Posts de Jorge Cortás Sader Filho (383)

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Não é não

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                                   Não é não

Muito engraçado. Vi uma entrevista na TV fechada onde o tema era esse, assédio durante o Carnaval.

Ora, assédio é um ataque brando, ou vira estupro. A mocinha que reclamava estava como esta da imagem. Não é a mesma, serve apenas para ilustrar.

Se a garota está praticamente nua, fio dental, salto altíssimo e rebolando provocadoramente em frente a homens, vai que um deles, ou até vários mesmo, a gente não conhece o comportamento dessas pessoas quando passam por situações assim, vai e passa a mão firme, agarra, sei lá a doideira que o vai atacar. Assédio?

Convenhamos! Assédio, repito, não é quando alguém está quieto e vem um inoportuno, quase sempre alcoolizado, e parte para o ataque diante duma tanga fio dental que o está convidando. Isso é perfeitamente normal. A agressão tem que ser contra quem está, ainda que livremente e com um biquíni, fantasia, lá o que seja, mas sem se comportar provocadoramente. Aí se caracteriza o abuso. O ‘não é não’ funciona assim.

De resto, não me chamem machista. Duas famosas artistas de Hollywood avistaram um rapaz que as agradou bastante. Não cito nomes, o fato é conhecido demais.

“Vamos pegar ele?”

“Enlouqueceu? Pode dar polícia.”

“Acha mesmo? Quem vai acreditar nele?”

Pois é... A coisa vai assim...

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Entendo razoável

3863712164?profile=RESIZE_710xSabem?  Nos dias atuais entendo perfeitamente razoável a postagem mais picante, erótica e quase pornográfica.  Quase...

O mundo vai mudando a passos largos, para o bem, para o mal e para a indiferença.  Esta é a pior.  Não diz sim, nem não.  Estou escrevendo, com prazer, em site modificado cujo original fui um dos fundadores, tanto que ostento o título Top Peapaz, honraria!

Talvez tenha sido o primeiro a postar aqui, sem pretender magoar ninguém, ou parecer o 'vanguardista', este tipo de crônica ou conto.

O que peço é tão somente sinceridade.  Que 'baixem a lenha' se estou errado, compreendam os que acham a publicação possível, ou aceitem tranquilamente a literatura atual, esta é a verdade.  

Gostaria muito, e peço a paricipação de quem quer que seja, que opine nesta publicação, que não quer chamar comentários, mas apenas, e tão somente, escutar os velhos amigos, os novos e os leitores.  Aqui fica difícil.  Quem não está inscrito no site não pode opinar.  Há de ter um jeito!

Obrigado! 

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Situações; tudo bem

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                                         Tudo bem!

 

Certas situações são difíceis de serem resolvidas.

São complexas, envolvem assuntos delicados, às vezes até mesmo, até certo ponto, que não devem ser tocados. Mas isso é preconceito, e não deve ser admitido. Era o caso de Celinha! Acostumada com namoros já bem audaciosos com quatorze anos, Célia estava com dezesseis, e ainda era virgem! Ou seja, virgem parcialmente. Isso existe? Existe. Desde que se diga virgem uma moça que ainda tem seu hímen. Era o caso. Sim, ainda não tinha sido penetrada.

Estas situações duram pouco. A de Célia até que foi prolongada, talvez por causa das manobras diversas que fazia com os seus namorados. Namorados? Mais de um? Parece conversa diferente, mas é normal. Já é uma traidora e apaixonada por alguns, desde pequena. Estava na hora! Mais do que na hora, e apareceu Vicente, estudante de Biologia, conhecido pelas suas colegas pelo membro avantajado, fato que chegou aos ouvidos de Célia através de uma amiga comum.

Apresentados, marcaram um encontro num barzinho bastante sofisticado e caro, mas bem discreto. Na terceira dose de vinho, em taça, Célia já se deixava pegar nas coxas, ter os seios apalpados e começava a querer ser possuída.

Poderia pegar gravidez. Sem probabilidade de defesa contra gravidez no ato, salvo a famosa ‘pílula do dia seguinte’. Mas ela tinha visto um filme no computador que ficou com curiosidade demais, associada a vontade de fazer o mesmo.  Não demorou e estavam no apartamento de Vicente, que morava sozinho por causa dos estudos.  O pai o sustentava, em cidade que não era deles.  Célia foi agarrada como uma ninfa; estava linda, Vicente sentia suas carnes macias enquanto a desnudava vagarorosamente, sentido a maciez da sua pele e o perfume do seu corpo esbelto, bem feito, bonito.  Ela pensava no que iria acontecer em poucos minutos, um sonho tarado seu.

