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A HISTORIA DE IVAN

Ninguém ao certo sabia o que ia em seu coração…
Homem carismático e impetuoso! Quando seu pai morreu em batalha, estava claro que seria ele a sucedê-lo na liderança do clã. Mas não foi bem assim que as coisas aconteceram… Além do sofrimento pela grande perda, encheu-se de dúvidas a respeito do rumo que a guerra entre as famílias tinha tomado.

Era acima de tudo um idealista, um sonhador! Almejava a paz para os povos, a união de todos em uma Grande Família! Sempre esteve a frente de seu tempo! E por inúmeras vezes tentou mostrar ao líder de seu povo, seu pai, a possibilidade de suas idéias… Por vezes, saiu triste e frustrado de suas reuniões com o Conselho.
Era em vão tentar mostrar àqueles homens que existia um mundo diferente além de suas tradições arcaicas.
Parecia só, muito só!
Encontrava conforto na música, na dança, na alegria em volta da fogueira acesa todas as noites no centro do acampamento!
Afinal era um cigano! E quando tomava na mão seu violão, tocava-o com paixão, deixando a todos embriagados com seus sons, por vezes fortes e vibrantes, por vezes suaves lamentos, chorosos, doídos! E como dançava! Procurava seu par com aqueles olhos negros a vagar entre as moças sentadas ao redor.
A escolhida levantava-se impulsionada pela força daqueles olhos profundos, repletos de promessas… Bailavam…bailavam e enchiam os olhos da platéia com a dança sinuosa, cadenciada e passional de seus antepassados.

Tinha todas as mulheres presas a ele, mas não era de ninguém. Nunca foi. Seu coração era livre, era do mundo, era da vida.
Passaram-se os dias e a sucessão se aproximava… Procurou por ela, Carmen, sua irmã de coração, amiga e confidente.

Pediu que ela se encontrasse com ele à beira da estrada, longe do acampamento, quando todos já tivessem se recolhido às tendas para dormir.
E assim foi… Quando ela se aproximou do lugar marcado para o encontro, lá estava ele, ao lado de seu cavalo selado, pronto para partida.
Parecia uma visão fantasmagórica iluminada pela luz da Lua que ia alta no céu estrela do
Fechou a mão ao peito, como se com esse gesto pudesse conter a dor que sentiu naquele instante… Sabia! Nada precisava ser dito! Ivan estava indo embora, fugindo ao seu destino… Que desgraça, meu Deus!
O que seria dele!…

Ele se adiantou, caminhando tranqüilamente até ela, segurou suas mãos firmemente, e olhando-a nos olhos, jurou que um dia iriam se encontrar novamente. Pediu que ela fosse portadora de suas palavras junto a seu povo.

Ele não os estava abandonando à própria sorte. Precisa fazer isso! Por eles! Estava indo em busca de um ideal, para que as gerações futuras não mais sofressem com tanto derramamento de sangue, tanta dor, tanto medo! Pediu que não chorasse e que mantivesse acesa em seu peito a chama da esperança! Num último gesto, tirou o punhal da cinta e entregou-o a uma Carmen atônita, seu objeto mais precioso, símbolo do sangue cigano que corria em suas veias.

Ela, Carmen, com o punhal cravejado de rubis às mãos, vendo Ivan montar o cavalo e se preparar para deixá-la só, sozinha com seus pensamentos, teve forças para levar o punhal aos lábios, beijá-lo e apertá-lo junto ao peito, em sinal de juramento eterno. E ali quedou-se, e permaneceu por um longo tempo, admirando a silhueta do homem e seu cavalo desaparecer ao longo do caminho e da mais completa escuridão…

Ao longo dos anos após sua partida, pouco se soube de Ivan. Para seu povo, era um renegado! Muitos admiraram seu ato, mas permaneceram em silêncio…
Apenas Carmen o defendeu abertamente e por isso foi punida com o exílio. Sumiu no mundo sem deixar rastro, como se nunca tivesse existido! O cheiro de vingança pairou sobre aquela tribo de nômades… Um dia haveria sangue negro para aplacar o ódio que ia no coração de alguns, por terem sido enganados e ridicularizados abertamente por aquele homem-menino inconseqüente!

O homem-menino deixou de ser menino… Ganhou o mundo! Andou por novas paragens, conheceu outras culturas, fez amigos e inimigos.
Teve todas as mulheres que quis. À elas, não prometia nada, apenas a paixão de uma noite.
E elas, queriam estar com ele mesmo assim, enlaçadas por seus encantos. Apenas uma mulher amou e odiou! Aquela o fez derramar lágrimas amargas.
Por ela foi torturado e magoado. Enganado, foi deixado para traz… Sofreu muito sua ausência, e jurou jamais acreditar numa mulher outra vêz! Aprendeu muito! Trabalhou duro! Defendeu as classes menos abastadas! Falou ao mundo sobre seus ideais! E exatamente, por isso, tombou… Preso, viu seus dias se escoarem pelos vãos daquela cela fétida…
Não queria morrer assim! Amava a liberdade! Amava a vida! Já não podia mais contemplar a natureza…sentia falta do cheiro de mato molhado após a chuva bendita… Seu violão lhe fora tirado e seus dedos não mais podiam tocar, estavam esmigalhados de tantas torturas sofridas…
Pedia a Deus todos os dias que o tirasse dali! Tinha tanto a fazer! Tinha tanto a dizer! E num dia qualquer, suas preces foram atendidas…
Foi levado à presença de dois homens, que encapuzados, como estavam, num manto negro que ia até o chão, num primeiro momento, não pode saber quem eram seus salvadores.
Apenas lhe foi comunicado que aqueles homens estavam ali para levá-lo para junto dos seus. Sorriu à vaga lembrança de seu povo…quanta saudade…
Foi solto e levado por aqueles homens a um casebre em ruínas afastado da cidade… Tamanha era sua alegria em ver o Sol, o rosto das pessoas, o som da liberdade novamente, que nada desconfiou, nada percebeu a cerca de seu destino…
Chegado ao local, foi preso novamente a grossas correntes, numa cela úmida e sem janelas, em total escuridão… Lutou pela vida bravamente, até que aceitou sua situação! Viu o ódio nos olhos daqueles homens, eram seus Vingadores. Num primeiro momento, revoltou-se. Mas depois, teve pena daquelas pobres criaturas que se deixaram consumir por sentimentos malditos!

Seriam almas sujas de sangue pela eternidade… Sentiu o primeiro golpe de punhal em seu flanco esquerdo…Depois, mais outro e mais outro e mais outro…
A carnificina estava sendo executada afinal!

E o destino daquelas três pessoas estava sendo selado naquele momento…
O derradeiro instante se aproximava, e com ele veio o último golpe, na boca do estômago… Ivan então foi deixado só, em agonia, ainda com um fio de vida a passar por seu corpo…
Fechou os olhos, viu sua vida inteira passar em sua mente como num filme… Soltou um profundo lamento!
Fez uma breve oração! Se perdoou e perdoou a todos que o magoaram…. Viu Carmen pela última vez! Sorriu! Sua promessa estava cumprida! E só então entregou-se, de alma limpa, pronto para a nova aventura, a nova jornada que o esperava…
Estava livre!
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Fonte: https://gayasagradamae.wordpress.com/category/contos-ciganos/

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Ciganos Famosos

Nesta página apresentamos algumas pessoas famosas que são / foram Roma ou tem / tinha ascendência cigana. Como a lista seria muito longa, nós não incluímos aqui artistas Flamenco, com a sua pertença ao povo Cigano é bem conhecida, e apenas alguns deles não são ciganos.Algumas das personalidades listadas aqui têm mantido a sua identidade secreta ou romani foram sugeridas para o fazer, enquanto outras têm declarado abertamente.A ordem na qual eles são apresentados aqui é a sua profissão em primeiro lugar e, em seguida, pela sua nacionalidade de nascimento.Profissões: Artistas, escritores, cientistas, atores e atrizes, músicos e cantores, prêmios Nobel, Pioneiros e Aventureiros, presidentes da República, membros do Parlamento, pregadores, Heróis de Guerra , Jornalistas, Designer de Moda, Desporto.Categoria adicional: Personagens fictícios.

Artistas

França
Micaela Amaya Flores "La Chunga" (Marselha, 1938)
Apesar de "La Chunga" é conhecido mundialmente como um dançarino de Flamenco (Flamenco e os artistas não estão incluídos nesta página), sua menção aqui é como um pintor romani. Grown-up, em Barcelona, foi primeira bailarina talentosa desde a infância, e depois ela começou a pintar por inspiração espontânea. Seu "brilhante" estilo naïf foi elogiado por Picasso, que disse sobre ela: "Como pode ser possível que uma garota Gipsy sem estudos expressa como uma sensibilidade e cores em seus quadros ...". Ela também contou como atriz de cinema. Ela foi agraciada com a Medalha de Ouro do Círculo de Belas Artes de Madrid, e outros prêmios.

Hungria
David Beeri (Nyírbéltelek, Szabolcs-Szatmár, 9/7/1951)
Nascido Károly Pongor Beri, ele é um artista Rom que criou seu próprio estilo espiritual da pintura moderna, que resulta da combinação de surrealismo, expressionismo, cubismo e outras tendências de acordo com suas próprias regras. Seus trabalhos foram apresentados em várias exposições, principalmente na Hungria, Alemanha, Holanda, Bélgica, Japão e E.U.A.

Tamás Peli (Budapeste, 1948 - Budapeste, 22/11/1994)
Tamás Peli foi o primeiro húngaro Rom que graduou-se como um pintor profissional, na Academia Nacional de Arte de Amesterdão. Seus trabalhos são reconhecidos mundialmente e considerada uma das obras-primas das artes visuais. Ele proferiu a sua paixão entre Roma, ensinando sua arte a um grupo de discípulos, e inspirou as gerações seguintes de artistas ciganos.

Itália
António Solario (Civita em Abruzzo, por volta de 1465 - 1530)
Nascido em Abruzzo, onde os assentamentos Roma estão entre as mais adiantadas na Itália. Conhecido como "Lo Zingaro" (The Gypsy), ele estava em um smith primeiro viajante, seguindo a tradição de seu pai. Solario foi um pintor renascentista da escola napolitana, mas ele estudou em Bolonha, Veneza, Florença e Roma. Voltar em Nápoles, ele se tornou o pintor mais reconhecido em seu tempo. Um naturalista, paisagens seu fundo eram mais realizado do que os de seus contemporâneos. Sua obra mais conhecida é uma série de vinte e afrescos no mosteiro de San Severino.

Roménia (Erdély)
Mircea Lacatus (Szamosújvár / Gherla, 24/3/1962)
Romany escultor, graduado na Universidade de Artes, em Bucareste, Romênia. Residente em Viena, expôs suas obras em vários concursos internacionais de arte, principalmente na Alemanha, Áustria, Roménia, Croácia e Japão. Seu site aqui.

Eslováquia / Hungria
Balázs János (Alsókubin, atual Eslováquia, anteriormente Hungria, 1905 - 1977)
Nascido em uma família de músicos ciganos, Balázs János destacou na pintura e poesia. Sua arte criativa é única e misteriosa, rica em cores, e transmite a expressão dos sentimentos mais profundos de ambas as culturas húngara e cigana. Mesmo que ele começou sua carreira artística em seus últimos anos, ele conseguiu um lugar entre os maiores pintores do século 20.

Espanha
Helios Gómez Rodríguez (Sevilla, 1905 - Barcelona, 1956)
Pintor, artista visual, poeta e ativista político. Orgulhoso de sua identidade cigana andaluza, ele foi um grande representante da arte gráfica espanhola, que foi uma expressão de suas idéias revolucionárias para a justiça social. Durante a guerra civil espanhola, alistou-se um cigano divisão de cavalaria para defender a República. Forçado ao exílio, ele se estabeleceu na França, Bélgica, Alemanha e União Soviética, onde participou em várias exposições. Aprisionados em campos de concentração francês de 1939 a 1942, ele retornou para a Espanha e continuada tanto as suas actividades artísticas e políticas, para o qual ele foi preso por vários anos.

Suécia
Rosa Taikon Janush (Tibro, 1926)
Ourives joalheiro, ela é a irmã de Katarina Taikon, escritor. Seus artesanatos são expostos em exposições e museus, principalmente na Suécia.

Ucrânia
Katarzyna Pollok (Kiiev, 1961)
Internacionalmente reconhecido pintor e escultor, ela é uma mulher Sinti comprometidos com os direitos das minorias e, muitas vezes lidando com a memória do Holocausto Gypsy (Porhaymós). No presente residente na Alemanha, ela realiza exposições de arte no mundo inteiro, incluindo museus judaica da Shoah. "Eu tenho respeito pela identidade do Holocausto, e com essa identidade especial dos ciganos europeus que encontrei minha segunda casa, em Israel. Em Israel eu achei mais segurança e compreensão para mim como um filho de uma criança sobrevivente do Holocausto que na Europa ou Índia ".

Escritores

Áustria
Ceija Stojka (Kraubath bei Knittenfeld, Steiermark, 23/3/1933)
Margarethe Stojka Nascido em uma família de Lovari Roma, tradicionalmente cavalo-comerciantes. Sendo uma criança, ela foi deportada para Auschwitz-Birkenau, bem como toda a família dela, então ela foi transferida para campos de concentração diferentes, até que foi libertado de Bergen-Belsen. Então Ceija decidiu estudar e se tornou um escritor, seu primeiro livro foi o primeiro trabalho literário sobre o Holocausto, escrito por um Romni. Ela também é um pintor autodidata e suas obras têm sido apresentadas em exposições. Ela publicou também uma coleção de poesia.

Áustria-Hungria
Johann "Kalitsch" Horváth (Felsoor / Oberwart, atual Áustria, ex-Hungria, 1912-1983)
Contador de histórias e escritor, Kalitsch foi o único membro da sua família que sobreviveu após ter sido deportado para Auschwitz, onde perdeu sua primeira esposa e três filhos. Então ele se casou com a irmã de sua esposa e reconstruiu-se uma família. Com as suas contas, ele despertou o povo austríaco para a existência dos grupos minoritários e tem contribuído para manter vivo o dialecto romani de Burgenland.

Belarus
Valdemar Kalinin (Vitebsk, 1941)
Valdemar Kalinin Rom é um escritor contemporâneo, seguindo a escola Romany russo literário. Autor da poesia Dreams coleção romani, escrito em bielorrusso, Inglês e uma versão dupla de ciganos: em alfabetos cirílico e latino. Ele foi premiado com o Nobel da Paz de Hiroshima e Cultura em 2002 e os ciganos Literary Award da Open Society Institute de Budapeste em 2003. Ele também escreveu uma tradução da Bíblia em língua romani.

Finlândia
Veijo Baltzar (Suonenjoki, 9/6/1942)
Veijo Baltzar Rom é o primeiro na Finlândia ter publicado um livro sobre seu próprio povo. Ele ainda era muito jovem quando começou a escrever, e suas obras têm sempre um sucesso não só na Finlândia, mas também na Suécia. Poeta, romancista e dramaturgo, fundou o Teatro romani "Drom" (Caminho), e foi premiado em seu país e no exterior.

Alemanha
Philomena Franz (Biberach an der Riss, 12/7/1922)
Nascido em uma família de músicos Sinti, em sua juventude, ela era uma cantora folk e dançarina em uma companhia de teatro. Então ela foi enviada para Auschwitz e transferidos para outros campos de concentração, a partir do qual sobreviveu, mas ter perdido sua família. Ela se tornou um escritor e em 1995 ela foi premiada com o Bundesverdienstkreuz, que é a mais alta honraria civil conferida na Alemanha.

Grécia
Patricio Kassimati Hearn (Yakumo Koizumi)
(Levkás, Grécia, 27/6/1850 - Okubo, Japão, 26/9/1904)
Poeta, jornalista, tradutor e professor de línguas, pertencia à família Romanichelle Heron. Educado na Irlanda, Inglaterra e França, em 1889, assente no Japão e com a filha de uma tradicional família de samurais. Desde 1895 ele é conhecido pelo seu nome japonês Yakumo Koizumi. Ele foi o autor de vários livros sobre o Japão e sua cultura, e foi professor de literatura de Inglês da Universidade Imperial de Tóquio e na Universidade Waseda.

Rússia
Nikolay Aleksandrovich Pankov (Sankt-Petersburg, 1895 - Moscovo, 1959)
Pioneiro entre os escritores russos cigana, talento literário Nikolay Pankov foi o resultado de um auto-didata educação. Em 1922 mudou-se para Moscou e tornou-se familiarizado com as organizações ciganas, com a qual colaboraram na promoção da língua e da cultura romani. Autor, poeta, tradutor e jornalista, escreveu artigos e poesias para o jornal Coloque Novyi '; traduzida em romani algumas obras de Aleksandr Puškin, criou um alfabeto romani e contribuiu com a produção de um dicionário de romani-russo. Ele também foi membro do Gypsy Lore Society of Liverpool, Inglaterra. Ele foi o pai dos cientistas Natalya Pankova e Lyubov Pankova.

Olga Pankova (Sankt-Petersburg, 1911 - Moscovo, 1983)
A sobrinha de Nikolai Pankov, ela começou sua carreira escrevendo para a revista Coloque Novyi '. Ela também traduziu Puškin prosa e poesia em romani. Ela foi autora de uma coleção de versos intitulado "Divesa Amaré" (nossos dias), publicado em Moscovo, em 1933, que foi o primeiro trabalho Romany literária escrita por uma mulher.

Nina Aleksandrovna Dudarova (Sankt-Petersburg, 1903 - Moscovo, 1977)
Sendo uma governanta e um professor, sua obra literária foi dedicado principalmente às crianças. Lecionou na Escola de Teatro Romen. Além de ter escrito vários livros de poesia para crianças, ela também tem traduzido algumas obras de Puškin e escreveu artigos para revistas como Novyi Put 'e Romano Drom.

Sérvia
Alija Krasnici (Crkvena Vodica, Sérvia, 1952)
Ali Krasnici pertence à Roma Gurbet e é um dos poucos autores que escreve prosa em romani. Ele está entre os mais populares e premiados escritores na ex-Jugoslávia, tendo publicado mais de quarenta livros e muitas outras obras literárias de diferentes gêneros: prosa, poesia, teatro e também livros para crianças. Ele é o autor de um dicionário de romani, que inclui termos abstractos não emprestadas de outras línguas. Ele também é um tradutor de sérvios e ciganos. Após a guerra no Kosovo, onde vive como refugiado em Kragujevac, Sérvia, tendo perdido suas propriedades e salva apenas os seus manuscritos.

Eslováquia
Elena Lacková (Velký saris, Checoslováquia, 22/3/1921 - Košice, 1/1/2003)
Nascido Elena Doktorová, ela foi a primeira menina cigana que se formou no Karlova Univerzita de Praga, a universidade mais antiga e mais importante Checa. Ela gostava de ler desde a infância, mas suas primeiras obras literárias foram perdidos durante os tempos difíceis da Segunda Guerra Mundial. Ela tem escrito vários romances, contos e peças teatrais sobre o Holocausto romani. Em 2001 foi homenageado com o rabino Chatam Sofer Medalha Memorial, o maior prêmio concedido pelo Museu de Cultura judeu eslovaco, por seu trabalho documentário sobre a Shoah.

Espanha / França
Matéo Maximoff (Barcelona, 17/1/1907 - Paris, 24/11/1999)
Seu pai era um Kalderash russo que migrou para a França e sua mãe uma Manouche (francês Sinti). Matéo Maximoff sobreviveu ao Porhaymós "durante a II Guerra Mundial, tornou-se um escritor extraordinário em romani e francês, e defendeu para a escolarização das crianças ciganas. Seus trabalhos literários foram traduzidos em várias línguas. Tendo se tornou pastor evangélico, ele completou a tradução do Novo Testamento em Kalderash Romany.

Suécia
Katarina Taikon (Almby, Örebro, 29/7/1932 - Ytterhogdal, Härjedalen, 30/12/1995)
Não ter tido acesso à educação escolar por causa da sua etnia (Kalderash Roma), ela conseguiu se tornar um escritor conhecido, principalmente de livros para crianças. Sua obra literária "katitzi" é uma história inspirada em sua infância.

Ucrânia / Polónia
Bronislawa WARMIAK Wajs "Papusza" (atualmente na Ucrânia, Polônia antes de 1910 - Polônia, 1987)
Ela foi sem dúvida um dos maiores escritores romani, sua devoção à aprendizagem começou em sua infância. Pertencente a uma família de músicos errantes, não houve interesse pela literatura entre os seus povos, assim que ela foi ensinado a ler ea escrever por uma senhora judia, que também emprestou seus livros. Ela sobreviveu a perseguição durante a Segunda Guerra Mundial e foi o autor de uma coleção de poemas e canções.

Reino Unido
Louise Doughty (Rutland, East Midlands, 1963)
Dramaturgo britânico, crítico e de radiodifusão. Ela descobriu que seus pais são Roma através dos postais que receberam, que foram escritos em anglo-romani. Seus dois últimos romances, Fires in the Dark e Cradle Stone, lidar com a vida cigana.

Estados Unidos
Cecilia Woloch (Pittsburgh, Pensilvânia)
Escritor e poeta americano de origem romani dos Cárpatos. Formada em Inglês e Artes Teatro da Universidade da Transilvânia, em Lexington, Kentucky, ela tem trabalhado como professor free-lance da poesia e da escrita criativa, conduzindo oficinas para crianças e jovens, para os professores, escritores profissionais, os participantes em programas sociais e residentes de um abrigo para mulheres sem abrigo. Entre seus livros de poesia ", tsigan: O Poema Cigano" diz a viagem pessoal do autor de identidade com as forças que moldaram a Roma o destino das pessoas e fortunas.

Cientistas

Armênia
Kerope Petrovich Patkanov (Patkanyan)
(Naxicevan-na-Donu, Império Russo, 4 [16] / 5 / 1833 - Sankt-Petersburg, 2 [14] / 4 / 1889)
Cientista e orientalista, ele pertencia à Roma Armenian people. Estudou no Instituto Lazarevsky Idiomas do Leste e se tornou um especialista em história armênia, cultura, língua e literatura. Em 1863 graduou-se como Mestre em Literatura Oriental por seus estudos sobre a história Sassânida e em 1864 como Doutor em Literatura pelo seu trabalho sobre a composição do idioma armênio. Em 1871 foi nomeado professor da Universidade de Sankt-Petersburg. Ele traduziu para o russo algumas obras de escritores armênios e realizou uma pesquisa sobre a língua ea cultura dos ciganos caucasianos e outros grupos nômades, e escreveu artigos sobre geografia e história para publicações enciclopédico.

Rússia
Sofia Vasilyevna Kovalevskaya (Moscovo, 15/1/1850 - Estocolmo, 10/2/1891)
Sofia Kriukóvskaia Nascido em uma família cigana bem-educado que pertenciam à nobreza russa, ela era um gênio em matemática desde a infância. Ela foi capaz de explicar as fórmulas algébricas que ela não tinha estudado antes, na sequência de um método correspondente para o desenvolvimento histórico da álgebra. Em 1869 ela se mudou para a Alemanha com a finalidade de estudar ciências naturais, mas as mulheres não eram admitidas na universidade, no entanto, foi-lhe permitido assistir palestras. No entanto, em 1874, ela conseguiu ficar em seu doutorado, com a mais alta qualificação. Em 1884, foi nomeado como professor na Universidade de Estocolmo, na Suécia, uma cadeira que foi oficializado cinco anos depois, tornando-se o primeiro professor universitário feminino na Escandinávia ea terceira na Europa (depois de duas mulheres italiano). Natalya Pankova e Lyubov Pankova Duas irmãs, filhas do escritor Rom Nikolay Aleksandrovich Pankov.

Natalya Nikolayevna Pankova (Moscovo, 1924 - 1991)
Ela se formou em Química e trabalhou no Instituto de subprodutos orgânicos e Corantes como Assistente de Pesquisa. Durante sua atividade profissional, ela foi reconhecida pela invenção de trinta processos avançados de tinturas de cianeto, para a qual obteve o certificado de autoria. Natalya Pankova não foi somente um cientista notável, foi também um talentoso artista, cantor, dançarino e pintor.

Lyubov Nikolayevna Pankova (Moscovo, 1925)
Ela é um PhD em Biologia e assistente de pesquisa sênior no Instituto Central de capacidade de trabalho e organização do trabalho para os deficientes. Ela escreveu vários livros especializados e realizado em mais de cinquenta trabalhos científicos que tratam da fisiologia humana e animal, clínica, características anatômicas e nervoso das crianças e jovens, e outros temas científicos. Ela também escreveu a sua experiência de vida, em que fatos importantes da história nacional são registrados.

Atores e Atrizes

Croácia
Dunja Rajter (Našice, Jugoslávia, 3/3/1941)
Dunja Rajter é uma atriz e cantora. Ela estudou na Academia de Teatro de Zagreb, e então se mudou para a Alemanha, onde obteve sucesso. Inicialmente conhecida como atriz de teatro e cinema, na década de 70, ela também se apresentou como cantora e algumas de suas músicas chegaram ao hit parade alemão. Desde a guerra civil que dividiu a ex-Jugoslávia, ela esteve envolvida no apoio a crianças carentes e hospitais em seu país natal. Ela também registrou o Hino Nacional Croata para o Campeonato Mundial de Futebol na Alemanha 2006.

Francês Argélia
Tony Gatlif (Al-Jazair, 10/9/1948)
Michel Dahmani Nascido em uma família cigana andaluza. Sua juventude conturbada foi a escola em que ele aprendeu a backround para os filmes do qual ele é diretor, caracteriza-se por seu realismo cru. Desde que ele apresentou seu primeiro longa-metragem em 1975, sua popularidade tem vindo continuamente a aumentar.

Alemanha
Manoush (Köln, 5 / 1971)
Seu nome de nascimento é Marcia Nicole Rani, ela é filha de um sobrevivente do Holocausto romani. A actriz, dramaturga e cantora, ela principalmente, desempenha o papel de "menina má", em filmes de ação e suspense. Atua também como dublê em cenas difíceis. Radicado nos Estados Unidos, ela também tem sua banda própria música. Suas performances são normalmente controversas para a sua crueza e violência, althogh ela pessoalmente admite não ser de caráter como na vida real.

Russia
Yul Brynner (Vladivostok, 7/7/1915 - Nova York, 10/10/1985)
Uma pessoa, sem dúvida, controverso, suas origens têm sido um mistério para muitos. Na verdade ele tinha apenas 1/4th de sangue romani, e 1/4th judaica, por sua mãe Marousia Blagovidova, cujo pai era um judeu russo e sua mãe um cigano russo. Foi assim mesmo entre Roma que ele começou sua vida aventurosa, tocar guitarra nos círculos romani e trabalhando como um trapezista de circo. Ele foi eleito Presidente Honorário da Roma, um cargo que manteve até sua morte.

A Família Buzylyov
Uma família de atores, músicos, cantores, dançarinos e artistas, a Buzylyov ter apresentado em vários filmes, alguns deles de sucesso mundial, como "Tabor uhodit V Nebo" e "Sibiriada". Eles não só actuou, mas também compôs músicas para os filmes. Os membros mais conhecidos dos oito irmãos são: Viktor, o irmão mais velho, um grande compositor; Dmitryi, o mais famoso poeta e ator, a sua irmã mais nova Alena Buzylyova, que se tornou um cantor reconhecido, e também Mikhail, actor.

Nikolay Slichenko (Belgorod, 27/12/1934)
Ator de teatro desde a sua juventude, ele sobreviveu à Segunda Guerra Mundial, no qual ele perdeu o pai e outros membros de sua família. Ele já ganhou vários prêmios importantes como Artista do Povo da URSS (1981), prêmio de Estado da URSS (1987), e da Ordem para o serviço a Pátria (2004). Em 1977 ele foi apontado como o produtor do Teatro Romen de Moscovo. Há também uma estrela que leva seu nome.

Reino Unido
Sir Charles Chaplin (Walworth, Londres, 16/4/1889 - Vevey, Suíça, 25/12/1977)
Nascido Charles Spencer Chaplin, seus pais eram artistas do music hall. Costuma-se supor que ele era judeu, uma afirmação que não parece ser verdade. Sentiu-se fortemente identificado com os judeus e manifestou a sua defesa do povo judeu, mas não há nenhuma fonte documentados para afirmar com certeza se ele tinha ascendência judia. Por outro lado, sabe-se que sua mãe, Hannah Smith, foi Romanichelle, e provavelmente também o seu pai era. Ele foi nomeado cavaleiro em 1975.

Sir Michael Caine (Rotherhithe, Londres, 14/3/1933)
Nascido Maurice Joseph Micklewhite, era uma tradição de sua família Romanichelle Maurice para chamar o filho primogênito. Como ator, ele foi premiado com o Oscar duas vezes (1986 e 1999). Ele foi nomeado cavaleiro em 2000 por sua contribuição às artes do espectáculo.

Bob Hoskins (Bury St. Edmund's, Suffolk, 26/10/1942)
Robert William Hoskins, como muitos ciganos, passou a juventude viajando e realizando atividades pontuais como trabalhar no circo. Então ele se virou para o cinema e teve sucesso como ator. Sinti Sua família por parte de mãe são alemão. Outros atores britânicos com ascendência cigana - que remonta a algumas gerações atrás - são Sir Sean Connery, Sir Roger Moore, tendo ambos apresentado James Bond, e Leonard Whiting. Stuntmen: Há muitos ciganos que jogaram em filmes famosos como dublês (homens que substituem os atores em cenas que exigem habilidades especiais e esforços), não são famosos, nem os seus nomes constam nos créditos ou, ainda, que merecem reconhecimento para a sua participação ainda não é possível mencioná-los pelo nome. Roma tem se empenhado principalmente em filmes de história bíblica e "spaghetti" westerns.

Músicos e cantores (exceto Flamenco)

Argentina
Sandro Também conhecido como "Sandro de América" ou "Gitano"
(Buenos Aires, 19/8/1945 - Mendoza, Argentina, 4/1/2010)
Seu nome civil era Roberto Sánchez, apesar de que não era seu sobrenome original, tendo o avô paterno chegou na Argentina da Europa Oriental. Com mais de quarenta anos de carreira artística, Sandro foi a cantora mais popular da Argentina, eo primeiro artista latino-americano que atingiu um estágio transbordante cheia no Madison Square Garden de Nova York várias vezes. Com o seu primeiro concerto na arena mais famosa do Mundo, em abril de 1970, Sandro se tornou a primeira cantora na história cujo concerto foi transmitido via satélite. Sandro era uma estrela de rock and roll nos anos sessenta, inspirado por Elvis Presley. Seu estilo apaixonado conquistou o público feminino na Argentina e em todo o continente. Por seu talento artístico e a capacidade de renovação, a sua música tem sido sempre a par dos tempos, e ao longo de sua carreira, ele era principalmente um cantor balada romântica.
Yo soy gitano
Señor de muchos caminos, amante y aventurero, Soy de la raza gitana, su príncipe y heredero. Una raza que de vieja su historia lleva perdida, Cabalga junto a la muerte y su caballo es la vida. Vengo de tierras lejanas, de allí donde nace el día, No tengo nación ni patria pues la Tierra es toda mía. Soy padre de la alegría y hermano de la tristeza, Peleo ante la injusticia y me rindo ante la belleza. Y aunque no tengo corona soy de reyes, soberano, Pues es mi mayor orgullo señores, yo soy gitano.
(Sandro)

Bélgica
Django Reinhardt
(Liberchies, Bélgica, 23/1/1910 - Fontainebleau, França, 16/5/1953)
Jean-Baptiste Reinhardt foi o primeiro e continua a ser o maior músico de jazz europeu. Suas origens nunca foram um mistério, ele pertencia a uma das mais numerosas famílias alemãs dos Sinti, do grupo Eftavagarya. Mesmo depois de dois de seus dedos ficaram gravemente danificado por um acidente, Django excepcionalmente realizadas violino, violão e banjo com o uso dos dedos saudável. Estilo particular do Django também é definido "Gypsy Jazz". A Família Reinhardt conta com muitos músicos de jazz pendentes, entre eles os violinistas Schukarnak Reinhardt e Martin Weiss, e os guitarristas Babik Reinhardt, Hänsche e Maurice Weiss.

Bulgária
Reyhan (23/7/1986 - 25/7/2005)
Reyhan foi um cantor popular cigana. Ela gravou alguns discos, principalmente em idioma turco, e estava se tornando uma estrela quando morreu em consequência de um acidente rodoviário.

Tcheco
Józka Kubík (Hrubá Vrbka, Hornácko, Moravia, 9/4/1907 - 8/2/1978)
Józka Kubík pertenciam ao grupo quase extinta de Moravian Roma. Sua família era tradicionalmente ferreiros e músicos. Ele aprendeu a tocar violino na infância e na idade de quinze anos, ele estava conduzindo um conjunto folk. Ele foi o primeiro músico que introduziu Cymbalon entre violinos e violas em uma orquestra folk Checa, que exigiu o desenvolvimento de um estilo de jogo mais elaborado. Ele foi um dos poucos Moravian Roma, que sobreviveu ao Holocausto romani. Em 1990, um asteróide descoberto por astrônomos Jozkakubik Checa foi nomeada em sua homenagem.

Iva Bittová (Bruntál, Moravia, 22/7/1958)
Nascido de um pai cigano e mãe judia, Iva Bittová seu talento herdado do pai, que era um músico de renome na Tchecoslováquia. Ela é um excelente violinista e uma lenda da música moderna checa. Seu estilo é definido como avant-garde, uma original mistura de folk e música contemporânea criado por ela mesma. Ela também é compositor de muitas das suas obras e emprega exclusivo, técnicas de realização pessoal. Ela alcançou sucesso internacional e dá concertos em toda a Europa e os E.U.A.. Sua irmã Ida Kelarova é um cantor e músico de estima internacional, fundador do ensemble "Romanó Rat" (Gypsy Blood).

França
Biréli Lagrène (Saverene, Alsácia, 4/9/1966)
Seguindo os passos do Django, o guitarrista Biréli Lagrène se revelou ser uma criança prodígio de apenas 13 anos quando fez sua primeira gravação. Nascido em uma família de auto excelentes músicos ensinou, Biréli ainda vive em caravana, uma Manouche fé. Um mestre de versatilidade, passou a fusão da música moderna na década de 80 e voltaram para a Gypsy Jazz traditonal na década de 90, tendo criado o seu próprio estilo. Ele é o fundador de "Gypsy Jazz Project".
Alabina ( "Los Niños de Sara", os primos Antonio, Ramón, Santiago e Coco)
O grupo Alabina, que alcançaram sucesso internacional, é composto por Los Niños de Sara juntamente com o cantor israelense Ester Zach ( "Ishtar"). Os quatro primos são ciganos e ter crescido como músicos na escola de Flamenco. No entanto, eles desenvolveram o seu próprio gênero, que é uma fusão de folk Médio Oriente, rumba, ritmos norte-Africano e outros estilos que eles acrescentam um sabor Flamenco ligeiro.
Alemanha

Drafi Deutscher (Berlim, 9/5/1946 - Frankfurt am Main, em 9/6/2006)
Drafi Franz Deutscher Richard era o filho do pianista húngaro Drafi Kálmán. Ele era um compositor Schlager e cantora pop, e produtor. Muito bem sucedido na Alemanha, ele também compôs alguns sucessos internacionais de artistas conhecidos. Ele usou vários pseudônimos diferentes e realizou um estilo de vida excessiva.

Marianne Rosenberg (Berlim, 10/3/1955)
Ela é uma cantora de música Schlager, filha de Roma sobrevivente de Auschwitz Otto Rosenberg. Ela alcançou sucesso na década de setenta, não só na Alemanha mas também em países vizinhos. Ela ainda está em atividade e suas canções normalmente chegar a uma posição em gráficos alemão.

Ay? (Köln, 14/9/1980)
"Afro-cigano" é como esta meia-iorubá e meia-romani romeno cantora está definido. O nome dela é Joy Olasunmibo Ogunmakin e Ay? é seu nome artístico, que significa alegria na língua de seu pai. Sua música é um estilo misto, como ela mesma. Seu primeiro álbum, Soul-raggae-gênero folk, tem alcançado grande sucesso, chegando a platina ou ouro na Europa. Embora mais perto de suas raízes Africano, ela também é influenciada pela sua herança cigana e estilo de vida.

Grécia
Kostas Pavlidis (Atenas, 4/11/1974)
Kostas Pavlidis é um dos cantores mais qualificados da Grécia contemporânea. Ele vem realizando desde sua infância, e assinou seu primeiro contrato profissional sendo apenas quinze anos. Em sua carreira artística que tem caracterizado a música dos compositores mais prestigiados da Grécia, assim como suas próprias composições. Em 1993 ele participou do concerto de música cigana que foi, então, lançada no álbum "Songs of Gypsies da Grécia". Desde então, ele foi gravar com os artistas mais importantes grego, e está a contribuir para a modernização da cultura romani grego musical.

