Posts de Jbcampos (368)

Conversando com Estrelas

No alpendre aqui de casa, onde o vergel arrasa,

enredado em minha velha rede, numa tarde de fazer a  sesta,

lânguido, das entre pálpebras vislumbrei malemolente fresta.

Ao levantar o meu olhar vi o amor pairar sob o ar do firma-

mento.  As brancas nuvens formavam as estrelas com

as quais me  atrevi  a  conversar.  À  pincenê, e  à

Mandraque  eis  que  ressurge  o  velho  craque.

Era Olavo a dialogar com Assis, que assim lhe diz:

Um  afortunado  compositor  de  melodias  populares

que  deseja desesperadamente  escrever  música clássica.

Ouve-se uma firme interrupção num Tom com uivos de Lobos:

Brada Francis: Tudo por causa do amor. Regina quase se afoga

com as  Águas  de Março à frente  do  Mercador latino-americano

Como  Nossos  Pais.  Grita  Tonico  de  Campinas:  Cadê   Peri?

Porém, em  Guarani. Adentrei-me ao assunto feito bobo,  en-

quanto, Bachianas empurravam O Trenzinho Caipira.  Es-

se  Trenzinho  passa  tão  cheio de graça, agora Tom

soltando  o  seu  som.  Logo  chega uma Pessoa

com  chapéu  preto na  mão,  olhando ao léu

do azulado céu, afirmando ser Fernando,

chamando  por  Vinícius.  Que  esse 

conclave seja bom, enquanto dure

em nome de Tom, com calmante meiguice

configura-se falsa crendice. Imortais naquela

flutuante academia fulgurante  a  minha  mente  confundia,

pela insensatez de atrevimento ao querer entender logo

de vez, sem esperar a minha vez, com enorme pedra

no meio do caminho, quando o poeta nobre, Carlos

me chama de lado e se põe a falar com este pobre

mortal. Educadamente:- Meu velho, não  me leve a

mal, pegue esse seu escaninho e se aninhe no seu

ninho,  pois, trata-se de conversa  de  gente grande

que a nós se expande. - Seja claro poeta, que a mim

não  me afeta. - Então me entenda, fique na sua tenda

e apenas aprenda, quiçá, será também  um  poeta do além.
Eis que de repente, surge na frente da gente um arquiteto carioca

de Brasília a querer construir um enorme teto ondulado para agasalhar

os imortais da poesia.

E  por  profilaxia  surgem  mais  dois  por  ali com  seus bisturis,

eram  anjos de branco:  Zerbini  e  Pitanguy. Ah… Aparece  também

do mundo do  além, mais um estrangeiro, capitão Nemo que de sua nave

bisbilhota um Navio Negreiros, conquanto, um cabeludo de bigode, alinhado,

com a mão a  segurar  o queixo, admirado, olhando de lado, sorri desvairado

a recordar o presente passado.

Ai pensei, vamos parar por aqui, porque, não vai caber mais ninguém,

apesar do céu não ter fim, foi quando ouvi o despertar do conhecido Bem-te-vi.


Estrela e mais estrelo a estrear o meu espaço, além do cantarolar de belo pássaro.

Pode?


O papo parou por ali, levantei-me pensativo, e fui procurar o que fazer.

jbcampos


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200 PÁGINAS DE PENSAMENTOS

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Sossego amigo

A paz de meu velho pai, trago comigo.
Sossegado em seus fortes braços,
sinto-me seguro entre laços
de alegria em seus traços.
Paz de exemplo amigo.

Honesto e amorável cidadão.
Zelador de minha paixão,
amador de minha mãe
e de meus irmãos.
Amo suas cãs!

Às vezes ao sentir-me atribulado
de soslaio vejo ao meu lado
o seu sorriso imaculado.
Querido pai amado.

Saudade de seu olhar amigo,
sua voz, seu cheiro antigo,
sempre a zoar comigo.

Fazia da vida, plena alegria,
flor de açucena, fantasia
a disfarçar o plano
do desengano.

Quantos anos, quantos anos,
desfazendo velhos sonhos.

Ah… Cuide bem de mamãe. Diga a ela, minha vida, que a amo, que a amo, mas que os anos não a trazem mais...

Oh! Que saudades que tenho… Como diria o velho poeta das tardes fagueiras, debaixo dos laranjais.

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Às cinco

Às cinco da manhã ainda estou a escrever, na manha de aprender ao som de viver o agora, somente agora, minha eterna aurora. Ao som do leve gotejar lá fora o meu espírito cresce em prazer desnatural.

Cada pingo é respingo em minh’alma, como o apóstrofe a temperar o verso normal.

O quê?

Ah… A apóstrofe…

É o gênero gerando a língua.

E esse quê, como é que fica?

Na realidade devido a minha idade, acho que quis dizer apóstrofo, sou mesmo um frouxo apóstolo da língua que não míngua minha estrofe nem extingue minha sorte, apesar de o norte me guiar à morte pela qual viverei a vida.

Ah… Essa enebriante chuva me deixa preguiçoso, leve, sonolento, portanto, lamento e não vou pesquisar se o crase do início se inicia com acento. Você pode me perdoar por essa nostalgia antes do alvorecer do dia pleonástico, fantástico referto de alegria.

Medito, atento à chuva mansa; sem vento, à monge de convento.

De novo... Crase antes do feminino… Tenha modo, meu velho, não é gênero, é modo!

Como é bela a vida de natureza adquirida, minha querida, assim pode rimar, querida, convento com vento ao lento da vida, sem o ribombar estroante do majestático vento; desculpe a minha ousadia ao raiar de chuvoso dia, caso estroante antes não havia, acabo de o inventar nessa minha alegria sem par.

Apesar de muito ter amado, porém, amargado sua ausência e despedida. Você se foi há tempo, mas a mim me restou ainda um sopro de vida, a chuva mansa, nesta eternidade às cinco horas, tempo que parece jamais passar, como se mil anos fosse durar.

Embora, a chuva passe; amanhã voltará a chover, e o seu recordar me fará reviver a vida, umedecida pelo nosso eterno amor.

Aprendiz da arte de levar a vida de natureza morta com pinceladas levemente fortes.

