Posts de Nefertiti Simaika (40)

Subjetividade lixo da contemporaneidade

Subjetividade lixo da contemporaneidade

 

corpo,
prisão da alma,
destruo-te no anseio
de libertar meu sonho...

corpo-rosto,
acessório,
que te retalho e estico:
simulacro da juventude!

corpo-boca,
fumante,
que me alicia e fede:
paradoxo sensual!

corpo-peito,
descartável,
quero-te em redefinição:
prótese defeituosa!

corpo-ventre,
assassino,
niilismo sem ética:
és berço mundano!

corpo-bunda,
moldável,
respiro-te em malevolência:
travesti da perfeição!

corpo-genitália,
pecado,
esfacelo-te e reconstruo:
fênix da perdição!

corpo-máquina,
excesso,
és-me porto e deriva:
parto de arte em perigo!

corpo-desejo,
ferido,
singular ou múltiplo:
és leito sem sujeito!

corpo-virtual,
falsário,
és-me lindo e perfeito:
dádiva de fotoshop!

sexo-virtual,
inerme,
sou texto sem contexto:
prazer sem ter!

corpo-eletrônico,
cibercorpo,
se teu chip estragar:
jogo-te fora!

corpo,
prisão da alma,
destruo-te no anseio
de libertar meu sonho... 

mas... que sonho?!!

Nefertiti Simaika
19/maio/2010

Evanescence - Together Again

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Fúria

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Fúria

Arrancas do peito disforme

o coração vivo de sangue

que sob o formato de rosa

não perfuma jamais.

Cospes no infortúnio

vitimizado pela dor

ainda que te suplique

luz e compreensão.

Nada mais tem sentido

e um orfeão de demônios

em óperas dantescas

repercute no ar.

Não mais se afasta

o paraíso enlutado

parco plenilúneo

da emoção que finda.

Lágrimas tamborilam

no átrio da saudade

que salpica tristeza

em doída lembrança.

É o fim.

Nefertiti Simaika

Rio de Janeiro, 20 de setembro de 2016 - 14h45

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Estupro

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Estupro!

Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!
Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!
Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!
Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!
Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!
Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!
Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!
Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!
Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!
Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!
Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!
Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!
Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!
Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!
Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não! Não!

eu disse NÃO e feriste!
eu disse NÃO e efluíste!
eu disse NÃO e decaíste!
eu disse NÃO e usufruíste!
eu disse NÃO e fecundaste!
eu disse NÃO e achincalhaste!
em meus temores eu te disse NÃO!
em meus desgostos eu te disse NÃO!
em meus torvelinhos eu te disse NÃO!
mas teu crestar ao meu NÃO disse SIM!
e a ralé mordaz fez um SIM do meu NÃO!
não mais sei de mim ou se meu NÃO foi um SIM...

Nefertiti Simaika.

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Abismo

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Abismo

 

Meu eterno amor encontra-se nas estrelas,

encapuzado na saudade desconhecida

das lágrimas que não sei derramar.

 

Mora no negrume sem fim do Infinito,

aprisionado à insensatez nostálgica

do olhar que se fecha à inclemente vida.

 

Desliza pelas nuvens da lembrança,

a afogar no peito os risos calados

da morte que se impõe ao viver.

 

Faz-se eterno na fragilidade do segundo,

que bamboleia na fronte encarniçada

e carniceira dos sonhos sem destino.

 

Meu eterno amor encontra-se nas estrelas,

encapuzado na saudade desconhecida

das lágrimas que não sei derramar.

 

Nefertiti Simaika

Rio de Janeiro, 25 de fevereiro de 2014 - 10h53

Fundo musical: Ernesto Cortazar - Just for you

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Delirium

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Delirium

Nas rendas do pensar

oculto onírica solidão

que se debate ao luar

e uma noite sempiterna,

que me enjaula nas estrelas,

sorri ao remanso do adeus.

Lágrimas, não as tenho,

pois evolaram na perda

dos sonhos que se foram

e só a poesia me enlaça,

com ternura e frescor,

aos nimbos do paraíso...

Nefertiti Simaika

Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de 2014 - 20h55

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Memória e cadáveres...

