Sobre mim

Género

Feminino


Localização

Piracicaba, São Paulo


Aniversário:

Setembro 5


Minhas Conquistas


Pontos ganhos: 1193

SOZINHO NO MUNDO

Capítulo Um

Relembrar a noite passada

 

Acordo, com os prazeres da noite passada em minha cabeça.

Não sabia eu, as surpresas que me esperavam para aquele dia tão inusitado.

Há muito tempo eu e Helena não tínhamos momentos tão bons. Contrastava com as últimas vezes que nos vimos, onde tudo parecia um tédio. E, eu tinha certeza que não era culpa dela. Percebia que meu enfado pela vida não dependia de sua presença. Ao contrário, ela era meu porto seguro, meu oásis. Como me parecia naquele momento, aquele buraco na parede, onde a única gota de luz solar se atrevia a roubar minha escuridão, que eu amava tanto. Já estava amanhecendo e os raios do sol, invadiam o quarto, dizendo que já era hora de me levantar. Ele parecia muito mais vigoroso que eu, nesse momento. Queria apenas, um tempo a mais para recordar aqueles beijos molhados, quentes e excitantes que ela me lançou assim que nos vimos. Isso era tão bom!!!

Ela prendeu seus braços em volta de meu pescoço e com suas carícias, em beijos sublimes, introduziu sua língua morna, em minha boca, explorando minha surpresa e arrancando de mim, sensações de prazer, que reverberaram em todo meu corpo. Meu desejo de estar com ela, nua, foi às alturas. Mas, tínhamos um longo caminho pela frente. Esse era nosso primeiro contato naquela noite, que já parecia gloriosa.

A gota invasora estava cada vez mais forte, fazendo-me lembrar que já era hora de ir tomar meu banho matinal. E, eu naquela preguiça toda, lutava com a intensidade dela, para que a recordação, não acabasse jamais. Contudo, não podia faltar ao trabalho. Agora não era hora de me perder nas gostosuras dessa mulher, por quem eu estava completamente apaixonado, mas, fazia parte do pacote que eu estava inserido, e queria esquecer.

Lembrando-me da sensação inebriante que a dança com ela me produziu, fui ao chuveiro. Tinha, ainda fresca, a ideia de sua mão em meus ombros, seu corpo aconchegado ao meu, enquanto dançávamos a salsa, tão elegante. Suas cadeiras balançando, associadas ao ritmo de meu quadril, que bailava em passos determinados, fazendo com que suas ancas se misturassem a minha cadência e frescor. O que me faz reviver esses bons momentos de entrega que ela me proporciona, nessas horas. Os ritmos latinos deixam-nos mais próximos. Ela nunca esteve na Colômbia, mas, lá, eles dançam nas ruas. E todas as mulheres balançam as cadeiras assim. Aqui, no Brasil, nem sempre elas acompanham esse compasso tão marcado e tão sedutor.

As gotas de água começam a cair em meu corpo, dizendo que é hora de me conectar com o agora. Já chega de lembranças boas. É tempo da dura realidade, de ter que matar o coelho de todo dia, para que as refeições sejam lautas. No entanto, se eu não precisasse trabalhar agora, ficaria relembrando o resto da noite que tinha sido, mais que ardente, fenomenal. A vida reserva boas lembranças, quando deixamos os momentos gostosos tomarem conta de nossas sensações e esquecemos de todo o resto, mesmo que seja por algumas horas. Nosso oásis de alegria, que nos alimenta e nos protege, para que a luta diária tenha sentido.

A minha... bom, não tem tido muito sentido, não. Cada conquista profissional já não me agrada mais como antes. E sei que tudo isso é culpa de minha mãe, que precisava de um filho notável, para pôr em seu currículo mais esse feito.

Ao ensaboar minha cabeça, as sensações de peso e desânimos recomeçam. Oh! Vida triste essa, que eu me deixei levar. Chegar no escritório a cada manhã, tendo que criar uma campanha de marketing digital para as empresas, deixam-me entediado. Esse Facebook, só anda nos atrapalhando com suas mudanças. E o Google resolveu nos embaralhar, mais uma vez, nessas métricas. Elas são, apenas o alcance, que conseguimos, com nossas postagens. Na tentativa de divulgar nossa marca e produtos associamos sentimentos à essas imagens. Mas, são coisas distintas, que a empresa nunca dá o seu devido valor. Apenas querem que venda! Esquecem que, para permanecer no tempo e, durante a trajetória, ganhar espaço no coração dos clientes é preciso criar uma relação de trocas de afetos reais, com essas pessoas. Como é o caso do sonho de valsa que, mesmo a empresa passando por reformulações, o produto era desejado por toda uma geração.