Aliás, esse negócio de crase enche o saco mesmo, hein...

jbcampos

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Carrinho de mão

Carrinho de mão

Nesta velha nostalgia
a vida me eleva e guia.
A ilusão me enleva então
ao antigo carrinho de mão.

Era pequenino demais tempos atrás.
Pedia ao meu mais querido ídolo, meu  pai.
O qual me atendia com préstimo amorável demais.
O que queres querido filho? Que vires o carro pra mim.
Imagine um carrinho de mão virado de  cabeça pra baixo.
E o velho ancião aqui a brincar de motorista de caminhão
com a roda daquele carro feito em madeira pelo meu pai.
Inocente cabeça de criança, não trocaria jamais
aquela  velha carcaça  pelo melhor  brinquedo
da praça, pois, somente nele achava graça.
Velho ancião a redundar carrinho de mão.

Era tão feliz, daria tudo o que quis
por  aquele  eterno  momento
feliz, sem o menor lamento.
Fora um momento feliz.

Agora pra lá dos setenta
vejo o valor humano
carregado de ilusão
em falsa ideia
de aumento
no coração.


A vida passou
a deixar essa lembrança
a qual em minha mente soou.
Mas a grande felicidade ficou.
Lembrança de simples criança.

Chego até pensar que sou feliz,
porém, agora vejo que nada fiz.

Não tenho nem um velho carrinho
de mão feito pelo meu pai
para puxar pelo rabo.

jbcampos

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Por que você é poeta?

Por que você é poeta?

À
Pé,
Ou a
Carro.
A mente
É a poetisa.
Profetisa da fé.
Escrava do carrasco
Com cortesia, jamais o é.
Na tecla afiada de sua pena,
Com a cor e o odor de açucena,
É amor de Jesus à Maria Madalena.
O seu amor traz o psicovalor à cena
Da vida. Elevando a alma abatida.
Por isto você está aqui inserida.
Poesia é! É amor-compaixão!
Representa a Deus, na dor,
No torpor do seu irmão.
Não é juiz que; apenas
Apena com esta pena.
Na cena de um crime
Passional - emudece,
Padece e permanece
Imparcial, mas acena:
Jamais pratique o mal!
Por isto... Você é poeta!
Rei, ou rainha sem igual.
Jogral ou profetisa-atleta
Abominando o ódio
Caminha rumo
Ao pódio
Do alto
Astral.
Paz!
Fé!
É

Poeta viril, você tem sexo de anjo, você é “Amor” sutil!

jbcampos

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Morre mais um poeta

Ora direis: Estrelas falam,

certo, falam e exalam

no arfar pensante de Olavo

qual estalar de bravo.

Perfumosa cor de cravo.

Ao pensar infame infante

sobre o dom falante

de poesia delirante.

Assim reproduz Belchior,

mercador de alfarrábios,

constantes em seus lábios.

Guiado por astrolábios.

Ao Tom de sol maior.

Ao soar de menina de Tom

Com o vicejar de Vinícius.

Com sua estola traz Cartola

à voz de que rosas não falam,

rosas exalam em poemas seus vícios.

Seja lá como for,

estrela ou flor,

aqui a poesia

noite e dia

só fala de amor.

Poeta não morre.

Amor o dom maior.

Vá em paz mercador mor.

jbcampos

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Mente vazia não pensa no mal

É quase incondizente esvaziar inteiramente a mente, pois, frequentemente ela mente.

É conscientemente que se faz luzir essa luz resplandecente. E para tal, tem de livrá-la de seu natural bacanal. Esbórnia fatal. Infelizmente ela é forjada na forjaria do mal. Nossos ancestrais condicionaram-na inconscientemente no sistema de sobrevivência sobrenatural. A humanidade, apesar da idade persiste na mesma cartilha, uma simples bolha, uma ilha, pois, velhos caminhos ela trilha à toa. Fechada no mesmo modismo de seu antigo comodismo. Assim age a mente que mente à sua própria semente. Mente, fruto bruto de tudo o que se plantou antigamente. Por nada se saber de nada, é importante esvaziá-la para que alguma boa entidade tenha piedade e por caridade a encha da devida claridade benevolente.

Quer ser sábio, opte por essa simplicidade, meditando com singela qualidade.

Se possível deixe as muletas dos homens em suas velhas sarjetas, e creia piamente em você, até porque, eles são semelhantes a você. Então por que tanto tempo a perder? Pode crer em você! Porém, seja humilde, não despreze o seu irmão, pois, sendo ele você, tem muito com ele a aprender, porém, apreenda somente aquilo que sua mente entenda por boa semente.

Entregue-se ao seu eu maior pelo amor à paz de verdadeiro deus.

Essa ativa inércia é mais viva do que a mente passiva perdida e; em suas velhas alternativas imersa.

Eis o verdadeiro aval: Quando se esvazia a mente não se tem tempo para pensar no mal, pois, retira-se do centro do natural vendaval. Naturalmente isso traz saúde psicossomática sem igual.

Paz é o nome do remédio natural o qual se angaria no laboratório extrassensorial.

Dê férias à sua cabeça e sua história enalteça.

Esvazie a sua mente e seja mais gente, espalhando essa divina semente.

jbcampos

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Jocoso

Quebrando paradigma

Amigo e amiga quando se quebra o sagrado,

quando se viola o tabu, sempre há quem diga

um corretivo para quebrar a mesma viola tocada

pelos antigos; é a esmola que se queda ambígua.

Pense um pouco comigo, não sendo amoral

que se dane o dono desse velho quintal.

Vamos prantar nele o amor vital

sem nos atermos ao jogral.

Ouça o falar desse

doutor ao lado,

subindo para

cima de lado.

Isso não é nada engraçado!

Eis,

nosso

ensino

esgarçado,

e o asqueroso

ainda se achando

gostoso, bate no peito.

Ao menos batesse direito.

Jogar bem ou julgar mal

eis a questão de falar ao léu,

escrever a esmo no lastro céu.

Então rasgue o véu da boca.

Escreva com rima rouca,

ou enlouqueça com

fala mouca.

Escrever assim pode ser sacrilégio

no colégio de craques da língua.

Quiçá, crackeadas com cracks

à égide de suas ínguas.

