Posts de Edir Pina de Barros (373)

LIRA

3541704175?profile=originalArranca os versos seus da sua solitude,
Do modo que sonhou, do jeito que queria,
Sem cultivar tristeza, ira ou alegria,
Amealhando a paz de toda latitude.

E assim sufoca a sua dor, sua inquietude,
E a lança no infinito em forma de poesia,
Em rito sacrossanto, pura epifania,
Que se dispersa ao léu, em sua plenitude.

E tange a lira mais etérea do parnaso
A dedilhar as frágeis cordas da emoção
que vibram e gemem ao nascer de cada verso...

E a alma voa um vôo livre, leve e raso
Buscando, da poesia, o ventre, em cada vão
Em cada canto de seu mundo e do universo

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AURORA PANTANEIRA


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Meu pantanal! Cenário igual ao teu não há!

Taiamã, garça, águia, quero-quero, anu,

tziu, jacu, socó, jaó, xexéu, biguá,

urubu-rei, nhambu-chintã, pajéu, japu!

 

Inhuma, trinca-ferro, amassa-barro, arara,

mutum, graúna, anhuma e outras tantas aves,

e existe em seus recantos tanta coisa rara,

e cantos mil, dos mais bonitos, tão suaves!

 

E aos seus ninhais retornam quando a tarde caí

fazendo grande farra buscam seu descanso,

e juntos vão piando até o sol sumir...

 

Depois de tudo não se escuta mais um aí

e a lua cor de prata tinge o lago manso,

e tudo fica assim até o sol surgir!


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EFEMERIDADE!

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Eu amo tudo que se foi de mim,
A mágoa que findou, a dor, tristezas,
Os meus amores plenos de incertezas,
As flores que morreram em meu jardim...


Eu amo o que se foi... Que teve fim...
O que morreu nas minhas profundezas,
Perdido entre o véu das sutilezas,
Ou preso numa torre de marfim...


Eu amo os tempos idos, tão fugazes...
E os novos tempos, com novos sentidos
Que hão de passar depressa como o vento!


O que se tem são coisas do momento,
E nada há de restar dos tempos idos
Nem mesmo os sonhos com seus tons lilases!

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GARÇA

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Bem que eu queria ser tal qual a garça

Plainando sobre as águas pantaneiras

Buscando algum peixinho em suas beiras

Por sobre a fina chuva, leve, esparsa...

 

E ao vê-lo sob a água o olhar disfarça

Enquanto o peixe sobe as corredeiras,

Batendo as barbatanas que, ligeiras,

A sua força toda enfrenta e esgarça...

 

E a linda e alva garça, sobre as águas

- olhar de lince e o bico em riste - voa

Cruzando os finos pingos da garoa...

 

E assim se vão os dois – a garça e o peixe –

Sem que, nenhum dos dois, vencer se deixe

E sem por isso sentir iras, mágoas.

 

 

 

 

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Acabei de publicar o meu Relatório de Pós-doutorado pela USP, aprovado em 2002, pelo Clube dos Autores, para facilitar o acesso aos interessados. Veja o link

http://www.clubedeautores.com.br/book/122446--VULNERABILIDADE_SOCIAL__AIDS_E_POLITICAS_PUBLICAS

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EUFORIA (II)

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Um dia eu despertei qual jacaré

À beira da lagoa tão formosa,

A bocejar, de forma preguiçosa,

Por entre as folhas do cipó imbé.

 

E, bocejando, eu fui mais longe até,

A deslizar na areia,  venturosa,

Ouvindo das araras tanta prosa,

E vendo as belas flores de aguapé.

 

Fiquei assim, curtindo a sonolência,

Aquela doce paz, que ali reinava,

Distante da balburdia dos turistas.

 

O sol batendo n’água, em suas cristas,

E eu, tão feliz, mandando tudo às favas,

Sentindo, da beleza,  a própria essência.

