Posts de Waulena d'Oliveira Silva (494)

PRATA BABPEAPAZ

A Idade do Tempo

 

 

 

 

 

A idade ...

O que a define ? Anos ? Um marcador inventado pelo Homem, ansioso por dominar e controlar tudo – até o tempo ...

Entretanto, assim como é impossível ao Homem controlar tudo - mesmo que ele não o aceite ... – nem mesmo as idades são imutáveis.

Ao longo das eras os padrões foram se alterando. A velhice ao 20 anos da pré-história, era diversa da velhice aos 40 medievais, ou dos 80 do nosso século.

Hoje vivemos mais. Aos sessenta estamos ainda estamos cheios de gás. Assistimos na mídia notícias de “jovens” de 70 ou 80 fazendo academia, praticando esportes, sendo campeões em suas modalidades, recomeçando a vida em novos projetos ...

Então ocorreu-me aquela ânsia que todo jovem tem de crescer, de fazer 18, fazer 21 ... Sem se importar ou ter noção real do tempo – como se o tempo fosse infinito, como se toda a sua vida fosse perdurar indefinidamente, com um final absolutamente fora do alcance de suas vistas ...

Na verdade o tempo passa muito rápido. Um piscar ... E então se foram os anos da juventude... Filhos nascem e tornam-se pais. Às vezes não conseguimos mais fazer o que gostávamos, ou não gostamos mais dessas coisas.

Nada sobrenatural. Só o tempo...

É. Se aos 80 hoje ainda estamos “jovens”  ,  quem sabe não estavam certos os jovens ao sentir a vida como infinita ?...

 

 

 

 

                                                                                                                                                                              Waulena

 

 

 

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PRATA BABPEAPAZ

A Insustentável Estranheza do Ser

 

 

 

 

O sol andava com preguiça há dias ...

Lá fora uma cortina cinzenta e um ventinho mais frio faziam a cama parecer muito mais convidativa. Era preciso muitas razões mais para o convencimento de que devia trocar aquelas mantas aconchegantes pelo mundo inóspito.

A rotina matinal era menos alegre com esse tempo. Mas nada que um aromático chá quentinho não resolvesse ...

Andando pelas ruas mais vazias, pensava consigo mesma sobre a incoerência da vida. Há alguns meses maldizia-se o calor insuportável, aquele mal estar ensopado, as charges sobre as chamas de verão inundavam as redes sociais ...  Os meses caminharam, veio o inverno e com uns poucos dias mais amenos, começam a maldizer a chuva , o frio ...   rsrsrsrsrsrs

Ahhh  ser humano ... Insatisfação é teu nome ...

Debate-se eternamente com a insatisfação de não ser o que gostaria – sem sequer saber o que É !!

Como naquela história de que “a grama do vizinho sempre é mais verde...”

Tão capaz de maravilhas científicas e tão incapaz de amar o outro, de preservar a vida. Tão sábio às vezes e tão odioso noutras tantas ...   Quer explorar outros planetas porque seu Ego não cabe mais em Gaia. No entanto, haveria tanto o que recuperar por aqui ...

Ahhh  o  ser humano ... Afinal foi ele a piada da Criação ...

Já não é hora de se levar à sério ?!...

 

 

 

 

                                                                                                                                                                                                             Waulena

 

 

 

 

 

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PRATA BABPEAPAZ

Despojamento da Juventude

 

 

 

 

Naquele fim de semana a Cidade tornara-se pequena para tanta gente. Inúmeros locais e praças haviam sido tomados para o evento anual. Aroma de comida e bebida estimulavam a orgia dos sentidos.

Com tanto movimento, tanta gente por todo canto, não é de se admirar que procurassem um canto para pousar ...

Ali estavam. Pelos jardins. Sem cerimônia.

Sentados em bando. Deitados à dois - namorar ali mesmo como se ninguém mais existisse é perfeitamente normal...

Não que estivessem cometendo excessos, mas impressionava a capacidade de não se importarem com qualquer coisa além deles mesmos...

Ah... o despojamento da juventude ...

Tentei lembrar se algum dia fui assim ...

