Posts de Francisco Rangel G. de Oliveira (108)

 

 

 

Meu Sertão...                      

Em Dois Tempos!

Só faz uma leitura saudosa                           

                         Desta prosa     

                   Quem é daqui do meu rincão!...

 

 


Daqui do parapeito do alpendre Do velho casarão, eu vi a vida passar. Por todo tempo, o tempo todo aqui vivido... Vi passar a vida em dois tempos!... Tempos bons e tempos ruins! Assim eu vi a vida passar, Por debaixo dos meus pés, Pelas retinas dos meus olhos... A vida vivida em cima deste chão!... Vivi amor, vivi saudades e paixões!... Tive largos sorrisos, mas também deixei escapar Lagrimas de dor, de saudades e de compaixão! Saudades dos que partiram, E compaixão dos que ficaram e dividiram comigo As tristezas e as amarguras impostas Pela própria vida deste nosso vasto sertão! Também vivi e vi!... Tempos fartos e tempos sofridos Tempos de cheias, enchentes  e alagadiços, Tempos de travessia em rios cheios Tempos de correnteza levando vidas, Também vi os rios secos Totalmente sem água ceifando vidas!... Vivi tempos... De um céu azulado, Nuvens brancas espaçadas E de sol escaldante, contrastando Com dias ensolarados, Compensados pelas noites lindas E prateadas pelo intenso luar! Assim se foram os tempos, Belos e saudosos tempos... Vividos aqui no nosso Ceara! Dos tempos bons,vem a minha mente Os tempos de invernada! Era certo a fartura na mesa do sertanejo, Alegria de ver o rebanho no pasto a pastar, Alegria no peito e na alma de quem ama sua terra, De quem se apaixona ou é apaixonado pelo seu lugar. E estes tempos... Bons tempos, suprimem os tempos amargos!
Vi um céu acinzentado, Com nuvens escuras e pesadas, Relâmpagos no rumo norte, Trovões estremecendo tudo E trazendo para nós As aguas das chuvas que desciam divinas,  Fazendo cortinas de agua Nas biqueiras das telhas das casas!... Ventos e redemoinhos que levaram para longe As mazelas das secas que pareciam encravadas No seio deste sertão! Quando as chuvas caiam no meu torrão Tudo mudava na estação... Dias de sorte para esta terra esquecida, Ferida, sofrida e tão castigada pela seca Abriam-se fendas nesta terra, neste chão! Tempo acinzentado, Chuva torrencial, Lagos e lagoas cheias, Rios e córregos passantes... Homens, mulheres e crianças Molhavam-se nas chuvas, Lavando a alma Em um banho de vida... Feliz, saudosa e saudável! Terra molhada, mata-pasto brotando, Tiririca feito relva se alastrando. E enquanto se firmava a invernada Enverdejava campos e campinas, Das serras até as caatingas!... Vida esperançosa, vida gostosa de ser vivida!
A minha caatinga Também vestia-se  de verde, As sementes em meio ao solo adormecido, Germinavam fazendo erguer-se Uma nova vegetação de:... Paus pereiro, paus branqueiro, juazeiros, ingazeiros, aroeiras, marmeleiros!... Também floria em branco, Abranca da flor da minha laranjeira, O  florido do meu cajueiro, Ofruto do meu cardeiro!...
Minha oiticica frondosa, Meu  carnaubal vistoso, E ate mesmo o cansanção, a urtiga, O  carrapicho, o pega-pinto, Os velames e salsas rasteiras do mato!...
Flores e frutos, pastagens, relvas... Era vida e alegria, nada parecia triste Neste nosso triste sertão! Este, foi o ciclo da vida vivida Por quem tanto ama esta terra Por quem tanto ama este sertão... Minha Amada e querida terra, Meu querido e amado chão! Estas imagens em nossas retinas Às vezes nítidas, às vezes embaçadas, Às vezes tristes, às vezes alegres... Às vezes grandiosas e às vezes medonhas... Nos levam a retratar os tempos vividos Que fossem eles... Tempos de gloria, de  amor, de  tristesa ou paixão!
Tempos que...
Nos davam medo da seca, Nos davam medo da fome... Que levaram ate a morte rebanhos, Quer fosse de gado Quer fosse outro tipo de criação... Aqueles pobres bichos pastantes!...
Neste olhar feliz, Lembro-me do meu saudoso cachorro Peri. Magrelo que também atendia por magricelo Quase sem pelo, de cor parda para amarelo! Com seu rabo abanando sempre a latir. De olhos fechados, Nas minhas saudades Ainda ouço o meu fiel vira-lata!... Amigo e parceiro, da lida diária. Ágil e inteligente arrebanhava o gado e a criação Sem me custar um só tostão, E ao meu lado estava Nos tempos difíceis que passei!... Saudades do meu pastor, Saudades do meu cão Peri! Que ao ver o tempo mudar, punha-se a latir. Ladrava a noite no alpendre... E como lobo, um verdadeiro canino... Uivava! Tão feliz quanto o seu dono, quando a chuva chegava!... O meu cavalo castanho, As minhas vaquinhas leiteiras, Meu burrico de carroça, Meus jumentos da lida da roça Juruá e Caboclo protegiam-se Da chuva ou do sol na sombra da oiticica, Na beira da cerca de estaca de sabiá... A minha porteira arriada, carroça encostada Também pareciam ver o tempo passar! E no mourão... O gavião solitário em seu canto piado Chamando seu par!... Aves de rapina, visivelmente paradas Observando o tempo mais lindo E chuvoso do meu sertão... O velho urubu, navegador solitário do ar Encharcado pela chuva, Pousado no olho da carnaubeira, Palmeira reconhecida como à arvore da vida. Hoje sua palha tremula, balança sem parar Com o açoite dos ventos, com os pingos de chuvas Que chegam para banhar e matar a seca do sertão trazendo a certeza Que  de fome  ou sede, bicho nenhum Nestes tempos não veria morrer! Doce milagre da natureza Que nos trás a certeza De que a vida volta a florescer Neste mais lindo lugar! A vida que se via manifestar... Na formiga de asa chegando, Na lagarta que virava borboleta, Nas aves refazendo os seus ninhos, Na vaca que pariu seu rebento... No boi valente e mascarado No cavalo velho, no velho jumento... No bode e a cabra de leite Na ovelha e o carneiro marrento... No fogão, alenha queimando, Na panela de barro o feijão cozinhando, Na chaleira com agua para fazer o café Que fora torrado e pilado no pilão Na leiteira o leite de gado fervendo No pote de agua fresca colhida da chuva Na mesa o feijão, a farinha d’agua o toicinho e a rapadura, Tudo é fartura que se via nos tempos bons!... Ainda se tinha... O queijo de coalho e da coalhada, A manteiga da terra, O milho assado ou cozido, e cuscuz, O beiju, a tapioca, a canjica O mungunzá, o pote cheio de aluá... Tudo isto é a chuva que traz, Todo o cenário muda!... Do acinzentado e da falta de cor na vegetação, Ao verde da plantação e do mato novo... O canto das aves, o alvoroço dos bichos do mato E dos de estimação também! Em meio ao reboliço que a chuva trazia... Tejo saía da toca alagada, Tatus e pebas passavam apressados, Cascavéis, corais e jararacas com seus rastros sinuosos Saíam atrás de suas presas com fome voraz... Também passavam correndo os pequenos preás, Os lagartos, camaleões, lagartixas, calangos As lagoas cheias, o brejo encharcado O sapo, o seu canto não é à toa! É o cântico da beira lagoa, Entoando a invernada! Vi as avoantes chegando, em bando... Vi as pretas graúnas, casacas de couro, bem-te-vis, Rolinhas cascavel, velame, cabocla fazendo os seus ninhos Nos cachos de bananeiras, canários da terra, patativas, Galos da campina o mesmo cabeça-fita, Sanhaçus, azulões, sibites, jandaias e periquitos Trinca-ferro, golinhas, assuns-preto que cantam Mesmo sem furar os seus olhos Misturando o seu canto Com todo o passaredo do lugar... Aves nos arvoredos parecendo pingentes vivos De galho em galho seus movimentos dançantes Atraindo assim o seu semelhante par! Enquanto acoruja refazia  o seu ninho... Porteira do curral arriada, Entre ele... o tempo Que nos dá medo da seca, Que nos dá medo da fome... Que leva ate a morte o rebanho De gado, e todo tipo de criação... Pobres bichos pastantes... Sem esquecer da principal figura do lugar... O homem simples e a sua família: mulher Sogra e filhos... Com suas panelas ariadas, roupa no quarador Com estas imagens Às vezes nítidas, Às vezes embaçadas, Às vezes tristes, às vezes alegres... Às vezes grandiosas, Às vezes medonhas,... Eu vi a vida passar!...
                                      Gel o Poetinha Filho de Russas

