Posts de Maria-José Chantal F. Dias (77)

BRONZE BABPEAPAZ
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Princesa Júlia Chegou!!
As Fadas em Conselho se reuniram 
Rápido destacaram as Fadas de Condão,
pois urgente era voarem ao Brasil!
Para que na moldura esmeralda e safira,
no ouro dos girassóis,
lançarem seus dotes de condão
no farolzinho de Sílvia, acabado de nascer!
Nas asas das libelinhas e dos beija-flor 
voaram!
 
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Princesinha JÚLIA, sou Fada Azul, te trago a Luz e toda o raio lindo da força cheia de Magia Inteligência de Emoções!
Pois eu, Princesa Julia, sou a Fada Verde e te fado com a magia das árvores, de quem serás muito amiga e com as silvas aflautarás sons divinos, audíveis dos pássaros e de mil fadas, que até ti virão te encantar!
Princesinha Julia, sou a Fada Rosa, e meu rasto Rosa te envolverá em ondas de Amor, que receberás e devolverás em mil abraços e nas mãos, que tu darás a quantos de ti se aproximarem!
Princesinha Júlia, eu sou a Fada das mil cores!! A minha vara de condão toca-te, para todas as cores do arco-iris te envolverem, pois nelas o Pote de Ouro vais encontrar com Amigos Culturas e mil Músicas para tocar e cantar, no Amor de todas as Artes! Dela jorram mil estrelas sobre as quais caminharás!
Princesinha Júlia, eu sou a Fada dos Bosques e gosto sentar-me nas Flores Brancas e nas frutas, brinco com todos os meus amiguinhos que são uns animais lindissimos! Eu te fado para sempre amares meus frutos cheios de sucos doces e frescos! Te fado para todos os animaiszinhos amares e as fontes e nascentes protegeres!
Depois em coro exclamaram, 
s uas Varas de Condão erguidas girando:
"Princesinha! Princesinha! Princesinha!
NÓS TE AMAMOS MUITO!
Recebe nossas Flores e nossas Cores
cheias de doces e mágicos Poemas !"
E num rastro de mil cores e flores perfumadas
regressaram ao seu reino de Fadas
só dos bébés conhecido !!!
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Chantal Fournet
Vóvó de Matilde Gabriel e de Madeleine-Elise
para Júlia netinha de Silvia Mota
Portugal
30 de Maio 2018 
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LUA ROSA

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LUA ROSA

Lua Rosa és dúvida e frio

Os Santos de Gelo sorriem nesta ironia .

Na gentileza de teu rasto de luz

Vem frio, ventos de chuva gelada ...

Lua Rosa de mil pétalas esvoaçantes!

                        -   Afinal ... é Primavera!

Mentirosa te chamam, ó Lua gracejante!

Quando cresces dizes que diminuis

Quando encolhes lêem-te a crescer.

Teu Rosa, é cor sem drama nas nuvens,

Encasteladas como chantilly sobre bolo de festa,

Como teu rosa problemas espinhosos traz,

Uivantes, perplexos  de faíscas  e águas

Lua Rosa Lua Rosa!!

A premiada invernia primaveril ,

Tua gentil proeza!!

Chantal Fournet 

28 Maio 2018        

Portugal

 

 

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MÃE

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MÃE

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Dama branca luminosa no alto posta,
Carinhosa ternura de leite, rutilante como mel
Maternal face marfim, ó sensível luz!
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Mágica forma milenar, intemporal ainda assim
Leitosa energia em diálogo com os Homens,
Mutante doçura sempre atenta mesmo se oculta 
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Silenciosa sentinela, maré de amor, és placidez inspiradora.
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Maternal rara força, moves forças imensas da Natureza... MÃE!
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Chantal Fournet
13 Maio 2018
Portugal
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PEAPAZ!

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PEAPAZ  Amor e Paz

Entre todos os seres do mundo inteiro

Em Paz em Amor em Inspiração

As palavras

Simples, escola, livro, erva,

Horas, paixão, melancolia,

Fé, elos, Eros confiança, arvore,

Jardim, borboleta, criança,

Guerra e Paz e Flores e Mulher e Homem

Virilidade, fantasia e palavra, verdade e mentira

Se tornam Poemas

Se tornam pessoas !

Tudo surge belo, tudo se torna

              Amizade e Amor e Realidade!