Nossa empresa? Eu devo estar maluco mesmo. Se fosse minha, seria muito diferente de tudo o que eles fazem lá. Nesse mundo globalizado e digital, os donos perderam a mão de seus negócios, quando não atualizaram seus procedimentos de administração, automatizando-as em todos os setores da empresa.

Água morna caindo no corpo, deixa a esperança de ser um dia bom...

Desligo o chuveiro, pego a toalha e uma sensação esquisita percorre meu corpo... Como se fosse acontecer alguma tragédia. Oh! Sensação estranha essa. Que começo de dia tão esdrúxulo. Mas, estou falando em português. Esquisito mesmo, de excêntrico, inusitado, fora do normal. Não é a língua espanhola, onde esquisito é bom. Essa sensação de domingo de manhã, não parece nada agradável.

Não ouço barulhos vindos da rua. O que houve? O pessoal se esqueceu de que hoje é quarta-feira, dia de trabalho e de jogo?

Escolho minha melhor roupa, porque tenho uma apresentação aos diretores, dessas inovações que foram feitas no Facebook e no Google. São as hashtags que vão comandar o que aparece nos perfis e nos androides. Meu terno azul turquesa agora me vai muito bem, porque deixa esse frescor de inovação que está em minha mente. Com a camisa branca de riscas acinzentadas, cintos e sapatos azul-marinho, e a gravata, também no mesmo tom, com fios dourados, dão um toque de elegância ao meu visual, do qual eu sou tão cuidadoso.

Em minha cabeça tudo é muito simples, no entanto, não creio que seja assim para todas as pessoas da diretoria, que mais parecem mortos vivos. Não sabem nada do mundo atual e querem que a empresa sobreviva, sem fazer esforços. Ela precisa atravessar o tempo em que está inserida e chegar ao futuro com a promessa de estar funcionando e ainda por cima, obtendo lucros. Deixassem suas mulheres no comando, que não estariam morrendo, como estamos, porque elas tem sede de novidades, e capacidade pra se reinventar sempre que for preciso.  E, mesmo que não tivessem essa competência, estariam muito melhor equipadas para o futuro, porque sabem pensar nele, e olhar longe, com a distância de uma sequência de ações futuras todas programadas. Elas não vivem só para o momento.  

As hashtags vão comandar onde nossos produtos chegam. Isso é complicado de explicar às diretorias. Suas mulheres teriam mais chance nesse mundo globalizado por conta da capacidade de se ater às minucias.

Lá vou eu fazer o café após calçar os sapatos. Mas, que dia tão estranho!!! Onde está o barulho da cidade que acorda feito um vulcão em erupção todos os dias? Não estamos falando de uma cidade pequena. Estamos na capital. E o que houve hoje?

Vou de chinelo até lá em baixo e ligo a TV para saber notícias. Será que todo mundo foi embora e me largaram aqui? Ideia absurda essa... Nada de aparecer imagens, está fora do ar.

Olho o celular, canal de notícias e não tem nada. Nenhuma chamada, nenhuma notícia.

Isso é estranho demais...

Saio de chinelo até o quintal e parece que os vizinhos não estão. Não sei o que pensar.

Vou tomar meu café e verificar depois o que aconteceu... Deve ser alguma pane no satélite de comunicação e os celulares TV e rádio não estão no ar.

Capítulo Dois

Estou sozinho no mundo

 − Não é possível o que está acontecendo!!! Por favor alguém me explique?

 − Estou falando sozinho!!!

 − Será que alguém me ouve?

− Parece que eu entrei num Reality Show, jogaram-me de paraquedas num programa de TV onde eu não vejo ninguém!

Vou até o quarto pegar os sapatos azul-marinho, com a sensação de pesar e de urgência que invade meu corpo. Depois, pego meu café da manhã, que tomo com avidez, pois estou morrendo de fome. Essa confusão abriu meu apetite. Devoro o pão com queijo e presunto feitos na torradeira, um pedaço de mamão, tomo o iogurte de ameixa e ainda pego um pedaço do panetone que comprei na véspera. No tempo de Natal, essas coisas que eu adoro, fazem parte do cardápio. Época de panetone, uvas, pêssegos e alcachofras. Coisas deliciosas que eu faço questão de ter, nessa estação do ano.