                                             Russas, 10 de junho de 2013

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FELIZ FESTAS

Natal...

Que todos sabem, significa o nascimento de Jesus Cristo,

Que pela terra passou e que dela jamais se afastou.

Pela tradição predominante em muitos países e inclusive no Brasil, O dia 25 de dezembro é a data em que cada ser humano de bons propósitos tem como hábito presentear em especial, a quem dedica estima e consideração.

Natal, que pela grandiosidade de seu simbolismo, também significa reflexão, amor, fraternidade e esperança num horizonte  promissor.

Que cada amigo e parente amados, no sagrado convívio de seus familiares e demais entes queridos, brindem essa data com o líquido da saúde, do prazer, da felicidade e da esperança, na taça da harmonia e da união.

Feliz Natal e Próspero Ano Novo, de 2013

A você e toda sua família.

Que os sonhos, hoje apenas sonhos, num breve futuro se transformem em realidade.

Que o Manto Sagrado os cubra e os proteja, com saúde e felicidade. Feliz Natal! E Feliz Ano Novo!

Com Carinho do Rangel

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O amor secreto da minha infancia!...


O amor secreto...

             Da minha infância!...
 
Quando criança
Eu também tive o meu amor secreto!
Era a minha namorada, mesmo sem que ela soubesse!...
Talvez, também fosse o seu segredo, mas isto nunca a mim me disse ela!...
 
Era do lado do meu pomar de laranjeiras, a beira da cerca, que eu de longe a avistava...  No pomar dela!...

Ficaram em minhas retinas, e em todos os meus sentidos, tudo que se relacionas a estas imagens tão belas!...

Ainda ouço o cantar dos pássaros
saltando de galho em galho nas laranjeiras,
como se estivesse acompanhado o canto dela...


Ainda sinto o cheiro das flores destas mesmas laranjeiras, como sendo o perfume dela...

Em minhas mãos, ainda sinto o calor das mãos delas!...

Por fim, meu coração bate como outrora,
Ao recordar destes momentos de amor
Da minha pequena menina linda e ainda donzela!...
 
As flores de laranjeiras em sua volta
Ou ocasionalmente nos cabelos dela...
Exalavam com o seu cheiro infantil,

Misturando-se e confundindo-se com o cheiro dela!...
 
Por isto, eu a tinha inconscientemente que a essência das flores...
Estas, eram roubadas e reproduzidas da essência dela!
Branquinha, cheirosa e tão bela! A flor da laranjeira parecia ser ela!...
 
Tudo era tão irresistível, que me levava à vontade singela de estar ao seu lado...
Além de estar apaixonado por ela!

Mesmo sem saber o quanto eu já amava aquela menina tão doce e tão bela!...
 
Mas desde cedo encontrei e vi que  havia pedras no caminho!...
Ou seja: havia uma cerca entre-nos...   
Bem no meio do nosso caminho!


O que nos impunha limites e como estivesse dizendo-nos: Aqui termina... O seu limite, e aqui começa o limite dela!...

É, quando a vida no diz e nos ensina, que ela a vida é cheia de obstáculos!
E o meu primeiro obstáculo, era a cerca de velhas estacas de sabiá!...
E, isto, era tudo que me separava dela!...
 
Aprendemos assim, a sermos inteligentes, termos força,
coragem e principalmente fé!...

Partindo destes elementos básicos que a vida nos oferece,
construí a minha primeira passagem secreta!...
Foi através da cerca, três estacas falsamente enterrada me davam passagem para ir para junto da minha Cinderela!...
 
