Posts de Malu Silva (21)

Poetisa e Escritora

Passar dos dias...

 

 

Não quero me rejuvenescer. Nunca quis.
Quando olho no espelho gosto do que vejo, na amplitude da minha idade - cabelos começando a pratear, marcas de expressões dos risos que dei, das lagrimas que derrubei, o brilho diferente dos olhos que, com o passar dos tempos tornam-se um tanto opacos em certos momentos...
Chegamos numa certa idade que ninguém nos rouba mais nada; não nos tiram mais noites de sono, muito menos o viço dos sonhos.
Com os dias que acumulamos sentimos com mais intensidade, porém com uma lentidão deliciosa.
A pressa acaba!
Os passos são mais curtos!
A certeza do fim nos redireciona à uma plenitude que só o tempo pode nos fazer sentir e, ninguém mais...

Saiba mais…
Poetisa e Escritora

Leitura noturna...

 
Leia meus versos no silêncio da noite.
Eles trazem minh'alma e, nela, os poemas da minha vida inteira.
Desvelam o que em mim ainda não compreende - linguagem de loucuras;
meu simples estremecer, diante da brisa;
partes escuras e ofendidas... aquelas, que a brisa não acaricia.
Perceba, nas entrelinhas, verdades e mentiras
e tudo o que mais queira perceber nestas minhas linhas inconstantes...
E assim, conforme a noite te passa, na fosca luz da madrugada, pense-me,
uma vez ou outra... sonhe com os beijos das nossas bocas e, dentro deste presente/pretérito,
mais que perfeita conjugação, deixa-me, no infinitivo,
neste amar-te, perdidamente, aqui, distante, enquanto me lê.

❥❥❥❥ Malu Silva ❥❥❥❥

Saiba mais…
Poetisa e Escritora

Mar da tua vida...

Mergulho nas águas profundas
do mar da tua vida.
Encontro as cores mais vivas,
os sons mais plácidos,
a luz dormente que irriga
a claridade do teu olhar...
Teu olhar de um visor neon
que faz parar meu coração.
O mesmo olhar que me entrega
às mãos de Posseidon,
fazendo-me escrava
das profundezas marinhas,
nas quais te encontrarei.
Faz-me, então,
pérolas sem conchas.
Torna-me um colar
e, para sempre
enrolo-me em ti.

❥❥❥❥ Malu Silva ❥❥❥❥

Saiba mais…
Poetisa e Escritora

Falta-me a palavra...


Há tantas coisas que preciso dizer
Mas não vejo jeito de começar
Eu que tantas palavras tinha
Hoje procuro monossílabas
E nem elas consigo encontrar.
Uma espera inútil
De que todas palavras nasçam, novamente,
No peito, na boca, na mente...
Letras cursivas,
Imagens e tipos,
Códigos doces ou selvagens,
Réstias da escrita ou rabiscos
Do que necessito para escrever.
Caso contrário,
Mergulho no silêncio, nos gestos,
Na abstinência do desenhar do lápis
Que quase sempre me condena
Por escrever,
Quando deveria calar, apenas.
 


❥❥❥❥ Malu Silva ❥❥❥❥
Saiba mais…
Poetisa e Escritora

Meditação pelo firmamento...


Deixo solto o frouxo corpo
a levitar a alma calma
que dentro de mim vem brincar.
Banho em perfume
o lume dos olhos mansos de encanto
a mirar o vento cálido do meu sonhar.
A boca, lavo em vinho
e seco no linho branco
os prantos brandos
do meu pensamento a brilhar.
Calço meus pés descalços
no asfalto negro
e corto o veneno que corre lento
nos sulcos dos pulsos
que docemente
voltam a irrigar a vida
que estava parada
nos sonhos espectrais
em algum lugar do firmamento
ao qual pertenço.

❥❥❥❥ Malu Silva ❥❥❥❥

Saiba mais…
Poetisa e Escritora

Fênix

Fênix

O que ganhei da vida?
Uma ferida,
Uma cicatriz,
A liberdade...
Um campo de solidão.
O conflito diário.
A casa fria, durante a noite.

O que restou dos meus sonhos?
Espaços vazios,
Um autorretrato pintado à mão,
O desejo louco de gritar
Ou talvez estrangular a voz.

O que sou hoje, como ser?
Folhagem solta, pelo jardim...
Feliz!
Nasci... Cresci...
Vivo cada instante,
Cada momento que passa...
Assim, refaço-me!
Renasço das cinzas,
Das minhas crises existenciais.


❥❥❥❥ Malu Silva ❥❥❥❥

Saiba mais…
Poetisa e Escritora

Quase sempre me perco...

Quase sempre me perco no meu exílio,
nos meus sofrimentos e na minha solidão...
Quando retorno, um pacto foi feito,
de que tudo será vencido, superado, transpassado
e o preço, são apenas pequenas cicatrizes,
tatuadas com detalhes e perfeições que, jamais serão esquecidas.