O mundo enorme o suficiente para não conter suas corridas e aventuras. O tempo infinito pela frente, tornando possível a realização de qualquer sonho -  pressa para fazer qualquer coisa não estava em seus dicionários ... A estranha sensação de ser bom ser o centro das atenções ...

Ali estavam eles, vivendo a liberdade de serem jovens.

Com suas mochilas, seus copos, suas roupas despojadas, rindo, dormindo, amando, pela grama dos jardins  - enquanto nos amontoávamos num trânsito lento e irritante, em busca de seguir ou de parar ... Sem tempo para apenas sentar e sorrir ...

 

 

 

                                                                                                                                         Waulena

 

 

 

 

 

 

 

 

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PRATA BABPEAPAZ

Serenidade

 

 

 

 

“Um dia frio, um bom lugar pra ler um livro ...”  já dizia o cantor.

Em dias assim parece não haver opção melhor.  O aconchego  de um cantinho quieto, aquecido ; um chocolate espalhando seu aroma no ar ; sem relógio ; apenas você e um bom livro ...

E não é de estarrecer ver-se, bem cedinho, um homem de shorte e camiseta a correr pela rua, apostando corrida com os pingos da chuva fina ?...  Será que ninguém disse a ele que o inverno chegou ?... rsrs  Arrepio ... e penso na sorte de ter um lar quentinho e nenhuma balança a me cobrar essas insanidades ... rsrs

Ok, ok  -  já levantam-se as vozes em prol da “vida saudável “ ... Exercício é bom, andar é bom, correr é bom, bicicleta é bom, ginástica é bom ... Tudo bem ! Mas, precisa exagerar ? Precisamos viver nessa vitrine de corpos sarados, suados ?!

Que tal um pouco de amenidades ? De leveza , de menos rigor ? Apenas apreciar a vida, ter um tempo para fazer nada de vez em quando, apreciar a paisagem, ouvir o vento  -   ou ler um livro ?...

Apenas ser , sem querer parecer.

Em dias assim a pressa me espanta, porque parece incoerente. Claro, a vida tem suas exigências : trabalho, família, etc etc etc   Então não precisamos piorar tudo cobrando perfeição, ignorando a necessidade de paz, de serenidade. Ao corpo o movimento pode fazer bem, mas ao espírito é essencial a quietude ...

Pensando assim, abro novamente a cortina, mas o homem já vai longe ...   É ... ele não vai ouvir a sugestão ...

Respiro fundo. Observo a chuva. Acalmo o coração. E volto a exercitar o meu cérebro ...

 

 

                                                                                                                                        Waulena

 

 

 

 

 

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PRATA BABPEAPAZ

Apenas Inverno ...

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Muitas vezes as intenções são as melhores. Os propósitos. Os sonhos.

Por que às vezes perdem-se com o tempo, com o caminhar dos dias ?

Terá razão o dito popular de que “de boas intenções o inferno está cheio” ?...

Será que não foi suficiente o querer, o esforço ? O que mais era preciso ?

Haverá resposta ?

Um dia os olhares se cruzaram, falaram um com o outro, a língua da alma. Desde então sempre havia primavera, cheiravam à flor, aninhavam-se um no outro. Desde então percorriam juntos as trilhas da vida, buscavam-se, alimentavam-se de amor …

O passado tornara-se distante, esquecido, sem importância. Para aqueles olhos apenas o presente fazia sentido, porque o sentido da vida era estarem juntos.

Seus desejos eram a argamassa que selava um só destino. Não importavam os ventos, as tormentas. As intempéries da vida os desafiavam - e os tornavam mais fortes ! Aqueles olhares cruzados sabiam ser o esteio um do outro.

Mas então por quê ?!...

De repente a primavera  foi virando outono, esmaecendo, até  ser apenas inverno …

N’alguma encruzilhada tomaram caminhos diversos. As ruas ficaram vazias e solitárias. Nada mais os aquecia. Apenas seguiam - sós …

Haveria, algum dia, novo encontro ?...  Aqueles olhos, que antes sorriam, calaram-se. Eles não sabiam.

Eles apenas seguiam ...

