Posts de Paulo César (592)

Teste e ensaio

Este é apenas um ensaio para aprender

a usar esta nova ferramenta

Uma arma que não conheço e afugenta

a minha vontade de fazer.

 

Vamos ver no que isto dá...

A ideia será boa ou má?

Não sei, nem importa,

o que interessa é que resulte

e no fim alguém possa ler

o que aqui escrever!

 

Vamos ver...

 

PC

Em 24.Dez.2019

 

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DEPOIS QUE MORRER

Depois que morrer
não quero palmas nem lágrimas,
bastar-me-á uma sombra silenciosa
onde corra um fio de água
e cresça uma papoila mais rubra que
o meu sangue arrefecido.

Se houver quem me queira imortal
cale-se
e leia, sem estremecimento de estrela,
as palavras que tiver deixado escritas.

Mesmo que as não entenda,
elas saberão mostrar quem eu fui!

Em 10.Mai.2018
PC

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O OLHAR MANSO DE MINHA MÃE!

3542080695?profile=originalAquele lume aceso,
aquele calor que penetra até à alma
e o olhar manso de minha mãe
mirrada pelo peso da vida,
ajoujada à amargura da saudade...

Por todas as frinchas o vento corre lesto
a limpar o mofo das zonas sombrias,
mas aquele calor de braseiro vivo
permanece imperturbável,
como o olhar manso de minha mãe,
debruçada sobre as memórias que não se esvaiem
só porque a noite vem 
e o frio assenta arraiais coreáceos.

As labaredas que sobem e lambem as alturas
lambem também
o olhar manso de minha mãe
e eu peço em silêncio...
Só mais uns anos, só mais uns anos!

E o fogo eriça-se e golpeia o espaço em redor
onde o olhar manso de minha mãe
é todo ele saudade e amor!

Em 07.Abr.2018
PC

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A PAZ VERDADEIRA

Deixai-me morrer em paz,

Ainda que a paz de quem arrefece e é consumido

Pelas larvas que as entranhas produzem

Não seja uma paz como a que sonhei um dia.

Essa paz que me espera – nos espera a todos –

É uma paz sem fundamentos, sem alicerces,

Sem raizes que assegurem futuro.

É uma paz vazia de ideais e sonhos,

Parida na impiedade do tempo esgotado,

Germinada no acaso incidental de um dia desigual.

 

Paz, paz… essa paz que busco vai para além da paz

Que se acoberta sob sete palmos de terra,

Na potência demolidora dum forno crematório,

Na aziaga insanidade de um tiro, duma corda suspensa,

Da sublimação pérfida de um caudal liquefeito,

Do perfume intragável duma overdose de heroína.

 

A paz está muito além de mim, em mim,

Ainda que morrendo acredite que permanecerei

Para usufruir dessa paz inexplicável.

 

Em 13.Nov.2017

PC

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Feliz e próspero 2018

Não tenho nada demais para dizer-vos.

Antes o silêncio que enche as veredas

e transborda dos olhos abandonados

do que mil palavras sem nexo

para falar do que não se diz.

Por cada ilha inóspita

que se ergam mil lamparinas de fogo

no céu cinzento das noites

sombrias e vagarosas.

Uma alma basta-se se souber

que outra alma se levanta

para serem dueto de vozes

unidas pelo silêncio.

Mas que não seja o silêncio solidão

ou desespero

ou ilha perdida

no clamor da dúvida e do medo.

Une-te ao infinito

e escuta a grandeza eloquente

de todo o silêncio.

31.Dez.2017

PC

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SANTO E FELIZ NATAL

O tempo que em tempo algum teve parança

continua pujante sua viagem, dia a dia,

avesso a qualquer mudança,

embora hoje nem tudo mude já como soia.

Faz-se tarde e tarda meu amor na Guarda

e doido me dou a dores ainda maiores

como se fosse castigo doer-me assim quando tarda

o sinal que espero para serenar-me as dores.

Tenso penso e pensativo fico a perscrutar o infinito

na busca duma estrela que ainda não nasceu,

mas que eu sei que nascida foi em tempo ido.

E neste encontro desencontrado, quase perdido,

vou contando cada segundo e o denso breu

cobre toda a terra, até que seja nascido

 o Menino Deus!

Em 24.Dez.2017

PC

Nota final

A TODOS DESEJO UM SANTO E FELIZ NATAL! QUE VOS ENVOLVAM AS ESTRELAS SERENAS DO CÉU, MESMO QUE COBERTO DE NUVENS, E QUE NO VOSSO CORAÇÃO NASÇA EM CADA DIA UMA FLOR VIVAZ, QUE JAMAIS DEFINHE: A FLOR DA PAZ!

Abraço natalício, de Portugal.

