Posts de Sheila Assis (20)

O ciúme veste corselete!

O ciúme é paixão vassala

Come, consome, engasga

Devasta e masca chiclê

É insano... Coitado

Usa até salto alto

E repete clichê

O ciúme é ressaca de corpo

De possessão e matéria

Desequilíbrio da carne

Corrosivo da artéria

Pertencionismo ilusório.

O ciúme é amolação

É sociopatia em apuro

Rugido da emoção

É o verde do maduro

De minissaia e batom

Com pernas longas...

Ah, o ciúme veste corselete! 

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Vozes da alma

Alma...

quem és tu?

Vozes... 

quantas

somos?

Quem fala comigo

no peito?
na mente?
na derme?
no ouvido?

Quem fala comigo?

Quem desnorteia os meus sentidos?
Não engane-me...
alma... prisma de demônios famintos

Não creio que tu sejas eu
Sou um corpo apenas
Alicerce da tua essência
Choupana fria de poucas mobílias
de telhas rachadas...
ecos de solidão
no mofo dos quartos
Sou só a palafita enfeitada
com santinhos pendurados
Casa de praia
Estadia barata
Casca epidérmica

Alma...
quem és tu?

Vozes...
quantas
somos?

Quem fala comigo
no peito?
na mente?
na derme?
no ouvido?

Quem fala comigo?

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PÉRFIDO

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Eclode-me a blasfêmia enraizada
D’alma perfura-me as vísceras
Como chaga latejante
De sangue mórbido borbulhante
Sobre o véu do purgatório
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Rogai-me complacente e sacrossanta
D’outro amor em luxúria mundana
Corrompido amor pudico idolatrado
Dos castelos intrínsecos de cristais
Que lascivo, quebrados por ti
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Olhai-me suscetível a rubéola
Aos males metafóricos do eczema
Pérfido usurpado do sempiterno
Dissoluto das dores cancerígenas
Que morfina (perdão) não alivia
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Perdoai se o esquecimento não impera
Se vaidade aleijada e ira cega
Não calam o grito mudo que esperneia
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O coração não comissura dor imensa
O sangue lúdico é sorvido pingo a pingo
E o amor interciso agoniza em despedida
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PARAMNÉSIAS

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Delongas vetoriais trajam cambraia
Enquanto dedilham meus fracassos no porta-retrato
Com suas unhas de porcelana francesa
E me vês como andrajo de redoma...
Letárgica, insuficiente e amargurada! 
Os cavaleiros do destino debocham-me
Fadários de seus faetontes e faz de conta
Renitentes senhores do apocalipse
Brincam de malmequer com meus cabelos
Sonâmbula demência em demasia!
Energia cósmica contentada
Inimiga conducente imaginária
Sou nada, nada, nada - confessada
Carne, ossos, sonhos e preguiça 
Ah... minha mente... é a casa do mundo!
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SANTO DE BARRO

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Donde vens santo de barro

encastelar minha quimera?

Louvar-me com teu farro -

malfazer toda uma era?

Ou criar um nó de amarro?

Quanto deslumbre espera?

Um vinhedo abençoado?

Enlevo... quem me dera!

Régio, herege e coroado....

Ilibado... não deveras...

Donde santo com um fado...

Olvida destino-fera?

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A face que tu beijas

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A face que tu beijas era pêssego, era seda
E agora como sentes os lábios teus
Se o vento furta vida como areia
Se o tempo me envelhece a cada beijo?



A face que tu beijas, era pêssego, era seda
Como água cristalina da nascente
Face mel para lábios de abelha
Pólen em flor para lábios borboleta...



A face que tu beijas era pêssego, era seda
E agora como sentes os lábios teus
No solo árido em que sulca meu deserto
Entre cactos que desabrochas em teu céu? 

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O ÚLTIMO VÉU...

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Quando o destino tirou o véu do encantamento

Nos teus olhos o viço perdeu vida...

Desci dos teus altares e fui me abrigar no contentamento

Com a alma exilada e condoída.

 

Desnuda do sonho, desejo e pensamento

Vaguei pelo umbral de musas esquecidas

Consumidas dia-a-dia com o tormento

Suspirando a dor da despedida.

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Viestes... com tua ausência!

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Viestes com mãos brejeiras
Enfeitar-me os cabelos
Com flores de laranjeiras
Deitar-me em teus castelos

Viestes com olhos pedintes
Ladrando-me os farelos
Com a luxúria dos requintes

Dos girassóis em anelos...


Viestes com risos pequenos
Ofertando-me sóis amarelos
Com a sede de vales morenos
Do deserto violoncelo

Viestes...com o corpo apenas
Sem alma... De carne fria
Levando-me como vil açucena
Para o jardim nostalgia

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TU-POEMA

Tu-Poema, de papel macio
Com letras pingando cacau
Enamoro-te ao ler em arrepio
À deriva/mercê como nau
Ah...Tu-poema...!

Tu-Poema, correnteza de rio
Com águas de puro sarau
Leio-te hebraico, francês e latim
Nas entrelinhas deste calhau
Ah... Tu-poema!

Tu-Poema, beleza e brio
Nas águas d'um vendaval
Ancora teu verso-navio
No estrofe do temporal
Que a entrelinha no cio
Reluz impressão digital

Ah...Tu-Poema com frio!
Tu-Poema castiçal! 3541818399?profile=original

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CÁLICE DE DORES

Bebo o néctar do soluço
Nesta taça de ouro e prata
Do vinho o sangue vermelhuço
De um romance burocrata

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Brindo sim sozinha o aranhuço

As mordidas feridas de fragata
Dos cheiros de pólen eunuco
Da grama que virou mata

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E, coleciono em ode maluco
Tributo embriagado telepata
O vinho tão somente carapuço
Da viva angústia pacata

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Coleciono dores

E bebo neste cálice
Meus desamores
Aftas da alma - ápice!!! 