                                                                                                   Waulena

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PRATA BABPEAPAZ

Coração Cigano

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Se o mar chama eu vou

de encontro às marés do tempo

Se a noite chama eu vou

de encontro às fases da lua

Se a vida chama eu vou

de encontro aos caminhos antigos …



Mas no fogo que crepita em compasso

Meu coração é livre e sem rumo

Apenas um audível rufar bombeado

A dançar a espiral infinita

das cores e sonhos de amor …

                                                                                                                                                    Waulena

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PRATA BABPEAPAZ

Virtual

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Já parou para pensar se ainda és real ?

Atualidade … Sinônimo de aparência , de ilusão, de virtualidade …

Lembro de um tempo em que era gostoso ver que que o correio havia trazido uma carta – perdoem-me os que não sabem o que é “carta” … rsrs Eu tinha correspondentes nos quatro cantos do mundo ! Trocávamos informações,músicas, postais, presentes. Isso era o máximo !!

Mas os amigos estavam aqui pertinho, na escola, no cursinho, na rua. Estávamos sempre juntos. Íamos ao cinema, à praia ; tinha as festinhas nos fins de semana.

E sempre podíamos passar horas ao telefone – ouvíamos a voz dos amigos, aprendíamos a conhecê-lo pelo tom de voz …

Agora não é diferente ? Claro que é !!

Você ainda é capaz de reconhecer a voz dos amigos ? Quantas vezes você se encontrou com seus amigos ultimamente, no último mês, nos últimos tempos ?… Você conhece todos esses “amigos” ? Sabe realmente o que se passa em suas vidas ?

Hummm… não sabe, não lembra ?…   Foi o que eu disse.

Tornamo-nos reféns da virtualidade !

Centenas de “amigos” , mas nenhum abraço. Milhares de “curtidas” , mas nenhuma risada.  No silêncio de um quarto, no vazio de uma casa, você abre as portas ” à rede”. Acredita que está povoado pelo mundo. Mas o mundo nunca esteve tão distante …  A solidão e a depressão alastram-se !! Qual a parcela de culpa dessa “virtualidade” ?

Não pense que não gosto da tecnologia, da modernidade. Mas às vezes surpreendo-me com a distância que ela impõe.

E pergunto a mim mesma : tornei-me uma virtualidade ?…

                                                                                                                Waulena

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PRATA BABPEAPAZ

Poesia na Cozinha

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Entre potes e pacotes ela se divertia a escolher.

Nada era feito ali sem que um monte deles fosse mexido, testado. Ela se sentia uma bruxa, fazendo suas magias e poções. Há quem dissesse que era apenas comida. Mas não !  Naquela cozinha nada era “apenas” comida...

Ela planejava cada prato, via as cores que usaria, quais as melhores combinações de sabores. Precisava ficar feliz com o resultado a apresentar. E então escolhia a panela certa e começava a juntar os temperos  –  um depois do outro , deixando os aromas no ar, como se estivesse compondo uma melodia ; notas e contranotas, graves e agudos ...  Ela ia solfejando os temperos que compunham aquela obra !

Não se preocupava com o tempo. Apenas com o borbulhar que ouvia, atenta.

Havia aqueles dias em que não se sentia inspirada. Nada lhe apetecia. Os potes ficavam quietos, em silêncio.

Mas em outros, bastava entrar na cozinha e seus temperos pareciam brilhar, à espera das transformações. Nesses dias sinfonias de aroma e cor surgiam, evolavam, seduziam ...

E ela regozijava-se de sua alquimia, do seu poder ! Ela criava maravilhas capazes de arrancar suspiros e sorrisos dos mais céticos !  Quem comia de seus quitutes, voltava.

Mesmo longe das brumas, ela ainda fazia magia ... rsrs

“Vamos ver : qual de vocês vai trabalhar hoje, crianças ? Temos poesias para criar !... “

                                                                                                     Waulena 

 

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PRATA BABPEAPAZ

Hiato

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Perguntam-me por poemas. Respondo que ando calada.

Às vezes parece-me surgir uma leve vontade, um pensamento, uma imagem. Mas não sobrevivem ao caminho até a página branca ...

De tempos em tempos parece que todas as palavras calam-se, constrangem-se, escondem-se. Não querem se expor ao mundo, não querem respostas ou duetos. Querem apenas silêncio.