Como quem não queria nada.... Ia chegando pertinho dela...
Sutil, lépido, sorrateiro e até desconfiado era assim entrava em seu mundinho sem ser convidado, embora intuitivamente pressentisse a conivência infantil por parte dela!
 
Sussurrando baixinho ou em conversas inaudíveis
Embalando em seus bracinhos as suas bonequinhas de pano, o carinho fluía  o seu gesto infantil de mãe dedicada.
E a
ssim, fingia não ver a minha discreta chegada...

Era indescritível a alegria de vê-la, com as suas bonequinhas de pano, suas panelinhas de barro, seu vestidinho amarelo de chita, de trancinhas e laços,
Ou ainda com seus cachos de cabelos dourados, tão bela menina...
À sombra dos laranjais, de vida brincava!...
Com o seu sorriso lindo e estampado no rosto,
Feliz era a minha menina, que sozinha o meu mundo encantava.
 
Copiando os adultos, me cumprimentava como se fossemos compadre e comadre...
Dava-me bom dia, e com um suave toque de mãos, fazia-me assim a sua recepção!

E logo me convidava para em sua casa entrar!
Riscada ao chão com gravetos de laranjeira... Caracterizava-se ali, salas, quartos, cozinha e banheiros. Porém, era na sala que mandava sentar... O chão era sofá!

Com bulezinho e xicarazinha ambos de barro, vinham logo o café que acabara de coar!...
Sentia-se o aroma do café quentinho, que sorriamos ao fazer de conta tomar!...
Oferecia-me o bolo que acabara de fazer, e, logo me fazia prometer que para o almoço iria ficar!...


Sorriamos de alegria e de prazer, por que pouco se tinha a dizer...
Neste universo infantil onde pouco ou quase nada se tem a comentar...
A telepatia transmitia o prazer de ser e o simples prazer de estar!...

Assim, passávamos horas de puro e de muitíssimo prazer de está ao seu lado, era tudo que dava um infinito estado de ter!...

Nestes momentos vividos de fantasia e pura magia,
Depois de adulto nunca sequer eu me lembrei
Das conversas pássadas ali no nosso mundinho
Entre eu e a minha menina, a minha pequena amada.
 
Apenas as imagens singelas e tão belas... Foi esta que ficaram!...
Sem roubar um único beijo, sem saciar qualquer desejo,
Vivi o maior dos meus sonhos ao lado de quem tanto amei
Na minha infância querida!
 
Um amor tão puro, cristalino e verdadeiro,
Que só existiu na minha vida de menino...
Amor este, que de tão puro...
Nunca feriu, nunca magoou, Não deixou marcas!...
Apenas doces e lindas recordações!...

Pequenas e grandes coisas de um coração
Também inda menino!...
 
Lembranças que só a pureza de alma
de uma criança pode viver!
Um amor tão puro e tão belo quanto o que vivi com ela...
Meu primeiro amor, na minha feliz infância,
Os grandes momentos que vivi... Foram ao lado dela!...
 
O tempo passou,
     A infância acabou,
               E o que me restou...
                     Foram somete às saudades!...
                     Saudades, Saudades, Saudade...
                                           
               Do Primeiro amor... Primeiro!...

 

Francisco Rangel
Russas, 05 de dezembro de 2012.

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Por onde anda




Por onde anda
                      Aquele menino?...

 
Que andava na terra quente,                                                 
Que saltava no lombo do jumento,
tomava banho de chuva e de rio, ao mesmo tempo em que se jogava na lama!...


Por onde anda aquele menino,                         que se rasgou ao pular a cerca,                     
Que cortou o dedo ao descascar laranja.
 
Aquele menino que adorava um prato de feijão com rapadura, pamonha, canjica e mungunzá, mas também não dispensava a macaxeira, a batata doce, e o jerimum com leite, tudo comida do seu tempo e do seu lugar!...
Aquele que tomou banha de sapo para curar a dor garganta...                                      
Que sentava na calçada para ouvir historia de Trancoso,       
Depois brincava em noites de lua cheia, as brincadeiras da época... Caba-cega, manja, rodava no carrossel, subia e descia na gangorra feita de lasca da carnaúba, brincava soltando pião, corrupio, cabiculinha e soltava arraia, fazia gaiola e cavalo de talo.

 
É o mesmo menino que derrubava casulo de maribondo,
Que roubava favo de mel das abelhas do mato, que corria atrás de preá com seu cachorro pery.
Na lagoa seca peixe ia pescar... traíras, curimatãs, bagres, piranhas, piabas e carás...
 
Aquele menino que andava de gaiola na mão coom o seu canário estalando e cantando,
Ele imitando com seu assobio, a graúna e corrupião,
O galo da campina, o azulão, a rolinha cabocla, a velame e a cascavel...
 
Menino de pé no chão, menino que andava ao leu... Menino matuto e meio tabareu!

Aquele que apagava a lamparina
Pra ver todo mundo aperreado no escuro,
Que muitas das vezes fora chamado de maluvido, (pode se ler mal de ouvido) ou que não dava ouvido...
 
Era buliçoso, malinoso, tinhoso, corajoso e às vezes medroso!... Principalmente quando se falava de alma doutro mundo...
Se é que tinha alma  entre os viventes.
 
Aquele menino que andou do Oiapoque chegou pertinho do Chuí!...
 
Saiu em direção ao Quixeré,
Pernoitou no Guaçuí, mas antes passou pelo Alegre, Castelo, Muqui!...
Parou na Venda Nova, antes de partir para Vargem Alta... Desceu até o Cachoeiro do Itapemirim, foi parar no Belo Horizonte das Minas Gerais.     
            
Ainda o viram lá pelas bandas da ilha do Marajó,
Passou por Soure e Afuá, desembarcou no Macapá, em pleno delta do rio Amazonas.
Andou pelo Mazagão atravessando o rio Araguari,
Deixou para trás o Tartarugal, ItaubaI, indo parar Calçoene, chegando ao Oiapoque beirando as Guianas Francesa, Inglesa e Holandesa!...
 