Yiorgos Mangas (Livadia, Viotia, 23/8/1952)
Yiorgos Mangas é um Rom grego, considerado o melhor jogador contemporâneo clarinete solista na Grécia. Seu estilo particular e da técnica, usando escalas complexas sobre um fundo harmônico modal, slides e mudanças inesperadas, e sua forma pessoal de interpretação e capacidade de improvisação tem conquistado o público não só em sua terra natal, mas em toda a Europa e América. Suas peças estimulando e performance de palco criando uma atmosfera animada na platéia.

Eirini Merkouri (Ilion, Atenas, 26/5/1981)
Eirini Merkouri é uma cantora pop de crescente popularidade na Grécia. Ela pertence a uma família de músicos ciganos. Seu primeiro álbum a solo foi lançado em 2001.

Grécia/Israel
Glykeria (Agio Pnevma, Serres, Grécia, 1953)
Nascido Glykeria Kotsoula, ela é uma das cantoras mais bem sucedidas grego. Sua carreira é marcada por lançamentos platina e vários espectáculos com artistas de prestígio. Ela é a melhor apreciado cantor estrangeiros em Israel, de ter dado concertos com Ofra Haza, o artista mais famoso de Israel e com a Orquestra Filarmônica de Israel. Ela canta também em hebraico e foi o único não-artista israelita a ser convidados a participar no concerto memorial em homenagem a Yitzhak Rabin, em Tel-Aviv. Ela foi feita cidadão honorário de Jerusalém em 1994.

Hungria
János Bihari (Nagyabony, 21/10/1764 - Budapeste, 26/4/1827)
János Bihari foi o mais famoso violinista do seu tempo, e é a intérprete mais representativos da Verbunkos "gênero. Há 84 das suas composições que mostram o seu talento tão grande, que ele foi solicitado a realizar nas cerimónias mais importantes, incluindo todo o Congresso de Viena. Ele também foi o autor do Rákóczi de Março, que mais tarde inspirada Ferenc Liszt e Berlioz.

István Dankó conhecido como Pista Dankó
(Szeged-Szatymaz, 14/6/1858 - Budapeste, 29/3/1903)
Autor e intérprete da música folclórica húngara, foi também chamado de "Nótafa" cantor folk. Em sua cidade natal, ele compôs a música para mais de quatrocentas obras de poesia. Então ele se mudou para Szatmar e casou Ilonka Joo, a filha do prefeito daquela cidade, o casal teve que fugir em estilo romani-após a desaprovação do pai, porque Dankó era um cigano. Em sua carreira ele conheceu as personalidades mais importantes da época e até mesmo se tornou seu amigo pessoal, incluindo o primeiro-ministro István Weckerle e muitos reconhecidos escritores e poetas como húngaro Géza Gárdonyi. Dankó estilo musical foi muito bem sucedida entre o público em geral. Ele compôs "A bejövetele magyarok" - "A Marcha dos Húngaros" -, para a comemoração do milésimo do Estado húngaro, em 1885. Vinte anos após sua morte, uma estátua dele foi erguido em Szeged pelo rio Tisza. Pista Dankó foi o segundo húngaro János Bihari ROM depois de ganhar essa honra.

György Cziffra (Budapeste, 5/11/1921 - Senlis, França, 17/1/1994)
Um grande pianista, ele interpretou compositores clássicos como Chopin e Liszt de uma maneira particular. Nascido em uma família humilde do húngaro Roma, foi reconhecido internacionalmente como um excelente pianista e mestre da improvisação. Após a Segunda Guerra Mundial, ele foi preso por motivos políticos e sofreram torturas que visava prejudicar suas mãos. Tendo sido lançado, ele emigrou para a França e sua capacidade foi restaurada. Suas performances na Europa Ocidental creditado lo como um pianista excepcional poética.

Roby Lakatos (Budapeste, 1965)
Roby Lakatos é descendente direto de János Bihari e um membro de uma tradicional família de músicos ciganos, no qual recebeu a sua formação musical, em seguida, concluído no Conservatório Béla Bartók de Budapeste. Ele é um violinista extraordinariamente versátil, capaz de combinar clássico, jazz e estilos folk em uma performance única. Compositor e arranjador, ele fundou seu próprio conjunto e se apresentou em festivais internacionais com orquestras de prestígio. Sir violinista Yehudi Menuhin estava entre seus admiradores.

Ferenc Snétberger (Salgótarján, 1957)
Ferenc Snétberger pertence ao grupo dos Sinti. Sua carreira como guitarrista foi desenvolvido desde a sua infância, cultivando diferentes gêneros, do clássico ao jazz, folk e tango. Sua primeira composição para violão e orquestra, "In Memory Of My People" foi feito por iniciativa de músicos de Israel para celebrar o 50 º aniversário do fim da Shoah. Ferenc Snétberger dedica este trabalho à memória da Shoah romani, inspirado na música cigana profundamente apaixonado.

Kalman Balogh (Miskolc, 1959)
Nascido em uma família cigana de reconhecida tradição musical, Kalman Balogh cymbalist é um virtuoso. Graduou-se na Academia Ferenc Liszt de Budapeste, e em 1985 ele foi premiado como Young Master of Folk Arts. O Cymbalon é um instrumento particularmente original typcal dos Ciganos húngaro, um martelo xilofone tocado com baquetas, que Kalman Balogh joga com maestria e compreensão. Ele fundou seu próprio conjunto e tem alcançado sucesso internacional.

Elek Bacsik (Budapeste, 22/5/1926 - Glen Ellyn, Illinois, 14/2/1993)
Guitarrista e violonista, começou a jogar desde a sua juventude como é comum entre húngaro Roma. Em 1949 ele deixou a Hungria, seguindo seu amigo pessoal György Cziffra. Depois de ter jogado em conjuntos na Europa, com algumas figuras notáveis do jazz, em 1966, emigrou para os Estados Unidos, onde completou sua carreira como músico de Jazz. Ele também era violinista na orquestra de Elvis Presley, gravou com Dizzy Gillespie e apareceu em vários concertos com grandes representantes do jazz americano.

México
Lila Zellet Elías (México DF, 2/4/1971)
Lucila Tellez Elias Nemer pertence a uma família cigana sírio-libanesa. Ela é uma dançarina e cantora, fantasia e cenógrafo, bem como diretor de arte em teatro, dança, ópera e cinema desde 1991, e professor de artes visuais e história da arte desde 1993. Seu trabalho é dedicado à pesquisa, conservação e difusão de romani musicais e coreográficas e expressões do Oriente Médio, bem como novas propostas de ligação cultura cigana e da América Latina. Ela desenvolveu um sistema de ensino de dança para profissionalizar as formas coreográficas romani na escola que fundou, madrasat Al Mosharabía, uma do tipo na América Latina. Diretor da dança cigana e música ensembles "Egiptanos" (2003) e "Cigani" (2004), ambos criados para difundir e promover a cultura cigana. Sua especialidade é cantar dos mouros e dança, a recriação do momento histórico do encontro entre os mundos oriental e ocidental.

Alfonso Mejia-Arias (Veracruz, 11/9/1961)
Músico, escritor e político. Ele estudou violoncelo, história da arte e outras disciplinas de música no Conservatório Nacional e da Universidade Nacional Autônoma do México. Especializado em música tradicional japonês, ele tem sido reconhecida como a primeira latino-americana performer shakuhachi. Ele é um especialista em música barroca, bem como, e diretor de orquestra de câmara. Como político, ele é um defensor dos direitos humanos de grupos minoritários, como o seu próprio povo romani.

Holanda
The Rosenberg Trio Stochelo (19/2/1968),
Nonnie (9/3/1956) & Nous'che (23/2/1965)
A família Rosenberg são Sinti com uma longa tradição como músicos. Desde a sua infância, Stochelo e seus primos aprendeu a tocar violão e outros instrumentos de corda de seus pais e tios. Eles foram usados para executar em acampamentos ciganos e igrejas por toda a Europa, mas não para o público comum, até 1989, quando estes talentos foram convencidos a deixar sua música ser conhecida, realizados em teatros e gravada.

Jimmy Rosenberg (Asten, 10/4/1980)
Joseph Rosenberg nasceu em uma família Sinti, ele foi revelado para ser um grande guitarrista de 13 anos de idade. Sendo ainda um adolescente, tocou com gênios como Biréli Lagrène, Stéphane Grappelli, Rosenberg Stochelo e outros, e excursionou em concertos na Europa e nos Estados Unidos, incluindo o Carnegie Hall de Nova York. No entanto, ele ainda prefere viver como um verdadeiro Sinti, em uma caravana.

Mariska Veres (Den Haag, 1/10/1947 - 2/12/2006)
Ela era a filha do violinista húngaro Lajos Veres Gypsy. Ela foi uma cantora e sua carreira começou na década de 60, quer como solista ou com bandas diferentes. Ela conseguiu a popularidade como o vocalista do Shocking Blue, ela se juntou ao grupo com a condição de que seu relacionamento com os membros seria apenas profissional. Uma beleza enigmática, com uma bela voz, ela segurava uma vida saudável: na era da revolução da juventude, ela era conhecida por ter retirado a partir de álcool, tabagismo e outras atividades que marcaram esse período. Após o fim do grupo, em 1974, ela continuou sua carreira como solista ou cantando com vários músicos de jazz. Ela era uma cantora muito popular na Holanda até sua morte súbita.

Polônia
Edyta Górniak (Ziebice, 14/11/1972)
Edyta Górniak é filha de pai cigano e mãe polonesa. Sua infância foi marcada por discriminação por causa de sua origem cigana, porém, ela conseguiu se tornar o primeiro astro na Polônia e depois na Europa e na Ásia. Ela foi a primeira cantora polonês que participaram do Festival Eurovisão (1994), e seu segundo lugar é a mais alta classificação atingido pela Polónia em que a competição até agora. Ela canta em polonês e Inglês, e recebeu muitos prêmios e também cantada em dueto com José Carreras.

Romênia
Sergiu Celibidache
(Roman, Roménia, 11/6/1912 - München, Alemanha, 14/8/1996)
Sergiu Celibidache foi sem dúvida um dos maiores regentes de orquestra do século 20. Ele pertencia à minoria cigana numerosas da Roménia. Ele foi o maestro principal da Orquestra Filarmónica de Berlim 1945-1954 e da Orquestra Nacional de França, de 1973 a 1975. Celibidache era também o regente convidado da Orquestra Süddeutschen des Rundfunks, Stuttgart, e colaborou com a Münchner Philharmoniker. Por convicção pessoal, ele se recusou a gravar suas apresentações para fins comerciais.

Maestro Ion Voicu (Bucareste, Roménia, 8/10/1923 -1997)
Considerado o melhor violinista da Roménia, de todos os tempos, Ion Voicu foi o fundador da Orquestra de Câmara de Bucareste em 1969. Ele já tocou com as mais prestigiadas orquestras como a Filarmónica de Berlim e da Orquestra Sinfônica de Londres, e com celebridades como Yehudi Menuhin e Hepzibah, David e Igor Oistrakh, Szeryng Henryk, Leonid Kogan, Cristoph Eschenbach, Monique Haas, etc

Gheorghe Zamfir (Gaesti, Dâmbovita, 6/4/1941)
Gheorghe Zamfir é o mais famoso nai (pan-virtuoso) flauta. Graduado como regente, em Bucareste, introduziu a flauta pan nos mais variados gêneros musicais e criou o estilo nai órgão com interpretações inovadoras. Atuou em shows no mundo inteiro, incluindo o Carnegie Hall de Nova York. Por suas realizações, recebeu a Ordem de Mérito Cultural da França, eo título de Chevalier de França, Bélgica e Luxemburgo. Zamfir também publicou ensaios e poesia, e também é um pintor, tendo apresentado suas obras em exposições. Ele também tem uma fundação com fins humanitários e culturais.

Johnny Raducanu (Braila, Roménia, 1/12/1931)
Chamado de "Mr. Jazz da Roménia ", é um pioneiro da música de jazz em seu país e um desempenho excepcional, principalmente como pianista. Ele pertence a uma família cigana de tradição musical longa. Ele já tocou e gravou com muitos dos maiores artistas de Jazz, foi galardoado com o preço da excelência pela União dos Compositores e romeno recebeu um membro honorário da Academia New Orleans Jazz. Ele também é o fundador da escola de Jazz romeno e do Presidente da Federação Jazz romeno.

Rússia
"Steshka" Stepanida Soldatova (1787 - 1822)
Steshka, como era popularmente conhecido, foi uma extraordinária cantora e dançarina. Ela começou sua carreira no coro Gypsy sendo ainda muito jovem. Aos dezesseis anos de idade, ela ficou impressionada com estilo italiano Bel Canto, de modo que ela decidiu estudar essa disciplina - uma escolha bastante incomum para um artista Gypsy naqueles tempos - e então aplicou-se técnicas profissionais para a canção popular russa, criando suas próprias estilo, harmonizando as qualidades da ópera italiana, com o gênero tradicional cigana. Teve seu próprio conjunto, um típico cigano um. Ela se tornou uma lenda por várias gerações de músicos e compositores. Ela também tinha grandes qualidades humanas, e suportado com o dinheiro dela muitas famílias pobres, além de um seu próprio. Quando Napoleão invadiu a Rússia e foi em Moscou, ele pediu a ela para ouvi-la cantar, mas ela estava se apresentando para as tropas russas em outro lugar.

Mishka Ziganoff
(Odessa, Império Russo, Século 19 – Cidade de Nova Iorque, Estados Unidos, depois de 1921)
Virtuoso acordeonista e músico Klezmer, ele era um cigano russo bastante familiarizado com a cultura e língua iídiche. Entre suas composições e gravações, a música "Koilen" (ou "Dus Zekele Koilen") inspirou a melodia do conhecido hino italiano Partizan, "Bella Ciao".

Mikhail Erdenko (1885 - 1940)
Mikhail Erdenko foi o fundador de uma dinastia de músicos russos Roma, cantores, dançarinos e artistas. Um violinista notável, ele era professor no Conservatório de Moscovo e um amigo pessoal de Lev Tolstoi, para quem ele também tocou. Ele era um mestre em arranjos de música popular, dos quais o mais célebre é a sua versão do Kol Nidrei, uma oração judaica em aramaico que é dito na Sinagoga de serviço à noite no Yom Kippur, o Dia da Expiação. Kol Nidrei Erdenko's ainda é considerada a versão mais bonita da oração.

A Família Erdenko
Quase todos os membros da família Erdenko são dedicados à música cigana folk, música e dança, artes cênicas e circenses. Vários deles se tornaram artistas bem conhecidos na Rússia e no mundo inteiro: Lyubov Erdenko, era um excelente dançarino e compositor; Aleksandra Tushenko, cantor e dançarino, o casal Roza e Nikolay Erdenko, músicos e artistas que são atualmente os altos representantes da família.

Nikolay Ivanovich Erdenko (Kursk, 29/11/1945)
Violinista talentoso, ele é o "patriarca" do povo cigano russo moderno. Sendo ainda um estudante, ele foi chamado para tocar com uma orquestra sinfônica no Japão, e depois declinou uma proposta para ensinar no Conservatório de Tóquio. Nikolay Erdenko é considerado um especialista por músicos que se distingue por tê-lo tido como um conselheiro e professor. Músico e cantor, seu estilo é a par das vezes, mas mantendo a profundidade da alma cigana popular tradicional. Participou de trilhas sonoras de filmes sobre histórias de ciganos, incluindo o filme mais célebre do gênero, "Tabor uhodit V Nebo". Gravou álbuns com sua esposa e suas filhas Roza, em romani e russo.

Loyko (Sergei Erdenko, Oleg Ponomarev, Alesha Bezlepkin, Vadim Koulitskii, Georgy Osmolovsky, Leonsia Erdenko)
O nome deste conjunto russo folk cigano foi dado em homenagem a Loyko Zabar, um violinista cigano lendário do século 19. Fundada por Sergei Erdenko, filho da dançarina Lyubov Erdenko, e seu primo Oleg Ponomarev, neto do violinista Vasily Ponomarev, ambas as famílias de uma longa tradição artística. Originalmente um grupo masculino, em seguida, se juntou a eles o vocalista Leonsia Erdenko, filha de Nikolai e Roza. Todos eles músicos profissionais, que receberam educação de música clássica, além da tradição popular herdado de seus antepassados. Além do grupo, Leonsia tem uma carreira brilhante de seu próprio, tendo estudado piano, danças folclóricas, Flamenco, e agir. Ela pertencia ao Erdenko Trio e também participou em diversos projectos com outros músicos e grupos.

A Família Zhemchuzhny
A dinastia de artistas e músicos ciganos russo, fundado por Nikolai Mikhailovich Zhemchuzhny (Voronezh, 20/5/1923 - Moscovo, 22/1/1993)
Um grande músico e cantor de criatividade extraordinária, realizada canções tradicionais russo cigana e composto por um grande número de seus próprios. Seu estilo folk é comparável com o cante jondo de Flamenco de sua carga emocional profundo. Sua música também é executada em vários filmes, incluindo "Tabor uhodit V Nebo", e em muitas peças do Teatro Romen de Moscovo. Ele se apresentou com sua esposa Olga Sergeyevna Aleksandrovich (Vitebsk, 15/3/1922), uma dançarina cigana pendentes. Seu filho Georgii Nikolayevich Zhemchuzhny (Saratov, 5/5/1945) é um ator e diretor, começou sua carreira no conjunto de seu pai e se formou na Academia Russa de Teatro e Artes. Em 1973 ele tornou-se diretor do Teatro Romen. Casado com Ekaterina Andreevna Buddyzhenko Zhemchuzhnaya (Shchekino, Tula, 23/3/1944), uma talentosa atriz e cantora que pertencem a uma família de músicos. Ela começou sua carreira no teatro de Moscovo Romen e desempenhou papéis importantes em vários romances e dramas, deliberando e executando canções populares. Sua filha, Olga "Lyalya" Georgievna Zhemchuzhnaya (Moscovo, 31/5/1969) também é uma excelente atriz e cantora, formou-se na Academia Russa de Teatro e Artes. Ela tem atuado em várias peças com sua mãe, e conseguiu papéis em dramas de qualidade notável como "Olesya" e "Tzyganka Aza".

Diana Aleksandrovna Savelyeva (Lvov, na Ucrânia, 16/5/1979)
Diana Savelyeva é uma cantora soprano, filha da dançarina Aleksandr Savelyev e sobrinha-neta de Nikolay Zhemchuzhny. Ela é uma talentosa artista desde sua infância, ela ganhou o primeiro prêmio em concursos de música com a idade de sete, e logo suas performances foram aplaudidos pelo público de diferentes países. Ela estudou teatro musical no Teatro Romen de Moscovo. Ela participa em vários concertos e festivais internacionais Gypsy, realizando diversos gêneros musicais, incluindo o blues, soul, Oriente Médio e outros estilos. Ela desempenhou o papel de Esmeralda na versão em russo de Notre-Dame de Paris, sendo até agora o único autêntico cigano étnicas têm caracterizado esse papel.

Aliocha Dmitrievich (Aleksei Ivanovich Dmitrievich)
(Sankt-Petersburg, 23/3/1913 - Paris, 21/1/1986)
Músico, dançarino e cantor. Sua carreira começou em sua infância em um conjunto da família, junto com seus três irmãos e duas irmãs, era guitarrista e dançarino. Em 1919, eles emigraram para Vladivostok e, posteriormente, para a China eo Japão, realizada em vários países da Ásia e Europa. Dez anos depois, a família se mudou para a França, onde seu talento artístico e estilo de dança acrobática eram amplamente apreciados. Em 1940 estabeleceu-se em Buenos Aires, Argentina, e realizada nos teatros em torno América do Sul, onde ele era conhecido como "Gypsy Baron". Na década de sessenta, descobriu a ser também um cantor talentoso e músicas gravadas, incluindo um dueto com seu amigo pessoal Yul Brynner. Ele se tornou muito popular entre o público russo na Europa e nos Estados Unidos.

Pavel Serebryakov (Tsaritsin, 1909 - Sankt-Petersburg, 1977)
Pavel Serebryakov nasceu em uma família cigana. Sendo um músico talentoso, com a idade de 19 mudou-se para Sankt-Petersburg (então chamada de Leningrado) para estudar piano no conservatório mais antigas da Rússia, onde iniciou sua brilhante carreira: em 1938, tornou-se o director do mesmo Conservatório de Leningrado, um posição que manteve por quase trinta anos, até sua morte. Ele não era apenas um pianista excepcional, mas também um herói popular, depois de ter salvado a vida de muitos colegas e alunos que eram considerados inimigos do regime.

O Trio Kolpakov (Aleksandr Kolpakov, Vadim Kolpakov e Tamara Cherepovskaya)
Aleksandr "Sasha" Kolpakov (Orenburg, 1943) começou a tocar violão de sete cordas russo em sua infância e foi o diretor musical do Teatro Romen de Moscovo. Seu sobrinho Vadim Kolpakov é um músico, compositor, cantor, dançarino e ator dramático. Formado pela Escola de Artes Performáticas Romany Gilori, ele aprendeu a tocar violão de sete cordas, de seu tio. Ele já tocou para presidentes e autoridades de diferentes nações e participou em vários projectos musicais. Os seus concertos em todo o mundo incluem performances no Carnegie Hall de Nova York e do Kremlin. O membro feminino do trio é Tamara Cherepovskaya, cantora e bailarina cigana que excursionou pela Europa e América também como solista.

Rússia / Arménia
Zara (Otradnoe, Sankt-Petersburg, 26/7/1983)
Nascido zarifa Mgoyan, ela é uma cantora profissional romani armênio. Ela foi uma cantora talentosa desde a infância e foi particularmente inspirado na estrela israelita Ofra Haza, tendo gravado as versões de algumas de suas canções, que ela trouxe de volta para o hit parade. Zara executa diferentes gêneros e dá concertos nas mais prestigiadas salas de estágio em toda a Rússia. Ela ganhou vários concursos importantes e foi adjudicado muitos importantes prêmios concedidos pela Academia Russa de Cultura e Artes e de outras instituições, e é considerado um dos cantores mais populares da Rússia.

Sérvia
Janika Balaz (Janika Balázs)
(Lukino Selo, Vojvodina, 23/12/1935 - Novi Sad, Vojvodina, 12/11/1988)
Nascido em uma família de músicos ciganos húngaros, em sua infância, ele manifestou sua vocação artística tocando violino, mas depois se especializou em Tamburitza e tornou-se um virtuoso neste particular, de pescoço longo instrumento de cordas com trastes, típica daquela região e, tradicionalmente desempenhado por Roma . Ele realizou inúmeras apresentações e concertos na Jugoslávia em muitos teatros importantes a nível mundial, caracterizado por filmes documentários e trabalhou com músicos de prestígio internacional. Um monumento que lhe foi erigido em Novi Sad, na frente da fortaleza Petrovaradin, na margem oposta do rio Danúbio.

Boban Markovic e Marko (Vladicin Han, Sérvia)
Boban Markovic é reconhecido como o melhor jogador de trombeta contemporânea dos Balcãs. Sua banda de metais, a Boban Markovic Orkestar, ganhou muitos prêmios importantes e fisrt prêmios em festivais e concursos em toda a Europa e América. Eles executam música do mundo, bem como melodias tradicionais ciganas dos Balcãs. Seu único filho, Marko, se juntou à banda com a idade de catorze anos, e dois anos depois tornou-se solista principal.

Eslováquia
Koloman Polák (Košice, 1/2/1974)
Romany compositor e diretor de música clássica e contemporânea. Um jovem talento, no início de sua carreira, ele trabalhou dentro do ambiente artístico romani na Eslováquia, então ele se estabeleceu em Viena e é um dos fundadores de um conjunto com judeus e ciganos músicos e cantores, dos quais ele é o compositor.

Eslováquia / Hungria
Panna Cinková / Czinka Panna
(Germer, atual Eslováquia, anteriormente Hungria, 1711 - 1772)
Nascido em uma família de músicos ciganos, era o mais renomado violinista feminino. Seu talento era evidente desde a infância. Fundou um conjunto cigana com o marido e os irmãos-de-lei, e mais tarde com seus filhos. Sua maestria, excentricidade e beleza feito dela uma lenda viva, que está sendo solicitado pela nobreza, ela se apresentou também para a arquiduquesa da Áustria. Ela foi também um compositor de várias peças de diferentes gêneros musicais.

Espanha
Azúcar Moreno (As irmãs Antonia Encarnación e Salazar)
As irmãs de Salazar nasceram em Badajoz, Extremadura, Calé em uma família com uma longa tradição de cantores e dançarinos de flamenco, incluindo os seus irmãos. No entanto, eles mudaram definitivamente para um self-made estilo que é definida incorretamente como "flamenco-pop", na verdade, uma explosão de sensualidade que se aplicam a qualquer tipo de gênero musical. Sua própria imagem é parte essencial do seu sucesso. As irmãs tornou-se popular não só em toda a comunidade de língua espanhola, dos Estados Unidos à Argentina, mas também no Japão e no mundo. Sua irmã mais nova, Sara Salazar, também é um artista e leva "Alazán", duo de uma família baseada em estilo semelhante.

Las Grecas (As irmãs Carmela e EDELINA Muñoz Barrul)
As irmãs Carmela (Valladolid, 19/7/1954) e EDELINA (Valladolid, 17/2/1957-30/1/1995) teve uma carreira extremamente bem sucedida em um período muito curto. Eles foram vanguarda na música de fusão e introduziu instrumentos eléctricos em swing cigana, misturada com rock, rumba, grego e folclóricas do Oriente Médio, e de outros gêneros, um estilo que, desde então, é chamado de "rock cigano". Após a edição do seu quarto álbum, a sua carreira musical interrompida de repente por causa de problemas EDELINA saúde.

Reino Unido
John Roberts (Rhiwlas ISAF, Llanrhaeadr, 1816 - 1894)
O harpista mais prestigiados do século 19, John Roberts pertencia à família Wood, uma dinastia de músicos romani galês fundado pelo violinista Abram Wood, que teve mais de vinte harpistas destacada entre seus descendentes. John Roberts recebeu numerosos prémios e honrado como o "Telynor Cymru". Ele desempenhou pessoalmente pela Rainha Victoria, em diversas ocasiões, também com seus nove filhos e uma filha, todos eles músicos qualificados.

Sir Henry Joseph Wood
(Londres, 3/3/1869 - Hitchin, Hertfordshire, 19/8/1944)
Henry Joseph Wood pertencia a uma família tradicional Romanichelle, ele era um maestro de orquestra, fundador dos Concertos Promenade. Ele foi também um compositor, cuja obra mais célebre é o "Fantasia on British Sea Songs". Algumas vezes usou o pseudônimo Paul Klenovsky. Cavaleiro em 1911 por seus serviços à música.

Martin Taylor (Ayrshire, na Escócia, 1956)
Martin Taylor é um guitarrista auto-didata de prestígio internacional. Ele é um Romanichelle. Entre suas realizações, ele foi concedida a inscrição Império Britânico por seus serviços à música em 2002, tem o British Jazz Award como o melhor guitarrista de dez vezes entre 1987 e 2001, o Doutor Honoris Causa da Universidade de Paisley, Escócia, em 1999, a Pioneer vida da nação em 2003 e outras honras e medalhas.

David Essex (West Ham, Londres, 23/7/1947)
Nascido David Albert Cook, o cantor pop e ator, é um Romanichelle. David Essex foi presidente da União Romani da Grã-Bretanha e é ainda um membro ativo do Conselho de cigano. Em 1999, foi condecorado pela rainha da Ordem do Império Britânico por seu compromisso em artes e trabalhos de caridade.

Albert Lee (Sao Paulo, 21/12/1943)
Albert Lee é um Romanichelle e um guitarrista conhecido da música country, blues e rock'n'roll, que já tocou com vários dos mais famosos artistas nesses gêneros. Ele ganhou o Grammy em 2002, e outros prêmios concedidos pela Academia Britânica de letristas, compositores e autores, a British Country Music Association. Ele também é um talentoso pianista e vocalista. Denny Laine (Birmingham, 29/10/1944) Brian Hines nasceu em uma família Romanichelle, é um guitarrista, compositor e cantor. Membro da The Moody Blues e co-fundador com McCartney da Wings. Atuou como solista desde os doze anos de idade, seguindo o estilo jazz inspirado por Django Reinhardt.

Estados Unidos
Elvis Presley
(East Tupelo, Mississippi, 8/1/1935 - Memphis, Tennessee, 16/8/1977)
Não é necessário explicar quem Elvis Aaron Presley foi. Talvez o que é menos conhecido dele é que seus antepassados vieram da Alemanha no início do século 18 e seu sobrenome original era Pressler. Eles faziam parte do povo Sinti vulgarmente conhecido como "Black holandês", também chamado de "Chicanere" ou "Melungeons". É também provável que do lado de sua mãe, Smith pelo sobrenome, a família teria sido de origem Romanichelle, como é comum que Holandês Preto e Romanichelle casar, mas manter separados de outros grupos.

Rickie Lee Jones (Illinois, 8/11/1954)
Cantora e compositora, ela tem realizado diversos gêneros musicais, principalmente inspirado em estilos de blues e jazz. Ela é de origem romani galês. Conhecido por seu estilo de vida pouco convencional, pois sua juventude, viveu em lugares diferentes thoughout os Estados Unidos. Ela ganhou o Grammy por duas vezes. Uma antologia de sua carreira foi relased no álbum "Duquesa de Coolsville".

Prémios Nobel

Dinamarca
Agosto Schack Steenberg Krogh
(Grenå, Danmark, 5/11/1874 - København, 13/9/1949)
Conhecido como Dr. August Krogh, este foi um cientista dinamarquês Rom, professor da Universidade de Copenhaga entre 1916 e 1945. Ele conseguiu várias descobertas importantes no Zoophysiology, exposto em seus livros de troca respiratória em Animais eo Homem (1916), osmótico Regulamento (1939) e Fisiologia Comparada dos mecanismos respiratórios (1941). Galardoado com o Prémio Nobel da Medicina em 1920 por sua descoberta do regulamento dos capilares durante o trabalho muscular, os estudos que foram publicados em seu livro A Anatomia e Fisiologia dos capilares (1922).

Pioneiros & Aventureiros

Império Britânico
Agostinho Bearce
(Grã-Bretanha, 1618 - Hyannis, Massachusetts, entre 1686 e 1687)
Agostinho foi um Bearce Romanichelle deportados pelas autoridades britânicas para as colônias na América em 1638, porque ele era um cigano. Ele foi registrado entre os passageiros do Confiança "sendo de 20 anos. Provavelmente chegaram a Plymouth, Massachusetts, mudou-se para Cape Cod, em 1639 e se casou com a princesa Wampanoag Hyannos Little Dove, a neta do Sachem Grande Highyannough e da princesa da tribo Nanhigganeuck. Agostinho Bearce é lembrado como um crente em Deus zeloso, detentor de Shabbath e os Dez Mandamentos. Ele tem descendência ilustre em toda a história dos Estados Unidos. Ele é o mais conhecido cigana que uma mulher casada time, porém, os casamentos devem ter sido bastante freqüentes, como a maioria dos deportados Roma eram do sexo masculino e foi muito mais fácil encontrar mulheres entre os nativos, sendo ambos os povos excluídos da participação activa no sociedade branca. Tal fenômeno foi mais evidente na região dos Apalaches, a terra dos Melungeons. * Agostinho Bearce e descida Little Dove inclui dois presidentes dos Estados Unidos, no entanto, o romani-Wampanoag património desapareceu depois de várias gerações de casamentos entre a população anglo-saxão, e os presidentes não podem ser consideradas como Romanichelle ou nativos americanos, claro. (Esta informação é apenas uma curiosidade genealógica).

James Squire (Kingston-Upon-Thames, Inglaterra, 1754 - Sydney, Austrália, 16/5/1822)
James Squire pertencia a uma família cigana que foi amplamente conhecido na Inglaterra. Em 1788, ele foi deportado da primeira frota para a Austrália, onde a sua vida se transformou em uma seqüência de atividades bem sucedidas. Conseguiu no cultivo do lúpulo, o primeiro na Austrália, e foi também o fundador da primeira cervejaria no continente, em 1798. Tornou-se também uma autoridade do distrito. Seu funeral foi o maior já realizado na colônia. Seu neto, James Squire Farnell, Premier foi o primeiro de Novo Gales do Sul nasceu na Austrália. Alemanha

Walter Balthazzar Reinhardt (Trier / Trèves, 1720? - Sardhana, Índia, 1778)
Este aventureiro, difamado pelos historiadores ocidentais (que nem sequer pode afirmar se ele nasceu na Alemanha, França, Luxemburgo, Suíça ou Áustria) também é conhecido por seu apelido "Samru", uma adaptação Indic do francês "Sombre", nome dado a ele provavelmente por causa de sua pele escura. Após uma briga com seu irmão Jakob, foi registrado no francês Companhia das Índias Orientais como um marinheiro e chegou à Índia em 1754. Ele, aparentemente, passou para o britânico em Bengala e voltaram para o francês em Chandarnagar (Há outra versão, que estava em primeiro lugar no exército britânico e, em seguida passou para o francês). Seja qual versão é direito, é um fato que ele sabia muito bem tanto o francês e as escolas de guerra britânicos. Posteriormente, ele deixou os colonizadores europeus para os governantes indianos, depois de ter seu próprio exército composto por índios guerreiros e soldados também europeus, principalmente desertores do britânico. Desde que a história foi escrita pelos vencedores, que foram derrotados por ele, ele é acusado de ser o responsável pelo abate dos britânicos em Patna, um evento que teve lugar depois de ele repetidamente exortado os britânicos a se render. Por outro lado, se ele realmente era um guerreiro sanguinário, ele não estava pior do que os oficiais britânicos e franceses, que certamente não eram nem missionários, nem Médecins Sans Frontières. Seu exército era o único na Índia, que combateu os ingleses, com sucesso, e estava invicto durante toda a sua carreira. Como recompensa por seus serviços, o imperador indiano deu Samru Reinhardt principado de Sardhana como sua propriedade e domínio; ele se casou com uma senhora indiana, Begum Yohanna Samru, que o sucedeu após sua morte, como o líder do seu exército.

Presidentes da República

Brasil
Juscelino Kubitschek de Oliveira
(Diamantina, Minas Gerais, 12/9/1902 - Resende, Rio de Janeiro, 22/7/1976)
Presidente do Brasil (31/1/1956-31/1/1961), para o Partido Social-Democrata (esquerda moderada). Seu avô era um Rom checo, Jan Kubícek, nascido em Trebon, na Boêmia. Durante seu governo não havia prisioneiros de consciência. JK (como é geralmente conhecido) transformou o Brasil em uma potência industrial, fundou a indústria automotiva e desenvolveu a construção de estradas em todo o país. Sua maior realização conhecida foi a fundação de Brasília, a nova capital, em 21 de abril de 1960. Presidente Kubitschek reconheceu publicamente sua origem cigana, e muitas vezes ele convidou representantes de Roma para um jantar na residência presidencial.

Washington Luís Pereira de Souza
(Macaé, Rio de Janeiro, 26/10/1869 - São Paulo, 4/8/1957)
Presidente do Brasil (15/11/1926-24/10/1930), foi o último presidente democrata da República Velha. Ele pertencia a uma família de ciganos Calon. Lançado em que os prisioneiros de consciência e parou o toque de recolher que estava em vigor quando ele assumiu o governo. Ele foi escritor e historiador, e após seu retorno do exílio, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras. Ele também era um namorador bem conhecida.

França
Não é um Presidente da República, mas a primeira-dama (de 16/5/2007 a 15/10/2007)
Cécilia Maria Sara Isabel Ciganer Albéniz (Boulogne-Billancourt, 12/12/1957)
Cécilia Ciganer não pode ser considerado Romany de acordo com seu estilo de vida ou padrões culturais, não obstante, sua linhagem cigana vem diretamente de seu pai Rom judeu, Aron Chouganov, então o nome de André Ciganer, com referência à sua origem étnica, na sua chegada a França da Rússia. Cécilia Ciganer foi por cinco meses, a primeira-dama da França, enquanto ela era a mulher controversa de Nicolas Sarkozy, o primeiro Presidente da República Francesa de Húngaro / origem judaica. Seu irmão Patrick Ciganer, agora cidadão americano, é Program Executive Officer no National Aeronautics and Space Administration (NASA).

Membros do Parlamento

Hungria
Lívia Járóka (Tata, 6/10/1974)
Lívia Járóka vem de uma família de músicos, é jornalista e tem dois diplomas universitários. Ela foi eleito deputado ao Parlamento Europeu quando a Hungria aderiu à União Europeia em 2004, para o Fidesz-Magyar Polgári Szövetség, o grupo do Partido Popular Europeu. Ela é o primeiro CEU graduado no Parlamento Europeu, eo segundo de etnia cigana. Ela é também membro da Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e Assuntos Internos, da Comissão dos Direitos da Mulher e da Igualdade dos Géneros, e da SAARC.

Bernáthné Mohácsi (Berettyóújfalu, 1/4/1975)
Viktória Mohácsi é a segunda mulher cigana que se tornou um membro do Parlamento Europeu quando a Hungria aderiu à União Europeia em 2004, para o Szabad Demokraták Szövetsége, substituindo seu colega de partido Gábor Demszky.

