Posts de JCVMoura (56)

Enigma

Enigma

 

Se desconheço o que perdi,

Sou um vazio de emoções

E, nada a mais, nada a menos,

Do que melancolia frustrada.

 

Não possuo lágrimas, ou negra roupagem

Que ofereça sentido às angústias do luto.

 

Se desconheço o que perdi,

Minha tristeza imaculada

Não tem nome, data ou vivência,

Nem hoje ou amanhã... e nem depois...

 

JCVMoura

Rio de Janeiro, 23 de maio de 2018 – 3h23

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Velhice

Velhice

A pele estremece

e se esfacela

nas brumas da ilusão.

Bengala do amor

açoita o medo

e ausculta o coração.

Ranço do passado

espicaça o presente

e ameaça o futuro.

...............

Dores entrelaçadas

que se sustentam

nas saudades do pecado.

JCVMoura

11-08-2017 - 22h30

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Decrepitude

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Decrepitude

 

Olhos ásperos

Gritam involuntariamente

E o marca-passo do tempo

Rastreia as horas do desejo.

 

O canto da meia-noite chega

A esfolar a lembrança

Amendoada da tristeza

Que não se deseja viva.

 

É tempo de chorar

A oração sem fé.

 

É tempo de afogar

O beijo não beijado.

 

JCVMoura

14 de fevereiro de 2014, 00h10

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Ao final...

Ao final...

 

Cobre-me de ramas,

Cobre-me simplesmente

De verdes ramas.

 

Afasta de mim

A efemeridade

Das rosas, belas rosas.

 

Cobre-me de ramas,

Verdes e tenras ramas,

Que anseio a eternidade.

 

Nada mais!

 

 

JCVMoura, 05/01/2014, 15:53

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Exorcismo

Exorcismo

 

Azêmola criatura,

Dorso passível de agnosia,

Desata da pele que te cobre,

A ira dos tufões!

 

E cai de joelhos

Sobre o teu defeito,

A implorar perdão

Ao mundo que te cria!

 

Depois, voa,

Voa solta pelas alvoradas

A oblatar flores

E a colher sorrisos!

 

JCVMoura, 05/01/2014, 13h15

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Singeleza

Singeleza

 

À ventura adjudico

Meu desassossego,

Cada noite que enrico,

Cada sonho em desdita.

 

Busco o pólen na flor

E do ar, o prazer de inalar,

Sem avaro esplendor,

Sem do mundo o imundo.

 

Rogo aos divos saber

Da pureza o destaque

E transpiro em prazer

A beleza in natura.

 

 

JCVMoura, 05/01/2014, 15:03

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Destino

Destino

 

Muda a tua sina,

Bebe água da chuva,

Planta estrelas.

O que restar é dor

E afrodisia.

 

O instante

Sempre é mais poderoso,

Do que o antes e o depois.

Na escalada do sonho,

Pulsa intermitente.

 

JCVMoura, 05/01/2014, 12:40

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Silêncio

Silêncio

 

Deixa as lágrimas

Escorrerem,

Pois são pérolas

Do tempo.

 

Asperge orvalho

Na madrugada

E regurgita sons

Inaudíveis.

 

Não te envergonhes,

Mas, núncio, verte

As dores todas

Do mundo.

 

JCVMoura, 05/01/2014, 11:08

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O mar, meu luar...

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O mar, meu luar...

Espelho do céu, esse mar,

Bravio e revolto ou bem manso,

Boleia ao remanso...

O que me dirá esse mar?

Ausculto em silêncio o luar,

Retoco na luz o seu brilho,

São dentes trementes que rilho...

O que me dirá o luar?

Angústia e tristeza,

Faróis em tom de agora,

Na noite que chora...

Em tudo há grandeza!

JCVMoura, 27/12/2013, 15:24

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Jardim do silêncio

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Jardim do silêncio

Aprisiono-me à mordaça,
tal como rosa plantada
naquela pequena tumba...
e lavo a cegueira dos olhos
ao orvalho do tempo.

Aprisiono-me à terra
suja de miasmas,
naquele leito de ossos...
e abraço na eternidade
o chão seco e apétalo.

Aprisiono-me ao sonho...
aquele que não morre...

JCVMoura, 11/12/2013, 16:43

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Segredo

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Segredo

Retas

Curvas

Asfalto

En-san-guen-ta-dos

Pés-asas

Soltos

Desnudos

Correm...

Rito religioso

De fera ferida

Minh'alma é víscera crua

Sacrifício do passado...

JCVMoura, 24 nov 2013, 18:56

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Transcendência

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Transcendência

Reconheço tua alma

na beleza dos astros,

e por um instante

que fixa o Tempo,

consigo ultrapassar

o abismo que nos separa...

Beijo-te, então,

apaixonada e ternamente,

com a força de lágrimas

esbaforidas e nervosas,

que te receiam perder

pelos caminhos do Infinito...

JCVMoura, 4/11/2013 - 18:10

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Fome

Fome

 

Apóstolos

Sem mínimo vital,

Famintos, todos –

Crianças, mulheres e idosos,

Em gritos de dor!

 

Protagonistas

Do desengano,

Famintos, todos –

Imigrantes, prófugos e desempregados,

Em palco de horror!

 

Pressões políticas

Envergonham o Mundo...

Nada interessa

Que não seja o Poder...

- Mundo humano... desumano!

 

JCVMoura, 2/11/2013 – 20:47

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E, ainda insistes, no sorriso?

E, ainda insistes, no sorriso?

 

Desejas um sorriso...

Como sorrir, quando a morte acompanha teus passos?

Como sorrir, quando a vida nascida morre antes de ver-te?

Como sorrir, se a cada desgraça apresentas o coração?

Como sorrir, se és a arma da própria desgraça?

 

Desejas um sorriso...

Terás sim, as flores plantadas no cemitério do meu corpo!

Terás sim, as lágrimas derramadas pela incompetência!

Terás sim, os reflexos guardados num espelho insaciável de morte!

Terás sim, o sofrimento enterrado irreversivelmente na minh'alma!

 

Mesmo assim, ainda insistes, no sorriso?

 

JCVMoura – 11/03/2010 – 21:56

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Caluda!

Caluda!

 

Sem identidade

A Paz castigou meu cérebro

E o Amor atirou-o

Às falácias do Tempo.

 

Sem visão, nem olfato ou paladar,

Ouço ecos mentirosos

Que se refugiam no próximo...

Próximo do próximo... Eu!

 

JCVMoura – 1º/11/2011 – 18:42

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Desencanto

Desencanto

Rumo ao cadafalso

Segue em desalinho,

Pés e mãos acorrentados

Ao pensamento livre.

 

Rodopia

No fio da noite.

É mar

Sem fé nem luar.

 

Ah, parcas ilusões,

Que o coração goteja!...

JCVMoura - 16/10/2013 - 00:10

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Extermínio

Extermínio

 

Bálanos anômalos

Vertem ilusões

Difusas.

 

Escórias de ferro

Ativam mentes

Andrógenas.

 

Fogos de artifício

Conspiram medos

Ativos.

 

Cai a sombra da noite

No dia...

 

JCVMoura

4/10/2013 – Por volta das 1:38h

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