                                                                                             

O ato com a penetração anal, membro grande, tinha colocado a jovem em extrema vontade de ser possuída assim também. Já estavam quase sem roupa nenhuma, escutando músicas dolentes, e continuando a beber vinho tinto.  E Célia não parava de pegar, sentir aquele membro com sempre sonhara.  Os carinhos, cada vez mais intensificavam-se.

O beijo foi longo. Sua atitude muito audaciosa, calcinha somente e virou de bruços. O companheiro não era mau entendedor. Já havia beijado muito na gruta maravilhosa, e logo tudo mudava, com a posição da sensual mulher.  Sentiu a cabeça no lindo traseiro, que levantou para facilitar tudo.

Nestas ocasiões, a penetração é bastante fácil. "Tudo, querido, tudo", estava deseseperada.  Logo os dois choravam e gemiam de prazer, num gozo amoroso e intenso.  

 

Imagem:  Celinha, ao vinte e três anos de idade.

 

           

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O fascínio da beleza feminina

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                                   O fascínio da beleza feminina

 

            Nunca saiu do assunto mundial, tanto dos homens, como das mulheres. São fascinantes mesmo.  Eva teria sido amaldiçoada por conquistar o homem. Tantas Evas...

            As artes sempre registraram a beleza da mulher, desde os primórdios do Mundo.  Continuam registrando até hoje, quando elas mudaram um pouco.  As formas eram arredondadas, os músculos nada proeminentes, tatuagens nem pensar, e não existiam cadeiras no Legislativo, que nem mesmo existia.

            Mudou? Mudou sim.  O corpo da mulher, antes sagrado, tornou-se vulgar.  Antes dono de belas formas, aparentemente macias, ganhou músculos proeminentes, graças aos trabalhos feitos nas “academias de ginástica”.

            Sou um reacionário.  Mulher bonita deve ter corpo limpo de tatuagens, músculos proeminentes, ombros fortes como se fosse lutadora de boxe. Nada disso.  Não sou, de forma alguma, partidário da mater família, mas igualmente não posso admitir a vulgarização da mulher.

            Sou homem, sou filho, tenho esposa, ou seja, por mais que tenha convivido, como convivo com homens, a mulher sempre esteve junto ao meu ser.  Ao meu e o de todos.

            Mas entendo que hoje a coisa exagerou.  Vale a mulher ‘marombada’, a que segue rigorosamente as regras de coxas grossas, bunda arrebitada, cintura fina e olhar insinuante.  Ora, esta não é a mulher, é apenas uma regra da moda, que absolutamente está incluída na sociedade lícita atual.

            Ser como a Paolla Oliveira, que ilustra este postagem?  Sim, ela é linda!  Mas é uma artista, que ninguém se esqueça disso. Uma mulher!

           

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Entre amor e beijos

                                   Entre amor e beijos

 

            Estavam à vontade.  Bermudas largas, descalços ou com sandálias leves, camisas de malha, manga inteira ou cavada.

            Uma delas se destacava.  Loura, linda, corpo perfeito, e não era nova.  Uma mulher feita, diria.

            Ambiente de festa, já por terminar, hora alta.  Ninguém ali sóbrio de todo, mas não entregue ao alcoolismo, igualmente.  O velho casal estava assim.  Ela lindíssima, no seu louro dourado de fazer inveja a meninas bem, muito mais jovens.  Rosto perfeito, bem sustentado por ossatura perfeita.  Corpo, não se pode saber como, como de uma ninfeta pronta para ser possuída sem cessar.

            O champanha estava em temperatura e gosto como todos os admiradores gostam. 

            — Está linda!

            — Ora, você diz isso para todas...

            Sentiu a mão dele acariciar seu belo rosto,permitiu, era ao mesmo tempo gostoso e sem a menor agressividade.  Beijou suavemente seus lábios, que se entreabriam para receber o carinho.  Baixou para o pescoço, que sugou com carinho de colocar qualquer mulher louca.  Os seios, os biquinhos, foram devorados.

            —  Você está me possuindo!

            —  Ainda não. Abre bem, vai ser agora.

            Não era um super dotado, muito menos um desfavorecido.

            Entrou tudo, ela levantou as pernas, louca de tesão, querendo um membro duro dentro de si.  Foi o que aconteceu.  Entrou tudo!  Logo que chegou ao fim, os dois entraram em êxtase. Queriam se agarrar, pegar as partes gostosas dos corpos, beijar, sugar, beijar mais, beijar muito, falar coisas dóceis e tesudas nos ouvidos, serem correspondidos, olharem um a alma do outro com um mirar de olhos tarado e apaixonado.

            Mãos firmes na cintura da loura querida, gozaram juntos, olhos sem se despregarem.  Estavam loucos de amor!  Ela sentiu quando foi inundada de sêmen,  quente, em jatos dentro do seu corpo.  Encostou a cabeça no seu ombro e dormiu como se anjo fosse...    