Não quer dizer que não perceba coisas significativas acontecendo à minha volta. Não quer dizer que não me importe. Mas por que eu devo sempre falar ? Por que não posso apenas observar ?

Num mundo de tantos arautos, alardes, gritos feéricos, talvez a quietude seja a resposta correta...

Perguntam-me por poemas. Respondo que ando calada.

Deixo o vento refrescar minha alma. As flores pintarem minha aura. Talvez o mar seja boa companhia...

O chá exala seu aroma doce e uma pilha de livros olha-me com saudade.

É ... parece que vai esfriar ...

Recolhimento.

Depois ... ahhh depois as palavras decidem o que fazer ...

                                                                                                         Waulena

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PRATA BABPEAPAZ

Lençóis ...

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A noite se fez manto e abrigo

O frio insiste em despertar os sonhos

Mas ainda ardem no corpo os delírios

Os sussurros,

A melodia das mãos ...

 

A madrugada foge ligeira

O frio insiste em despertar os sonhos

Mas ainda ecoa no corpo as promessas

Os desejos,

A digital da boca ...

 

                                                                                                                             Waulena

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PRATA BABPEAPAZ

Corre o Tempo

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O tempo anda curto demais !

Os relógios consomem suas baterias como se estivessem famélicos ! “Não troquei essa bateria outro dia ?...”  - ouve-se isto a todo instante…

Por que o tempo corre tanto ?  Para onde ele vai ? Terá ele um encontro marcado ? Então, com quem ?

Ahh … perguntas sem respostas que me faço todos os dias , ao ver que estou atrasada de novo.

É sempre assim. Paro um instante para respirar e pensar e lá se vão os ponteiros embora ! Tenho que correr, correr !!  E quando vejo já é segunda outra vez …

Pra onde foi meu fim de semana ? O que eu fiz de bom ?...

Estanco atônita sem saber o que fiz …

Obrigo-me a parar sem olhar para o relógio. Puxo pela memória para entender quando foi que tornei-me prisioneira do tempo, esse algoz perverso …

NÃO !!!! Tu não me dominarás mais !

Quero ver os dias nascendo enquanto os pássaros cantam. Quero o cheiro do café fresquinho. Quero ver a paisagem passando pelas janelas enquanto as aprecio. E não vou me afogar em papéis !

Quero o frescor das noites, ver a lua sorrindo, quero encontrar os amigos, curtir o sabor daquele chope gelando o calor, assistir ao último lançamento no cinema...

Disse tudo isso na cara daquele relógio cruel ! Ahhh ... que sensação !! Senti-me nas nuvens …

Desde então não dou a mínima para o ar enfadonho que o relógio me lança todas as manhãs. No fundo, ele tem inveja de mim ...

E você ? O que espera do tempo ?

                                                                                                                             Waulena

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PRATA BABPEAPAZ

Uma certa primavera

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Houve uma vez uma primavera diferente. Havia mais brilho do que cores. Mais vento do que sons. 

Não amanhecia propriamente – a manhã emendava a madrugada. E os dias corriam, loucos por virarem noite... 

Haviam se esbarrado, trocaram algumas palavras e não sabiam porque havia ficado uma vontade de 'outra vez' ... Ambos voltavam, e se chamavam ...  

Algumas horas os separavam e nove mil mundos ! Mas se chamavam ...  E o tempo que existia era apenas aquele tempo em que juntos singravam as madrugadas. Conversavam tanto !  E riam ... Qualquer assunto valia. História, poesia. Ele conhecia muitas músicas de onde ela vivia e mostrava muitas outras a ela – algumas pareciam ter sido feitas para os dois ... 

Sobrava pouco tempo para dormirem ... ela se deitava para um pouco de descanso enquanto ele se ia, a ganhar a vida. Mas poderiam recuperar depois !  Por que perderiam esses momentos ?!... 

Às vezes conversavam até que o som dos passarinhos lembrassem da hora avançada.  E escreviam histórias a 4 mãos,  era  fascinante  como  conseguiam  completar  as  frases  e  os versos um do outro ! Viajavam pelas grandes conquistas marítimas, navegantes e nativos ; ou pelas brumas celtas, sacerdotisas e bardos ; ou pelos banquetes dos deuses ...  Ahhh  os deuses ...  às vezes rebelavam-se e questionavam os deuses por tê-los separado por nove mil mundos ... 

