Posts de Maria das Graças Araújo Campos (514)

PRATA BABPEAPAZ

ENTRE FOLHAS ( Conversas de outono)

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Entre Folhas  (Conversas de outono)

Lavadas almas do tempo, em que o vento irmão traz consigo a função natural da expansão da vida de forma diversa... Levanta poeira, promove ritmos semeando viveiros até próximas jornadas.

E, nessas valsas, somos passistas e dançarinas, folhas que se abrem em  alas para novidades, após tantos bailes ao som de assovios, até mesmo, uivos em noites frias e de tempestades.  Voam nossas cabeleiras verdes que se tingem de cores e tons da moda cíclica, inspirando figurinistas, estilistas, alvoroçando o comércio e trançando pensamentos de época...

Destaca-se Ocre, na queda livre, sem medo, sem choro, apenas levemente adormecida que, em sonho, dispõe a levantar-se transparente, invisível, transportando todo seu saber lá às alturas em diálogo incrível com estrelas... Essas, brilhosas, que a gente vê e supõe, e crê ser alguém muito querido que more em outras constelações...

Sim, as folhas falam um linguajar que farfalha, crepita. Dourada diz-nos de experiências inusitadas, de quando se despencou, rastejou  anestesiada . Guardou lembranças de vida ao vento, de cores luminosas e entende que, ao transpor tal estação, já se  harmoniza e estrutura a formação de minúsculos pecíolos, bainhas e limbos, saboreia a formação do colorido e agradece à canção das ventanias.

Ao saral das horas nuas, folhas poetas se inspiram em convidados especiais.

Bem-vindo, Manuel Bandeira!

"Canção do vento e da minha vida”

O vento varria as folhas,

O vento varria flores

E a vida ficava cada vez mais cheia de frutos, de flores, de folhas”.

(...) BANDEIRA, M.

Vermelha, marciana, ainda com fulgor, inicia poema:

Folhas amigas:

Nossa vivência é pura poesia de renovar!

Ecoe o coro bendito em sinfonia das lições.

Somos folhas, folhas, folhas,

Missionárias de Outono!

Lavadas almas do tempo, em que o vento irmão traz consigo a função natural da expansão da vida de forma diversa... Levanta poeira, promove ritmos semeando viveiros até próximas jornadas!

O vento me varria!

Pétalas se partiam!

A vida ia e vinha, vinha e ia...

ENTRE FOLHAS ( Conversas de outono).

Graça Campos/15/06/2018.

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PRATA BABPEAPAZ

Entre tons de Outono

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Olhar o céu de outono à noite, é mais que ver, simplesmente, um infinito pontilhando e pontuando a fertilidade da imaginação. Sinto a Constelação de Áries a brilhar intensa, iniciando um novo astral, a captar-me desejos.

Primeiras estrelas que surgem, afaguem-me os anseios nesse tom noturno, entre ouro e prata, divergente da secura outonal.

Bem próximo da cadeira da varanda que, a essa hora, caçou um canto no jardim, cadeira essa, de ver estrelas, adormecem profundo sono, folhas sem viço, estrelando a morte!

Assim a lua emprestou suas cores, vestindo de focos luminosos, a derradeira hora das folhagens. Foram tantas as histórias e trajetos até se desfalecerem umas em meus pés, aninhando-se quase sob os chinelos gastos, preferidos, poderosos contadores de causos e passos, e cheios de manias mesmo. Folhas outras desse tempo promovem viagens ousadas e fatais, deixam nuas suas moradas, já que, de ciclo em ciclo, a vida carece vida.

Sem contar os méritos e grandes lições, elas se transformam em livrarias da estação do Fall. Uma das impressionantes páginas diz-nos da habilidade do desprendimento. Outra, da transparência dos fatos reais. Os tons terra têm cheiro e sabor de vivências. Novas cores expressam gratidão. Manhãs rosadas, tardes douradas, chão em matizes descorados, alguma vermelhidão mesclando a vida. Tudo é mutação.

No Outono, minha alma é primavera. Em abril sou “Flor” reinventada...

Maria das Graças Araújo Campos, 05/04/2018.

Graça Campos. ENTRE TONS DE OUTONO.

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Tecelãs - (No tear, o viver)...

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No Tear, os fios escrevem rios de causos, risos, lágrimas, anseios. Tecem silêncio, partilham ideias. À espreita, seios abastados de sonhos dentre lineares caminhos. Olhos despertos, cabeças visionárias acolhem a certeza de que a vida urge!