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Memória e cadáveres...
 

Folhas mortas vivas na memória

De quem deseja preservar sentimentos.

A tez pálida sem Sol faz-se Lua gelada

E a água do rio desce a matar,

Pelo leito de lençóis machucados,

Pele contra pele sem suor.

 

Não existe razão para relembrar o passado

E perdoar os imundos assaques?

- Compaixão também é Arte!

 

 

Nefertiti Simaika, 1 de novembro 2011 – 18h20

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Lágrima

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Lágrima

Nasci das trevas, ranço do borralho,

princesa sem paraíso, luz sem ter visão,

margeio vermes ao cancro da saudade

e - desatino sem fé - soluço ao vento.

Nada tenho de mim no céu escuro,

mas danço, uivo e me degrado estulta,

se em vão destroço dentro da minh'alma

a fonte salgada da secreção sagrada.

Cultivo no peito a dor emurchecida,

perco o viço, o frescor, m'a vida não tem som,

sou beleza em fedor, raiz em sulco denso,

desconheço o pólen, a flor, o fruto e o vento.

Sem amor - que ironia - descambo à beira mar,

amordaço a esperança, zombo do Universo,

à procura de mim danço aos sete véus

e u'a estrela cadente exibo ao meu olhar.

Nefertiti Simaika

Rio de Janeiro, 30 de janeiro de 2014 - 16h25

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Vestida, do lado de fora

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Vestida, do lado de fora

 

Lançada à amargura dos sem nada,

Sem lágrimas nem pudor,

Encosta na parede viva

O semblante morto

Pela fúria do poder

E salva do chão

Os tufos de esperança

Arrancados vivos.

 

Nefertiti Simaika

Rio de janeiro, 30 de julho de 2011 – 23h

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Medo e melancolia

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Medo e Melancolia

 

Descubro o rosto marmorizado,

lívido, pela morte do amanhã,

que tal abutre anseia devorá-lo.

 

Desejo avistar o belo assustador

para além da caverna silenciosa

e negra dos meus pensamentos.

 

Quero sentir o perfume do fel

e o gosto do sacrifício humano

que me queima a garganta.

 

Preciso rebater para além dos medos

o malefício transcendente das visões,

mas como espectro não consigo nada.

Não posso entender o crescente vazio,

sem início e fim, sem sujeito ou objeto,

que me encarcera em mim... assim...

 

Nefertiti Simaika

Rio de Janeiro, 12 de janeiro de 2011  - 23h32

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Mulher psicologicamente espancada

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Mulher psicologicamente espancada

Para comprovar os espancamentos físicos aos quais é submetida, basta à mulher exibir as lesões do corpo. Mas, existem outras lesões cruéis, que não deixam marcas visíveis. Nada pode comprovar, embora não consiga mais sorrir. São ofensas, olhares desdenhosos, desprezo silencioso, palavrões ofensivos, solidão, desculpas mentirosas...

Como provar que todas as palavras emitidas pelo agressor são truculências? Cada insulto, cada frase maldosa, cada som do silêncio infligido é um golpe bruto e certeiro. A alma sucumbe a uma dor que, pouco a pouco, destrói sua razão de ser. Mas, a mulher sorri. Disfarça. Mente. Por quê? Porque ninguém acredita em suas palavras.

As omissões são tantas, que se convence de que exagera, de que imagina coisas, de que possui todos os motivos para ser feliz, mas não sabe valorizar o que tem. Convence-se de que aquilo ocorre amiúde em outros lares e/ou lugares e que o tempo mudará a situação. Desta forma, cala-se submissa frente a violência. Emite apenas gritos silenciosos e lágrimas secas, que encobrem a dor interna. Sofre. Quando consegue chorar o faz escondido, pois é tudo o que lhe resta. Lágrimas de humilhação, frustração e desespero. Seus soluços, quando altos, continuam ignorados. Ninguém deseja se envolver...

....................

