Um sorriso iluminando outra ... A névoa encobrindo a estrada ...

E assim me perco por horas, a redescobrir memórias, passeando por todos os dias que já vivi, e noites, e lugares, e pessoas.  Sem , contudo, conseguir perceber a matéria de que são feitas ...

Somente instantes antes de se renderem  meus olhos à Morpheus repentina certeza me toma, absoluta : memórias ... momentos de eternidade ...

                                                                                                                                         Waulena

@Waulena

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PRATA BABPEAPAZ

E Agora ?...

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Busco na noite o silêncio, o cessar do falatório, porque estamos exaustos e sem voz. Se estenderá a ressaca ao amanhã ...

E quando chegar o amanhã,  o  que será dos sonhos e das esperanças ?  Mas a noite não trará essas respostas. Só o tempo ...

Há alguns pouquíssimos anos vi milhões nas ruas, percebi uma efervescência incomum nas pessoas. Percebi-me a arrepiar de orgulho...    Senti um cheiro de ideais no ar - na melhor acepção da palavra, aquilo a que se aspira. Senti uma ânsia de mudança - mudar o que é indigno, o que não tem ética.

Naqueles dias, daquela janela, lembrei-me de outros tempos, em que vozes se levantaram e atraíram outras vozes ; vozes que ficaram à frente de outras e tornaram-se multidões despertas da escuridão da ignorância e da inconsciência.

A podridão exposta nos levou à indignação e à reflexão. À ânsia por uma nova era, de Justiça, de Lei, de Dignidade.  No entanto, passamos muitas horas nas redes sociais expondo nossas ideias e expectativas apenas para descobrirmos perplexos que nada mudou, que ninguém realmente se importa a ponto de fazer a diferença ...

Não é uma questão de embate entre esquerda e direita, norte e sul, pobre e rico, ou qualquer outra hipocrisia que venham dizer agora.

É e sempre vai ser o embate entre a Luz e a Sombra dentro do próprio Homem ...
A luta entre o egoísmo e a ganância que o mantém voltado a prover seus próprios instintos e desejos, e o altruísmo que o levaria a agir em prol do Bem maior, do melhor para todos.

Busco na noite o silêncio, o cessar do falatório, porque estamos exaustos e sem voz. Se estenderá a ressaca ao amanhã ...

Sinto que uma nação se perdeu ... 

E se mantém dividida, espoliada por si mesma.

O tempo nos trará respostas.  Que sejamos fortes para enfrentá- las ...

 

                                                                                Waulena

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A Menina e o Urso

com som

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Ela estava às voltas com seus afazeres ; cuidava da sua casa ; e pensava consigo mesma sobre o natal. Seria, talvez, como os outros de que se lembrava.

Com  o  tempo  parece  que  haviam  desbotado  um pouco as cores,  que as luzes estavam mais fracas  -  “ou será que fui eu que esmaeci ?...”

Então lembrou de uma noite na casa dos tios ; estava com 5 anos mas era bem alta para a idade. Gostava daquelas datas na casa dos tios, com seus protocolos, louças especiais e taças de cristal coloridas. As luzes indiretas na sala, as canções repetidas ao piano e, claro, a hora dos presentes ... Mas naquela noite seu primo havia preparado uma grande surpresa !  Uma casa de brinquedo, quase do  seu  tamanho ...  Pequenas luzes,  mobília,  um elegante  carro  na  garagem ...  De  encher  os olhos !!! Ela não podia imaginar como iria divertir-se com aquela casa.

Mas naquele Natal  chegou também um outro brinquedo : um enoooorme urso , maior do que ela, com sua gravata borboleta vermelha !!  Ahhhh foi paixão à primeira vista ! Deram-lhe um nome e ela passou a ficar sempre junto com seu urso. Ele era grande o bastante para que ela pudesse sentar em seu colo e ficar longas horas ali, aconchegada.  Uma vez fez sua mãe vestí-lo com um shorte e uma camisa e foi com ele à casa dos tios  -  que trabalho ela dava ! rsrsrs

Os anos se foram, ela cresceu, o urso foi doado. A infância tornou-se apenas mais uma lembrança.

E naquele dia ela se perguntou por que lembrara do urso ... E sorriu lembrando daqueles dias.

