Posts de Paolo Lim (475)

BRONZE BABPEAPAZ

RÁPIDO VERSEJO

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Um verso diversificado,
imune, solto, não asfixiado,
prosaico nos enunciados,
impune dos normais predicados.

Um verso desmetrificado,
branco ou preto, mulato,
procurando resultados,
intransigente, ousado.

Um verso no reverso,
sem rumo, impresso,
especulativo, perverso,
sobretudo um verso...

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BRONZE BABPEAPAZ

CARIOCAS

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Sinto o que me exaspera.
O mesmo, desde o tempo das cavernas:
- A canalhice transmitida era à era.

Anseio o verão...
Meu coração é quente
e o quer, tão somente.

No frio adoeço, esqueço, passo mal.
Quero espaguete a carbonara,
Búzios e a Costa do Sol.

Baia da Guanabara,
cerâmica Marajoara,
cacos e destroços,
mergulhados ou expostos.

Praia dos Ossos,
beleza dos corpos,
baixos, altos, magros,
elegantes, sarados.

Meus olhos tão ricos
olhando nádegas e, dos peitos, bicos,
tão expostos, queimadinhos, magníficos.

Cariocas não são tolos,
em meio a todos esses rolos,
elegeram um Bispo da Universal...
Aí tem malandragem, legal:

- Reivindicarão pagar o dízimo,
dez por cento dos salários mensais,
o que lhes sairá muito abaixo 
dos custos com Impostos Municipais.

Nada de Fé no Bispo,
estão fora deste navio,
podem acender o pavio
e aguardar a explosão.

Ninguém morrerá, está vazio.
Apenas poluirá o ar do Rio
e reverenciará Salomão.

Cospe fora esta tristeza,
chame o Bope, leve a Tereza,
vamos compor um sambão.

A maioria se absteve, votou em branco, anulou.
Esse Bispo ainda não sabe a truta que arrumou...

Mas já foi Ministro da Pesca,
conhece bem um cação.
Caso não, só lhe resta,
virar homem bala de canhão.

Precisará de Deus e o Diabo
se quiser chegar ao fim e dar cabo,
do cargo ao qual perdeu a eleição.

Ou então voltará mais cedo,
para sua vaga no Senado,
ou para junto do Macedão.

Eles pensam que somos idiotas,
acusam, metem medo, contam lorotas,
e se esquecem que somos Cariocas.

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BRONZE BABPEAPAZ

SACI PEPERÊ

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Lá vem o redemoinho,
as folhas todas girar.
Levando coisas da terra -
paus e panelas -
pro ar, girar, rodar...

Lá vem o redemoinho,
nascido nas ondas do mar.
Trazendo no bojo um menino, 
muito traquino,
prá nos assustar...

Lá vem o redemoinho,
e não está longe daqui.
É bom tomarmos cuidado,
ficarmos ligados
pois traz um Saci...

Lá vem o redemoinho,
estou avisando você.
Apesar de ser bonitinho,
esconde todinho
um Saci Pererê,,,

Lá vem o redemoinho,
casa do moleque Saci.
Que apita, dá uns saltinhos,
assusta os bichinhos
e ri, e ri, e ri...

Lá vem o redemoinho,
pertinho do boi cotó.
Depenando aquele galinho,
o Saci espertinho,
pula numa perna só...

Lá vem o redemoinho,
agora em meio ao curral.
Escondendo aquele neguinho
fumando cachimbo
bagunçando total.

(31 de Outubro, dia do SACI PERERÊ - instituído em 2005 para homenagear essa lenda do folclore brasileiro que retrata um menino negrinho duma perna só, com as mãos furadas, cachimbo na boca, um gorro vermelho e que mora escondido em redemoinhos.)

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BRONZE BABPEAPAZ

FALANDO NA PRAÇA

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(Cenário do poema: - O poeta chega no Largo da Carioca, centro do Rio de Janeiro, sobe em cima dum caixote e começa recita-lo. Os transeuntes param para ouvi-lo.)

Respeitável público, não se assuste,
serão palavras simples que se lhes ajustem.

Nobres passantes, parem, ouçam o que digo.
Garanto que não pagarão mico.

Ó bêbados e prostitutas, ponham-se à escuta.
Excelcius irmãos marginais, venham prá luta !

No correr destes meus versos
servirei vinhos diversos.

Trata-se dum poema rimado
que a crítica haverá de execrá-lo.

Mas deixem prá lá. Não ligo.
Não enxergam o próprio umbigo...

Neste ossário que nos achamos
há crânios de diversos tamanhos.

Vejam aquele mendigo-menino:
- Terá sonhos enquanto dormindo ?

E o cachorro ao seu lado ?
Será que já foi alimentado ?

Ao leste, nuvens púrpuras;
A oeste, emoções impuras.

Observem os olhos cegos;
Percorrem as noites dos egos.

Essas roupas que nos cobrem,
expõem a nudez dos nobres.

Antes de quaisquer de nossos nomes,
há cascatas de brancos efêmeros e fome.

Sombras nas calçadas de pedra,
sucedem montanhas de terra.

Raios apunhalam na esquina,
assustam gatos, apavoram a menina.

Ventos empurram galhos rotos,
jornais velhos, passarinhos mortos.

Tentemos erguer um templo,
doar carinhos, ofertar exemplos.

Pelos labirintos e descidas,
comungar alentos e saídas.

Nesta ou naquela rua,
admirar a lua nua.

O bom sono que buscam,
dói na noite que véus ofuscam.

Cabelos e risos soltos
contrastam com o salário pouco.

Atrás do bom combate
há sempre um político traste.

E nós, sequiosos ratos,
seguimos vomitando fatos.