No tempo, o tecido resguarda segredos. Por entre mãos, dons divinos ateiam movimentos que preservam o gosto e coragem da lida, deixando escapar a criação. A cada laço e ponto, a destreza do caminho. E a criatividade se alastra na busca do alimento que sustenta bocas e corações...

Cestos vazios serão preenchidos, peças bordadas, pretextos de alegorias. Tudo será cheiro provedor, vestes temperadas de sabor, cordões tecidos de ricos pobres, pobres ricos, essenciais contos de ontem e de agora.  E as histórias se expandem na universalidade do poder da fé, feitio de laços entoados de labor...

Saudades, desejos e musicalidade lacrimejam perseverança na exatidão das medidas em sensatos pontos que aguçam o viver! Acrescentam-se os nós delimitando a pressa da impaciência. Alonga-se o respeito: Da cabeça ao peito. No restante, delineados ajustes de satisfação fluem e despem a cor vivaz de ser tão fértil/mente, corando a nua tez e revestindo a alma de brilho intenso.

Dançam fantásticas fiandeiras, fantasiando pés sonhadores e coroando pensamentos que seguem fiando, fiando pelas sendas do destino!

 

Maria das Graças Araújo Campos. Tecelãs (No tear, o viver...) 02/02/2018.

MG/Brasil.

Graça Campos

 

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PRATA BABPEAPAZ

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Obreiros dessas lavras,

que se lavrem com exatidão,

histórias detalhadas daqui, de lá, de todo lugar.

Enquanto houver quem faça e fale

e escreva e ore,

em temporal, seca, ou sombra, e uivo de vento,

avalanches, naufrágios e tormentos,

a poesia com seu fôlego é movimento que narra,

descreve e argumenta, declama e encena todo o tempo...

Maria das Graças Araújo Campos

Graça Campos, 05/11/2016.

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Quando a consciência de cada “EU” agir em harmonia e aceitar a igualdade de direitos e deveres, dividir será multiplicar justas e felizes criaturas!

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Muitas faces, muitos lados, muito jogo de cintura...

Mulher! Multifaces! Com orgulho e honra!

Todo e qualquer canto, em casa ou fora dela, com um toque feminino, transforma, dá vida!

Mas...

Ando pensando seriamente nesse comprometimento “exagerado”, nessa forte pressão; pressão tal, que causa cozimento rápido até se “desmanchar”...   

Temos muitas faces, jogo de cintura incrível, somos capazes de exercer várias tarefas simultâneas e bem feitas. A própria ciência sabe disso. 

Somos tanto criativas e agimos rápido com uma presença de espírito sensacional. Mas, acredito: Tudo demais, todo exagero danifica. Falta-nos parceria, digo isso sem nenhuma pretensão de transferir a culpa ou o resultado das exaustões, estresses, depressões, insatisfações a esse ou aquele a isso ou aquilo.

Analisar e repensar comportamentos de nossas culturas, seria um dos passos a buscar reestruturações,  parceria,  e respeito por quem se dedica de tal forma, chegando-se à fadiga, devido a multiplicidade de tarefas concluídas dia a dia  para o bem estar de “TODOS”?

De todos. Mas da própria mulher que, em sua natureza, assume suas múltiplas faces, muito se deixa desejar na boa e saudável qualidade de vida dela própria.

 

Onde estaria, a essa altura, a consciência da “COLOBORAÇÃO” entre as convivências humanas?

Que tal darmos uma olhada minuciosa no direcionamento comportamental dos herdeiros do mundo?

Educação é a chave de ouro para caminhos  e estratégias transformadoras, fazendo-se valer do sentimento e das responsabilidades que se constroem  somente através do amor a si e ao próximo. 

 

Quando a consciência "universal” agir em harmonia  e aceitar a igualdade de direitos e deveres, dividir  será multiplicar justas e felizes criaturas!

 

Maria das Graças Araújo Campos. 12/03/2018.

Graça Campos MG Brasil.

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Versos meus, de tantas Mariahs...

3542077802?profile=originalPara hoje, MULHERES, dedico-lhes, especialmente, a flor do “RESPEITO”!

Versos meus, de tantas Mariahs...

Mariahs que nascem e renascem... De poros suados, almas lavadas, pés valentes, mãos que se elevam. Olhos d’água: de sabor ou fel, de doçura mel, ou de dor, a escorrerem nos pulsos que pulsam a busca, incessante/mente, pelo leque da memória que, além de reviver, é reflexo, fluxo em alma borboleta... Nas cabeças, pensamentos afloram as ativistas, mutantes, meta/morfoses no ser: o “EU” consciente, essencial da existência!