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NATAL, OUTRA VEZ...

Quando o Natal chegar,

quero ser  uma partícula desse Natal

transcendental,

desse Natal de luz e parcimónia,

com animais felizes ao meu redor

e estrelas suspensas no céu plúmbeo

cujo brilho não contém acrimónia.

Anseio por um Natal feito de gestos sem rodeios

e abraços inteiros, que cumulem de alegrias

cada corpo e dentro dele cada alma.

Que não seja um Natal de pressas nem de correrias,

onde os sons criam ambientes de frenesim

e as luzes enfeitam de brilhos falsos os espaços.

Desejo um Natal que seja apenas Natal,

sem ademanes de corista,

nem trejeitos de mágico amador

que faz acontecer pombas brancas,

presas em si mesmas,

na masmorra dos seus truques e artimanhas.

Natal...

Apenas Natal!

Outra vez...

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SUBMISSÃO E DESEJO

Posso? E se pudesse tomar

em mim o teu corpo nu e febril,

arquétipo de amazona a despontar,

catártico, infame, sedento, senil?

 

Se tomando-te eu pudesse perpetuar

o teu perfume e o sorriso fugaz, infantil,

de vestal que se esconde a desejar

possuir o tenso e rijo ceptro varonil?

 

Se tanto desejo é prelúdio de vingança,

que vingativa és e quão ditadora!

fêmea insaciável tua fome quero agora!

 

Permite que te tome e que a minha lança

afunde em ti, animal faminto justificado,

pois só em ti eu me redimo do pecado!

 

Em 02.Jan.2015

PC

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Pensar-me é... ser!

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Não me penso, como se pensasse alguma coisa concreta,

usando o cérebro e o entendimento.

Penso-me com os olhos, o toque da pele,

a emoção que vem sem que eu a chame.

Penso-me na largueza do horizonte,

na beleza das searas,

na decrepitude severa das casas,

no abandono iconográfico dos rios,

no grito ensimesmado dos corpos que calam,

na velhice encurralada dos velhos,

que fazem por ignorar o tempo jogando cartas marcadas

com a ignomínia dos outros.

Penso-me no invólucro romanesco dos meus sentidos,

na fraseologia intraduzível dos meus silogismos sonâmbulos,

na comoção feérica das pessoas em quem tropeço,

na interrogação repetitiva que me cerca e aprisiona,

condenando-me à exegese constante dos porquês.

Não me penso, quando me penso!

Penso-me tão somente quando nada penso

e, do nada que penso,

se eleva um pensamento instintivo, intenso.

Pensar-me não é obrigação ou dever...

É simplesmente ser!

Em 21.Março.2017

PC

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VOAR AINDA

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À Maria Iraci Leal, neste tempo difícil de perda.

Quando a chuva deixar de cair 

será primavera, quase verão, 

e no céu todo brilharão estrelas novas 

nascidas da força das águas, 

alimento de eternidade e gratidão 

com raiz no espaço e no tempo 

infinitos. 

 

Rega o lado sombrio dos dias 

com memórias de sorrisos inesquecíveis 

e, se doer demais, 

acolhe o brilho das estrelas 

como archotes que rasgam a escuridão 

e dissipam os silêncios lúgubres. 

 

As aves voam sempre, 

ainda que o longe seja impenetrável!

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 Em 08.Fev.2017

PC

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SEMPRE HOMEM, SEMPRE!

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Todo o homem é um homem,

ainda que pareça bicho,

ou estátua,

ou avatar,

ou nada.

 

Todo o homem merece

a justiça e a memória,

a aceitação e o contraponto

do seu pensar

esdrúxulo.

 

Todo o homem oculta,

na aventura de sonhar,

dias de sombras e sal,

quando as trevas descem

e desenham vazios sem tamanho.

 

Todo o homem é homem,

ainda que mastigue as sobras

dos outros

e se afogue em trapos,

tendo por casa um banco de avenida,

 

à sombra de todo o sol,

ao destempero de todo o vento,

ao manancial de toda a chuva,

ao rigor de todo o frio,

ao abandono de todo o ser.

 

Sempre homem, sempre!

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Em 24.Jan.2017

Ao Amandio, mais do que sem-abrigo, abandonado,

numa rua de Miratejo.

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O PERIGO

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A minha paz, se existe,
anda nas asas do vento,
que tropeça nas colinas e no arvoredo,
que entra sem aviso nas casas enrugadas
e fustiga o mar, eriçando as ondas.

A minha paz sou eu que a faço
e sou eu que a desfaço.

Não busco culpados.
Não alijo responsabilidades.
Sou eu quem luta em mim
e estes meus desejos enlouquecidos
de galgar as planícies e as serranias
é que me fazem destruir os silêncios
e criar desarmonia nos meus sonhos.