A virtualidade torna-se realidade

              Sangue e alma

           Batidas de coração…

                                                                                              In Je suis Peapaz” 2016

Chantal Fournet

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Ó! Chegaste Primavera!

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Ó! Chegaste Primavera!

 

-- "Ó! Chegaste Primavera!" --

Esta exclamação é lida e ouvida

Com vários contornos e tons!

Alegria! Surpresa! Tédio…!

Diz o depressivo

- Renasce a Vida! – Que enfado!

"Quero manter as pantufas enoveladas de nevoeiro,

Quero esse vidro fosco, de não ver a nitidez,

Os contornos crus, cores de criança mimada.

Que Enfado, esta vida que aí vem!

Rebenta por todo o lado!

Chega toda esfuziante e apressadinha

Quer mostrar-se a impertinente menininha!

Pensa que todos estão aí, para aturar seus caprichos!

Desperta com sol a rir para logo a seguir,

Em repentista sem razão, nos mostra a chuvada

Que nos molha e encharca, sem nos deixar chão.

Sem falar do vento que ela lembra de soprar,

Também sem avisar, essa grande caprichosa!

Porque não é ela como o Inverno, sisudo sério e frio?

Sabemos sempre com o que contar, sem pestanejar!

Que tédio, essa impertinente garota, só vem nos perturbar."

 

Diz o febril adolescente

_Que bacana que legal! Não tardam os mergulhos na surfada! -

 Enquanto o Entusiasta exclama a felicidade

Do Renascer da Vida! Do adeus aos grisalhos enfados diários!

Bem-Vinda Primavera!

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20/3/2018

Chantal Fournet

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Portugal

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MARIELLE...

MARIELLE

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Somos Mulheres-Marielle

Somos crias de Maré, somos crias de Serras e granitos,

.

Somos Marielle-Anónimas,

Lá no Rio de Janeiro e em todo o Brasil

no Mundo inteiro,

Somos Marielle-Borboletas 

Elas caiem na bala outras na facada 

No bofetão e nas pauladas

Somos Mulheres

 Activistas da vida ou deputadas 

Na frente da batalha na frente de tudo

 Alvos incómodos. Faladores. 

Alvos a abater

Como animais no matadouro

Seja ele que género for.

.

Sempre será uma rua de sangue

 Uma sala de morte 

Sem julgamento pois sempre julgadas somos

De esquerda

direita

centradas

Sempre culpadas.

Somos

Vermelhas azuis brancas verdes

Negras ou amarelas,

Mães ou madrastas

Somos sempre culpadas

Do tudo e do nada,

De Falar

Amar 

De Agir 

                              De Pensar

                                                                                                 de Existir

 

Ah! Sobretudo por Existir!

Alvos certeiros incómodos!

.

Mulher-Mártir

Marielle é o ícone das Mulheres

De todas as correntes

Da Escrava à Liberada!

.

Justiça pretendida para todas as que caem

Nas ruas do Mundo

Mulheres

.

SÓ por existirem ...

Chantal Fournet – 18/3/2018

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Em mim ressoará para todo o sempre,

a ESPERANÇA a CONFIANÇA a SAÚDE

o AMOR e a ALEGRIA

Tudo elevado à potência INFINITA!!!

Dificil escolher um destes estados, como mais importante!

NADA é mais importante que o brilho do ENTUSIASMO, da ALEGRIA da CONFIANÇA e do AMOR para se conseguir sentir a SAÚDE vibrar nas nossas células!

SEI por mim, o quanto isto é VERDADE! não é informação de pacotilha de "agua-de-rosas"!!! rs

Se deixarmos a Tristeza, o Medo e outros poluentes do género nos invadir de imediato as maleitas do espirito e do corpo fazem do nosso corpo seu campo de distrações e de batalha!

É dificil numa batalha manter o Rumo e no Caos não definhar. Sejam quais forem as batalhas e os caos em que estejamos metidos.

Desejo a todos quantos enfrentam esses momentos caóticos que não se esqueçam que somos todos como as pinhas ardendo numa foqueira numa lareira: ardem, ficam rubras e incandescentes, mas SEU CENTRO- EIXO não se desfaz, antes de arder totalmente e ficar em cinza! Não perde o seu eixo!

Não percamos então o nosso  eixo! Pensemos que somos muito mais que as más circunstâncias que nos envolvem!

Estes são os meus votos para todos neste maravilhoso Portal PEAPAZ!!

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meu abraço forte e longo a  todos!

