Posts de Edmilson dos Santos (32)

COITUS ININTERRUPTUS

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COITUS ININTERRUPTUS

 

Langor! Verde escuro do teu olhar pedinte.

Liberdade! Cachos graúna ao ondular dos ombros.

Perdição! Gosto rubro da boca que me encanta.

 

Leveza! Espuma sobre as tuas ancas.

Vertigem! Perfume donde rescende traição.

Êxtase! Penetro tua caverna rosada.

 

Por todos os continentes, queimas.

 

Mundo distante... reavivo as lavas do vulcão...

 

Edmilson dos Santos

01/12/2011 -17:10

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A bunda quando abunda...

3541638875?profile=originalRenoir - Estudo para Banho

 

A bunda quando abunda...

Edmilson dos Santos

 

Sui generis, considero a bunda uma das partes mais bonitas e excitantes do corpo da mulher. Flama os olhares por onde passa, pois ela e somente ela oferece aquele gingado malevolente que desperta o imaginário masculino. Propriedade da morena, negra, mulata, loira... pouco importa. Admiro-as todas e mais do que tudo, respeito-as em quaisquer instâncias por onde trafeguem a graça e a beleza feminina.

 

Não precisa ser famosa e nem adianta ser somente perfeita nas formas. Muito menos é necessário que se apresente desnuda. A bunda gostomosa (permitam-me o neologismo de gostosa+formosa) deve ter personalidade. Inesquecível, será sempre "a bunda", nunca "uma bunda". Firme e altiva precisa dizer a quem se embevece com o panorama divino: "Olha-me, mas só chegarás a mim SE e QUANDO EU quiser!" E só.

 

Algumas bundas, por tão singulares, parecem ter vida própria - caminham pelas ruas, sobem escadas, mergulham nos mares, deitam-se nas areias da praia, escolhem seus biquinis e suas roupas, alheias ao tempo e ao vento. Independente do desejo de quem as enverga, provocam pensamentos reflexivos comoventes às suas vítimas. Paradoxalmente, são o equilíbrio dos corpos das deusas que as ostentam e o desequilíbrio hormonal que por instantes acomete quem as olha e cobiça.

 

Reitero o que disse acima – respeito-as sempre. [Mas, cá entre nós, a bunda quando abunda... inunda!]. É isto.

 

Finalizo oferecendo-lhes (aos leitores e não às bundas) um poema de Carlos Drumond de Andrade, que costumo chamar de Tratado sobre a Bunda.

 

 

A bunda, que engraçada

Carlos Drumond de Andrade

 

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

 

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

 

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

 

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

 

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.

 

A bunda é a bunda
redunda.


P.S. Texto inspirado nas últimas ilustrações dos textos de Jorge Sader.
Música de fundo: Ivo Pogorelich plays Beethoven's Fur elise    
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Por si acaso vuelves

Por si acaso vuelves

Intacta,
tengo yo guardado
la nuestra cama.
Intacta.
En ella no quiero dormir.
Intacta.
Quiero que la encuentres
igual que al partir.
Intacta.

*****************************

Se por acaso voltares

Intacta,
tenho guardado
a nossa cama.
Intacta.
Nela não quero dormir.
Intacta.
Quero que a encontres
igual a deixaste ao partir.
Intacta.


Edmilson dos Santos
05/09/2009 21:26:12

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Dor

Dor

Meu peito doi

de saudade, de amor,

pela ilusão que se desmanchou

e o desejo que não acabou.


Meu peito doi

e sangra e se esvai,

mas, nem sei escrever um poema

para diluir esta dor.

Edmilson dos Santos

Cabo Frio, 7 de dezembro de 2009

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