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CENA COTIDIANA II

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No horizonte marinho,

não muito longe, nem pertinho,

desenham-se púmulos como

         se algodão-doce fossem...

e cumprem-se os mistérios das artes

                                                   alí:

- Traços cubistas de Picasso,

olhares metafóricos de Dalí,

visões lisérgicas de Bosh,

mulatas boazudas de Di.

 

...até que algum raio liberte

os personagens de Portinari.

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QUESTIONAL

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Questões se sucedem e, cada vez mais,

                                     "sei que nada sei";

calar não contenta ao inquirente pois:

   - "Dos mestres advirão todas respostas,

                físicas ou metafísicas,

                possíveis ou imaginárias".

Ó Deus !

...por que à mim que não ouso sequer respostas

                                                interpretativas ?

Por que não se apercebem do ponto zero

                                                da hipótese

e sub-divedem-no até encontrar o produto

                                                que buscam ?

Aceitem que realmente não posso.

As insatisfações elevaram-se a potências

                                                 saturantes;

fórmulas de solução geral diluíram-se nas

                                                 águas do sistema;

pontos de fuga congestionaram-se;

raios e diâmetros, fundiram-se;

noções básicas se multiplicaram -

                                                  dízima periódica...

Sim,

todos os caminhos são iguais.

Não,

não sei porque da diferença extrínsica;

não sei porque das múltiplas escolhas;

não sei porque sei, que são todos iguais.

Talvêz porque o IBOPE apurou e o GALUP

                                                   conferiu;

ou a mass-mídia sussurrou.

Mas o absurdo se espalha

                        e os livros encalham!

Codificam-se dados sobre anticorpos

                        e subestimam-se os corpos -

não podem ocupar o mesmo lugar

                        no espaço.

Existe o mito, a crença e o rito:

trilogia, mêdo !

Comunismo, Semitismo e Cristianismo:

trilogia, mêdo !

Projeção, proteção e religião:

trilogia, mêdo !

... e o grande mêdo que é a falta de informação !

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POEMA AFOBADO

                                 Cenário: Hollywood/LA-1969

 

     Sirene !

               ...bombeiros,

     Sirene !

               ...polícia.

     Sirene !

               ,,,ambulância.

     Sirene !

               ,,,telefone.

     Sirene !

                ...despertador.

     Sirene !

                ...alarme.

     Sirene !

                ...elevador.

     Silêncio !

                ...suicidou-se.

 

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RAPIDINHAS

         I

Felicidade...

De onde vem?

Onde nasce?

Quem a tem ?

Além do ar superior, pedante,

não tem certificado de garantia;

pode ser extinta a qualquer instante

por simples e comum desinteria.

                 II

Tristeza,

sentimento unânime -

ataca ricos, pobres, nobres,

de forma equânime.

 

              III

O sol despótico que irrita meus olhos

é aquele que acaricia as nádegas da atriz

expostas à visitação dos olhares públicos

na praia onde todos fingem...

 

              IV

O carro de luxo conversível,

converteu a manhã incendiária

ao estacionar bem em cima

do local da triste chacina

dos meninos da Candelária.

 

            V

Meu coração metereologista

prevê períodos de instabilidades,

com ventos do quadrante norte

podendo provocar ressacas

e rajadas de saudades.

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COTIDIANO

Entre homem e menino,

tem o "e";

entre todas as mulheres

tem você;

entre o cão e o muro alto,

melhor correr;

entre a jaca e o pintinho

é só escolher.

 

O caminho do meio -

mediano, medíocre -

é o saber.

 

Como são chatas as trivialidades

quando estamos sós;

perecem dever de casa

exigem paciência de Jó:

equações, MMC, MDC, bicetriz

 (Beatriz, por um triz, fêz-se atriz).

 

Palavras escorregam;

estão azeitadas pelas novas edições

                              dos Dicionários.

Críticos reclamam

e nós os xingamos:

- Reacionários !

 

Chapéus são mais bonitos

                       que bonés;

...mas são do tempo dos Cafés -

chá com torradas, bôlo inglês,

                              canapés

e algumas raparigas lelés.

 

Estribo de bonde era prá homem;

mulheres preferiam o reboque -

mais confortáveis, charmosos

tinham bancos rosa-choque...

 

Moda outonal:

-Quanto menos roupa,

               mais legal !

A cidade de bunda de fora:

milhões de nádegas expostas,

tomando banho de sol !

 

Venham ! Façam apostas !

A roleta vai girar !

Paga-se 100 por dez

como o presidente escorregará...

