Posts de Lúcia Guedes (Lufague) (326)

A hediondez da violência aos jovens...

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Não vejo futuro, algum, para um país
Que, com frieza, contempla a autofagia 
Da sua mal provida e impotente juventude 
Através da, hedionda, violência urbana

Um país que só tem a oferecer:
Vulnerabilidade, discriminação
Racismo, falta de oportunidades
Desrespeito aos seus direitos

Um país da violência silenciosa 
Polissêmica, só cria desigualdades,
Cultura do consumo, alienação, e,
Sublimamente, cobra poder e sucesso

Um país com leis em Estado mínimo
Ofuscado pela crueza do estado paralelo 
Que oferece aos jovens, torpor e fantasia
O submundo revestido da agonia do crime

Cai o jovem na armadilha do seu "ideal"
Na efêmera busca do poder do dinheiro,
Do prazer sintético, da ostentação
Da dominação na ilusão fácil e perigosa

Brotam das famílias sem estruturas
Da falta de representatividade
Da educação em, total, descaso
Do vazio de amor, limites e ordem 

Se entregam à marginalidade
À violência que destrói seus sonhos
À violência do medo que mata e morre
Na incivilidade da desconstrução social. 

Lufague

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A solidão da mulher negra

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O universo feminino sofre preconceitos
Mas sua negritude é mais vulnerável
A mulher negra sofre por si e os seus
Dorida é sua fria guerra cotidiana

Sua luta é expressa no grito
Na sua brava defesa resistente
Na resiliência de sua meiga força
Em seu corajoso ativo pensar

Sofre expressões discriminatórias
A negação dos seus direitos
A infinita e desumana violência
Como expressão institucional

Vestem-se de espírito guerreiro
Prontas para combater violações
Vivenciam a sua ilógica realidade
Com parcos avanços em marcha lenta

Reféns de uma cultura não evolutiva
Um padrão de comportamento desleal
Que não respeita o valor das etnias 
A beleza da igualdade nas diferenças

Cultura racista que desconhece que 
Brancas, negras, índias e pardas
Fazem parte do 'consenso' da única raça
Que, verdadeiramente, existe, a Humana. 

Lufague

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"Rito de sangue"

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Na guerra de extermínio da Síria
A cada hora uma criança é ceifada
A inocência sem vida para questionar:
-Qual o sentido da guerra? 

Crianças que não compreendem
O desamparo, a impotência, a barbárie...
Massacrados, jamais entenderão:
O sentido de dominação, a ganância,

A vaidade exacerbada que mata

Ceifados, sem tempo para entender:
Quão seres demoníacos somos
Dentro da nossa violência bélica
Do nosso cruel poder de aniquilação


 Os que porventura sobreviver a esse infortúnio

Quiçá, possam por inteligencia, perceber:
A irracionalidade do heroísmo patriótico
A guerra como invenção social
A imoral bestialidade humana
E os seus desejos delirantes...
Lufague

O4/03/18

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Abatimento

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I                                                                           magem Google

O sol acaricia tua face
E contagiado, triste ele adormece…
Sua luminosidade alaranjada 
Escorre por entre tuas pupilas
E assim, esvai-se na tua penumbra

As singelas borboletas,
Já não pairam em teus sonhos
As lágrimas pedram teu sentimento
Brotam de tua negra vastidão….

Até rascunhas alguma resistência
Mas as estrelas opacas cobrem teu chão
Há um fosso vazio entre a luz e tua escuridão
E logo ali, um botão de rosa que pulsa cor
Aguardando o gesto forte 
De tua travessia!

Lufague
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AUTOCONHECIMENTO

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Fecho os olhos...
E atento para meu vasto universo 
Meu profundo e incógnito interior 
Tão íntimo quanto misterioso
Percebo quão alheia sou
Ao tamanho de mim mesma

O que adianta o meu abstraimento
Na inútil necessidade de desbravar,
De questionar, compreender o mundo lá fora,
Se aqui dentro, eu ainda nada entendi, 
Denego ou tudo desconheço...

Lufague

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Apenas o egoísmo consegue ser feliz sozinho!

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Esse egoísmo que entende não existir sociedade
Apenas o mercado no neoliberalismo desumano
Que só consegue objetivar a total precarização

Esse egoísmo que se encontra na tecnologia 
Na informação que corre acelerada, nunca questionada 
No frio individualismo que compete e degenera

Esse egoísmo que causa ansiedade
Frustração, apatia, impotência, incompetência 
Que brota do desejo interrompido

Esse egoísmo que causa a destruição 
Provoca abalo sentimental que culmina em violência 
Terrorismos, suicídios e guerras sem romantismos

Esse egoísmo trajado de ditadura financeira
Com continuo sangue nos olhos... 
Com estupido desejo coletivo de morte. 