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ENTRELINHAS

Entrelinhas são enigmas
De poucos olhos penetrantes
Entre-cortes, os estigmas
Da alma poeta pulsante

Gritos daltônicos e olhar paradigma
Hieróglifos em ouro rutilante
Ora fantasmas, ora esterigmas
Ora sociopata-farsante

Entre as linhas o capuz do enigma
Dubiedades protestantes
Jogadoras translúcidas em sigma
São do poeta... amantes! 

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LÂMINAS

Voluvelmente revoluto

Ante a indagação inquietante

Ora desejo de fruto

Ora murmúrio de sangue

 

O silêncio absoluto

Torna o ar errante

Como subproduto

Dum pedestal vacante

 

O emocional diminuto

Não intimida o instante

O 'nada' sim é astuto

Finalizador e cortante.

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D'OUTRA VIDA

Guardas em minh'alma o sentir de outra vida

O 'deitar e o despir' como último suspiro

Ressurreição desencontrada e homicida

Embarga o amor a quem respiro

 

Guardas em minh'alma, a 'intacta desconhecida'

E o amor inebriante a qual refiro:

Grandeza e certeza possuída

Dos poemas escritos em papiro

 

Guardas em minh'alma a nunca despedida

E a dor de sabê-lo como um tiro

O elo quebrado e a saída

 

Guardas em minh'alma - eu confiro

Memórias, sonhos d'outra vida

Segredos de amor em vão retiro

 

Guardas em minh'alma a dor já esquecida

Juras de eternidade em suspiro

E a missão de continuar em vã partida! 

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LÁBIOS DE FIGUEIRA...

Maldigo, maldigo...
O lúdico sabor alquímico
No aroma doce de figo
Veludo áspero, cítrico
Saliva em ode e castigo
Cianureto caustico
Figo, figo, figo!
Fruto do pânico
E do frenesi mendigo
Mágico e retórico
Figo, figo, figo!
Cálice tetânico
Veneno e jazigo
Dum beijo evangélico
Figo, figo, figo!
Cenário psíquico
Desejo inimigo
No desmaio angélico
Que me contradigo
No delírio silábico
Bendigo, bendigo... 

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MAGO

Decifrastes meus enigmas
Cantastes minhas partituras
Quebrastes meus paradigmas
Enxergastes minhas canduras
Curastes meus estigmas

Adentrastes eloquentemente
no físico, químico e biológico
Sem bater na porta

Experimentastes meu corpo como alquimia
Vivestes em mim faminto e naufrago
Eternizastes em sêmen sagrado aprazia
Transcendentestes a amplitude do âmago

Espectros siameses homogêneos
Simbiose de corpos ardentes
Osmose de vísceras inteiras
Enlace de espírito & alma 

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SOU TEU FADO SIGILÁRIO

Não adianta banhar-se de outros aromas
Meu cheiro está impregnado em tua pele
Eu sou cada gota de suor teu
Sou a raiz dos teus pêlos
Eu corro nua no sangue de tuas artérias
Sou teu vital oxigênio
Sou cada polegada de tuas digitais
Desespero que te invade inteiro
Tatuagem cósmica, orgasmo fleumático

Não adianta buscar-me em outros corpos
Ou em outras bocas e abraços vagos
Saciedade matada, sem adornos de alma
E mundo vazio ao amanhecer...
Sou a imagem menina de tua retina
Âmago de dor que inflama
Sou a eletricidade que te aviva
Paz que te alinha e derrama
Nas profundezas de minh'alma.

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PESARES

Resíduos dos fatos
Espectros da mente
Vãos artefatos
Visão eloqüente
Audição em boatos
Olfato fremente
Espalhafatos
Pulsão latente
Vis mediatos
Incandescentes
Resíduos dos fatos
Espectros da mente 

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A SENHORA E O SACERDOTE

Diz-me senhor que sou fruto proibido
Purgatório, arritmia e conflito
Que rasga-se por tão comedido
E transforma prece em mito
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Diz-me senhor que clama o meu ouvido
Para oferecer-me voz em delito
Com juras de amor e gemido
Depois arrepender-se aflito 
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Não me diz senhor ensandecido
Que só meu corpo tem o dígito
Do código morse condoído
Nas entrelinhas do teu espírito 
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Não me diz senhor, pecado bendito
Santa heresia ou sonho atrevido
Sacerdote e querubim decaído
Mulher alheia infiel ao marido 
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 Diz-me senhor, sonho esquecido
Pudor santo descorrompido
D' um suposto amor descabido
Dá-me o adeus em gemido 
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PECADO SANTO

Não enxergas as pegadas de sangue
Nem sentes o ardor d'entre as artérias
Clamores e vozes soluçadas
[minha reza]
Choros minguados ao pé da cama
[é o meu pranto] 

Não vês o amor sacrossanto
Que trago como quimera
Imaculado pecado santo
Enlevo de primavera
 Arfado no teu encanto

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AMOR INDEVOTO

Dizei-me amor indevoto
Se tu crês no cupido
Entre o gozo ignoto
E o prazer foragido
Ledo, profano e remoto
 
Dizei-me amor indevoto
Desertor comprazido
Se tu crês no meu voto
Em luxúrias defluído
Num palor de terremoto
 
Dizei-me amor indevoto
Se romance esvaído
É bel prazer roto
Agarrado ao meu vestido
Eu bem noto...
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