 

Cigarra seca é dinheiro;

Formiga no molhado é azar;

Balão apagado é enterro;

Borboleta no vidro é maná.

 

- Aquecimento global !

...morreremos no quente,

no amanhecer ou ao poente;

rima cheia, legal !

carná, carná, carnaval:

-"Olha o Tio San de frigideira"...

- vai fritar a América inteira

que engordará, balufará,

rolará a ribanceira

e cairá plantando bananeira.

Quanta lameira... besteira ?

 

Chiiiiiii... hoje é segunda-feira !

 

 

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GRITO POEMA

Ó amada

pise meu coração e grite-me que vivo;

tente arrancar de meu peito premido

a elegia fracionada pela manipulação

           da informática poluída;

soluce-me preces que dilacerem,

                             rasguem-me;

urge sentir alguma coisa.

 

A estagnação alucina,

   a indiferença enlouquece,

        os homens param,

            as odes findam!

Venha...

carbonize-me com seus seios em brasa;

a carne está desmitificada -

     é gênero de segunda;

as estradas se bifurcam violentas,

o som é eletrônico

e o perigo letal.

 

Ande...

escreva com meu sangue à Maiakovisk;

desmorone em meus versos

             os germens da dor;

concessões chegaram ao máximo

e homens se agrupam para desunir;

ciências se fundem para confundir,

jardins enlouquecem,

músicas apunhalam,

o som é eletrônico

e o perigo letal!

 

Venha...

escarre em meu rosto seu orgasmo poluído;

o círculo me atazana,

preces e protestos se misturam,

religiões, ideologias e negócios

arquitetam planos de faturamento...

 

Ó poderosa deusa minha,

                                        venha !

...com seus poderes freudianos,

                  magias junguianas,

                  solicite-me ! Ordene-me !

A imorredoura chama - poesia  -

necessita crispar-se,

                       eriçar-se,

ascender aos céus em súplica e oferenda.

O som é eletrônico

e o perigo letal !

 

Ó amada,

             divino arquétipo !

             Venha !

...choque suas nádegas em meu colo

                para que meu sexo vibre e,

                no tanger do êxtase

                possa cantar a esperança.

              Venha... venha depressa !

              O cio da juventude

              é exaltado na TV, 

              o âmago dos Homens oferecido

                                                     aos consumidores.

A insônia se repete,

           o som é eletrônico,

           o perigo letal

           e é carnaval !

                                            Itaparica/1968.

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ANÚNCIO CLASSIFICADO PESSOAL

Ao falar dessas meninas -

vultos ansiosos nas noites das esquinas

ou enclausuradas nos solares das cafetinas -

precisamos pedir desculpas

e antecipar o perdão.

 

Mártires turbinadas, serviçais amarguradas,

objetos, corpos-mídia de fantasias e taras;

entregam o corpo, fingem prazer,

enganam, se esquivam,

proporcionam o culpado gozo -

escondido, rápido,

muitas vezes criminoso -

cuja recompensa lhes permite sobreviver.

 

Ao falar dessas meninas -

interioranas ou citadinas,

quanse sempre apaixonadas

e de estranha auto-estima,

bonecas de carne e osso

entregues à própria sina -

revela-se a cínica hipocrisía

dos que lhes compram submissão,

sigilo de culpas,

performances múltiplas

e ao final, lhes chamam putas.

 

Ao falar dessas meninas -

com anúncios no jornal

elogiando seus corpos,

receptáculos sexual -

precisamos expor a covarde opinião:

-"São apenas prostitutas,

mulheres da vida,

ponto neutro na guerra social;

descartáveis - "Lavou tá novo" ;

desfrutáveis - "Dão prazer

              sem causar mal" !

São baratas e não têm amparo legal;

simples produtos de consumo,

a mais velha profissão do mundo".

 

Ao falar dessas meninas -

que se oferecem, se dão -

há que se ter vergonha,

revolta, indignação,

para com a sociedade

que as usa, mantém e despreza,

apesar de ter sido ela

quem as levou à prostituição.

 

Ao falar dessas meninas

precisamos pedir desculpas

e antecipar o perdão.

 

                                                         Vitória-ES  03/2007

 

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QUESTIONAL X

- "Pequenino caixão";

tremenda contradição

tal "uma criança morreu" !

De fato, faltou-lhe tudo;

quem o tinha, não deu.

 

A mãe, pobre louca,

aos pés duma cruz

escreveu na lousa:

- "Se chamaria Jesus"...

Coincidência ?

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REQUERIMENTO

Me acorde !