Espanha
Juan de Dios Ramírez Heredia y Montoya (Puerto Real, Cádiz, 29/6/1942)
Jornalista e escritor, Juan de Dios Ramírez Heredia foi o primeiro membro cigano do Parlamento Europeu (1994-1999), pelo Partido Socialista. Em 1995 foi nomeado membro honorário da vida do Conselho da Europa, tendo sido membro da Assembleia do Parlamento desde 1983. Em 1996 fundou a Unión Romaní, que é a principal associação de ciganos em Espanha. Ele é autor de diversas publicações que tratam de questões sociais, bem como língua romani e gramática.

Pregadores

Reino Unido
John Bunyan
(Elstow, Harrowden, Bedfordshire, 28/11/1628 - Snow Hill, Londres, 31/8/1688)
John Bunyan foi o autor do mais popular clássico da literatura cristã: "O Peregrino". Ele é amplamente considerado pelos historiadores como um "funileiro", um nome dado na Grã-Bretanha e da Irlanda, não só para os ciganos, mas também a outros grupos Traveller. No entanto, há evidências fortes de que o Bunyans foram Romanichals, cuja ocupação tradicional é o do braseiro. Em sua obra autobiográfica "Abundante Graça", Bunyan escreveu algumas declarações sobre a sua descendência como a mais desprezada de todas as famílias da terra, e considerou que sua linhagem especial, pode ser que os israelitas perderam - como um pensamento na Inglaterra naqueles tempos era exclusiva dos ciganos. Bunyan se refere claramente a sua família como pertencente a um não comum parentes e uma minoria discriminada. Registros paroquiais da observação do século 16 do Bunyans (e similares de criar este sobrenome) como pertencente aos egípcios ", bem como outros títulos como" fogareiros "," cavalo-dealers "," adivinhos "," vagabundos " , etc, todos eles apontando para o povo cigano. Anais do casamento confirmar a Bunyans ter casado cheio de sangue Romanichels por gerações, e naqueles tempos Roma não se casam com não-ciganos. Também a área de Elstow, onde ele nasceu, foi durante séculos uma solução cigano. A prova de que ele era um Romanichal foi dada pelo cantor e compositor Vashti Bunyan, seu descendente direto, que atestou que seus avós ainda eram ciganos ciganos. John Bunyan foi imerso no rio em 1653 e foi membro da Igreja Batista. Ele se tornou rapidamente um pregador de sucesso e foi preso por pregar sem licença. Muitas das frases que ele escreveu em sua obra-prima.

Rodney "Gypsy" Smith
(Mill Plain, Epping Forest, Essex, 31/3/1860 - Oceano Atlântico, no "Queen Mary", 4/8/1947)
Rodney "Gipsy" Smith foi sem dúvida um dos maiores evangelistas internacionais de todos os tempos, e melhor ser amado. Ele nasceu em uma barraca e nunca fez assistir a uma aula da escola, no entanto, seu ministério chegou a multidão em cada nação, falado em Inglês e também escreveu vários livros e hinos que ele usou para cantar durante seus sermões. Desde 1899 até sua morte, viajou muitas vezes para pregar nos Estados Unidos, Austrália, África do Sul e Europa, e onde ele estava a multidão veio para ouvi-lo. King George VI honrou-o com a Ordem do Império Britânico.

Noruega
Ludvig Valentin Karlsen
(Furua, Ullensaker, 10/12/1935 - Oslo, 21/3/2004)
Ludvig Karlsen é considerado o mais amado pregador da Noruega. Ele nasceu em uma família cigana grande e humilde e passou sua infância em assentamentos ciganos. Com poucos anos de educação primária, nunca frequentou a escola nem a Bíblia nem seminário antes de ele começou a pregar o Evangelho. Através do seu ministério, os ciganos norueguês ter atingido um grau de dignidade e respeito que lhes foi negado antes. Ludvig Karlsen mensagem foi dirigida não só ao seu povo, mas para o público em geral, e seu trabalho social para os pobres e os marginalizados. Em 1983 ele fundou o Centro Norueguês Evangelho, uma instituição para reabilitação de alcoólicos e toxicodependentes, que é hoje uma das mais importantes atividades sociais de ajuda no país. Ele também editou um dicionário da língua romani.

Heroes de Guerra
Ciganos são pacíficos. A guerra não faz parte dos sentimentos romani, e é evitada sempre que possível. No entanto, quando não há escolha, Roma está pronto para servir o Estado a que pertencem. Aqui nós apresentamos alguns heróis romani, que tem sido leal ao seu país. Devemos considerar as pessoas e os seus serviços aos seus concidadãos, os seus esforços para ajudá-los a aproveitar a sua posição, além do fato de que a política oficial do país que pode ser censurável de acordo com alguns padrões democráticos.

Rússia
Aleksandr Baurov
(Sankt-Petersburg, 23/3/1906 - 18/2/1972)
Aleksandr Baurov nasceu em uma família de artistas ciganos, músicos e cantores, e ele mesmo era manter sua tradição, tomando aulas de violão e realizando em coros em sua juventude. No entanto, a Revolução de Outubro, mudou o rumo da sua vida, e ele teve que encontrar uma nova profissão. Ele se formou na Faculdade de Comunicação Eletromecânica e trabalhou como assistente de laboratório. No entanto, ele ainda jogou em um ensemble. Quando a União Soviética entrou na Segunda Guerra Mundial, ele foi enviado para a frente, em 1941, e levou seu violão para tocar para seus companheiros, quando houve momentos de descanso. Devido às suas habilidades, ele foi nomeado como diretor, como o comandante de suporte de comunicação, depois como comandante da 1a Divisão de Aeronáutica. Ele foi premiado com uma Ordem da Estrela Vermelha e um Despacho do Red Battle Banner. Ele também recebeu uma ordem de Alexander Nevsky (muito rara e honrosa um) para a passagem forçada do rio Oder, e um Cross polonês de Valor. Ele participou da derrota do nazismo, na conquista vitoriosa de Leipzig. De 1949 a 1955, tendo o grau de tenente-coronel do Corpo de Engenharia, ele participou na criação e lançamento do foguete soviético.

Pavel Yakovlevich Fedrovi (17/2/1902 - 1984)
Primeira classe piloto, engenheiro, major-general da Força Aérea Soviética, verificador do Instituto de Investigação Científica da Força Aérea. Ele foi premiado com medalhas e as ordens para o seu serviço na Segunda Guerra Mundial. Em 1943, ele também estabeleceu um recorde de velocidade de vôo.

Outros Ciganos Heróis da Rússia
Roma deram milhares de outros heróis para a Rússia, muitos deles perderam a vida lutando contra os exércitos nazistas, outros viram a vitória dos Aliados no final da Segunda Guerra Mundial. Todos eles merecem uma lembrança honrosa, mas não sabemos todos os nomes, para que possamos mencionar apenas alguns deles como representantes de todos.

Piotr Amidzhanovich,
Abdisha Olyevich,
Montii Olyevich e
Sejdamet Olyevich, da família Kazybeyevikh Roma Criméia, foram premiados com Condecorations guerra.

Mikhail Dmitriev, lutou durante toda a guerra, e entrou com o exército triunfante soviético em Berlim.

Grigori Petrovich Kuznetzov, participaram na libertação da Polônia e Tchecoslováquia, medalha de coragem.

Vasily Alekseyevich Mushtakov, lutou pela libertação de Budapeste, premiado com medalha.

Vasily Vasilkov, piloto, morreu na batalha de Stalingrado.

Zaikin Vasily Zakharovich, participou na Guerra do finlandês, em seguida, morreu no campo de batalha contra os alemães.

Havia também as mulheres ciganas que desempenhou um papel importante durante a guerra, como:
Anna Belozerova,
Kolpakova
Elena e
Shlykova Aleksandra, assistentes médicos, morreu na guerra.

Nesta categoria também pode listar as irmãs cientista Natalya Pankova e Lyubov Pankova, acima mencionado, que deixaram de lado as suas carreiras e, voluntariamente trabalhou duro em uma fábrica, fazendo com que os reservatórios de projetores do foguete, como a sua consciência patriótica levou-os para ajudar seu país a lutar os invasores nazistas.

Um herói não da Segunda Guerra Mundial, mas dos tempos modernos, foi Jan Aleksandrovich Sergunin (Reshetnikov), tenente-general e Advogado, restabeleceu o direito civil na República da Chechénia, tentando por todos os meios de forma diplomática fazer a lei prevalecer sobre armas; promovido a criação de centros de reabilitação no Cazaquistão; previsto assessoria jurídica gratuita para os cidadãos contra os procedimentos ilegais. Ele foi também um escritor em língua romani.

Jornalistas

Bósnia & Herzegovina
Hedina Sijercic
(Sarajevo, Bósnia e Herzegovina, antiga Iugoslávia, 11/11/1960)
Hedina Sijercic é jornalista, repórter, radialista, escritor, produtor, editor, tradutor. Ela pertence ao grupo Romany Gurbeti. Ela foi a jornalista Romany primeira vez na história da televisão em Sarajevo, e também trabalhou com refugiados e imigrantes na Alemanha e no Canadá.

Tcheco
Jarmila Balazova
(Brno, Morávia, 5/1/1972)
Jarmila Balazova é jornalista Romany trabalhar para a rádio e televisão checa. Em 1992, ela fundou a emissão em língua romani, então ela se engajados na produção de programas de TV para crianças. Ela também escreve para revistas e é o editor de uma publicação mensal romani. Ela é um membro do Conselho do Governo checo para as Minorias Nacionais.

Ondrej Gina
(Rokycany, Bohemia, 22/2/1971)
Ondrej Gina é filho de um ativista Rom aknowledged e o moderador Cigano primeiro número da revista de notícias na televisão checa. Ex-correspondente da Agência Internacional de romani "Romnews" e repórter do jornal de rádio, foi solicitado pela televisão em 1999 e tornou-se moderador.

Reino Unido
Jake Bowers
(Haslemere, Surrey, 28/5/1972)
Jake Bowers é um self-made jornalista nascido em uma família Romanichelle com seus 17 irmãos. Comprometido com os direitos sociais de seu povo, fundou o cigano Media Company. Ele trabalhou para a BBC de televisão e rádio, para o Guardian e as publicações independentes e muitos outros. Atualmente ele está em processo de partida baseado na Internet Romany rádio no Reino Unido.

George Bramwell Evens
(Hull, 1884 - Wilmslow, Cheshire, 1943)
George Bramwell Evens foi muito popular jornalista da BBC, mais conhecido como "ciganos". Suas transmissões sobre a natureza ea vida no campo foram os primeiros a lidar com essas questões. Ele acolheu também programas para crianças, em que ele reproduz os sons da natureza em estúdio com o efeito como se fossem ao ar livre, e descreveu a vida cigana e suas viagens em caravana. Ele também escreveu livros sobre história natural.

Personagens de Literatura e Teatro
Os seguintes não são pessoas reais, mas personagens de ficção, ainda assim, incluí-los aqui, pois também são ciganos famosos.
O estilo de vida cigana tem inspirado os autores românticos, a maioria deles realmente não estão familiarizados com a cultura romani, que retratou o personagem intensamente passional ciganos "de uma forma estereotipada, principalmente a sensualidade da mulher cigana e o seu misterioso poder de sedução e encantamento, bem como Romany o conceito de liberdade que é convencional e incompreensível para os padrões estabelecidos social.
Aqui eles estão ordenados por nacionalidade dos autores.

França
* Esmeralda, o dacer cigana, protagonista do romance Notre-Dame de Paris (1831), de Victor Hugo.

* Carmen, do romance homônimo (1845), por Prosper Mérimée, depois adaptado para ópera de Georges Bizet.

Rússia
* Zemfira, protagonista feminina do poema narrativo Tzygany [Os ciganos] (1824), de Aleksandr Pushkin Sergeyevich.

* Gruchenka, da história Enchanted Wanderer, de Nikolai Leskov Semyonovich.

* Loiko Zabar e Radda, os principais personagens da história Makar Chudra (1892), por Alexei Maksimovich Peshkov, mais conhecido como Gorkii, que inspirou o filme "Tabor nebo v ukhodit" [O Acampamento Cigano Goes To Heaven], por Emil Loteanu , 1976.

* Masha, do jogo de estar perfeição elusiva, por Lev Nikolayevich Tolstoy (em torno de 1900).

* Olessya, do romance homônimo (1909), de Aleksandr Ivanovich Kuprin.
Espanha

* Candela, a protagonista da história de El Amor Brujo [Spell-Love vinculado] (1914), de Manuel de Falla.

* A noiva, o noivo e Leonardo, do poema trágico Bodas de Sangre [Blood Wedding] (1932), de Federico García Lorca.

Ucrânia
* Tzyganka Aza, história por Mikhail Startits.

Reino Unido
* Heathcliff, o protagonista masculino da novela Wuthering Heights (1847), de Emily Jane Brontë, foi sua obra literária.

Esta matéria foi realizada por Sándor Avraham, como uma pesquisa pessoal.

Obrigado por fontes de: João Romano Filho (Brasil), Alfred Schachter (Israel), Irka Cederberg (Suécia), Federico Hoffmann Reinhardt (Costa Rica), Jamie Hanley (Califórnia), Nikolay Bessonov (Rússia) e os irmãos Muñoz (Espanha) .

Aviso: As personalidades listadas aqui foram incluídos após uma investigação precisa das fontes. Há outros que, sendo sua ascendência Romany incerto e sem fontes confiáveis, foram excluídos.

Fontes : www.imninalu.net/famousGypsies.htm

http://www.kumpaniaromai.com.br/textos/ciganosfamosos.htm

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Crianças Ciganas

“O nascimento de uma criança é sinônimo de alegria para toda a tribo”, conta o cigano Juan Yuni. Para os ciganos, cada criança que nasce simboliza o renascimento da esperança. Por isso, todas as crianças são recebidas com festas e muito queridas pela tribo à medida que crescem.

Quando um cigano nasce, ganha três nomes: um secreto, que só é de conhecimento da mãe, outro, de batismo, que é apresentado à tribo, e um terceiro, que será conhecido pelos gadjes (os não ciganos). Juan, hoje com 31 anos, diz que nunca se preocupou em não saber o nome que sua mãe escolheu. “É tradição. Nós não preocupamos com isso, já temos dois nomes para usar, e este terceiro, apesar de representativo, é como se não existisse”.

A criança cigana cresce em plena liberdade. Não lhe é exigido que tenha suas atividades restritas ao universo infantil. Ao contrário: estimula-se que convivam com os adultos e entrem em contato com os ramos de negócio que seus pais estejam envolvidos. “Os meninos acompanham seus pais nas negociações do comércio e as meninas, nos trabalhos domésticos das mães e também quando elas saem às ruas para ler a sorte das pessoas. As crianças vivem em total liberdade e contato com a natureza, mas acompanham seus pais em todas as ocasiões de festividades e cerimônias assim como estão sempre boa parte do tempo com os mais velhos. Elas são muito amadas e respeitadas.”, explica Juan.

Quando uma família cigana fica por muito tempo estabelecida num lugar, as crianças passam a frequentar a escola da região, a fim de aprenderem o básico da língua do país e dos cálculos matemáticos. Mas as diferenças entre o modo de vida cigano e o modelo ocidental ao qual estamos habituados se manifesta muito cedo: devido à falta de familiaridade com as regras de uma escola (no que tange à hierarquia, estipulação de horários fixos e prazos de entrega de tarefas, por exemplo) é muito difícil que a criança cigana consiga se adaptar num ambiente educativo tradicional.

Com oito anos, Kiril frequenta uma escola pública há dois meses e ainda não se adaptou às regras. Os pais – Nadjara e Mio Vacite – contam que o menino não gosta de cumprir as ordens da professora. Além disso, devido à cultura cigana, eles mesmos acabam, sem perceber, desestimulando o filho a se dedicar à escola: “Nós nunca estudamos muito, não precisamos disso. O que ensinam nas escolas não interessa pra nossa vida”.

Muitos ciganos encaram as escolas como uma ameaça aos seus costumes. Com uma tradição ágrafa, o cigano não está acostumado a manusear papéis e canetas ou mesmo folhear livros: todo o conhecimento acumulado é transmitido oralmente. Assim, muitos acreditam que o ensino nas escolas poderia se sobrepor aos da tribo.

É em meio a essas questões étnicas que a criança cigana se desenvolve. Só a passagem do tempo é que determinará de que forma esses futuros adultos se relacionarão com o mundo que os cerca e a cultura da qual originam.

fonte: https://vidadecigano.wordpress.com/2010/11/22/criancas-ciganas/

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Dança Cigana

 

 

Dança cigana

Dança com Leque

O leque passeia há séculos nas mãos das mulheres, mas seu uso prático pouco tem a ver com os aspectos valorizados pela cigana ao dançar. Da maneira que se abre pode representar as fases da lua e da mulher, seus reais desejos ou apenas o que quiser demonstra; é um poderoso instrumento de limpeza energética, magia para a cura e sedução. Sendo assim, está constantemente nas mãos espertas de uma cigana, atraindo a atenção para seu mistério e poder. O leque é mais característico nas danças kalóns, mas pelo seu encanto as mulheres que gostam, usam-no sempre que podem na sua dança.

Dança com Lenço

O lenço é encantador seguro delicadamente nos dedos da cigana, envolvendo-a de mistério e aos poucos revelando sua beleza e poder. Ao dançar com o lenço, seus desejos, sentimentos e sonhos são movidos pelo deslizar do lenço pelo ar, no transe da música, livre como o vento e infinito como o céu. O lenço também transforma e limpa o ambiente, pode representar pedidos ou coisas da vida que queremos mudar ao dançar. É uma das danças ciganas femininas mais belas, por isso pode ser encontrada de várias formas nas danças de todos os grupos

Dança com Pandeiro

O pandeiro traz a alegria do sol, saudando-o com inúmeras fitas coloridas, representando seus raios protetores e vivos. Como todo instrumento que faz barulho, ele tem como função expulsar os maus espíritos ou energias negativas, abrindo caminho para o povo festejar. Sua mensagem é mover, transformar o que está parado em ritmo, revigorar o nosso corpo com a alegria e o calor da dança, assim como o sol faz conosco. O uso das fitas, pode ter nascido como um calendário para marcar eventos importantes e a idade; para saudar a chegada da primavera; para representar através das cores das fitas pedidos ou bençãos. É mais utilizado nas danças do grupo Rom, acompanhando violinos e outras percussões, é preciso habilidade e conhecimento dos ritmos utilizados.

Ritmos Flamencos

Soleá – ritmo-mãe do flamenco. A palavra Soleá é uma abreviatura cigana para Soledade-solidão. Seus acordes melancólicos traduzem o lamento, a dor da perda.

Alegría – tem o ritmo idêntico ao do soleá, porém mais vibrante, alegre de acordes animados.

Bulería – ritmo que possui variantes na dança. Transformam espontaneamente o ritmo festivo do Flamenco em paixão, hipnotizando a platéia. A palavra Bulería, vem de burlar, enganar.

Sevilha – As populares sevilhanas andaluzas têm um ritmo contagiante e alegre. São geralmente dançadas em duplas de homens, mulheres e crianças. Desdobram-se em quatro partes, quando acontecem as mudanças dos pares.

Farruca – A sóbria e viril farruca é comumente dançada por homens. Mas hoje em dia, as melhores bailarinas flamencos também exibem a destreza de seus passos na farruca. O próprio nome farruca significa valente.

Mallaguenha – A província de Malaga desenvolveu seu próprio ritmo flamenco e criaram seu próprio canto apropriado a um estado de espírito cujas letras acompanham as mais profundas emoções humanas.

Seguiriyas – Ritmo de grande descarga emocional, é o mais cigano do flamenco. Seus acordes e sapateados soam como desabafos e reclamações pelo amor perdido, pela falta de liberdade, pelo ódio ou revolta, exigindo do bailarino e do guitarrista muita vibração emocional.

Música e Dança

Quando os ciganos deixaram o Egito e a Índia, eles passaram pela Pérsia, Turquia, Armênia, chegando até a Grécia, onde permaneceram por vários séculos antes de se espalharem pelo resto da Europa.

A influência trazida do oriente é muito forte na música e na dança cigana. A música e a dança cigana possuem influência hindu, húngaro, russo, árabe e espanhol. Mas a maior influência na música e na dança cigana dos últimos séculos é sem dúvida espanhola, refletida no ritmo dos ciganos espanhóis que criaram um novo estilo baseado no flamenco.

Alguns grupos de ciganos no Brasil conservam a tradicional música e dança cigana húngara, um reflexo da música do leste europeu com toda influência do violino, que é o mais tradicional símbolo da música cigana.

Tanto a música como a dança cigana sempre exerceram fascínio sobre grandes compositores, pintores e cineastas. Há exemplos na literatura, na poesia e na música que mostram nas suas obras muito do mistério que envolve a arte, a cultura e a trajetória desse povo.

A música mais tocada e dançada pelos ciganos é a música Kaldarash, própria para dançar com acompanhamento de ritmo das mãos e dos pés e sons emitidos sem significação para efeito de acompanhamento. Essa música é repetida várias vezes enquanto as moças ciganas dançam.

Postado por Amor Cigano

Fonte: http://vidasemagias.blogspot.com/

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NATÁLIA, A CIGANA

Natália era cigana. Vivia num acampamento no meio do pinhal, lá para as bandas de Albergaria. Não teria mais de quinze anos e era muito bonita e vistosa.
Como qualquer uma na sua situação, passava por muitas dificuldades. Havia dias em que faltava a comida. Havia dias em que faltava todo o resto. Nesses dias ela sentia falta da escola onde já não ia há mais de quatro anos. O trabalho de apanhar gravetos no pinhal, de lavar a roupa da catrefada de irmãos, de procurar água para se lavar ou comida para se alimentar, de ajudar os pais na sobrevivência do dia a dia, eram mais importantes que a aprendizagem numa qualquer escola.
Natália tinha uma amiga dos tempos da escola. Leonor não era cigana nem passava dificuldades como as de Natália, mas trabalhava de sol a sol, nas lides do campo, nas lides da casa, nos estudos que sabia importantes para o seu futuro. A amizade das pequenas era tal que Leonor, tinha permissão de visitar o acampamento, aprendera danças e cantares ciganos, assistira a rixas e desacatos entre os membros da comunidade, fora ensinada nos segredos da leitura das linhas das mãos e noutros, era considerada como mais uma de entre todos, embora sempre com a distância óbvia que a diferença de raças e de educação impunham.
Os ciganos em Albergaria, como na maior parte do nosso País, eram olhados de lado pela restante população. Dificilmente lhes ofereciam emprego, com frequência eram associados à existência de pequenos roubos, a enganos e trafulhices e a tráfico de fosse o que fosse e não eram entendidos na sua forma de viver.
Por isso, quando Leonor convidou Natália para ir com ela à festa dos rojões, as resistências, tanto da parte da família da primeira como da comunidade da segunda, logo se fizeram sentir. Foi preciso muito jogo de cintura, muita persuasão, muito saber, da parte de Leonor, para conseguir convencer toda a gente. Mas conseguiu.
A festa dos rojões, nem sei se é mesmo assim que se chama, consistia, grosso modo, em vender, como meio de angariar dinheiro para os pobres da feguesia, rojões, aos homens mais abastados da terra e a outros que se lhes quisessem associar. O preço, alto, era pago por rojão comido, sem contar com o arroz ou as batatas, ou o pão ou o vinho, e os comensais faziam competição, entre eles, a ver quem mais comia e, claro, quem mais pagava. Normalmente, conseguiam reunir mais de uma centena de homens, e outro tanto de mulheres e de crianças.
As mulheres, não tinham lugar à mesa. Ficavam pela cozinha, normalmente improvisada no meio do campo, e «serviam» a comida e a bebida. A mesa, como rezava a tradição de várias dezenas de anos, era só para os homens. As crianças, para não incomodarem, ficavam à solta, brincando ao redor da cozinha e das saias das mães.
O terreiro onde a festa se realizava, estava engalanado como nas festas do Senhor Menino, com muitas cores e flores de papel. A banda, no coreto, tocava desde manhã, mais ou menos cedo, parava durante a comezaina, e recomeçava no início da tarde, já com muita dificuldade. Havia uma explicação lógica para essa dificuldade. Como a maior parte dos instrumentos era de sopro, e se notava uma clara falta de força nas assopradelas e de destreza nos dedos, as fífias eram enormes. Só o menino do timbalão e o dos pratos, iam acertando de quando em vez, mas, na verdade, só porque eles, por serem ainda adolescentes, não tinham tido permissão de beber uma só gota do vinho que em muita quantidade se tinha por lá bebido.
Natália tinha sido avisada para estar pronta lá pelas dez da manhã. Pareceu-lhe tarde, já que nas festas que havia no seu acampamento, as mulheres começavam a preparar as coisas ainda de madrugada. Começando às dez, não ia haver tempo, pensou, ou se calhar, a ela por ser de fora e novita, não queriam que fosse trabalhar muito cedo.
Leonor foi buscá-la, e as duas, calmamente, foram-se dirigindo ao recinto. Com elas e pelo caminho que ainda era longo, foram aparecendo mais e mais mulheres. Novas, velhas e de meia idade, gordas e magras e uma enormidade de catraios. Todas sem excepção carregada com seiras que, para um bom observador, estavam leves de tão vazias. Ao todo muito mais de cem mulheres e crianças iam, conversando animadamente para o «trabalho». Afinal, verificou Natália, só agora é que as mulheres, todas, mas mesmo todas, chegavam.
Fotografias retiradas da internet
Fotografias retiradas da internet

No terreiro, quando chegaram, a azáfama era enorme. Homens e mais homens por todo o lado, e a banda já estava a tocar. Algumas camionetas de caixa aberta, ainda por lá estavam a acabar de descarregar coisas. Montavam-se as tendas e nelas as respectivas mesas e cadeiras. Montava-se a cozinha, e preparava-se tudo para acender o fogo que iria cozinhar o arroz, as batatas e os rojões. A um canto, um forno tinha já gravetos a arder e, aquecia, lentamente. Os homens, muito embora já cansados, divididos em equipas, não paravam, de modo a ter tudo a postos. Já lá estavam havia horas. Pelo menos desde as sete da manhã. A montagem das tendas e o cortar das carnes tinha sido o que mais os demorara.
Na cozinha, enormes alguidares com batatas já sem pele, rojões cortados e preparados em vinha de alhos e prontos a cozinhar, alfaces lavadas, tomates cortados em rodelas, calda para o arroz e dúzias de garrafões de vinhos brancos e tintos, broas enormes cortadas aos pedaços e muito pão de mistura. Tudo preparado para que as mulheres começassem o seu trabalho.
As vozes femininas começaram a sobrepor-se às dos homens. Aos poucos, e logo depois de as mesas estarem o postos, com as toalhas de plástico e papel, com os copos e as cadeiras, os homens começaram a ser expulsos da cozinha e das tendas.
Agora era a vez delas.
Dividiram-se em grupos. Natália e Leonor, ficaram encarregadas de colocar os guardanapos nas mesas, os homens tinham falhado nisso, separar os bocados de broa já cortada e colocá-los em cestos, temperar as alfaces e os tomates, e no fim, quando estivesse tudo pronto, lá mais para a uma hora da tarde, iriam ajudar a servir à mesa.
Entretanto as outras mulheres começaram a cozinhar, já que a preparação das coisas já estava praticamente toda feita. Tachos e panelas, enormes, tinham sido, entretanto, descarregados de duas carrinhas, e já tudo se poderia fazer. Como que por encanto, os homens desapareceram.
Numa espreitadela, poderiam ser vistos a, de longe, apreciar o trabalho já realizado, com orgulho no olhar, enquanto, encostados pelos cantos ou sentados nas cadeiras do café do sr Aníbal, descansavam de horas de trabalho e afiavam os dentes para a patuscada.
A banda, essa não pararia a não ser dez minutos a cada hora. E estava quase a descansar pela segunda vez.
No meio do grupo dos homens, alguns havia que se sabia não iriam pagar a conta no fim da comezaina. Tratava-se dos chefes de cinco famílias das mais pobres da zona. Eram homens doentes, sem emprego e sem terras para tratar. Tinham trabalhado como os outros, ou talvez mais, e todos entendiam que tinham direito a comer o que quisessem, mesmo sem a retribuição monetária.
Com o passar do tempo, começaram a chegar outros homens. Forasteiros que, sabendo da festa na vila, queriam associar-se ao evento. Naquele ano, foram muitos os que os visitaram. A festa ia ser um sucesso.
À hora aprazada, os comensais começaram a aproximar-se das mesas, a sentarem-se, a petiscar na broa e bebericando do vinho.
As mulheres entretanto, tinham trabalhado com afinco. Por entre conversas de coscuvilhice, anedotas, risos e coisas mais ou menos sérias, lá iam provando dos rojões, do arroz, do vinho, e da broa. As faces, com o calor e as provas, iam rosando. As palavras subindo de tom. Os risos mais insistentes e constantes. Reinava a alegria, a amizade, o companheirismo. Não era todos os dias que tinham tempo para se encontrarem, porem as conversas em dia, dizerem mal dos companheiros, falarem das vidas de umas e outras. Por certo que, os melhores nacos de rojões teriam já desaparecido, quando deram por terminados os cozinhados e decidiram ser altura de «servir».
Os homens comeram a bom comer, já que os rojões estavam de estalo, e beberam ainda melhor. As horas foram passando e já seriam perto das cinco horas da tarde, com a banda a dar fífias em cima de fífias, quando os primeiro desistentes se levantaram e foram fazer contas à cozinha. Sim, porque quem recebia o dinheiro de cada um dos homens, era a matriarca da terra, a sra Zulmira, mulher grande e anafada, de mais de oitenta anos, fina como um rato, e cheia de uma vivacidade de fazer inveja a muita gente nova.
fotografia retirada da internet
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Aos poucos as mesas foram ficando vazias. Eram já mais de seis horas da tarde. Havia ainda muito para fazer.
Os homens, já, muitos deles, toldados pela bebida, teriam ainda de desmontar mesas e cadeiras, que as tendas ficariam para o dia seguinte. Teriam ainda de recolher tachos e panelas, pratos e talheres, copos e garrafões, transportá-los e arrumá-los.
As mulheres, depois de lavarem toda a louça, dividiram entre elas toda a comida que sobejou, e era muita. Abriram as seiras que tinham trazido, de onde retiraram caixas plásticas e foram-nas enchendo de arroz e de rojões. Toda a gente, em particular os membros das famílias mais necessitadas e que não tinham pago, levaram para suas casas comida para várias refeições.
Natália, que não tinha levado nenhuma vasilha ou caixa com ela, uma vez que nem sabia que podia e devia, viu-se de repente sem poder levar comida para casa. Ficou triste.
Quando deram por isso, todas as mulheres quiseram dar uma caixa, a mais pequena, que cada uma tinha, para a miúda poder levar consigo. Foi difícil aceitar tudo, já que ela não poderia transportar tanta coisa. Leonor ajudou e, num carrinho de mão, levaram para o acampamento da pequena cigana comida para a família toda e para os amigos.
A festa tinha sido um êxito. A sra Zulmira estava radiante com os números alcançados.
Tinha acabado a festa. À alegria de todo o dia, juntava-se a meia tristeza pelo final de um dia de férias. Para o ano haveria mais, mas entretanto, se fosse possível, haveriam de fazer umas outras festinhas mais pequenas, a bem de todos.
As tradições, nestas terras, são muito do pouco que essas pessoas têm, e servem para o bem comum, sempre.

José Magalhães

Fonte: https://aviagemdosargonautas.net/2014/02/10/contos-e-cronicas-natalia-a-cigana-por-jose-magalhaes/

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O Gato e o Galo

Um gato, ao agarrar um galo, ficou imaginando como encontrar uma desculpa, qualquer que fosse, para justificar o seu desejo de comê-lo. Acusou ele então de causar aborrecimentos aos homens, ao cantar à noite, não deixando assim ninguém dormir.

O galo se defendeu dizendo que fazia isso em benefício dos homens, e que desse modo eles podiam acordar cedo para não perder a horário de trabalho.

O gato respondeu; "Apesar de você ter me dado uma boa desculpa eu não posso ficar sem comer." E assim comeu o galo.

Autor: Esopo

Moral da História: Quem é mau caráter, sempre vai achar uma desculpa para tornar legítimas suas ações

Fonte: https://www.fabulasecontos.com.br/?pg=descricao&id=569

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Os viajantes e o urso


Dois homens viajavam juntos, quando, de repente, surgiu um urso de dentro da floresta e parou diante deles, urrando. Um dos homens tratou de subir na árvore mais próxima e agarrar-se aos ramos. O outro, vendo que não tinha tempo para esconder-se, deitou no chão, esticado, fingindo de morto, porque ouvira dizer que os ursos não tocam em homens mortos. O urso aproximou-se, cheirou o homem deitado e voltou para a floresta. Quando a fera desapareceu, o homem da árvore desceu apressadamente e disse ao companheiro:

— Vi o urso a dizer alguma coisa no teu ouvido. Que foi que ele disse?

— Disse que eu nunca viajasse com um medroso. Na hora do perigo é que se conhecem os amigos.

(Versão de Guilherme Figueiredo)

Fonte: https://www.fabulasecontos.com.br/?pg=descricao&id=569

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O ratinho, o gato e o galo

Certa manhã, um ratinho saiu do buraco pela primeira vez. Queria conhecer o mundo e travar relações com tanta coisa bonita de que falavam seus amigos. Admirou a luz do sol, o verdor das árvores, a correnteza dos ribeirões, a habitação dos homens. E acabou penetrando no quintal duma casa da roça.

— Sim senhor! É interessante isto!

Examinou tudo minuciosamente, farejou a tulha de milho e a estrabaria. Em seguida, notou no terreiro um certo animal de belo pelo, que dormia sossegado ao sol. Aproximou-se dele e farejou-o, sem receio nenhum. Nisto, aparece um galo, que bate as asas e canta. O ratinho, por um triz, não morreu de susto. Arrepiou-se todo e disparou como um raio para a toca. Lá contou à mamãe as aventuras do passeio.

— Observei muita coisa interessante — disse ele. — Mas nada me impressionou tanto como dois animais que vi no terreiro.

Um, de pelo macio e ar bondoso, seduziu-me logo. Devia ser um desses bons amigos da nossa gente; e lamentei que estivesse a dormir impedindo-me de cumprimentá-lo. O outro... Ai, que ainda me bate o coração! O outro era um bicho feroz, de penas amarelas, bico pontudo, crista vermelha e aspecto ameaçador. Bateu as asas barulhentamente, abriu o bico e soltou um co-ri-có-có tamanho, que quase caí de costas. Fugi com quantas pernas tinha, percebendo que devia ser o famoso gato, que tamanha destruição faz no nosso povo. A mamãe rata assustou e disse:

— Como te enganas, meu filho! O bicho de pelo macio e ar bondoso é que é o terrível gato. O outro, barulhento e espaventado, de olhar feroz e crista rubra, filhinho, é o galo, uma ave que nunca nos fez mal. As aparências enganam. Aproveita, pois, a lição e fica sabendo que: Quem vê cara não vê coração.

Monteiro Lobato

Fonte: https://www.fabulasecontos.com.br/?pg=descricao&id=569

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As mulheres sempre foram descriminada culturalmente pela superioridade masculina, onde era vista como objeto do lar e que sempre sofreu diversas formas de violência.

Com o passar dos anos, as mulheres conquistaram seu espaço na sociedade, espaço esse que era exclusivo do gênero masculino, e assim ganhando proteções.

O Brasil, que faz parte de tratados internacionais, foi pressionado pela OEA a melhorar sua legislação, e com muita luta foi promulga a lei 11.340 de 7 de agosto de 2006 que dá tratamento especial aos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher num esforço para combater essa prática.

PALAVRAS CHAVE: VIOLÊNCIA, MULHER, FAMILIAR, COMBATE.

INTRODUÇÃO
A violência contra a mulher é fruto de uma evolução histórica, muitas vezes praticada por alguém do seu âmbito familiar, sendo um trágico quadro atual que vincula na sociedade devido à falta de informação e a conceitos socioculturais ainda enraizados.

Atualmente nossa sociedade ainda é machista, ainda carrega a concepção de que o homem é superior a mulher e assim muitas mulheres aceitando. É nesse momento que a violência ocorre, violência essas oriundas de relações afetivas – maridos/ex-maridos, companheiros/ex-companheiros, namorados/ex-namorados.

Vivemos em uma época em que as mulheres já tiveram bastantes conquistas, entre elas seus direitos, tendo por fim ganhado proteções em garantia do seu gênero, proteções essas oriundas de grandes batalhas para o combate e erradicação da violência contra a mulher, dentre esse artigo abordaremos a lei Maria da penha como forma de erradicação da violência contra a mulher e as políticas públicas de combate a violência contra a mulher.

1. Uma abordagem sobre a categoria gênero
Segundo Faria e Nobre (1997, p.9-10), as meninas e os meninos desde crianças aprendem a ser mulher e homem. Através da educação recebida em casa no seio da família, percebe-se que há uma educação diferenciada para as duas categorias do sexo. O enxoval das crianças geralmente, já vem determinando a cor segundo o sexo dela; se for menino a cor é preferencialmente azul, e se for menina a cor é rosa. Os brinquedos que recebem também são caracterizados segundo o sexo. Os carrinhos, a bola, as bolinhas de gude são brinquedos para meninos, enquanto que, as bonecas, o fogãozinho, e a casinha são brinquedos de meninas.