Mestre ou bedel, fale bem ao natural

a língua ideal, seja menestrel a rir sem decair

no ridículo de se magoar, jogue esse sentimento

no primeiro penico sem esse sentimento contrair.

Porém, treine a sua mente

para falar corretamente.

Quem fala a verdade

não mente.

Apesar

de redundar

profundamente.

Sem ser pedante passe adiante,

pois, a sociedade não perdoa

a sua gafe na linda língua

e sua vida mingua

à toa.

Note bem!

Ao falar

eruditamente

há sempre alguém

a criticá-lo também,

porém, se falar errado

pode olhar ao seu lado

que há outro além

a tirar-lhe sarro

aquém.

É difícil agradar a grego e troiano

que na maioria não concatena

o seu plano ambicioso.

Vê se você antena

nesse ideal

jocoso.

Porém, o mais decoroso

é que você continue amoroso.

jbcampos

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Silhueta

                  Silhueta do amor
 
                                            Eu,
                                            e você;
                                           quem diria,
                                        ao lhe conhecer,
                                    não ousaria lhe dizer
                                como  o  amor  lhe diria:
                              É a luz  do  próprio  ser.
                             Quando esteve aqui,
                             deu-me o prazer.
                              ao me falar,
                                porém,
                                  o seu
                                    olhar
                                      me dizia.
                                        Logo senti
                                         o que  me  diria:
                                         Do verbo mensurar.
                                         E a mim me  fez  sentir
                                        harmonia,  paz  e  alegria:
                                      Desenvolver - me - ei  sozinha,
                                   pouco  importa  a  minha   vizinha.
                              Tanto faz na  sala, ou lá  na  cozinha.
                           Então, entendi o que a mim me dizia;
                          tanto  faz,  qualquer  lugar é  lugar.
                          Conquanto,  preste  a atenção,
                           muitos lhe pedem a mão.
                              jamais  sonegue,  não.
                                 Você  tem  para dar
                                   doe seu coração,
                                    dê minha irmã,
                                    ao famélico,
                                   esfaimado,
                                  sequioso,
                                  dê amor
                                   àquele
                                     que está
                                      ao seu lado,
                                      porém, não pare,
                                      de dar, nem de amar
                                     àquele que está amuado.
                                   Veja o tamanho da sua dor.
                                 Então, seja feliz ao não fazer
                                do  seu  prazer,  o  mau juiz.
                                Assim é esta bela vida
                                 quase nada mais.
                                   aqui se faz
                                     para ser
                                       feliz.
                                         Paz.
                                           Ás. 
 
                                      jbcampos
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Rasgou-se o véu

Rasgou-se o véu

Num dia anil

rasgou-se o véu,

então o céu se abriu,

uma nuvem infanto pueril

ao formar seu rosto infantil

meu velho coração partiu

num sonho de velho amor.

Você sorriu lentamente

ao vapor dum calor

qual fez murchar

a flor do amor.

Foi a vez do sol

se opor no rol

de atrevido

astro

extra

vestido,

que a você

quis enamorar;

amor sem sentido.

Mas quem sou para

me opor ao calor agora

do rei dos astros aquecido.

É velha imaginação da criação

duma mente distorcida ao sonhar

com seu velho amor já esquecido.

Assim, meu amor um dia feneceu

com o desentender de uma vida

real, inventada no anil do céu.

Rasgou-se o véu, e não pude

entender, afinal o que estou

aqui fazendo, perdido

nesse aparvalhado

amor de viver

você.

Com tantos vocês

entre as nuvens

do firmamento

sideral, dentre

grãos de areia

universais sendo

o seu amor apenas

um meteorito a cair

sobre o meu coração,

quase lá do infinito.

Agito de conflito

a me deixar

aflito.

Afinal nada entendo de nada

numa vida desentendida,

com alegre grito,

grito: Acho tudo

muito engraçado,

apesar de nada

saber de nada,

repito.

Porém, alguém

aí do infinito

ouça este

velho

grito.

Como gostaria de entender de amor…

jbcampos

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Crie o seu próprio paraíso

O seu bem-estar está latente em seu próprio ser!
Como exemplo podemos ver em todas as camadas sociais, pessoas tristes e alegres.
"Aquilo que os olhos não veêm, o coração não sente".
A escolha de ver o que é bom para nossa alma não é subterfúgio, não, apenas é a melhor escolha. Pode-se escolher ver pela televisão as hecatombes mundiais, ou não, porém, tem-se a consciência de que elas sempre existiram...
A crença na felicidade está na verdade de cada um de nós. Haja vista a busca frenética pelos bens da alma através de inúmeras religiões ao redor do mundo. A verdade está na maneira pela qual a nossa mente crê. Quando a mente crê, ela cria sua verdade e se essa verdade for embasada no bem ao próximo e ao se conseguir ter o verdadeiro prazer nessa bem-aventurança criou-se o verdadeiro paraíso.
Analise a sua verdade e creia com convicção para alcançar o bem-estar. A verdadeira cura da alma e até do físico se encontra na fé pessoal. O pensamento positivo cria sua verdade positiva, e assim também acontece com o pensamento negativo. Portanto, há o livre-arbítrio dessas duas escolhas.
Necessário se faz o esforço para enxergar essa verdade simples e óbvia.
Observação: Dê um descanso à sua mente, esvaziando-a de sua rotina, abrindo o caminho para o relaxamento físico mental e comece a criar o seu verdadeiro paraíso.

Feliz Natal

jbcampos

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Ao som do velho Dilermano

 

Pois é, meu mano, alta hora, se acordado não me engano, estou agora perto da aurora a ouvir o Abismo de outrora e também o já ausente Altamiro com seus lábios quentes e ao som de Carrilhões de muita gente presente. Parece até brincadeira, neste silencio mavioso e com a paz de estar contente e pleno a sentir o som sereno, enquanto, serenamente o tempo lá fora refresca a minha velhaca mente velhacamente insistente a sorrir ao ouvir o sorridente John a me fremir levemente: Essa sua vida é um grandioso mistério mentiroso-verdadeiro, porém, airoso...

 

Viva mais um pouco, meu velho, o dia está para sair...