Chantal Fournet

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TENDRES SOUVENIRS

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TENDRES SOUVENIRS...
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Doux souvenirs, doux moments à jamais gravés. 
Tendres regrets, moments perdus ou gagnés,
tout au gré du vent, 
au gré des heures et du Temps.
Douces émotions, tendre lassitude  
nonchalante mémoire d'atmosphère ouatée
parfumée de roses déjà fannées 
Écrin de soie crissante 
bruissante malgré le temps
un passé toujours impiétant notre présent...
<.
Heureusement!
.
<.
Chantal Fournet
12/12/2017
Portugal

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2018!

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Quase um pulinho ...

Chegamos  lá

Lá! Ao Infinito dum OITO infinto 

Ilimitado!

Para trás ficam conflitos sociais

Os politicos corruptos, as ideias sem rumo

As doenças sócio-politicas.

O Caos ilimitado como ilimitado é o Homem

Que cego da sua capacidade

É incapaz de

Transformar sua Força em  Bem!

entendimento bem limitado ...

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Quase Lá! Quase Lá!

Ao Infinito dum OITO infinto Ilimitado!

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Chegando vem a luminosidade!

-- Diz quem sabe, que se uns tantos quiserem 

isso torna-se possível... -- 

Acreditar é preciso! 

É URGENTE cantava o Poeta!

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Que o riso se solte fazendo arma 

contra o desassossego

Contra a caótica destruição pretendida

duma Consciência Coletiva!

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Que o OITO luminoso e ridente

Irradie ALEGRIA rompendo

O breu e a lama do rebaixamento e da inépcia

Com que encharcam nossos neurónios!

FELIZ 2018!!!

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Meus votos aos peapazianos

POETAS E ESCRITORES 

DO AMOR E DA PAZ!

QUE TODOS ENCONTREM A FELICIDADE EM 2018!

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PRESENTE....

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PRESENTE 

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Presente  de Vida  É   Ouro

                                                      É   luz  no olhar 

                                                                                                                                                                                                                        Com a Lua em luar

                         

        Rolando  nos seixos da praia

                                                             Nas Ondas espraiada 

                                                                                                                                                                                                                               De brancas espumas  Salgadas…

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Chantal Fournet

Portugal

17 /12 /17

  

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VÉUS DE MEMÓRIA

VÉUS DE MEMÓRIA

 

No clamor sem sombras nem véus

Relembro teu sorriso e doce falar

Meu nome era musical em teu linguajar

 

Como me falta teu olhar! 

Tuas mãos... Ah! Como lhes sinto a ausência!

 

Nelas existia o dom de tranquilizar

De todo teu ser, essa energia emanava.

Quem diria, tão suave e tranquila?

 

Secretamente teu nome reluz 

Cravado está em minha Alma e Ser,

Vibra troante em mim, mesmo sem o pronunciar. 

 

Amas Gémeas, Tu e Eu eramos Nós

Sem nunca deixarmos de ser o Eu e o Tu,

Que nos sabíamos no existir!

 

Sem mágoas te relembro. A Felicidade me inunda.

Nos séculos separados, nosso ciclo foi concluído.

Não agradecerei o bastante essa ventura...

 

 

Chantal Fournet

14 Novembro 2017 / corrigido e revisto em 11 Dezembro 2017

Portugal

9h pm

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~~~~

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NOVEMBRO!

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NOVEMBRO

Novembro de mistério, nebuloso e plúmbeo

Tão misterioso e térreo se reveste Novembro

Atmosfera húmida algodoada de nevoeiros

Os sons nela se dispersam perdidos de rumos

Gotículas amontoam-se sábias em tudo

Quanto minúsculo de aconchego se faz.

Novembro de mistérios

Na terra castanha por vezes gelada com

Seu coração tépido, morno como leite…

Nela, sementes lançadas por mãos, patas ou de

Explosões invisíveis de mil plantas germinam

São sentimentos da Alma da Mãe Natura que

Calma e inexoravelmente conscientes criam raízes,

Cumprindo-se o eterno imutável ciclo Mater Vitae

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Novembro de recolhimento nestas paragens

Esmorecem as cores e despe a natureza seus mantos

Recolhe o Sol abate a vida exterior aumenta a interior!