− Vamos lá, ver o que há com essa cidade, que, parece-me, ter virado um fantasma.

Saio pela garagem e vou até o vizinho. Bato na porta e ninguém responde. Não ouço nenhum barulho. Vou até a esquina, andando a passos largos, para ver se tem alguém na outra rua e também não vejo ninguém.

Suas casas imponentes contrastam com a minha pequena mansão amarela, como eu a chamo. Ela é linda, com tudo o que é preciso para uma casa confortável. Sua entrada, feito casa de boneca, com o pórtico de madeira na garagem, esconde o paraíso de pitangueiras, ameixeiras e a jabuticabeiras ao centro do quintal. A entrada da casa é lateral e passa por um corredor de pérgula, que acompanha um ramo de trepadeiras de flores amarelas, sombreando o lugar. O chão de pedras mineiras dão um toque rústico a esse portal do meu aconchego. Isso é muito diferente das mansões que eu tenho como adjacentes. Lá, nas casas vizinhas tudo é de grande porte. Apenas a minha, o terreno é gigante e a construção é mignon.

Começo a ficar um tanto preocupado e volto correndo para casa.

Pego meu carro, uma Hilux preta, que eu adoro também, pelo conforto que me traz para viajar e sigo até o entroncamento mais movimentado do bairro. É uma cidade fantasma! Não tem ninguém! Os sinaleiros estão funcionando. No posto de gasolina também não vejo nenhuma pessoa. Faço a manobra e estaciono na bomba de combustível. Ponho a alavanca no tanque do carro e aciona para colocar a gasolina. Encho o tanque e anoto o preço num bloco de notas que eu tenho no carro, para pagar depois. Foi bom isso estar funcionando. Sensação de que nem tudo está perdido.

Vou até a empresa ver o que há por lá.

Normalmente com o trânsito da manhã, levo 30 minutos para chegar. Vou passando pelas avenidas, repletas de palmeiras imperiais, que abraçam o céu e me dão uma sensação de estar num lugar tropical. Esse, não é o caso desta cidade imponente, selva de pedra. No entanto, procuro ir bem devagar, para notar algum tipo de movimento de pessoas ou de carros, e não vejo nada. Não tem nenhum automóvel  andando, nem parado na rua. Isso é muito estranho. Abduziram os carros também? Apenas as avenidas, os faróis estão funcionando, mas, nenhum sinal de circulação.

Minha angústia começa a doer no peito, e cada vez mais, reforça a sensação de que estou sozinho, sem que ninguém possa me ajudar. Como se tivesse caído num abismo, que me deixou em alguma réplica da minha cidade, num universo paralelo, mas, sem nenhuma pessoa.

O desespero bate em meu peito e eu tenho vontade de gritar.

– Onde estão vocês? Porque me abandonaram assim? Para onde me levaram?

Chego na porta da empresa e é só desolação. Seu Ananias não está lá. E eu, que quase nunca o cumprimento, sinto falta de sua educação ao abrir a portar e me dizer:

– Bom dia, senhor Arthur. Estava sempre tão atrasado que mal respondia o cumprimento de praxe.

Corro ao elevador e entro nele apertando o 15º andar. Quando a porta começa a fechar, eu a prendo para sair, com medo de subir e acontecer mais alguma tragédia, sem ter ninguém para me salvar.

Alcanço as escadas e subo por elas. Dou uma espiada no primeiro andar, nosso restaurante e percebo tudo arrumado para o café da manhã, mas, sem ninguém lá para tomá-los. Como se as pessoas fossem suprimidas do lugar por alguma razão. Pego uma xícara de café na máquina que funciona e saio. Vou para o 2º andar.

E nada de encontrar gente. Investigo um pouco e me parece que as pessoas deixaram suas mesas de trabalho ontem, sem voltar hoje pela manhã.

Vou assim até o 15º andar, investigando cada um deles. O que vejo, é somente mesas, às vezes, bagunçadas, como se tivessem abolido as pessoas, num dado momento e elas deixassem suas coisas inacabadas.

Chego sem fôlego e exausto pela corrida dos quinze andares. E entendo que não adianta me apressar. Isso só vai me desgastar, todavia, a minha necessidade de consumir essa adrenalina toda, faz-me querer correr, como numa maratona.

Minha mesa está como eu a deixei ontem. Nada de novo, nenhum comunicado. Sento-me diante do computador e abro minha caixa de e-mails. O último foi enviado às cinco da madrugada, mas, sei que é algo programado, para que você acorde com esse lembrete da reunião com os diretores, hoje. Deve ter sido enviado ontem ao final do expediente.