 

Enquanto, o primogênito Vivaldi, num canto, com seu arco, atrapalhadamente sisudo aplaude o momento lúdico com seu espírito de gênio.

 

jbcampos

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Há poeta

 

Há poeta de todos os jeitos.

Há aquele que é simétrico,

enganando-se à poeta perfeito.

A sua autofalácia é mesmo clássica,

achando que a sua poesia é plástica

que se cola numa tela, bem essa é

uma mescla de poesia de entretela,

mesmo sem métrica é estética.

Sua simetria é belicosa e perfeita.

Há aquele que está nem aí,

porém, sua inspiração avassala

o coração que está numa vala.

E com a fala do amor, duma flor,

do valor dum sofrido coração,

vai tinir ao ouvido do olhar,

comovido pela boa intenção.

Esse é muito atrevido

ao cumprir a sua missão.

Vai desembuchando a razão

que nem ele mesmo sabe não...

Há aquele que se acha músico,

Cantarola o tempo todo, afinado

na mais degradante desafinação.

Sendo poeta, então está muito bom.

 

Há poeta que não escreve,

Pois, o seu pensamento é breve,

no entanto, emana a paz energética

da cura que apura qualquer rejeição.

O poema é a cura da maior infecção,

aquela que atinge a alma de geração

em geração, gerando a maior confusão.

Aí o camarada adoece, no cabo da enxada,

ou de cabeça raspada lá na universidade,

ensinando outras inchadas cabeças,

e não importa o que mais aconteça.

Todos se igualam nessa seara

quando a cabeça não apara,

o vil pensamento não sara.

O poeta analfa é a beta da alegria

pura, que a dor da alma cura,

sem a explicação grega,

a qual agrega segredos,

que o poeta os renega,

dos deuses imortais,

como é o caso da Musa,

que aparece intrusa,

para alegrar os mortais.

O preço da Musa é alegria

de todos os dias combater

o mal da alergia fria à ater

a alma que vive a sofrer.

Jbcampos

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Que olhar mais atrevido

Que olhar mais atrevido

 

Ao vislumbrar seu atrevido olhar,

confesso:  Fiquei bastante inibido,

porém, fui  abduzido  pelo sonhar

de  um  violento  amor  descabido.

O seu olhar  invadiu o  meu  mar,

ao marejar  de  minhas  lágrimas

cintilantes, num  rápido chispar

de uma  emoção  tão  brilhante.

Agora  você  é  atriz, e eu por

um triz,  mero  coadjuvante.

 

A paixão é mistério profundo

a  corroer  o  peito do amante

galanteador galante-imundo,

ou  de  uma simplória mente,

de um apaixonado vacilante.

 

Como explicar sentimento tão nobre,

bronzeado de ouro sobre a alma  presa

em laço  lastro de humilhante  desdouro,

o qual  às  vezes, covardemente  alto valor

cobre, num suplício  de um  coração pobre

em pleno desespero desequilibrado, cheiro

de amor odiado e já voado pra outro lado.

amargurado ao pensar ter conquistado,

porém, atraiçoado pelo bem-amado.

 

O amor sempre é nobre quando bem interpretado,

mesmo que o choro sobre, sobre um coração culpado.

Até quando o erro erra o amor encerra por todo o lado

a dor doada pelo doador o qual será sempre coroado.

 

Olhar atrevido.

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Cansado de tanto crer meu irmão...

Cansado de tanto crer, meu irmão...

 

Estás cansado de crer na injustiça humana, Já pensaste em crer em ti mesmo: Hosana? Pois, com certeza isso seria muito bacana. Quando um desses tantos safados milagreiros, cura para tomar o teu dinheiro, e não te apercebes ser ele exatamente igual a você e ao mundo inteiro... Somente você e a tua fé são bons companheiros. Jesus disse: que a fé remove montanhas, porém, não disse nada, absolutamente nada que fosse estranho. No decantado Sermão da Montanha, deixou registrado o poder da humildade, e da simplicidade. Além de ser incisivo com a caridade, exortando: O que de graça receberes, de graça deves dar... Ah... Que fique registrado: podes olhar pra todos os lados, remexeres como quiser o livro sagrado, e jamais vais encontrar uma seita pelo Maior indicado, ao contrário, chamou esses charlatães de fariseus otários e por essa tradução foi parar lá no Calvário; por eles abalroado.

Notes o poder do assédio através da hipnose! Pela hipnose pode-se provocar a velha anti-gnose, Algum líder carismático o deixa iludido. Por um poder que é somente teu e no teu cérebro está embutido. Sem nenhum cabotinismo falo de carteirinha, já que décadas tenho lutado nessa rinha. Como teólogo e psicanalista me incluo nessa lista, não sou santo à João: o batista, mas me chamo: João Batista. Deixando as rivalizações de lado e com muito cuidado retornemos ao safado, àquele lhe tem curado em nome do Deus sagrado, até porque é a melhor maneira de atiçar a boa-fé do irmanado, assim Deus fica responsabilizado, e o safado cada vez mais endinheirado. Estou certo, ou estou errado? Demorou, mas desse mal estou erradicado...

Não dá mesmo pra te aperceberes quando ele bota a mão na tua cabeça, fazendo com que tu te esqueças do lógico, dando-te um safanão psicológico, assim mudando a tua estação? Isso é hipnose meu irmão, ele faz com que a doença apareça e também desapareça em tumultuada confusão.

Assim esse canastrão vai usando o nome de Deus em vão. A sua profecia é a mesma que já respondeste de antemão, caso ele não acerte não, apela pela vontade de Deus, e fica tudo certo, pois, logo tu acertas com o dízimo da pseudoconsagração. Por acaso já vistes a sua mansão? O safado usa o nome do Crucificado e sai de lado para tua cura duradoura qual veio de humilde manjedoura... E tu moras também numa manjedoura, ou numa mansão? Diz aí meu irmão?

 

Creia em você, você é deus assim falou Deus pela boca de seu Filho, lá em dez de São João, e discretamente em sua fala corrente no livro de São Mateus.

 

Se você é deus, e nada disse eu, tampouco, nenhum fariseu louco então penses um pouco antes que eu fique rouco ao te chamar à atenção. Não enxergas não?