 

Para hoje, MULHERES, dedico-lhes, especialmente, a flor do “RESPEITO”!

Flor nos cabelos, boca vermelha, saias rodadas, em que possam ser mostrados, todos os passos da dança dos rodopios, da leveza, da alegria!

08 de março, um dos grandes marcos de nossas lutas e conquistas. Comemorar, sim, aplaudir a quem tem e teve a força decisiva de puxar a fila, de remar os barcos, de cortar os ares e plantar para colher. Caminhar afins, infinitamente. Navegar é urgente, pois estamos em “alto mar.” Refletir e celebrar, creio, só se resultam em porvir vitorioso!

Viva o nosso dia especial de celebrar e prosseguir, com garra e labor, com a coragem da dignidade de acrescentar-nos a igualdade dos direitos. Somos seres humanos, além de gêneros. Evolutivas, multifaces, com delicadeza, competentes para inovar e contribuir mais e mais. Somos mesmo, mais “Empoderadas” sim!

Que o amor se entrelace nos corações ardentes por um mundo bem humano!

 

Mulher: Teus cabelos são moldura de teu rosto e somente tu podes escolher a hora, o estilo, a cor de tua vida, teu penteado...

As mãos, ai, as mãos, os cortes...

Ruptura ou autoestima?

Todo o teu corpo é simples assim, morada de tua integridade e a essência em ti, do “Sagrado Feminino” que ri e celebra ou chora e se definha... ?

Presente do dia: Flor do “Respeito” da cabeça aos pés...

 

Uma das primeiras notícias vistas neste dia, choca-me! No transporte público: Os cabelos longos, lindos de algumas mulheres, cortados com crueldade! Por quê?

 

Manifeste-se, caso seja vítima de assédio, violência em geral!

 

Maria das Graças Araújo Campos, Santo Antônio do Itambé/MG/Brasil.

Graça Campos, 08/03/2018.

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PRATA BABPEAPAZ

MARIA FLOR DE AÇAFRÃO

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Acorda, Maria!
Vê, Maria, os raios da vida!

Maria levanta e raia! Caminha ligeiro.
Maria corre na estrada, de carona com o vento, 
Lembra-se de sonho-pesadelo, tormento, 
Se lasca na curva, topada certeira e derrapa em pensamentos...

Maria quer curvas, curvaturas, cantoria e canteiros!
Vai, Maria! Raia na ventania, nos topos em serranias.
Maria avista o que quer e se aquieta.
Nas linhas das mãos, olha o destino de flor, e se alegra.
Maria Flor banha a alma incontida de menina-mulher, 
mulher flor, Flor de açafrão!

Sobe mais, Maria, que a vista é bela, nem imaginas!
Maria escala sem peso na cabeça. 
Lata d’água ficou para trás, na despensa.
E as despesas de Maria ,vestidas de natureza, viram leve proeza.
Suas vestes floridas, temperos da vida, 
coloridos bordados de dias polidos, 
descobrem a realeza de Maria 
com ou sem folia...

Nos cabelos embaraçados, miudezas, 
florinhas do mato mesmo!

A vida? 
Vida sem nó, sem treta! 
Leveza!
Maria volta e põe aroma em casa: Cheiro, cor e amor!
Maria é pura flor: 
Maria Flor de açafrão!

Graça Campos,24/01/2018. Poema. Maria Flor de Açafrão.

OST/: Título: "Maria Flor de Açafrão"!
Fev/2018

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PRATA BABPEAPAZ

O abraço que ficou para sempre...

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 Querida Sílvia Mota,  amigos poetas e escritores:

Minha mãe se foi no dia 25 de novembro deste ano. Esteve hospitalizada, partiu tão serena, e deixou-nos a seus filhos, parentes e amigos também,  serenidade e paz! Preferimos não divulgar nas redes sociais. Desculpem minha ausência, mas a poesia vem chegando devagar... Aguardem! Abraço carinhosamente a todos. Grata,

Graça Campos

Mães não morrem... Ficam, de repente, encantadas, como dizia o poeta das “Rosas”.

A janela da moça assiste às buscas da alma

dos olhos esverdeados,

Estrelas de esperança!

A moça da Janela, agora, de lá, reflete a essência pura da existência de cá...

Plantou exemplos de amor, dedicação, fé, retidão! A grande guerreira, Maria das Dores que de “Dores” não tinha nada, foi e continua sendo “Maria Vitória”! Como amava ser tratada assim...

Virou Estrela maior, com brilho mais intenso. Das nuvens, continua tecendo agasalhos de afetos, a resguardarem do frio, dos ventos fortes, e da solidão a quem o amor será eterno...