❥❥❥❥ Malu Silva ❥❥❥❥

Saiba mais…
Poetisa e Escritora

Correspondências quase diárias (Sensações atemporais...)

Em algum lugar de mim, 05 de setembro de 1977

Boa noite!

Já se vai tarde das horas, mas estou aqui, absorvida nesta escrivaninha,
com este compromisso sagrado de falar-te dos meus dias.
Tenho estado dentro de um mantra profundo de solidão, ausências e saudades que me faz escorregar pelas horas.
Talvez seja esse calor absurdo de primavera que se apossa da gente e nos conduz a uma dimensão mais remota, não sei.
Há sempre uma preguiça tamanha em colocar os pés no chão e caminhar.
Meus pés doem! Doem porque querem caminhar na tua direção, mas ela é longa e quase infinita, para mim.
E tem mais - sinto-me bastante confortável e segura aqui a escrever-te.
Aqui somos quase perfeitos - eu falo e escuta-me... talvez nem leia-me, mas escuta-me, eu sei!
Não há o compromisso de escrever-me uma linha, porque sei que sabe que as cartas de amor são ridículas e muito tolas...
somente as cartas de negócios ou aquelas um tanto familiares valem a pena serem enviadas.
E nem mesmo sei se são cartas de amor, meu caro! Talvez seja apenas mera correspondência de desabafos.
A cada dia que passa as fitas de cetim vão se multiplicando; outras vão se tornando mais apertadas em seus laços,
para conter pilhas e pilhas de folhas onde vou deixando rastros de palavras quase sem sentido,
totalmente absortas, em suas sequências... em suas datas.
Liberto-me de tudo o que cresce em mim - meus mundos paralelos tão reais quanto esse meu ato de escrever-te, de respirar-te.
Esta doçura com que acalento os dias e acalento-te - bálsamo que escorre-me.
No mais, tudo é pura distância e esperanças da mesma Penélope que vai tecendo a mortalha e (des)tecendo, logo a seguir...
Agora vou deitar-me que a noite me passa lenta e os sonhos são coloridos e esvoaçantes, porém impiedosos...

Um leve beijo e um breve abraço

Penélope

❥❥❥❥ Malu Silva ❥❥❥❥

 

Saiba mais…
Poetisa e Escritora

Às vezes, é preciso se recolher...

Às vezes, é preciso se recolher...

 fechar-se por um tempo no silêncio e saber ler as linhas da alma.
Tocar feridas e compreender porque elas estão ali.
Entender que tudo tem um merecimento e que não somos vítimas,
mas sim alunos que precisam aprender novas lições...
Sim, é preciso encontrar-se em lugar hermeticamente fechado,
onde quase não haja ar e nem a propagação do som...
Há muito barulho que não nos deixa ouvir...
É preciso mergulhar no vazio,
para depois encher-se novamente de serenidade e harmonia...
É preciso!!
Sei que é preciso.
Tenho ouvido muitos ruídos...
Preciso tocar o silêncio e sentir seu gosto e seu cheiro e sua cor...
Preciso que o silêncio fale comigo!

❥❥❥❥ Malu Silva ❥❥❥❥

 

Saiba mais…
Poetisa e Escritora

Saudades...

Saudades que invadem...
Saudades de tempos não vividos!
Saudades de sorrisos e faces nunca vistos.
Saudades dos sonhos inacabados... dos caminhos desconhecidos.
Saudades daquilo que nunca toquei.
Saudades que, sendo minhas, as eternizei. 

 

❥❥❥❥ Malu Silva ❥❥❥❥ 

Saiba mais…
Poetisa e Escritora

O meu amor...

❥❥❥❥❥❥❥❥❥❥❥❥❥❥❥❥

O meu amor...

Meu amor é humano
Logo, tem falhas.
Meu amor é humano
Sendo assim, é puro sentimento.
Meu amor é humano
Então, apresenta desejos, ansiedades, angústias e inseguranças.
Meu amor é humano
Por isso traz consigo a alegria, a fantasia... a satisfação.
Meu amor é humano
Procura, persistentemente, carinho, afeição...
compreensão para o que ainda não conhece.
Meu amor é humano
Daí querê-lo em tempo integral.
Meu amor é humano
E, justamente, por ele ser assim, é que preciso dele.
Porque é a extensão dos meus dias e é acreditando nele, que vivo.
Meu amor é humano
Cresce a todo vapor... a cada segundo.
Meu amor é humano
Por ser somente meu amor.
Meu amor é meu amor...
É a porta aberta para o mundo,
É a planta que floresce solta
Nesse Universo, por vezes, desumano.

❥❥❥❥ Malu Silva ❥❥❥❥

Saiba mais…