Nenhuma pista do que está ocorrendo.

Nada para que eu possa entender o que aconteceu com as pessoas.

Vou descendo as escadas e pensando:

Será que aconteceu alguma coisa com a Helena?

E, até aquele momento, não tinha percebido que poderia ser algum tipo de catástrofe, e só eu sobrei nesse lugar. Algum vírus, uma evacuação, por algum problema atômico, ou remédio onde as pessoas estejam dormindo, colocados na água. Até parece que essa paisagem toda é montada e eu estou num filme de terror. Como se tivesse num sonho, que eu vou acordar. Belisco-me para saber se sou real e isso dói muito. Percebo que sou verdadeiro, todavia, a paisagem não. Não poderiam ter feito uma réplica tão perfeita para um Reality Show.

Resolvo ir até a casa dos meus pais verificar o que aconteceu. Até o momento não tinha pensado neles. Faz mais de dois meses que eu não os via. Não me preocupo com meus velhos. Nunca fomos bons amigos, apenas convivemos na mesma casa. Depois que eu me mudei de lá, assumi minha vida e deixei para traz tudo o que eles representavam. Queria ter espaço na construção da minha história, independente da vontade deles. Contudo, até quando eu me tornei um gerente de marketing de uma grande empresa como a Nox, que fabrica papeis personalizados, eles controlavam todos meu passos. Minha mãe só sossegou quando eu fiz a faculdade que ela queria, onde seus irmãos tinham estudado. E eu tinha que puxar a eles, não ao meu pai, que era catedrático em uma universidade pública.

Ela não gostava desse jeito de ser de professor, que sabe de tudo e não ganha dinheiro pra nada na vida, a não ser manter a casa e alguns poucos investimentos. Ela queria que eu tivesse sucesso como meus tios, que eram donos de agência de propaganda e ganhavam o que queriam. Eram premiados e tinham lugar de destaque na cidade. Sabiam fazer uma campanha de marketing que deixava a todos de boca aberta e bolsos cheios. Ela precisava que eu fosse assim, não importava minha felicidade.

Lembro-me de quando era pequeno, ela me levava passear e eu me entretinha com pequenas coisas no trajeto como uma escada bonita, uma passarela de cor mais viva, alguma flor aberta exalando seu perfume ou até aqueles doces lindos de padaria que me davam inveja de quem iria comprá-los e comê-los. Eu não seria um deles infelizmente. Ela não me deixava abocanhar nada que não fosse permitido pelo médico pediatra, um chato de galocha, amado por ela. Dona Teresa vinha ralhando comigo, o tempo todo, no caminho de volta da escola, dizendo para eu me apressar, porque ela tinha hora no cabeleireiro, na manicure ou sei lá o quê.

Para ela eram as aparências que contavam. Assim, vestia-me como um príncipe na chegada de sua princesa e brigava sempre que eu me sujasse. Então, brincar era apenas no sitio da vovó, quando chegavam as férias, a melhor época da vida.

Mas, meus avós, hoje já se foram. E, agora ela vive com meu pai na casa deles, sozinhos os dois, envelhecendo... Não quero fazer parte desse mundo deles...  Minha vida é outra.

Vou até a casa deles ver se encontro alguma pista do que aconteceu com as pessoas desse mundo.

Dirijo com atenção pelas ruas e avenidas. Espero que o trajeto me deixe com mais pistas do que os anteriores. Porém, a medida que percorro o caminho, vejo que é uma ilusão pensar que vou encontrar pessoas.

Demoro o mais que posso na direção, mas, como as ruas estão vazias não levo mais que 8 minutos para chegar, coisa que em dia normal levaria uma hora.

Estaciono na frente da casa e bate uma emoção em meu peito, como se um desamparo profundo acontecesse agora e eu não tivesse tempo para reclamar. Minhas mãos começam a tremer. Não tenho como controlar essa sensação que invade meu corpo e me ponho a chorar.

Sinto uma mistura de desespero e abandono. Lágrimas brotam em meu rosto e, eu me percebo vulnerável, tão diferente das sensações que eu tenho normalmente. Eu nunca tinha chorado depois que virei um adulto. O pranto desce pelo meu rosto sem eu saber porquê. Essas impressões afetam meu jeito de ser. Noto-me impulsivo e irracional. Minha habilidade mais lógica, afastada de sentimentos, agora está ruindo. Como uma construção que se desaba, quebrando as paredes e deixando para traz um amontoado de poeira que não serve pra nada. Experimento a impressão de estar inútil, nesse momento. A vida não tem mais sentido, sozinho assim. − Vou viver para vegetar? Não posso mesmo.