Os faróis da morte se acendem
e, não sendo o tempo, vamos em frente...

Eu aqui sozinho, vocês em multidão.
Tudo é viagem, nada os trairá, ilusão.

Vejam o mosquito ferido
incapaz de picar, sem zumbido.

Uma aranha a menos tecendo
e a mosca escapando, veneno.

Árvores catando folhas arrancadas,
ajoelhadas, quase mortas nas calçadas.

Poça cheia de larvas
refletindo nossas caras.

Lá na rua do cemitério
uma viúva comete adultério...

A alma do finado rico
deseja passar-lhe um pito.

No solar desmanchado
há um passado a ser contado.

...me cale, é o que querem ?
Vou atende-los, esperem.

Antes do fim, volto ao começo:
- Respeitável público, sou louco, reconheço.

Meus nobres ouvintes, estou convicto:
- Só os loucos não pagam mico.

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BRONZE BABPEAPAZ

SONHO MEU

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Vou em frente, passo reto,
levo à mão um querubim,
todo meu resto de afeto,
um ou dois poemas seletos
e o primeiro disco do Jobim.

A paisagem desconheço,
tudo é sonho prá sonhar.
Sei, pode haver algum tropeço,
mas logo, desde o começo,
estou atento ao meu andar.

O desconhecido é o medo
que o futuro insiste dar...
Mas eu por não tê-lo,
por coragem ou desapego,
insisto em viajar.

E quando chegar ao meu destino,
envolto em perfumes de jasmim,
serei de novo menino,
retomarei o meu tino
e sonharei até o fim.

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BRONZE BABPEAPAZ

CÍRCULOS

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- Distúrbio !

- Diz a turba,
urbana e nada tunada,
usada, tornada,
transtornada
por vários turnos,
entornada de todo,
pelos coturnos,
agentes noturnos,
entes soturnos,
dentes pontudos,
surpreendentes,
super dentes
indecentes,
dementes,
de mentes que mentem.


Diz tudo: - Distúrbio.

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ESPERA

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Meio parado, porém intenso,
o tempo de espera respira,
ofega e parece imenso...

 Roer de unhas, um mosquito,
aquela barata voadora,
inúmeros insetos esquisitos.

Sapato apertado,
tardiamente notado,
um verso desbocado.

Espera que angustia,
mais de hora, meio dia,
tempo de natureza vadia.

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ATÉ MAIS VER...

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Não tenho lancha à naufragar, 
nem automóvel para bater. 
Minha escada sumiu 
com o dinheiro à manter.

Vou deitar no banco da praça 
e esperar acontecer.
Ninguém vai achar graça
se por caso assim me ver.

Escarrei todos meus fardos,
deletei todos meus dados
e a fama que cheguei ter.

Vou definhar feito um trapo,
escolher se fico ou descarto,
esse modo de viver.

Não tenho mágoas nem remorsos,
tenho tudo que posso
ou necessito ter.

Hoje janto, amanhã almoço,
colho e planto o que é nosso
ou a mim pertencer.

Não sou melhor que nada,
deixa de conversa fiada,
aliás, até mais ver.

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ARTIGOS DEFINIDOS

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O fim, sem novo começo.

O recado que esqueço.

A taça de vinho azedo.

O bar da outra calçada.

A porta nova, da entrada.

O dia sem perspetivas.

As militâncias ativas.

A Polícia entrincheirada.

O tráfico nas madrugadas.

A Elite endinheirada.

O mais novo indiciado.

A loira do prédio ao lado.

O pensamento extravagante.

A nota errada, dissonante.

A tragédia do infante.

A dispensa da diarista.

O velho Partido Comunista.

A remunerada delação.

A gravata de um milhão.

A Ferrari na contra mão.

A tosse sem expectorante.

A festa mais adiante.

O caminhão desgovernado.

O recurso negado.

O devedor enfartado.

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ESCATOLÓGICO...

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Resolvi fazer alguns versos
com espírito mais perverso.

Um poema nauseante, indômito,
para provocar enjoos e vômitos.

Com termos escatológicos,
ideais para os neuróticos.

Ainda que meio lírico,
mas porco e pobre de espírito.

Um versejar azedo,
magro, com medo.

Absolutamente sem métrica,
vil, sujo, uma meleca.

Asqueroso como escarro,
nojento tal qual catarro.

Mas é melhor por aqui parar,

pois posso apenas desagradar.

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PONDERAÇÕES

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Estimo os Santos.
O Diabo no entanto,
não me causa espanto -
tampouco encanto,
não chego a tanto.

Santo ou Diabo ?
- Questão de lado,
visão dos fatos,
tipos de atos
interpretados.

Céu e Inferno -
lugares internos,
sensações do eterno
no viver hodierno.

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BRONZE BABPEAPAZ

NOMINADO & DEDICADO À SILVIA MOTA

3542023080?profile=original                         Fácil :
                                      - Dó, Ré, Mi,

                         Fá,Sol...
                                      - Bemol !
                       - La vem lá, o Lá 
                         de marré de Sí...
                       - Psiu !... Viu ?
                         Viu lá ?     - Sim,
                         O Si via o Sol, Lá.
                         SILVIA     - Sol. 
                         Clave. Crave 
                                       outro bemol.
                         Anota a nota:
                                       - Dó sustenido,
                         MOTA. Notou ?
                         ... Eis a canç
ão.

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CONSELHOS NA NOITE

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Dancem, se percam no bailar
- apoteose de gestos, versos lançados,
desenhos alados, musicados, no ar.

Cantem, ritmem o som do falar
- sonoridades, poemas-mensagens,
tristezas ou alegrias do amar.

Vivam, enlouqueçam a realidade
- verdades vitais, emoções livres,
cânticos para nos libertar.

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