Rodou este mundo de meu Deus!...
Vazou no Chile, Argentina e Paraguai...
Rasgou o Brasil, com se diz: de Norte a Sul!...
Não se esquecendo de que em suas andanças incluíram o Rio Grande do Norte e o do Sul, além do Paraná e de Santa Catarina, também o Pernambuco, a Paraíba, as Alagoas, o novo e o velho Goiás...
O Piauí, Maranhão, Pará e bem como o vasto Amazonas, este não ficaram para trás!...
Infelizmente ficou de fora o Mato Grosso incluindo do Sul, Rondônia, Acre e Roraima... Tocantins o conheceu como o ainda Goiás!
 
Menino que foi para Fortaleza, do seu Ceara,
No Recife por lá um tempo ficou,
Em Aracaju foi morar,
Passou por Maceió, foi até Salvador onde comeu caruru, acarajé e vatapá!...
Dormiu nos Ilhéus, chegou a Vitória antes de ir ao Rio de Janeiro e São Paulo para trabalhar,                                           
Teve-se noticia dele na velha e nova Brasília,
Antes dos candangos, hoje dos canalhas!...    
Os primeiros deixaram lá os seus coros!...
Os outros!... Estes, foram pra lá só para tirar o couro do nosso povo,  que ainda aplaude de pé estes bestas,  que para mim não passam de filhos de lúcifer!...
 
Aquele menino mudou de voz,
Passou pela puberdade, arranjou namora, Casou e hoje é pai, é  avô!...                                          
 
Desabou no mundo!... 
A cavalo, de caminhão ou a pé nesta estrada e neste chão...
Andou de navio e também de avião!
 
Enfrentou rios caudalosos,  de pororocas e de tormentas... Atravessou oceanos, andou no novo e no velho mundo...
 
 
Por onde anda aquele menino?...
 
Que trazia com ele a alegria e o prazer pela vida e pela aventura que todos deveriam viver um dia!...
 
Este menino está carinhosamente guardado no meu peito!...
Carregando a saudades do meu eu!...


Este menino de quem tanto eu falo...
                       Este menino... Sou eu!...
       
 

        
 
Russas, 23 de outubro de 2012.
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Saudades da minha vida...



Saudades da Minha Vida...
           Saudades do Meu Ser!...


 
              Nasci em Russas, à terra dos laranjais. Ainda guardo o sabor da sua laranja, de paladar sem igual!... E foi embaixo das suas copas e no frescor do seu pomar que brinquei com barquinhos de papel quando era feito a irrigação.  Sobre as folhas e flores de laranjeiras adormeci, dormi ao ouvir cantar meu sabiá laranjeira!...

Ali, descansei e sonhei com uma vida inteira que teria pela frente!...

 
Nestes laranjais à noite com uma lamparina facheei para pegar passarinho quando eles dormiam... Apenas pelo prazer de pegar... Pois no dia seguinte com pena do passarinho devolvia para seu lugar... Dava muito mais prazer que o simples fato de pegar!
Sinto saudades dos velhos carnaubais, das oiticicas, da lagoa das bestas e da malhada grande!... Sinto falta de tudo que fazia parte do meu cotidiano... Das noites de luar, das debulhas de milho e de feijão, das estórias de trancoso e de adivinhação, do sobe e desce da gangorra, da brincadeira de cabra-cega, da manja, do esconde-esconde e de tantas outras brincadeiras que inocentemente existiam.
Fui pra escola montado no lombo do Juruá, o jumento que viveu por muito tempo em companhia de caboclo seu companheiro e seu par e parelha na lida diária!
Sinto saudades do caminho da escola entre o sitio e a cidade, onde tínhamos que atravessar as pequenas veredas, passar beirando cercas e desviando de buracos! Chegava cansado na ida e quase morto na volta... Mas deste tempo sinto saudades!
 
Também era fantástico o meu passaredo, pois sou da terra do pássaro carão, da graúna, do corrupião, do anu preto e do branco, do sabiá da minha laranjeira, do meu canário da biqueira do casarão, do cabeça-fita da cana-fistula, da casaca de couro do pau branqueiro, o canário caboclo do pau pereiro, do tiziu da estaca e do mourão e das rolinhas a pastar e catar pedrinhas no meu terreiro...
Das armadilhas para pegar preá, arapuca para pegar nambu e alçapão para pegar canário... Ai que saudades me dá!
 
Sou da terra seca, que, sem água e sem chuva ela vira torrão e ainda se abre em fendas que chega doer em meu coração quando  ela mostra a sua sequidão.
 
Fui criança que comia feijão com rapadura, jerimum ou bata doce com leite. Sou ainda do tempo que café da manhã era servido com coalhada, pão de milho o mesmo cuscuz!... Do milho ainda vinha à pamonha, a canjica e da mandioca a tapioca ou beiju.
No meu tempo não tinha pudim nem pavê!... Rapadura ou batida, para os de casa e para as visitas não faltava... O doce de leite em caroço, mamão com coco, a goiabada e a delícia da cocada. Depois disso, uma caneca de alumínio ou mesmo de flandres feita de lata de óleo para tomar uns goles d’água!... Ai tibungo!... Este era o barulho da caneca no fundo do pote com aquela água fresca e quase gelada que saia do pote suado de fresco! Só que o pote não era veado nem tão pouco abaitolado... Era um fresco por ser feito de argila preta onde o barro era cozido! 
O leite, este era bebido em caneca de aluninho ainda no curral antes de amanhecer o dia.  O que se bebia, era o leito chamado de mugido saído do peito da vaca quentinho e que nunca matou ninguém.
 
Sou do tempo que cobra engolia caçote, se fazia embira, trança e bolsa de palha de carnaúba.
Também era desta palmeira “A Carnaúba”, reconhecida por Humbold, um naturalista alemão, como sendo ela, um dos mais lindos exemplares de resistência da seca do meu sertão. Este a batizou de “Arvore da vida” tida como a mais bela palmeira deste meu rincão!...
 
É da carnaubeira que canta minha graúna, é dela que se tira o pó para fazer a cera, que de tão importante que já foi que até  nos trouxe momentos áureos, chamados estes de  tempos dourados no sertão!
Pois era com ela que se fazia o famoso disco de cera desde a época das 78 rotações! As películas de filme fotográfico e cinematográfico e que nesta forma de filme nunca voltaram para o meu sertão, que ate hoje nem cinema tem!
E quem sabe e o que importa isto em plena época de CDs, USBs e Pen-drives?!
 