Estava assim, absorta nos pensamentos que a tiravam das monótonas tarefas. Nem ouviu que ele chegara. Assustou-se por un átimo com o abraço carinhoso  de seu marido, um homem alto e forte; mas apenas por um átimo, porque aquele era o abraço que aquietava todo o seu mundo, para onde gostava de fugir e se aconchegar como num ninho – “o abraço do seu Urso” , costumava dizer ...

De repente sorriu.

E quando ele lhe perguntou o por que do sorriso, ela – lembrando do amigo cujo nome começava com a mesma letra – reconheceu, por fim, aquela sensação guardada em seu coração... Ela sorriu novamente e respondeu apenas  “foi uma lembrança ...”

                                                                                                                Waulena

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O Sonho

com som

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Havia um sonho guardado naquele coração. Às vezes ela se aquietava num canto e ficava a conversar com ele. Ela só queria testar se o sonho ainda vivia dentro de si.

Então ela o acalentava ; contava-lhe histórias sobre o que estava vivendo e sobre o que via de sua janela. Ouvia as respostas do sonho com atenção para saber sobre seu ânimo  -  pois nem sempre era primavera lá por dentro ... Muitas vezes seu peito era feito de brumas e o sonho chorava ... Quantas vezes não quedara-se no escuro da noite e o acompanhava, deixando-se ser inverno ?...

Ela e seu sonho eram assim. Um dia sorriso, no outro ...

Mas ela explicava a ele que a vida era assim, cheia de voltas, de atalhos – um caminho desconhecido que precisava, no entanto, ser trilhado, mesmo no inverno ...  E o sonho suspirava e acabava por dormir quando secavam suas lágrimas. E ela apertava o peito para acalentá-lo.

Ela sabia que o sonho gostava de cores e perfumes, por isto fazia poemas para alegrá-lo. Deixava-o sentir o cheiro da chuva, respirando mais fundo. Passava horas ouvindo músicas doces que faziam o sonho sonhar  -  pois ele gostava de sonhar que tornava-se realidade ...

Eles eram inseparáveis ! E mesmo quando a Vida causava-lhe alguma dor ou o mundo tentava fazê-la acreditar de que nada valia o sonho, ela corria a agarrá-lo , aquele pequeno sonho que enchia seu coração ...

Eis que um dia ela tentou ouvir os sonho. Queria conversar com ele. Mas só encontrou o silêncio de um vazio profundo ... E ela lamentou pelo sonho que nunca chegara a viver ...

E agora , o que faria ? Não sabia ...

Então, num belo dia, ouviu a campainha e meio indecisa abriu a porta.  A princípio não o reconheceu. Olhou bem fundo naqueles olhos e viu a primavera dentro dele.

Seu sonho tornara-se o amor ...

 

 

                                                                                                                                  Waulena

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Palavra

com som

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Ouso ser palavra

Aguda, ferina

Contesto, agito

E me quedo perplexa

Com a apatia de tantos ...

 

Ouso ser palavra

Doce, sonhadora

Embelezo, alegro

E me quedo atônita

Com a amnésia de tantos ...

 

O que ser, então ?!

Palavra ou silêncio ?!

E me quedo aturdida

Com minha própria incerteza ...

                                                                                                                                             Waulena

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CHARADA

com som

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Palavras soltas na noite escura.

Algumas acotovelam-se à porta de mim,

outras tantas fogem pela janela do tempo –

têm pressa de ser passado ...

Reflito nos ecos que provocam - umas e outras.

Que mensagens deixam-me de verdade ?

Que intrincada charada tentam desvendar ?

Qual o significado desse dilema vital : o que querem dizer-me ?!

Talvez eu deva apenas fechar os olhos

e quedar-me em sonhos.

Talvez eu deva apenas sossegar a ânsia de ver-te,

de tocar tua pele macia,

de afogar todas as palavras na seiva do teu amor ...

                                                                                                                                  Waulena

@Waulena

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O Exilado

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Ele sempre vivera ali. Crescera por aquela ruas, por elas correra e jogara bola. Tocara campainhas e saíra correndo, sempre com um ou dois amigos inseparáveis e mais uma multidão de primos e outras crianças vizinhas  - como gostavam de implicar com algumas senhoras !...

