Posts de Sigmar Montemor (163)

BICHO HOMEM

Acho
Que sou um peixe
Pelado
Prateado
Debaixo d’água
Sempre caçando
Comendo
Matutando
Tirando onda
Sempre sozinho
A maré a me levar
Eu e o mar

Acho
Que sou passarinho
Que gosta do ninho
Que vive
Assoviando
Cantando
Belo e altivo
A voar
E pairar
À espreita
Arisco
Em meio à beleza
Da liberdade da natureza

Acho
Que sou um felino
Ferino
Caçador implacável
Inabalável
No topo da cadeia
A fartar-se na ceia
E simplesmente
Dormir... Espairecer
Se lamber
E acasalar com furor
Urrar meu destemor
Animalesco e poderoso
Soberano e majestoso

Acho
Que sou um Deus
A criar
A julgar
Que faz o que quer
Quando quer
Onde quiser
Entendendo o passado
Ser iluminado
Fazendo o futuro
Criando a luz da vida
Nesse vazio escuro
Sigmar Montemor
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MEU DOCE

Nem o doce

Mais doce

Do doce

Da batata doce

 

Nem o mais doce

Bombom

Com o recheio

Mais doce

Que fosse

 

Nem o açúcar cristal

Ou o orgânico natural

 

Nem pavê

Nem glacê

 

Nem pudim

Ou quindim

 

Nem glicose

Frutose

Ou sacarose

 

Nem

O mais doce

Pote de mel

 

Nem o céu

 

Nem néctar, elixir ou licor

Nada

Nada

Nunca

Será

Mais doce

Que minha doce flor

 

Mais doce

Que o doce beijo

Do meu doce amor

 

SIGMAR MONTEMOR

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UM SONETO PARA VC

U MA ROSA COR DE ROSAM UITO BEIJO E ABRAÇOS Ó COMIDA SABOROSAO BRAS DO TEU BRAÇON INGUÉM COMO INIMIGOE STRELAS E LUA CHEIAT UA FAMÍLIA CONTIGOO BRAS DA TUA TEIAP LENITUDE NO AMORA PAZ E A ALEGRIAR ESIGNAÇÃO NA DORA PROTEÇÃO DE TODO DIAV IRÁ PARA QUEM CONFIA...C ONFIA NAS OBRAS DO CRIADOR!Sigmar Montemor
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GLÂNDULAS

Para deixar de ser meninaProduz a tua prolactinaEstimula teu leiteE adoça teu enfeitePara combater os radicaisMelatonina é eficazDentro da caixa cranianaTua hipófise é bacanaDo tamanho de uma ervilhaNossa pequena maravilhaA misteriosa glândula pinealDentro do cérebro, magistral !O estrógeno ativa a sensualidadeLibido, pele, cabelo, vaidadeE a progesterona prepara o larPara os ovários e os que hão de chegarAos testículos cabe um trabalho gostosoProduzir espermatozóides para a hora do gozoEncontrar ansioso e pronto um ovoE perpetuar para sempre o novo de novoA tireóide regula o metabolismoAcima de qualquer modismoÉ o cortisol quem cuida da pressão arterialAntiinflamatório fabricado na adrenalQue também faz androgênios que incitam desejosE adrenalinas para a hora dos lampejosE por fim o pâncreas criando a insulinaTudo no sangue... Mistura fina!Corpo humano laboratórioHormonal repositórioCria tuas substânciasEm recônditas reentrânciasDivina e milagrosa máquina perfeitaAgora repousa, descansa, deitaE usa teu sono... Recupera essa jóia raraMas na tua cabeça, teu sonho não para...Sigmar Montemor
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PRECE SEM PRESSA

META
UMA META
NA TUA
CABEÇA

META-SE
E
ACONTEÇA

META
É BOM
A BEÇA

QUE
NADA IMPEÇA
QUE
VOCÊ CRESÇA

SUBA
OU DESÇA
NÃO
ESMOREÇA

NÃO
ARREFEÇA
NEM
SE ABORREÇA

PERMANEÇA
NESSA
É SÓ
O QUE INTERESSA

PEÇA...
E TORÇA
PRA QUE ELE
OBEDEÇA...
Sigmar Montemor
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MOTOR DO AMOR

Meu cárter está cheio de óleo
Venha dar a partida
Neste poderoso motor a combustão

Faísque minhas velas
Gire meu motor de arranque
E injete combustível em minhas veias

Quero meu pistão
Dentro do teu cilindro
Gerando a energia da explosão

Anéis de compromisso
Bielas nervosas
Cabeçote exposto

Válvulas abertas
Acelera meu coração
Sem freio e sem perdão

Vai embora fumaça da dor
E gira virabrequim do amor
Sigmar Montemor
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AINDA RESTA UMA ESPERANÇA