No meu tempo os meus cavalos eram feitos do talo da carnaúba, eu, era caprichoso nos detalhes. Neles, galopei com as minhas pernas dando vida aos meus cavalos prediletos alazões e castanhos.
Adorava vê-lo com o seu rabo de palha levantar a poeira do chão! Tirava deles todo prazer que podiam me dar... Pulava obstáculos, atravessava poças d água, corria atrás de gado sem medo de arranhão!... Exaustos, dava água ao cavalo e recompensava pela aventura do campeão!
Neste tempo em que a coberta das casas em sua maioria eram de palhas, a cumeeira era feita da tora e os caibros da lasca da mesma carnaubeira.
Assim, desde o telhado e o emadeiramento, tudo vinha desta nobre palmeira.
Eu vi carro puxado por dois bois encangados. O famoso carro de bois com suas rodas de madeira travada no seu eixo roliço que deslizavam no sebo de carneiro e quando rodavam deixavam para traz à linda rinchadeira ou o canto do carro de bois! E que pelo seu canto de longe já se sabia, que o carro que vinha, era de fulano de tal!...
Nas noites escuras quem iluminava era luz do farol, também chamado lampião. Este, sempre ficava na área nobre da casa e nas outras dependências, quarto, cozinha e dispensa era a velha lamparina a querosene com pavio de algodão é que aclarava e nos tirava da escuridão...
 
Meu fogão de lenha...  As minhas panelas de barro!... Nelas eram feitos, desde o feijão ate a galinha caipira, e ainda se fazia a canela de boi e a famosa panelada!... Não faltava o bule na trempe com o café quentinho que fora torrado na caçarola e pilado no pilão...
 
No alpendre do lado da sombra, entre os arreios, celas, coxim,  bride e bridão, cangalha, cambito e caçoa, as rédeas, os cabrestos, chicote, as esporas dos calcanhares, as roupas e o chapéu de couro, e o famoso  gibão... Tinha de tudo que se precisava para uma montaria!... Em cavalo, burro ou jumento. que fosse para um passeio ou para campear um boi perdido campo.
 
Na minha casa tinha cacimba, que por ser grande chamava de cacimbão. Um lindo poço de águas cristalinas.
Era de lá onde se tirava água com um balde, puxado na corda e no carretel, para encher as tinas de banho, os potes e as quartinhas de água pura e cristalinas para serem bebidas com prazer e com gosto de saudades do sertão!...
 
Sou do tempo em que as BRs, eram estradas de rodagem. Avião quando aparecia rasgando o céu era assombração, carro que passava na estrada era seguido pelos cachorros como se fosse um ladrão!...
Bicicleta, só tinha que quem era dono de alguma posse, quando podia sai no seu cavalo de galope, mas pobre andava a pé ou no máximo montado em seu jumentinho, coisa que hoje só se ver morto nas estradas por carro ou caminhão!...
 
Sou do tempo que na missa tinha coroinha, padre e sacristão.
Da igreja se ouvia o badalo do sino que avisava ao povo de qualquer situação... Tinha balo para chamar para missa, badalo das seis, do meio dia e da boca da noite que acontecia na hora da ave-maria que era às seis horas da tarde!...
 
Hoje os tempos são outros, os sinos não dobram mais! As igrejas fecham as suas portas para não ter roubado aquele que faz a badalação. Porque sino de bronze derretido da muito dinheiro para ladrão...
Isto sem falar das artes sacras e dos santos raros e caros encomendados por colecionadores sem escrúpulos e sem a menor noção de quanto aquele santo, mesmo feito de barro tem valor para esta gente do sertão!...
 
Fui menino maluvido, mas nunca fui atrevido! Embora desde criança tenha o espírito traquino!... Dizem que até hoje faço traquinagem!... Acho que ainda é o resto do menino que carrego dentro de mim.
Nunca matei um sapo, muito menos um casote, atirar para matar um pássaro que fosse... Nem pensar!...
 
Botei cada pé em uma apragata (leia-se alpargatas), feita de pneu de caminhão. Isto foi bem antes de aparecer às sandálias japonesas, hoje mais conhecidas como as havaianas... 
Meu chapéu de palha de carnaúba protegia-me do sol escaldante do meu sertão.
 
Vesti calça curta e calção de tecidos riscado de algodão. Cuecas eram feitas no murim branquinho e nem elástico tinha! Eram abotoadas com botões, depois de muito tempo vieram às abotoaduras de pressão e elas as cuecas, chamavam samba canção!...
Andei de calça curta, comprida demorou um tempão... Mas antes disto, fiz o catecismo para aprender a reza. Só usei quando fui fazer a primeira comunhão!
 
Menina moça usava corpete, anágua e combinação, as saias plissadas, se o joelho fosse exposto... Era a maior desmoralização!... Nem em capa de revista, se via algo de que fosse de tamanha adoração...
 
O bê-á-bá...  O caba para aprender a ler, começava em pé em volta da mesa, não se tinha professora não!...
Era uma Irmã mais velha, uma tia letrada ou quem sabe alguém de fora que vinha para dar as primeiras lições em numa cartilha. Assim aprendi!
 
Era até engraçado como a gente ia descobrindo cada uma das letras do alfabeto... Pois era assim:
Pegava um papel, podia até ser um papel de pão! Fazia-se nele um buraco no meio.
Ai, a professora ia tapando tudo quanto que era letra e só deixando a mostra, aquela que a gente ia vendo através do buraquinho no papel... Ai tentava-se adivinhar!...
Era deste jeito que o caba ligeiro ia aprendendo letra por letra. Agora, se o caba errava, podia ter ele a certeza que de lá vinha um cascudo quando a professora era malvada ou um beliscão quando a professora era educada!...
Tinha caba que mudava até o lado da cabeça. É que de tanto errar o caba tinha que mudar se não sai com o quengo rachava de tanto levar o cascudo no mesmo lugar!
Assim o besta aprendia a custa do cascudo que doía, mas ele não era besta de outro dia o alfabeto errar, não era doido de outros cascudos levar!
 