Dos altares, entoa cânticos angelicais.  Trocou o violão por novos instrumentos, bem mais afinados, canta  louvores... Tarefeira incansável, aos afazeres em prol da evolução parceria divina!

Moça da janela, mãezinha maravilhosa, luz de amor!

Eternas saudades...

Maria das Graças Araújo Campos, 13/12/2017

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PRATA BABPEAPAZ

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Noite! 
Há nos sons do silêncio, o toque harmonioso de harpas entre nuvens da alma que se inspira na intensa voz do coração... Sementes se desprendem das notas musicais, aninham-se nas covas naturais do solo fértil da imaginação. E ganham verticalidade!
Havia um tempo... Havia um vento de varrer farelos, havia água de lavar as faces, havia sorrisos e lágrimas salgadas, mas havia cheiro noturno de rosas, e molhos de outras flores ajeitadas nos buracos das fechaduras. Havia uma porta que se fechava pouco depois de o sol se pôr! E acendiam-se as luzes da cidade, essas mais pareciam tomates madurinhos refletindo, nos pés de moleque, a sombra dos primeiros saltos altos em dias de festa!
Madrugadas de serenatas davam brilho de estrelas aos ouvidos surpresos, dispersando dúvidas dos escuros murais das ideias. Alegria aos amores puros, flutuantes em sonhos de viver amor e amar!
Adolescência mais que desafiadora, de arrepiar os poros, dizia-se: É... É sensibilidade! 
Mais que isso: Aonde vem e mora a magia dos sentidos do nascer dos ciclos e das fascinantes descobertas. Descobrir o medo, os véus da virgindade, os segredos da sexualidade naturalmente. 
A vida desperta outros tons e partituras, crescem meninas e meninos mergulhados ou não em suas percepções e conflitos bem próprios da idade! 
Relampeja, troveja, chove tempestades em copos d’água! Chove literalmente, e chovem chuvas de emoções e dúvidas. Passo a passo, nos riscos e nas certezas, a vida segue!
Dia!
Gritam as obrigações e morrem as “selenas” em seus quartos minguantes. Vivem as noções entre um mistério e novas luas!
Presas as canções que se evocam do âmago. Mar bravio de náufragos atropelando desejos. Desejos tais que atingem como flechas, as “escolhas” por questões externas. E, por aí, se vai redescobrindo na nudez, em fantasias, devaneios, maresias, o sentido real de ser e estar aqui e agora!
No entanto, a natureza humana, em constantes buscas, percorrendo sendas, explorando os mais íntimos espaços, integra novidades, cada vez mais, em seus degraus e graus de evolução! 
Do amor: Já se nasce amando à moda de sobrevivência! Aprende-se o amor, disciplina- o ou complica-o!
Conquista-se, perde-o, encontra-o ou desencontra-o! Mas o amor é centelha divina! Se adormece, se entristece, é só tecer de afetos a vivência, será possível achá-lo. 
Haverá vento de varrer as teias fúteis dos pensamentos, e água de lavar as faces maquiadas e risos de alma lavada. À porta antiga de madeira maciça, abrir-se-á o amanhecer de sol, de chuva mansa, acordando a vida com suavidade, musicando gratidão! 
Fio por fio dos cabelos, a melodia há de pentear toda a essência desde a infância que se soma ao adolescente, construtor de mil viagens, do adulto em sobressaltos à idade maior onde retoma-se, no íntimo, a trajetória inspiradora, matriz do real ensejo de nossa identidade!

Maria das Graças Araújo Campos/MG/ Brasil.
24/10/2017
Graça Campos.

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PRATA BABPEAPAZ

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Dia desses conversávamos sobre as lembranças e mimos da infância.  Meu marido e eu temos  essa mania do diálogo, o que  faz bem , creio , a todo e qualquer  relacionamento e à boa vivência em todos os tempos.

A convivência entre gerações, sem dúvida, produtiva, revela-se como fonte onde se jorra a entrega e a busca, troca de afetos, do ponto de vista entre o velho e o novo, enriquece a soma de conhecimentos, a sabedoria e práticas da vida. Enfim, somam-se, aos inúmeros benefícios, a alegria e o rejuvenescer!

Há tempos ouço contar alguma história de convivência boa e de saudade... Alguém que deixou suas marcas entre conversa e outra, pregando valores em lições onde a vida caminha pelas vias afora... 