 

Desculpe a minha concisão nessa particular confissão, e entendas, quero apenas ser teu irmão.

 

Paz e amor.  

mensalém

Saiba mais…

Pra viver, preciso de quase nada

Pra viver, preciso de quase nada...

 

Nesta espinhosa e feliz jornada; preciso de quase nada.

Levantar cedo, se preciso, porém, evito as madrugadas.

Creio que,  neste sentido se aplica a desejada felicidade.

Simples assim, ser feliz foi única boa escolha que eu fiz,

Vou  mais longe; pra um velhote o qual dispensa  idade.

Adotei logo a simplicidade da velha sensatez,  eis  o xis

Da antiga questão, comerei feliz no simples  prato raso

Carne  de pato, ou saboroso arroz e feijão, e que arraso

Se lá tiver vinho, moqueca de camarão... E por que não

Meu bom vizinho, não pense que vivo a comer sozinho,

Não, a  ninguém  espezinho tendo esta mortal condição.

Quando  não, meus netos, filhos, irmãos, até sobrinhos.

Na  realidade tenho a liberdade quando  estou  sozinho.

Bem,  meu irmão, tenho por fiel companheira a Solidão

A dona do meu encanecido coração!  As minhas vestes:

Que tolice, há muito já lhe disse: uso uma peça por vez,

No  meu  carro, apenas um assento, e  no meu pé direito,

Eis  mesmo  sapato  outra vez. Eis o belo teste de lucidez

Da pureza  singela  à vida vívido-vivida  em  rosa-amarelo.

Ah...   Aqui se  encerra toda a sábia filosofia, na geografia

Desta  bela existência na qual vivemos sem transparência

Da  simplicidade  da  divina  sabedoria, sendo que a veraz

Felicidade se encontra no coração  de  qualquer  idade  az,

Ei-la: Grande sabedoria que os  sábios  jamais saboreiam,

Vivem  alheios  em  seus devaneios, em busca das glórias

Que se  acabam aqui, sapiências quais ficam pra história

Já há muito conhecida, porém,  por  poucos apreendida.

 

Seja rico, seja  pobre, seja humano, seja tudo, seja nada,

Quando for quase tudo isso, ao menos  terá vivido a vida.

Terá  aprendido  a  antiga maneira-fabulosa de bem-viver.

Comece agora, sendo humilde pra estas práticas exercer.

O seu erro pode estar ao se comparar  com seu  vizinho,

Pois, ainda não aprendeu  a  viver sozinho nesta clara

Solidão, cuja negritude está na cabeça pobre e podre

Do racista qual não se põe na lista de pobre-nobres

Mortais a fazer distinção de cores de seu espectro

De solidão insólita...

 

Sucesso nesse mais alto empreendimento de sua vida!

 

Seja feliz!

 

jbcampos

Saiba mais…

Tributo a Camões

Tributo a Camões

 

1

 

As armas e os barões assinalados.

 

 

Arrojados e pelos brios consagrados,

 

 

Que da Ocidental praia Lusitana,

 

 

Surgia essa brava e gentil raça humana.

 

 

Por mares nunca dantes navegados

 

 

Com caravelas e mares já singrados

 

 

Passaram ainda além da Taprobana,

 

 

Sirilanka ou Ceilão que se ufana.

 

 

Em perigos e guerras esforçados

 

 

Deixariam ao Brasil o heroico brado.

 

 

Mais do que prometia a força humana,

 

 

Navegariam muito além da Taprobana.

 

 

E entre gente remota edificaram

 

 

Com valorosa estrutura quais armaram:

 

 

Novo Reino, que tanto sublimaram;

 

 

Clória a Camões o grande lusitano!

  

2

 

E também as memórias gloriosas

 

 

Eternizando vitórias imperiosas

 

 

Daqueles Reis que foram dilatando

 

 

Seus velhos corações de muitos anos.

 

 

A Fé, o Império, e as terras viciosas,

 

 

Víciosas, teimosas e vigorosas.

 

 

De África e de Ásia andaram devastando,

 

 

Por isso hoje somos o que somos!

 

 

E aqueles que por obras valerosas

 

 

Ditaram leis as quais esplendorosas

 

 

Se vão da lei da Morte libertando,

 

 

Assim vida e morte vão caminhando,

 

 

Cantando espalharei por toda parte,

 

 

Haja vista a minha vista fazer parte

 

 

Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

 

 

Louvarei mais uma vez ao erguer o estandarte.

 

3

 

Cessem do sábio Grego e do Troiano;

 

 

Eis a decadência prevista ano a ano,

 

 

As navegações grandes que fizeram;

 

 

Hoje fala mais alto a arte do povo lusitano.

 

 

Cale-se de Alexandre e de Trajano

 

 

Seus grandes feitos de respeito de há anos,

 

 

A fama das vitórias que tiveram;

 

 

Assim os fortes heróis nos esperam,

 

 

Que eu canto o peito ilustre Lusitano,

 

 

Enfrentando a morte como cosmopolitano.

 

 

A quem Neptuno e Marte obedeceram.

 

 

E dos demais irmãos se esqueceram...

 

 

Cesse tudo o que a Musa antiga canta,

 

 

Qual futuro do parnaso se avança,

 

 

Que outro valor mais alto se alevanta.

 

 

O amor da pátria, amantíssima canta.

 

4

 

E vós, Tágides minhas, pois criado

 

 

Ressurgistes lá do límpido Tejo amado.

 

 

Tendes em mi um novo engenho ardente,

 

 

Meteoro de ilustre luz ascendente;

 

 

Se sempre em verso humilde celebrado,

 

 

Jamais de escura estrela decadente.

 

 

Foi de mi vosso rio alegremente,

 

 

A mitologia vos elogia constantemente,

 

 

Dai-me agora um som alto e sublimado,

 

 

Som ilibado de frente e não de lado disfarçado.

 

 

Um estilo grandíloco e corrente,

 

 

Grandiloquente de verdade recorrente.

 

 

Por que de vossas águas Febo ordene

 

 

O ciúme se resume na inveja qual Zeus condene.

 

 

Que não tenham enveja às de Hipocrene.

 

 

Somente o amor dentre à guerra se perene.

 

 

Camões até pode inventar o verbo perenar.