Sempre fui um caba inteligente e rápido no aprender, mas confesso que também levei os meus!...
Tinha letra que no começo parecia igual. Ai todo mundo levava pau!...
Pelo menos som de cada uma delas que era parecido b com d, p com q, e estas letras eram viradas uma pra outra. Assim, o caba no começo se enganava mesmo!...
E ainda tinha o m com n, que se dizia uma tem duas perninhas e a outra tem três perninhas!
Ate hoje a gente confunde se a palavra é com uma ou com a outra letra...
Mais aos pouco, mesmo o caba sendo burro ai aprendendo...
Ouvi muito dizer... Este ai vai dar pra jumento... Pobre do animal! Comparado a um caba de pouco miolo!
Lembro-me até hoje que as primeiras palavras que li e aprendi foi Ca-sa, bo-la, bo-lo, co-po, u-va, va-ca... E assim, fui dizarnando e lendo devagarzinho, porque ainda podia vim o maldito do cascudinho que ensinou a ler muito  caba burrinho!...
 
Foi assim que aprendi a reconhecer cada letra do alfabeto.
Logo, eu estava juntando as letras. Coisa que faço ate hoje lembrando as primeiras lições!...
E foi lá que aprendi também a multiplicar e dividir...
Na tabuada aprendi a somar e a diminuir. Coisa importante nesta vida que é somando que se dividi e se multiplica sem ter que diminuir!
No final, você tira os nove foras, e toda conta da certo. Principalmente quando se aprende as quatro operações da vida!... Amor, dignidade, respeito e compreensão!
 
Usei chapéu de couro. Nunca deixei de ser um matuto, porque aquele que nasce no mato, nunca deixa de ser um matuto... Como quem nasce no Sul é sulista, que nasce no Norte é nortista. Mesmo que você mude mil vezes de lugar, você nunca deixa de ser aquilo que você foi o que você é!
Assim, sou feliz por ser e continuar a sendo o matuto que sempre fui. O que poucos têm coragem de dizer ou de ser! 
 
Eita!... Mundo difícil de viver nos dias de hoje!...
Mata-se por brincadeira. O caba que é direito na boca de bandido e chamado de vagabundo e se não anda com o dinheiro dele é capaz de perder a vida... Tamanha e a confusão e inversão dos valores!...
 
Como queria voltar para o meu tempo, onde joguei cabiculina, , joguei bule ou buraco, soltei arraia, triangulo com arpão, soltei pião que chamava e ele vinha na mão. Saudades dos meus canários cantadores que sumiram dos nossos pastos e das nossas laranjeiras e que nem as penas deixaram!...
Minha rolinha cabocla, minha rolinha cascavel e a velâme, meu corrupião amarelo e preto meu azulão, minha casaca de couro, meu peba, meu tatu, meu Tejo, meu camaleão, jumento carregando lenha seca par fazer fogo no meu fogão e barril de água doce enchia os potes da cidade.    Mulher para parir chamava parteira e, menino curioso ia se esconder la traz do curral, pertinho da porteira  para de longe ver a cegonha com bebê chegar!...
Cresci sem ver uma cegonha sequer! Mas cresci pensando ser ela que trazia menino homem ou menina mulher... Doce inocência!
 
Doce, doce inocência!...  Sou do tempo que agora só o vejo em sonho! Mesmo assim peço a Deus!... Acaba não mundão!
Os tempos são outros!... Eu, e que tenho que me acertar aos dias de hoje!...
Mesmo cheio de saudades do tempo em que vivo dizendo... Eu sou do tempo que tanto sinto saudades!...

 
Russas, 30 de Junho de 2012

 
*Flora da minha caatinga!...  Por Caroline Faria

  • Muitas vezes confundida com o cerrado, a Caatinga é um ecossistema típico do nordeste brasileiro.
  • A caatinga constitui uma paisagem bastante peculiar, uma vez que mesmo em região semi-árida, ainda apresenta uma fauna e uma flora bastante diversificadas com alto grau de endemismo.
  • A flora se constitui de espécies xerófitas (formação seca e espinhosa resistente ao fogo e praticamente sem folhas) e caducifólias (que perdem as folhas em determinada época do ano) totalmente adaptadas ao clima seco com predominância de cactáceas e bromeliáceas. O extrato arbóreo apresenta espécies de até 12 metros de altura, o arbustivo, de até 5 metros e o extrato herbáceo apresenta vegetação de até 2 metros de altura. As principais representantes do reino vegetal são: a aroeira, o mandacaru, o juazeiro e a amburana.

 
Árvore citadas:
                                         Carnaúba

  • A carnaúba (Copernicia prunifera), também chamada carnaubeira, carandá e carnaíba[1], é uma árvore é da família  Arecaceae endêmica no semiárido da Região Nordeste do Brasil. É a árvore-símbolo do Estado do Ceará, conhecida como "árvore da vida", pois oferece uma infinidade de usos ao homem: As razes têm uso nedicinla como eficiente diuretico; os frutos são um rico nutriente para a ração animal; o tronco é madeira de qualidade para construções; as palhas servem para a produção artesanal, adubação do solo e extração de cera (cera de carnauba), um insumo valioso que entra na composição de diversos produtos industriais como cosméticos, cápsulas de remedios, componentes eletronicos, produtos alimentícios, ceras polidoras e revestimentos.                                  Oiticica
  • (Licania rigida) é uma planta da família   Chrysobalanaceae, endêmica na Caatinga e na vegetação típica da faixa de transição entre o sertão semi-árido do Nordeste e a região Amazônica)

                                           Pau d’árco
       Tabebuia, mais conhecido como ipê, pau-d'arco, ipeúva e ipé[1],

        é o generoneotropical mais comum da familia Bignociaceae.


                                             Pau Pereiro
(Aspidosperma pyrifolium) é uma árvore nativa da Caatinga nordestina, principalmente em várzeas fluviais e terrenos próximos a elevações de terra (serras, chapadas ou cuestas) .