 

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Definitivamente

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Definitivamente
Crônica

Já me declarei um sem numero de vezes contrário a direita ou a esquerda mais estremada. Não suporto nem uma, nem outra.
Firmam-se sempre em conceitos mentirosos, ou matematicamente errados, e seus adeptos seguem o boi, como na carruagem, na maior mansidão. Se há enfurecimento, ele foi pedido pelos interessados. Lula virou lixo, o que era mais do que normal. Gostaria de que fosse fuzilado, mas esta pena não existe no nosso idiota direito, mesmo em crimes contra a pátria.
Bolsonoro anda afirmando o que quer, o que lhe passa pela cabeça, e esta não é uma atitude, um comportamento de um chefe de governo.
Onde vamos parar, não sei!

Imagem: "O fuzilamento de 3 de maio de 1808, Goya.

 
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O Supremo não legisla!

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                                            Não entendo

 

            Até poucos anos atrás, o Supremo era respeito puro.  Meu também, é claro.

            Não se sabe a causa, virou um tribunal comum, sem honras e pompas. Ficou vulgar.  Perdemos um teto, e isso incomoda e amedronta!

            Direto ao fato: virá um julgamento que vai decidir se a segunda instância é ou não órgão competente para levar  um condenado à prisão.  Este assunto já foi discutido e julgado sei lá quantas vezes, sempre com o mesmo resultado.  A decisão de segunda instância decide a liberdade ou não do réu.

            O povo já não mais confia no seu tribunal maior.  Que absurdo é esse?  É a conscientização política.  O Supremo julga, mas não legisla.  Ele está fazendo as duas coisas, um absurdo aos olhos de todos.

            Para dirimir fato desta natureza, só lei emanada do Congresso Nacional. O órgão da República instituído para legislar.  Ele deve decidir se a segunda instância é a competente para prisão de condenados, ou até mesmo se, condenado pelo juiz, salvo raras exceções, como idade, comportamento do réu, gravidade do crime, intensidade do dolo e outros aspectos do fato, já saia do tribunal condenado.  O Juiz de Direito, em matéria penal, virou um Delegado de Polícia sofisticado!

            Mas a lei do Congresso tudo muda.  Entende se os Tribunais de Justiça, em julgamentos, podem obrigar o início do cumprimento da pena do réu condenado, quando deve ser aplicada a sanção condenatória, ou seja, o recolhimento do réu e as regras que estão faltando na Lei de Execuções Penais.  Quem legisla é o Congresso.  Quantas vezes será necessário afirmar o óbvio?

            O que se quer dizer com isso?  Que o julgamento do Supremo Tribunal Federal de nada vale.  O processo deveria ser sustado e a matéria discutida amplamente nas casas legislativas.  Com a lei, viria a legalidade, que o STF não pode dar, mas apenas julgar.

            Aos réus presos, que se imagine uma solução decente, até ser decidida a questão pelo poder de direito, o Legislativo.

              

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De mansinho

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                              De mansinho

 

            Como querendo nada, chegou de mansinho.  Assim ficou, a platéia estava adorando.  Bonita? Não, não. Não era bonita, era simplesmente linda.

            As pessoas têm que tomar cuidado, principalmente quando ganham fama, ficam visadas e na maioria das vezes, ira da inveja deste povo.  Povo de Deus?  Acaso ele existe?  Ora, não interessa. 

            — Posso sentar?

            — À vontade, aqui não tem lugar marcado.

            Linda.  Rosto de linhas macias e sinuosas, voz agradável, corpo incrivelmente bem feito e, por cima de tudo, trabalhado.  Bebia, sozinha e num elegante bar a poucos metros da areia da praia, um líquido de bonita cor.

            — O que é isto?  A bebida.

            — Acaso não conhece a mistura chope branco com o preto?

            — Acaso conheço e esta foi apenas uma maneira de me aproximar.

            — Deu certo.  Acompanha?

            — Não só acompanho, como convido para os complementos.

            — Complementos?

            — Ora, não gosta de um doze anos, acompanhamentos certos, uma bela varanda, tranquilidade e intimidade?

            A marca do uísque, não sei.  Não me contaram. Essa gente é assim.  Não conta nada!  Mas, às vezes, estes encontro casuais acabam virando paixão.  Ou ódio... Coisas da vida, coisas do amor.

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Emoção e paixão

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Dedicou-me a minha querida Sílvia um soneto alexandrino.

Normal; mas o susto foi grande. Jamais julguei-me merecedor de tamanha gentileza, carinho e afeto, dada a carga de emotividade que a minha há muitos anos a querida imprimimiu no soneto alexandrino a mim dedicado.  Confesso, bela Sílvia, foi bem além do que mereço.  Deveria, é claro, transcrever o soneto recebido.  Como foi grande a emoção, passo à autora a responsabiidade.  Está no Facebook de hoje, 31 de agosto de 2019.

