Posts de Paolo Lim (475)

BRONZE BABPEAPAZ

AQUELE MENINO

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Os olhos daquele menino,
tão belos de se olhar,
não podem acompanhar seu destino
ver a cor do céu
ou admirar o mar...

Mas leva a vida sorrindo,
jamais se pôs a reclamar,
diz que sentir é tão lindo,
tão precioso,
que é como enxergar.

E lá vai aquele menino,
sozinho em seu caminhar...
Sorrindo à todos que passam,
admirando o cantar dos pássaros
tentando nos ensinar
sentir, tocar, amar.

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BRONZE BABPEAPAZ

QUESTIONAL (NÃO SEI QUE Nº)

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Voz do mar. Da cachoeira em fúria.
O comerciante de água benta na cúria.
Dedos esguios dos bambus clamam
no solar ruído que os ventos cantam,
moldando a terra sob chuva que despenca
jorros d'água sobre a pobre e tenra avenca.

Desdenhar o mundo não é nada fácil -
É como um cego em seu mundo tátil. -,
em tudo a natureza enxerida se mete
e faz a parte que lhe compete :
- O bem e o mal que se repetem
no vagar eterno das ruínas.
Tudo é viagem, cumprimento de sinas,
imbecis gargalhadas da multidão de iguais
em meio putas que a satisfaz.

E a vida é tão pouca. Choca em meus dentes
arranhando, salivando repentes,
roendo noites, autorizando açoites
num feroz combate. Fecha a porta e bate,
encara o vento, fura o agora,
modifica humores, rumina, joga fora.

Alheio ao mundo, vivendo ao léu,
na beira da estrada, exposto ao céu,
segue o cão sem roupas ou malas,
sem sonhos de atravessa-la.

Será exemplo ? Tem história ?
Será que sofre pela vida simplória ?

Ah... Essas questões !

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DESABAFO III

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O reflexo na vitrine, intima.
Coincidência ou sina ?
Visões espelhadas da sociedade opaca
que discrimina, critica, boicota e paga,
pelo conforto do corpo, da imagem rala,
fechando caminhos, cuspindo na cara,
negando o óbvio que a miséria escancara
e o marginal atrapalha.

Joias roubadas, milionário ladrão,
manchetes sangrentas, um pedaço de pão,
o craque malhado, o politico lambão,
o pastor suspeito, que ganhou eleição,
no hospital baratas e corpos ao chão,
dividas rolando, olhem o "caveirão" !

Meu espaço privativo é parco.
Não preciso de mais, não.
Aliás, não precisamos...
Demais são os enganos
da política e da religião
que a sociedade aplaude,
toma como molde
e mete os pés pelas mãos.

Tudo depende da escolha -
como uisque ou cachaça de rolha -
no fim é a mesma trolha...

Ninguém sobrevive incólume,
não há bom ou ruim,
rico ou pobre,
numa sociedade chinfrim,
que destila filosofias
que descem pelos ralos das pias
e vão para o esgoto comum.

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AS QUATRO PAREDES

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A vida brilha. Mil bocas brotam.
Não quero dormir na noite maravilha.
Olho para o que fui, mesmo não sendo,
imagino sua face, seu disfarce.
Não quero mágoas que transpassem
ou atrapalhem minha trilha.

Trago o universo no peito.
Pranto e pena que espanta tanto,
espalhados no meu leito 
sobre o lençol de linho branco
a espera do que deve ser feito.

Inúmeras fagulhas que viram centelhas,
crescem, avolumam-se em chamas vermelhas 
 rugindo nos espelhos da cristaleira.

Ouço gritos divinos, vindos
d'onde o vazio espia
acentuando desatinos
como se nada sabia.

As quatro paredes apertam
neste quarto, meu hibernal deserto,
ouço o que o universo envia.

Estou cansado de mim. Serei outro -
embora saiba inútil, o esforço -,
buscarei estrelas cadentes,
caídas, carentes.
As oferecerei meus versos dementes.
As tirarei da solidão silente.
Lhes cantarei uma universal canção.