Eram crianças normais de seu tempo, crescendo.

Ele sempre vivera ali. Aprendera a gostar das garotas, aprendera a dirigir. Ficara até altas horas da noite em intermináveis conversas, sempre com um ou dois amigos inseparáveis e mais um sem número de primos e jovens vizinhos – como gostavam de encarar a noite !...

Eram jovens normais, crescendo.

Ele sempre vivera alí. A casa dos pais era extensão de si próprio. A casa dos avós a parada natural. E a casa dos amigos estavam sempre de portas abertas. Afinal, cresciam todos juntos !...

Foram muitas as aventuras, as descobertas, as histórias – do tipo que se guarda pra contar aos netos ...

Mas o tempo os levou pela vida, sem que ele sequer percebesse. Alguns se mudaram, outros casaram e também mudaram. As meninas tornaram-se mães ou não. Os rapazes pais de família ou não.  O tempo os tornou estranhos, sem que ele sequer percebesse ... 

Algumas mulheres passaram por sua estrada. Mas ele pensava ser livre. Até que uma chegou devagar e foi ficando.  Não o amou como ele pensou, mas ficou.   De repente 30, 40, 50  -  e ele nem percebeu que o bairro tornara-se apenas o lugar onde morava e que de tantos nomes ficara apenas ele e ela ...

Mas ao que parece, não estavam prescritas felicidades eternas para os dois. Ele ficou doente, não mais trabalhou. Seus pais se foram e a mulher o deixou  -  como naquelas histórias em que alguém sai para comprar cigarros e não volta mais ...  Na casa, além dele, ficaram apenas as coisas dela – armários cheios de objetos, para sua perplexidade : “por que ?”

Perdido, sozinho, fechado em seu mundo particular. Quase não saía. Não aprendera a enfrentar o mundo, não seguira pra longe como os demais.  Nada mais sabia fazer. E assim foi até que o dinheiro acabou. O que poderia fazer ? Como sobreviver ?  De repente o bairro lhe pareceu ermo, sem vida, sem histórias – grande demais ...

Mas ainda restara um amigo que o salvou da escuridão e o tirou dali. Deu-lhe abrigo, companhia. E ele ficou grato. E tentou retribuir. Havia problemas naquela casa – mas em qual não havia ?... Era grato pelo teto e pela comida, pela companhia e pela internet ...

Ele bem tentou conhecer melhor os novos lugares, as praças, as ruas. O comércio era estranho sem aquelas velhas faces conhecidas. Começou a mencioná-los como seus conterrâneos !...  Aquelas ruas, cheias de recordações, pareciam mais bonitas agora ; tudo em seu antigo bairro parecia ser melhor, mais divertido, mais saboroso. E tudo o que ele desejava era voltar pra casa ...

Ele só não percebia que a casa que ele queria não existia mais, porque não era só um lugar, um bairro. Ele não percebia que a casa com a qual ele sonhava  existia somente no seu peito, em suas lembranças. E não importava onde estivesse realmente, pois aqueles rostos, nomes, momentos estariam com ele pra sempre ...

                                                                               Waulena

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PRATA BABPEAPAZ

O que foi feito de nós ?

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No silêncio de um final de dia recosto-me e fico a imaginar tudo o que trará o novo dia ...

Ainda congestionam os meus pensamentos as notícias vistas na internet, nos noticiários, nas redes sociais ...  Um mundo distorcido, enegrecido por sentimentos de ódio, de medo ...

As conversas ouvidas não variam o assunto : a situação econômica, política, a violência, a insegurança ...

Me fazem pensar “o que foi feito da vida” ?... O que foi feito de nós ?...

As maiores atrocidades merecem apenas  “curtidas”  - no máximo alguns comentários indignados, desde que mantenham-se à salvo no calor de casa...

Somos vilipendiados diariamente em nossos anseios, em nossos direitos; fazem pouco da nossa inteligência; roubam-nos na calada de encontros noturnos; mas mesmo assim permanecemos quietos ...  O poder é nosso, o direito é nosso, porém nos calamos e permitimos ...

Algumas vozes levantam-se, como sempre. Mas onde o eco ??...

Paira uma sensação de dormência ...