Lufague

04/11

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Fanatismo

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Sou ser em absoluta estreiteza mental
Convicto, de extremo individualismo
Na exuberância de meus valores... 
Minha mente traga preconceitos

[Sou a mais obscura intolerância]

Na cega visão dogmática 
Minha conduta é irracional 
Meu Deus é trajado de ódio, 
Como causa necessária, ausência

Sou organização metódica e organizada
Minh ’alma está perdida a esmo, 
Em pensamento embotado e indiscutível, 
Nos extremos perigosos do terror

Acompanhado de delírios e amiúde mortais 
Motivado por um obscuro ódio de matiz religioso 
Numa insana lógica moral...hoje, deixo treze mortos
E mais de cem feridos, em Ramblas...

“Je suis Barcelona."

Lufague

17/08/17

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Beijo na boca da noite ...

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Sempre nos chega em oposição ao dia
Vestida a rigor com seu véu negro cintilante
Traz a constância dos murmúrios, das carícias
E a inexatidão dos sonhos e das fantasias

Chega por vezes totalmente vazia de sol
Na escuridão do silêncio, dos dilemas
Ou no ato falho das idealizações...

Desesperação de almas sem esperanças

Ou vem do sol iluminada de lua,
Parceira de dança na música da solidão
Dama do universo, negra e feminil
A beijar a boca dos que dela se inflamam.

Lufague

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Barbárie Social

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Barbárie:
É quando resolvemos fazer justiça com as próprias mãos
É quando decidimos praticar atrocidade contra um adolescente
Vítima da desigualdade social, carente, doente,dependente químico e alcoólico 
Pela simples probabilidade de haver praticado furto de uma bicicleta de misero valor.

Barbárie: 
É marcar no rosto desse adolescente as nossas feridas e frustrações
Por comportamento motivado de uma Justiça falha e conivente
Pela corrupção perversa dos colarinhos brancos/sujos 
Pelo governo grasso e seus aliados que nos assaltam

Barbárie: 
É tatuar o rosto definitivamente a alma de um jovem com nossa desumanidade 
Pela sensação de incapacidade de nossos desgostos e desencantos
Pela nossa desestruturação emocional diante da precarização de nossos direitos
Pela desesperança, pela nossa insensibilidade, apatia e silêncio de cumplicidade.
Lufague

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O amor é como vinho

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O amor é como vinho...
Precisa ser degustado em alegria
O vinho embriaga sozinho...
O amor torna ébrio, embebeda e inebria

O amor é como vinho...
Nasce radiante, colorido, adocicado
Feito vinho doce refinado, 
Com tempo perde a cor, vinho botado

O amor é como vinho...
É feito travo de vinho rascante, vinho adstringente
Fixa-se na mente, por vezes faz sofrer coração valente

O amor é como vinho...
Na glicerina do sabor damado, fica na sensação suave,
No paladar do coração, feito vinho aveludado.

Lufague

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Essência da saudade...

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A minha mãe é substancial significância da saudade
Tinha no olhar o poder de dissipar-me as dúvidas
Ela oferecia solidez, segurança, e conjeturava a sabedoria
Suas pequenas mãos transmitiam o conforto dos afagos, 
Ou a firmeza em apontar a certeza das direções...
Construía nosso cotidiano na segurança das virtudes 
Seu semblante transbordava convicção nas boas esperanças
Seu carinho tinha aroma de café fresco de bule...
A boa sensação do fervilhar da sopa no final de tarde,
Ou agradáveis odores dos caminhos orvalhados de seu jardim
Misturados ao som de sua antiga máquina de bordar sentimentos, 
Seu amor era como a calmaria do crepúsculo amarelo-alaranjado,
Que promete além da noite, do silêncio, os horizontes certos
Seu espírito de fé conduzia além dos sonhos, dos enlevos
Um misto de quimeras e exatidão da realidade
Concebia a magia no encanto do laço que nos envolve,
Infinitamente ao doce estado afetuoso maternal 
A saudade entoa como cantiga de ninar
Na suave natureza intima de minha mãe,
Nesta sempre doce lembrança nostálgica que me envolve...

Lufague

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Deixá-los ir...