A vida brilha, cega e envolve.
Quero de volta meu pequeno pássaro,
A inspiração do primeiro verso,
Meu sorriso puro.
Anda, devolve.

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MAIS QUADRINHAS QUADRADAS

3542044418?profile=originalI

Não pensem que sou maluco.
Estou apenas ocupado
em conseguir o que curto
neste mundo destrambelhado.

II

A raiva passa,
angústia se supera,
dinheiro pinta,
mas saudade é fera...

III

Se você me chamar de louco,
é claro que vou sorrir.
Tenho consciência, um pouco,
de até onde posso ir.

.

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FEBRES

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Febre amarela, azul, cor de rosa;
Febre da palha, do feno, poderosa.
Frio no corpo, arrepio d'alma.
- Maleitas comuns, tenha calma.

Germens e micróbios,
indivíduos microscópicos,
hospedeiros tópicos,
presente dos trópicos.

Inimigos mortais,
epidemias naturais
ciclos sazonais
de vítimas fatais.

Absolutamente naturais...

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JUNTO E MISTURADO

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Após o passo, o espaço,
o passado registrado,
o futuro avistado,
o presente caminhado,
instado num compasso,
em frente, ao largo.

O tempo presente
que passa urgente,
nos deixando tementes
de acharmos de repente -
"aqui tá frio, aqui tá quente" -
aquilo que se pressente.

O andar da carruagem,
as paradas de viajem,
temporais e estiagens,
amores e sacanagens,
roupas sujas nas bagagens,
descanso nas estalagens,
saudades de outras paragens.

Eita vida em movimento,
que consome paisagens e tempo,
alegrias, surpresas e lamentos,
mães amamentando rebentos,
pisos duros, caracaxentos, 
comidas boas e excrementos,
tudo à hora e num só momento.

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CONSELHO À AMIGA

3542040147?profile=originalExiba as forças que lhe cabem,
reze os credos que lhe agradem,
suba nos saltos, cresça,
bote o mundo às avessas,
proclame seus atributos,
não economize insultos,
diga o que lhe der na telha,
fabrique o mel, seja abelha,
pique em sua defesa,
mantenha a chama acesa,
provoque com belo decote,
exponha as pernas, seu forte,
rebole sem preconceitos,
exija seus inteiros direitos,
não há porque ser inibida,
nem tampouco diminuída,
se é dona do grande mistério 
e do corpo que gera vida.

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DÉJÀ VU

3542038555?profile=original

O que desejava, não se cumpriu...
Nada demais para quem,
na lida da vida,
cheia de idas e vindas,
alegrias e dores infindas,
comprovadamente arguiu.

O que sonhei, se esvaiu...
Nada diferente para quem
nas noites de lua,
formosa e nua,
andou pela rua
e viu o que viu.

O que senti, refluiu...
Nada especial para quem
no seu eu mais profundo,
tem as dores do mundo,
a visão do imundo
que um dia intuiu.

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RIMADO FUNDAMENTAL

3542038515?profile=original

O que eu quero, você tem.
Tenho o que você quer também.
Nossos quereres nos convém.
Bom compartilha-los com alguém
que os buscam além...

E esse encaixe formidável,
além de lindo, recomendável,
faz surgir o encontro saudável,
específico, inigualável,
dum grande amor inevitável.

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RECADO

3542037713?profile=original

Essa mudez sombria
que ascende do seio da multidão,
ofusca ao dia a alegria,
expõe melancolias,
trafega na contramão.

O povo está preocupado,
apreensivo, desconfiado;
Sem explicações
do que foi que fez de errado.

- O fantasma do desemprego,
absurdo atraso dos salários,
delações, inquéritos, sentenças,
propinas por todos os lados
e ele mudo, pagando o pato.

Atentais ó políticos eleitos :
- Quem põe, tira, depõe e julga.
Reconheçais vossos defeitos,
assumais vossas culpas,
dispais vantagens,
cessais facções em disputas
e olhais o povo...