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DOIS MUNDOS EM CONFRONTO


3541698445?profile=originalEste livro reproduz a minha dissertação de mestrado sobre o povo indígena Bakairi - cuja língua pertence à família Karib e que vive na região norte mato-grossense. Ela foi escrita sob a orientação do Dr. Júlio Cezar Melatti e aprovada pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade de Brasília, nos idos de 1977. Por ser o primeiro estudo monográfico de cunho acadêmico sobre esse povo, optou-se pela sua publicação mantendo a sua forma original. A sua leitura tem como contrapartida situá-lo no contexto da sua época. Espera-se, dessa forma, torná-lo mais acessível aos pesquisadores, professores e estudantes. E que ganhe novos espaços: as bibliotecas das escolas indígenas. 


vide:


http://www.clubedeautores.com.br/book/121181--DOIS_MUNDOS_EM_CONFRONTO

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EUFORIA

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Um dia amanheci tal qual falena

de purpurinas asas mui formosas,

voando aqui e ali, beijando as rosas,

na tarde que caía calma, amena.

 

E flutuava feito leve pena

levada pelas brisas caprichosas,

tangendo as flores brancas, tão mimosas,

roubando o doce néctar da açucena.

 

Beijei os rubros cravos e cravinas,

as pequeninas flores das campinas,

os heliantos, murtas e jasmins...

 

Jamais eu fora antes tão completa,

sentindo em mim o etéreo ser poeta,

voando entre as flores dos jardins

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SANGRIA

 

Sonhar? Jamais sonhei na vida minha

depois daquele dia em que partiste,

pois tudo se tornou cinzento e triste,

e agora só saudade em mim s’aninha.

 

E sigo os meus caminhos tão sozinha,

levando dentro em mim a dor que insiste

sangrar-me  qual punhal ou lança em riste,

roubando toda a paz e a luz que eu tinha.

 

Sonhar? Enquanto sangra-me a ferida?

Enquanto a alma chora agonizante

E tudo morre aos poucos dentro em mim?

 

Como sonhar sentindo o próprio fim

de meu viver sem ti e assim distante?

Não há como sonhar morrendo em vida.

 

 

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LAMENTO PANTANEIRO

LAMENTO PANTANEIRO

 

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Quisera olhar os campos verdejantes

como se eu fora um jovem boi faminto,

sem ruminar a dor que dentro sinto,

por um minuto apenas, uns instantes.

 

E ter a calma e a paz dos ruminantes,

e a força que provém do puro instinto,

sem peias, cangas, preso em labirinto

sem fim, profundo, nunca visto antes.

 

Nos vicejantes campos, pantanais,

quisera ir pastar, liberta e calma,

como pastava outrora o boi tucura.

 

Qual boi, quisera ter no olhar ternura,

E ter a imensa paz no imo d’alma,

Mas eu rumino dentro em mim meus ais.

 

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APELO

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A Vida é uma tela que se pinta
com as tintas da emoção, dos sentimentos,
com a força que provém dos pensamentos,
com a Fé, que nunca deve ser extinta.

Há muito a se fazer no mundo ainda!
Dizer um basta às guerras, armamentos,
racismo, preconceitos, dor, tormentos,
lutando pela paz, que é tão bem-vinda!

A vida pode ser bela aquarela
se a sua parte cada qual bem faz,
com gestos de carinho e de bondade.

Com tons e sobretons de amor e paz,
com as tintas coloridas da amizade,
pintemos, todos juntos essa tela!

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FELINA

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Se eu sou voraz pantera, tão felina,
senhora desse encanto e tanta graça,
que o corpo teu inteiro assim enlaça,
que tanto te seduz e te alucina...

Se eu tenho o faro bom e a garra fina,
tu és a minha tenra e dócil caça,
que a mim s’entrega inteira, beija e abraça,
por sobre a fina relva da campina.

Se assim me farto porque a ti devoro,
e uivo qual pantera em pleno cio,
voraz felina que depois descansa...

Se solto esse meu uivo tão sonoro,
que ecoa dentro em ti horas a fio,
por certo me tornaste a caça mansa.

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PODER DAS PALAVRAS

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Palavras têm poder e brotam dentro d’alma,
são prenhes de emoção, são prenhes de magia,
remédios para a dor... Podem trazer a calma...
Traduzem nosso amor, transportam a poesia.