Antigamente as mulheres eram consideradas inferiores aos homens submetendo-se as ordens e humilhação que a cultura lhe continha, vistas apenas como mulheres do lar, a qual servia apenas para a manutenção da prole e do lar, a partir do século XIX através do sistema capitalista, houve o acarretamento de muitas mudanças na sociedade, com a revolução industrial as mulheres saíram de seus lares e passaram a ir trabalhar em fabricas, momento esse inovador para as mulheres, estas que detinham apenas o poder de ser subordinada a seu marido, apenas trabalhando em casa, cuidando dos filhos e dos serviços de casa. Saindo do “locus” que até então era permitido e reservado (espaço privado) e migrando para o espaço público, mostrando aos homens que não são inferiores, que podem fazer as mesmas coisas que eles, iniciando assim a trajetória do movimento feminista.

Hoje a mulher ainda vive em condições desfavoráveis a ela, onde ainda empenha papel de submissão ao homem, mesmo já tendo adquirido bastantes direitos a mulher ainda é vista como propriedade do homem com quem convive, seja ele seu esposo ou namorado.

Com a Revolução Francesa, considerada a grande revolução burguesa, surge o feminismo. E uma das primeiras manifestações feministas aconteceu na França Revolucionária, liderada por mulheres francesas que exigiram da Assembléia Constituinte o estabelecimento da igualdade dos direitos entre os sexos, inclusive a liberdade de trabalho. Esse movimento feminista veio representar para as mulheres uma tentativa importante de ruptura com a história de submissão a que foram e são ainda impostas (SARDENBERG & COSTA, 1994).

2. Violência
Em nosso país, segundo a Organização Mundial da Saúde, uma em cada cinco mulheres (20%) já sofreu algum tipo de violência física, sexual ou outro abuso praticado por um homem (OMS). A violência contra as mulheres faz parte de uma sequência crescente de episódios, incluindo mortes por homicídios, suicídios ou a grande presença da ideação suicida, além de doenças sexualmente transmissíveis, doenças cardiovasculares e dores crônicas (SCHRAIBER et al, 2007).

A Convenção de Belém do Pará (1994), define:

[...] a violência contra a mulher constitui uma violação aos direitos humanos e às liberdades fundamentais e limita total ou parcialmente à mulher o reconhecimento, gozo e exercício de tais direitos e liberdades [...] violência contra a mulher é qualquer ação ou conduta, baseada no gênero, que cause morte, dano físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto no âmbito público como no privado.

A violência é um ato de brutalidade, abuso, constrangimento, desrespeito, discriminação, impedimento, imposição, invasão, ofensa, proibição, sevícia, agressão física, psíquica, moral ou patrimonial contra alguém e caracteriza relações intersubjetivas e sociais definidas pela ofensa e intimidação pelo medo e terror. Segundo o dicionário Aurélio violência seria ato violento, qualidade de violento ou até mesmo ato de violentar. Do ponto de vista pragmático pode-se afirmar que a violência consiste em ações de indivíduos, grupos, classes, nações que ocasionam a morte de outros seres humanos ou que afetam sua integridade moral, física, mental ou espiritual. Em assim sendo, é mais interessante falar de violências, pois se trata de uma realidade plural, diferenciada, cujas especificidades necessitam ser conhecidas.

A violência pode ocorrer de maneira escondida, mas mesmo em suas formas leves ela se baseia na dominação de um gênero sobre outro. Violência Doméstica, segundo alguns autores, é o resultado de agressão física ao companheiro ou companheira. Qualquer mulher pode ser vítima de violência doméstica, não importando a classe social, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião. Na lei Maria da Penha, caracteriza-se o gênero, onde esta lei aplica-se apenas a mulher, violência essa oriunda das agressões físicas, psicológicas, patrimoniais, sexuais e sociais.

3. TIPOS DE VIOLÊNCIA
A violência contra a mulher é um tipo de violência que acontece geralmente no âmbito privado ou doméstico. É praticada nas relações interpessoais onde agressores estabelecem relações de afetividade com a vítima. Particularmente, os agressores se configuram como maridos, ex-maridos, companheiros, ex-companheiros, namorados, ex-namorados que usam da violência como uma forma de exercer o poder sobre a mulher. Mesmo que esse tipo de violência venha a ser praticada no âmbito privado ela deve ser tratada com um caráter político e público.

A violência contra a mulher se expressa de várias formas, podemos citar a: violências físicas, psicológicas, patrimoniais, sexuais e sociais.

A violência física é caracterizada por lesões corporais causadas por tapas, chutes, arremessos de objetos e por qualquer outra forma que possa deixar marcas no corpo físico da vítima. Nesse tipo de violência pode ocorrer lesões graves e deixá-la incapacitada de realizar tarefas habituais por toda sua vida podendo leva-la a morte.

A violência patrimonial acontece quando são destruídos objetos pessoais, tais como papéis ou documentos e roupas, tudo motivado por ciúme e com forma de dominação, destruindo também sua auto-estima e sua identidade.

A violência sexual ocorre quando a mulher é obrigada a ter relações sexuais a força com alguém, que pode ser seu marido, companheiro, namorado ou mesmo alguém desconhecido. Esse tipo de violência pode ocorrer de várias formas: através do estupro, abuso sexual, este, praticado especialmente contra crianças e adolescentes, assédio sexual que é a perseguição constrangedora da vítima por alguém que se aproveita de sua condição hierarquicamente superior; e atentado violento ao pudor.

A violência social é caracterizada pelo preconceito e discriminação e ocorre quando as mulheres são impedidas de trabalhar fora de casa, quando seu trabalho, seja doméstico, ou outro tipo de trabalho está sendo desvalorizado. Esse tipo de violência também abrange o fato de mulheres receberem um salário inferior ao dos homens, mesmo estando realizando as mesmas funções. A situação se complexifica quando as mulheres são negras, pois chegam a ganhar a metade do que ganham as mulheres brancas. Também se caracteriza como violência social o preconceito sofrido em seu local de trabalho por serem mulheres, indo mais além, quando sofrem preconceito por serem mulheres e negras. A violência social também se expressa nas músicas, que cada vez mais desvalorizam as mulheres, nos ditados populares e nos programas de televisão e na mercantilização do corpo das mulheres expresso na mídia.

Por fim, a violência psicológica é caracterizada por xingamentos, ameaças e humilhações. Tem como objetivo dominar a mulher de forma a destruir sua autoestima. Segundo Queiroz, (2005, p.3) “essa violência perpassa todas as outras formas, seja física, sexual, patrimonial ou social”, e deixa “marcas na alma” além da física, que são difíceis de serem tratadas, detectadas e levam um longo tempo para serem curadas ou desaparecem.

Segundo Teles e Melo (2002, p.65) para combater e prevenir a violência contra a mulher é preciso que o Estado possa cumprir com sua obrigação que está prevista na Constituição Federal de 1988 que cria mecanismos de combate à violência no âmbito das relações familiares. É preciso também que o Estado passe a investir em políticas públicas de segurança, saúde, educação, Assistência Social, habitação etc. Além da importância do Estado somar à sua legislação interna as normas penais, civis, administrativas e outras que sejam necessárias, que estão previstas na Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a mulher (1979), na Declaração de Beijing (1995) que colocam a mulher como foco principal de proteção e na Convenção de Belém do Pará (1994) que conceitua a violência contra a mulher.

Leis de proteção a mulher.
Diante desse quadro no mês de agosto do ano de 2006 as mulheres ganharam direitos e proteção, no devido ano foi sancionada, pelo Presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva a Lei Maria da Penha, na qual há aumento no rigor das punições às agressões contra a mulher, quando ocorridas no ambiente doméstico ou familiar.

Esta lei surgiu com o objetivo de criar mecanismo para coibir a violência doméstica e familiar contra mulher, nos termos do § do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal; e dá outras providências. (BRASIL, 2006)

A Lei 11.340/2006 é fruto de um Projeto de Lei amplamente discutido na Câmara dos Deputados, com uma grande mobilização a Câmara dos Deputados realizou inúmeras audiências públicas com vários setores da sociedade, a fim de oferecer ao País uma Lei que protegesse a mulher das agressões, no âmbito familiar, e acabasse com a impunidade. O Congresso aprovou o novo diploma legal, que foi batizado de Lei Maria da Penha, em homenagem à farmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes, que em 1983 recebeu um tiro do marido, enquanto dormia. Da agressão resultou a perda dos movimentos das pernas e viver numa cadeira de rodas tornando-se paraplégica, atentou contra a vida da mulher, por eletrocussão.

Maria da Penha buscou ajuda e saiu de casa juntamente com as filhas, em um périplo em busca de justiça, Maria da Penha conseguiu ver o marido punido 19 anos depois com uma condenação de 10 anos de prisão, ficando preso por dois anos em regime fechado, assim esta mulher tornando a símbolo da luta e emprestando o seu nome a lei.

A Lei é uma grande conquista que possibilita que agressores sejam presos em flagrante ou tenham a sua prisão preventiva decretada, não podendo cumpri-las com penas alternativas de direito, tendo o tempo máximo de detenção passando de um para três anos. A Lei também prevê o afastamento do agressor do domicílio e a proibição de se aproximar da mulher e filhos. É o fim da impunidade.

Lei 11.340, de 7 de agosto de 2006, que muito significativamente recebeu o nome da Lei Maria da Penha, homenagem à mulher que fez do combate à violência de que foi vítima uma razão para viver e para lutar pela dignidade humana e pela justiça social. Não basta, porém, redigir leis: é preciso divulgá-las para que cheguem ao conhecimento do público e se transformem, assim, em instrumentos de cidadania a que todos têm direito.

No Brasil do século XXi, a violência ainda atinge dois milhões de mulheres por ano. Uma brasileira a cada 15 segundos sofre com o terror doméstico. A todos cumpre mudar essa situação, que afronta não só o Estado, mas compromete o sentimento de justiça e dignidade do país. A Lei Maria da Penha é, efetivamente, um apoio na luta por um Brasil melhor, mais digno e mais justo para as nossas mulheres. A Lei Maria da Penha determinou que a prática de violência doméstica contra as mulheres leve o agressor a ser processado criminalmente, independentemente de autorização da agredida.

Contudo, a efetivação desta lei e da sua aplicação ainda tem muitos passos a seguir. Isso se dará por meio do trabalho articulado entre as diversas áreas dos três poderes -executivo, legislativo e judiciário- em suas três esferas de atuação.

Com muitas inovações, a começar pelo processo democrático na formulação do texto da lei, ela trouxe um olhar inovador, principalmente para a situação peculiar da vítima. Ao reconhecer a situação de fragilidade e de extremo perigo em que a vítima de violência doméstica e familiar se encontra, o Estado toma para si a responsabilidade de prevenir a violência, proteger as mulheres agredidas, ajudar na reconstrução da vida da mulher e punir os agressores.

Na prevenção à violência, a Lei nº 11.340/2006 prevê políticas públicas integradas entre os órgãos responsáveis.

A primeira articulação citada na lei é a integração operacional do Poder Judiciário, do Ministério Público e Defensoria Pública com as áreas de segurança pública, assistência social, saúde, educação, trabalho e habitação.

Na proteção à mulher, a lei prevê as medidas protetivas de urgência, que devem ser solicitadas na delegacia de polícia ou ao próprio juiz, que tem o prazo de 48 horas para analisar a concessão da proteção requerida.

A Lei Maria da Penha também protege as mulheres ao estabelecer que a vítima não pode entregar a intimação ou notificação ao agressor, ao tornar obrigatória a assistência jurídica à vítima e ao prever a possibilidade de prisão em flagrante e preventiva.

No que se refere à punição do agressor, a Lei Maria da Penha mudou a realidade processual dos crimes de violência doméstica e familiar contra a mulher. Ao proibir a aplicação da Lei nº 9.099/95, impossibilitou a punição dos agressores com penas pecuniárias (multa e cesta básica) e a aplicação dos institutos despenalizadores nela previstos, como a suspensão condicional do processo e a transação penal.

A partir da Lei Maria da Penha, os crimes cometidos contra as mulheres devem ser julgados nos juizados/varas especializadas de violência doméstica e familiar contra as mulheres, com competência civil e criminal, equipados com equipe multidisciplinar composta por psicólogos e assistentes sociais treinados para um atendimento totalizante, especializado e humanizado.

Ainda na temática de punição do agressor, a lei cria mecanismos específicos de responsabilização e educação dos agressores, com possibilidade de o juiz decretar o comparecimento obrigatório do autor da agressão condenado criminalmente.

Como conseqüência da referida lei, passa a existir um sistema de políticas públicas direcionado às mulheres. Isto somente é possível devido à união de esforços de diversos órgãos da administração pública federal e estadual, do poder judiciário e legislativo, dos ministérios públicos estaduais e defensorias públicas. Todos eles articulados entre si comprovam que a violência doméstica, como fenômeno multidimensional que é, requer soluções igualmente complexas.

A Central de Atendimento à Mulher é um serviço do Governo Federal que auxilia e orienta as mulheres vítimas de violência por meio do número de utilidade pública 180. As ligações podem ser feitas gratuitamente de qualquer parte do território nacional. O Ligue 180 foi criado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres em 2005.

Desde novembro de 2011, a central passou a atender, sempre gratuitamente, brasileiras que vivem na Espanha, Portugal e Itália. O objetivo do 180 Internacional é possibilitar à brasileira que esteja sofrendo violência no exterior que ela possa ser atendida pela central no Brasil e receba informações sobre seus direitos e sobre o auxílio prestado pelos consulados brasileiros e os serviços fornecidos por esses países para um atendimento mais integral.

4. Políticas Públicas de prevenção e combate a violência contra a mulher
Entende-se que políticas públicas sejam aquelas que são frutos da intervenção do Estado, ou seja, uma resposta do Estado frente à Questão Social – no caso em referência violência contra a mulher - que abrange grande parcela da população atingindo assim, todas as classes sociais. É importante perceber que a implementação de políticas públicas é direito da população e dever do Estado.

Em relação à questão da violência contra a mulher, o movimento feminista, tem conseguido avanços em relação às políticas públicas de combate à violência contra a mulher.

A criação das Delegacias Especializadas no Atendimento a Mulher (DEAM’s), Juizados Especiais Criminais (JECRIM’s), esses últimos com a lei 9.099/95 e alguns outros previstos na Lei nº 11.460/2006, (casas-abrigo, centros de referência, defensorias públicas, promoção de estudos e pesquisas relevantes com a perspectiva de gênero e serviços de saúde).

Em 1985 foi criada a primeira Delegacia de Defesa da Mulher em São Paulo que melhorou o atendimento as mulheres que buscavam justiça. Pois antes as mulheres que recorriam às delegacias sentiam-se ameaçadas ou eram vítimas de incompreensão, machismo e até mesmo de violência institucional e sexual. (MASSUNO, apud BLAY, 2003).

O serviço nas Delegacias de Defesa da Mulher era e é prestado por mulheres, mas isto não bastava, pois muitas destas profissionais tinham sido socializadas numa cultura machista e agiam de acordo com tais padrões. Foi necessário muito treinamento e conscientização para formar profissionais, mulheres e homens, que entendessem que meninas e mulheres tinham o direito de não aceitar a violência cometida por pais, padrastos, maridos companheiros e outros. (BLAY, 2003, p.91-92).

5. APLICAÇÃO DA LEI MARIA DA PENHA
A luz dos dispositivos da referida Lei, destaca-se que é uma lei de gênero, de aplicação exclusiva a mulheres vítima de violência doméstica e familiar. Ela não foi criada para ser aplicada contra qualquer homem, mais apenas aos que praticam as agressões no contexto descrito por ela, de igual modo não foi estabelecida para beneficiar todas as mulheres, somente aquelas que se encontram em situação de vulnerabilidade. Salienta-se ainda que as mulheres agressoras de homens, se submetem a legislação do Código Penal e demais Leis pertinentes. Em determinadas situações a Lei Maria da Penha será aplicada em desfavor das mulheres agressoras, desde que a vítima também seja mulher. As hipóteses de aplicação passam a partir de agora serem destacadas:

Art. 5.º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial:

I- No âmbito de unidade doméstica, compreendida como o espaço de convivência permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas;
Conforme o pensamento doutrinário, este inciso refere-se ao convívio diário, permanente, diuturno, ainda que por tempo determinado, dando como exemplos estudantes que convivem juntos num mesmo hotel, que juntos dividem as despesas deste local, na hipótese de uma estudante vir a ser agredida por um integrante deste grupo, incidiria a aplicação da Lei. A empregada doméstica também está inclusa neste inciso, tese rejeitada por parte da doutrina, considerando que este ambiente doméstico para a empregada doméstica seria um ambiente de trabalho, um vínculo laborativo. Mas outra parte doutrinária entende cabível, podendo a incidência da Lei recair contra a agressão praticada pela patroa quanto pelo patrão.

II- No âmbito da família, compreendendo como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;
Para a doutrina incluem-se: esposa, companheira, pois a união estável nos termos do art. 226. § 3º da Cer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial: I- No âmbito de unidade doméstica, compreendida como o espaço de convivência permanente deF é considera entidade familiar, a avó, filha, neta, irmã, sobrinha. Por afinidade: sogra, cunhada. Por vontade expressa: há críticas pela amplitude do termo, podendo adentrar ao rol, a filha de criação, a mãe de criação, a empregada doméstica que por exemplo serve a família a gerações, dentre outras. Há doutrina intensifica a crítica a este inciso em relação a briga entre irmãos sob a alegação de que irmãos brigam desde os primórdios da humanidade, e que a Lei ao ser criada não estaria pensando nessa relação. O Superior Tribunal de Justiça entende perfeitamente cabível sua admissibilidade, podendo ser constada sua posição no HC 184.990/RS de 12/06/2012. Aplica-se ainda este inciso na hipótese de brigas entre irmãs, filha agredir mãe, dentre outras.

III-Em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independente de coabitação.
Coabitação significa morar no mesmo teto. A interpretação majoritária da doutrina e dos Tribunais Superiores é no sentido de aplica-se a: ex-esposa, ex-compannheira, ex-namorada, ex-noiva, a namorada, a amante, a concubina a noiva, etc. Excluindo: “a amizade colorida”, “a ficante”, a prostituta, esta última porque a relação não é de afeto, mas de cunho negocial, exceto se essa relação tornasse em um relacionamento afetivo.

O Superior Tribunal de Justiça já se manifestou em relação a “ficar”, classificando como relacionamento esporádico e não habitual, não sendo acobertada pela mencionada Lei. Em relação ao namoro para ser aplicada a Lei, é necessário um relacionamento estável, que haja uma notoriedade desse namoro, se apresentem aos amigos como tal. O Superior Tribunal de Justiça tem o entendimento de que não é qualquer relaciomento que chama a Lei Maria da Penha. Ex-relacionamentos já totalmente superados, curados, como no dito popular “onde as chagas não estejam mais abertas” como exemplo a agressão de uma mulher por um homem que já está um quarto, quinto casamento depois dela, não chama a Lei Maria da Penha, sob pena de se eternizar as relações. Agora o Ex-relacionamento onde ainda haja o inconformismo, perseguições, chantagens, ou seja “as feridas ainda não cicatrizaram”, é perfeitamente cabível a aplicação desta Lei. Chama-se atenção à agressão a mãe do (as) filho (as) do agressor, mesmo terminada esta relação há muitos anos, à agressão não é feita nessa situação a “ex”, mas a mãe de seu (s) filho (as), neste caso aplica-se o art. 5º, II da citada Lei (MARCOS PAULO. IOBCONCURSOS 2014).

Parágrafo único: As relações pessoais anunciadas neste artigo independem de orientação sexual.
As hipóteses descritas para este parágrafo único são para as relações homoafetivas do sexo feminino, aplicando-se a Lei as agressões que decorram desta relação. Prescreve a doutrina que a Lei Maria da Penha não se aplica ao transexual, mesmo que já submetido a cirurgia e feito a alteração no registro civil, pois biologicamente é do sexo masculino, e a Lei Maria da Penha é exclusiva do sexo feminino independentemente da idade.

A lei reúne dispositivos penais restritivos de direitos, devendo-se falar em legalidade estrita e devido processo legal. Normas restritivas de direitos devem ser aplicadas restritivamente, pois trata-se da liberdade do indivíduo, já os dispositivos cíveis poderão ser usados. No caso de violência doméstica a um transexual, aplica-se os artigos pertinentes do Código Penal (MARCOS PAULO. IOBCONCURSOS 2014).

O Art. 6.º A violência doméstica e familiar contra a mulher constitui uma das formas de violação dos direitos humanos.

Até a criação da Lei Maria da Penha, a violência contra a mulher era tratada como infração penal de menor potencial ofensivo, nos termos da Lei 9.099/95. Com a nova Lei passa a ser concebida como uma violação a direitos humanos, nos termos do artigo 6.º acima transcrito (FLÁVIA PIOVESAN. 2014).

6- A GRANDE MUDANÇA DA LEI
A lei Maria da Penha é responsável pela diminuição de violência praticada em nosso país, mesmo existindo uma forma de coibir a violência, em nosso país há registro de que muitos casos não chegaram até a justiça, devido as agredidas desistirem de levar adiante o processo contra o agressor, a retirada da queixa já era proibida, mas era necessária a representação, ficando vários processos parados por a não vontade de representar da vítima, e devido o caso se tratar de ação penal pública condicionada.

A procuradoria Geral da República, ingressou com uma Ação de Inconstitucionalidade com o objetivo de mudar a ação de condicionada para incondicionada, o qual foi julgada procedente pelo Supremo Tribunal Federal.

Significando que a ação não precisa da declaração da vítima em processa seu agressor. Não apenas a vítima, como qualquer pessoa, pode comunicar a agressão a polícia, podendo também o MInistério Público apresentar denúncia contra o agressor mesmo contra a vontade da vítima, Essas alterações abrangem apenas as lesões corporais, não se aplicando aos casos de ameaças, injuria e calunia.

Essas alterações beneficiaram tanto a mulher, que não se sentem mais culpada, tendo até receio de representa-lo, bem como as investigações policiais, que de nada adiantava seus esforços em buscas de diligencias para momento posterior a vítima desistisse da ação.

CONCLUSÃO

Pelo que foi exposto, a violência contra mulher é antes de tudo um fenômeno social e do cotidiano inerente ao ser humano. A criação de leis não irá por si mudar esse fator, mas contribuirá para punição daqueles que desrespeitam o ordenamento jurídico, as vítimas poderão por meio delas buscar o amparo e resposta judicial.

A mulher desde os primórdios da humanidade foi tratada com desigualdade diante dos homens ser inferior, desigual, frágil, dentre outros termos, fato esse ainda vigente em algumas partes do mundo considerando-a como cidadão de segunda classe.

As categorias de gênero e de grande importância para se entender a história de opressão vivenciada pelas mulheres. Com a categoria gênero pode-se relacionar as diferenças sociais, históricas e culturais entre homens e mulheres.

No Brasil a violência contra as mulheres tem raízes patriarcais. Ademais a violência contra as mulheres não é somente um fenômeno das classes menos abastadas, está em todos os meios sociais. As que padecem os flagelos maiores são as que estão nas classes menos favorecidas, devido as circunstâncias que se encontram, fatores como: prole numerosa, falta de estudo, desemprego, o homem é provedor do sustendo integral da família, pressão dos familiares, além de outros fatores, influenciam no rompimento desta relação e denúncia da violência vivida.

Atualmente existem serviços de atendimento à mulher em situação de violência a exemplo das delegacias especializadas, casas-abrigos, centros de referência entre outros que estão previstos na Lei 11.360/2006. Porém precisa-se que haja um maior interesse do Estado em melhorar os serviços oferecidos, tanto aumentando o número de delegacias e casas-abrigos, por exemplo, como a infra-estrutura dessas instituições que envolverão tanto a estrutura física como a capacitação de profissionais que trabalham na área. Isso acontecerá por intermédio da ação do movimento feminista para implementação de políticas públicas e com o rompimento com a lógica patriarcal de gênero.

Mulheres merecem respeito e dignidade são trabalhadoras, mães, esposas, companheiras, donas de casa, e tantas outras funções que na vida moderna acumulam, não merecem ser tratadas com brutalidade, ignorância, violência ou opressão.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRENE, Cleyson; LEPORE, Paulo. Manual Delegado de Polícia: coleção manuais das carreiras jurídicas teoria e prática. 20. Ed. Salvador: Jus Podivm, 2014.

BONFIM, Edilson Mougenot. Direito Penal 2. 4. Ed. São Paulo: Saraiva, 2008.

CARTA CAPITAL. Após Lei Maria da Penha, índices de assassinatos de mulheres continua alto. Disponível em: < http//: mairakubik. Cartacapital. Com. Br/2013/09/25/após-lei-maria-da-penha-indices-de-assassinatos-de-mulheres-continua-alto>acesso dia 29/07/2014.

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JUSBRASIL-NOTICIAS. Notícias de violência contra a mulher aumentaram depois da Lei Maria da Penha. Disponível em: acesso dia 29/07/2014.

MARQUES, Ivan Luís. Curso online de Legislação Penal Especial. Disponível em:.

MASSON, Cleber. Código Penal comentado. 2. Ed. São Paulo: Método, 2014.

NUCCI, Guilherme de Souza. Leis Penais e Processuais Penais Comentadas. 7. Ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2013.

PIOVESAN, Flávia. Temas de Direitos Humanos. 7. Ed. São Paulo: Saraiva, 2014.

PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado. 5. Ed. Salvador: Jus Podivm, 2013.

SANTOS, Marcos Paulo Dutra. Curso online de Direito Processual Penal. Disponível em: < http//:www.iobconcursos.com>;.

VADE MECUM SARAIVA. 17. Ed. São Paulo: Saraiva, 2014.

TAVARES, Rebeca. O alto preço da violência de gênero. Disponível em: < http//:www.compromissoeatitude.org.br/alguns-numeros-sobre-aviolencia-contra-as-mulheres-no-mundo/>;; acesso dia 24/07/2014.

SAFFIOTI, Heleieth Iara B. Contribuições feminista para o estudo da violência de gênero. IN: MORAES, Maria Ligia Quartim de. (Org.) Desdobramentos do feminismo. Nº 16 / 2001.

________ Gênero e patriarcado: violência contra mulheres. IN: A mulher nos espaços públicos e privados. São Paulo: fundação Perseu Abramo, 2002.

PASINATO, Wânia. Delegacias de Defesa da Mulher e Juizados Especiais Criminais: mulheres, violência e acesso à justiça. Preparado para apresentação o XXVIII Encontro da Associação Nacional de Pós-graduação em Ciências Sociais – ANPOCS. Caxambu, Minas Gerais, 26 a 28 de outubro de 2004.

LEI MARIA DA PENHA- SECRETARIA DE POLITICAS PARA MULHERES-BRASILIA-2012.

Fonte: https://erikacrcavalcante.jusbrasil.com.br/artigos/251026383/violencia-contra-mulher

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O direito à vida e a violência contra os idosos


O direito à vida e a violência contra os idosos

No Brasil, houve uma grande redução da taxa de mortalidade dos idosos, neste sentido aumentou consideravelmente o índice de violência a estes. Estima-se que a população do Brasil possui quase 25 milhões de indivíduos acima de 60 anos.

Estes idosos estão sofrendo violência, sendo acarretados com abuso e maus e maus tratos físicos, pressão psicológica, abuso sexual e financeiro, abandono e falta de assistência. O principal agressor advém do seio familiar, indivíduos que dependem financeiramente dos idosos ou até mesmo aqueles que são remunerados para prestar-lhes serviços assistenciais.

Diante deste cenário de violência e paralelamente com os movimentos sociais, surge a Política Nacional do idoso, de 1994. Reafirmando esta preocupação com os idosos, exsurge o Estatuto do idoso em 2003, protegendo de maneira especial os indivíduos com idade igual ou superior que 60 anos de idade. Apesar da existência de leis favoráveis aos idosos, estes ainda encontram dificuldade para buscarem seus direitos, sejam essas dificuldades físicas ou meramente burocráticas, desta forma preferem silenciar-se e tornar-se cúmplice da violência, do que sofrer locomovendo-se atrás de soluções demoradas e constrangedoras.

O presente artigo divide-se em 4 (quatro) partes, sendo elas: 2) o conceito de idoso no Brasil 3) a Política Nacional do Idoso que irá abordar em seu contexto desde a sua aprovação até a adaptação ao estatuto; 4) o Estatuto do Idoso, trazendo em subseções os objetivos e os direitos fundamentais; 5) o Direito à Vida, expondo pontos relevantes sobre a importância da vida e as demais leis para sua proteção e especificamente em prol do idoso e, por fim, a violência contra o idoso, o descaso, desrespeito e punições.

CONCEITO DE IDOSO NO BRASIL

O conceito de idoso pode ser definido em diversas vertentes, seja ela cronológica, física, social, biológica, cultural, entre outras. Nesta retidão, o mais utilizado é o cronológico, ou seja, aquele que leva em consideração o tempo, a data.

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), através da resolução 39/125, o conceito de idoso irá divergir de acordo com o país, seja ele desenvolvido ou em desenvolvimento. No primeiro, os idosos são aqueles com 65 anos ou mais, enquanto nos países em desenvolvimento, são aqueles com idade igual ou superior a 60 anos. Neste sentido e não obstante, no Brasil, país em desenvolvimento, a lei 10.141 (Estatuto do Idoso) em sentido estrito, os definem como pessoas com mais de 60 anos.

O termo idoso geralmente faz alusão aos aspectos de fragilidade, ausência de saúde, impotência e perda de memória. No entanto, esta questão deplorável socialmente, está sendo desmistificada ao longo dos anos, visto que com os auxílios e avanços tecnológicos, aliado aos padrões sociais de beleza, preservação da saúde e diminuição da taxa de mortalidade, o idoso tem buscado esforços para preservar mais sua saúde, aqui abrangidas pela física e psíquica.

POLÍTICA NACIONAL DO IDOSO

Em 4 de janeiro de 1994, foi aprovada a Lei nº 8.842, estabelecendo normas de proteção ao idoso. A referida lei tem como finalidade, conforme expressa em seu art. 1.º:"assegurar os direitos sociais do idoso, criando condições para promover sua autonomia, integração e participação afetiva na sociedade". Entrementes, estes direitos são desrespeitados cotidianamente, bem como é facilmente percebido a exclusão social para com os idosos, tratando-os como improdutíveis e, consequentemente, um peso para a sociedade.

A lei apresentou pontos positivos, relacionados aos progressos direcionados às pessoas com mais de 60 anos de idade, fornecendo alternativas de assistência ao idoso, como: educação, previdência social, justiça, trabalho, habitação, cultura, dentre outros meios para sua proteção e melhoria nas condições de vida.

Contudo, o legislador em observância à realidade do nosso país não economizou em prolatar leis mais severas para obtenção da proteção do idoso, tanto no âmbito federal quanto no municipal, pois a violência contra estes e a negligência vinha se agravando. Mediante essa situação, em 2003, essa lei foi ajustada conforme as necessidades apresentadas, surgindo assim, o Estatuto do Idoso.

ESTATUTO DO IDOSO

Em 2003, foi promulgada a Lei nº 10.741, estabelecendo direitos para os idosos. Este fato ocorreu em detrimento do desrespeito dos cidadãos para com os idosos, visto que intensificava cotidianamente o descaso com estes, principalmente no que tange aos maus tratos.

Conforme leciona Frange (2004, p. 8):

"O Estatuto do Idoso representa um exercício de cidadania no resgate da dignidade da pessoa humana, que transforma em crime, maus tratos contra os indivíduos que compõem a terceira idade, levando a pena de até 12 anos de prisão bem como proíbe a discriminação nos planos de saúde e assegura o fornecimento de medicamentos. Além desses aspectos que o Estatuto estabelece, pode-se citar também, o fornecimento de um salário mínimo aos idosos com mais de 65 anos, sendo este membro de uma família carente, e por fim a garantia da prioridade do idoso no que se refere a compra em programas habitacionais.”(FRANGE, 2004, pág. 8, contemplado na Bioética).

Percebe-se, claramente, que o Estatuto do Idoso trousse um arcabouço de garantias e direitos aos idosos. Neste sentido, também leciona Gugliotti (2008, p. 79) que:"o Estatuto do Idoso tem como objetivo proporcionar a uma parcela específica da população um tratamento condizente com sua condição especial, conferindo as ferramentas necessárias para a construção, pelo idoso, de sua identidade cidadã, com a consequente conquista de sua autonomia."Desta forma, o Estatuto do Idoso traz de volta a harmonia e inclusão social do idoso, fornecendo-lhe prerrogativas para conquista de sua própria identidade.

Porém, com várias garantias em nossa legislação pátria, insta salientar que grande parte da nossa sociedade ainda continua desrespeitando o idoso. Deixam-se olvidar que, noutro momento todos estarão nas mesmas condições, com idade avançada e requerendo do Estado garantias que já existem, mas que não são efetivadas.

O Estatuto do Idoso exsurge estabelecendo como meta a inclusão social, fornecendo condições de vida sobre uma nova ótica, trazendo diversos benefícios aos idosos. Entrementes, caso o Estado não efetive maior fiscalização no cumprimento destas normas, punindo quem as desrespeitem, à referida norma perderá força, prejudicando àqueles que mais necessitam de um tratamento especial e diferencial.

DIREITO À VIDA DO IDOSO

Segundo Roberto (2002, p. 1)" a vida é o bem fundamental do ser humano, pois sem a vida, não há que se falar em outros direitos, nem mesmo os de personalidade. "Nesta ótica, para o direito brasileiro, a vida é o bem que precisa de maior resguardo, devendo ser preservado e elevado ao patamar máximo do protecionismo estatal. Não obstante, o art. 5.º da Constituição Federal de 1988, intitulado dos direitos e garantias fundamentais, expressa claramente como direito fundamental a inviolabilidade do direito à vida.

Nesta retidão, leciona Diniz (2009)

“Têm-se que, o direito à vida é o mais fundamental e inviolável de todos os direitos, sendo este assegurado pelo Estado por dois contextos: 1) o direito que se tem de permanecer vivo, ou seja, ninguém pode tirar a vida de outra pessoa, fato que quando ocorre, é considerado crime tipificado no art. 121 do Código Penal; 2) dignidade enquanto se vive, a ser citado como exemplo a inclusão social e igualdade entre indivíduos.”

Nesta ótica, o direito à vida assume um papel importante dentro da legislação pátria. Entrementes, no que refere-se aos idosos, sendo estes considerados pessoas com 60 anos de idade ou mais, o direito à vida também é colocado como fundamental entre os vários direitos do Estatuto do Idoso.

O Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003), em seu art. 8.º assevera que:"o envelhecimento é um direito personalíssimo e a sua proteção um direito social, nos termos desta Lei e da legislação vigente.”Paralelamente, ciente de que o Estado deve agir sempre com base na supremacia do interesse público e indisponibilidade do interesse público, à referida lei demonstra o papel essencial que o Estado deve ter com os idosos. Não obstante, o art. 9.º da lei 10.741/2003, aduz: "é obrigação do Estado, garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação de políticas sociais públicas que permitam um envelhecimento saudável e em condições de dignidade.”

Apesar das dificuldades encontradas, foram implantadas novas políticas sociais públicas, como a criação de atividades para os idosos, com instalação de academias populares e parques, porém, apesar da implantação destes serviços, ainda é quantidade insuficiente para atender a demanda.

Pode-se dizer que os direitos fundamentais são indivisíveis, assim o direito à vida está aliado com o direito à liberdade, respeito e dignidade. O Estado possui a obrigação de promover a igualdade entre indivíduos, assegurando-os: a) o direito de ir, vir e estar em qualquer local, o direito a expressão de opinião, crença e/ou religião, participação na vida política, em comunidade e familiar, a busca por diversão, lazer, auxílio e orientação; b) o respeito preservando a integridade física, moral ou psíquica do idoso; c) a proteção, por parte não só da justiça, das leis e do Estado, mas sim de todos os indivíduos para com o idoso, livrando-o de qualquer situação de constrangimento ou agressão, garantindo assim a sua dignidade.

Dos crimes contra o idoso

A realidade do Brasil com relação ao idoso é lastimável, vez que corriqueiramente o idoso tem seu direito desrespeitado, tendo sua dignidade ferida. A violência também aumentou consideravelmente, estando presente em todas regiões e muitos se omitem em denunciar aqueles praticam tais crimes contra os idosos.

Não obstante, o artigo 4.º, da lei 10.741/03, dispõe em sua redação:

"nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei."

No entanto, é costumeiro o desrespeito aos direitos dos idosos e a violência contra os mesmos. Isto é facilmente percebido na sociedade e constantemente trazido à tona pela mídia, inclusive por jornais online. Diariamente, os portais de notícia evidenciam a violência contra os idosos e, apesar de toda legislação protecional existente, os maus tratos e desrespeito ainda continuam ocorrendo.