Aconselho de novo:
- Olhais o povo !
Seu silêncio rumoroso
é véspera dum grito
para começar o retorno.

E a luta pelo alimento,
condições de sustento
e a mínima cidadania - 
das quais foram esperança um dia -
poderá chegar à vossas casas,
explodir em vossas caras,
vos despir por vilania.

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NATAL/2016

3542037379?profile=original

O medo geral disfarçado, 
se oculta nos sorrisos amarelos, 
contagia os abraços forçados 
como um universo paralelo.

Ante a crueldade dos fatos,
a angústia nos sobe aos pés
descadenciando nossos passos
à espera de novo revés.

E a alegria, falsa e fingida,
precisa manifestar-se afinal.
Embora seja de mentira,
abraça o novo espírito do Natal.

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VIDA

2077195?profile=RESIZE_1024x1024

Meu sorriso antigo.
- Vês ? Também sorris...
O mesmo acontece comigo
por esta visão feliz !

Minha perpétua esperança:
- Amanhã melhor que hoje.
Não me amola, não me cansa.
Dela a tristeza foge.

Não tenho. Mas julgo ter.
Domino minha realidade.
Escolho o que quero ver
ao caminhar pela cidade.

- Frouxo ? Alienado ? Boçal ?
Sorrio dos rótulos e predicados.
Aliás, cago e ando pro conceito geral.
Sigo em meus sonhos delicados.

A vida é uma colheita de dados !

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INQUIRIÇÕES

3542036869?profile=originalCinzentos pisos vestidos de pó

poluem meus passos azuis, no caminho só.

O que importa ? Há na minha frente apenas chão.

Esquecerei o asco, o medo. Alcançarei a redenção.

Tocam os sinos. Tocam ! É Natal...

Fazem-se dívidas. Celebram. É normal.

Papai Noel exige. Não atende-lo, pega mal !

É dele a data. Quem foi Cristo, afinal ?

Meu rumo certo ? Não sei.

O que vier, assimilarei.

Deus joga xadrez com minh'alma.

- Quem sabe possa ganhar se mantiver a calma ?  

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ACABOU

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Morre meu canto num campo de guerra.
Apagam-se esperanças em nossas bandeiras.
Enterram-se restos da última quimera.
Restam viúvas das ideologias derradeiras.

Proletários e burgueses perdem-se na história.
Soçobram lembranças, referências, memórias,
na contundência da nova ordem econômica
que instaura a realidade virtual,
                                     / tangente, isonômica.

Outrora sonho, a igualdade,
finalmente chega sem avisar:
- Somos todos iguais tão somente,
nas Redes Sociais que cortam o ar...

Frio, fome, sede, 
é nos dado apreciar; 
Voz livre, sem censuras ou paredes,
curtir, compartilhar, comprar.

Desigualdades outrora latentes,
expõem-se... É só clicar.
Realidades se fazem presentes,
instantâneas, em qualquer lugar.

Lutas, antes de classe,
resolveram se generalizar.
Assumirem-se globalizadas,
indistintas no martirizar.

Tudo exposto concomitantemente,
como mísseis a espocar,
na cabeça dos adolescentes
ou de quem quiser participar.

Ideólogos, críticos, leigos,
junto e misturado,
convivem sem pejos
neste novo Eldorado.

Agora, ao fim e ao cabo,
todos estamos conectados,
perplexos, atolados,
nestes virtuais anfiteatros.

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CONFUSO

3542032284?profile=original

Um esboço gera esforço,
para entender o alvoroço:
- Alvo roxo,
sapo coxo,
tédio moço
olha o almoço !

Minúsculas desditas,
dores titicas,
vais ou ficas,
não militas?
- Contraditas !

Sonhos, pesadelos,
melhor não tê-los...
Arrepiam pelos,
ilusões, arregos,
doces medos.

Freud explica !

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