Tornamo-nos apenas expectadores de um teatro atroz, onde vidas são perdidas por nada, onde as mensagens distorcidas tornam-se “verdades inquestionáveis” .

Paira uma sensação de ausência ...

Tornamo-nos apenas cúmplices de um tempo pobre de ideais, onde inexiste a vontade do ‘agir bem’ , onde inexiste o valor de ‘ser bom’ ...

Será chegado o tempo da separação do joio do trigo ?  E quem poderá ser salvo ?  O que pode nos tornar trigo ?  Por certo que não será a omissão, a indiferença.

Então, o que será feito de nós ?...

                                                                         Waulena

  

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PRATA BABPEAPAZ

Crime sem Castigo

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Estremeço ante a notícia horrível. A foto mostra a atrocidade de inocentes baleias mortas na praia, cheias de plásticos em suas entranhas ...

Mas essa é apenas mais uma atrocidade ... Se o Homem não respeita os de sua própria espécie ...

O Homem há muito cresceu, mas foi incapaz de manter sua essência divina, de ser parte do Todo.

 

Céus e ares silenciosos, como se o mundo repentinamente houvesse se enlutado . . .

Não se ouvem mais risos , nem os ruídos das achas nas fogueiras.

O que foi feito da vida ?

 

Ainda ontem crianças brincavam nos bosques, à luz do sol; tantas aves cantavam; águas frescas corriam límpidas e o vento brincava com as nuvens rosadas . . .

O que foi feito da vida ?

 

O Preferido dos Deuses não é mais criança. E não sonha mais . . .

Aprendeu a dureza do aço e a loucura do poder. Esqueceu-se da simplicidade das estações, da sua essência elemental. Esqueceu-se do amor, da compaixão. E tornou-se um predador – de si mesmo . . .

 

Extinguiram-se muitos seres e apenas lembranças ainda restaram. Morreram muitos irmãos – de fome, de ódio, de abandono. Míngua a Terra, violentada, espoliada, ultrajada.

Mas o Preferido dos Deuses não sonha mais . . .

O que foi feito da vida ? . . .

                                                                              Waulena

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PRATA BABPEAPAZ

Luz e Sombra

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Dizem os entendidos que não podemos viver ligados ao passado. Verdade. Esse é um tempo ido, imutável – apenas história ...  Mas como preparar um futuro se me esquecer, hoje, das lições vividas ?

Será que, fossem essas lições aprendidas, viveríamos num mundo melhor ?...

O homem que já foi algoz de si mesmo, cresceu, descobriu, inventou, conquistou o mar e os céus.  E para quê ?  Para  ser algoz de si mesmo outra vez ?...

 

Há uma porta que me leva a um passado distante, a caminhos que não sei se conheci, ou se fazem parte da minha imaginação - caminhos aos quais responde o meu coração . . .

Talvez porque houve um tempo em que valíamos pelo que acreditávamos.  Um tempo violento de paixões e ódios, fúria e paz. Quando os sentimentos eram básicos e simples.  Quando era preciso matar para sobreviver e amar para se ter esperanças . . . 

Talvez porque essas emoções tão fortes, tão primordiais, tenham ficado impressas na memória de nossa espécie ...  Ou talvez porque tenha estado lá ...

 

Hoje, não se sabe mais de onde virá o inimigo, porque não desfraldam mais estandartes. Eles nos cercam, nos lançam sorrisos, nos chamam de "amigos" . 

Nada mais é básico, simples. Governam a vida os interesses menores – dinheiro, status, fama ... 

A cada dia a ilusão torna-se mais palpável, mais presente dentro do homem.

A cada dia vemos a escuridão crescer. Ódio pelo ‘amor a um Deus’ ; ódio pela cor ; ódio pelo nascimento ; ódio pela diferença.  Ódio ...

 

Hoje quase não conseguimos distinguir luz e sombra  -  somos luz e sombra muito mais do que outrora ...

 

Mas há de restar um pouco de luz !  Há de sobreviver a centelha que fez o homem crescer. Há de entender, o homem, aquelas lições. Há de ter forças para transformar e construir ; para ser um agente da criação.

Há de sobreviver a esperança de um futuro de amor e paz ...