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Entrei ansiosa naquele quartinho escuro

Em formato de humana emoção e coração

Estava tão entulhado de falsos afetos,

Assim como as coisas que guardamos

Com docilidade e sem necessidade

Lucidamente em desapego percebi:

Para tais afetos não havia nenhuma finalidade,

Apenas a desculpa de vir a precisar, “ledo engano”,

Lá só existia o meu apego egoísta e egocêntrico …

Lufague

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Depressão

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Dentro desse frio sentimento que te faz chorar à toa

Em não achar graça em absolutamente nada

Essa dor incomparável única aos vulneráveis...

Unicamente tua, não se compara a de mais ninguém

Apesar do sofrimento ser sentimento democrático

Essa sensação melancólica que só abraça o desespero

O desamparo, a desesperança de si mesmo,

Só o medo liquido, culpas injustificáveis...

Já não há sonhos, o céu que te cobre é vazio e obscuro

Em persistência à negação do desejo, à estagnação, o pesar´

A autoestima em completo desinteresse de entusiasmos

Dentro de um jogo viral da náusea da vida, onde não há brilho, só humor negro

Sem possibilidade de luz, contagiante, nesse sol de gênio triste, sem privilégios

Nesse tormento MOMENTÂNEO da tempestade intima que te cobre de insatisfação

Saiba: Na imensidão do mar de inquietação, as "baleias azuis" encalhadas

Não necessariamente são suicidas...

 

Lufague 

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O LIVRE FLUXO DO PENSAMENTO!

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É com o pensamento que modelo o mundo

Ele é o próprio veículo de consciência e vontades... 

Move-se na velocidade de suas “asas infrenes”

 

Sobrevoa todas as fronteiras das ilusões

Transforma-se em sonhos...

Volta a ser raiz, razão no mergulho da realidade

 

Torna-se grande, mágico e iluminado, quando desvenda a sabedoria

Inebria-se de pequenez, quando se desconhece mesquinho

Estagnado na própria obscuridade.

 

Sabe-se absoluto e liberto...

Vagueia em voltas, ziguezagueando em avante e retrocessos

Vai do presente ao passado num piscar da imaginação do tempo

 

Decompõe-se em partes e viaja de seu mundinho particular,

Ao universo geral de suas primícias...

O curso de seus caminhos é sua própria razão

 

Convicto, nada o detém, nem seu lado inquisidor

Seu instinto que impede, puni, manifesta repressão

É desprendido, solto, servil do próprio servo

 

 

Inato, pode ser lento ou saltitante, porém nunca vazio

Mas, quando inquieto de sua ilimitada diretriz, habita meu corpo...

Reconhece nele, a sua necessidade de linguagem.

Lufague

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Aliada ao algoz que ao fim me conduz...

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O tempo é o sutil espírito delgado

Que me enovela, me guia….

Até a bifurcação do horizonte

Nesse ínterim de alternativas

Hábil, escolho ser sua aliada
Na alvorada, beijar seus olhos,
Viver de ímpetos, gozar a vida.

Quando entardecer à meia luz 
Ouvir a toada de uma prece,
Meramente encontrar a satisfação
De cada instante, senti-lo único.

Preparada experimentar

As trevas da obscuridade
Docemente beijar a boca do sol

Que cai abaixo do horizonte...

Na companhia das circunstancias
Alçar último voo no espaço misterioso

Aliada ao amado algoz, Tempo!

Lufague


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Trabalhador brasileiro...

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Sendo cativo:

Da terceirizada,

Atividade irrestrita

 Da moderna submissão

 

Um simples migratório:

A trabalhar muito mais

Sem fazer estridor nenhum

A receber salário menor

 

Sendo refém:

Da vulnerabilidade

Da precarização

Da rotatividade

 

Sendo o sustentáculo:

Da classe empresarial

Que oferece trabalho

Temporário, parcial, injusto

Sem regras de proteção...

Lufague

 

 

 

 

          

            

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Corrupção

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Sou tal qual Midas...
Na ganância de um rei
Deliberadamente escolhido pelo povo
Tendo em essência o próprio dom da cobiça 

Sou tal qual Midas...
Na ganância de um rei
No ardente desejo egoísta
De em ouro tudo transformar

Sou tal qual Midas...
Na ganância de um rei 
Por julgamento, bem merecer a inanição 
Por discordância da justiça divina,

Merecedor de peludas orelhas de burro!

Lufague.

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Sou artífice...

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Sou artífice!
Enquanto poeta, sou artífice
Nesse delirante cenário imaginário 
Por vezes, sem poética, sem estética 
Porém, deleito-me nessas disparidades
Nesse universo de palavras enfáticas 
Ou de pragmáticas ecléticas possibilidades...

Lufague



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