Beijo grande com todo o meu carinho, respeito e amor, que sempre me mereceu, querida Sílvia.

 

 

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Sei não!

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Chega de confusões, previdência, desmatamento, agrotóxicos.

Tem um ponto que a gente não aguenta mais!  Questão de respeito, a jovem que ilustra é campeã olímpica de ginástica.  Creio que basta.  Muito trabalho, coisa que não ando vendo no nosso país!

Mas...

"Quando estacionou diante do edifício, na Lagoa, Karin já estava na calçada à sua espera, sapatos de corda, um impermeável por cima da roupa de banho, e, no bolso, um frasco de prata com vodca.

Escandalizou-se ao ver que Mansinho não vinha de calção de banho por baixo da capa.

— Você não vai cair n'água?

— E você? Está querendo me ver, depois desse tempo todo, ou só quer tomar banho de mar?

No apartamento de Karin tinha uísque, vodca, sardinha e pão. Que besteira tomar banho de mar. Foram subindo a Rua Montenegro e, ao chegarem à praia, dobraram à direita. Resignado que estava de andar até o Arpoador, Mansinho se animou, achando que iam parar talvez diante do Country, mas Karin prosseguiu pela calçada. Pelas alturas do Cinema Miramar, Mansinho teve uma dúvida atroz. Será que a Karin queria andar pela Avenida Niemeyer até o Vidigal, a Gávea, a própria Barra? Karin parou no fim do Leblon e obrigou Mansinho a tirar os sapatos para andarem na beira do mar. Entre as pedras achou flores da véspera, três copos-de-leite de talos amarrados com fita branca. Karin declamou para o mar, restituindo as flores às ondas;

Todo coberto de lírios

de velas, fogos e círios

o ano estava estendido     

das areias de Ipanema

aos rochedos do Leblon.

Diante do ano morto

lemanjá dá reveillon.

 

— O que é isso? — disse Mansinho.

— Ora! O poema do Murta. .         -

— Você sabe tudo de cor, hem!

— Claro! Pois o poema foi feito para mim.

Mansinho ficou meio amuado. Karin tomou um trago de vodca. Apesar da ressaca, Mansinho, resignado, bebeu também. Estava se sentindo mofado, úmido.

— Por que é que Murta depois começou a fugir de mim? Eu sempre tive tanta vontade de ser amada por uma poeta.

— Murta é cineasta. Pelo menos é o que ele diz.

— Quem faz versos é poeta. Onde é que ele anda?

— Em caso de dúvida, procure no Don Juan’s. Se formos até lá é quase certo encontrar o Murta.

— Ele me adorou aquela noite na areia, se lembra, de joelhos, e depois deixou a festa e veio me procurar, andou comigo pela praia inteira, recitando os versos que tinha feito. Mas não me propôs nada.

Mansinho deu de ombros. Puseram-se a andar pela beira da praia, Karin apanhando conchas, cantarolando, inventando uma música para cantar com o poema:

 

Dançando no gume fino

da meia-noite lunar!

 

Mansinho foi ficando mais emburrado e Karin cada vez mais alegre e cantadeira. Ao passarem pela frente da Rua General Urquiza ele propôs que fossem para o Bar Don Juan mas Karin, sem responder, enfiou o braço no braço dele andando e cantando. Quando chegaram à desembocadura do canal do Jardim de Alá, sentou-se no paredão que avançava pelas ondas cinzentas. Mansinho já tinha molhado as calças até os joelhos e a garoa lhe pingava dos cabelos. Dois desocupados, no paredão oposto, olhavam em frente, ou vagamente estudavam a grande escavadeira empregada no alargamento do canal. Enquanto os trabalhadores, na areia, enchiam a boca com a comida tirada da marmita, a bocarra de ferro da escavadeira descansava, os dentes imensos imobilizados em torno de uma rocha. Karin passou a mão nos cabelos encharcados de Mansinho e tomou mais vodca.

— Fala alguma coisa

— Você gosta de versos e eu só tenho prosa. De mais a mais você e que deve ter alguma coisa a contar. O que é que fez durante uma semana inteira?

Karin o olhou séria. 

— Aproveitei o pretexto de estudar         a festa do Círio de Nazaré e fui conhecer a tua terra.

Mansinho arregalou os olhos.

— Você foi a Belém do Pará?

Karin fez que sim com a cabeça e tomou as mãos de Mansinho nas suas. Mansinho teve grande desejo dela e vontade de deitá-la ali mesmo, na areia ou até no dorso do paredão, mas ao mesmo tempo sentiu com certa melancolia aquele principio de enjôo que sempre lhe davam as mulheres quando passavam do porre da posse e da boa cegueira física inicial para uma fixação de sentimentos.