                                                                                                               Waulena

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NOITES E SOMBRAS

com som

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Algumas canções soam como trilhas sonoras

Fazem surgir imagens diante de nós

Momentos, sorrisos, sons, sensações

Memória ...

Às vezes tu me fazes ouvir tais canções

Um olhar, um vento a soprar, nós dois a brincar ...

Desde quando te tornas-te parte de mim ?...

Será que sempre estive a esperar

Pelo que estava guardado em ti ?...

Muitas vezes sou feito noites e sombras

Mas tu o brilho que antecede o amanhecer

Eu poderia seguir muito bem pela vida sem ti

Mas seria sempre noite - nunca o dia ...

                                                                                                                        Waulena

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Néctar

com som

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Permeia em mim a doçura do amor

A sensação de ser completa – não em ti

Mas em nós ...

Sou um verso livre cativado pela tua rima

És o vento que brinca em minhas folhas

Somos risos e sonhos. Somos vida !

Entrego-te minha essência, meu néctar

Alimento-te o corpo e a alma

Torno-me cachoeiras , infinito desejo ...

Entregas-me teus anseios, teu destino

Fazes de mim tua eterna menina, flor

Tornas-te meu bardo, trovador ...

E se floresço no teu amor

És beija-flor no meu ...

                                                               

                                                                                                                                  Waulena

@Waulena

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Chove ...

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Às vezes o mundo amanhece cansado

de sonhos amassados ...

A vida parece cinzenta

E derramam-se as nuvens

O vento canta canção mais aguda

Dos  ‘ais’  e  ‘por quês’

As ruas vazias caminham frias 

Mas no aconchego do ninho

O amor é sempre promessa de sol...

 

                                                                                                                            Waulena

@Waulena

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EU E VOCÊ

com som

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Deixa-me ir contigo,
Pela noite que se avizinha.
Deixa tuas pegadas junto das minhas.
Deixa-me ser teu guia,
Pelas veredas da vida.
Deixa tua presença em minh'alma.
Deixa-me ser teu abrigo e cais.
Deixa em mim a certeza do amor ...

                                                                                                   Waulena

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Réquiem para um Amigo

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Os anos passam rápido, enquanto a vida caminha lenta ...  Colecionamos momentos apressados. E alguns que gostamos de ter sempre conosco.

Para ela a vida era um seguir sem fim, bordado de lembranças. Como aquele pinheiro que uma vez enfeitara um Natal e depois fora plantado no jardim. Num canto, na direção de suas janelas, de onde pudesse vê-lo. Assim seria sempre seu pinheiro ...

Ela gostava de fita-lo, ele era sempre seu primeiro “bom-dia” ; ela lhe contava os segredos que o espelho não podia ouvir ... Ela o via lançar-se mais ao céu através das décadas ... Era um companheiro de história. Uma boa lembrança. Uma parte de sua vida ...

Antes pequeno, tímido junto ao muro, ele foi tomando porte.  Sol e chuva faziam-no feliz. De quando em quando o tempo presenteava-lhe com novas agulhas  -  e suas rodas cresciam, se abriam, mostrando o belo cone que seria ...

O pinheiro assistia o tempo passar enquanto as crianças da vizinhança cresciam. De quando em vez alguém vinha e enfeitava-o com luzes coloridas. Ele não sabia o por que disso  - apenas se mostrava mais imponente com seus colares a piscar ...

Mas havia aqueles indiferentes, para quem o pinheiro era apenas outra árvore, sem maior importância. Esses queriam tirá-lo dali, fazer mudanças, obras, muretas, sabe-se lá o que !   Insensíveis !  Uma vez tentaram cortá-lo.. Ao sabe-lo ela revoltou-se, gritou, questionou, alardeou a infâmia, protestou veementemente, até que deixassem em paz seu pinheiro ...

Ele nem soube ...  e continuou a alegrar a visão dela, com suas agulhas balançando na brisa da manhã, recebendo a visita de passarinhos em seus galhos, presenteando a todos com seus frutos  -  a inocência de um reino abençoado por Deus ...

O pinheiro crescia forte !  Agora ela já o via sem precisar chegar à janela ! Mesmo sentada em seu quarto podia vê-lo, verdinho, feliz ... Ela sabia que ele tinha vida própria, mas alegrava-a saber que ela o plantara ali, um dia. Não fora ele apenas um enfeite de natal que se joga fora, mas uma vida acalentada, querida, cuidada.