É lamentável que exista uma norma protetora aos idosos e que, o Estado como garantidor destes direitos, ainda não tenha obtido êxito em proteger ou, ao menos, diminuir estes índices alarmantes de desrespeito e maus tratos aos idosos, seja através de punições ou maiores fiscalizações. Deve-se ter uma maior proteção ao idoso, garantindo-lhes o mínimo de dignidade enquanto pessoa, princípio máximo do estado democrático de direito.

Estatísticas mostram que a população idosa vem aumentando e, em decorrência deste fator, a preocupação para com estes deve ser duplicada, pois segundo Oliveira (2009) apud Guimarães (2004),

“A velhice é ainda motivo de controvérsias quanto à natureza e dinâmica de seu processo, apesar de ser um fenômeno comum a todos os seres vivos, porém o aumento da expectativa de vida e o consequente crescimento do número de idosos revelam dois fatos aparentemente antagônicos: o de aumentar a duração da vida da população e, de outro, o de trazer à tona os múltiplos problemas médicos, sociais e econômicos, que, com frequência, se acham interligados, particularmente em indivíduos da terceira idade." (OLIVEIRA, 2009 apud GUIMARÂES, 2004)

Destarte, deve-se ter outros olhares para as pessoas de 3.ª idade, os idosos, e buscar sempre a efetivação das políticas públicas já implantadas. O Estatuto do Idoso traz em seu arcabouço diversos artigos que visam à proteção da pessoa com mais de 60 anos de idade, trazendo-lhes diversos benefícios. A exemplo do art. 118 e seguintes, ao qual estabelece atendimento preferencial em órgãos públicos e privados prestadores de serviço à população, fornecimento gratuito de medicamentos, entre outros. Ademais, para garantir estes e outros direitos previstos, o próprio Estatuto do Idoso, em seu art. 95 e seguintes, previsto no capítulo II, intitulado “Dos Crimes em Espécie”, trouxe diversas punições àqueles que ferirem o dispositivo legal.

Entretanto, apesar da legislação em vigor trazer diversos benefícios para os idosos e sanções para aqueles que ferirem o dispositivo legal, não têm-se efetivado o objetivo para qual a lei foi criada, para proteger aqueles que necessitam de tratamento especial, os idosos. Ao contrário disto, ver-se cotidianamente o desrespeito e maus tratos aumentando consideravelmente no país.

Destarte, insta registrar que os maus tratos contra os idoso é crime, conforme previsão do Art. 4.º do Estatuto do Idoso, ao qual expressa que: “nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei.” Desta forma, é preciso combater os indivíduos que aproveitam-se de condições físicas e psíquicas superiores para agredir os idosos que, na maioria das vezes, são considerados vulneráveis. Paralelamente a estes acontecimentos, percebe-se que a falta de denúncia e o medo que o idoso sente em denunciar, gera impunidade dos criminosos, assim, apesar da lei estar em vigor, é pouco usufruída.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base no exposto, depreende-se portanto que, a violência e maus tratos contra o idoso é evidente e que aumenta proporcionalmente à medida que a população de mais idade permanece em constante crescimento, e que para isso surgiram leis juntamente com suas devidas punições para os crimes cometidos.

Porém, pôde-se compreender que, embora haja leis visando a proteção aos idosos e que o Estado também possui consigo um papel primordial de garantidor destes direitos acima de tudo, o que precisa-se de fato é a conscientização dos indivíduos no que se refere aos cuidados com os mais velhos, e caso venham a presenciar maus tratos contra os mesmos, denunciar tais atos.

O Brasil precisa de uma sociedade participativa, contribuindo para diminuição das desigualdades e discriminações sociais, proporcionando aos nossos idosos um bem-estar, haja vista que, os idosos hoje são a sabedoria, ensinamento e experiência do ontem, que se estende ao amanhã.

REFERÊNCIAS

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DORETTO, F. O. B.; GUGLIOTTI, K. B. Legislação Civil Especial.Série Leituras Jurídicas. 2008. Ed. Atlas. FRANGE, P. O Estatuto do Idoso comentado por Paulo Frange. 2004, pág.112.

OLIVEIRA, M. Linhas Jurídica Disponível em: http://linhasjuridicas.wordpress.com/artigos/maus-tratos-contra-idososaluz-da-lei-10-74103-estatut... Acesso em: 27 de outubro de 2014

Disponível em: http://www.cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FDireitos Humanos%2FDesafio-as-varias-formas-de-violencia-contra-os-idosos%2F5%2F31485 / Acesso em: 27 de outubro de 2014.

ROBERTO, L. M. P. O Direito à vida. 2002. 16p.

Fonte: https://deyvsonhumberto.jusbrasil.com.br/artigos/297030703/o-direito-a-vida-e-a-violencia-contra-os-idosos

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São saltimbancos, andarilhos das mil e uma noite
Salpicadas de estrelas.
Desmentem a vida em seus corcéis alados,
E viajam transportados pelos sonhos em seus dorcéis.
Penetrando nas curvas do infinito, disseminam sabedoria
Debulhadas nos mistérios que cercam seus menestréis.
Os alongados silêncios, com o fascínio da magia,
Envolvem os olhos alongados, que alcançam o íntimo da alma
Dos viajantes, arquejantes, na imensidão, que principia
Nos acampamentos, nos espaços e entre laços, até ao canto de infinita calma.
Entregam-se aos primores do aparato em uma marcha sem rumo,
Percorrendo vales e montanhas com sonhos ofertados pelo mundo.
Transformando em abrigo os campos,
Com teto de céu constelado,
Seguem contentes e viris desafiando pragmáticos,
O que demonstra febril, uma simples tenda nos matos.
Bravo povo corajoso! De peito aberto ao malsã,
Defende com galhardia, a sua vida, seu clã.
Valentes cruzam com a morte, sem espada e sem boréu
Fazendo de sua beleza as pompas de seu troféu.
Arde o fogo estilhaçando, e contornando o perfil
Do corpo que numa dança se entrega ao desafio
De vencer, de conquistar, de ao amor se entregar
Numa volúpia de intentos... exalam ao cantar
Melodias flamejantes em um delirante arquejar.
Solto assim, a bela cigana, acompanhando a miragem,
Enfeita com seus encantos a lúgubre paisagem.
Valorosos caminheiros que desafiando o tempo,
Ressurgem no ar primeiro, como do amor o mais sedento:
Os intrépidos aventureiros; filhos do sol e do vento.

* Rose Arouck

Fonte: http://poesiascigana.blogspot.com/

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UMA HISTÓRIA CIGANA Publicado em 25 de maio de 2006

Todos sentados em volta da grande fogueira, hoje a musica serve como fundo, o pai grande conta uma de suas historias, as crianças adoram e é assim que elas aprendem os costumes ciganos.
Desta vez todo o acampamento está atento para ouvir o que ele vai contar, é a sua historia, como ele chegou ali e como Deus escreve certo por linhas tortas.
O velho cigano pigarreou e começou a falar:
– Quando completei 14 anos consegui finalmente dar um rumo a minha vida.
Vida é um modo carinhoso de encarar o que eu passei, muito sofrimento, muita injustiça.
Não conheci meus pais, vivia em uma casa muito antiga e que havia se transformado em uma espécie de orfanato, ali muitas crianças que eram abandonadas a própria sorte encontravam um lar, muitas haviam perdidos seus pais na guerra, mas este não era o meu caso.
A grande verdade é que aquele lugar mais parecia uma prisão, eu por exemplo passava fome, era maltratado pelas freiras que dirigiam aquele lugar que eles chamavam de instituição.
Eu não era o único a sofrer, todos sofriam, por nada apanhávamos, castigos diários e por nada ficávamos sem jantar.
As religiosas comiam do bom e do melhor, na mesa delas muita fartura, carnes, pães, frutas e nós as crianças disputávamos as sobras com os ratos e com as crianças mais velhas.
Nem todas conseguiam sobreviver aos maus tratos, a falta de higiene, a fome aos poucos nos derrotava. Muitas crianças ficavam pelo caminho.
– Ficavam pelo caminho? Perguntou uma criança
– Sim. Meu filho, morriam.
– Para as freiras, era a vontade de Deus, enterravam o enjeitado ( era assim que ela nos chamava ) e logo era esquecido por todos.
Crianças morriam, crianças chegavam. Era uma roda vida onde os mais fortes conseguiam se manter vivos..
Apesar de todas as dificuldades aprendi a sobreviver, fazia de tudo para não ser notado, sempre que era possível roubava comida das freiras e escondia.
Novamente foi interrompido por outra criança:
– Vô você roubava?
Lavagem são os restos de comida que dão aos animais, esse era o nosso alimento. Cigano eu sou, mas naquela época eu ainda não sabia .e por fim me batiam porque eu era um dos menores, além de ruim a comida era pouca e só os mais fortes conseguiam pegar a sua parte, aos pequenos ficavam as sobras.
– Gente ruim né vô ?
O velho nem respondeu, concordava com a criança..
– Agora voltando a história, a primeira vez que eu os vi devia Ter uns 7 ou 8 anos de idade, estávamos todos amontoados no que eles chamavam de area de descanso, tomando sol e a caravana cigana passou na estrada. Todos se espremeram nas grades do portão para olhar aquele grupo de pessoas, alguns meninos xingaram e um deles olhou para mim e disse:
– Olha lá o teu povo, ladrãozinho, quem sabe tua mãe não está dormindo com um deles.
– Minha vontade era de matá-lo, mas a chance de eu morrer era maior, então abaixei a cabeça e me afastei chorando de raiva.
– A cada seis ou oito meses passava uma caravana cigana e sempre acontecia a mesma coisa, xingavam, ofendiam e quando o grupo cigano sumia na estrada as ofensas eram para mim.. Confesso que ser chamado de cigano uma ofensa maior que ser chamado filho de rameira, enjeitado, mas não teve jeito esse passou a ser o meu apelido e minha cruz. Mas até isso me deu forças para continuar lutando pela minha sobrevivência.
Com o passar do tempo me acostumei ao meu modo de vida, fazia de tudo para não ser notado, nem pelas freiras, nem pelos companheiros, não entrava mais na disputa pela comida, raras vezes me batiam e eu sabia suportar.
– E o senhor não tinha fome? Perguntou outra criança.
– Claro que tinha, mas eu suportava até a noite. Ficava sem o almoço, sem o jantar e quando todos iam dormir, saía da cama devagarinho e ia ao meu esconderijo pegar comida. Ah! Como eu comia, riu o velho cigano, e precisava comer mesmo, minha próxima refeição seria somente na próxima noite.
– E não faltava comida? Perguntou um jovem cigano.
– Não meu filho, nunca deixei aquele lugar sem comida, sempre que tinha oportunidade pegava tudo que servisse como alimento e escondia, afinal minha vida dependia do que eu conseguisse arranjar e esconder.
– Essa boa fase de minha vida durou alguns meses, mas todos estranhavam, como era possível não comer e não Ter fome, não ficar doente, não emagrecer, era um mistério que ninguém conseguia explicar. Agora além de cigano, ladrão me chamavam de bruxo.
– O senhor fazia feitiço? Perguntou uma menina
– O riso tomou conta do grupo
– Claro que não. Mas era realmente estranho e todos ficavam tentando adivinhar o que acontecia, aliás todos não, as religiosas nem sabiam quem comia ou deixava de comer, para elas pouco importava.
– Novamente a mesma criança fez o comentário:
– Gente ruim. Né vô?
– Muito ruim mesmo minha menina.

– Então certa noite, estava com muita fome e cometi meu primeiro e ultimo erro. Achando que todos já estavam dormindo levantei pé ante pé e fui ao meu esconderijo, não tive tempo nem de colocar um pedaço de pão na boca, fui descoberto.
– Um dos garotos descobriu pai grande?
– Se fosse apenas um com certeza eu teria conseguido controlar a situação, não era um, acho que todos esperavam esse dia.
– O que aconteceu vô?
– Primeiro comeram tudo que eu tinha guardado, e eu até entendo, também tinham fome, mas depois fui surrado por todos, os maiores me socavam e quando caí os menores me chutavam, fui jogado de um lado para o outro, eles me odiavam.
– Coitado do vô. As crianças estavam desoladas
– O cigano deu um sorriso triste e continuou, queria esquecer aquele dia mas precisava passar adiante a sua historia.
– Tanto barulho, tanta algazarra, meus gritos acabaram acordando as religiosas, chegaram furiosas atacando todo mundo e eu que achava que ia morrer nas mãos delas meu enganei, elas me salvaram. Mal conseguia ficar de pé, os dois olhos pareciam manchas escuras, não conseguia abri-los e sangue muito sangue saía de minha boca, perdi dois dentes.
– O silencio de todos parecia reviver o momento pelo qual o velho cigano havia passado.
– O velho abriu a boca e mostrou dois dentes de ouro e falou:
– Estes foram os dentes que perdi
– O que está acontecendo aqui? Gritou a religiosa
Vendo que todos iriam ser castigados começaram a contar o que haviam descoberto. Eu mal conseguia enxergar, mas os olhos da freira pareciam duas labaredas de fogo e ela apesar do meu estado ainda me deu uns tapas e arrastou-me dali gritando para que todos fossem dormir.
Fui jogado no porão, meus ferimentos sangravam, a dor era muita, mas a fome superava tudo, estava sem colocar nada na boca a mais de um dia.
– E como foi sua noite pai grande?
– Gostaria de esquecer mas não consigo, foi horrível meus amigos, aquele porão parecia uma tumba, um mal cheiro terrível, ratos e baratas habitavam aquele lugar, passei a noite sem dormir, o sono vinha e eu conseguia espantá-lo, se dormisse seria atacado pelos ratos e baratas que pareciam esperar que isso acontecesse. Foi difícil mas consegui suportar. Eu até achava que merecia o que havia recebido dos companheiros, mas das freiras não, tudo que eu fiz foi para continuar vivendo.
– Nossa vô e o senhor chorou?
– Chorei sim, afinal eu era uma criança como vocês, hoje não choro mais.
– Continue pai grande
– Está bem vou continuar, alguém pode me trazer uma caneca de vinho, a garganta está seca.
– Eu vou buscar. Disse uma cigana. Me espere antes de continuar
– Então vamos todos fazer uma parada, depois voltamos
– O grupo se desfez e cada um foi para sua tenda ou carroça, beber uma água, colocar os pequeninos para dormir, fazer suas necessidades.
– A caneca de vinho chegou e o velho cigano se recostou para bebê-la, ficou admirando o acampamento, como era bom ser cigano, ser livre, amante da natureza, abaixou a cabeça e agradeceu a Deus pela vida que hoje tinha, fechou os olhos e dormiu..
Aos poucos os ciganos foram retornando, estavam todos curiosos em saber a história do velho cigano.
– Vamos lá pai, estão todos aqui
Acordou sem saber onde estava, ao ver o grupo em sua volta sorriu.
Onde eu parei?
– O senhor estava preso no porão machucado e com fome. Disse uma ciganinha.
– Ah! É verdade. Continuando, aquela foi uma noite que parecia não Ter fim, mas consegui atravessá-la e pela manhã fiquei esperando que alguém viesse em meu socorro, me enganei. Passei a manhã inteira vendo o sol por uma pequena janela, ouvia as outras crianças falando, mas ninguém se lembrava de mim, parecia que eu nunca havia existido.
Uma ciganinha de uns 12 anos ouvia a historia e lágrimas desciam do seu rostinho, o velho tirou o lenço que tinha no pescoço e limpou aquelas lágrimas que teimavam em correr.
– Não chore ciganinha, nós somos fortes e abençoados, olha o vovô como está feliz hoje.
– Não pare pai, continue a historia pediu um cigano
– No inicio da tarde, acho que já era tarde, não tinha como saber por aquela janelinha entraram no porão, eram duas freiras, traziam um pedaço de pão e uma jarra com água, deixaram logo na entrada, antes de sair uma delas disse:
– Olha aí cigano, isso é seu e jogou algo que na pouca claridade nem vi o que era. Guarde com você, se morrer quem sabe por isso descobrem quem você é.
– Trancaram a porta e se foram.
– O que era vô? O que ela jogaram?
– Calma, eu chego lá. Primeiro precisava beber água e comer alguma coisa, então devorei aquele pedaço de pão duro e bebi muita água, mas deixei um pouco, não sabia quando elas iam voltar, ainda rasguei as mangas da minha camisa, molhei na água e limpei meus ferimentos, ainda doíam mas já dava para suportar, em seguida fui procurar o que a freira tinha jogado, tateei por onde achava que havia caído e por fim encontrei.
– O que era vô?
– O velho abriu a camisa e mostrou a corrente e o medalhão, não era ouro, não era uma jóia, não era bonito,era de cobre, mas tinha uma estrela de seis pontas, era chamada também de a estrela de Davi.
– Todas as crianças queriam ver o medalhão e o cigano tirou e deixou que as crianças admirassem e logo veio a pergunta:
– O que é essa estrela?
O velho cigano pacientemente explicou:
Simboliza proteção. É usado como talismã de proteção contra inimigos visíveis e invisíveis. Ela também é conhecida como Estrela Cigana e Estrela de Davi. A Estrela Cigana é o símbolo dos grandes chefes ciganos. Possui seis pontas, formando dois triângulos iguais, que indicam a igualdade entre o que está à cima e o que está a baixo. Representa sucesso e evolução interior.
Os mais velhos entenderam a explicação, as crianças nem tanto, mas elas eram novinhas tinham toda a vida pela frente para aprender os costumes e depois passa-los as próximas gerações.
– Naquela epoca eu não sabia nada disso, mas como a freira disse que era minha guardei, era meu tesouro, eu que não tinha nada agora tinha um tesouro, coloquei no pescoço e tentei dormir enquanto havia um pouco de claridade.
– Não sei quanto tempo dormi, já estava escuro quando acordei ou melhor fui acordado pelos insetos, levantei depressa batendo na roupa para espantá-los. Ninguém havia aparecido para saber se eu ainda vivia, meus olhos estavam pesados e tornei a dormir.
– Cigano
– Cigano
Alguém me chamava mas não dava para enxergar, senti raiva por ser chamado de cigano, mas era alguem que talvez viesse me ajudar, então gritei :
– Estou aqui
A voz que me chamava era linda, nunca tinha ouvido algo semelhante, parecia uma musica e aquele porão fétido e escuro de repente se iluminou, não consegui ver o seu rosto, meus olhos machucados, aquela luz brilhava tanto que parecia me cegar,forcei a vista e tudo que consegui ver foi um vulto de mulher e ela voltou a falar:
– Cigano porque você renega seu passado?
– Não entendi nada, mas fingi que havia entendido. Ela na hora viu que eu estava mentindo e explicou:
– Quando eu digo passado ciganinho quero dizer suas raízes, sua gente, seus antepassados.
– Que passado? Meu passado era hoje e meu futuro também, cheguei a pensar que estava morrendo.
A partir de hoje você deve se orgulhar do que é, deve respeito aos seus pais embora não os tenha conhecido, deve honrar toda a nação cigana.
– E o que eu sou senhora?
– Você é um cigano.
– Pronto, mais um me chamando de cigano e eu estava começando a gostar dela. Na verdade acho que ela lia meus pensamentos e ela voltou a falar:
– Não sente vontade de ser livre? Não se sente discriminado por todos? Não sofreu na própria pele a maldade dos homens e no seu caso também das mulheres.
Era verdade, tudo que ela falou acontecia e estava acontecendo comigo, puxa vida eu era cigano mesmo.
– Guarde o seu tesouro menino ele te levará ao teu povo.
– Como assim? Me levará ao meu povo?
– Tempo ao tempo cigano, você não está sozinho.
Então aquela luz foi se apagando aos poucos e voltou a escuridão.
– Quem era aquela moça vovô.
– Era um anjo. Minha menina, um anjo de luz.
– Não pare pai, continue queremos saber como termina sua historia!
– Era um anjo minha gente e ele passou a me ajudar, era um enviado de Deus, mas continuando, fiquei aquela noite acordado, sentia frio, meus dentes, aqueles que sobraram batiam um no outro, estava doente e sentia a vida me abandonando aos poucos, pela manhã abriram aquela porta e desta vez me carregaram para fora. A luz do dia me cegou, meus olhos machucados já estavam se acostumando com a escuridão, estava muito debilitado, não conseguia permanecer de pé e as crianças ficaram todas em volta curiosas para saber se eu conseguiria sobreviver, elas achavam que não, mas eu tinha certeza que sim, afinal eu era um cigano.
Desta vez todos bateram palmas, as crianças, os jovens, os adultos o orgulho de ser cigano era passado de geração a geração.
O velho cigano sorriu, seu povo era e continuaria sendo orgulhoso de suas raízes, dava para sentir na alegria das crianças. Por um momento ficou parado olhando a lua, mas foi chamado de volta para continuar sua narrativa.
– Pois é minha gente, dei um trabalho danado para aquelas religiosas, não sei porque queriam minha cura a qualquer preço e não mediam esforços para isso, fui tratado, alimentado, me deram roupas e aos poucos fui me recuperando, elas deviam estar esperando uma visita das autoridades, mas elas nunca apareceram. Agora o mais importante aconteceu, as outras crianças passaram a me respeitar, ninguém mais me agredia e deixaram de me chamar de cigano, só que eu queria ser chamado de cigano e foi o que fizeram, portanto ontem como hoje e sempre sou cigano.
– Todos somos pai. Disse um jovem.
– É verdade filho, mas voltando a historia visto que a hora já se faz, para mim tudo mudou, podia dizer que tinha uma nova vida, mas não estava feliz, o coração cigano falava mais alto, o desejo por liberdade aos poucos me agitava, devia haver alguma maneira de me libertar daquela prisão e foi o que fiz.
– O que o senhor fez vô?
– Eu fugi minha menina, como um passaro voei para a liberdade, não sabia o que iria encontrar, não conhecia nada fora daqueles portões, mas eu era cigano, nasci livre e livre ia permanecer não importava as conseqüências. Sendo assim em certa noite pulei aqueles portões e peguei a estrada, aquela mesma que tantas vezes vira a caravana cigana passando, a ultima já fazia vários dias que havia passado então segui pelo mesmo caminho, quem sabe com um pouco de sorte eu os alcançaria.
– E o senhor os encontrou pai?
– Calma, eu chego lá. Caminhei ao lado daquela estrada por uma boa parte da noite, não sabia se estavam me procurando, deitei embaixo de uma arvore e dormi tendo o céu e as estrelas como companheiros, como era bom ser livre.
– Nada como viver com a natureza não é vô?
– Verdade minha menina, não tem ouro que pague esta nossa vida,
O velho cigano deu uma pausa, revivia aqueles momentos e foi um ciganinho quem o trouxe de volta a realidade.
Não para vô, a historia é boa.
– Está certo menino, vamos em frente. Naquela noite ela voltou, parecia mais linda tendo as estrelas e a lua refletindo em seus cabelos, o meu anjo voltou.
– Cigano
– Estou aqui senhora.
– Como você se sente meu filho?
– cansado, com fome com sede, mas feliz como nunca senhora. Obrigado por abrir meus olhos e me guiar no meu destino.
– Seu destino ainda está distante, mas o mais importante é que você meu menino está no caminho, tenha fé, acredite, Deus guiara seus passos e eu estarei sempre ao seu lado.
– Acordei com o sol batendo em meu rosto, a fome e a sede vieram fazer companhia, mas meu destino era seguir sempre em frente, como o anjo havia me dito eu estava em busca do meu povo. Continuei caminhando e encontrei uma plantação de milho, peguei algumas espigas e segui comendo, não era uma refeição, mas ajudou a me manter forte, só precisava encontrar água e eu encontrei também, meu anjo estava comigo. Pelo visto ninguém se incomodou com a minha fuga, então voltei a caminhar pela estrada, depois de um certo tempo caminhando ouvi o barulho de uma algo que vinha pela estrada fiquei na duvida se devia ou não me esconder, resolvi esperar que se aproximasse e ela foi chegando, era uma velha carroça dirigida por um senhor puxada por dois cavalos, ao me ver parou e perguntou:
– Para onde está indo menino?
– Boa tarde senhor, estou em busca do meu povo, passaram por aqui a alguns dias e estou tentando alcançá-los.
– Então você é cigano menino?
– Pensei antes de responder, e se ele odiasse os ciganos? Mas alguma coisa me dizia para falar a verdade.
– Sou cigano senhor, com muita honra.
O velho sorriu, uma gargalhada amistosa e falou;
– tão jovem e tão orgulhoso, continue assim menino. Vamos lá pode subir e se sentar aqui ao meu lado, seu destino é o meu, também estou indo encontrar o povo cigano, deu me algo para comer, água para matar minha sede e seguimos viagem.
Lourenço era o nome desta boa alma que agora estava me ajudando, comerciante do vilarejo próximo negociava com os ciganos a muito tempo, trocava mantimentos pelos artefatos que a nação cigana fazia, era muito estimado pelos ciganos e me disse durante a viagem que se pudesse escolher queria ter nascido cigano como eu.
– Já estamos chegando menino, logo ali adiante está o acampamento, você poderá encontrar seus amigos, tomar um banho, trocar essas roupas imundas.
– Fui obrigado a contar minha historia para esse novo amigo e ele ficou penalizado com o que eu havia passado.
– É meu amiguinho, você tão novo e já conheceu a maldade que existe no coração das pessoas, mas Deus é grande, prova disso é que estamos indo ao encontro da sua família.
Já dava para ver uma fumaça branca no horizonte, era o acampamento cigano, meu coração disparou, não sei explicar o que eu senti naquele momento, mas era bom. Finalmente adentramos no acampamento cigano, não sei como, mas me senti em casa, alguns homens vieram ao encontro da carroça cumprimentaram Lourenço e a mim, descemos da carroça e nos foi servido algo para beber, eu estava muito cansado.
Lourenço chamou um homem de lado e ficaram conversando por alguns minutos, em seguida este cigano veio até onde eu estava e disse:
– Venha comigo menino, vais tomar um banho, ganharás novas roupas, se tens fome vais comer e em seguida Lourenço te levará até o Pai Grande.
Fui levado até uma grande tenda, ali havia uma tina com água, outra vazia e Ramon esse era o nome do cigano pediu que eu tirasse água de uma e tomasse meu banho na outra.
– Não tenha pressa menino, vou providenciar roupas para você.
Enchi aquela tina com água fresca, tirei meus trapos e entrei, o contato com a água fria me trouxe ao encontro deste novo mundo que se abria para mim, agradeci a Deus e ao meu anjo por estarem me ajudando, fiz uma oração silenciosa.
– Pronto menino? Vista essas roupas, devem te servir, são do meu filho e ele tem quase o mesmo tamanho.
Agradeci e me troquei, Ramon me esperava na entrada da tenda e fomos ao encontro do Pai Grande. Que coisa linda que era o acampamento, homens, mulheres, crianças todos fazendo alguma atividade olhavam para mim curiosos, mas ninguém disse nada. Entramos na tenda do chefe do grupo, aquele que todos chamavam de Pai grande, meu coração queria sair pela boca, o que será que ele ia falar?
– Seja bem vindo filho de Ramires, eu nunca perdi a esperança que um dia você ia entrar nesta tenda. Levantou-se e me ergueu como se eu fosse uma pena, deu-me o abraço mais carinhoso que eu recebi nesta vida, desta vez confesso que chorei, mas foi de alegria.
– Filho de Ramires? Quem Eu?
– Isso mesmo menino, Ramires foi o teu pai e Madalena tua mãe, eles não estão mais conosco, pelo menos em corpo, mas tenho certeza que em espírito devem estar radiantes pela tua chegada. Lourenço me contou a sua historia, depois você me dá mais detalhes, o importante é que chegou, está em sua casa, com o seu povo, com a sua família.
– Agradeci de coração, limpava o rosto, mas as lágrimas teimavam em cair.
– Chore menino, ainda hoje vou te contar muita tristeza e te ensinar que não somos vingativos, sabemos perdoar, mas não agora, venha conhecer seu povo. Lourenço aproveitou para se despedir do Pai Grande, já haviam descarregado a carroça de mantimentos e agora ela estava cheia de panelas, baldes, talheres de cobre, a troca já fora feita. Dei um abraço naquele novo amigo e ele desejou que eu fosse muito feliz.
O pai grande agradeceu ao comerciante e disse:
– De todas as mercadorias que trouxestes, essa é a mais valiosa e me abraçou novamente.
NAÍ LOVÊ ANÊ LUMIA THIÊ POTIRIÁS EK CHAU
( Não existe dinheiro no mundo que pague um filho). Siga em paz companheiro, até outro dia.
O pai me pegou pelo braço e fomos andando em direção ao centro do acampamento, logo éramos cercados por todos, esperavam ansiosos o que ele ia dizer.
– Sabem quem é esse menino?
Silencio absoluto, ninguém sabia quem eu era!
– Ele é o filho perdido de Ramires que voltou para casa.
Desta vez o silencio foi quebrado por um outro cigano:
– Como podes ter tanta certeza pai?
– Meu coração não se engana, mostre para eles menino.
– Meu Deus. Mostrar o que? A única coisa que tenho é o meu tesouro, será que é isto que devo mostrar? Então abri a camisa e tirei meu medalhão. A principio ninguém falou nada em seguida fizeram uma verdadeira festa ao ver o meu tesouro, os homens me abraçavam, as mulheres me deram beijos na face, as crianças batiam palmas e um cigano me abraçou dizendo:
– Seja bem vindo filho do meu irmão, era meu tio e eu tinha uma tia, vários primos e a família cigana comigo, nunca mais estaria sozinho.
Aquela noite ficamos até altas horas a beira da fogueira, todos queriam ouvir a minha historia e eu contava feliz, foi o Pai grande que me ajudou:
– Vamos deixar o menino descansar, amanhã vocês terão tempo para conversar.
Meu tio me levou até a sua tenda e disse a partir de hoje aquela é a sua cama, sempre esteve ali te esperando, fique com Deus, bom descanso.
– Obrigado
– Não me agradeça, o lugar sempre foi seu apenas guardei.
– Tio. Posso perguntar uma coisa?
– Claro menino tudo o que quiser.
– Como eram meus pais?
– Amanhã menino, amanhã você vai saber de tudo, por hora durma, descanse é o que mais precisas no momento.
Dormi como um anjo e por falar em anjo sonhei com o meu, desta vez não estava só eram dois e sorriam para mim, estavam tão felizes quanto eu estava.
No dia seguinte ninguém me acordou, deixaram que eu dormisse o tempo que fosse necessário para recuperar minhas forças, levantei e já estavam almoçando, meu tio indicou o lugar onde deveria fazer minhas necessidades, lavar o rosto e sentar ao lado de todos que sorriam com a minha chegada. Meu Deus, naquela toalha estendida no chão havia muita fartura nunca havia visto tanta comida, frutas, carne, pão e podia comer o que quisesse,
– Matou a fome vô.
– É verdade me senti um Rei. Pois muito bem, depois da refeição fui de encontro ao Pai grande que perguntou se eu estava descansado, alimentado e se eu queria mais alguma coisa. Respondi que tinha tudo que jamais havia sonhado. Ele sorriu e disse:
– Então vamos conversar.
– Vai me contar sobre meus pais?
– Vou menino, é uma historia tão triste quanto a sua.
– Pai. Posso perguntar algo antes?
– Sim menino, e pode parar o que eu estiver falando sempre que tiver duvidas, vamos lá pergunte.
– Qual o meu nome?
Ele sorriu mostrando os dentes de ouro iguais os que tenho agora.
– Você tem o nome do seu avô. Que Deus o tenha junto com seus pais, seu nome é Diego.
Que nome lindo, então, eu sou o cigano Diego.
– Isso mesmo cigano, tenha orgulho desse nome, ele acompanha sua família a varias gerações, mas vamos falar dos seus pais.
– vamos Pai Grande, estou ansioso.
– A muitos anos atrás, quase a sua idade, seu pai que era o líder desse grupo mais a sua mãe foram a um vilarejo próximo do lugar onde estava montado nosso acampamento em busca de mantimentos, levavam o pequeno Diego no colo, nessa época você tinha menos de um ano de idade, desta vez não iriam fazer trocas e sim comprar o que faltava no acampamento, portanto carregavam valores para a compra e desgraçadamente foram emboscados por malfeitores que andavam por aquelas bandas. Quando se passou um dia desde a sua saída e não voltaram alguns homens foram tentar encontrá-los e em plena estrada encontraram a carroça queimada, os corpos estavam a alguns metros e mostravam que eles lutaram pela vida e perderam
e você meu menino ninguém encontrou, muitas buscas foram realizadas e nada de encontrar o filho de Ramires, as autoridades pouco se preocuparam em encontrar os culpados, afinal quem havia morrido eram ciganos e o caso foi por eles esquecido, mas não para nós sempre te procuramos e como eu disse meu coração sabia que um dia você ia voltar e ele estava certo.
Lágrimas desciam pelo meu rosto e me lembrei do meu anjo, será que era minha mãe e aquele da noite anterior devia ser o meu pai, agora eu sabia que eles estavam felizes e ao lado de Deus.
– Agora meu filho, você deverá aprender nossos costumes, nossa língua, nosso amor pela liberdade, pela mãe
Natureza deverá conhecer nossas tradições e quando chegar minha hora é você quem vai guiar nosso povo, e pela sua experiência de vida será um grande líder, que Santa Sara ilumine o seu caminho.
– Linda historia de vida Pai. Disse um jovem cigano.
– É verdade, na vida temos que superar os obstáculos que surgem em nossa jornada, que minha vida sirva de exemplo para todos vocês, não desanimem.
Aprendam a viver com esta diferença, quer queiram ou não, nós os ciganos somos diferentes, somos especiais, somos mensageiros da paz e por onde vocês passarem deixem saudades,façam com que a nossa musica continue ecoando durante muito tempo depois da nossa partida e que Santa Sara continue iluminando todos vocês.
Vamos dormir que amanhã é um novo dia.
FIM

Fonte : https://gayasagradamae.wordpress.com/category/contos-ciganos/

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A origem dos ciganos (Rom e Sintos)


A ORIGEM DOS CIGANOS
(Rom e Sintos)
Muitos mitos tem sido elaborados sobre a orígem desse misterioso povo presente em todas as nações do ocidente, chamado de maneiras diferentes, comumente conhecidos como gitanos, ciganos, zíngaros, etc., cujo nome verdadeiro é Rom (ou melhor, Rhom) para a maioria dos grupos e Sintos para os demais. Não exporemos aqui as lendas universalmente reconhecidas como tais, a não ser o último mito mais largamente difundido que ainda é considerado como verdade: a presumida origem indo-européia.
O fato de que o povo rom chegou à Europa proveniente de algum lugar da India não significa que tenham vindo de sua terra de origem. Todos viemos de algum lugar onde nossos ancestrais viveram, quiçá tendo chegado eles mesmos de algum outro país. Toda a hipótese que sustenta a origem indo-européia se apóia num único elemento: o idioma romanês. Tal teoria não leva em conta outros fatores culturais muito mais importantes que evidenciam claramente que o povo rom não tem nada em comum com as gentes da India, exceto elementos linguísticos. Se devêssemos levar a sério uma hipótese que se baseia somente no idioma para determinar a origem do povo, chegaríamos à conclusão de que quase todos os norte-africanos vieram da Arábia, que os judeus ashkenazim são uma tribo germânica, que os judeus separaditas são simplesmente espanhóis que praticam outra religião e não que são um povo diferente, etc. Os afro-americanos não sabem sequer que idioma falavam seus ancestrais e portanto deveriam considerar-se ingleses. Definitivamente, o idioma por si mesmo não é suficiente para definir a pertinência étnica, e todos os demais fatores determinantes são contrários à idéia de uma origem indiana do povo rom - incluindo alguns elementos presentes no próprio idioma romani. Os fatores mais importantes que permanecem em todo povo desde a mais remota antiguidade são de consistência espiritual, que se manifestam nos sentimentos mais íntimos, comportamentos típicos, memória coletiva, quer dizer, na herança atávica.
Neste estudo, começarei expondo o mito antes de apresentar as evidências e a consequente hipótese sobre a verdadeira origem do povo rom.

Os estudiosos fizeram muitos esforços com o propósito de demonstrar a origem indiana do povo rom, todos os quais foram inúteis por falta de evidências. Alguns documentos que foram inicialmente considerados como referentes ao povo rom, como por exemplo os escritos de Firdawsi, tem sido sucessivamente desacreditados. Demonstrou-se que todos os povos dos quais se pensou que poderiam ter alguma relação com os ciganos, como os dom, os luris, os gaduliya lohars, os lambadis, os banjaras, etc, na realidade não tem sequer uma origem comum com o povo rom. A única semelhança entre todos eles é a tendência à vida nômade e o exercício de profissões que são típicas de toda tribo de qualquer extração étnica que pratica tal estilo de vida. Todos estes resultados inúteis são a consequência natural de uma investigação realizada a partir de parâmetros errados, ignorando a essência da cultura romani e a herança espiritual do povo cigano, que é incompatível com qualquer povo da India.