Domesticadas e ciscando o chão até as garças viram galinhas.

Da janela do escritório do Bar Don Juan, Aniceto viu Mansinho e Karin que chegavam da praia e ficou pensando na Da Glória. Que estaria fazendo em Pão de Açúcar da beira do São Francisco, ela da voz rouca e que sabia falar longa e misteriosamente —como se tivesse aprendido a falar com o rio — mas que era tão breve de carta e de escrita tão vazia? Tinha medo dos escritos.

“Palavra escrita é feito passarinho na gaiola”, dizia. “Se um dia eu receber um telegrama me mato mas não abro.”

 

O texto entre aspas é de Antonio Callado, meu conterrâneo muito conhecido, e bem mais velho.



 

 

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Francisco Buarque de Holanda

 

                                             Francisco Buarque de Holanda

 

Como não gostar do Chico Buarque?

Como não gostar do Chico, um cara da minha época, temos idades próximas.

Cantor, poeta, compositor e escritor. Amigo dos artistas musicais mais famosos que temos e tivemos. Chico é um homem comum, simples. O político é outra coisa, são idéias. Ele nunca foi nem vereador...

Ganhou muita antipatia por ser amigo de Lula e Dilma. Realmente, do modo de ver político, não recomenda ninguém. Ambos são uns vencidos pela sede de poder e corrupção, não adianta negar, mas o assunto não é esse.

Sua história é outra. Chico tem raízes intelectuais, viveu no meio deles, gente de peso, importância e notoriedade. Não é qualquer um que é parceiro e amigo de Antonio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes, Baden Powel e tantos outros. Não é para qualquer um, todos sabem.

Começou moço, bem moço, com letras e músicas ainda não maduras, mas extremamente simpáticas. Mais: maturidade é conhecimento, nunca foi sinônimo de velhice. Das suas músicas, agrada-me sobremodo “Construção”, onde Chico mostrou o que sabe. Todos os versos são alexandrinos, e para completar, todos são proparoxítonos no seu final. Vão se alternando, até o término e a letra é grande.

Parabéns pelo Camões. Ele é concedido a autores da CPLP, Comunidade de Países de Língua Portuguesa, aos literatos que se destacaram pelo conjunto da sua obra. O prêmio maior, bom lembrar. Um milhão de euros, bem mais do que o Nobel, pago em dólares. Claro que a importância não é esta, o dinheiro. É o valor do prêmio intelectual, conquistado pelos tempos.

Só as suas letras, ao longo de anos o justificam, afinal ainda é o maior compositor vivo do Brasil.

 

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A mulher bonita

Afinal, quem é esta famosa bonita mulher?

A que tem belo rosto?  A que tem bas curvas?Esta não vale, está de costas, mas que é linda, é.  A mulher bonita, fisicamente, sempre foi um mito.  Passamos os séculos apresentando ora uma, ora outra.

Em definitivo, nada sobrou.  Brigitte envelheceu, Sophia perdeu as belas formas, Faye não é mais a bela Clayde, da famosa dupla de assaltantes.  Beleza eterna não existe.  Creio mesmo que eterno nada existe, salvo religiosamente.  Nunca morrem na alma do povo, e vão ficar para sempre.  Um mito, um milagre, um fato.

As mulheres belas sempre mexeram com o mundo, e vão continuar encantando.  Basta ver a foto acima...

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"Vila dos Confins"

 

                                               “Vila dos Confins”

 

            Parece difícil alguém começar a escrever sem antes ter passado por um processo que costuma formar quem pratica este tipo de arte.

            O início é a leitura, sempre. Depois as redações, geralmente feitas no colégio. Fui encaminhado pela educação, e naturalmente pelo gosto de contar histórias. Desde pequeno meus pais cuidaram com carinho da leitura, que souberam passar muito bem aos filhos — aprendi a ler e escrever com minha mãe. Comecei com Monteiro Lobato, como a maioria dos pequenos leitores. Mas nada conheço de Dona Benta, Emília ou Pedrinho. Que eu me lembre, o primeiro livro que li foi “Os doze trabalhos de Hércules”, se não me engano, na época, composto por dois volumes. Li, reli e vivia lendo, até hoje conheço as aventuras do herói grego, filho de Zeus e da mortal Alcmena. Digo que me lembre porque tinha o hábito de ler o que me caísse na frente, fora as histórias que me eram contadas.