 

 

Conquanto, seu amor seja a fonte de Hipocrene...

 

 

Onde sempre possa dessa límpida água bebericar...

  

5

 

Dai-me hüa fúria grande e sonorosa,

 

 

E uma vida simples e primorosa,

 

 

E não de agreste avena ou frauta ruda,

 

 

Nem que aqui o velho amor me iluda,

 

 

Mas de tuba canora e belicosa,

 

 

Posto haja maviosa e sonora indecorosa.

 

 

Que o peito acende e a cor ao gesto muda;

 

 

Multicolor não implora a flor de arruda

 

.

Dai-me igual canto aos feitos da famosa

 

 

Glória incomparável da amada musa.

 

 

Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;

 

 

Marcianas, beladonas, belicosas Ana’s mudas;

 

 

Que se espalhe e se cante no Universo,

 

 

O som de mavioso dom atiçado no reverso,

 

 

Se tão sublime preço cabe em verso.

 

 

O grande amor distribuído ao universo.

 

6

 

E vós, ó bem nascida segurança

 

 

Sois vós a grandíssima aliança

 

 

Da Lusitana antiga liberdade,

 

 

Que há tempo já passais a maior idade.

 

 

E não menos certíssima esperança

 

 

Ao decorrer do tempo que se avança.

 

 

De aumento da pequena Cristandade,

 

 

Transformai-vos em perene caridade.

 

 

Vós, ó novo temor da Maura lança,

 

 

Ao olhar profundo de inocente criança,

 

 

Maravilha fatal da nossa idade,

 

 

Cheia de amor, verdade e prosperidade.

 

 

Dada ao mundo por Deus, que todo o mande,

 

 

Porém, muito além o vosso amor se expande.

 

 

Pera do mundo a Deus dar parte grande.

 

 

Pera, para, pára, pêra, espera, que se danem

 

 

ou que o todo se desmande ou para sempre desande...

 

7

 

Vós, tenro e novo ramo florecente,

 

 

ou velho tronco de amor crescente.

 

 

De hüa árvore, de Cristo mais amada

 

 

pelo mundo inteiro idolatrada.

 

 

Que nenhüa nascida no Ocidente,

 

 

O nada. ao Mestre pode ser comparado.

 

 

Cesárea ou Cristianíssima chamada

 

 

Na estrada da vida há encruzilhada;

 

 

(Vede-o no vosso escudo, que presente

 

 

Posto que futuro e passado se ausentem;

 

 

Vos amostra a vitória já passada,

 

 

Nesta mui velhaca e contradizente,

 

 

Na qual vos deu por armas e deixou

 

 

No calvário a dor de frente ironizou,

 

 

As que Ele pera Si na cruz tomou);

 

 

Nossas dores de horrores apagou

 

 

em amor, pelo amor as transformou.

 

8

 

Vós, poderoso Rei, cujo alto Império

 

 

Final; humildade – cemitério...

 

 

O Sol, logo em nascendo, vê primeiro,

 

 

Sua sorte, sua morte, além do batistério.

 

 

Vê-o também no meio do Hemisfério,

 

 

O rei dos astros é maior do que seu império.

 

 

E quando dece o deixa derradeiro;

 

 

Porém, vai além: os derradeiros serão primeiros.

 

 

Vós, que esperamos jugo e vitupério

 

 

Neste caso é melhor ser casado, que solteiro.

 

 

Do torpe Ismaelita cavaleiro,

 

 

Irmão torto de José, Ismael foi um guerreiro.

 

 

Do Turco Oriental e do Gentio

 

 

Sois do povo varonil, além de serdes gentio-gentil,

 

 

Que inda bebe o licor do santo Rio:

 

 

Como brasileiro sou um dos filhos estrangeiro

 

 

que a vossa madre me pariu primeiro.

 

 

Como estou intrometido de quem agora falo eu?

 

 

será que procuro uma rima como Prometeu prometeu...

 

 

Camões, irmão mais velho

 

 

Deste conservo sois espelho!

 

9

 

Inclinai por um pouco a majestade

 

 

Sem perder tampouco a liberdade,

 

 

Que nesse tenro gesto vos contemplo,

 

 

Como se fora de Salomão colosso templo.

 

 

Que já se mostra qual na inteira idade,

 

 

Indo além de há muito vós passeis da puberdade.

 

 

Quando subindo ireis ao eterno Templo;

 

 

Contrapondo intempestivo contratempo.

 

 

Os olhos da real benignidade

 

 

Livrar-lo-eis da inerme falsidade.

 

 

Ponde no chão: vereis um novo exemplo

 

 

Após lutardes contra a força do eterno vento;

 

 

De amor dos pátrios feitos valerosos,

 

 

Quais tereis sempre no lembramento

 

 

como eternos e velhos instrumentos.

 

 

Em versos divulgado numerosos.

 

 

Sois poeta e profeta de lusitanos formosos.

 

10

 

Vereis amor da pátria, não movido

 

 

E jamais perdereis o bom sentido.

 

 

De prémio vil, mas alto e quase eterno;

 

 

Quase eterno porque ainda não haveis morrido.

 

 

Que não é prémio vil ser conhecido

 

 

É amor para que no inverno sejais aquecido.

 

 

Por um pregão do ninho meu paterno.

 

 

Onde Deus seja louvado e sempiterno,

 

 

Ouvi: vereis o nome engrandecido

 

 

Ao meditardes no Senhor paterno...

 

 

Daqueles de quem sois senhor superno,

 

 

Habitareis os céus posto já passardes pelo inferno.

 

 

E julgareis qual é mais excelente,

 

 

Os mais vis dessa terna gente indigente,

 

 

Se ser do mundo Rei, se de tal gente.

 

 

Dos dois, fazendo-os simples parentes.

 

11

 

Ouvi: que não vereis com vãs façanhas,

 

 

Hombridade, apesar de dor tamanha.

 

 

Fantásticas, fingidas, mentirosas,

 

 

Dor havida numa fé pra lá de religiosa

 

 

Louvar os vossos, como nas estranhas

 

 

Após, liberardes de ações tacanhas.