Um dia, porém, como num milagre, a mulher ergue a cabeça. Alguém a ouve. Agarra-se com força à corda de salvação e consegue murmurar: “Tenho o direito de não ser abusada!” A partir de então, repete frente ao espelho, a mesma frase... até que consegue gritar a plenos pulmões: “Não mais sou uma mulher abusada!”

 

Nefertiti Simaika

Reeditado

4 de dezembro de 2013 – 00h30

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Confesso!

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Confesso!

confesso o medo da lágrima incontida
que se encapela ao coração e se destrói
às vias sem vãos desta imoral paixão...

confesso a agonia do soluço sem espera
que alimenta a demência e se instala
nas vias insanas desta insanidade...

confesso!
confesso-me sem forças...
rendo-me ao comando do grito!
entrego-me à ruína da agressão!

Rio de Janeiro, 14 de agosto de 2010 – 11h13.
Nefertiti Simaika
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Um covarde na minha cama

Irum Saeed - 30 anos - posa para a fotografia em seu escritório na Universidade urdu de Islamabad, Paquistão, quinta-feira, 24 julho de 2008. Irum foi queimada no rosto, costas e ombros há doze anos, quando um rapaz a quem rejeitou casamento jogou-lhe ácido, no meio da rua. Foi submetida a 25 cirurgias plásticas para tentar se recuperar das suas cicatrizes.
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Um covarde na minha cama
 

na minha cama encontrei um covarde
encontrei um covarde na minha cama
encontrei um covarde
na minha cama encontrei um covarde

sempre me lembrarei do beijo ensanguentado
na morte das minhas forças tão espezinhadas
sempre me lembrarei que na minha cama
encontrei um covarde
encontrei um covarde na minha cama
na minha cama encontrei um covarde.

3541613426?profile=originalParódia (ou, engano-me, na classificação?) do poema
"No meio do caminho", de Carlos Drumond de Andrade.
Nefertiti Simaika.
Às mulheres que encontraram covardes nas suas camas...
Som: Reverie by Claude Debussy

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Lembranças

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Lembranças

 

Não me lembro

onde escondi o amor,

nem em que janela do olhar

esmaguei meu sorriso.

Não me lembro

onde perdi a esperança,

nem em que parte do caminho

sepultei a dignidade.

 

Lembro-me apenas

dos abraços sem braços,

dos suspiros em brasa

e da voz sem garganta.

Lembro-me apenas

do monstro infernal,

que me fere o presente

em laudas do passado.

 

Não me lembro da Vida...

Lembro-me da Morte em Vida...

 

Nefertiti Simaika

05 de novembro 2013 - 22:21

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Tristeza

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Tristeza

 

Minha alegria desapareceu

na cauda dos cometas,

a recortar a ilusão

que não se vê.

Foi-se na tristeza

do coito roubado,

no som aveludado

do violino que chora

e no amargor constante

das horas vazias,

que não se cansam

de badalar os segundos

da infelicidade que restou.

 

Nefertiti Simaika

5 de novembro 2013

11:20

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Morte

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Morte

 

Cai a noite...

Espectros rosados pelo céu

desenham dilacerante

e túrgida tortura

que me sufoca

a garganta.

 

Cai a noite...

Estrelas cintilantes

rasgam e rompem

com pontas assassinas

a saudade do que não sei

nas incertezas da Morte.

 

Nefertiti Simaika

04 de novembro de 2013

22h58

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Acorrentada

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Acorrentada

 

Sem Fé

e sem Amor

acorrento-me às lides do Bem

nos páramos do além

e como Prometeu

ofereço-me estilhaçada

aos Demônios

que habitam

os prometidos Céus.

 

Poeta...

Morro e renasço a cada dia.

Cadafalso e paraíso... intermitentes.

 

 

Nefertiti Simaika

10/7/2012 - 18h53

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Abusada

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Abusada


Teu espectro me acompanha...
Fujo das lembranças,

refaço as ruas do meu fado,

mas teus urros nos meus ouvidos

dilaceram-me os sonhos...


Minha alma dói...
Se me fitasses com cuidado verias

olhos sem visão e um corpo invisível

que contém um Coração de Vidro...

sem cor... perfurado...

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Nefertiti Simaika

30 de maio de 2012

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