            O tempo passou, entrei para o ginásio e os professores recomendavam uma serie de livros. “Iracema”, “A Moreninha”, “Meus oito anos”. José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo e Casimiro de Abreu sempre foram autores obrigatórios no ginásio. As provas eram sempre constituídas de duas partes. A primeira, redação. A segunda, análise de algum trecho e gramática. Jamais tive a menor preocupação com a matéria. Tirava nota máxima, ou perto dela, na redação que sempre valia cinco pontos. Depois, saía catando respostas da segunda parte, e juntava mais uns pontinhos. Enfim, nunca minha nota foi menor do que seis e meio, tudo por causa da leitura que me acompanhou todo o tempo.

            Pouco mais tarde li o primeiro livro ‘mais sério’, se é que esta classificação existe, por recomendação escolar. “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, que me impressionou profundamente. Estava aberto o caminho para uma sucessão que se estende até hoje.

            Mas quando li vorazmente “Vila dos Confins”, de Mário Palmério, pensei comigo mesmo “ainda vou escrever assim”. Vontade tenho até hoje, mas realmente o romance onde é contada a vida política do sertão, as falcatruas eleitorais, a figura do padre Sommer, o matador de onças pretas, zagaiadas sem medo, a vida do interior mineiro com todos os seus pormenores grandes ou pequenos é rica demais e muito difícil de ser simplesmente reduzida a um simples comentário. É impossível, esta é a verdade. O então deputado federal Mário Palmério, duas vezes eleito pelo PTB getulista, que foi educador, político e diplomata esgotou o assunto. Foi prefaciado por Rachel de Queiroz, um passaporte vermelho para qualquer editora, não fosse o fulgurante talento do autor. Veio depois “Chapadão do Bugre”, também excelente, mas sem a força do primeiro.

            Enquanto Guimarães Rosa soube mostrar a vida do sertão com requintes de realidade, Palmério, seu sucessor na Academia, fez o mesmo, mas politicamente. Tempo das eleições onde quem tinha título, honesto ou obtido mediante fraude, comparecia a seção eleitoral com a sua melhor roupa e orgulho, hoje uma chatice onde o traje é a bermuda.

            “Ainda vou escrever um livro assim.” Foi como tudo começou, uma admiração grande e incontida, não passei na época, de contos e crônicas, a vida na farra era bem melhor. Jamais deixei de ler e escrever, mas o primeiro romance, um texto despretensioso, apareceu tarde. O segundo, do qual muito me orgulho, anda preso em concursos, não deve virar livro até que eu escreva coisa melhor, se conseguir. “Casarão”. Nele estão presentes o bem e o mal, a saúde e a doença, a virtude e o vício, o caráter e o cafajestismo.

            Tudo isto por causa do deputado e Acadêmico Mário Palmério, feliz autor de “Vila dos confins”, indelével marca na literatura nacional.

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O fascínio da beleza feminina

 

                                   O fascínio da beleza feminina

 

            Nunca saiu do assunto mundial, tanto dos homens, como das mulheres. São fascinantes mesmo. Eva teria sido amaldiçoada por conquistar o homem. Tantas Evas...

            As artes sempre registraram a beleza da mulher, desde os primórdios do Mundo. Continuam registrando até hoje, quando elas mudaram um pouco. As formas eram arredondadas, os músculos nada proeminentes, tatuagens nem pensar, e não existiam cadeiras no Legislativo, que nem mesmo existia.

            Mudou? Mudou sim. O corpo da mulher, antes sagrado, tornou-se vulgar. Antes dono de belas formas, aparentemente macias, ganhou músculos proeminentes, graças aos trabalhos feitos nas “academias de ginástica”.

            Sou um reacionário. Mulher bonita deve ter corpo limpo de tatuagens, músculos proeminentes, ombros fortes como se fosse lutadora de boxe. Nada disso. Não sou, de forma alguma, partidário da mater família, mas igualmente não posso admitir a vulgarização da mulher.

            Sou homem, sou filho, tenho esposa, ou seja, por mais que tenha convivido, como convivo com homens, a mulher sempre esteve junto ao meu ser. Ao meu e o de todos.

            Mas entendo que hoje a coisa exagerou. Vale a mulher ‘marombada’, a que segue rigorosamente as regras de coxas grossas, bunda arrebitada, cintura fina e olhar insinuante. Ora, esta não é a mulher, é apenas uma regra da moda, que absolutamente está incluída na sociedade lícita atual.

            Ser como a Paolla Oliveira, que ilustra este postagem? Sim, ela é linda! Mas é uma artista, que ninguém se esqueça disso. Uma mulher!  Que ninguém tente diminuir a mulher!

           

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Pode? Depende, depende

 

                             Pode? Depende, depende.

 

            Em entrevista, atriz Deborah Secco, conhecida pelo seu desembaraço em interpretar papéis difíceis, sem que fosse inquirida pelos entrevistadores disparou: “meus namorados? Traí todos”. E criou o alvoroço, sendo que ela não precisa disso para aparecer; basta mostrar o rosto. O corpo, nem se fala.