 

 

Musas, de engrandecer-se desejosas:

 

 

Apesar de ouvirdes coisas elogiosas,

 

 

As verdadeiras vossas são tamanhas,

 

 

Revestis de tamanha artimanha.

 

 

Que excedem as sonhadas, fabulosas,

 

 

Paz, amor, segurança na pujança de vida airosa.

 

 

Que excedem Rodamonte e o vão Rugeiro,

 

 

No comando e mando fosseis o primeiro

 

 

E Orlando, inda que fora verdadeiro.

 

 

Tudo isso tereis como reis

 

 

e o tereis por travesseiros.

 

12

 

Por estes vos darei um Nuno fero,

 

 

E o tereis como guerreiro altaneiro.

 

 

Que fez ao Rei e ao Reino tal serviço,

 

 

Sem dispensardes o mais ínfimo capricho.

 

 

Um Egas e um Dom Fuas, que de Homero

 

 

Fazem-vos arrepiar o corpo inteiro.

 

 

A cítara para eles só cobiço;

 

 

E a música tereis como serviço.

 

 

Pois polos Doze Pares dar-vos quero

 

 

Assim manter-vos-ei como meu elo.

 

 

Os Doze de Inglaterra e o seu Magriço;

 

 

Por que chamardes de Magriço tal caniço?

 

 

Dou-vos também aquele ilustre Gama,

 

 

Coitado; de seu pedestal; caiu   na cama.

 

 

Que para si de Eneias toma a fama.

 

 

Pois, vós passásseis prá lá da Taprobana.

 

13

 

Pois se a troco de Carlos, Rei de França,

 

 

Em Espanha nascerá um Sancho pança...

 

 

Ou de César, quereis igual memória,

 

 

Pois, o rebaixarei em vossa história.

 

 

Vede o primeiro Afonso, cuja lança

 

 

Curta, já quebrada não vos alcança;

 

 

Escura faz qualquer estranha glória;

 

 

Escusa, planta a merencória da escória.

 

 

E aquele que a seu reino a segurança

 

 

Faltou o agá para impor perseverança,

 

 

Deixou, co a grande e próspera vitória;

 

 

Sua fama sua glória escapulirem indo embora.

 

 

Outro Joane, invicto cavaleiro;

 

 

Com certeza sua proeza cairá de seu puleiro.

 

 

O quarto e quinto Afonsos e o terceiro.

 

 

E o mundo vos porei por derradeiro.

 

 

Nessa saga vos sereis sempre o primeiro.

 

14

 

Nem deixarão meus versos esquecidos

 

 

Ao contrário, eles serão bem aquecidos.

 

 

Aqueles que, nos Reinos lá da Aurora,

 

 

Muito embora já partidos foram embora,

 

 

Se fizeram por armas tão subidos,

 

 

Estão sumidos e suprimidos já, agora!

 

 

Vossa bandeira sempre vencedora:

 

 

Com golpes de tesouras voadoras...

 

 

Um Pacheco fortíssimo e os temidos

 

 

Nem temidos, nem remidos ao vosso sentido.

 

 

Almeidas, por quem sempre o Tejo chora,

 

 

Sangues exíguos tingindo feito à amassadas amoras

 

 

Albuquerque terríbil, Castro forte,

 

 

Encadeaste-os e jogastes a chave fora.

 

 

E outros em quem poder não teve a morte.

 

 

Agora temem o fremir da própria sorte.

 

15

 

E, enquanto eu estes canto, e a vós não posso,

 

 

Retirar-vos desse antigo fosso.

 

 

Sublime Rei, que não me atrevo a tanto,

 

 

Quiçá me avermelhem os olhos com tal espanto.

 

 

Tomai as rédeas vós do Reino vosso:

 

 

Sois um Rodes de franco colosso.

 

 

Dareis matéria a nunca ouvido canto.

 

 

Tampouco, o estampido do encanto.

 

 

Comecem a sentir o peso grosso

 

 

Ao roerdes fabulo osso.

 

 

(Que polo mundo todo faça espanto)

 

 

Ao possuirdes a força do colosso,

 

 

De exércitos e feitos singulares

 

 

Sereis dono de antigos lares,

 

 

De África as terras e do Oriente os mares.

 

 

Infelizmente ireis arrependerdes-vos

 

 

Dum tal Quilombo dos Palmares.

 

 

Perdão querido Camões, não deveria

 

 

Ter-me ouvido, este é um assunto

 

 

Desprovido de sentido d’um futuro atrevido.

 

 

Porém, por muitos lares atingidos...

 

16

 

Em vós os olhos tem o Mouro frio,

 

 

Sarracenos vis de muito brio;

 

 

Em quem vê seu exício afigurado;

 

 

Seres ao povo consagrado comparado.

 

 

Só com vos ver, o bárbaro Gentio

 

 

Estará sempre ao vosso lado esguio.

 

 

Mostra o pescoço ao jugo já inclinado;

 

 

Ou a jugular com o sinal já preparado.

 

 

Tétis todo o cerúleo senhorio

 

 

Tereis o jugo tão almejado,

 

 

Tem pera vós por dote aparelhado,

 

 

Lançai-vos mãos ao vosso arado...

 

 

Que, afeiçoada ao gesto belo e tenro,

 

 

Já vem temperado de bom tempero.

 

 

Deseja de comprar-vos pera genro.

 

 

Sogro equilibrado e terno

 

 

À procura de eterno namorado,

 

 

E que aqui haja se casado...

 

17

 

Em vós se vêem, da Olímpica morada,

 

 

Aos deuses de amores e encruzilhadas.

 

 

Dos dous avós as almas cá famosas;

 

 

Como pêra do pomar ao lar, tão deliciosas.

 

 

Hüa na paz angélica dourada,

 

 

Dita cuja aqui desdobrada, seja redobrada.

 

 

Outra, polas batalhas sanguinosas.

 

 

Após a luta da labuta a vitória gloriosa.

 

 

Em vós esperam ver-se renovada

 

 

Vossas forças serão de ordem renomada...

 

 

Sua memória e obras valerosas;

 

 

Lembranças vindas de orbes saborosas.

 

 

E lá vos tem lugar, no fim da idade,

 

 

Ou passareis para a redundante veleidade...

 

 

No templo da suprema Eternidade.