Não me castro, nem me inibo.
Eu sou O perigo!

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Em 25.Jan.2017
PC

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PESSOAS GENUÍNAS

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Gosto de pessoas genuínas,
pessoas que choram por tudo e por nada,
pessoas que carregam em silêncio
os silêncios próprios e alheios,
pessoas que falam com o olhar
e respiram pelas mãos que acariciam,
pessoas que vestem toda a nudez
com um sorriso sem espartilhos nem cuidados,
pessoas que adormecem na almofada das nuvens
e sonham com cantigas de ninar,
pessoas que acreditam na dor
e a carregam com uma confiança sem medida,
pessoas anónimas, entre anónimos,
que têm brilho próprio, que congrega e atraia,
pessoas que gritam calando fundo
a inocência do olhar cheio de imensidão,
pessoas livres, que semeiam campos de girassóis
e plantam gargalhadas sem preconceitos,
pessoas de cuja humildade generosa
se desprende o perfume permanente da paz.

Pessoas assim,

apenas e somente pessoas!

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Em 22.Jan.2017
PC
Imagem Google

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Já não há Natal!

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Já não há Natal.

Ponto!

Se houvesse Natal,

a luz mais bela, que não apenas a do sol,

haveria de brilhar no silêncio

de todos os corações

e transbordaria, inesperada,

de todas as frestas das casas,

de todas as nesgas de sonho,

de todos os cumes sombrios e nublados

das serranias humildes,

onde pastoreiam anónimos pastores de rebanhos

sem redil.

Se ainda restasse uma côdea de Natal,

uma migalha que fosse,

tudo o que hoje é doce

seria maná de ambrosia

a escorrer como rio, sem percurso ou foz,

pelas nervuras densas de todos nós

adornando as vidas de paz e alegria

sem igual.

Se fosse Natal o natal que celebramos,

porque haveriam de ser de luxo e bebedeira

os presentes que não cabem em sapatinhos,

nem em peúgas de lã fria e incolor,

com que se quer encher de nada o vazio

que alastra nas casas e nos corpos,

nos olhares e nas almas, inchadas de abandono e frio,

e se torna pandemia, qual mancha de bolor,

até enfartar infamemente a vida inteira?

Mas... alguma vez existiu o Natal,

tal como o revelamos,

em palavras e loas ocasionais,

sempre que chega este tempo

de abraços e sentimentos e gestos nobres,

que enche de fartura os pobres

e de humildade a ufana arrogância dos lodaçais?

Já não há Natal!

Ledo engano o meu,

que perdi o norte e morri

na noite em que o Natal nasceu.

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Em 26.Dez.2016

PC - Portugal

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DECLARAÇÃO DE AMOR (2)

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Apetece-me dizer que te amo.

Mas como o direi de modo que o entendas?

De modo simples…

Como pingo de chuva,

como sopro de aragem,

como reflexo de raio de sol,

como perfume de flor,

como gorjeio de ave sem ninho,

como silêncio inesperado…

 

Como desenharei o meu sentimento,

imperfeito e intempestivo,

sem outros instrumentos que não sejam

o meu olhar desprovido de ancoradouros,

as minhas mãos vazias de coragem,

os meus lábios sedentos de sorrisos,

a minha pele cansada de ausências,

o meu entendimento ressequido de memórias,

o meu coração trespassado de saudades?

 

Apetece-me aquele barco que parte,

aquela bandeira que drapeja ao vento,

aquela melodia que reverbera nas praças,

aquela janela que mostra o mais longe,

aquele grito que ecoa na peugada dos teus passos.

 

Apetece-me simplesmente estar

na proximidade dos teus beijos,

na orla morna do teu corpo,

na vastidão afectuosa do teu olhar,

na carícia benevolente do teu toque,

na indefinida fórmula do teu perfume,

no aconchego atractivo da tua sedução.

 

És a ave que fez ninho no meu beiral

e transformou em Primaveras todas as estações.

Como esquecer que és a tal,

que torna razoáveis todas as minhas ilusões?

Em 20.Dez.2016

PC

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ARRAIAL DA VIDA

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Bota-fogo...
Acende o rastilho da rebeldia
e sacode o mutismo da solidão.

Escâncara as janelas,
entrega à luz o que à luz pertence,
enche de flores a sala, o quarto, o corredor
e na cozinha ferve, em lume brando,
uma poção vital de alegria e amor.

Deixa que o dia aconteça devagar.
Põe lantejoulas no olhar.
Enfeita de arco-íris as palavras apetecidas
e, se o horizonte for curto e anódino,
estoira foguetes e faz festa.

Bota-fogo...
Quantas dias faltam para o mundo acabar?

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Em 15.Nov.2016

PC

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