                                                           


                                                 Pau-Branco-do-Sertão

Pau-Branco-do-Sertão (Auxemma oncocalyx)1 Taxonomia e Nomenclatura
De acordo com o Sistema de Classificação baseado no The Angiosperm Phylogeny
Group (APG) II (2003), a posição taxonômica de Auxemma oncocalyx obedece à seguinte hierarquia:
Divisão: Angiospermae
Clado: Euasterídeas I
Ordem: O posicionamento de Boraginaceae no APG II, ainda não é totalmente claro.
Contudo, Cronquist classifica em Lamiales.
Família: Boraginaceae
Gênero: Auxemma
Espécie: Auxemma oncocalyx (Fr. All.) Baill
Publicação: Hist. des pl. x (1890) 396
Sinonímia botânica: Auxemma gardneriana Miers.; Auxema oncocalyx (Fr. All.) Taub.;
Cordia oncocalyx Fr. All.
Nomes vulgares por Unidades da Federação: no Ceará, louro-branco; pau-branco, paubranco- preto e pau-branco-do-sertão e no Rio Grande do Norte, frei-jorge, freijó, paubranco e pau-branco-preto.



Francisco Rangel
Russas, Junho de 2012
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As minhas cinzas!...


As minhas cinzas...

 
 
Quanto as minhas cinzas...
 Não desejo que as joguem no mar.
 Nem no meu Rio Jaguaribe,
 Nem no meu Rio Araibu!
 
 Joguem-nas nos escalvados,
 Nas pradarias da minha terra.
 Eu desejo que elas se confundam
 Com o pó e a poeira acinzentada
 Do torrão triturado e moído do meu sertão.
 
 Quero misturar-me
 
Em meio às folhas secas,
 Ser revirado por redemoinho,
 Pequenas ou grandes ventanias...
 Resistirei que seja aos vendavais.
 
 
 Se hei de repousar para sempre,
 Que seja prazerosamente
 Na minha querida terra!...
 
Do pó eu vim,
Para o pó retornarei!
Misturar-me-ei e serei eternamente
Ou simplesmente pó!...
 Em dias de chuva serei lama,
 Em dias de sol serei,
 Pó,  poeira envolvida na terra!...
 
 Quero ser marcado com
 As leves marcas deixadas pelos pássaros
 Com o pisar dos brutos ao pastarem,
 Com o simples rastejar dos répteis!
 Ou mesmo quando tocares a terra
 Sentir-me - ei em tuas mãos...
 
Mesmo que em minúsculas
Partículas de cinzas!
 
 
Ainda que não me permita
À consciência viva!
 Ali estarei, onde sempre estive,
 Mesmo ausente!
 Por amor a minha terra...
 Quero permanecer eternamente
 Junto, misturado e confundido com ela!...
 
 Nunca é cedo, nunca será tarde!
 Depois dos anos, ou dos sessenta anos...
 É bom que seja dito
E expresso os teus desejos!...
 
Mesmo que ainda venhamos
 Viver por mais cem anos!...
 
 A beira das lagoas ou dos rios,
   Entre as carnaúbas, as oiticicas,
           Os cardeiros, velames e marmeleiros...
 
                          Sob à tua sombra...
                                    Também estarei ali!
Russas, 10 de Setembro de 2012.

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O amor não se explica...
                         Ele acontece!

 
Quando enterramos as nossas mãos na areia da praia,
Apenas alguns grãos de areia vêm em nossas mãos!

É comum bater uma mão na outra para tira-los!...
Mesmo assim alguns permanecem grudados em nós!

E assim são as pessoas em meio à multidão!
Umas passam e outras ficam para sempre em nossas vidas!...
Entre elas, há sempre alguém que marca em definitivo o nosso coração...
O amor não se explica...
                         Ele acontece!

 
Russas, 28 de Agosto de 2012.
Francisco Rangel

Saiba mais…

Eu não te quero... Mas te desejo!

 
Eu não te quero...
               Mas te desejo!


Posso até fechar os olhos
    Para não te ver passar!...
      Ainda sim, sentirei
        O calor do teu corpo,

     Ouvirei teus leves passos...
                            Distanciando de mim o teu ser!
                         
E o mais cruel...

 Sentirei o teu cheiro!
  Que me fará sentir outra vez
    A volúpia e o meu desejo ti!

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Insanidade!

         

Insanidade!


 
Eu não sou responsável por esta insanidade que se instalou em mim!...
Se for louco ou se estou morrendo aos poucos...
O universo tem para mim um fim!
Ao mergulhar de alma dentro,
Deparo-me com uma ansiedade, desejos loucuras,
Mas também encontro um ser
Tenro, bondoso e puro existente.
Que habita no meu eu!...
Não sou diferente de ti!

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Eu não te quero...

  Eu não te quero...
               Mas te desejo!


Posso até fechar os olhos
    Para não te ver passar!...
      Ainda sim, sentirei
        O calor do teu corpo,

     Ouvirei teus leves passos... 
                       Distanciando de mim o teu ser!
                         
E o mais cruel...

 Sentirei o teu cheiro!
  Que me fará sentir outra vez
    A volúpia e o meu desejo ti!

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Carinho & amor...

                 

                         Carinho & Amor...

Os teus gestos de carinho,
               Transmitem amor
                  Nas extremidades das tuas mãos!...

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Hoje, Eu Perdi Você!...

Hoje, Eu Perdi Você!...

 
Quando as coisas acontecem
Parece que há de mais puro
Desaparece!...
E o que prevalecesse,
É o orgulho, a soberba
E a desesperança!...
 
Dói ao olhar para trás
Ver momentos únicos e felizes
Compartilhados, divididos,
Medidos e pesados em gramas
De tenra e terna felicidade!...
Eu amei você!...
 
Dói ao ver que por pouco
Muito pouco mesmo
Este amor não seria infinito
Recheado de paz e harmonia
De felicidades e de alegria!...
 
Dói ao ver intolerância
Ciúmes, Queixas e queixumes,
Ressentimentos e magoas,
Alem da infinita incapacidade
De tolerar, perdoar e respeitar
E confiar em si em quem te ama!...
 
Seguimos em frente
A vida não acaba aqui!...
Apenas nos tornará mais sofrida,
Sem o teu calor, sem o teu carinho
E sem o teu amor!...
Tudo isto devolvido na mesma moeda!...
 
A vida não acaba aqui!...
A soberba e o orgulho
Soa como sendo mais preciosos
Do que estes fúteis e ultrapassados
Sentimentos de amor, desejos e de carinhos,
Que tentam resistir uma época
De fartura, de ofertas e reposição imediata...
Quase ou aparentemente humana!...
 
Não há mais lugar
Para retrógados, românticos
Honestos ou seres do gênero!
Portanto me conformo
Em estar entre os excluídos
Ou apenas ser mais um deles!
 