Porém um dia, ao acordar, olhou pela janela e não viu mais o pinheiro !... Estarrecida viu apenas um toco de madeira onde antes ele crescera ... Uma profunda dor atravessou-lhe o coração e chorou ! Na calada da noite, haviam cortado a pobre árvore – sem que ela tivesse a chance de protestar e tentar salvá-lo ...

Quanta maldade !!  Quanta falta de humanidade !! Ceifar uma vida sem qualquer razão !!

E ela chorou amargamente a perda daquele amigo, lembrando como ele ficara garboso, o tempo que haviam atravessado juntos, as agulhinhas novas , verdinhas, que outro dia mesmo tinha percebido...

Nada mais restava dele. Fora removido e tudo limpo. Restara apenas as suas memórias.

Mas ao passar perto de onde fora a morada do pinheiro, num canto, meio escondidas, como a esperá-la,  viu umas agulhinhas de seu amado pinheiro. Ela as recolheu e guardou, com uma última lágrima.

E quis com a força de seu coração que ele tivesse apenas cumprido seu tempo entre nós e tivesse partido sem sentir a dor  que o desamor dos homens é capaz de causar.

Ele agora permaneceria vivo em seu coração ...

 

                                                                                                               Waulena

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PRATA BABPEAPAZ

BAILARINA

com som

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Escura é a noite que me envolve.

Silêncio!

Os sonhos estão a chegar ...

Hora de ser bailarina,

de cavalgar no vento,

de visitar a lua ...

Então tua mão me arrebata

e me leva a bailar pela noite,

que agora é palco de estrelas.

Somos apenas nós e o mundo

Até que apaguem-se o os sonhos

e lentamente me deixem dormir

embalada nos sonhos que vivi ...

 

                                                                                                                                   

                                                                                                                                          Waulena

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O Exilado

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Ele sempre vivera ali. Crescera por aquela ruas, por elas correra e jogara bola. Tocara campainhas e saíra correndo, sempre com um ou dois amigos inseparáveis e mais uma multidão de primos e outras crianças vizinhas  - como gostavam de implicar com algumas senhoras !...

Eram crianças normais de seu tempo, crescendo.

Ele sempre vivera ali. Aprendera a gostar das garotas, aprendera a dirigir. Ficara até altas horas da noite em intermináveis conversas, sempre com um ou dois amigos inseparáveis e mais um sem número de primos e jovens vizinhos – como gostavam de encarar a noite !...

Eram jovens normais, crescendo.

Ele sempre vivera alí. A casa dos pais era extensão de si próprio. A casa dos avós a parada natural. E a casa dos amigos estavam sempre de portas abertas. Afinal, cresciam todos juntos !...

Foram muitas as aventuras, as descobertas, as histórias – do tipo que se guarda pra contar aos netos ...

Mas o tempo os levou pela vida, sem que ele sequer percebesse. Alguns se mudaram, outros casaram e também mudaram. As meninas tornaram-se mães ou não. Os rapazes pais de família ou não.  O tempo os tornou estranhos, sem que ele sequer percebesse ... 

Algumas mulheres passaram por sua estrada. Mas ele pensava ser livre. Até que uma chegou devagar e foi ficando.  Não o amou como ele pensou, mas ficou.   De repente 30, 40, 50  -  e ele nem percebeu que o bairro tornara-se apenas o lugar onde morava e que de tantos nomes ficara apenas ele e ela ...

Mas ao que parece, não estavam prescritas felicidades eternas para os dois. Ele ficou doente, não mais trabalhou. Seus pais se foram e a mulher o deixou  -  como naquelas histórias em que alguém sai para comprar cigarros e não volta mais ...  Na casa, além dele, ficaram  apenas  as  coisas  dela  –  armários cheios de objetos, para sua perplexidade : “por que ?”

Perdido, sozinho, fechado em seu mundo particular. Quase não saía. Não aprendera a enfrentar o mundo, não seguira pra longe como os demais.  Nada mais sabia fazer. E assim foi até que o dinheiro acabou. O que poderia fazer ? Como sobreviver ?  De repente o bairro lhe pareceu ermo, sem vida, sem histórias – grande demais ...