Uma teoria que recentemente está obtendo sucesso no ambiente intelectual interessado no argumento (teoria destinada a provar-se errônea como todas as precedentes) pretende ter descoberto a "cidade" original na qual o povo rom poderia ter suas origens: Kannauj, em Uttar Pradesh, India. O autor chegou a algumas conclusões interessantes que desacreditam todas as precedentes, sem dúvida seguiu a mesma linha investigativa que produziu o fracasso daquelas outras: o indício linguístico, que o conduz indefectivelmente a obter um resultado errado. Por conseguinte, o autor funda sua hipótese inteiramente sobre uma suposta evidência linguística, a qual é absolutamente insuficiente para explicar os aspectos culturais do povo rom que não estão relacionados com o idioma e que indubitavelmente são muito mais importantes, aspectos que constrastam com a teoria proposta.
Neste estudo citarei algumas afirmações do autor (traduzindo-as do texto em inglês) recolocando sua estranha forma de escrever as palavras em língua romani com uma forma mais exata e compreensível - por exemplo, o caracter "rr" não representa nenhum fonema em romanês; o som gutural do "r" está melhor representado como "rh", mesmo que nem todos os dialetos ciganos pronunciem desta forma, como o próprio gentílico "rom" se pronuncia "rhom", porém também simplesmente "rom". Geralmente o "h" se usa para indicar uma sonoridade alternativa da consoante que o precede e no caso no qual os acentos ortográficos, circunflexos e outros sinais não se podem reproduzir de maneira adequada, o "h" serve como a melhor letra complementar na maioria dos casos. Pessoalmente prefiro o alfabeto esloveno com algumas leves modificações para transcrever corretamente a língua romani, porém na internet nem sempre é possível ver as páginas como foram escritas quando se usam sinais ortográficos não convencionais, portanto usarei a forma alternativa que consiste em agregar letras complementares.

Para expor a teoria mencionada, começarei citando uma afirmação do autor com a qual estou completamente de acordo:

" É sabido que na realidade não existe nenhum povo na India atualmente que possa estar aparentado com os rom. Os vários grupos etiquetados como "gypsies" (com "g" minúsculo) na India não tem nenhuma relação genética com os ciganos. Estes adquiriram o título de "gypsies" através da polícia colonialista britânica que no século XIX os chamou assim por analogia com os "Gypsies" da Inglaterra. Sucessivamente lhes aplicaram as mesmas leis discriminatórias que existiam para os "Gypsies" ingleses. Logo a maioria dos estudiosos europeus, convencidos de que o nomadismo ou a mobilidade são um caráter fundamental da identidade romaní insistiram em comparar os rom com várias tribos nômades da India, sem encontrar nenhum outro caráter em comum, porque suas investigações eram afetadas por preconceitos para com os grupos nômades".

Isto é certo, os investigadores tomaram idéias preconcebidas sobre as quais fundaram suas hipóteses. Sem dúvida, o autor não é uma exceção e cometeu o mesmo erro. De sua própria declaração resultam as seguintes perguntas: Por que não existe nenhum povo na India aparentado com os rom? Por que toda a população cigana emigrou sem deixar o menor traço de si mesmos, ou alguns parentes? Há uma só resposta: porque não eram da India, sua orígem não pertencia àquela terra, e sua cultura era demasiado incompatível com a cultura indiana.
Só uma minoria religiosa pode emigrar em massa de um país no qual a maioria dos habitantes pertencem a sua própria família étnica. E uma minoria religiosa naqueles tempos significava que era uma confissão "importada", não gerada no ambiente indiano.
O presumido exílio em Jorasan exposto pelo autor como a razão pela qual o povo rom abandonou a India carece de fundamento, pois não dá uma explicação sobre as crenças e tradições ancestrais dos ciganos, as quais não são nem indianas nem islâmicas (porque Jorasan nessa época não era mazdeísta [ou zoroastrista] já desde muito tempo atrás), porém falaremos deste argumento mais adiante neste estudo.

De toda maneira, o autor revela um mito na seguinte declaração:

" Quanto às presumidas semelhanças entre o idioma romani e outras línguas indianas, geralmente o punjab e o rajastani, trata-se somente de um estratagema usado pelos nacionalistas que representam tais grupos linguísticos e defendem os interesses das respectivas nações: eles simplesmente tentam aumentar artificialmente o número da própria população".

Este é exatamente o caso. Tive a oportunidade por mera casualidade de encontrar na internet grupos de discussão rajput/jat nos quais eles dizem estar convencidos de que os ciganos são um clan jat ou rajput. Se o fazem ou não em boa fé, o fato é que suas declarações são expressadas em um contexto nacionalista e parecem perseguir propósitos de tipo político. A principal presumida prova que apresentam é que os árabes chamavam aos ciganos de "zott", que significa "jat", desde o momento em que aparentemente chegaram ao Oriente Médio. Sinceramente, os escritos dos historiadores árabes são apenas um pouco mais exatos que as fábulas de "As mil e uma noites" quanto à precisão histórica.

Havendo devidamente reconhecido estas importantes reflexões do autor da "teoria Kannauj", agora exponho suas afirmações sobre as quais fundou erroneamente toda a sua hipótese:

"Contrariamente ao que normalmente lemos em quase todas as publicações, os primeiros rom chegaram à Europa conhecendo suas origens indianas. Há evidências disto em vários documentos dos séculos XV e XVI. É só depois que a mítica origem egípcia se propôs contra as versões que sustentavam a proveniência indiana. Sendo mais prestigioso, seria eventualmente mais fácil para a própria integração na Europa. Pouco a pouco o mito da origem egípcia foi aceito como autêntico".

Antes de responder a esta afirmação, desejo mencionar outra declaração na qual o autor se contradiz:

"Entre todas as lendas, uma das mais difundidas é a da presumida origem egípcia do povo rom, que eles mesmos começaram a promover no início do século XVI [...] Em ambos os casos, o prestígio do Egito com base na Bíblia e as histórias de perseguições sofridas pelos cristãos nesse país provavelmente alimentaram uma maior aceitação da lenda egípcia no lugar da origem indiana, e provavelmente os ajudou a obter salvo-condutos e cartas de recomendação da parte de príncipes, reis e mesmo do papa ".
(O espaço entre colchetes será mencionado depois)

A primeira afirmação é inexata porque há documentos precedentes, inclusive do século XII d. c., nos quais os "egípcios" são mencionados em relação com os ciganos. Normalmente os rom foram chamados de distintas maneiras segundo a proveniência imediata, por exemplo na Europa ocidental os primeiros ciganos eram conhecidos como "bohêmios", "húngaros", etc. ( esta última denominação é ainda muito comum em muitos países), enquanto que os árabes os chamavam de "zott", significando "jat", porque provinham do vale do Indo. É certo que jamais foram chamados de "indianos" na Europa. Sem dúvida, tendo chegado à Europa pelo Iran e Armênia através do Bósforo, é improvável que tenham passado pelo Egito - existia na própria memória histórica o fato de que tenham estado antes no Egito, desde onde seu caminho errante começou, e assim declararam sua origem mais antiga. Naquele tempo a India havia sido completamente esquecida. Antes de chegar a território bizantino, como o autor mesmo admite, os rom habitaram por longo tempo em países muçulmanos, e é certamente sabido que quem quer que tenha abraçado o islam dificilmente se converte ao cristianismo. Quando os ciganos chegaram a Bizâncio, já eram cristãos.
Agora se apresenta um enigma interessante: Como podiam os ciganos conhecer A BÍBLIA em território muçulmano? Isto é algo que o autor não pode justificar de maneira nenhuma, porque na realidade os rom não conheciam as Escrituras senão só por ouvido até tempos muito recentes. Seguramente na India, na Pérsia e em terras árabes onde viveram antes de chegar à Europa não poderiam ter ouvido jamais nenhum comentário sobre a Bíblia, nem tampouco em Bizâncio ou Europa, onde o acesso às Escrituras estava proibido à gente comum e não existiam versões em língua corrente. Não há possibilidade de que os ciganos conhecessem a Bíblia a não ser somente no caso que a história bíblica estivesse profundamente radicada em sua memória coletiva.
Esta memória se conservou durante o prolongado exílio na India de um modo tão forte que não adotaram nem sequer o menor elemento da cultura hindu nem de nenhuma outra existente na India. A maioria dos ciganos lê a Bíblia agora, e todos eles exclamam assombrados: "Todas as nossas leis e costumes estão escritos aqui!"- nenhum outro povo sobre a face da terra pode dizer o mesmo, exceto os judeus. Nenhum povo da India, nem de outro país.

(Este é o espaço entre colchetes da citação anterior)
" Em todo caso, em Bizâncio em época primitiva, os adivinhos ciganos eram chamados de Aigyptissai, "egípcios", e o clero proibiu o povo de consultá-los para saber o futuro. Tomando como pretexto o livro de Ezequiel (30:23), os rom foram chamados de egípcios não só nos Balcãs mas também na Hungria, onde no passado referiam-se a eles como "povo do Faraó" (Faraonépek)e no ocidente, onde palavras provenientes do nome grego dado aos egípcios (Aigypt[an]oi, Gypsy e Gitano) se usam ainda em referência ao ramo atlântico do povo rom".

Devia existir um motivo pelo qual em Bizâncio eram chamados de egípcios, motivo que o autor não explica. É que os ciganos sabiam que tinham estado no Egito em uma época remota do passado. Há outra palavra grega pela qual os ciganos eram conhecidos em Bizâncio: "athinganoi", da qual derivam os termos cigány, tsigan, zíngaro, etc. Os bizantinos conheciam perfeitamente quem eram os athinganoi e identificaram com eles os rom. De fato, a pouca informação que temos sobre esse grupo coincide em muitos aspectos com a descrição dos ciganos. Não há provas suficientes para afirmar que os athinganoi fossem rom, porém tampouco existem evidências do contrário. A única razão pela qual a possível identificação dos athinganoi com os ciganos foi descartada a priori é porque aqueles são mencionados no início do século VI d. c., época na qual, segundo os empedernidos sustentadores da teoria da orígem indiana, os ciganos não deviam estar na Anatólia. Os athinganoi eram chamados assim em relação a seus conceitos e leis de purificação ritual, considerando impuro todo contato com outro povo, muito similares às leis ciganas para os "payos" ou "gadjôs" (não ciganos). Praticavam a magia, a adivinhação, o encantamento de serpentes, etc, e suas crenças eram uma espécie de judaísmo "reformado" mesclado com cristianismo (ou com mazdeísmo/ zoroastrismo); observavam o Shabat e outros preceitos hebraicos, criam na Unidade de Deus, porém não praticavam a circuncisão e se batizavam (prática que não é exclusivamente cristã, senão também comum entre os adoradores do fogo). Quanto aos athinganoi, a Enciclopédia Judaica diz: "podem ser considerados judeus".
Outro fator significativo é que os ciganos relacionam sua condição de constante movimento com o faraó, uma coisa que pertence exclusivamente ao povo hebreu. Os documentos mais antigos sobre a chegada dos rom à Europa constatam sua declaração de haverem sido escravos do faraó no Egito, da qual surgem duas possíveis deduções: ou era parte de sua memória histórica ou era algo que inventaram para ganhar o favor das pessoas - a segunda possibilidade é completamente improvável, posto que esta os identificaria com um só povo, exatamente o mais odiado na Europa e não era certamente a identidade mais conveniente para eleger.

"Observando restos de precedentes migrações egípcias para a Ásia Menor e para os Balcãs, pensaram que seria proveitoso para eles fazer-se passar por cristãos do Egito, perseguidos pelos muçulmanos ou condenados a perpétuo vagar para expiar sua apostasia ".

Esta foi uma sucessiva "correção" que inventaram depois de haver-se dado conta de que sua versão original da escravidão no Egito sob o faraó era auto-destrutiva porque eram etiquetados como judeus. Esta segunda versão é a que o autor considera " a mais antiga menção desta lenda, no século XVI d. c. ", porém a história original é muito mais antiga. Os ciganos nunca disseram que provinham da India até que alguns gadjôs no século XX lhes dissessem que haviam estudado muito e que a "ciência" estabelece que eles são indianos.

A convicção do autor de que a pátria original dos rom era a cidade de Kannauj se baseia simplesmente sobre uma conjectura, reunindo elementos débeis que não provam nada e são facilmente desmentidos pelas evidências que exporei mais adiante. Agora leiamos sua hipótese:

"...uma passagem do Kitab al-Yamini (Livro de Yamin), do cronista árabe Abu Nasr Al- 'Utbi (961-1040), se refere ao ataque do sultão Mahmud de Ghazni à cidade imperial de Kannauj, que concluiu com a pilhagem e a destruição da mesma e a deportação de seus habitantes até o Afganistão em dezembro de 1018...Sem dúvida, com base em crônicas incompletas que mencionam só algumas incursões na India norte-ocidental, não tem sido capazes de descrever inteiramente o mecanismo de tal xodo... descreve uma invasão no inverno de 1018-1019, que chegou muito mais longe para o leste, mais além de Mathuta, até a prestigiosa cidade de Kannauj, 50 milhas a noroeste de Kanpur...No início do século XI, Kannauj (a Kanakubja do Mahabharata e do Ramayana), que se extendia por milhas ao longo do Ganges, era um importante centro cultural e econômico da India setentrional; não só porque os mais instruídos brâmanes da India afirmam ser de Kannauj (como ainda hoje), senão também porque era uma cidade que havia conseguido um alto nível de civilização em termos que hoje definiríamos como democracia, tolerância, direitos humanos, pacifismo e inclusive ecumenismo. Sem dúvida, no inverno de 1018-19, uma força invasora proveniente de Ghazni (atual Afeganistão) capturou os habitantes de Kannauj e os vendeu como escravos. Não foi a primeira incursão do sultão, porém as anteriores haviam chegado só até o Punjab e Rajastão. Esta vez chegou até Kannauj, uma cidade com mais de 50.000 habitantes e em 20 de dezembro de 1018 capturou a população inteira, "ricos e pobres, claros e obscuros [...] a maioria deles eram "nobres, artistas e artesãos", para vendê-los, "famílias inteiras", em Ghazni e Kabul (segundo o texto de Al-'Utbi). Logo, segundo o mesmo texto, Jorasán e Iraque estavam "cheios desta gente" .
O que é que nos leva a pensar que a origem dos rom tenha que ver com esta deportação?"

Aqui o autor demonstra que não lhe importam minimamente os elementos culturais do povo rom, mas que está somente interessado em encontrar uma possível origem na India e em nenhuma outra parte. Por conseguinte, muitos detalhes importantes tem sido completamente ignorados. Aqui menciono alguns: - Naquele tempo, a cidade de Kannauj era governada pela dinastia Pratihara, que não eram hindus e sim de etnia guijar, quer dizer, jázaros. Segundo as regras linguísticas, os termos hindus "gujjar" e "gujrati" derivam do nome original dos jázaros (khazar) através das regras fonéticas comuns destas línguas: os dois idiomas hindus, não tendo os fonemas "kh" ("j") nem "z", os transcrevem como "g" e "j" ("y").
Portanto, se os ciganos eram os habitantes de Kannauj não eram hindus e sim uma etnia muito próxima aos húngaros, aos búlgaros, a uma pequena parte dos judeus ashkenazim, aos bashkires, aos chuvashes e a alguns povos do Cáucaso e do vale do Volga... A designação "húngaros" que lhes é normalmente atribuida em muitos países ocidentais não seria tão errada - mais exata que a definição de "indianos" ou "hindus", em todo caso.

• Se fora certo que os ciganos estiveram sempre na India até o século XI e.c. como afirma o autor, haveriam certamente praticado a religião mais difundida nessa terra, ou de todo modo teriam absorvido muitos elementos do bramanismo, especialmente se ser um braman de Kannauj era um grande privilégio que outorgava tanto prestígio. Sem dúvida, não se encontra o menor vestígio de tradição bramânica na cultura e espiritualidade romani, ao contrário, não há nada mais distante do "romaimôs" (ciganidade) que o hinduísmo, o jainismo, o sikhismo ou qualquer outro "ismo" de orígem indiana.

•O sultão de Ghazni era indubitavelmente muçulmano. O povo que ele deportou se estabeleceu no Afeganistão, Jorasan e outras regiões do Iran. Isto não haveria favorecido a adoção de elementos culturais do mazdeísmo - (zoroastrismo, que são muito evidentes na cultura romani) mas ao contrário, teria contribuido a evitá-los porque os adoradores do fogo haviam sido praticamente aniquilados pelo islam - certamente um povo no exílio não teria adotado uma religião proibida para serem exterminados definitivamente! Portanto, o povo rom esteve em terras iranianas antes de chegar à India e sua cultura estava já bem definida quando chegaram ali. Existe um só povo que tem exatamente as mesmas características: os israelitas do Reino de Samaria exilados na Média, que conservaram sua herança Mosaica porém também adotaram práticas dos magos (classe social dedicada ao culto do fogo na Pérsia), e só uma coisa não conservaram: seu idioma original (como tampouco os judeus do reino de Jerusalém, já que o hebraico não se falou mais até a fundação do Estado de Israel em 1948 e.c.). Os judeus da India falam línguas indianas, porém são judeus e não indo-europeus.
Tendo assinalados alguns dos pontos débeis sobre os quais se funda a teoria de Kannauj, é justo considerar as razões que expõe o autor:

"Principalmente os seguintes pontos:

•O detalhe "claros e obscuros" explica a diversidade de cor de pele que encontramos nos distintos grupos rom, porque a população original era mesclada. Havia provavelmente muitos rajputs em Kannauj. Esta gente não era aparentada com a população nativa, porém foram elevados à casta kshatrya por méritos. Portanto, eles devem ser a porção denominada "obscuros" da população".

Esta afirmação é demasiado simplista para ser de um estudioso! Está bem estabelecido o fato de que os ciganos se mesclaram com várias populações durante suas longas travessias. Exatamente como os judeus. Basta visitar Israel para notar que há judeus negros, judeus loiros, judeus altos, judeus baixos, judeus com aspecto de indianos, de chineses, de europeus, etc. A crônica mencionada pelo autor demonstra que a população de Kannauj não era homogênea, não pertencia a uma só etnia. De fato, havia rajputs, gujratis e muitos outros, se a cidade era tão cosmopolita como parece. Isto não prova que os ciganos tenham sido a população de Kannauj.

"•O fato que os escravos capturados provinham de todo tipo de classes sociais, incluindo nobres, explica como foi tão fácil para eles inserirem-se entre a gente importante e influente como reis, imperadores, e papas quando chegaram à Europa. Isto se deu porque entre os ciganos havia descendentes dos "nobres" de Kannauj. O indianólogo francês Louis Frédéric confirmou que a população de Kannauj consistia maiormente de "nobres", artistas artesãos e guerreiros."

Isto é pura especulação. Os ciganos normalmente se davam a si mesmos títulos nobiliárquicos ou de prestígio com o objetivo de obter favores, salvo-condutos, etc. Isto foi praticado até há um século atrás pelos rom que chegaram à América do Sul, os quais se proclamavam " príncipes do Egito" ou nobres de algum país exótico. As autoridades começaram a suspeitar quando notaram que havia tantos príncipes de países estranhos. Há um detalhe importante que o autor não levou em consideração: Ele afirmou que Kannauj era um prestigiado centro bramânico. Como é possível que não existia uma casta sacerdotal no povo rom? O que aconteceu com os presumidos "ciganos brâmanes"? Todos os povos hindus tem uma casta sacerdotal, e muitos outros povos as tinham, incluindo os medos e persas (os magos) e os semitas, exceto um: os israelitas do Reino de Samaria - depois que se separaram de Judá, perderam a tribo de Levi e como consequência, nenhuma tribo foi dedicada ao sacerdócio. Havia nobres, artistas, artesãos, guerreiros e todo tipo de categorias sociais entre os norte-israelitas, porém não sacerdotes. O que é também importante notar é que os nobres israelitas eram muito apreciados nas cortes dos reis pagãos, e como tinham um dom profético particular, muitos israelitas entraram na classe dos magos da Pérsia, assim como outros se dedicaram à adivinhação, à alquimia e coisas similares. Sem esquecer que a arte da magia mais comum entre os ciganos é o "tarô", uma invenção judaica.

"•Esta diversidade social da população original deportada pode ter contribuido para a sobrevivência da língua romani, quase mil anos depois do êxodo. Como mostra a sócio-linguística, quanto maior é o grau de heterogeneidade social em uma população deportada, mais forte e largamente poderá continuar a transmitir o próprio idioma ."

Esta afirmação não prova nada e é muito discutível, porque há muitos exemplos do contrário: a história prova que os hebreus foram levados ao exílio em massa, incluindo todas as categorias sociais, sem dúvida perderam o próprio idioma num tempo relativamente breve - o fato singular é que conservaram os distintos idiomas que adotaram na diáspora em lugar do próprio idioma original, por exemplo, os judeus mizraji ainda falam o assírio-aramaico, os sefaraditas ainda conservam o ladino (espanhol medieval) seis séculos depois de terem sido expulsos da Espanha, os ashkenazim falam o yiddisch, e os ciganos falam o romani, a língua que adotaram no exílio.
Outros exemplos de povos deportados ou emigrados de todo extrato social que perderam o próprio idioma em pouco tempo são os africanos da América, do Caribe e do Brasil, a segunda e terceira geração de italianos na América, Argentina, Uruguai, Brasil, etc., a segunda e terceira geração de árabes nesses mesmos países, etc. Outras comunidades conservam uma maior relação com o próprio o idioma, como os armênios, ciganos ou judeus. Não existe um parâmetro universal como o autor afirma.

"•A unidade geográfica do lugar de onde os ancestrais dos ciganos partiram é importante para a coerência do elemento indiano na língua romani, porque as principais diferenças entre os diversos dialetos não se encontarm no componente indiano, mas no vocabulário adquirido em solo europeu ."

Este fator não determina que a origem tenha sido na área da India. É certo que o idioma romani se formou inicialmente em um contexto indo-europeu, porém as mesmas palavras "indianas" são comuns a outros idiomas que existiram fora do sub-continente, quer dizer, na Mesopotâmia. As línguas hurríticas constituem a base mais factível da qual todas as línguas indianas surgiram (basta analisar os documentos do reino de Mitanni para compreender que o sânscrito nasceu nessa região). As línguas de raiz sânscrita já se falavam em uma vasta área do Oriente Médio, incluindo Canaã: os horeus da Bíblia (hurritas da história) habitavam no Negev, os jebuseus e heveus, duas tribos hurritas, na Judéia e Galiléia. Os norte-israelitas foram inicialmente estabelecidos pelos assírios em "Hala, Havur, Gozán e nas cidades dos medos" (II Reis,17:6) - esta é exatamente a terra dos hurritas. Depois da queda de Nínive sob a Babilônia, a maioria dos hurritas e parte dos norte-israelitas em exílio emigraram para leste e fundaram o reino de Khwarezm (Jorazmia), desde o qual sucessivamente colonizaram o vale do Indo e o alto vale do Ganges. É interessante notar que algumas palavras da língua romani pertencem ao hebreu ou arameu antigos, palavras que não poderiam ter sido adquiridas num período mais tardio em sua passagem através do Oriente Médio em direção à Europa oriental, senão somente numa época muito anterior da história, antes de sua chegada à India. Existe ainda um termo muito importante e que os teóricos que sustentam a origem indiana não levam em consideração: a denominação que os ciganos dão a si mesmos, "rom". Não existe nenhuma menção de nenhum povo rom em nenhum documento sânscrito. A palavra "rom" significa "homem" em idioma cigano, e há só uma referência a tal termo com o mesmo significado: em egípcio antigo, rom quer dizer homem. A Bíblia confirma que os antigos norte-israelitas tinham algumas diferenças dialetais com os judeus, e que eram também mais apegados à cultura egípcia assim como ao ambiente cananeu. A religião norte-israelita depois da separação de Judá era de origem egípcia: o culto do bezerro. Por conseguinte, não é difícil que a palavra egípcia que significava homem tenha sido usada ainda nos tempos do exílio em Hanigalbat e Arrapkha (territórios onde foram deportados), e após. Porém, como a origem não deve ser estabelecida através do idioma, não me extenderei na exposição deste argumento.

"•Este argumento contrasta definitivamente a teoria que sustenta que os rom provêm "de uma simples conglomeração de tribos dom" (ou de qualquer outro grupo). É útil mencionar aqui que Sampson havia notado que os rom "entraram na Pérsia como um único grupo, falando um idioma comum" ."

Concordo plenamente com este conceito. Porém é necessário ressaltar que a "teoria Dom" foi "a oficial" entre os estudiosos até há pouco tempo, e assim como esta foi desacreditada, qualquer outra que também insista com a origem indiana se baseia em falsas premissas que conduzem a uma investigação contraditória sem fim.

"• Provavelmente havia um grande número de artistas dhomba em Kannauj, como em todas as cidades civilizadas naqueles tempos. Como maior centro urbano intelectual e espiritual na India setentrional, indubitavelmente Kannauj atraía numerosos artistas, entre os quais muitos dhomba (quiçá, mesmo sem absoluta certeza, os ancestrais dos atuais dombs). Então, quando a população de Kannauj foi dispersa no Jorasán e áreas circunstantes, os artistas dhomba capturaram a imaginação da população local mais que os nobres e artesãos, o que explicaria a extensão do título dhomba em referência a todo o grupo de estrangeiros de Kannauj. Estes poderiam ter adotado este nome para si mesmos como o próprio gentílico (em oposição à designação mais generalizada de Sind[h]~, persa Hind~, grego jônico Indh~ com o significado de "Indiano" - do qual provem o nome "sinto", apesar da paradoxal evolução de ~nd~ a ~nt~, que deve ser postulada neste caso. De fato, em alguns dialetos romanís, principalmente na Hungria, Áustria e Eslovênia, parece apresentar-se esta evolução de ~nd~ a ~nt~)."

Visto que o autor não encontra uma explicação verossímil para o termo "rom", recorre a subterfúgios especulativos que são absolutamente improváveis. Isto se manifesta em suas próprias expressões: "provavelmente", "quiçá", "poderia", "parece", etc... Toda a estrutura sobre a qual se funda esta teoria fracassa pela impossibilidade de explicar os caracteres culturais e espirituais próprios dos povos rom e sintos, e essencialmente, a afirmação de que"poderiam ter adotado este nome (dhom) para si mesmos como próprio gentílico" se revela completamente errada. O autor se contradiz a si mesmo, porque anteriormente havia declarado que "muitos kannaujis eram nobres", e logo supõe que estes mesmos "nobres" tenham adotado para si mesmos o nome de uma "casta inferior" como eram os artistas Dhomba.

"•O fato de que a população proto-romaní provenha de uma área urbana e que eram maiormente nobres, artistas e artesãos pode quiçá ser a razão pela qual pouquíssimos ciganos se dedicam à agricultura até hoje. Ainda que "o solo da região fosse rico e fértil, os cultivos abundantes e o clima cálido", o peregrino chinês Xuán Zàng (latinizado como Hsuan Tsang) notou que " poucos dos habitantes da região se ocupavam da agricultura". Na realidade, a terra era cultivada maiormente para a produção de flores para fabricar perfumes desde a antiguidade (principalmente com propósitos religiosos) ."

Esta afirmação também não prova nada, mas confirma ainda mais a hipótese de que realmente não eram de orígem indiana: uma comparação cuidadosa com o povo judeu leva à mesma conclusão, porque os israelitas de todas as classes sociais foram deportados de sua própria terra, porém os judeus nunca se dedicaram à agricultura e viveram sempre em cidades onde quer que estivessem na diáspora. Os judeus se fizeram agricultores só recentemente, no Estado de Israel, porque era necessário para o desenvolvimento da Nação. Há suficientes evidências para provar que quando os ciganos chegaram à India já eram um povo com as mesmas características que ainda hoje tem, porque tanto os norte-assírios como os assírios-caldeus (babilônicos) praticaram a deportação seletiva de ambos os Reinos de Israel e Judá, como lemos: "E (o rei de Babilônia) levou em cativeiro a toda Jerusalém, a todos os príncipes, e a todos os homens valentes, dez mil cativos, e a todos os artesãos e guerreiros, não ficou ninguém, exceto os pobres do povo da terra. Assim mesmo levou cativos a Babilônia a Yehoyakin, a mãe do rei, as mulheres do rei, a seus oficiais e aos poderosos do país; cativos os levou de Jerusalém a Babilônia. A todos os homens de guerra.." (II Reis, 24:14-16); "Mas Nabuzaradán, general do exército, deixou os pobres da terra para que lavrassem as vinhas e a terra" (II Reis, 25:12). A mesma coisa haviam feito 120 anos antes os reis assírios no Reino de Israel, e os camponeses que eles deixaram são os atuais samaritanos, enquanto que a grande maioria dos israelitas hoje se consideram "perdidos", e tem-se verificado que a maior parte deles emigrou para a India.

"•Parece que um pequeno grupo fugiu da invasão navegando no Ganges e chegando até Benares, de onde devido à hostilidade da população indígena, se mudaram e se assentaram na área de Ranchi. Esta gente fala a língua sadri, um idioma indiano especificamente usado para a comunicação inter-tribal. É digno mencionar que o sadri parece ser a língua indiana que permite uma melhor comunicação entre seus falantes e o romanês."

Novamente o autor especula teorizando uma relação entre uma tribo indiana e os ciganos somente através de uma aparente semelhança linguística, porém nada que tenha que ver com a cultura e a espiritualidade romaní, nem seus costumes ou tradições, e nenhuma prova histórica. Os idiomas são um ponto de referência relativo e muitas vezes enganosos, porque podem ser adotados por povos completamente diversos da etnia original. Provavelmente o autor não conhece alguns casos enigmáticos como o seguinte: há uma província na Argentina, Santiago del Estero, onde ainda se fala uma língua indígena pré-colombiana: o quíchua, um dialeto do idioma dos incas. O fato curioso é que quase todos os que a falam não são indígenas, mas sírios-libaneses que se estabeleceram nessa província há apenas um século atrás! Num suposto evento desastroso do futuro no qual se percam todos os documentos referentes à imigração árabe, os estudiosos do século XXV seguramente especulariam afirmando que esses árabes são os últimos autênticos sobreviventes da antiga civilização inca...O que não serão capazes de explicar é por que esses "incas" tinham tradições ortodoxas num país católico romano, ainda que ambas as tradições sejam muito mais próximas entre si do que a cultura cigana às da India.
Outro exemplo similar nos dão os ciganos mesmos: na Italia norte- ocidental, o dialeto piemontês se fala cada vez menos entre os gadjôs, só as pessoas mais velhas ainda o conservam e já não é a língua principal das crianças piemontesas, que falam italiano. A conservação do dialeto depende exclusivamente dos sintos piemonteses, que o adotaram como a própria língua "romaní" e serão provavelmente os únicos que falarão esse dialeto ao final do presente século. Em uma situação imaginária como a descrita acima, os estudiosos do futuro chegarão à conclusão de que os autênticos piemonteses são os ciganos sintos dessa região...

"•Ademais, os falantes do sadri tem o costume, durante cerimônias especiais, de verter um pouco de bebida, dizendo: " por nossos irmãos que o vento frio levou para além das montanhas" (comunicação pessoal por Rézmuves Melinda). Estes "irmãos" poderiam ser os prisioneiros de Mahmud. Porém é necessário um estudo mais intensivo sobre o grupo de falantes do sadri."

Outra conjectura especulativa baseada sobre dados superficiais. As deportações eram frequentes naqueles tempos, e afirmar que se referem aos ciganos é mais que atrevimento. O que é mais significativo desta tradição sadri é que o "vento frio para além das montanhas" é dificilmente aplicável a uma deportação para oeste, para além dos rios, supostamente por um vento cálido; é mais bem coerente com uma deportação para o norte, para além do Himalaia, de onde sopra o vento frio.

"•A deusa protetora de Kannauj era Kali, uma divindade que é muito popular entre os ciganos."

Esta é realmente uma estranha afirmação para alguém que se considera um estudioso da cultura romani, porque efetivamente os ciganos não têm a menor idéia da existência da deusa hindú Kali, e não tem nenhuma "popularidade". Não sei se o autor inseriu esta falsa afirmação com o único propósito de reforçar sua teoria, porém prefiro crer em sua boa fé. Não há nenhum elemento em minha família que possa levar a pensar que tal tradição tenha existido algum dia, nem tampouco existe entre as numerosas famílias de rom e sintos que conheci em todo o mundo, desde a Rússia até a Espanha, da Suécia à Itália, dos Estados Unidos à Terra do Fogo (a terra mais ao sul no mundo), de todos os ramos ciganos, dos kalderash, lovaras, churaras, aos calé espanhóis, dos sintos estraxaria e eftavagaria aos kalé finlandeses, desde os matchuaia aos horahanés sulamericanos. Desafio a quem quiser perguntar a um cigano quem pensa que é Kali - sua resposta será: "uma mulher negra", porque "kali" é o gênero feminino de "kaló", que significa negro (não porque eles saibam que o ídolo hindu é também negro). Conheço a maioria das famílias ciganas mais distintas no mundo, e sugiro ao autor visitar os rom da Argentina, onde por algum motivo a cultura cigana kalderash (russo-danubiana) se conserva de modo mais genuíno que em qualquer outro país .
A devoção de alguns grupos para "Sara kali" na Camargue (sul da França) tem que ver com a tradição católica romana, não com o hinduísmo. De fato, há "virgens negras" em quase todos os países católicos (inclusive na Polônia). Sara "kali" se chama assim porque é negra, e por casualidade ou não, tem o mesmo nome que a mãe do povo hebreu, o que pode ser a razão pela qual os ciganos católicos a elegeram como a própria santa.

"•Ademais, o antigo nome da cidade era Kanakubja (ou Kanogyza em textos gregos), que significava "molestada, vírgem maculada". A origem deste surpreendente nome se encontra numa passagem do Ramajan de Valmiki: Kusmabha fundou uma cidade chamada Mahodaja (Grande Prosperidade); ele tinha cem formosas filhas e um dia, quando brincavam no jardim real, Váju, deus do vento, se enamorou delas e quis casar-se com elas. Desgraçadamente foi rechaçado e as molestou a todas, o que deu o nome à cidade. Em outra versão, Kana Kubja era o sobrenome de uma devota molestada de Krishna, a qual o deus lhe deu um corpo restabelecido e forte como recompensa pela unção de seus pés. De fato, "vírgem molestada" era um dos títulos de Durga, a deusa guerreira, outra forma de Kali. Em outras palavras, podemos fazer uma identificação: kana kubja ("vírgem molestada") = Durga = Kali. Rajko Djuric mencionou algumas similaridades com o culto romaní de Bibia ou Kali Bibi e o mito hindu de Kali."

Outra argumentação puramente especulativa sem qualquer apoio real. Histórias similares são muito comuns no Oriente Médio (recomendo ao autor ler "As 1001 noites" para uma melhor documentação). É perfeitamente sabido que os ciganos usualmente adotam lendas dos países onde tem sido hóspedes e as adaptam segundo sua própria fantasia. É também um fato que a maioria das lendas e fábulas etiquetadas como "ciganas" são por sua vez classificadas como "judias", e ambas se consideram a fonte original. Há também algumas lendas persas, armênias e árabes na literatura oral romani.
Pergunto-me por que o autor não menciona a popularidade que tem o Profeta Elias em muitos grupos Rom...quiçá porque não pode explicar a origem indiana de tal tradição. Elias era um Profeta do Reino de Samaria.

"•O tempo que os rom passaram em Jorasán (um ou mais séculos) explicaria os numerosos temas persas integrados ao vocabulário romani (uns 70 - além de 900 temas indianos e 220 gregos), porque o Jorasán era uma região de língua persa."

O mesmo parâmetro é válido para o exílio na India. Assim como tais palavras não provam uma origem persa, tampouco o vocabulário indiano prova uma origem indiana, porém só uma longa estadia. A exposição seguinte do autor está orientada puramente no aspecto linguístico, e ainda que seja uma argumentação coerente, não prova absolutamente a orígem em Kannauj, como veremos:

"Outro elemento surpreendente é a coincidência de três caracteres linguísticos que conectam o romanês com as línguas da área de Kannauj, ou só principalmente com estas, quer dizer:

- entre todos os idiomas indianos modernos, só o braj (chamado também de braj bhaka, um idioma falado por uns 15 milhões de pessoas na região a oeste de Kannauj) e o romanês distinguem dois gêneros na terceira pessoa do singular dos pronomes pessoais: yo ou vo em braj (provavelmente ou em braj antigo) e ov, vov ou yov, "ele" em romanês para o masculino. E ya ou va em braj e oy, voy ou yoy, "ela" para o feminino, enquanto que os outros idiomas indianos tem uma forma única, usualmente yé, vé, "ele, ela" para ambos os gêneros. Estes pronomes podem ouvir-se todos os dias nas ruas de Kannauj.

- entre todos os idiomas indianos modernos, só os dialetos da área de Kannauj, alguns braj e nepalês (O Nepal está a sómente sessenta milhas de Kannauj) tem a terminação dos substantivos e adjetivos masculinos en ~o (ou ~au = ~o) idênticos ao romanês, que é também ~o: purano "antigo, velho" (em outros idiomas taruna, sinto tarno, romaní terno). De fato, a evolução dialetal de ~a a ~o depende de regras complicadas que devem ser ainda definidas.