O filme preferido deles ?  "Nunca te vi, sempre te amei..."  Claro ... rsrs 

Às vezes ele ficava em silêncio. Ela nunca sabia se ele via suas mensagens ... Mas não desistia . Escrevia-lhe bilhetes, poemas, escolhia músicas - dizia que eram mensagens jogadas ao mar para que o alcançassem ...  E quando ele não podia mais resistir de saudade, voltava. E o rosto dela se abria num sorriso ... e o ouvia dizer que tentara mais uma vez sumir, esquecer, mas não pudera ... Precisava vê-la, ouvi-la, dizer a ela  "Ich liebe dich"   -  e ela antes nunca achara que o alemão pudesse ser tão doce de ouvir ...  rsrsrs  E quando se despediam ele jurava que iria voltar, porque sempre voltava … 

Assim passaram-se meses. Queriam-se, mas havia nove mil mundo entre eles. Precisavam viver suas vidas como pudessem. 

Com o tempo os encontros diminuíram. Porém não importava o tamanho do intervalo; quando se viam seus sentimentos tinham a mesma intensidade ! 

Ela preferia lançar suas garrafas ao mar, porque no fundo sabia que ele as encontraria. E de vez em quando encontrava uma mensagem de  "saudades" , ou um coração, ou um   "Ich liebe dich". Então suspirava e sorria para si mesma … 

Até hoje lembra-se das tempestades e quimeras nascidas naquela estranha primavera. 

E o mar sempre parece prestes a surpreendê-la com uma garrafa ... 

                                                                                                                      Waulena

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PRATA BABPEAPAZ

Conversa ao Pé do Ouvido

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No silêncio das horas apenas palavras permaneciam inquietas. Tudo o mais dormia, indiferente ao tempo, ao momento.

O quarto tornara-se pequeno demais para tantos deles. Havia os antigos e os novinhos, ainda sem qualquer folhear... Havia uns imponentes de capa dura e outros mais modestos, brochuras mesmo.

Separados nas prateleiras em ordem criteriosa, ficavam inertes, à espera de serem escolhidos. Entediavam-se ...

Quando alguém se aproximava, com o coração aos pulos, torciam para que fossem colhidos  -  mesmo que fosse para ficar na pilha ao lado da cama ...

Um dia um livro vermelho, nem era muito grosso, começou a resmungar sozinho, reclamando que aquilo não era maneira de tratar todas aquelas palavras – camaradas operárias -  que haviam sido cuidadosamente arranjadas em frases, que traduziam ideias  tão  importantes para  o  futuro  das nações ... Ouvindo o queixume, outro livro, com sotaque afetado, da outra ponta da prateleira respondia “espere pra ver. Não vão dar em boa coisa essas suas ideias ...”  Rapidamente aquela prateleira dividiu-se ! Uns à favor do Livro Vermelho, outros não queriam nem enrubescer de raiva para não ficarem parecidos com ele ...

“Uma coisa eu tenho que admitir” cochichou com um vizinho um livro amarelado, com as letras já esmaecidas pelo compulsar de mãos,  “esse Vermelho sabe agitar as multidões... Nunca vi tanto movimento por aqui !”

Realmente, uma agitação assim nunca ocorrera por ali ...  Como se de repente aqueles livros tivessem entendido que continham mais que folhas, que neles havia vida, batalhas, viagens, ensinamentos, gargalhadas, paixões, lágrimas – TUDO !

Timidamente um livreto em tom pastel, que estava mais perto da janela, suspirou ... No andar de cima um livro orgulhoso de suas receitas espichou a capa para ver o que acontecia. “O que há com você ? Por que não nos apresenta alguma coisa, conta uma história ? Não sabe nada de interessante ?”  E o livreto  levantou  os  olhos e respondeu :  “não ... só tenho versos em mim ...”

E assim passaram-se as noites dali por diante. Mal a casa se aquietava e as estantes começavam a algazarra. Durante o dia alguns se esforçavam para cair no chão, na esperança que algum desavisado os colocassem em prateleira diferente; assim poderiam conversar como novos parceiros, sobre novos assuntos – às vezes dava certo por um tempo ...