Eu não posso negar!...
Sentirei a tua falta, sentirei!...
Por mais retrógado que seja
Sentirei a falta das tuas palavras 
Do teu abraço e do teu cheiro,
Do teu afago e do teu sorriso
E de ouvir o teu mais freqüente dizer...
Eu te amo!...
 
Quanto a mim não terei para quem dizer...
 
Já te disse hoje que te acho linda!...
E o quanto te amo!
 
Russas, 10 de julho de 2012

Saiba mais…

Mergulhar dentro do meu eu!...

Mergulhar
                   Dentro do meu 
                                               Eu!...

 
Hoje eu queria...
Mergulhar dentro do meu eu!...
Para ver meu coração partido,
E as minhas feridas no peito
Queria ver o meu coração de pedra
Endurecido e sofrido
Como as rochas sedimentadas

No vale da paixão!...
 

Hoje eu queria...
Mergulhar dentro do meu eu!...

Para ver o meu lago raso de lagrimas
A dor das minhas saudades
A cegueira da minha paixão,
O canto recluso da minha solidão,
O fundo onde a minha alma se esconde!...


Hoje eu queria...
Mergulhar dentro do meu eu!..
Para ver...

Como é dor de uma saudade,
Como bate forte uma saudade,
Como se mata uma saudade
Como se morre de saudades
Como se morre de paixão!...
 

Hoje eu queria...
Mergulhar dentro do meu eu!...
Para ver...

Como se ama de verdade,
Como pulsa meu coração,
Como começar uma paixão,
Como se apaixona um coração,
Como sofre por amor um coração!
 

Hoje eu queria...
Mergulhar dentro do meu eu!...

Para ver...
Como se mata a sede
Como é a sede de viver
Como é a sede de amar
Como é a sede de te querer
Como é a sede que tenho de você!...
 

Hoje eu queria...
Mergulhar dentro do meu eu!...

Para ver...
Como e feito as bases de nossas vidas
Como começas a se construir um
amor
Quando nascem os ciúmes e os queixumes
Quando nasce e morre...
Como se esquecer e se enterra uma paixão!
 

Hoje eu queria...
Mergulhar dentro do meu eu!...

Para ver...
Com seria a minha vida
E simplesmente  saber
Porque não sei viver sem você!...
 

Hoje eu queria...
Mergulhar dentro do meu eu!...

Para ver o quanto amo você!...

 
Russas, 24, de Junho de 2012

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Cinco horas e meia de amor!...


Cinco Horas e
             Meia de Amor...



Tudo foi tão mágico e tão sublime...
Era pequeno o espaço, mas foi o nosso grande universo.
Era pequeno o tempo, mas foi todo o tempo que precisávamos.
Era longe, mas chegamos lá... Lembra-se como?...
Sei que estais rindo ao se lembra!
Foi loucura, mas farei tudo de novo quando for preciso... Eu te amo!
Cheguei a ser atrevido, petulante, audacioso, arrogante e talvez desrespeitoso...
Adjetivos qualificativos ou defeituosos, predicados sano ou insano aflorados única e
Exclusivamente por uma loucura momentânea de um amor de ontem, hoje e sempre...,
Que só você seria capaz de entender.
É difícil de acreditar no que aconteceu...
Mas aconteceu, e não somos loucos de não acreditar.
Merecemos cada minuto, cada afago, beijo ou abraço...
Não, não cabe agradecimentos, é como...
Amar é jamais ter que pedir perdão...
Estou feliz pêlos momentos que nos foi propiciado...
Apesar do pouco tempo que Deus nos permitiu, mas
O permitido transformou num momento infinitamente eterno,
E parecia-me que a tarde não iria se acabar. Até nisto foi Ele generoso.
Nunca vi o tempo passar tão lentamente, falamos de tudo, fizemos de tudo um pouco e acima de tudo
Demonstramos o amor que não podemos negar um para o outro...
Tenho certeza que este amor poderá ser escrito em minha lápide.
" Posso ter amado em vida muitas coisas... Mais nada foi maior do que meu amor por você..."
Mas antes de qualquer epitáfio, quero viver mais algumas dezenas de anos junto de você para que todos os dias possa dizer o como é grande meu amor...
Enfim suplantamos o tempo em que estivemos longe um do outro em apenas cinco horas e meia de amor...
Saudades ali desapareceram, ressentimentos, estes nunca existiram porque nunca houve espaço para tal, e se os tivesse seria muito pequeno diante da avalanche dos sentimentos superiores dantes nunca experimentados ou vistos em nossas vidas...
Meu amor estava apenas menor do que o deste instante em minhas vivas e fervorosas lembranças, porém, nem mais nem menos que o teu, que irradiava e estava patente em teus gestos, no teu olhar, na tua forma de falar, no teu beijo, no teu caminhar, no teu cheiro, no teu tudo...
Estavas ali, toldada de uma leveza espiritual onde as nuvens sopradas pêlos bons ventos cobriam as distancias cruéis imposta as nossas vidas.
Como falaras, pode haver razões que nem elas explicam nossa separação e se estas forem suficientes para nos afastarem , não seriam bastante para suplantar ou Comar em definitivo este grande amor...
Jamais encontraremos palavras que descreva esta nossa harmonia e talvez nunca encontraremos em mais ninguém.
Hoje, acredito que Deus nos fez um para o outro, e se entendermos isto, romperemos com o mundo.
E quanto a nós, não haverá lutas, sofrimentos, angústia ou desejos que não sejam superados...
Estaremos juntos nem que seja em dimensões que sequer se faça necessário a presença das nossas matérias física.
Tenho certeza que já atingimos dimensão metafísica e transcendental.
O amor por si, nos tornam assim, excêntricos, excelentes, superiores na felicidades extremas...
Amo-te... Amo-te... Amo-te...
Não necessariamente teremos que estarmos juntos para entender que nos amamos, e se juntos ou quando junto estivermos...
Atingiremos o mais alto grau de um amor perfeito, esplendoroso, sublime...

Amo-te... Nada mais poderia ou teria a acrescenta. Pois, para mim nada é maior do que este sentimento cristalino, ativo, altivo e apoteótico.

                                Amo-te!... te amo!... Amo-te!...

Saiba mais…