            Quando apareceu nas novelas de televisão brasileira, tinha um ar infantil e ao mesmo tempo atrevido. Magrinha, nada do tipo das famosas colegas que todas conhecem, mas não vou citar nomes. Falo no da Deborah porque ela já cansou de dizer o que afirmei acima. Ora, a afirmação é inusitada, mas já vi uma entrevista. Sem o menor receio, lá vem o traí todos. E eles não são poucos. Ora, a Secco fez o papel da Bruna, no filme “Bruna Surfistinha”. Corajosa e oportuna: suas colegas, mesmo as mais audaciosas, não tiveram a coragem de interpretar a garota de programa, uma prostituta mesmo, que ficou famosa com a publicação do livro de mesmo nome, de Raquel Pacheco, recorde de vendas quando foi publicado.

            A  Bruna era do tipo exuberante, não combinava com Deborah, que não teve dúvida. Entrou para uma academia, preparou-se sei lá eu como, mas virou uma mulher altamente desejável. A moça não brinca em serviço. Talvez a própria “Surfistinha” ficaria bem abaixo do desejável corpo da atriz. Sucesso! Não é uma peça de valor artístico total, que envolve plástica, cena, cor. É história na dura mesmo. Quarto e cama!

            Deborah deu show. É a vagabundinha mais convincente que já vi nas telas. Uma putinha mesmo, que satisfaz seus clientes, aceita suas exigências e ganha o seu dinheiro. Vi o filme no computador, está disponível.

            O mais interessante: vi também a entrevista do seu atual marido. Os repórteres riram muito, e o cabra ficou na dele. Ele é o pai da Maria Flor, filha deles. Mudou tudo? Ou, ou... Diga, senhora Deborah Secco!

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Melhor não ver

                                                 Melhor não ver

 

            Certas situações são embaraçosas. A de ser ver cena comprometedora, por exemplo. Não, não se trata de ficar caçando isso, fotografar e depois fazer mau uso do resultado. É o acaso mesmo.

            O cara gostava de fotografia. Invariavelmente estava com sua câmera, produto de qualidade. No momento, estava diante de um simpático delegado de polícia, sim, isso existe, porque não? Hábil no seu ofício. Cabelos cortados sem obedecer as normas da época. Nem curtos, nem longos. Barba rente, aparecendo só as pequenas pontas.

            — E que mesmo o senhor viu?

            — Nada, doutor. Eu não vi nada, estava começando o pôr-do-sol e eu não queria perder a oportunidade, o dia estava claro demais, eu estava observando isso, e nada mais.

            ‘— Então não viu a camioneta estacionada?

            — Eu nem sabia direito onde estava, doutor. Não podia perder um segundo olhando coisa que não fosse céu e mar.

            — Mais nada?

            — Mais nada. E com cuidado, já havia tomado uns canecos de chope gelado, deveria ter deixado para depois, quando findasse o trabalho.

            — Pode ser mais claro? Trabalho? Que espécie de trabalho?

            — Não está vendo, doutor? O senhor é policial. Sou fotógrafo, comecei amador, mas ganhei tantos concursos que comecei a participar mais e exposições, o trabalho antes amador acabou virando profissional.

            O homem estava falando a verdade. Vestia-se comumente, camisa de algodão de qualidade, sapatos tipo tênis, mas o que chamava a atenção era a calça jeans, quem conhece identifica de pronto. Inglesa, muitíssimo bem feita, corte fino e de requintada elegância.

            — O senhor não reparou nas duas moças sentadas quase ao seu lado?

            — Como não reparar, doutor? Lindas, as duas. Lindas...

            — Mas o céu estava mais lindo.

            — Não disse isso, doutor, eu não disse isso. Claro que olhei para as duas, que também tomavam chope e conversavam muito amistosamente.

            — Amistosamente? Não diria amorosamente?

            — Amorosamente? Diria que não. Apenas se acarinhavam nas mãos, coisas comuns entre as mulheres.

            — Só isso? Mais nada?

            — Doutor, não tenho o hábito de ficar bisbilhotando a vida dos outros.

            Não foi exatamente assim. É evidente que a câmera fotográfica do homem foi examinada e o conteúdo revelador. As duas lindas jovens, numa grande caminhoneta, seios livres, sem camisas, beijavam-se apaixonadamente, sem o menor receio e com todo o desejo contido, seus cabelos soltos e rostos bem moços, deixavam ver que se tratava de paixão.

O fotógrafo premiado fora contratado pelo marido de uma delas. Sim, ele faria fotos do entardecer em tão lindo lugar, mas não apenas só isso. As duas jovens estavam sob sua acurada mira.