Ele viveu no Século XIX a XX: Constituiu família numerosa, o que era próprio da época. Pai, avô, bisavô, fazendeiro cultivava em suas terras, o milho, feijão, arroz, mandioca, cana, dentre outros alimentos.  Produzia rapadura, farinha, criava aves, produzia o queijo minas.  Homem enérgico, mas também carinhoso e caridoso, assim contam os netos, quando se juntam para falar de parte da infância que passaram bem próximos ao avô.  

Um deles, a quem o avô apelidara de “Barão”, esse me conta, com orgulho, de fases da infância que a memória festeja  e agradece.

_ ”Eta, homem bom! Um homem desses  devia  estar vivo!  Ele era farto, cativava a todos pelo bom tom da boa educação e, por aí, vai tecendo elogios e falando da bondade do Vovô Alfredo”!

 Em geral, quando se reúnem, empolgam-se ao contarem da época deles, da meninada lá na fazenda. Parece sentirem até o gosto e cheiro das quitandas, das frutas, do café com leite  servidos com prazer. E mais, dos banhos no rio, das peraltices  e dos galopes a cavalo pelas trilhas, o que deixava os adultos atentos a qualquer eventualidade.

Entre uma conversa  e outra, um vai e vem e outro, uma pausa para os detalhes e nomes das pessoas que também viviam lá, trabalhadores, fiéis  amigos. Uns ficaram mesmo, como se fossem da família. Raimunda e Mariana, Conceição de Zé Julião, o carreiro, Lolói Canela... Todos reverenciavam o senhor Alfredo, pois era bravo, enérgico, gostava de tudo em seus devidos lugares. Mas era muito bom!  Ele tinha o hábito de assoviar e às vezes parava para contar histórias. De vida mesmo!

 Uma delas, que causava uma boa dose de medo, era a história de uma luz que o acompanhava ao voltar das visitas aos filhos, já casados, que moravam nos arredores.

Dizia que a tal luz ficava no pé do cipreste desde o momento em que desarreava seu animal de montaria até que adentrasse o casarão.

A Fazenda guarda ricas lembranças, riso de crianças, papo bom de vô e netos, e muito suor!  Suor e labuta de tempos em que o luxo não existia, a vida era bem simples, nem estrada havia...

Preservada com carinho e zelo, a Fazenda do Cedro, pertence a uma das gerações da família, cujo proprietário é  seu neto, Dorvalino, (Juninho Campos) um dos  maiores produtores de queijos de Minas Gerais!

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Pintura a óleo e foto da Fazenda do Cedro.

Graça Campos

Graça Campos, Setembro/2017. 

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PRATA BABPEAPAZ

Dos elogios e críticas

É sempre bom refletir...

Dos elogios e críticas

Um elogio incomoda muita gente, dois elogios incomodam muito mais... 

Assim também, as críticas! Esse primeiro motiva, alegra, faz pensar nas verdades e /ou falsidades.

Dependendo da maturidade de quem o faz e recebe, seduz ou manipula. 
No entanto, a crítica é relevante no sentido de atuar como geradora do crescimento, evolução e reconhecimento, pois torna-se filtro do negativo ao positivo, sem melindres, sem ofensas ou vice-versa.

Atire-se a primeira crítica quem não goste de um elogio! Faz bem à autoestima. Promove a autocrítica e autoconfiança, enaltece as qualidades, tece louvores, o que se leva a pensar, muito mais relevante que tecer defeitos os quais, certamente, não geram amabilidade.

Elogiar : aceitar as habilidades que se desenvolvem no outro. Saber admirar a capacidade, o trabalho de aprimoramento que acontece no dia a dia do ser humano, quando se busca aprimorar... Nada é perfeito, ninguém é perfeito, somos seres em constante desenvolvimento, mirando metas ou tendo vertigens, olhando as setas e acertando as retas, sonhando acertar quando se erra , mas acerta! Elogiar é carinho, gentileza, não tira pedaço, ao contrário, acrescenta boas energias e o retorno faz bem...

Maria das Graças Araújo Campos 
Graça Campos, 20/09/2017.

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PRATA BABPEAPAZ

SOB MEDIDA, O VESTIDO DE CHITA!

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Manhã de ventos fortes! Rebuliço nas folhas que ganham asas comuns à estação. Pétalas fluem, tingem o verde, e se doam em buquês (amarelo e rosa) dos ipês. O céu da paisagem pinta os olhos da gente. Um silêncio íntimo absorve as vozes do tempo... 

No campo, a vida descansa para reinício de semana. 

Ao longe, fumaça e fogo trazem cheiro e gosto de melado no misto dos aromas das florinhas que balançam e tentam se firmarem no chão, onde moram seus pés, onde, à caça do novo, se pisa em plataformas de sustentação diante das surpresas dos caminhos.

