Posts de Mardilê Friedrich Fabre (113)

Desmaterializado

3542056587?profile=originalO dia entristece.

O sol se esconde atrás da névoa.

Meu coração mortifica-se. Minha cabeça turbulenta

Perturba-se com tua imagem

Emergida do misterioso mundo da vaguidão.

Minha pele sente teus dedos macios,

Teus olhos falam

Para minha alma desprovida de acalentos.

Bebo as doces palavras

Que não dizes

E que escorrem pelas minhas faces,

E alojam-se na alma abandonada.

Imagino que me abraças ...

Levanto as mãos para tocar-te...

Não te materializas,

És apenas uma alucinação.

Estavas distante...

Eu nem me recordava mais,

Eras somente uma lembrança

Diluída no tempo como tantas outras.

Surgiste da vastidão impenetrável.

Agora sofro tua ausência

Que me importuna, E me atormenta,

E me maltrata,

E me lancina.

Meu ser encontra-se tão embebido de ti

Que, temo, um dia explodirá.

Quando aceitarei

Que nunca poderás ser meu? Preciso conformar-me

Em amar-te sem que tu o saibas,

Mas a esperança de ouvir tua voz

Fazer-me uma declaração de amor,

Essa não morre.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: Flor do Cerrado

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Tarde demais

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Afinal nos encontramos.

Demoraste muito. Demoraste tanto

Que já não podemos nos amar.

Eu sabia da tua existência.

O senhor das vidas não permitiu

Que nos encontrássemos antes.

Convivi contigo em meu coração,

Imaginei teu olhar em cada despedida,

Senti teus lábios na minha pele,

As tuas mãos no meu cabelo revolto,

Descansei a cabeça no teu ombro,

Chorei abraçada por ti.

Havia um recanto só nosso

Onde me declaravas teu amor,

As mais belas declarações

Que alguém pode pronunciar.

Nunca senti saudade de ti,

Estavas sempre em mim,

Bastava eu pensar e te via ao meu lado,

Não carecia chamar-te,

Acompanhavas-me em todos os momentos.

Conhecias-me tão bem...

Que pena!

Tarde demais permitiram

Que te revelasses.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem:MiLeide - blogger

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Um Tempo

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Quero um tempo sem tempo de girar,

Um tempo só meu, parado, de olhar,

Um tempo sem relógio, de preguiça,

De não refletir, vida mortiça.

 

Um tempo sem sonhos despedaçados,

Nem lágrimas, nem pesares, nem brados.

Um tempo em que sobrem noites vadias

De desejos vertidos em euforias.

 

Um tempo de movimentos eternos

Que manifestem sentimentos ternos.

Um tempo vestido de horas únicas

(Passe o vento sem arrancar-lhes as túnicas).

 

Um tempo de sol liberto do posto

Cujo brilho resplandeça transposto.

Um tempo que no meu silêncio soe,

Flua no coração e não destoe.

Mardilê Friedrich Fabre

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Lição de casa

3542046384?profile=originalNão aprendi

A fazer corretamente

Minha lição de casa.

Quando penso ter acertado

Toda a sublimidade com palavras mágicas,

Vem a vida e mancha

Meus códigos caprichados.

Apago e refaço,

Apago e refaço...

Fico tonta, com a mão cansada.

O coração afoga-se em lágrimas...

A mente paralisada

Não produz pensamentos.

A criatividade inexistente

Desiste de impulsionar idéias.

Luto, para que a luz

Continue acesa em minha memória.

Não existe perfeição, não posso desistir.

Saio das sombras para não perder a direção.

Conquisto o que parecia impossível:

Meus termos essenciais ora estabelecidos.

Retomo minha história

Para servir de texto-base

A fim de acertar de agora em diante,

Retornam as visões claras

De momentos impossíveis de esquecer.

Recomeço do zero... fantasmas aparecem,

Rondam-me, sussurram sugestões...

Em esmaecidas salas, descuidadas, escondo-me.

O tempo gira veloz,

E tira-me o direito

De transitar sem complementos.

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: GameDesire

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Aprendo a ouvir meu coração

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Meu coração pôs-se a pulsar lentamente.

Foi sua maneira de reclamar

Que não lhe atendo as aflições.

Sussurra-me, já sem alento para gritar,

Da sua mágoa e inquietação.

Suplica-me que bloqueie o desalento

Que o proteja das desilusões,

Que o desembarace do descaso,

Que o defenda do desrespeito.

Quedo-me em total silêncio,

Toma-me estranha sensação do nada.

Nunca parei e escutei meu coração.

É hora de fazê-lo.

Pobre coração!

Ele esmorece porque não lhe dou trégua,

Mendiga carícias de mim.

Preciso aprender a fasciná-lo

Com inebriantes pensamentos.

Pretendo absorver os primores da natureza

E presenteá-lo com o equilíbrio do voo dos pássaros,

Com a força da correnteza dos rios,

Com a pompa do sol,

Com a majestade da lua.

E enfim, com o meu eu

Convertido em melodiosa poesia,

Revesti-lo com a capa mágica do crepúsculo.

 

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: Adriana Caitano. WordPress.com

 

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Escada

3542044133?profile=originalUm torvelinho na imaginação

Destranca as portas do transcorrido,

Consente que visões esquecidas

Se adonam do meu momento.

 

Vejo-me sozinha no meio do nada.

Caminho para um lado, para outro,

Paro, volto-me... diante de mim,

Uma longa escada com degraus íngremes.

 

Vagarosa e apreensivamente, subo-a.

Os degraus, um a um, ficam para trás.

No topo, encontro-me com rostos exigentes

E olhares confiantes num futuro incerto.

 

Travo séria batalha com a cegueira.

Com vontade férrea, palavras e conselhos,

Apresento autores que permanecem

Por obras de conteúdo inigualável.

 

Inúmeros diálogos sobre afetividades

Traço com jovens indecisos e desconfiados.

Conquisto sua atenção com minha vitalidade.

Aprendo como ensiná-los a organizar pensamentos.

 

Com eles brinco de tecer quimeras

Por serem elas para mim

Tão importantes como para eles.

E os sonhos tornam-se reais...

 

O dia de descer a escada chega.

Assim como não vacilei em subi-la,

Também acontece quando a desço.

Concluo que foi mais difícil descer que subir.

 

Hoje, muito tempo depois, pipocam

As lições ensinadas, seja por meio de imagens,

Seja por meio de ações exemplares,

Seja por meio de discursos verdadeiros.

 

 

Mardilê Friedrich Fabre

Imagem: Diogo Beltrame

 

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