 

 

Encher-vos-á de felicidade.

 

18

 

Mas, enquanto este tempo passa lento

 

 

Ao vosso bolo controleis o bom fermento,

 

 

De regerdes os povos, que o desejam,

 

 

Ao vosso canto desejo bom harpejo,

 

 

Dai vós favor ao novo atrevimento,

 

 

Que o amor patriótico vos seja por unguento.

 

 

Pera que estes meus versos vossos sejam,

 

 

Isto é o que deva ser vosso desejo.

 

 

E vereis ir cortando o salso argento

 

 

Sereis visto no sarçal de qualquer sarmento.

 

 

Os vossos Argonautas, por que vejam

 

 

Como do vencedor marítmo, vencidos sejam

 

 

Que são vistos de vós no mar irado,

 

 

Tempestade de intempestivo estado.

 

 

E costumai-vos já a ser invocado.

 

 

No quadrante mundi mui admirado.

 

19

 

Já no largo Oceano navegavam,

 

 

Por quantos mares se singravam

 

 

As inquietas ondas apartando;

 

 

Calmarias, tempestades equilibrando.

 

 

Os ventos brandamente respiravam,

 

 

Vendavais quais ficavam esperando,

 

 

Das naus as velas côncavas inchando;

 

 

Logo mais; naus de cabrais se aproximando,

 

 

Da branca escuma os mares se mostravam

 

 

Tiranos sucumbindo nos mares; se afundando.

 

 

Cobertos, aonde as proas vão cortando

 

 

Singrando salobras águas e as arpoando.

 

 

As marítimas águas consagradas,

 

 

Tais marias vão com as outras, vão deixando

 

 

Que do gado de Proteu são cortadas,

 

 

Ilíadas por Homero já poetizada,

 

 

Segui-vo rindo de novas e  boas risadas...

 

 

20

 

Quando os Deuses no Olimpo luminoso,

 

 

Analisavam com corações ardorosos,

 

 

Onde o governo está da humana gente,

 

 

Numa bela reunião beneficente,

 

 

Se ajuntam em concilio glorioso,

 

 

Ao postarem-se de espírito frondoso

 

 

Sobre as cousas futuras do Oriente.

 

 

Apesar de andarem por terras quentes

 

 

Pisando o cristalino Céu fermoso,

 

 

O clarão do verdadeiro céu ditoso.

 

 

Vem pela Via Láctea juntamente,

 

 

À reunião da união de brava gente,

 

 

Convocados, da parte do Tonante,

 

 

Ao se tornarem imponentes e constantes

 

 

Pelo neto gentil do velho Atlante.

 

 

Afeitos à insistência luzidia e fremente...

 

21

 

Deixam dos Sete Céus o regimento,

 

 

Dum dulcíssimo véu resplandecente

 

 

Que do poder mais alto lhe foi dado,

 

 

Pelo valoroso dote de soldado.

 

 

Alto Poder, que só co pensamento

 

 

Se faz belo, moderado e estridente.

 

 

Governa o Céu, a Terra e o Mar irado.

 

 

Seria Zeus o morador desse condado?

 

 

Ali se acharam juntos num momento,

 

 

Quiçá, iguais ao castiçal queimado.

 

 

Os que habitam o Arcturo congelado

 

 

O ar também queima quando gelado.

 

 

E os que o Austro têm e as partes onde

 

 

O amor da guerra incrível se expande.

 

 

A Aurora nasce e o claro Sol se esconde.

 

 

Camões sem desdém de vez toma esse bonde.

 

22

 

Estava o Padre ali, sublime e dino,

 

 

Com seu olhar de brilho aquilino,

 

 

Que vibra os feros raios de Vulcano,

 

 

Os quais durarão seus eternos anos

 

 

Num assento de estrelas cristalino,

 

 

De infinita beleza é esse trono.

 

 

Com gesto alto, severo e soberano;

 

 

Advindo do decantado deus Vulcano

 

 

Do rosto respirava um ar divino,

 

 

Cujo ar vindo do mais profundo hino,

 

 

Que divino tornara um corpo humano;

 

 

Com Olimpo a traçar futuro plano.

 

 

Com hüa coroa e ceptro rutilante,

 

 

Ali se firmava o deus mais radiante

 

 

De outra pedra mais clara que diamante.

 

 

Postava-se esse colosso deus amante.

jbcampos

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Tristeza em seu olhar

No seu olho castanho,
Que já foi mui risonho,
Brilhante qual o cristal.
Agora bisonho, sem sonho
E de estranho tamanho
Ao nada do nada a fitar.
Como o tempero sem sal.

O que foi meu amor,
Você me preocupou,
Sendo a mais bela flor
Que já quase secou
Também o meu olhar
À lágrima a derramar.

Nada mais posso fazer
A não ser continuar
A lhe amar com ardor.
Embora, possa parecer
Que nada possa fazer
Para o nosso amor
Aquecer, ou arrefecer
Para eu retornar a ver
Aquele seu vivo olhar,
A me fazer retornar
À bela vida reviver...

Sorria meu grande bem,
Seu olhar é aquilino
E tudo pode enxergar.
Eis a dor a me assolar.
Pois, com seu belo olhar
Terei visão de menino.
É o amor que ainda tem.
É a alegria do nosso lar.

Sorria meu amor!

mensalém

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Tributo lusitano

 

Canto I (Parte I)

 

Homenagem a Luís Vaz de Camões

 

Contra-canto-intercalado

 

1

 

As armas e os barões assinalados.

 

     Arrojados e pelos brios consagrados,

 

Que da Ocidental praia Lusitana,

 

     Surgia essa brava raça humana.

 

Por mares nunca dantes navegados

 

     Com caravelas e mares sangrados

 

Passaram ainda além da Taprobana,

 

     Sirilanka ou Ceilão que se ufana.

 

Em perigos e guerras esforçados

 

     Deixariam ao Brasil o heroico brado.

 

Mais do que prometia a força humana,

 

     Navegariam muito além da Taprobana.

 

E entre gente remota edificaram

 

     Com valorosa estrutura quais armaram:

 

Novo Reino, que tanto sublimaram;

 

     Clória a Camões o grande lusitano!

jbcampos

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