  ...tenho hora marcada com a tristeza

     que chega sempre adiantada;

     se não estou, fica zangada,

     não me desculpa, me põe a culpa,

                                    vira a mesa.

 

Me alerte !

  ...preciso estar atento e forte

     pois a qualquer momento,

     por distração de minha sorte,

     posso ter recaída

     desta "tal felicidade" -

     diva hollywoodiana

     que esconde idade -

     mistura de alegria e saudade.

 

Me lembre

... ando meio displicente,

    aflito, carente

    de futuro, amigos e toda gente.

    Esse meu jeito carrancudo,

    imodesto, ausente,

    apenas esconde... mente.

 

Me namore !

... pegue minha mão, faça carinhos -

    todo Leão é meio menininho...

    careço colo, acalanto -

    sou um espanto, quero ninho.

                                                                                 Casa Vermelha, 05.07.2008.

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RÉQUIEM POR VERA SILVIA MAGALHÃES

                               04.12.2008

Lá se foi Vera...

sem pompas, sem manchetes

mas, infelizmente, a vera.

 

Lá se foi Vera...

sem cortejos ou espionagens

no pleno da primavera.

 

Haviam pássaros cantando e

flores se abrindo

que voaram e fecharam como ela

sonhos,

    pesadelos,

        desafios

            e a derradeira quimera

               duma geração que lutara

                   pelo mundo que quizera.

Lá se foi Vera...

Ângela 45 -

trinta e oito anos atrás

uma pantera -

conspirando, escapando,

enfrentando generais.

 

Lá se foi Vera...

sem pompa,

sem manchetes nos jornais

mas, infelizmente, a vera;

que descanse em paz.

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MSN

               I

Quero que você me bula,

me tire do sério,

me coce

com ar de mistério,

seja presente

abandone o pretérito,

despropositada,

raínha e seu séquito.

 

          II

Quero você possuída,

do MSN saída,

cachorra, vagaba,

calma ou estressada,

com cara de ontem,

xurriada,

fora do Orkut,

ensimesmada,

em plena rua

rasgada, semi-nua -

quero que você me leve à lua

ou à qualquer parada...

 

          III

Quero você de verdade,

maluca, indisciplinada,

careta, pirada,

em ritmo trance

ou ao som de balada.

Tanto faz

se chegar dançando jazz

numa esquina combinada...

discreta, escrachada,

elegante, aprumada,

rebolando ou parada,

com ar inocente ou de tarada...

 

             IV

Eu quero você entre flôres

de todas as côres,

suada, molhada,

dengosa, atiçada...

sentir seus odores,

lhe ensinar meus amores,

ao vivo e em côres;

tocar sua pele

que imagino macia,

lhe escrever poesias

que virem canções...

e depois, explodir nas paixões.

Sim ou não ?

 

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PROTESTO

                                                 I

Com avisos antecipados,

                      editados,

glamourizados na televisão,

burocratas autorizados,

             emperdigados,

constitucionalizados pela edição

de "medida provisória" -

     figura jurídica espúria,

                        absurda,

                  compulsória -

de minha vida tiraram

      nada menos que uma hora,

prometendo devolve-la

                      intacta,

     e da mesma forma.

 

                                      II

De promessa eu ando cheio -

     tempo é dinheiro,

     me tira-lo é roubar -,

eu que já tenho tão pouco,

     tanto de um como de outro,

faço aqui o meu protesto

e dispenso todo resto

que possam argumentar:

      - Quero, exijo, reclamo

                            imediatamente,

        esta hora que não vivi !

        ... quem sabe se, justamente nela,

        estaria o sonho que previ ?

 

                                                                     05.11.2006 - primeiro dia do horário de verão !

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O AMOR

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Se quizeres saber o que é o amor,

                                  doce menina,

tens que provar uma tal paixão -

                                  loucura que pega,

                                  sacode e mistura,

                                  sonhos, desejos

                                  e ilusão.

Paixão é cabra-cega,

                                  doce menina;

e pode ser bicho-papão;

que mete medo,

               assusta,

                  incendeia,

como a boca larga do canhão...

É fogo na palha,

                            doce menina,

que fácil se alastra,

                 arrebata,

                    apavora,

como estrondo de trovão...

Se queres mesmo saber o que o amor,

                             doce menina,

não podes fugir da tal paixão -

ciranda de dor e alegrias,

risos nervosos, dicotomias

e algumas compensações:

                   - Na dor faz poesias,

                     com tristezas, lindas canções.

Paradoxos,

mistérios da vida...

quiçá sua razão.

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