Todos pareciam mais viçosos desde então, menos empoeirados. Menos  o  livreto  em  tom pastel ... Sempre com as pontas cumpridas, espichadas para a janela, como se quisesse voar por ela ...

Um dia, uma menina que nunca tinham visto, escolheu justamente o livreto! Sentou-se aconchegada na poltrona e começou a ler em voz alta os poemas do livreto. De repente todos os  livros  prestaram  atenção  na  magia  daquela  doce voz, nas rimas de amor, nos versos livres ... Ficaram surpresos ! Quanta beleza naquele pequeno livreto !!

Naquele dia, aprenderam uma lição. Não se pode avaliar um livro por sua capa, sua idade, sua aparência. Nada disso importa, só o seu conteúdo !

E aprenderam mais uma coisa : não adianta encher o mundo de ideias e conhecimento se nele não houver poesia ...

 

                                                                                                                             Waulena

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PRATA BABPEAPAZ

PAZ

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Num mundo tão belicoso, parece que a Paz tornou-se um artigo de luxo, difícil de encontrar.

Tantos homens de ternos escuros e caros reúnem-se em grandes salões, sob os olhos da mídia, e discutem sobre a Paz : aquela que eles mesmo não conhecem, não fomentam, não protegem.

O mundo assiste. Há os que oram por ela. Há os que definitivamente não se importam com ela, a consideram um obstáculo aos seus propósitos egoístas.

Tantos são os que a cada dia levantam-se pesarosos por suas tarefas diárias, sonhando com um tempo de fazer nada. Tantos são os que não podem dar-se ao luxo de sonhar com um tempo de fazer nada.

Crianças, se perguntadas, falam da Paz com o desenho de pombas, ou flores nos canos das armas – e talvez com sorrisos.

E você ? Já parou para pensar no que é a Paz ?

Também eu me perco em pensamentos sobre ela. Nos momentos em que a vida fica mais rude e nos exige lutar. Quando vejo notícias das guerras sem fim. Quando ouço sobre fome, miséria...

Pergunto-me onde está a Paz prometida. Será que é algo a buscar ? Ou apenas encontrar dentro de mim ?

Porque é tão fácil sentí-la a nos envolver quando em meio às risadas dos amigos ; quando observo os sons que se abrigam no silêncio de um lugar feliz ; quando a natureza está próxima e cheia de vida ; quando encontramos abrigo num sorriso, num abraço ! ...

Nunca vamos encontrar a Paz buscando-a n’algum lugar, n’alguma pessoa, n’algum tempo !

A Paz está dentro de nós ...  Em cada sonho , em cada momento em que podemos ser apenas nós mesmos, em cada vez que conquistamos o coração de alguém – mesmo que seja aquele  “sem teto” para quem sorrimos pela manhã e a quem ofertamos o que comer ...

A Paz é um  “estado do Ser” .

Não precisamos conquistar,  guerrear, impor, limitar.

Basta que SEJAMOS.  E a profunda Paz que há em cada um de nós transbordará e tomará conta de todas as casas, ruas, cidades, países – sem fronteiras ...

Ser. Paz.

                                                                                                                                             Waulena

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PRATA BABPEAPAZ

Dias Nublados

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Enquanto a fumaça do café quente embaçava um pouco seus óculos e a caneca aquecia suas mãos, aproveitava a pausa para olhar a janela. Sabia o que veria, porque quando a cidade abre seu guardachuva, as ruas colorem-se sempre de cinzas e marrons...

A temperatura amena quase a fizera esquecer que ainda era verão. Loucuras do tempo : casacos no verão ...

Mas por que usavam casacos ? rsrsrs  Cariocas são sui generis; basta um pouco de chuva e lá vem as botas e os casacos que estavam loucos por um pouquinho de ar ... rsrsrs

A canção diz que cariocas não gostam de dias nublados. Ahhh ... mas ela gostava muito ! Podia espreguiçar-se e se satisfazer com os lençóis geladinhos; um banho morninho era relaxante; a fumaça do café a fazia pensar ...

Definitivamente não

suportava aquele calor alucinado, que fritava as

vinte e quatro horas do dia !!