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Quisera que os humanos nela vivendo recolhessem

Este sábio germinar de sentires e saberes

Que dominassem em seu peito raivas e rancores

Destruidores sem peias de respeito

Quisera que fossemos plantas

Que reagem à musica e à palavra, ao convivo dos seres

Então não escreveríamos… mas seriamos tão melhores……

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Novembro … Explode a Vida noutros lugares!

Sabedoria dum planeta estimado

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Chantal Fournet

1 Novembro 2017 


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                                         NOITE... (FOI ONTEM,  BEATRIZ…)

 

                                                                 I

 

TUDO naquela noite tornava impossível o trabalho que ela prometera ao editor. Era uma realidade!

O calor tornara a sua pele húmida e os cabelos colados. De nada valeram os duches, o chá gelado e o chá morno! Mas bem! Trabalho era trabalho!

Olhando para a sua velha portátil Underwood 37 – tinha que ser velha como mandam os ditames escriturários! – Sorriu para a folha, imaculada e virgem! Isto é, quase virgem, pois nela já se erguia românamente majestático, o importante e clássico I, pontuando e prometendo algo que não queria sair…

Mas o certo é que nada … Nada saía das meninges, ferventes de calor e gélidas de ideias!

Encolheu os ombros. Virá por certo a meio da noite ou lá para o alvorecer, quando as aves despertam e as flores respiram de outra forma, em  Aenon, a Hora dos Deuses!

E aquele I continuava fitando-a com demasiada arrogância interrogativa!

O calor era sufocante. Estava uma noite sensual, de banhos nocturnos e refrescantes, no mar, cujo rumor se misturava aos outros sons. Não estava longe. Era só atravessar a aldeia, que se tinha espraiado ao longo do areal. Aldeia de pescadores e baía serena, eis o que ela tinha por perto. Dunas perfumadas, areais e pinheiros retorcidos, por ventos fortes enquanto jovens.

Tudo naquela noite convidava ao romance!

Da Praça Velha, trazidos pelas ondas de calor, vinham os sons lânguidos e chorosos dum acordeão e dum Bandoneon, tocando aquilo que, duma tal noite, se poderia esperar: Tangos! Tangos, plangentes, langorosos, sensuais de silêncios e longos acordes… Dignos duma tórrida noite de verão, em que os corpos pedem outros corpos e longas carícias, abraços abrasadores e águas de mar, envolventes como braços…

Sacudiu-se! … I … I … I … I … olhava para ela……

Majestático, aquele número mantinha-se interrogador! Não era sobre romance e sensualidade que o editor pedira!!! Era sobre Intervenção Social…… nada tinha a ver com nada! Intervenção Social!!!

Bolas! Só faltava agora a voz xaroposa do cantor! Santo Deus a perdoasse, de invocar o Seu Santo Nome em vão! Era  mesmo, o grande Carlos Gardel! Aquela voz de timbre único e nasalado, cantava “Volver”, quase chorando e arrancando as sílabas do seu mais profundo íntimo, dando-as à luz, com dor e pranto…

 

Tudo concorria para a inspiração e escrita do que o editor não pedira!

Que bem lhe sabiam os sons da rua! Foi à varanda! Aspirou longamente o ar intensamente perfumado! Gerânios e Jasmins davam as mãos às esmorecidas Hortênsias, para perfumar a noite, onde se misturava a intensa e apelante nota marítima! E deixou-se levar pelos sons e perfumes.

Ligeira, rodopiou em passos longos enquanto pensava no que fariam os seus heróis em tal momento!

- Sairiam! - Exclamou ela bem alto, jovialmente aliviada com a sua decisão!  

Calçou as leves sandálias, que melhor lhe realçavam o andar balouçante! Olhou-se ao espelho e pareceu satisfeita com o que viu! A saia, cor de lápis-lazúli, balançava ao seu ritmo, ondulando à sua volta e o salto da sandália dava o toque! Faltava algo ao cabelo ondulado, castanho profundo! Olhou para a varanda e disse para o gerânio cor de fogo: ”Tu! Tu vens comigo!”. Prendeu a flor redonda no cabelo! Olhando novamente, achou que o seu leve bronzeado não precisava de mais nada, para além de salientar os cílios com o rimmel e acentuar os lábios carnudos, duma boca sorridente, com o bâton!

Olhando a sua velha máquina, sorriu com ternura e, piscando-lhe o olho, disse-lhe: “Vou dançar e romancear! Até logo!”. Lançando-lhe um beijo com as pontas dos dedos, saiu para a noite.