- E por último porém não menos importante, entre todos os idiomas indianos modernos, só o awadi (uma língua falada por uns 20 milhões de pessoas em uma vasta área a leste de Kannauj) apresenta como o romanês uma forma alternativa longa para a posposição possessiva. Não há só um estrito paralelo no próprio fenômeno mas também as posposições são idênticas em sua forma: agregado à forma curta (~ka, ~ki, ~ke) que é comum a todos os idiomas indianos, o awadi tem uma variante longa ~kar(a), ~keri, ~kere, exatamente como muitos dialetos arcaicos do romanês, como os da Macedônia, Bulgária, (~qoro, ~qiri e ~qere), Eslováquia e Russia (~qero, ~qeri, ~qere), forma que foi reduzida nos dialetos sintos ( ~qro, ~qri, ~qre). Ademais, uma missão recente em algumas aldeias da zona de Kannauj descobriu indícios de um idioma inexplorado similar ao romanês (tikni "pequeno", day "mãe" [hindi "parteira"], ghoro "jarra", larika "jovem" [hindi larhka] etc...). Isto justifica a afirmação do professor Ian Hancock que "o idioma mais próximo ao romanês é o hindi ocidental", comumente chamado braj, que divide a maioria de suas características com o kannauji moderno."

Como eu disse anteriormente, o argumento é interessante, porém não prova nada, pelos seguintes motivos:

•Todas as aclarações que assinalou o autor demonstram que o idioma romaní é gramaticalmente mais complexo que a maioria das línguas faladas na India, o que significa que quando os ciganos estavam na India, muito provavelmente existia um idioma muito mais homogêneo - ainda que não evoluído - para as várias línguas que por lógica linguística adotam formas gramaticais mais simples. Isto sucedeu, por exemplo, com o latim, que um tempo era falado em uma vasta área da Europa e que evoluiu para o italiano, o espanhol, o português, o catalão, o ocitano, o romeno, etc, todos os quais tem uma gramática mais simples.

•Por conseguinte, como foi indicado, todas as línguas hindi ocidentais foram um dia um único idioma, do qual o romanês se separou num período inicial de sua formação. Esta etapa primitiva pode perfeitamente implicar no período hurrita, antes da estadia na India, porém é só uma suposição. O que se deduz em todo caso é que toda a família hindi ocidental, quer dizer, os idiomas do vale do Indo e do Rajastan, são descendentes diretos do suposto idioma "kannauji", o que implica que o romanês não deva necessariamente ter que ver com a zona de Kannauj e possa perfeitamente ter relação com toda a região desde o Kashmir até Gujarat, desde o Sindh até Uttar Pradesh.

•É também certo que toda a região mencionada acima, da qual se supõe provem o romanês, não estava então relacionada com os povos indianos mas com tribos escita-sármatas estabelecidas no vale do Indo e em Sakastan, incluindo Kannauj (que era governada por uma dinastia gujjar) e que tem algo em comum: todas chegaram ali vindas do ocidente! Há evidências irrefutáveis de que os povos da região do vale do Indo eram "sakas" e não arianos.

•O fato de que vestígios do idioma antigo ainda existem na zona de Kannauj não implica absolutamenteque essa seja a terra de orígem, e na história linguística há muitos exemplos:
- no passado o celta era falado em quase toda a Europa, hoje sobrevive em algumas regiões das Ilhas Britânicas e na Bretanha, que não são a pátria original dos celtas.
- tomando novamente como exemplo o latim, o idioma falado mais próximo hoje não é o italiano, mas o romeno, que geograficamente está muito longe do lugar onde o latim nasceu.
- por um tempo em toda a Ucrânia se falava o húngaro e línguas aparentadas, por quase quatro séculos (entre Atila e Árpád), e hoje não há vestígios do húngaro na Ucrânia, mas se fala na Hungria, Transilvânia e áreas circunstantes.
- da mesma maneira, o turco não foi falado na Ásia Menor até fins da Idade Média, e não existe mais em sua pátria de orígem.
- acertou-se que o basco (euskara) se originou no Cáucaso, o extremo oposto da Europa de onde o basco se fala hoje, sem deixar nenhum indício intermediário na longa viagem que os antigos bascos realizaram, e não se fala em nenhuma zona do Cáucaso, onde há sómente línguas aparentadas.
- o único povo que pode ler sem dificuldades as sagas nórdicas no idioma em que foram escritas são os islandeses e feroeses, enquanto que os suecos, noruegueses e dinamarqueses, cujos ancestrais as escreveram, dificilmente podem fazê-lo.
- foi possível decifrar a antiga língua dos sumérios só com a ajuda do húngaro moderno, o que demonstra o quanto é impreciso relacionar uma língua com a área geográfica onde é falada no presente.

Há muitos outros exemplos como os citados, porém estes devem ser suficientes. Ainda há outro argumento que o autor propõe:

"No que concerne à cronologia do êxodo, esta coincide com o período de Mahmud, sendo claro que não pode ter ocorrido antes do século X d. c. porque o romanês apresenta duas características gramaticais importantes que se formaram até o final do primeiro milênio, quer dizer:
a) a formação do sistema posposicional no lugar da antiga e média flexão indiana;
b) a perda do gênero neutro com a assinalação destes substantivos ao masculino ou ao feminino. Como quase todos estes substantivos foram assinalados em romanês aos mesmos gêneros que no hindi (Hancock, 2001:10), se pode deduzir que este fenômeno se verificou quando o romanês ainda era falado em solo indiano. Portanto, o romanês se separou de outras línguas indianas só depois destas evoluções ."

O que o autor não leva em consideração é o seguinte: não havia um idioma indiano unificado, mas existia um caráter distintivo entre a região escita-sármata e a região ariana. Ademais:

a) a posposição é uma característica típica das línguas escito-sarmáticas;
b) só os gêneros masculino e feminino existiam na variante do "antigo indiano" falado no vale do Indo, antes que os brâmanes conseguissem unificar toda a India ou a maior parte dela, portanto, o idioma também foi unificado e logicamente ambas as partes contribuiram. Porém a forma mais simplificada prevaleceu, pelo que o gênero neutro desapareceu da variante ariana. Não era necessário que os ciganos estivessem ainda na India quando o idioma foi unificado.

O resto do estudo escrito pelo autor da "teoria de Kannauj" não tem que ver com a presumida orígem do povo rom mas com alguns dados históricos sobre Kannauj que não são importantes para esta investigação, portanto eu termino aqui os comentários sobre sua hipótese e começo a expor outros aspectos da cultura romaní que são certamente mais importantes que o idioma e demonstram que os ciganos não tem nada em comum com nenhum povo da India, nem no presente, nem no passado. Os aspectos que apresentarei aqui não podem ser explicados pelos sustentadores da teoria da orígem indiana.

As características culturais e espirituais do povo rom podem classificar-se em duas categorias principais:

1)Crenças, leis, preceitos e tradições relacionadas com o hebraísmo, muito importantes no interior da comunidade romaní;
2) Práticas relacionadas com o culto do fogo e algumas crenças deste tipo, maiormente usadas nas relações com o ambiente não-cigano.

Antes de expor estes aspectos, convém dar um breve resumo histórico de modo que o leitor possa entender melhor como e por que os ciganos estavam na India em um determinado período e por que não podem ser originários dessa terra. A "pré-história" romaní começou na Mesopotâmia, no baixo vale do Eufrates, sua "proto-história", no baixo vale do Nilo e em Canaã...

Durante a expansão semítica no Oriente Médio, uma família semita se transladou de Sumer a Canaã e depois ao Egito, onde cresceu em número e importância dentro da sociedade egípcia, tanto que chegaram a ser odiados e submetidos a escravidão até que sua libertação chegou e abandonaram o país para se radicar em Canaã. Naquele tempo eram constituidos por treze tribos, uma das quais dedicada ao sacerdócio, e as outras doze eram o "povo", chamado Israel. Aquela nação tinha uma particularidade que a distinguia de todas as outras nações daquele tempo: criam em Um só Deus. Receberam um estatuto de leis, preceitos e artigos de fé que deviam observar e estabeleciam sua separação de toda outra gente, leis que concerniam a pureza e impureza ritual e outras características que faziam deles um povo particular, distinto de todo outro povo no mundo. Tinham uma memória comum, que haviam sido exilados no Egito, e uma herança comum, o conjunto de preceitos que estabelecia que se não os observassem, seu destino seria novamente o exílio, não no Egito, mas em toda a terra.
Sem dúvida, apenas conquistaram sua terra, as diferenças entre a Tribo mais notável e as demais começaram a ser mais evidentes, até que o Reino se dividiu em dois: as Tribos do norte eram mais apegadas a seu passado egípcio e como sinal de sua separação elegeram um ídolo egípcio em forma de bezerro para representar o Deus Único (às vezes também adoraram divindades inferiores), e rechaçaram a Tribo sacerdotal, que se uniu ao Reino de Judá no sul. O reino setentrional de Israel permitiu práticas proibidas relacionadas com a magia, adivinhação e predição da sorte. No ano 722 a.e.c., os assírios invadiram o país e levaram cativa a quase toda a população, deixando só os camponeses, e levaram os israelitas ao exílio em outra terra que haviam conquistado: o reino de Hanigalbat-Mitanni, onde se falava um idioma muito similar ao romanês e cujas divindades principais eram Indra e Varuna. Esse país não era a India, mas ficava na alta Mesopotâmia. Os nativos dali são conhecidos na história como hurritas. Farei aqui um parêntese para dar uma breve descrição dessa nação antes de continuar com a história do nosso povo:

Os hurritas, ancestrais dos povos da India

A evidência mais antiga da existência de uma língua indiana não se encontra na India mas na bacia do Eufrates e do Tigre, desde o século XVI a.e.c. Ali estava o império de Mitanni, que se extendia desde a costa do Mediterrâneo até os montes Zagros, em conflito com os hititas no oeste e com os egípcios no sudoeste pelo controle do rio Eufrates. O idioma de Mitanni era hurrita; há uma clara evidência do vocabulário sânscrito nos documentos de Mitanni:

ila-ni mi-it-ra as'-s'i-il ila-ni u-ru wa.na-as's'i-el (en otro texto a.ru-na-as'.s'i-il) in.dar (otro texto: in-da.ra) ila-ni na-s'a-at-ti-ya-an-na (cf. Winckler, Mitteilungen der Deutschen Orient-Gesellschaft No. 35, 1907, p. 51, s. Boghazkoi-Studien VIII, Leipzig 1923, pp. 32 f., 54 f.)

Os quatros deuses mencionados neste tratado são os mesmos que encontramos no Rigveda (RV. 10.125.1). P. Thieme demonstrou que os deuses dos tratados de Mitanni são especificamente védicos. Varun.a e Mitra, Indra e N-satyau, com estes nomes se encontram somente nos escritos védicos. Porém, estão nos documentos hurríticos!
No tratado entre os hititas e Mitanni, os reis de Mitanni juraram por: Mi-it-ra (índico Mitra), Aru-na (Varun.a), In-da-ra (Indra) e Na-as-at-tiya (Nasatya ou As'wins). Num texto hitita relativo ao adestramento de cavalos e ao uso dos carros de guerra escrito por Kikkuli (um hurrita) se usam os números indianos para indicar as voltas de um carro num percurso: aika (índico eka 'um'), tera (tri 'três'), panza (panca 'cinco'), satta (sapta 'sete') e na (nava 'nueve').
Em outro texto hurrita de Nuzi se usam palavras indianas para descrever a cor dos cavalos, por exemplo, babru (índico babhru 'marrom'), parita (palita "cinza") e pinkara (pingala 'rosa pink'). O guerreiro a cavalo de Mitanni era chamado "marya" (indiano-védico marya, 'guerreiro, jovem'). Ademais há uma série de nomes dos nobres e aristocratas de Mitanni que são claramente indianos.
É já geralmente aceito pela grande maioria dos "experts" na materia que os vestígios linguísticos arianos no Oriente Médio são especificamente indianos e não iranianos, e que não pertencem a um terceiro grupo nem tampouco se devem atribuir a um hipotético proto-ariano. Esta conclusão foi incorporada na obra de M. Mayrhofer, em sua bibliografia sobre o argumento, Die Indo-Arier im Alten Vorderasien (Wiesbaden, 1966), e é a interpretação comumente aceita. Esta se baseia no fato de que quando existem divergências entre o iraniano e o indiano e quando tais elementos aparecem em documentos do Oriente Médio, estes últimos sempre concordam com o indiano.
A divisão do proto-ariano em seus dois ramos, indiano e iraniano, deve necessariamente ter ocorrido antes que tais línguas se tenham estabelecido em seus respectivos territórios e não meramente como consequência de desenvolvimento independente depois que os indianos se estabeleceram na India e os iranianos no Iran. Esta conclusão poderia demonstrar-se errônea somente se se pudesse demonstrar que os indianos védicos, uma vez emigrados até a região do Penyab desde sua pátria primitiva tenham empreendido uma viagem de regresso até o Oriente Médio. Não há nenhuma evidência de tal eventualidade e por conseguinte uma teoria que suponha tal complicação pode ser ignorada com absoluta segurança... Uma conclusão ulterior em base a esta hipótese é que o período proto-ariano deveria ser antecipado muitíssimo tempo com respeito ao que se tenha estabelecido, e de todas as maneiras não poderia ser mandado a um período anterior ao século XX a.e.c., no máximo.
Sarasvati é em primeiro lugar o nome proto-indiano de um rio no Iran, que depois da migração foi transferido ao rio da India. O nome iraniano, Haraxvaiti, é uma palavra tomada em préstimo do proto-indiano, com a substituição de h- por s-, o que ocorre também em Hind/Sindhu. Outro caso similar é o nome do rio Sarayu, que foi transferido do Iran (Haraiva-/Haro-yu) a um rio do noroeste da India, e após a um afluente do Ganges na India oriental.
Os hurritas estavam presentes no Oriente Médio desde tempos remotos, o que se pode determinar em base a termos suméricos com ta/ibira, 'ferreiro em cobre', para o qual há suficientes provas que pertence a uma orígem hurrita (Otten 1984, Wilhelm 1988). Atal-s'en se descreve a si mesmo como o filho de S'atar-mat, de outra maneira desconhecido, cujo nome é também hurrita. A regra de Atal-s'en não pode ser datada com certeza, porém provavelmente pertence ao final do período gúteo (cerca de 2090-2048 a.e.c.), ou as primeiras décadas do período de Ur III (2047-1940 a.e.c.). Documentos do período de Ur III revelam que a área montanhosa ao leste e ao norte do vale do Tigre e do Eufrates eram então habitadas por povos de língua hurrítica, que eventualmente penetraram na região oriental do Tigre ao norte de Diyala. Como resultado das guerras de S'ulgi (2029-1982 a.e.c.), um grande número de prisioneiros hurritas se encontravam em Sumer, onde eram empregados em trabalhos forçados. Por este motivo, um grande número de nomes hurritas se encontram na baixa Mesopotâmia no período de Ur III. A etmologia de tais nomes é certamente ou quase seguramente indiana, por exemplo Artatama = védico r.ta-dha-man, 'cuja habitação é r.ta', Tus'ratta (Tuis'eratta) = védico tves.a-ratha, 'cujo carro surge com ímpeto', Sattiwaza = antigo indiano sa_ti-va_ja. 'que toma un botim', védico va-ja-sa-ti, 'aquisição de un botim' (Mayrhofer 1974: 23-25). O idioma hurrita se usava no século XIV a.c. ao menos até a Síria central (Qatna, e provavelmente Qadesh), e sua expansão provavelmente foi o resultado dos movimentos demográficos durante a hegemonia de Mitanni. Entre os deuses que eram ainda adorados no fim do século XIV pelos reis de Mitanni encontramos Mitra, Varuna, Indra e os gêmeos Nasatya, que cononhecemos através dos vedas, os poemas indianos mais antigos.

A longa viagem para a India

Voltando à história do nosso povo, o país descrito acima é onde os encontramos em 722 a. c. Este foi o começo da evolução de seu novo idioma adquirido, e o início do esquecimento da identidade do povo que foram no passado, exceto pela consciência de saber que eram diferentes, um povo particular que não pode mesclar-se com os "goyim" (logo "gadjôs", "payos"). Tem certos preceitos aos quais não renunciariam, as leis de pureza ritual e a crença em um Deus Único, o Deus que prometeu e cumpriu: seriam de novo espalhados e viveriam no exílio, quiçá para sempre...Não serão mais chamados "Israel", agora são só "homens", que seus ancestrais no Egito chamavam "rom".

Depois da deportação assíria, os babilônios exilaram também os compatriotas do Reino de Judá, porém eles mantiveram sua identidade, sua estrutura social e sua Tribo sacerdotal, e 70 anos depois regressaram a Canaã, sendo então reconhecidos como "judeus". Em seu relativamente curto exílio, lograram resgatar parte de seus irmãos do antigo Reino de Samaria, porém a maioria deles permaneceu na diáspora.
Babilônia caiu em mãos de uma nova potência, Média e Pérsia, um povo não semítico e de algum modo aparentado com os hurritas de Mitanni. Tinham uma religião particular que incluia o culto do fogo e a magia; de fato os membros da casta sacerdotal se chamavam magos. Os exilados, anteriormente israelitas e agora simplesmente "homens", rom, eram muito hábeis em tais artes e entenderam que praticá-las era proveitoso, pelo que adotaram tais elementos e os incorporaram na própria cultura, porém em função de suas relações com os outros, os gadjôs. O Império Persa era vasto, se extendia até Sakastan, mais além do Sindh. O vale do Indo era uma terra muito desejável, e teria ajudado a esquecer o exílio na Assíria, o lugar ideal para estabelecer-se e começar uma nova vida...

Ultimamente há uma organização judaica internacional chamada "Kulanu" ("Todos nós") que se ocupa especialmente em encontrar as Tribos perdidas do antigo Israel e está logrando bons resultados em tal obra; há uma área particular no mundo onde muitos dos antigos israelitas "perdidos" tem sido achados: a India. Há descendentes dos israelitas deportados pelos assírios em cada rincão da India, desde o Kashmir a Kerala, desde Assam até o Afeganistão. Estão sendo identificados não através do idioma, pois falam línguas indianas, mas através de suas características culturais - Porém, nenhum deles tem tantos elementos hebraicos como os ciganos! É um fato acertado historicamente que as chamadas "Tribos perdidas" de Israel emigraram, segundo indiscutíveis evidências, para a India durante os períodos persa e macedônico, e que a maior parte preferiu estabelecer-se na região habitada por povos escita-sármatas, quer dizer, no vale do Indo, Kashmir, Rajastan e o alto vale do Ganges. Provavelmente não eram uma massa homogênea, pois emigraram em grupos separados para terras diferentes que geraram novas identidades étnicas, o que significa que os rom são somente um dos vários grupos israelitas que não conhecem sua própria orígem - a diferença é que os ciganos um dia regressaram ao ocidente e chamaram a atenção dos europeus, enquanto que os demais que permanecem no oriente seguem sendo ignorados e provavelmente perderam a maior parte das características que permitiriam identificá-los, características que o povo rom conservou num grau suficientemente aceitável.
Um fator que os estudiosos não levam em consideração quando investigam o argumento da orígem do povo rom é a complexidade étnica da India naquele período e supoem que tenha sido uma população mono-étnica puramente ariana, o que é uma premissa falsa que leva a conclusões definitivamente errôneas. De fato, a região de população ariana começava a sudeste de Uttar Pradesh e ao leste de Rajastan-Gujarat, enquanto que estas regiões e as terras a oeste das mesmas eram habitadas por povos escita-sarmáticos, iranianos e inclusive helênicos, além dos exilados israelitas. Um estudo geral sobre os povos e tribos que habitam desde a India norte-ocidental até o Iran revela que quase todos eles, senão todos, mantém em suas tradições a crença de que seus ancestrais chegaram ali vindos do ocidente, normalmente relacionando tal movimento com os israelitas deportados ou com os contingentes de Alexandre Magno. Alguns clans pashtun assim como a maioria das tribos kashmiris proclamam ser de orígem israelita e inclusive alguns traçam sua descendência até o Rei Saul; uma tradição similar existe entre os kalash do Nuristan, um povo que em muitos aspectos se parece com os ciganos. Os exilados hebreus-assírios encontraram uma maior tolerãncia entre as gentes escita-sarmáticas que entre outros, e suas terras eram muito mais preferidas que as dos intolerantes arianos. O mesmo sucedeu a seus irmãos judeus. É significativo o fato de que a maior parte de ambos os povos, judeus e rom, encontraram um refúgio seguro na Europa escita-sarmática por muitos séculos: efetivamente, o centro de ambas as culturas foi a Europa oriental, particularmente Hungria e Rússia. O idioma romaní teria virtualmente desaparecido se os ciganos não se tivessem estabelecido nesses países, como está provado, a gramática romaní e grande parte do vocabulário se perderam na Europa central e ocidental, por causa de perseguições e proibição da manifestação da cultura cigana, da mesma maneira que aos judeus era proibido expressar o próprio judaísmo - sem esquecer o que pode significar para os ciganos ser chamados "arianos" depois da Shoah/Porhaymós... A estadia na Europa oriental inclusive determinou algumas características relativas ao vestir, de fato, o típico traje e chapéu que usam hoje os judeus ortodoxos ashkenazim pertence à nobreza polaca e báltica do final da idade média e período sucessivo. E não é muito diferente do traje e chapéu que usam os homens dos grupos rom mais "ortodoxos". Além do vestir, os ciganos normalmente usam costeletas abundantes, um aceitável substituto das "pe'ot" judaicas.

Premissas para uma hipótese:

•Os aspectos espirituais e culturais do povo rom coincidem exclusivamente com antigas características hebraicas;

•Os elementos relativos ao culto do fogo presentes na sociedade cigana implicam que o povo rom esteve estabelecido na Pérsia por um período suficientemente longo para havê-los adotado, e necessariamente antes da dominação islâmica, o que significa, antes de haver chegado à India;

•Alguns rudimentos culturais escita-sarmáticos presentes nos costumes ciganos são os únicos vestígios da estadia na India (além do idioma) e revelam que se estabeleceram na região não-ariana da India; tais elementos pertencem a esse período e não a um posterior, porque a cultura escita-sarmática tinha sido plenamente absorvida pelas civilizações eslavas e húngara quando os ciganos chegaram à Europa oriental;

•Quanto ao idioma, é muito provável que os rom falassem já uma língua indiana antes de chegar à India e que essa língua tenha sido o hurrita, adotado durante os primeiros séculos do exílio na terra de Mittani.

As evidências

Há evidências irrefutáveis que concernem ao povo rom, que são a chave para descobrir sua verdadeira orígem e permitem elaborar uma trajetória histórica factível. Aqui apresento algumas delas.

Credo

As crenças ciganas mostram as seguintes características:

•Estrito monoteísmo, sem o mínimo indício de algum passado politeísta ou panteísta.

•O caráter muito pessoal de Deus, Que é acessível e com Quem é possível dialogar e inclusive discutir (concepção hebraica) - não é inacessível como Alá nem tampouco relativamente acessível como no cristianismo, que necessita de um Mediador para ter um contato pessoal com Ele.

•A existência de um mundo espiritual que consiste em espíritos puros e impuros (concepção hebraica), que representam o bem e o mal e lutam constantemente - este conceito é originalmente hebraico, porém com uma marcada influência zoroástrica que é o resultado natural do exílio assírio/babilônico/persa e que se desenvolveu da mesma forma que o judaísmo cabalístico, mostrando uma evolução contemporânea da espiritualidade cigana e do judaísmo místico, no mesmo ambiente geográfico.

•A crença na morte como uma passagem definitiva ao mundo espiritual (conceito hebreu). Não se encontra o menor indício da idéia da reencarnação.

•A pessoa falecida é impura durante sua viagem ao reino das almas (conceito hebreu), e todas as coisas relacionadas com sua morte são impuras, como também o são seus parentes durante o período do luto (conceito hebreu). Maiores detalhes no tema seguinte, "marimé".

•O destino final do cigano depois da morte é o Paraíso, enquanto que os gadjôs podem ser redimidos e ascender ao Paraíso se foram bons com os ciganos - uma idéia similar ao conceito judeu de "justo entre os gentis".

Estes parâmetros de fé vão mais além da religião "oficial" que os ciganos possam professar. Geralmente há elementos adicionais que pertencem à coinfissão adotada, os quais expressam de modo pitoresco e observam com grande respeito, como por exemplo a "pomana", uma prática ortodoxa, e outras cerimônias. Também há particulares complementares de natureza supersticiosa, todos os quais tem sua orígem no culto do fogo da antiga Pérsia. Alguns são válidos no interior da sociedade cigana, como por exemplo ter sempre o fogo aceso em casa, dia e noite, inverno e verão (uma tradição que mantem as famílias mais conservadoras, enquanto que em geral está evoluindo para o uso de um fogo "simbólico" como a televisão, sempre acesa mesmo que não a esteja vendo ninguém). Outros costumes se praticam só externamente, como a adivinhação, leitura das mãos, tarot, etc., em cujos poderes particulares os ciganos não crêem porém os usam como meio de ganho no mundo dos gadjôs. Isto foi aprendido dos magos e alquimistas da Pérsia.
Há fundados motivos para pensar que os rom eram já cristãos desde o primeiro século d. c., quer dizer, antes que chegassem à India ou durante o primeiro período de sua estadia nessa região, e é a razão pela qual não adotaram nenhum elemento hinduista em suas crenças. Resulta que os rom eram bem informados sobre o cristianismo quando chegaram à Europa, apesar de não haver tido a possibilidade de ler a Bíblia. Há algo misterioso na espiritualidade cigana que nas últimas décadas os levou a uma aproximação genuína aos movimentos evangélicos (a forma do cristianismo mais próxima do judaísmo, sem santos nem culto de imagens) e neste período muitos ciganos estão dando um passo sucessivo para o judaísmo messiânico. Não existe nenhum outro povo no mundo que tenha experimentado um tal número de conversões, quase em massa, em tão pouco tempo. O fato interessante é que este fenômeno não é resultado de obra missionária mas que se manifestou de modo expontâneo e autônomo (efetivamente, os gadjôs dificilmente se atreveriam a evangelizar os "ciganos", devotos das artes ocultas e da magia, segundo os comuns preconceitos). Contra toda probabilidade lógica, ciganos de distintos países e quase contemporâneamente, sem conhecer-se nem comunicar-se entre si, começaram a ler a Bíblia e formar suas próprias comunidades evangélicas. Agora existe a atividade missionária, porém é desenvolvida pelos ciganos mesmos e dirigida ao próprio povo. Isto se explica só considerando que existe uma herança atávica que é um fator especial da espiritualidade romaní. A maioria dos rom agora está abandonando práticas ancestrais originadas no culto do fogo e outras práticas proibidas pela Torá, como a pomana, a adivinhação e outras coisas.
Uma conjectura factível (ressalto: uma conjectura) pode ser que a primeira aproximação ao cristianismo tenha que ver com os bíblicos "magos do oriente" que foram adorar ao infante Yeshua de Nazaré; evidentemente não eram simplesmente adoradores do fogo persas, mas pessoas que esperavam na promessa messiânica de Israel. Portanto, israelitas do antigo Reino de Samaria que nesse tempo estavam já completamente imersos no culto zoroástrico, porém esperando a redenção do próprio povo. Documentos históricos assinalam que no século I d. c. houve conversões em massa na Assíria, onde os apóstolos foram enviados a buscar as "ovelhas perdidas da Casa de Israel", e muitos habitavam precisamente nessa região. Outros apóstolos chegaram à India. Um fato curioso é que os israelitas recentemente descobertos na India são cristãos, não hindus ou de outra religião. A completa ausência de elementos hindus na espiritualidade romaní deve ter um significado.

As leis rituais, "marimé"

O conceito cigano de "marimê" equivale à forma negativa do conceito judeu de "kosher"; o primeiro indica impureza ritual, o segundo se refere à pureza ritual. A parte esta diferença de ponto de vista, a essência é a mesma (é como dizer se o copo está metade cheio ou metade vazio). O que para os rom é marimê, não é kosher para um judeu, portanto ambos tomaram as medidas necessárias para não serem contaminados, ou se se referem à uma contaminação inevitável ou indispensável, ambos seguirão certas regras para purificar-se. Da mesma maneira que é a kashrut no judaísmo, as leis que regulam o marimê são um valor fundamental na sociedade romaní e determinam os limites do ambiente social e espiritual, e condicionam suas relações com o mundo exterior (a sociedade dos gadjôs). Os Rom classificam todas as coisas em duas categorias: "vuzhô" (=kosher, puro) ou "marimê" (impuro). Esta classificação concerne primeiramente ao corpo humano, porém se extende ao mundo espiritual, à casa ou acampamento, animais e coisas.

•O corpo humano: as regras que regem as partes do corpo que devem ser consideradas impuras são exatamente as mesmas que encontramos na Torá (Lei de Moisés), em Levítico cap. 15. Em primeiro lugar, os órgãos genitais, porque transmitem fluxos do interior do corpo, e a parte inferior do corpo, porque está abaixo dos genitais. A parte superior externa do corpo é pura, a boca em primeiro lugar. As mãos tem um caráter transitivo porque devem exercitar atos puros e impuros alternativamente, pelo qual devem ser lavadas de um modo particular, por exemplo se alguém deve comer depois de ter posto os sapatos ou levantado da cama (que é impura porque está em contato com o corpo inferior). Quando as mãos foram contaminadas, devem lavar-se com um sabão separado e secar-se com uma toalha separada para tal fim. Distintos sabões e toalhas se devem usar sempre para as partes superior e inferior do corpo, e não podem ser intercambiados.

•Roupas: devem-se distinguir para serem lavadas separadamente, em diferentes recipientes destinados para cada categoria. As vestes impuras se devem lavar sempre no recipiente marimê, e os vestidos puros por sua vez se separam das toalhas e guardanapos, pois vão à mesa e tem seu próprio recipiente. As vestes do corpo superior e das crianças se lavam no recipiente vuzhô, os do corpo inferior no recipiente marimê. Todos as vestes da mulher são impuras no período das menstruações e se lavam com os artigos marimê. O único povo que aplica estas regras para lavar fora os ciganos são os judeus.

•O acampamento: antes da recente urbanização forçada, o lar romaní era o campo, muito mais que a casa. O campo goza da categoria de pureza territorial, pelo qual as necessidades fisiológicas se devem fazer fora do mesmo e das proximidades (ou eventualmente, os serviços higiênicos se constroem fora do campo); este é um preceito judaico (Deuteronômio 23:12). O lixo também deve ser posto a uma distância aceitável do campo.

•Nascimento: o nascimento de uma criança é um evento impuro e deve ocorrer, quando possível, em uma tenda isolada próxima, fora do campo. Depois do nascimento, a mãe é considerada impura por quarenta dias e sobretudo na primeira semana: esta regra é exclusivamente mosaica, estabelecida na Torá - Levítico 12:2-4 -. Durante esse período, a mulher não pode ter contato com coisas puras ou realizar atividades como cozinhar ou apresentar-se em público, especialmente na presença dos anciães, e não pode assistir a serviços religiosos. São destinados pratos, xícaras e utensílios exclusivamente para ela, os quais se descartam passado o período de purificação, assim mesmo os vestidos e a cama que usou se queimam, e também a tenda onde ela habitou durante esses 40 dias. Esta lei é completamente desconhecida para todos os povos, exceto ciganos e judeus.

•Morte: como prescreve a Lei judaica, a morte de uma pessoa comporta impureza ritual para todos os familiares e todas as coisas que tenham sido involucradas nesse momento. Toda a comida que havia na casa do falecido deve ser jogada, e a família é impura por três dias. Devem-se observar regras particulares durante esses três dias, como lavar-se só com água para não fazer espuma, não pentear-se nem enfeitar-se, nem varrer, nem fazer furos, nem escrever ou pintar, nem tirar fotografias, e muitas outras coisas. Os espelhos devem ser cobertos. O acampamento onde ocorreu a morte é abandonado e transladado a outro lugar, ou se vende a casa aos gadjôs. A alma do defunto se crê que vaga por três dias para purificar-se antes de chegar a sua habitação final: isto não está escrito nas Escrituras Hebréias, porém é uma idéia comum entre algumas correntes místicas do judaísmo. O conceito que estabelece que o contato com o corpo morto implica impureza não se encontra em nenhuma tradição se não só na Bíblia (Levítico 21:1). Assim como está prescrito na Lei Judaica, também entre os rom é obrigatório que o corpo seja sepultado e não pode ser queimado.

•Coisas: podem ser marimê por natureza ou por uso, ou ser contaminadas por circunstâncias acidentais. Qualquer coisa que entre em contato com a parte inferior do corpo é impura, como sapatos, meias, etc., enquanto que as mesas são puras. As regras que concernem estas leis são descritas em Levítico 15 e outras Escrituras Hebraicas.

•Animais: os ciganos consideram que os animais podem ser puros ou impuros, ainda que os parâmetros em base aos quais são classificados diferem dos hebraicos. Por exemplo, cachorros e gatos são marimê porque lambem a si mesmos, cavalos, asnos e todo animal de monta é impuro porque a pessoa se senta sobre eles, etc. Os animais impuros não se devem comer.

•Espíritos: os espíritos maléficos são marimê, o que é um conceito judaico.

Leis matrimoniais

O noivado e as bodas ciganas se celebram da mesma maneira que se fazia no antigo Israel. Os pais de ambos os esposos tem um papel essencial quanto a definir o dote da noiva, e as bodas se devem realizar dentro da comunidade rom, sem participação das instituições dos gadjôs. No caso em que a mulher foge com seu homem sem o acordo dos pais, o casal é automaticamente reconhecido como casado, porém a família do noivo deve pagar um ressarcimento aos pais da noiva, normalmente equivalente ao dobro do dote; tal compensação se chama "kepara", uma palavra que tem o mesmo significado do termo hebreu "kfar" (Deuteronômio 22:28-29). O pagamento do dote por parte da família do noivo aos pais da noiva é um regulamento bíblico, exatamente o contrário dos povos da India, nos quais é a família da noiva que deve pagar à do noivo.
Há um preceito particular que deve ser observado para consolidar o matrimônio, o "pano da virgindade", que deve ser mostrado à comunidade depois da primeira relação sexual - este preceito está escrito na Torá, Deuteronômio 22:15-17. Logo, no caso de casais que fogem tal prática carece de sentido e portanto não é observada.

Comportamento social

Assim como os judeus, os ciganos assumem distintos parâmetros de comportamento para as relações com sua própria gente e para a interação com os estranhos, de modo tal que se pode afirmar que a oposição rom/gadjôs e judeus/goyim são reguladas de maneira muito similar, quiçá idêntica em quase todos os detalhes. Uma vez que os gadjôs não conhecem as leis que concernem ao marimê, são suspeitos de ser impuros ou se supõe que o sejam; alguns rom nem sequer entram em casas de gadjôs - o mesmo costume existia no antigo Israel, e ainda é praticado pelos judeus ortodoxos. Os gadjôs que se fazem amigos dos ciganos são admitidos quando conhecem as regras e as respeitam de modo que não ofendam à comunidade, depois de ter superado algumas "provas" de confiabilidade. Por outro lado, as instituições dos gadjôs se usam como "zona franca", onde se podem realizar atividades impuras com segurança - um exemplo típico é o hospital, que permite evitar de montar uma tenda especial para o parto.
Cortesia, respeito e hospitalidade são obrigatórios entre os ciganos. Quando se cumprimentam cada um deve perguntar pela família do outro, desejando bem e bençãos para todos os membros, ainda que seja a primeira vez que se encontrem e na realidade não se conheçam as respectivas famílias. A própria apresentação inclui os nomes dos pais, avós e todas as gerações que se recordem - o nome e sobrenome civis não tem importância; os ciganos se chamam como no antigo Israel, A filho de B, filho de C, da família D. Isto é comum a vários povos do Oriente Médio, porém o modo como o fazem os ciganos é particularmente bíblico.
As causas judiciais entre os rom se apresentam à assembléia de anciães, exatamente como na Lei Mosaica. A assembléia de anciães se chama "kris", e é uma verdadeira Corte de Justiça, cujas sentenças devem ser obedecidas, do contrário a parte inobservante pode ser excluída da comunidade romaní. Os casos geralmente não são tão sérios para não poderem ser resolvidos com o pagamento de uma multa ou ressarcimento, como está regulado na Torá (Êxodo 21:22, 22:9; Deuteronômio 22:16-19).
Há muitos outros aspectos que podem ser de importância secundária, que mesmo assim recordam os antigos costumes e regras israelitas. Lamentavelmente, tais detalhes se vão perdendo com as novas gerações (como muitos se perderam entre os judeus também) por causa do sistema da sociedade moderna que restringe a liberdade de indivíduos e comunidades "exóticas". Porém, os sentimentos e tendências ciganas devem ser levados sériamente em conta, porque correspondem à uma herança psicológica ancestral que se transmitiu de geração em geração, de maneira subconsciente porém reclamando as próprias orígens. Por exemplo, os ciganos não sentem absolutamente nenhuma atração pela cultura ou a música da India (e mais, as mulheres ciganas tem um timbre de voz baixo, em contraste com as cantoras indianas, um detalhe que pode ser insignificante, porém quiçá não), enquanto que os ciganos gostam muito da música do Oriente Médio. Na Europa oriental, a maioria das expressões musicais são ou judias ou ciganas, e muitas vezes a mesma obra é atribuida ou a uma ou a outra destas duas tradições. As bandas de "klezmorim" tem sido muitas vezes compostas por rom junto com judeus, e o jazz de estilo europeu foi cultivado por ciganos e judeus. O flamenco é provavelmente de orígem sefaradita, praticado pelos judeus antes de serem expulsos da Espanha, e logo herdado e desenvolvido pelos ciganos. Em outros aspectos, os rom tem uma grande habilidade comercial (e se é necessário trabalhar em sociedade, os judeus são os preferidos) e aqueles que escolhem inserir-se profissionalmente na sociedade dos "gadjôs", preferem as mesmas carreiras que escolhem os judeus (provavelmente por motivos relacionados com as leis de pureza ritual, que não permitem que se exercite qualquer tipo de trabalho). Enfim, ainda que não menos importante, os ciganos fazem uma distinção entre os "gadjôs" comuns e os judeus, que não são considerados completamente gadjôs, mas como uma categoria intermediária que observa as leis de pureza ritual e portanto não estão sujeitos a suspeitas.