Na briga pelas almas
Grandes forças se enfrentam
Só as estrelas calmas
A luz maior inventam

Mas o tempo é ainda maior
Suga os sóis que se apagam
A morte é o que há de melhor
Somente as partículas vagam

Um anjo canta
Um demônio dança
Óvulo terra santa
Sêmen esperança
Sigmar Montemor
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BALADA NUM BAR DE SAMPA

BALADA NUM BAR DE SAMPA

 

Precisava de Liberdade
Era feriado... Proclamação da República
Fui tomar uma com Cambuci
Num boteco com uma Bela Vista
Parecia o Paraíso
Verdes Campos Elíseos à esquerda
À direita um lago com Água Rasa
Em frente uma bela Casa Verde
No fundo uma criação de Perus
Tudo em meio a muitos Pinheiros
Margeados por um Rio Pequeno
E um Campo Limpo e florido
Tava cheio de Carrão
A segunda foi com Limão
Para hidratar pedi uma Água Fria
Na rádio rolava Santana
Para beliscar uma Lapa de cordeiro
E Mandaqui a terceira!
E uma isca de Perdizes
Mas veio uma Água Branca esquisita
Para minha Consolação não cobraram os 10 %
Nem o Mooca
Pedi a quarta... Que Pedreira!
Sé doido!
Já estava pra lá de Pompéia...
Santo Amaro!
Uma amiga ligou e disse emocionada... - Pari!
Pedi a última... E Saúde!!
Porque não saio do foco nem do Centro!
Sigmar Montemor
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FINAL DOS TEMPOS

Quando soprar nosso último verso

E a partícula final do sol for queimada

Transformar-se-á para sempre o universo

Numa linda paisagem da galáxia congelada

 

Mas restará ainda o poderoso grito

Da alma humana reverberada

No oco vácuo infinito

Do silencioso e absoluto nada

 

SIGMAR MONTEMOR

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MAGNÍFICO


Magnífica mente, invente
Magnânima morte, aborte
A mágica semente, gente
A árvore de porte, entorte
O menino contente, valente
A doce sorte, consorte
O sonho pungente, caliente
O único norte, resort
Há o que sente, latente
E o que conforte, corte
O corpo decadente, doente
O cérebro forte, reporte
Infinitamente, lente
SIGMAR MONTEMOR
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SANTA PENICILINA

Só Aspirina
Me anima
Só Novalgina
Reanima
Adoro os Anti-Sépticos
Tão ecléticos
Me sinto caótico
Sem Antibiótico
Só o que me move
É o Engov
Minha base
É o Acnase
Accupril
Me deixa a mil
Digeplus
Me seduz
Meu corpo pede
Aminoped
E com Aminovac
Viro um craque
Amoxadem
Me faz tão bem
Eparema
Resolve meu problema
Só me mantive
Bem com Cefaliv
Meu fígado só quer
Epocler
Só mertiolate
Combate
Pra que o nariz desengripe
Só Benegrip
Pra mim
Só Resprin
Sem água Boricada
E água Oxigenada
Não faço nada
Me sinto um trapo
Sem Esparadrapo
Estou numa fase
Que não vivo sem Gase
Pra pum
Só há um
Só Luftal
É o tal
Androcur
É hors concours
Anemiplus
É minha luz
Benalet
Não compromete
Sem meu Antak
Sinto um baque
Nunca me sinto alone
Quando tomo Aldactone
Bacigen
É um grande bem
E Bactomicin
Não é ruim
Sinutab
Antes que eu me acabe
E acredite
Adoro Citrovit
Todo Gel
Parece mel
Não passeio com uma lady
Sem meu Band-Aid
E não é pra menos
Nunca sem Camisa de Vênus
Somente o Allegra
Me alegra
Tudo fica mais fácil
Com Cloreto de Potássio
Sem Diclofenaco
A vida é um saco
Tão bela menina
A Neosaldina
E viva nossa Heroína
A grande Morfina
Dura Lex
Sem Calminex
Complexo B
É bom pra mim e pra você
Tudo só progride
Com Dermacyd
Vida tranqüila
Com Camomila
Sem Arnica
A coisa complica
Sou tão a fim
De Atromicin
Sou super fan
Do Energisan
E do Cataflam
E sem Atroveran
Fico tantã
Para alguns males
Só Cialis
E tem quem se consagra
Só com Viagra
Só Cebion
E Redoxon
É que dão o tom
Quem é mais gostosona ?
A Dimeticona
Ou a Betametasona ?
Quem decide
É o Profenid
Com Colírio
Vou ao delírio
E o Buscopan
É o Bambambam
Só subo ao estrelato do pódio
Com Bicarbonato de Sódio
Com Biotônico
Sou supersônico
Omeprazol
É meu sol
O Anador
É um amor
Só Sonrisal
Me deixa legal
E Benzetacil
Pra todo o Brasil!
Sigmar Montemor
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ALMA