Corro para escada, de frente da casa e pego a chave sobressalente que fica na santinha que protege a morada de meus pais. Assim, ninguém fica pra fora de casa, por falta de chave. Abro com cuidado para não assustá-los, se eles estivessem lá, por um acaso divino. Doce ilusão a minha.

Na sala com a mobília antiga de sofás e cadeiras de madeira de pinus, acompanhados de almofadas azuis, alguns traços de que minha mãe esteve bordando, como pedaços de linha e retalhos de tecidos, que ela fazia sempre que via TV.

Na cozinha eu me deparei com alguns pratos prontos na geladeira, como se eles tivessem saído e viriam para o almoço, que já estaria pronto, só para esquentar e comer. Eu não me faço de rogado e preparo meu prato. Ainda era cedo para almoçar, mas, a canseira era tanta que resolvi comer e descansar um pouco. Pego as almondegas, o arroz, a batata palha e coloco pra esquentar no micro-ondas e começo a pensar... Vou ligar a TV daqui que pode ser que ela esteja transmitindo alguma coisa. E enquanto esquentava a comida eu aciono a TV e nada de sinal. Ligo o rádio e nenhum sinal também, apenas um chiado. Mas, que coisa mais estranha.  

− O que será que aconteceu com as pessoas? Falo sozinho, mais uma vez

Como com avidez toda a comida, repetindo. Ainda bem que minha mãe era prevenida e tinha deixado mais do que os dois podiam comer.

Subo as escadas e entro no quarto do meu pai. Ligo o computador e vejo que seus últimos passos estão num arquivo onde ele pesquisava mundos paralelos. Meu pai era catedrático em física.  Acreditava em física quântica, em universos paralelos. Ao contrário de minha mãe. Isso era motivo de uma das grandes brigas dos dois. Ele tinha a crença de que podemos transpassar esse universo material e se deslocar para mundos intermediários. Ela ria muito dele e achava que era louco. Mas, suas pesquisas de transferência para outros universos tinham lhe garantido prêmios internacionais. Ela se matava de rir com os lauréis, porque não davam nem para comprar um novo computador ultra potente e ele usava um de menor potência em casa. Apenas no laboratório, ele tinha um de última geração.

Olho suas pesquisas e percebo que tem algo que se parece com a minha situação. O mundo paralelo tem suas nuances, que pode trazer esse sintoma de solidão, como se as pessoas tivessem sido abortadas.

 − Será que estou num Universo paralelo que meu pai me colocou lá?

 − Pai, pelo amor de Deus, se você fez isso comigo, por favor, me dê um motivo muito importante, porque isso não é uma brincadeira. Não estou gostando nada dessa história. Quer fazer o favor de me explicar tudo isso?

E agora estou bravo. Feroz, com vontade de quebrar tudo o que vejo pela frente.

 − Você está fazendo experiências comigo?

 − Deve me odiar para me lançar numa situação tão angustiante assim. Começo a falar em voz alta, para poder sair toda essa mistura de sentimentos que me atordoam.

 − Porra, meu, que maldade é essa que você fez comigo? Caralho, bem que minha mãe dizia que você era louco varrido e que eu tinha que seguir outros modelos. Você não tem o direito de me trancar num universo paralelo assim como está fazendo comigo agora. Eu não sou seu experimento.  Começo a gritar. – SEU VELHO SAFADO. SR. ALEXANDRE, REI DO UNIVERSO, LARGA DO MEU PÉ, VELHO BABACA EU NÃO SOU PROPRIEDADE SUA. 

Grito com todo o meu pulmão até não poder mais respirar Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!

− VOCÊ ESTÁ ME OUVINDO!!! LARGA MÃO DE BRINCADEIRA E VÊ SE APARECE!!! VOCÊ NÃO PODE SUMIR E ME DEIXAR ASSIM SOZINHO.

E depois caio num choro convulsivo, de perder o fôlego. Minhas pálpebras se fecham e saem borbotões de lágrimas, minha respiração fica ofegante, o corpo todo treme e eu não consigo parar de chorar por um bom tempo. Meu mundo acabou por conta da experiência desse velho inútil.

Choro por uma hora sem parar sentado na cama deles, coisa que eu fazia apenas quando era menino e adormeço lá.

 

 

 

 

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