Conclusão:

Este breve estudo tem como objetivo estabelecer as bases para uma nova, diligente e séria investigação sobre a orígem do povo rom e sintos, que seja fundamentada em aspectos culturais e espirituais em lugar de seguir sustentando uma linha exclusivamente linguística que leva a uma posição equivocada. As evidências apresentadas não excluem categoricamente que os rom possam ter habitado em Kannauj ou alguma outra parte da India, ainda que o vale do Indo pareça ser a região mais apropriada, mas demonstra que de todas as maneiras os ciganos não pertencem às etnias indianas (e muito menos arianas), e que suas raízes são semíticas e mais precisamente hebraicas. Grupos israelitas eram numerosos na India, e tem sido possível redescobrir alguns deles deixando de lado a indicação linguística (porque todos eles falavam línguas indianas) e concentrando a investigação em indícios culturais que revelam a verdadeira orígem, tais indícios tem sido até hoje menos determinantes que os que podemos encontrar na cultura romaní, porém tem sido suficientes para reconhecer a etnicidade israelita.

Sándor Avraham
traduzido por João Romano Filho

Comentários:

«Não sabemos explicar muitos de nossos comportamentos mais expontâneos, porque fazem parte da nossa herança ancestral. Até que alguém acenda uma luz e nos diga claramente o porquê de detalhes que antes nem sequer notávamos. O extraordinário trabalho de pesquisa de Sándor Avraham é esta espécie de espelho, que nos deixa perplexos».
João Romano Filho (Sinto Estraxhari do Brasil)

Há rom que se ocupam da investigação e outras atividades culturais e que dão sua contribuição a este estudo. Aqui desejo citar uma carta de um autêntico kalderash que conhece profundamente sua própria cultura, não só porque sua família conserva o estilo de vida cigano mais "ortodoxo" mas também porque é um intelectual que logrou um alto nível de educação:
«O termo "o Devel", que em romanês significa "o Deus", se diz que deriva do sânscrito "Deva". A mesma palavra em hebreu é "EL". Quando os israelitas chegaram à India, um país com muitos deuses, tendo cada um seu nome, eles recordavam que o próprio se chama EL (o Nome inefável de Deus não podia ser pronunciado, portanto O chamavam simplesmente "Deus", EL), então disseram que adoravam a "Dev-EL", ou seja, "o Deus chamado EL". De fato, todo nome hebreu terminado em "~el" tem que ver com a palavra Deus, e o fato que os rom O chamam "Devel" - ou a forma abreviada "Del" - pode ser na realidade hebreu».
(traduzido do romanês)
Lolya le Yonosko, ande'l Chaykoni (Argentina)

«Para não ignorar a sabedoria local, a primeira coisa que fiz na India foi perguntar a quantas pessoas me foi possível, se sabiam ou tinham ouvido falar de onde vinham os Ciganos da India. Quase sem exceção, me disseram: "nossos Ciganos vieram de Israel"».
Paul Polansky

«Há centenas de famílias rom vivendo em Israel, e se consideram a si mesmos rom e judeus. A maioria deles não só são cidadãos iraelitas, mas também tem a nacionalidade "Yehudim", quer dizer, são cidadãos israelitas judeus. Aqueles que tem cidadania européia vivem como estrangeiros residentes legalmente, gozando do mesmo respeito que seus concidadãos - um respeito maior que o que recebem em seus próprios países, onde ainda há um generalizado sentimento anti-cigano, o que não existe em Israel. Todos os rom que vivem em Israel apoiam com convicção ao Estado de Israel, porque é quiçá o único país onde os ciganos não se sentem como uma minoria estranha mas como um povo que vive em sua própria terra».
Tomas Milanovich

«É interessante considerar o povo chamado "habiru" ou "apiru" nos documentos antigos existentes em todo o Oriente Médio, em quase todos os países desde a Mesopotâmia e Anatólia até o Egito. Este termo é equivalente ao bíblico "hebreus" e era usado exatamente do mesmo modo que "cigano" na sociedade moderna (implicando os mesmos prejuízos):
Shulgi de Ur (ca 2150 bce) os descreve como "gente que viaja em silêncio, que destroi tudo, que vai aonde quer - arma suas tendas e seus acampamentos - passa o tempo no país sem observar os decretos do rei". Em seu registro da conquista de Jaffa, o general Toth do faraó Tuthmoshe III do Egito (ca 1440bce) pede que "seus cavalos sejam levados para dentro da cidade, para que não se nos roube algum passante apiru" (o roubo de cavalos parece que era uma de suas atividades bem conhecidas).
Em língua suméria, são definidos com o logograma “SA.GAZ”, pronuncia-se GUB.IRU, e são vistos como gente "sem lei". que não obedece às leis dos demais, de modo que são lei para si mesmos.
"Habiru" era uma definição genérica para vagabundos sem cidadania nem classe social: a Bíblia diz "Abrão o hebreu" porque Abrão era apátrida. Também os filhos de Israel eram apátridas, não tendo nenhuma relação com cidades e tribos reconhecidas, portanto descritos pelos egípcios como "apiru".
Num princípio eram considerados gente de orígem hurrita, ou seja, do país onde habitava Avraham antes de suas viagens em Canaã e Egito. Antigos documentos afirmam que os habiru estavam dispersos por toda a Ásia ocidental por séculos até ca 1100 bce, e o termo é usado com o significado de "vagabundos", "os que passam de uma parte a outra".
É significativo o fato de que este termo desaparece em coincidência com a aparição do novo nome "Israel" que o recoloca. Os habirus adquirem uma identidade nacional e um estado reconhecido. Os israelitas não se chamavam a si mesmos "hebreus", mas era um termo com o qual os outros os identificavam, no mesmo modo que os rom não se chamam a si mesmos "ciganos", mas os demais lhes chamam assim».
Antoshka (Argentina)

«Creio que aqueles que tinham temor agora podem se apresentar com orgulho, e aqueles que não sabem quem somos na realidade, um dia cobrirão a boca com as mãos pela vergonha. Antes ainda que a verdade sobre nossa herança me tivesse sido revelada, eu lia todo gênero de literatura que pudesse ajudar a encontrar as nossas "raízes". Mas tudo o que encontrei era sempre escrito pelos gadjôs, para os gadjôs! Então o que eu fazia era perscrutar as primeiras páginas e logo que via aparacer a "teoria indiana", fechava o livro. Meu coração não confirmava as supostas evidências que eles propunham e eu sabia que não era a verdade, ainda que não sabia qual podia ser a verdade. Eu sei que este estudo chegou neste tempo para aqueles que Deus está elegendo para lhes revelar a verdade».
Jamie Hanley “La Cshay” (bailarina de Flamenco - Califórnia)

Fonte: http://www.imninalu.net/Roma.htm

Fonte: http://www.kumpaniaromai.com.br/textos/origemdopovocigano.htm

imagem cigano: https://br.pinterest.com/pin/298574650276813129/

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Se existe saudade - Letícia Thompson

A saudade é esse passarinho que vem de leve e pousa no nosso coração trazendo lembranças, como um colibri que beija a flor e traz beleza.

E ela nem escolhe hora ou lugar, só aparece assim, invadindo inteiramente esse espaço que consideramos reservado às pessoas ou ocasiões especiais.

Mas se existe saudade, é porque existem sementinhas de ternura plantadas em nós; pedacinhos de coisas boas, que talvez nem tenham ficado muito tempo, mas o suficiente para deixar um rastro, um sabor, uma marca, um perfume.

Outro dia, falando sobre a saudade que sinto da minha família virtual, ouvi, com surpresa, alguém dizer que não é possível sentir saudade de pessoas que nunca vimos.

E como não?

Que nome dar então a essa falta, esse vazio nostálgico, dolorido e bom que invade a alma e toma conta do momento?

Essa viagem que fazemos sem malas e documentos e que nos leva e nos trás, cheios de amor e de não sei o quê?

A saudade é uma prova, um certificado, carimbado e assinado embaixo de que não estamos inteiramente sós e nem vazios.

As pessoas vêm e vão e ficam assim se prolongando em nós, existindo pela eternidade do nosso caminho.

E amanhã ou depois, quando tudo o que sobrar em nós forem pedaços do passado, teremos esse coração rico em histórias que nos farão rir sozinhos e nos sentir vivos.

São essas as peças que os verdadeiros amigos pregam ao nosso coração.

Caímos nessa armadilha e ainda nos divertimos.Aprendemos assim que sentir saudade é respirar o amor que plantaram em nós.

É viver depois repletos desse amor para a vida toda.

 

Letícia Thompson

Fonte: http://www.leticiathompson.net/Se_existe_saudade_LT.html

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Lua a cadelinha do Tibete

 

Esta história foi inspirada pelo sacrifício e coragem dos que lutam para ser livres.

Não é invulgar no Tibete os pais mandarem os filhos pelos trilhos das montanhas, na esperança de que estes encontrem refúgio no Nepal.

Durante o inverno, quando esses desfiladeiros não são severamente vigiados, o frio agreste é considerado uma ameaça bem menor do que permanecer em casa.

Muitas dessas crianças conseguiram chegar ao Nepal, muitas voltaram para trás, e muitas mais, pura e simplesmente, desapareceram.

Lua, a cadela desta história, é uma terrier tibetana.

A raça é muito antiga e tem um passado interessante.

Diz-se que os cães eram inicialmente mantidos como companheiros nos mosteiros isolados que existem no que viria a ser chamado “O Vale Perdido do Tibete”.

Como eram edificados nas profundezas das montanhas do Himalaia, o percurso de entrada e saída desses mosteiros era muito difícil.

Os cães eram inteligentes, leais, e tinham um sentido de orientação infalível.

Também se dizia que traziam sorte.

Tal como Lua, aprenderam de cor as passagens secretas para entrar e sair das montanhas.

Nunca eram vendidos, porque fazer isso seria “vender a sua própria boa sorte.”

Os cães eram, no entanto, oferecidos como presentes a pessoas que se tinha em alta estima.

Uma destas ofertas foi eventualmente trazida para Inglaterra e tornou-se o fundador da raça dos terriers tibetanos, tal como agora os conhecemos.

Com a sua capa dupla de lã e pelo, e largas patas com “sapatos de neve”, os cães eram perfeitamente adequados à vida difícil que tinham de levar.

Eram chamados “os homenzinhos” pelos Tibetanos e, como membros da família, esperava-se que cumprissem a sua parte nas tarefas.

Assim, tornaram-se guardadores de rebanhos e cães de guarda.

Agora, já não têm outras caraterísticas do terrier além do seu tamanho e, devido à sua natureza calma e segura, bem como à sua grande inteligência, são animais de estimação muito queridos das famílias com quem partilham as vidas.

Lua, a Cadelinha do Tibete é uma história acerca da bravura e da força espiritual.

É também uma história sobre a família, o espírito de sacrifício, e todas as coisas maravilhosas que o amor pode fazer surgir.

Muitas vezes é necessária uma grande coragem para ir em busca das coisas que são importantes para nós, ainda que tenhamos a sorte de ter na nossa vida a dádiva inestimável da liberdade. Mas há muitas pessoas no mundo que nunca irão conhecer esta dádiva.

Todos nós merecemos o direito de exprimir o que pensamos, de ler os livros que pretendemos ler, de praticar a nossa religião, e de viver sem sentir medo.

Estas são coisas que todos os pais desejam para os seus filhos.

Como escritora e educadora, as minhas esperanças para vós — para todas as crianças — são exatamente as mesmas.

Uma manhã bem cedo, o sol elevou-se sobre o topo das montanhas do Tibete.

Uma luminosidade pálida espalhava-se por todo o vale e tingia de rosa suave as paredes de um antigo mosteiro.

Os monges que ali viviam estavam a pé há muitas horas, cantando e orando.

Depois, partiriam para os seus afazeres, e os sons que enchiam as manhãs atarefadas flutuariam através do fino ar da montanha.

Tenzin saiu para varrer as escadas.

Um pequeno cãozito seguiu-o.

Havia outros cães no mosteiro, mas esta fêmea, Lua, tinha elegido o jovem monge como seu dono.

Ora o seguia pelos corredores sombrios, ora ficava ao lado dele, imóvel como um leãozinho de pedra, quando ele fechava os olhos em oração.

À noite, quando Tenzin se instalava na sua cama estreita,

Lua enroscava-se em volta dos seus pés.Ali, no mosteiro, a vida era vivida em paz.

Como todos os cães do mosteiro, Lua passeava pelas encostas das montanhas. Devido ao seu pelo espesso, o vento e o frio não a incomodavam.

Os seus pés largos e chatos ajudavam-na a caminhar com segurança sobre o solo invernoso.

Tenzin costumava vê-la a subir cada vez mais alto até que, finalmente, desaparecia para além da montanha.

Mas o monge não se preocupava, porque a cadelinha conhecia os trilhos da montanha melhor do que qualquer outro cão.

E o tempo ia passando, tranquilo e calmo.

Um dia, ao fim da tarde, quando Tenzin estava sentado a meditar perto da porta do mosteiro, ouviu um som. Lua também ouviu.

A cadelinha levantou a cabeça e ficou a olhar para a escuridão.

Muito devagar, duas crianças saíram do meio da neblina.

Tenzin já antes tinha visto crianças assim, embora poucas fossem tão jovens.

Tentavam atravessar para o Nepal, na esperança de serem livres.

Caminhavam apressadas em plena noite, para poder escapar aos soldados que guardavam as fronteiras.

 Já chegámos? — perguntou a menina, que se agarrava firmemente à mão do rapazinho.

— Já estamos no Nepal?— Não. Ainda não — respondeu Tenzin, sem coragem para lhes dizer que a viagem ainda iria ser longa e perigosa.

Depois de Lua ter cheirado as pernas deles, deixou-os entrar.

Os monges levaram as crianças até perto do fogo.

Foi servida sopa quente e a menina falou devagar enquanto comia.

A mãe deles tinha-os mandado partir já há muitos dias.

“Vocês têm que atravessar as montanhas e deixar o Tibete,” tinha ela dito.

“Depois serão livres.”Vestira-os com camadas de camisolas e calçara meias grossas nos seus pés.

Sabia que os filhos teriam que partir no inverno, quando os desfiladeiros não eram tão cuidadosamente vigiados, mas temia que eles se perdessem para sempre no meio das tempestades impiedosas e das neves profundas.

— Tu vens também, mãe? — perguntou o filho.— Claro que vou — respondeu ela, calmamente.

A mãe não conseguira encarar os olhos tristes da filha.

— Até eu partir, eis o que vocês têm de fazer — disse, desenrolando uma peça de tecido.

— Uma bandeira de orações — exclamou o rapaz, que adorava ouvir o adejar das bandeiras ao sabor do vento.

— Tens de manter isto junto ao coração — disse a mãe, dobrando a bandeira e aconchegando-a junto à pele do filho.

— Quando chegarem ao Nepal, amarrem-na a um templo e deixem-na flutuar ao vento.

As orações que vou enviar convosco vão elevar-se aos céus e voltar para mim.

Nessa altura, saberei que estão a salvo.

As crianças pareciam ter caminhado durante uma eternidade, seguindo as estradas pedregosas que serpenteavam através das montanhas.

Finalmente, tinham chegado ao mosteiro.

Tenzin abanou a cabeça enquanto os observava, cabeceando cheios de sono sobre as taças de sopa.

Embora tivessem viajado de muito longe, iriam provavelmente ficar por ali. “Vão mandá-los regressar”, sussurrou para si próprio.

Durante toda a noite, Tenzin ficou acordado, a pensar no que deveria fazer. Antes do amanhecer, levantou-se e orou com os outros monges.

Depois, dirigiu-se para as portas do mosteiro, seguido por Lua e pelas crianças.

— Os guardas não vos vão deixar passar — disse-lhes. — Não podem ir pela estrada da montanha.— Mas só conhecemos esse caminho — disse-lhe a rapariga.— A Lua conhece outros — respondeu Tenzin.

Ajoelhou-se para afastar o longo pelo dos olhos da cadelinha e pediu:

— Leva-os. Mostra-lhes o caminho.Lua olhou para a cara de Tenzin por momentos e depois saiu em direção às montanhas.

A menina ia agarrada à mão do irmão e o rapaz ia agarrado à cadelinha.

Tenzin observou-os durante longos momentos.

Mesmo antes das três figuras desaparecerem para além das montanhas, teve a certeza de que viu a pequena cabecinha de Lua voltar-se para olhar para trás, para ele.

Depois, desapareceram.

Todos os dias Tenzin espiava as encostas das montanhas, mas não via Lua.

Orava e voltava para os seus estudos.

À noite, dormia sozinho, sentindo uma dor no coração, no lugar onde em tempos só a paz tinha existido.

Os dias tornaram-se semanas.

O verão passou a outono e, quando o inverno chegou, o mosteiro ficou como que enclausurado pela neve.

Numa manhã fria de primavera, Tenzin pôs-se a caminhar em direção aos raios do sol. Pingentes de gelo soltavam-se dos beirais do mosteiro e manchas de terra molhada brilhavam na encosta da montanha.

Então, uma das manchas moveu-se e um latido soou!

Uma pequena forma desceu lentamente a ladeira.

Tenzin correu ao encontro de Lua. Pegou nela e transportou-a para o mosteiro.

Os monges deram mostras de regozijo, enquanto acariciavam e mimavam Lua.

O seu pelo estava sujo e emaranhado, e as almofadinhas das suas patas estavam feridas.

Quando Tenzin lhe fez festas nas orelhas e no pescoço, apercebeu-se de algo.

Por baixo do longo pelo do cão estava um rolo de tecido.

Tenzin desatou-o e agitou-o.“A bandeira das orações,” murmurou, surpreendido.

Com Lua e os monges a segui-lo, Tenzin saiu do mosteiro e, com cuidado, prendeu a bandeira a uma corda, para que pudesse flutuar ao vento.

Mais tarde, nessa noite, Tenzin estava deitado na cama.

Lua estava enroscada aos seus pés, imóvel, mas sempre em guarda.

De repente, levantou a cabeça, ouvindo qualquer coisa que só os cães conseguiriam ouvir.

Era um som tão doce como as risadas distantes de crianças felizes, um som tão suave como o sorriso de uma mãe.

O som desvaneceu-se como fumo na escuridão.Lua, a cadelinha, baixou a cabeça e fechou os olhos.

E, de novo envoltos em paz, ela e Tenzin adormeceram.

Maxine TrottierLittle dog MoonToronto, Stoddart Kids, 2000(Tradução e adaptação)

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Lua, a cadelinha do Tibete

Esta história foi inspirada pelo sacrifício e coragem dos que lutam para ser livres.

Não é invulgar no Tibete os pais mandarem os filhos pelos trilhos das montanhas, na esperança de que estes encontrem refúgio no Nepal.

Durante o inverno, quando esses desfiladeiros não são severamente vigiados, o frio agreste é considerado uma ameaça bem menor do que permanecer em casa.

Muitas dessas crianças conseguiram chegar ao Nepal, muitas voltaram para trás, e muitas mais, pura e simplesmente, desapareceram.

Lua, a cadela desta história, é uma terrier tibetana.

A raça é muito antiga e tem um passado interessante.

Diz-se que os cães eram inicialmente mantidos como companheiros nos mosteiros isolados que existem no que viria a ser chamado “O Vale Perdido do Tibete”.

Como eram edificados nas profundezas das montanhas do Himalaia, o percurso de entrada e saída desses mosteiros era muito difícil.

Os cães eram inteligentes, leais, e tinham um sentido de orientação infalível.

Também se dizia que traziam sorte.

Tal como Lua, aprenderam de cor as passagens secretas para entrar e sair das montanhas.

Nunca eram vendidos, porque fazer isso seria “vender a sua própria boa sorte.”

Os cães eram, no entanto, oferecidos como presentes a pessoas que se tinha em alta estima.

Uma destas ofertas foi eventualmente trazida para Inglaterra e tornou-se o fundador da raça dos terriers tibetanos, tal como agora os conhecemos.

Com a sua capa dupla de lã e pelo, e largas patas com “sapatos de neve”, os cães eram perfeitamente adequados à vida difícil que tinham de levar.

Eram chamados “os homenzinhos” pelos Tibetanos e, como membros da família, esperava-se que cumprissem a sua parte nas tarefas.

Assim, tornaram-se guardadores de rebanhos e cães de guarda.

Agora, já não têm outras caraterísticas do terrier além do seu tamanho e, devido à sua natureza calma e segura, bem como à sua grande inteligência, são animais de estimação muito queridos das famílias com quem partilham as vidas.

Lua, a Cadelinha do Tibete é uma história acerca da bravura e da força espiritual.

É também uma história sobre a família, o espírito de sacrifício, e todas as coisas maravilhosas que o amor pode fazer surgir.

Muitas vezes é necessária uma grande coragem para ir em busca das coisas que são importantes para nós, ainda que tenhamos a sorte de ter na nossa vida a dádiva inestimável da liberdade. Mas há muitas pessoas no mundo que nunca irão conhecer esta dádiva.

Todos nós merecemos o direito de exprimir o que pensamos, de ler os livros que pretendemos ler, de praticar a nossa religião, e de viver sem sentir medo.

Estas são coisas que todos os pais desejam para os seus filhos.

Como escritora e educadora, as minhas esperanças para vós — para todas as crianças — são exatamente as mesmas.

Uma manhã bem cedo, o sol elevou-se sobre o topo das montanhas do Tibete.

Uma luminosidade pálida espalhava-se por todo o vale e tingia de rosa suave as paredes de um antigo mosteiro.

Os monges que ali viviam estavam a pé há muitas horas, cantando e orando.

Depois, partiriam para os seus afazeres, e os sons que enchiam as manhãs atarefadas flutuariam através do fino ar da montanha.

Tenzin saiu para varrer as escadas.

Um pequeno cãozito seguiu-o.

Havia outros cães no mosteiro, mas esta fêmea, Lua, tinha elegido o jovem monge como seu dono.

Ora o seguia pelos corredores sombrios, ora ficava ao lado dele, imóvel como um leãozinho de pedra, quando ele fechava os olhos em oração.

À noite, quando Tenzin se instalava na sua cama estreita,

Lua enroscava-se em volta dos seus pés.Ali, no mosteiro, a vida era vivida em paz.

Como todos os cães do mosteiro, Lua passeava pelas encostas das montanhas. Devido ao seu pelo espesso, o vento e o frio não a incomodavam.

Os seus pés largos e chatos ajudavam-na a caminhar com segurança sobre o solo invernoso.

Tenzin costumava vê-la a subir cada vez mais alto até que, finalmente, desaparecia para além da montanha.

Mas o monge não se preocupava, porque a cadelinha conhecia os trilhos da montanha melhor do que qualquer outro cão.

E o tempo ia passando, tranquilo e calmo.

Um dia, ao fim da tarde, quando Tenzin estava sentado a meditar perto da porta do mosteiro, ouviu um som. Lua também ouviu.

A cadelinha levantou a cabeça e ficou a olhar para a escuridão.

Muito devagar, duas crianças saíram do meio da neblina.

Tenzin já antes tinha visto crianças assim, embora poucas fossem tão jovens.

Tentavam atravessar para o Nepal, na esperança de serem livres.

Caminhavam apressadas em plena noite, para poder escapar aos soldados que guardavam as fronteiras.

 Já chegámos? — perguntou a menina, que se agarrava firmemente à mão do rapazinho.

— Já estamos no Nepal?— Não. Ainda não — respondeu Tenzin, sem coragem para lhes dizer que a viagem ainda iria ser longa e perigosa.

Depois de Lua ter cheirado as pernas deles, deixou-os entrar.

Os monges levaram as crianças até perto do fogo.

Foi servida sopa quente e a menina falou devagar enquanto comia.

A mãe deles tinha-os mandado partir já há muitos dias.

“Vocês têm que atravessar as montanhas e deixar o Tibete,” tinha ela dito.

“Depois serão livres.”Vestira-os com camadas de camisolas e calçara meias grossas nos seus pés.

Sabia que os filhos teriam que partir no inverno, quando os desfiladeiros não eram tão cuidadosamente vigiados, mas temia que eles se perdessem para sempre no meio das tempestades impiedosas e das neves profundas.

— Tu vens também, mãe? — perguntou o filho.— Claro que vou — respondeu ela, calmamente.

A mãe não conseguira encarar os olhos tristes da filha.

— Até eu partir, eis o que vocês têm de fazer — disse, desenrolando uma peça de tecido.

— Uma bandeira de orações — exclamou o rapaz, que adorava ouvir o adejar das bandeiras ao sabor do vento.

— Tens de manter isto junto ao coração — disse a mãe, dobrando a bandeira e aconchegando-a junto à pele do filho.

— Quando chegarem ao Nepal, amarrem-na a um templo e deixem-na flutuar ao vento.

As orações que vou enviar convosco vão elevar-se aos céus e voltar para mim.

Nessa altura, saberei que estão a salvo.

As crianças pareciam ter caminhado durante uma eternidade, seguindo as estradas pedregosas que serpenteavam através das montanhas.

Finalmente, tinham chegado ao mosteiro.

Tenzin abanou a cabeça enquanto os observava, cabeceando cheios de sono sobre as taças de sopa.

Embora tivessem viajado de muito longe, iriam provavelmente ficar por ali. “Vão mandá-los regressar”, sussurrou para si próprio.

Durante toda a noite, Tenzin ficou acordado, a pensar no que deveria fazer. Antes do amanhecer, levantou-se e orou com os outros monges.

Depois, dirigiu-se para as portas do mosteiro, seguido por Lua e pelas crianças.

— Os guardas não vos vão deixar passar — disse-lhes. — Não podem ir pela estrada da montanha.— Mas só conhecemos esse caminho — disse-lhe a rapariga.— A Lua conhece outros — respondeu Tenzin.

Ajoelhou-se para afastar o longo pelo dos olhos da cadelinha e pediu:

— Leva-os. Mostra-lhes o caminho.Lua olhou para a cara de Tenzin por momentos e depois saiu em direção às montanhas.

A menina ia agarrada à mão do irmão e o rapaz ia agarrado à cadelinha.

Tenzin observou-os durante longos momentos.

Mesmo antes das três figuras desaparecerem para além das montanhas, teve a certeza de que viu a pequena cabecinha de Lua voltar-se para olhar para trás, para ele.

Depois, desapareceram.

Todos os dias Tenzin espiava as encostas das montanhas, mas não via Lua.

Orava e voltava para os seus estudos.

À noite, dormia sozinho, sentindo uma dor no coração, no lugar onde em tempos só a paz tinha existido.

Os dias tornaram-se semanas.

O verão passou a outono e, quando o inverno chegou, o mosteiro ficou como que enclausurado pela neve.

Numa manhã fria de primavera, Tenzin pôs-se a caminhar em direção aos raios do sol. Pingentes de gelo soltavam-se dos beirais do mosteiro e manchas de terra molhada brilhavam na encosta da montanha.

Então, uma das manchas moveu-se e um latido soou!

Uma pequena forma desceu lentamente a ladeira.

Tenzin correu ao encontro de Lua. Pegou nela e transportou-a para o mosteiro.

Os monges deram mostras de regozijo, enquanto acariciavam e mimavam Lua.

O seu pelo estava sujo e emaranhado, e as almofadinhas das suas patas estavam feridas.

Quando Tenzin lhe fez festas nas orelhas e no pescoço, apercebeu-se de algo.

Por baixo do longo pelo do cão estava um rolo de tecido.

Tenzin desatou-o e agitou-o.“A bandeira das orações,” murmurou, surpreendido.

Com Lua e os monges a segui-lo, Tenzin saiu do mosteiro e, com cuidado, prendeu a bandeira a uma corda, para que pudesse flutuar ao vento.

Mais tarde, nessa noite, Tenzin estava deitado na cama.

Lua estava enroscada aos seus pés, imóvel, mas sempre em guarda.

De repente, levantou a cabeça, ouvindo qualquer coisa que só os cães conseguiriam ouvir.

Era um som tão doce como as risadas distantes de crianças felizes, um som tão suave como o sorriso de uma mãe.

O som desvaneceu-se como fumo na escuridão.Lua, a cadelinha, baixou a cabeça e fechou os olhos.

E, de novo envoltos em paz, ela e Tenzin adormeceram.

Maxine TrottierLittle dog MoonToronto, Stoddart Kids, 2000(Tradução e adaptação)

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Das Vantagens de Ser Bobo

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo.

O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas.

Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde:

"Estou fazendo. Estou pensando.

"Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem.

Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas.

O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver.

O bobo nunca parece ter tido vez.

No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.

Há desvantagem, obviamente.

Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco.

Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer.

Resultado: não funciona.

Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro.

Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo.

Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado.

O esperto vence com úlcera no estômago.

O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros.

Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera.

É uma das tristezas que o bobo não prevê.

César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?

"Bobo não reclama.

Em compensação, como exclama!

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu.

Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos.

Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil.

Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos.

Os espertos ganham dos outros.

Em compensação os bobos ganham a vida.

Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie.

Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil).

Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo.

Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas.

É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca.

É que só o bobo é capaz de excesso de amor.

E só o amor faz o bobo.

Clarice Lispector

 

Fonte: https://www.pensador.com/frase/NjY4MTUz/

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Renata Tebaldi

Renata Tebaldi

Tebaldi nasceu como Renata Ersilia Clotilde Tebaldi em 1º de fevereiro de 1922, em Pesaro.[3] Ela era a filha de um violoncelista, Teobaldo Tebaldi,[4] e Giuseppina Barbieri, uma enfermeira.[5] Sofreu de poliomielite, mas conseguiu curar-se completamente. Ela foi criada, durante a maior parte do tempo, em Langhirano, próximo a Parma, pela sua mãe, já que o seu pai não era exactamente um esposo exemplar e um pai admirável. Ainda muito cedo, interessou-se pelo canto, e precisou mentir sua idade, ainda de dezasseis anos, para entrar no Conservatório Arrigo Boito, que só permitia alunas acima dos dezoito anos. Em 1940, Tebaldi voltou a Pesaro para estudar com a renomada soprano da Escola Verista Carmen Melis.

Em 1944, Tebaldi debutou em Rovigo como Elena, em Mefistofele, de Arrigo Boito. Em 1945, ela debutou em dois dos seus maiores papéis: Mimì, de La Bohème, e Desdêmona, de Otello. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, o Teatro alla Scala foi reaberto, e ela foi convidada por Arturo Toscanini para cantar no concerto de abertura a preghiera (pregação) de Mosè in Egitto, de Gioacchino Rossini, e o Te Deum, de Giuseppe Verdi. A reputação de Renata Tebaldi cresceu rapidamente, e logo ela se tornou a maior promessa do canto na Itália. Foi nessa ocasião que surgiu o famoso apelido La Voce d'Angelo (a voz de anjo), pelo qual Tebaldi se tornou conhecida até hoje.

Após esse debute no La Scala, Tebaldi passou a cantar Mimì, Desdêmona, Maddalena (de Andrea Chénier), Aida, Tosca e Violetta (de La Traviata), além de alguns papéis wagnerianos (em italiano): Elsa, de Lohengrin, Eva, de Os Mestres Cantores de Nuremberg e Elisabeth, de Tannhäuser. Entre 1951 e 1952, Tebaldi também resgastou algumas óperas do Bel Canto, embora ela não fosse ficar muito associada a esse repertório futuramente: O Sítio de Corinto e Guillaume Tell, ambas de Rossini; Olimpia e Fernand Cortez, de Spontini.

Em 1950, Tebaldi viajou com a companhia do La Scala para cantar no Festival de Edimburgo e no famoso Covent Garden, em Londres, e impressionou as platéias com sua Desdêmona e sua interpretação no Requiem de Giuseppe Verdi. No mesmo ano, Tebaldi teve grande sucesso com seu debute norte-americano em San Francisco, onde cantou Desdêmona e Aida. A partir de então, sua fama internacional alastrou-se rapidamente, e ela se tornou uma das maiores divas da nova geração.

Os anos de estrelato
O apogeu da carreira de Tebaldi se deu nos anos 1950 e 60. Nesse período, não só ela ficou famosa pelo seu timbre único e pela sua maestria nos papéis verdianos e veristas, como ficou conhecida pela rivalidade existente entre ela e Callas. Esta irrompeu, em 1951, durante a temporada do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e continuou por longos anos, até terminar definitivamente em 1968, quando Callas e Tebaldi se abraçaram após uma performance da diva italiana na ópera Adriana Lecouvreur.

Durante seu período de estrelato, Tebaldi reinou em papéis como Leonora (La Forza del Destino), Cio-Cio-San (Madama Butterfly), Adriana Lecouvreur, Tosca, La Wally, Manon Lescaut e Maddalena (Andrea Chénier). Em janeiro de 1955, ela fez seu debute no Metropolitan Opera, de Nova York, como Desdêmona, e desde então se tornou uma das mais ouvidas e amadas sopranos do teatro.

Em 1963, Renata Tebaldi enfrentou um período de crise vocal, e parou durante um tempo para descansar e reeducar novamente sua voz. Voltando em 1964, Tebaldi apareceu com uma voz mais segura e de grande beleza, embora tenha adquirido um relativo peso, que antes não existia e os seus agudos tenham adquirido uma qualidade relativamente estridente. No entanto, continuou a cantar, com maestria total, muitos de seus papéis anteriores. Devido às suas novas condições vocais, ela pôde adicionar ao seu repertório o dramático papel de La Gioconda, da ópera homônima de Amilcare Ponchielli, com o qual obteve o maior sucesso da temporada de abertura do novo prédio do Metropolitan Opera House. Nessa nova fase da carreira, Tebaldi praticamente abandonou a Europa e passou a apresentar-se basicamente na América do Norte.

Anos pós-estrelato
Renata Tebaldi fez sua última aparição no Metropolitan Opera em 1972, como Desdêmona, ao lado do tenor James MacCracken. Em 1973, ela saiu definitivamente dos palcos, mas continuou cantando até o dia 23 de maio de 1976, quando se despediu do La Scala para sempre. Após o fim da carreira, Tebaldi auxiliou vários cantores jovens, como a norte-americana Aprile Millo, mas se recusou a trabalhar oficialmente como professora de canto. Durante as últimas décadas de sua vida, viveu entre Milão e San Marino e continuou a receber e a responder com carinho cartas e telefonemas de seus fãs.

Tebaldi recebeu vários prêmios durante sua vida e morreu em 19 de dezembro de 2004.

Características vocais
Renata Tebaldi possuía uma belíssima voz de soprano lírico-spinto, uma das mais volumosas vozes dos últimos tempos - generosa no registro médio, e grave e curta, mas possante, no registro agudo. Apesar da amplidão da voz, sempre a moldava com extrema sensibilidade e técnica. Os maiores trunfos do canto da soprano italiana estavam no legato, na respiração e no fraseado. Com essas grandes qualidades, Tebaldi conseguia imprimir grande expressividade às suas personagens, embora, no palco, nem sempre fosse a mais intensa das artistas quanto aos gestos e às expressões faciais. Sua arte era extremamente refinada e vinda diretamente das escolas de canto mais antigas, das quais ela foi uma das últimas representantes. Seu legado foi particularmente importante nas óperas de Giacomo Puccini e Giuseppe Verdi.

https://youtu.be/1woH96ROG-c

Referências
Cramer, Alfred W. (2009). Musicians and composers of the 20th century (em inglês). [S.l.]: Salem Press. p. 1483. ISBN 978-1-58765-517-3. Consultado em 19 de dezembro de 2013.
Anthony Tommasini (20 de dezembro de 2004). «Renata Tebaldi, 82, Soprano With 'Voice of an Angel,' Dies» (em inglês). NYTimes. Consultado em 19 de dezembro de 2012.
Casanova, Carlamaria (1981). Renata Tebaldi: la voce d'angelo (em inglês). [S.l.]: Electa. p. 13. Consultado em 19 de dezembro de 2013.
Current Biography Yearbook (em inglês). [S.l.]: H. W. Wilson Company. 1956. p. 599. Consultado em 19 de dezembro de 2013.
Seroff, Victor Ilyitch (1970). Current Biography Yearbook (em inglês). [S.l.]: Books for Libraries Press. p. 13. ISBN 978-0-8369-8048-6

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