Minha alma é feita
De pedaços de sonhos longínquos
De retalhos de colchas antigas
De mares que secaram

Ela é feita
De toda a matéria que existe
De relâmpagos e ciclones
Ela é feita de luz

Minha alma é afeita
Ao teu feitio
É perfeita
Não aceita desfeita

Ela é doce
Como o céu
E desamarga
Teu fel

Minha alma
Não é o fim
Vai muito
Além de mim

Foi esculpida pelo Tempo
Pai
E moldada na fôrma do Amor
Mãe
Sigmar Montemor
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O MILAGRE DO AMOR

O amor é milagroso
Promove o impossível
Nada é mais gostoso
Nada é mais incrível

A matemática emudece
A química silencia
A física agradece
E a biologia cria

Na arte de todas elas
Nada é mais bonito
Duas retas paralelas
Que se tocam no infinito

SIGMAR MONTEMOR

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MACROCOSMOS

No primeiro segundo do mundo, fundo
Denso e pesado aglomerado, magnetizado
De moléculas orbitais, gravitacionais
Condensadas e compactadas, ionizadas
Explodem no Big Bang inicial, fenomenal
E da origem às galáxias e planetas, cometas
E sóis que iluminam o céu, véu
Que um dia voltará ao seu estado, fadado
Ao eterno e terno infinito, grito
Do oco escuro do Tudo, mudo
Sigmar Montemor

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AI SAUDADE

Preciso do refúgio do teu olhar, a molhar
O meu olhar que repousa no teu canto, manto
Que apazigua o meu sono, e o abandono
Da tristeza da tua falta, que exalta
O abrigo do teu sorriso, que preciso
E o carinho da tua voz, que por nós
Ora e entoa cânticos e cantigas, tão antigas
Que acalantam os meus sonhos, mais tristonhos
Os mais medonhos sonhos de saudade, e da felicidade
Que eram os dias com teus beijos e abraços... Nos teus braços...
Sigmar Montemor

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INDRISO DO AMOR

É só um o sentimento mais puroDuas estrofes de três linhas apenasÉ só disso que precisoÉ o amor, que é passado e futuroEm oito frases tão serenasQue perfazem um IndrisoÉ o amor que nos faz imortaisNas duas linhas finaisSIGMAR MONTEMOR
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COTIDIANO

Ela acordaEspreguiça o desânimoLava os pesadelosEscova a misériaE começa a limpar as frustraçõesLogo é hora de preparar a fomeQuando ela vê acabou a manhãEla lava o desesperoPassa o tédioTira o pó da acomodaçãoE dá uma lida na ignorânciaAjeita a desesperançaOrganiza o cansaçoQuando ela vê acabou a tardeEla tempera o preconceitoCozinha uns traumasAssa o medoO marido chega e ambos se fartamDe desrespeitoE ódioQuando ela vê acabou a noiteA morte chega despercebidaQuando ela vê acabou-se a vidaSigmar Montemor
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O REI

é do balacobacoé do borogodóé forte comendo fracoganha quem tem gogóé mais embaixo o buracodá o laço e faz o nódá uma de rei do barracodá uma de rei do forróvive coçando o sacovive tomando gorótudo ele tira um nacoe pisa em cima sem dóparece tarzã rei macacotratado no pão-de-lósempre passa giz no tacoe canta que nem curiócamisa de linho e casacogravata de seda e paletóesse cara é um velhacoele é vanguarda é rococósempre fumando tabacoe beliscando um lolóele é do balacobacoele é do borogodóSigmar Montemor
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VENTO

Vento que leva e traz a vidaVentava na sua despedidaVento que carrega as novas sementesVentava frio e você rangia os dentesVento que agiganta as ondas do oceanoVentava muito...já faz quase um anoVento que forma ciclones e tornadosVentava quando fomos separadosVento que traz a chuva benditaVentava naquela noite malditaVento que faz parte do ciclo incessanteVentava e doía, dor lancinanteVento que assoviaVentava e você partiaVento que espalha as coisas que escreviVentava e eu nunca mais te viVento me conte agoraMe conte sem demoraPorque é que ela foi embora?Sigmar Montemor
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