 

II

O velho portão forjado chiou, no seu canto dolente e agudo e, no escuro da noite, deslizou pela rua em direcção a Praça Velha. Hesitou ainda, se não iria primeiro junto ao mar, mas a voz e a música levaram-na até à praça.

Numerosas pessoas acotovelavam-se, dançando ao ritmo inebriante dos tangos, que os altifalantes lançavam para a noite.

A vibração da música ganhava a amplitude dos sentidos. Sentia o sangue correr agitado pelas pernas, depois de terem feito vibrar seus pés que queriam dançar! Um doce calor invadia-a!

Aproximou-se do círculo que se formara junto de quem dançava.

 

E, do meio da confusão dos pares enlaçados, ela viu-O! Apercebeu-se da sua presença magnética, misteriosa, de olhos profundos e rosto marcado, apesar de juvenil. Carregava consigo uma guitarra enorme, clássica.

De olhos magneticamente presos um no outro, sentiu de súbito que tudo à sua volta se desvanecia em bruma algodoada, como se flutuasse e só os dois existissem, ali, na Praça Velha.

Dedilhando as cordas, um som, primeiro como um rio saltitante, depois, retumbante como um tropel, ecoou pelas paredes antigas da Praça, qual cavalgada. Começou então a ressoar dentro de si, no mais, mais profundo do seu corpo! Pontos, por ela desconhecidos momentos antes, vibravam em uníssono com aqueles dedos, que tangiam com vigor, as cordas mágicas da guitarra!

Todos os pares deslizaram ao som mágico do músico, enquanto ela, sempre alheia a tudo o que a rodeava, de olhos presos no fogo de carvão ardente daquele olhar, do guitarrista se aproximava.

E dançou! Dançou leve, solta, olhos nos olhos, bamboleio da saia e flor presa no cabelo livre; dançou livre, como sua Alma e seu corpo recém-nascido, graças à Guitarra dum desconhecido.

Mas seria assim tão desconhecido…? Ondas de notas soltas. Teclas mágicas, que só alguns conhecem.

Chantal Fournet

(Agosto 2012- 15 Março 2015)

 

III

Amanheceram várias manhãs sobre aquela noite perfumada de Verão!

Ao chegar a casa pisando em nuvens, seu corpo sentia-se volátil tal gaivota ou pardal! Fora rainha, rameira, muito princesa, princesa entre areais e cascos duros de barcos de pesca. Sob estrelas e marulhar de ondas em marés suaves e mais fortes, iguais aos momentos e movimentos de seus corpos. Movimentos intensos dedilhados em seguidilhas e arpejos intensos onde seus corpos desposavam o ritmo do oceano.

Em si ecoavam sons e silêncios. Vibrantes.

Olhou sua velha Underwood e lembrou-se, como em sonho demasiado distante, o que a atormentava antes de sair para a Praça Velha! Reparou no cesto de papéis cheio de folhas amarrotadas!

Acariciou suave e ternamente sua velha máquina sorrindo murmurou-lhe: “ Não! Tu não vais acabar teus dias na Segurança Social!! Não vais acabar tua vida a falar de relatórios!! Vais romancear poemar e fantasiar, para que muitos sonhem com as palavras que vêm de tuas teclas redondas e meio-gastas!!”

Seu riso gorjeado soltou-se em notas cristalinas enquanto em rodopio pegava no telefone e correctamente rescindia seu pseudo-contrato com o Editor!

Feliz, sentou-se frente ao velho teclado. Inseriu uma folha entre os rolos, cujas bordas eram revestidas duma leve escovinha, metodicamente ajustou a fita da máquina, verificou os braços das letras, accionou o manípulo lateral para subir a folha e fez deslizar o tambor, só para ter o prazer de ouvir a campainha suave, que em cada fim de linha, tocava!

Preparada, abriu suas mãos como se fossem as asas dum pássaro ou uma borboleta, esticando seus dedos cruzados. Pronta começou rápido a teclar nos botões pretos e desgastados, cercados de níquel brilhante.

Um sorriso iluminava-lhe o rosto, impregnado de doçura apaixonada e Mulher realizada!

 

IV

Foi Ontem, Beatriz...

Passaram os anos, mas não parece. Continuamos parados na linha do tempo, infinita, imprecisa, sem sombras talvez. Contudo existem as sombras. Os dias escoam-se. Só.