De quando em vez alguém passava emburrado com a chuva. Então lembrava do velhinho que dizia “as plantas gostam !... “  rsrsrs O emburrado provavelmente diria  “não sou planta !”  rsrsrs

Pensando bem, tantas coisas boas haviam acontecido em dias assim ... Amores antigos, olhares, conversas ao pé do ouvido ... Livros, jogos, músicas ...  Também há vida na chuva  - queria ela gritar para o emburrado, que já ia longe ... rsrs

Divertia-se.

Gostava dos dias de chuva.

E aconchegada em seus pensamentos, ficou a ver a chuva colorir de cinzas e marrons a cidade ...

                                                                                                                                                   Waulena

                                                                                                                    

 

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PRATA BABPEAPAZ

Escolhas

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Escolhas.

Quando eu penso em escolhas sinto-me livre, dona dos meus rumos, do meu futuro.

Será ? ...

Por uma fração de segundos vacilo. Duvido.

Pensando em tudo que ficou para trás, percebo que nem tudo foi escolha; boa parte foi consequência. E não é assim com tudo, com todos ?...

Teimamos em nos achar onipotentes senhores dos nossos destinos ! Qual ... Tantas vezes somos joguetes dos deuses, que divertem-se como se fôssemos marionetes. Tantas vezes somos grãos de poeira espalhados pelos ventos da Vida, que não pergunta primeiro, apenas faz. Tantas vezes somos almas levadas pelo tempo de nossos atos, que não tem discussão, apenas resultado ...

Escolhas.

Ficamos diante delas todos os dias. Para os mais simples atos, e também para os mais significativos. Basta um segundo para nossa vida se transformar por completo – para melhor ou pior.

Tolice ou ingenuidade, mas ainda acreditamos que fazemos escolhas ... rsrsrs

Nunca poderemos saber o que nos move, se nossa vontade ou algo maior, pré-definido  -  não por um destino imutável, porém por nossas próprias escolhas, de ontem, de hoje, de sempre  ...

Só hoje eu gostaria de ter certeza das minhas escolhas. Seguir ou ficar, mudar, ser o mesmo; votar àqueles velhos lugares ou nunca mais lembrar ...

Difícil, não é ?  Pois a Vida é uma incerteza do princípio ao fim ! Só iremos descobrir no depois de cada escolha ...

Então, cuidado. Pense bem. Não vai querer arrepender-se, vai ?...

Escolha ... e vá.

                                                                                                                               Waulena

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PRATA BABPEAPAZ

O Amor

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Um dia o Amor ficou aborrecido. Entediado.

Tornara-se uma banalidade, ninguém mais o levava a sério ...

“Ora, que absurdo !  Como desfazem-se de mim assim ?!...”

Costumava andar pelas ruas, parava em esquinas, ou praças e observava o movimento de casais e de pessoas sozinhas.

Ainda lembrava do tempo em que era comum ver namorados de mãos dadas pelas ruas. E até casais idosos ainda juntos, a passear pelo mundo seus afetos. Mas agora ... os casais passavam apressados, mal se olhavam.

Não era assim com sua amiga Paixão - ela, sim, continuava na moda. Tornara-se comum os casais agarrados por aí, trocando beijos e carícias. Nada mais os retraía !...

Lembrava que no olhar dos solitários havia um brilho de esperança, suspiravam ao pensar que um dia eles também encontrariam seus pares. Agora, porém, se assustava ao ver nos solitários um vazio profundo no olhar  –  havia solidão, como um desterro ...

Enquanto  pensava  sentia  o  peso do tempo, sentia-se mais velho que ele ...  Sentia-se triste, impotente...

“Será que a culpa foi minha ?  Onde será que errei ?”

Perdido em divagações, naquela praça quase vazia, numa tarde abafada de verão, o Amor desejava que o mundo fosse feito de primaveras, de versos de amor, de casais enamorados ...

Foi então  que  viu  um jovem a riscar um coração na casca de uma árvore ... Gravou duas iniciais nele e roubou uma flor do jardim, saindo a correr ao encontro de uma menina sentada próximo dali ...

Havia tanta ternura neles !