É assim, quando tem de ser; não se pode evitar. Quando há compromisso com homem, como havia, muitas vezes é melhor não ver. Pode acabar em tragédia Sabe? Nem mais sei se pode mesmo. Os fatos, os costumes, andam muito mudados atualmente. Não sei o resultado. No começo, o marido da lourinha quis vingança selvagem.

            Dizem, eu não sei se isto é verdade, que os três convivem harmonicamente entre si. Exemplo de democracia!

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Velejando

                                       Velejando

 

            Dois sentados, tomando chopes em bar famoso e requintado, bebida de alta qualidade, inclusive a bière à la pression, panorama marítimo.

            O Soling, uma classe privilegiada de veleiros, estava em discussão. Alguns, nunca se sabe o motivo exato, eliminaram o mais sofisticado barco a vela da competição olímpica. Interesse? Monetário, naturalmente, dando ligar outra vez ao antiquado, feio e deficiente Star, barco que quebra o mastro facilmente, nada marinheiro e sem o uso da vela balão, aquela que fica inflada quando o vento é de popa e dá muita velocidade ao barco.

            .— Lindo, não? Ainda não entendi o motivo de retirarem da classe olímpica.

            .— Não? Safadeza destes organizadores. Ou você vai me dizer que não sabe que mesmo nos esportes a sacanagem come?

            .— Não, eu sei, eu sempre soube. Mas até onde a baixaria pode chegar?

            .— Até o homem chega.

            Uma verdade. Sob todos os aspectos. A cada dia que passa, a qualidade moral e ética decresce. Estamos descendo muito. Estamos descendo demais. Isso para? Ninguém sabe. Falta de saúde, falta de educação, falta de conhecimento, falta de tudo, como pode? A sociedade mundial caminha uma trilha escura, pedregosa, perigosa. E ninguém se dá conta que o abismo pode estar mais próximo do que a Astronomia espera, cinco bilhões de anos para o Sol gastar todo o seu combustível e causar o fim dele mesmo e do seu sistema.

            Ora, o tempo é distante, ninguém estará vivo para sofrer e testemunhar. E quem estiver? O calor será insuportável, até secar terras, mares, rios. Seria este o Apocalipse, narrado por São João? Pode ser sim, mas quem garante que está tão distante?

            O Soling continuou navegando tranquilamente. O chope continuava maravilhoso, a morena da mesa ao lado cruzara as pernas, o short era mesmo short, curto, as fritas com pequenos torresmos estavam cada vez melhores e o dia seguinte seria sábado!

            Todo o prazer renovado mais uma vez!

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Platão

 

                                     Filosofia platônica

 

           Todos falam em filosofia platônica. O que conhecemos dela?

Vem, em influência forte, de Sócrates, que nada deixou escrito. Seu discípulo Plato (Platão), que significa ombros largos, encerregou-se de transmitir os fundamentos da sua doutrina, até hoje considerada a mais exata, isenta e correta sobre os fatos humanos e os que acontecem sobre a Terra.

           Este é um breve estudo, que não tem, absolutamente, a intenção de dissecar a filosofia platônica, seria atrevimento demais.

            Pretende-se, apenas, prender-se ao fato de Platão deu mais importância: o amor. Entendia o mestre que juntos, homens e mulheres podem construir uma sociedade igualitária, crescendo juntos tanto o homem como a mulher, atingindo metas, conseguindo chegar a objetivos comuns, refinando o amor entre si e os outros, construindo famílias fortes e por conseguinte, Vida e nação forte. Faz sentido, qualquer um é capaz de perceber isso de imediato. Crescem não só o amor, mas a gentileza, a compreensão, a educação, a sabedoria.

            Falou-se na união homem e mulher. Assim é, já que se sabe que na Antiga Grécia, homens jovens, na puberdade, entregavam-se aos mais velhos, sendo o hábito considerado comum. Atingida determinada idade, ou quando os pelos da barba surgiam, o amante era libertado. Sócrates, segundo tudo consta, foi um destes ‘donos’; condenado por “estar corrompendo a juventude grega”. Verdade ou não, é o que consta no “Julgamento de Sócrates”, de Platão.

            Continua-se. A sociedade grega foi considerada perfeita. Havia escravos, mas estes eram prisioneiros de guerra. Pelos relatos, não havia fome, desamparo ou abandono na doença. A sociedade era bastante igualitária e a política muito honesta, sempre sendo resolvida, em casos extremos, pelo plebiscito. Convocado, o povo resolvia qualquer questão, ato de democracia suprema que até hoje é praticado na Suíça.

            Crescer juntos é assim. Os valores positivos caminham na mesma marcha. Em suma, é a principal idéia da filosofia platônica, a filosofia do Amor.

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