Voos passaredos, serra em floração, cantoria...  Sino dos ventos leva e traz harmonia! Contemplação!

Estação colorida e viçosa lembra-me vestes sedosas, saias fartas, rendas, leveza... Invade-me a vontade imensa de recompor alguns bordados, vindos de mãos graciosas, a cobrir-me o corpo bem mais jovem!

No entanto, busco o argumento que me despe e, dessa natureza colossal, imagino estampas e apliques, formosas flores do fruto do algodão...  

Inspira-me o nascimento das ideias, dos sonhos, e o renascimento de mim mesma!

Imagino colheitas, enquanto vou degustando fé e café, queijos, rosca da rainha e biscoitos de goma de Dona Miranda.

Traços e figuras já têm a forma que previa há pouco... E ele surge no pensamento, nas mãos que põe à prova, o croqui estiloso. Surge estampado, alusivo às lendas da Índia Medieval. Cheio de vida vem! 

Vem, meu vestido de chita! Vem trazer-me a aurora das cores, com fundo inspirado em primores de terra e além- mar de viagens...

Conta-me, em cada ramo, contos de encantos e a luta do solo ardente e sábio de um sol que irradia valores...

Parece feito sob medida,  o sonhado vestido de chita!

Lá fora, ventania encena...   

O vestido acena e veste-me plena!

 

Maria das Graças Araújo Campos. Santo  Antônio do Itambé. MG.

Graça Campos. Prosa poética. Sob Medida. O vestido de chita.

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Imagens do Google.

A Chita é um tecido de algodão com estampas de cores fortes , geralmente florais e tramas simples.
O nome chita vem do sânscrito chintz , surgiu na Índia medieval e conquistou europeus , antes de se popularizar no Brasil.

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PRATA BABPEAPAZ

Enquanto o pulso ainda pulsa,

Clorofilas ainda cores,

Órgãos vitais suspiram!

Clamam pela consciência, que, cinzenta,

Vai perdendo ciência, em olor, sabor, saber...

A mata, o rio, o bicho, a gente pede, por clemência,

 E geme temerosa em dor...

O pulso pulsa,

O coração do mundo

Soluça!           

Ecoa, rouca, a voz que, da garganta aos gritos,

Lamenta o choro, “AMAZONA”...

Chora o uirapuru, sofre a vida e seus ritos,

A mata se vai emudecendo...

Chora o bicho, o “dono da terra”,

Que será “Sem terra”?!

Sem ar,

Sem raiz,

Sem lema?

Pois, ao nascer, o destino deu vivência!

A elegância das copas floridas,

Rara beleza sem guarida, aonde vai?

Atirada aos feitores da ganância? 

Horrores!

Na face dos imbés e das bromélias,

Dúvidas, quebrantos,

Por toda a flora, prantos!

Força divina criadora:  Põe tento nessa humanidade que se encontra des /humana!                          

Ressabiados, pássaros cantores, ainda em seus recantos,

Emitem, tímidos, uníssona cantiga: “Existência amiga”!

Penas camuflam imagens que, sonhadas, entorpecem-se da insônia,

Onde folhas se escondem apressadas, vivendo pesadelos, turbulentos!

E, aos olhos grandes, cheios de maldade,

Os “maus olhados”...

Benze a floresta, Pai Nosso! Benze a floresta, os rios e habitantes,

Onde  a essência divina de tua arte

Quer vida, quer vida, quer vida agregando valores sapientes,

Descobrindo-se  o teto da decência!  

Salve a Amazônia!   

                                                                                                           

Maria Das Graças Araújo Campos. Enquanto o pulso ainda pulsa, Clorofilas ainda cores... AMAZÔNIA!Graça Campos. 29/08/2017.

 

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PRATA BABPEAPAZ

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BAGAGEM 9.2 (onde mora o menino e o velho amigo)...

Pai, em tua bagagem há riso de bom-humor, humano calor, sorriso/simpatia, onde mora o menino José, o moço velho e o sábio amigo. Dedicação, força, coragem, e garra aos montes. Sabedoria, amor e proteção. Provedor desprendido, que se diz “Homem rico”! Sim, tudo e mais... Dessa riqueza referida aos teus tesouros, os filhos.
Vens de um tempo onde décadas lhe ampliaram o olhar ao mundo, para ser! Provaste de questões políticas, períodos de guerra, a segunda mundial, regimes ditadores, etc. E, como sabes contar! O viajor pegou carona nos conhecimentos.Talentoso, apreendeu, nas malas, a fala desenvolta, oralidade correta e expressiva. Das estradas, exímio condutor, consciente no volante de caminhões, cargas pesadas, tornando a luta diária sob-rodas, a certeza do sustento em leveza e conforto à família.