Mas ainda restara um amigo que o salvou da escuridão e o tirou dali. Deu-lhe abrigo, companhia. E ele ficou grato. E tentou retribuir. Havia problemas naquela casa – mas em qual não havia ?... Era grato pelo teto e pela comida, pela companhia e pela internet ...

Ele bem tentou conhecer melhor os novos lugares, as praças, as ruas. O comércio era estranho sem aquelas velhas faces conhecidas. Começou a mencioná-los como seus conterrâneos !...  Aquelas ruas, cheias de recordações, pareciam mais bonitas agora ; tudo em seu antigo bairro parecia ser melhor, mais divertido, mais saboroso. E tudo o que ele desejava era voltar pra casa ...

Ele só não percebia que a casa que ele queria não existia mais, porque não era só um lugar, um bairro. Ele não percebia que a casa com a qual ele sonhava  existia somente no seu peito, em suas lembranças. E não importava onde estivesse realmente, pois aqueles rostos, nomes, momentos estariam com ele pra sempre ...

                                                                                                             Waulena

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Como Onda ...

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Chega o amor chega como onda

Cobre tudo devagar

Permeia todos os momentos

Transforma todos os sentimentos

 

Faz tudo ser primavera, inquietação

Faz tudo ser outono, dourada emoção

Faz tudo ser verão, calor e explosão

Faz tudo ser inverno, preparação

 

 

                                                                                                                 Waulena

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A Vida que Escolhi pra Mim

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Quando jovem percebia que a vida podia ser diferente, talvez por reminiscências, talvez por premonição.  Mas havia em mim uma ânsia pela imensidão  -  a vida parecia dizer  “corre, sê livre !”

Um dia visitei uma colônia, numa pequena cidade próxima ao Rio de Janeiro. Eu, uma menina urbana, moderna. Era então uma adolescente cheia de interrogações, com as quais não comungavam a maioria dos colegas. E aquele lugar, tão diverso do mundo que conhecia, parecia acolher-me com um gosto de “lar”...

Havia um vento inebriante que se agitava na montanha como um espírito que vagava alucinado dentro de mim.

Ele tinha uma força estranha, que uivava e se arremessava contra o mundo. Porém só conseguia desmanchar os cabelos e as folhas altas dos coqueiros...

Havia no ar um cheiro inebriante que penetrava em meu corpo como um sonho que habitava os caminhos dentro de mim.

Ele tinha uma força estranha, que sussurrava e reacendia a ansiedade por espaço. Porém só conseguia transmitir sensações perdidas de um lugar tão longínquo quanto Shangrilá...

E eu me quedava ali, num recanto qualquer, a pensar na tristeza de quem nem percebe que não consegue ver a cor do horizonte em meio às torres envidraçadas onde tantos se escondem.  Ou na tristeza de quem nem percebe o cheiro de um dia de sol em meio às  cortinas de fumaça onde tantos se perdem...

Foi naqueles dias que eu descobri o desejo de riachos cristalinos, árvores frondosas, cheiro de flor...  E por que não uma casa grande para caber o meu Bem Querer, com frutas e verduras sem o gosto da morte, longe  dos autômatos e das mentiras ansiosas de poder...

Foi naqueles dias que descobri o desejo de ter asas e alçar voo como a brisa da manhã; fazer coro com os grilos ao final do dia e brincar de ser lanterna com os vagalumes...

Foi naqueles dias perdidos no tempo que entendi que para ser feliz não precisava ter nada. Bastava  SER...

                                                                                Waulena

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Nosso Amor

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Nosso amor é feito de história,
é feito de pele, de emoção ...
Acolher-te em meu peito me transforma
Torna-me muito mais do que já fui,
Ou talvez desperte minha própria essência.


Nosso amor é feito de sonhos,
É feito de desejos, de renovação ...
Doar-me a ti me faz crescer
Torna-me capaz e audaz,
Ou talvez desperte minha própria força.


Amar-te é manter-me viva
Saber-me amada por ti é ser plena.
És meu destino, aquele que sempre quis
És meu presente e futuro, a eternidade
És a simplicidade do olhar
E a exuberância do arrepiar

 

                                                                                                            Waulena

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