Palavras são cristais que cortam qual punhal,
podem erguer alguém, podem roubar-lhe o chão,
podem fazer o bem, podem fazer o mal,
podem ser mel ou fel... Ambivalentes são!

São chuvas de verão, refrescam a terra dura...
São nossas filhas, sim, gestadas lá no imo,
escapam pelo olhar, machucam a rija tez.

Podem trazer a paz, podem conter candura,
podem calar o amor, jogar alguém no limo...
Palavras têm poder! E nós a sensatez.

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SONETO ÀS NAÇÕES

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SONETO ÀS NAÇÕES

Edir Pina de Barros

3541695453?profile=originalNação que não educa seus infantes
escava no seu seio a própria morte,
inscreve no seu chão a triste sorte
de ver morrer seus sonhos mais pujantes.
  3541695453?profile=originalEspalha fome e dor nos seus quadrantes,
miséria – para o crime o passaporte –
presente no país de sul a norte,
daquelas que ninguém jamais viu antes.
  3541695453?profile=originalCrianças, das Nações, são seus esteios,
futuros construtores d’outros sonhos,
obreiros d’outros tempos de esperanças.
  3541695453?profile=originalLutemos, sem ter medos, sem receios,
por dias mais felizes, mais risonhos
contidos no futuro das crianças.

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BRINQUEDO

BRINQUEDO

Edir Pina de Barros

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Ah! Se eu pudera tu serias meu brinquedo,

seria eu também  etérea bailarina,

a tua borboleta leve e purpurina,

beijando o corpo teu, sem ter receios, medo.

 

Quisera  estar contigo agora, meu aedo,

pisando a verde relva, feito uma menina,

por entre as pequeninas flores da campina,

a desvelar nos lábios teus o teu segredo.

 

Ai! Se eu pudera ouvir a voz da brisa e vento,

o doce arrulho belo desses passarinhos,

e ver na tua pele os raios de luar.

 

Seria muito bom brincar, deitar, rolar

perde-me nos teus braços, ter os teus carinhos,

na áurea paz poder sonhar, brincar e amar.

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ONÇA

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Sem mesmo acreditar em minha sorte,

eu sigo a te buscar, d’amor perdida,

porque tu és razão de minha vida,

e sempre te amarei até a morte.

 

Sem ti não tenho nada -paz ou norte -

e  levo dentro em mim só dor, ferida,

essa tristura infinda, desmedida...

Não há – além de ti – o que me importe!

 

O teu amor eu quero! Sim! Preciso!

Por conta deste amor, do meu desejo,

que queima a minha veia, e nunca passa.

 

Eu busco por teu vulto, teu sorriso,

seguindo os rastros teus, que já farejo

feito uma onça que pressente a caça.

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NOSTALGIA

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Retratos na parede, envelhecidos
- quais folhas mortas sobre a alva areia –
arrancam da memória a densa teia
tecida com mil fios dos tempos idos,

trazendo à tona os sonhos não vividos,
perdidos entre as sombras da candeia,
do amor, que na saudade hoje se esteia,
dos meus desejos vãos, também perdidos.

Retratos na parede branca e fria,
por raios de candeia iluminados,
trazem de volta a mim teu cheiro e gosto...

E vôo, então, nas asas da poesia,
dos sonhos todos, mesmo os não sonhados,
ao ver, nesses retratos, o teu rosto.

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FLOR DA SAUDADE

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Pálida e murcha, ali, no livro antigo,
a flor que tu me deste, do cerrado,
jurando a mim o amor que hei sonhado
e que eu quisera, sim, viver contigo.

A flor, no antigo livro - o seu jazigo –
transpôs-me, tão depressa, ao meu passado,
aos tempos que vivi contigo ao lado,
nos braços teus, meu terno e doce abrigo.

A flor – que não perdeu a majestade –
fez-me lembrar o teu formoso rosto,
teu elegante andar, o teu perfume,

de teu olhar vivaz, o encanto e o lume,
o teu desnudo corpo, a mim exposto,
do teu amor amigo. Ai! Que saudade!

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