Menino José, que vem de longe, bem nascido no seio de família numerosa, dos Araújos d’além-mar e brasileiros. O mineiro, guerreiro de “Conquistas”! Veem- se tão perto, propósitos divinos, que bem se dizem: _ “Deus escreve certo”!

Pois, acertou em cheio! O menino com apenas 8 anos, já escrevia e lia, a frequentar a escolinha da fazenda Bacuri, teve de entregar a mão à palmatória, desenvolvendo a escrita sem partidos, além de inteligência e bons costumes.
Acostumou-se às asperezas de época, sem mesmo se acostumar! Acostumou-se ao conforto pelo esforço, tão logo ganhou asas, o arteiro, e ansioso em suas buscas, assim que tomou porte de homem, ganhou coragem de enfrentar a lida por si, às exigências da sobrevivência. (Amoroso, sentiu deixar os pais, mas sempre os visitava). 
Em suas tarefas, mostrou agilidade e competência na área mecânica, do manuseio à manutenção de máquinas de grande porte. 
Um dia, fora observado, e, logo, convidado, a acompanhar a empresa RAS- Companhia de Estradas e Rodagens.

Jovem, bonito, elegante, e prosa boa, o menino ainda hoje, mora na sapiência de um moço velho, carregando consigo, a fartura de uma vivência inenarrável!

São só 92 anos com memória perfeita, e ele se conserva saudável!

Dia desses, passamos uma tarde tão calma, e tão prazerosa acompanhada do café da Lúcia e bolos mais abraços. E, no protagonismo, as narrativas, os causos reais. Emocionados todos, ouvíamos os fatos, data histórica, dia anterior àquele encontro. E, não seria diferente a presença de um largo sorriso que, por sinal, foi o grande motivo da emoção.

Eram 65 anos na lembrança de quem, pela primeira vez, avistava e pisava em terras serranas em companhia do amigo, engenheiro, Dr. Edésio! A aventura durou uma semana, partindo da capital BH, com destino a Serro. E os olhos do menino Zé de Paula brilharam!

O transporte, um caminhão que fora do exército, rumo à Estrada Real, onde a Serra da Vacaria quebrava as molas de quantas pedras em plena via. Assim, foram as paradas obrigatórias. Seguir viagem? Só após removê-las. O tal caminhão chegou a Conceição do Mato Dentro. 
Por ali ficou. Carregou carga pesada e se cansou. Afinal, D7 Caterpillar tem lá, suas toneladas!

Foi assim que pai chegou ao Serro, em 11 de junho de 1952. Isso, antes de passar com o trator de esteira nas águas do Rio do Ouro Fino. Foram recebidos pela família d Sr. Neném de Melo com café e boas-vindas!
Mais à frente, havia a ponte de madeira, sem chance de suportar o peso das máquinas, e o jeito foi passar dentro do rio, e cheio, devido á enchente ocorrida naquele período. Conseguiram passar nas águas, no terreno do Sr. Toninho (Antônio de Aloízio), em seguida pelas terras de Sr. Astério. Mais à frente, avistaram o SERRO!
Aí, abriram estradas, fizeram grandes amizades. Alguns se casaram, constituíram suas famílias, outros, não!
O menino José, por sorte do destino, havia de se aventurar, pois, pelos planos divinos, a bela mulher serrana representava a matriz, maternidade que eu aguardava para vir à Terra em minhas raízes mais profundas!

Então, meu pai querido! Como é bonita a vida! Quantas bênçãos envolvendo a gente para que a vida renasça em forma de menina! Menina curiosa, antes calada a observar minúcias em questões, o que entendo agora na maturidade muito falante! Quanta prosa! Parece fermento crescendo ideias e evoluindo e, na receita, firmeza, para não me derreter em lágrimas, enquanto ouço tuas histórias reais. 
Obrigada, menino Zé! Obrigada, pai amado! Feliz dia!
Te amo! 
Bjsssssss

Maria das Graças Araújo Campos. BAGAGEM 9.2 (onde mora o menino e o velho amigo).
08/08/2017.
Graça Campos

 

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Maria das Graças Araújo Campos. BAGAGEM 9.2 (onde mora o menino e o velho amigo).

Santo Antônio do Itambé, 08/08/2017.