E absorto em sua observação o Amor teve uma visão : daquele mesmo casal, muitos e muito anos depois. Eles estariam ainda juntos e nos seus olhares ainda haveria o mesmo sentimento  -  eles ainda viveriam o amor ...

E encheu-se o Amor de alegria. “Ahhh ... estarei vivo !!  Ainda há esperanças para mim !”

E entardeceu a sorrir o sorriso daqueles dois enamorados ...

                                                                                                                 Waulena

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PRATA BABPEAPAZ

Caminhos de Outono

com som

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Navego no vento do tempo,

Passeio ao longo da arrebentação

Nas asas de um vento quente

Chamado memória ...

 

Coração pulsando com as marés

Um sorriso vermelho carmim

Olhar perdido em doces sonhos

Corpo pronto, à espera de amar

 

Foi assim um certo verão

De tardes ardentes de paixão

De descobertas e surpresas

 

Tornou-se eterno outono

Dourada  cor do amor perfeito

Suspiro presente em toda estação

                                                                                                                            Waulena

@Waulena

Peapaz

Casa da Poesia

 

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PRATA BABPEAPAZ

Paz na Terra

com som

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Enfim ... dezembro ...

Um longo ano nos trouxe até aqui. Foi difícil, pesado, desgastante. Mas, como sempre, também tivemos sorrisos, vitórias, beleza.

Fico a observar o tempo. Ao nascer de dezembro, aos poucos, bem devagar, muda a atmosfera. Aos poucos surge uma certa ansiedade, porém do tipo colorido – como os papéis de presente e as bolas da árvore de natal. Aos poucos surge uma certa esperança, como um flash – um novo tempo vai nascer e tudo será melhor.

Verdade que sucumbimos aos ditames do consumo : fazemos listas, há compras a fazer, festas a planejar. Ninguém gosta de ficar fora das comemorações, ora ! Mesmo num ano difícil como este que se vai.

Todavia, um dia chega-se em casa e brotaram luzes pela vizinhança. Noutro vislumbramos o reflexo das árvores e seus enfeites. As ruas ficam mais agitadas. As lojas demoram-se a fechar. O mês avança trazendo uma nova face para a vida ...

Gosto de ficar no escuro, a observar as luzes da nossa árvore a piscar sonhos, brindes. Renasço... Deixo-me encantar pela magia das renas , da neve, daquelas velhas canções. Cada enfeite uma história, um momento. Natais antigos, família reunida  -  aqueles que não temos mais ...

Suspiro ...

Aqui dentro, junto à minha árvore, tudo o que não é bom perde o sentido.

A feiura das guerras, da fome, da falta de amor, do abandono ... tudo torna-se incompreensível !

Por que não conseguimos manter os sorrisos dos presentes recebidos, ao surgir de cada novo dia ?

Por que  não conseguimos ser generosos com qualquer um que esteja próximo de nós, como quando desejamos  “boas festas” ?

Por que não conseguimos guardar em nós os desejos de paz, as esperanças de fazermos um mundo melhor ?

Por que nunca conseguimos cumprir as promessas da virada dos anos, de mudarmos a nós mesmo naquilo que falhamos antes ?...

Sim. 2017 foi difícil, pesado, desgastante. Mas não são assim todos os anos quando estamos distantes da Luz ?!...

Sem considerar o que pregam as religiões, não seria o sentido do Natal o de deixarmos nascer em nós as sementes de amor incondicional, plantadas em nós na Criação – o amor que acolhe, vivifica, consola, cura ? Permitirmos que nasça em nós, finalmente, aquela chama divina que não queima mas faz ascender ?...  

Suspiro ...  e rezo.

Que este Natal seja o renascer dos sonhos, das alegrias, da compreensão, da união.

Que as ceias alimentem os anseios do Bem. Que os brindes ecoem por todos os dias vindouros, em comemoração à Vida justa. Que os convidados sejam sempre os amigos do coração, a família, e também os que precisarem de uma mão estendida. Que as luzes coloridas permaneçam acesas a clarear todos os passos, para que as sombras nunca se aproximem.

Que a PAZ renasça no coração dos Homens, e o Amor seja o único caminho.

 

FELIZ NATAL E UMPRÓSPERO ANO NOVO  !!!

                                                                                                                    WAULENA

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