Posts de Sueli Fajardo (172)

Fábula


A Rosa apareceu
no canteiro seco e mal cuidado
Como isso pôde acontecer?
Pensou o anjo triste.
Sentiu que o Céu havia
lhe dado um sinal
e respondeu:
Eu daria a minha eternidade
se pudesse tocá-la,
pois é o mais próximo
do Paraíso que chegarei.
Em segundos, tinha a Rosa
e o efêmero nas mãos...

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Raiz

Quase sempre subterrânea

absorve o sol e a lua

em diamantados estilos.

Embrionária,

gravita na sua eternidade.

Axial,

absoluto

 Universo dos sentidos.

Aérea,

divaga solidão.

Germe

do quarto escuro

da luz de fora.

Vascular inspiração.

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Agora

Abra seus olhos
para aquilo que pode doer,
queimar, sangrar,
te partir ao meio
e, ainda assim,
te deter levemente no ar.
Há tanta vida nos sentidos
e você não vê.
Fica aí sentado no vazio
de sua sala sobrevivente.
É certo que, desse jeito,
nada te  machucará.
O que realmente provoca
teus sentidos?
O que te faz sair desse torpor
que me assusta?
Maravilhosas são as sacudidas
que fazem o coração disparar.
Abra, meu bem, seus olhos!
Pois a existência é a eternidade,
o infinito, etéreo desejo,
no breve momento de estar.
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Transmutação

Nota: a história que se segue não é totalmente uma ficção. Não para quem a experienciou...

Cheguei à hora marcada. Tudo muito quieto. Como assim? Tínhamos marcado. Porta e janelas trancadas. Bati. Ninguém veio me atender. Bati novamente. A porta se abriu. Entrei. Estava na cozinha. Tudo era silêncio. Um arrepio percorreu meu corpo.

Corredor. A luz diminuía a cada passo. Ao fundo do corredor, um quarto. A escuridão era, então, quase total. Estranho porque aquele ser, que se aproximava de mim,  veio dela e era perfeitamente visível. Vestido e véu negros cobrindo tudo. Somente as mãos à mostra. Brancas, pequenas e magras.

O terror tomou conta de mim e me virei para correr. Impossível. Aquelas mãos alcançaram meu ombro e começaram a me puxar para dentro daquele lugar que mais parecia a entrada para  uma outra dimensão.Meus ombros eram forçados a se curvar e a dor era imensa. 

Involuntariamente, lá ia eu. Terror e angústia misturavam-se em mim. Não havia saída. Ou havia?

Foi então que olhei para frente, antes que eu fosse tragada por aquele breu, levada por aquele espectro. A luz que vinha da cozinha era ainda visível. Sorri. Dei o primeiro passo à frente. Endireitei meus ombros e caminhei.

Ela foi me soltando aos poucos e sumindo naquele ambiente perturbador. E apenas prossegui.

À minha frente, Lúcia pedindo para eu entrar. Eu ali, parada, do lado de fora da casa, ainda voltando daquela realidade assustadora e diante da minha amiga. Entrei. Ela me olhou intrigada. Não disse nada. Minha amiga me conhecia muito bem. Conhecia as minhas esquisitices.

Eu podia senti-la, mas ela não me era mais uma ameça: sabia que eu era mais forte, pois tinha optado pela luz, invés da escuridão.

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Em casa

 

                                                                    
      Noite. Não havia pessoa alguma na rua. Ela caminhava e a neblina, comum em noites de inverno, cobria tudo. Sentia frio. Árvores a assustavam. Passava por aquela mesma rua sempre e nunca, mesmo com chuva, o medo e a solidão lhe fizeram companhia. A imaginação, às vezes, age contra as pessoas. Ainda faltavam vários passos até sentir-se segura.
     Lembranças absorveram seus pensamentos. Havia uma certa distância entre o presente e suas recordações, porém ela sabia que eram recentes. Seus pensamentos a consumiam. A ansiedade e a insegurança a confundiam. Fechou os olhos por alguns poucos segundos. Abriu-os e não entendeu o que via. Calçadas estreitas e, em lugar de casas, havia túmulos à sua direita e à sua esquerda. Muitos deles.
      Como foi parar ali? Será que, por causa da neblina que atrapalhava a visão  até há pouco tempo, teria se desviado do curso? Todavia, tinha apenas fechado e aberto os olhos um pouco mais de um segundo!... Além disso, não se lembrava de cemitérios perto de casa. Afinal, que lugar seria aquele?
      Continuou a caminhar. O pavor tomava conta dela. Não entendia o que estava acontecendo. Foi quando viu, bem à  frente, onde a ruela acabava, o túmulo de uma mulher.  Notou que era visitado, pois flores o enfeitavam. Que alívio! Havia encontrado seu lugar. Estava, enfim, em casa.
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íntimo

Eu tremo quando sinto sua luz
alcançar o meu desconhecido interior
e me seduzir com o toque da noite
que margeia nossas almas, meu amor!

Entre o êxtase e a lassidão
numa gana, denso fogaréu
em suas firmes, doces mãos
descubro a aparência do céu.
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E se eu quiser dizer que o universo
É feito pra você, só pra você
Assim como eu (Tiago Iorc)
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Blasé

Blasé

Olhe a rotina pregando peça
fazendo história já contada
tantas vezes repetida.
Bocejos e angústias dos dias sem graça.
Que graça tem a mesma rua, praça,
o mesmo olhar distante
rompido no instante que o ponteiro segue
a mesma hora de antes?
SueliFajardo
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Estro

Estro

Dentro da sombra que vaga na parede fria
há também luz.
Veja!
Há uma luz que destoa todo o sentido
da sombra persistente,
que por opor-se a ela
humaniza-a, reanima-a
E lá vai ela a emanar presença
flutua, ensaia, voa feroz
e nunca nos deixa a sós.
SueliFajardo
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