Graça Campos

 

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PRATA BABPEAPAZ

Comunicar... Tarefa promissora, além de mero verbo!
Potencial compromisso dos mais responsáveis, o dom da palavra falada e/ou escrita, etc. E comum a todos em geral! 
Dizem que a palavra vale prata e o silêncio vale ouro. No entanto, deixemos à mercê das releituras, classificar entre clichês, ou novas denominações. 
No momento, opto por conceituar o dito dentre as proverbiais, claro, vindo a calhar em situações umas e outras. Contudo, nem sempre consta ou confere-se ao idealismo... 
Comunicar, atividade de ultrapassar os textos, olhares, gestos, imagens, e desejar compartilhar, tornar comum, dividir multiplicando toda e qualquer ação, todo e qualquer sonho, tudo ao nada, nada ao todo, ao que compensa e descompensa, ao que real importa e ao que se julga, tanto subjugando quanto valorizando. 
Enfim, ao léu, ao escarcéu, se se perde a ponta do cipó, que urja o desejo de buscar os nós e desatá-los. Fora grilhões, avante a compaixão! Abaixo o ruminar notícias desprovidas de significâncias elevadas! Desatem corredeiras de benquerença e bem fazer! Tomara Deus, o tempo se abasteça e pensamentos transbordem canções vivazes...
Aí, certamente vamos fazer valer os grandes feitos em pequenos gestos, como se, dentro do palheiro, haja o achado, se encontre a agulha de coser, de refazer, de crer e buscar sempre!
Comunicar... Tarefa promissora de ventos zéfiros, catando palavras como flores e encontrando abrigos em aromas de beijos e asas... 
Assim, a fé e esperança vão dominar as bocas e as mentes, e haverá campos de girassóis mirando a gente...
Comunicar a experiência sem luxo, assim como se desnudando sem pressa, porque o show fica por conta da transparência!

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Maria das Graças Araújo Campos. Comunicar... Tarefa promissora, além de mero verbo!
Graça Campos, 07/06/2017.

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PRATA BABPEAPAZ

ENGENHO

3542062882?profile=originalEngenho

O cheiro de garapa é suprassumo do gosto por regar raízes...
O bagaço que se esmoeu em rodas, no giro incansável, os gemidos que gemiam sabor de mel, gemiam pelo sustento banhado da fé de uma vivência tão simples, daqueles homens firmes e concentrados, cada qual em suas distintas funções.

Dos projetos de um grande empreendedor ao sumo da sobrevivência de uma época que honra minha alma e alegra-me!
Primeiro, a pá/lavra. Em sequência, a lavoura, o plantador, o colhedor, o corte da cana a espiar o facão sem nenhuma compaixão de acertar os nós, apaixonado pela destreza do produto final, da subsistência...

Dentre tantos, alguns se sobressaem de modo especial. Citando o engenho, sem dúvidas, reverencio meu avô materno. O segundo... O terceiro, etc. , vão surgindo em novos textos.

Vindo aí, a beleza da memória , que é vida! Sem as lembranças, o presente anula o passado... Vivências são riquezas, lições e testemunhos dos quais somos coadjuvantes, encenando, até que chegue a vez de sermos distintos personagens do próprio protagonismo!

Vovô Geraldo, de mente fértil, admirável engenharia de nascença aquele senhor, dono de mundão de terras, de gado bem cuidado nos tempos do capim meloso, de receitas homeopatas, de tanta sabedoria, de provedor que gerava ocupações diversas e usava de retidão aos que lhe prestavam serviços, inclusive, ao Siô Edgardo...

Ah, Siô Edgardo, vizinho ali da Chácara, de cara carrancuda que só! Um fingidor, pois tamanha sua moleza de regar a vida, da fala grossa, das mãos cascudas, da cuia se enchendo no rego d’água, molhando a horta de sustentar as irmãs tão caladas... No entanto, contrário, o coração molengo e doce, assim tal o canavial que mora aqui no imaginário, mesmo passadas décadas, sente o frescor na memória tenra de quem observava a tudo!

O engenho não parou... Há gente ativa trabalhando pela vida! A roda imensa, amadeirada apenas transformou- se em novas alternâncias.

O engenho reforça as cores de minha alma, visto por ora desbotado, após tanto labor, não é só lembranças... A preciosa água ainda hoje escorre clara, decerto deu suas voltas por aí em seu trajeto natural e preservado. Escorre, não se envolve com intempéries, escorre sem dar brecha às mazelas do tempo...

Engenho abençoado! As velhas paredes vão se remoçando no brilho da arte que me inspira em paredes transparentes de agora...

Maria das Graças Araújo Campos
Graça Campos, 03/08/2017.

Inspiração para a próxima pintura! Engenho Abençoado...
Aguardem!

Graça Campos03/08/2017.

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