Na rua em que habito, nela habita também um eterno domingo. O silêncio entrecortado por um esporádico latido, piar de pássaros ou os mochos à noite.

Quase se é feliz, quando chegam os grandes ventos, as nortadas e os secantes ventos de leste, que furiosos sopram, mobilando a noite com seus sons.

Mergulho na minha guitarra e nela passeio meus dedos nas cordas, que desejo agrestes, dialogo e, não raras vezes, discuto longamente com ela.

E vivo o Silêncio.

Onde, diz-me? Onde o vibrante tanger das cordas, das guitarras ou o choro rasgado e arrastado dos bandoneóns de antanho, nas nossas praças? Antanho? Mas, se praticamente foi ontem…

Ah! Beatriz! Vi-te chegar à Praça Velha, leve, dançante na tua saia que contigo dançava, teus cabelos cheios, teu olhar apaixonado, sedento do indefinido, mordiscavas leve teu lábio, duma boca cheia, carnuda e firme! Defini-te pelo seu traçado: trazias nela a marca de quem morde a Vida, como uma maça sumarenta e não lhe perde qualquer gota de seu suco!

Tua boca era cheia, do que, para mim, seriam premissas e promessas de palavras, sons, canto, beijos e caricias. Imaginei tua voz meio gutural, risonha, e teu riso gorjeado, como de ave, rolando seu canto!

Para mim, foi Ontem amada.

Nesse ontem quente, duma noite de Verão. Toquei para ti e tu dançaste só para mim. Tantalizante dança, de obscuros desígnios e sortilégios. Feitiços, duma lua obscurecida por ser nova, na sua eterna sabedoria, eternidade velha.

Sábia, ocultou nosso enlace no fresco areal, abrasados, frementes e enlaçados nas sombras dos barcos de pesca, rompemos fronteiras em seguidilhas, escalas dedilhadas ao infinito, sem limite, nua, maré enchente abafando nossos audíveis fragores roucos, na nossa nudez vestida.

O Verão seguiu entre nós, fugazmente ocultado nessas sombras frescas, que acolhiam nossos fragores.

Nunca questionámos nossos dias. Quem eramos, o que fazíamos, o que era nossa historia. Não nos preocupava. Nem disso precisávamos…as estrelas e o mar diziam-nos quem nós eramos.  

O mundo começava e acabava dentro dos nossos olhos, habitava o nosso coração. Tudo o resto era inexistente. Perdia-se camuflado, numa poalha diáfana.
Era desejo. Era liberdade e individualismo… Jovens e boémios, o fogo da vida circulava em nós, vibrante e musical, precioso vinho dos deuses!

Como me recordas? Por onde andarás… Minha fada-cigana do sol-posto!

Hoje, mais que ontem, gostava tanto de ter sabido mais sobre ti. Contudo, enquadrar-te num cenário seria matar-nos.

Somos do Tempo, como o Vento e a Lua…sem molde nem moldura.

https://youtu.be/9dqzGgMnypw

FIM

Maria-José Chantal F. Dias

Portugal

(I Novembro 2016 – IV Abril 2017/ III Julho 2017)

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LE PETIT PARADIS

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LE PETIT PARADIS

No trânsito lento, quase parado, o calor torna-se insustentável.

No pára-arranca constante, quase ritmado, com a alavanca das mudanças entre a 1ª e a 2ª. A mão praticamente fica sobre essa bola ergonómica, que lhe enchia a mão, com um calor morno, suave, como suave era a textura dessa forma, quase humana.

O trânsito decididamente não andava. A reunião teria que se fazer sem ela, nada poderia fazer para alterar a situação. Suspirou enquanto, novamente, perdera já a conta a quantas, vaporizava seu rosto com o spray, que trazia na carteira, para tais calores e outros do género. Distraída acariciava a bola da alavanca, sentindo seu bojo suave. Lembrou-se como estaria bem na frescura da casa de seu príncipe, como desejava estar junto dele, sentir suas mãos, a boca correndo seu pescoço e…

 Sacudiu a modorra que a assolava e, desperta, olhava em sua volta, buscava atenta, uma zona de fuga possível naquele trânsito, que decidira naquele dia, infernizar-lhe a vida. Diziam os taxistas que a 2ª-feira e a 4ª-feira eram os piores dias de circulação já sem falar da sexta-feira, no êxodo de fim-de-semana. Subitamente abriu-se uma nesga, à sua direita. Rápida engatou a mudança esgueirou-se faceira, no dédalo de ruelas que felizmente, conhecia bem. Mais umas curvas, voltas e requebros e conseguiria fugir ao marasmo pesado do calor e do trânsito.

Tomou a decisão! Sem pensar duas vezes (e porque seu carro decidira por ela!) estacionou! … Até tinha lugar! E sempre que isso acontecia, ela sabia que agia certo…mesmo que errado! Sorriu com riso maroto, um brilho travesso apontando no olhar! Tocou leve a campainha e abrindo a porta de lagarta-metálica, o ascensor, lento e antigo, levou-a ao que sabia, seria um pedaço roubado ao mundo real.

Chegada ao patamar, uma porta se abriu, suavemente, e, ao entrar, o mundo todo se transformou.

Trémulos, as bocas encontraram-se febris; roupas despidas atapetavam a entrada, as mãos sabiam onde ficar, as bocas mordiam, sugavam, sôfregas, sequiosas no calor e clima sensual desse corredor sombrio e duma frescura contrastante do exterior.

Le Petit Paradis, o paraíso por uma hora! Assim se poderia chamar ao porto de abrigo daquele piso, onde os corpos se fundiram, na furtiva e romântica, rápida escapadela, na penumbra dum Estio incandescente.

Chantal Fournet

18 Abril 2016

2h15 am!

[para participação no grupo do PEAPAZ ”Literatura Erótica” certame Nº17 “Encontro Furtivo”]

 

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BRONZE BABPEAPAZ

Dia 6 de Maio: Dia de MIL Renascida!

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AMADAMILADORADA

FLORMILNASCIDA
VERAMIL_FLOR
POETAMILAMIGA
VIDAMILALEGRIA
FORTEMILGAÚCHA
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MILMILMIL
MILMILMIL
MILMILMIL
ABRAÇOOO!
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 LER TEU TÃO  BELO POEMA
FOI, DE LONGE, O MELHOR MOMENTO
DO MEU DIA E DE TODO O FIM-DE-SEMANA!
VIRTUALIDADE?!??!!
QUAL NADA!!!!!  É TRIPAS E SANGUE!
BATIDA DE CORAÇÃO!!
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FOSTE DE VERDADE O MEU MOMENTO
DE DIA DA MÃE, DIA DE IRMÃ, DIA DE AMIGA, DIA DE POESIA!
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 ENTÃO DOU UM TITULO AO DIA 6 DE MAIO:
DIA DE MIL RENASCIDA!
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LOUVO O UNIVERSO POR ESTE DIA!
E POR TODOS OS TEUS DIAS
QUE NOS SERÁ DADO ASSISTIR E TE LER!
EM QUE TUA ALMA CANTARÁ VITORIOSA!
RENASCIDA! COMO TUDO NA VIDA DA NATUREZA,
CUMPRINDO SEU CICLO!
AGORA É TEU CICLO DE GLORIA E VITORIA!
A TUA REENCARNAÇÃO NESTA VIDA DE ENCARNADA!
"TUDO PASSA!.... ISTO! ISTO, TAMBEM VAI PASSAR" (Xico Xavier)
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MINHA ALEGRIA É GRANDE!
OUVE TEU CORPO NÃO TE CANSES
MASSSSS LIBERTA CONNOSCO,
PAPEL OU ECRÃ, TEU CORAÇÃO DE POETISA!
SURGIRÃO PAGINAS DE ENORME BELEZA E PROFUNDIDADE!
NÃO RETENHAS EM TI
O PESO GRANDIOSO DE TUAS LETRAS E VERSOS!
FARÃO PESO NO TEU CORAÇÃO rsrs
E ISSO SERÁ MAU PRA ELE, TADINHO!!
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Então busquei em meus recortes
a frase que me martela a emoção, 
assim que te li no FB:
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"Poucos são os eleitos para este estádio de refinamento do SER,
acredito que tínhamos a fibra e a capacidade ou não passávamos a este grau...
SE FOSSE FÁCIL, NÃO ERA PARA NÓS!" 
(de Jorge M.Oliveira Freire, paciente E.L.A.)
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Chorei, sim, mas nunca desisti,
afinal é preciso passar pelo inferno
para galgar o caminho do céu!

Algumas rosas amassadas,
alguns canteiros arruinados,
mas a vida sempre floresce
em quem carrega a primavera!

 ...

Maria Iraci Leal/MIL
POA/RS/Brasil

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