Posts de Edir Pina de Barros (373)

REFLEXÕES

3541713254?profile=originalComo falar de amor quem nunca amou na vida

quem nunca se entregou sem pedir nada em troca,

sentindo em si prazer que o grande amor provoca,

sem medo de sofrer, e ao sonho dar guarida...

 

Como falar d’amor quem nunca se coloca

com medo de perder ou de causar ferida,

quem nunca perdoou a falha cometida,

nem dividiu o pão e o teto da maloca,

 

quem nada deu de si, mas sempre soube impor

sempre co’o dedo em riste e com palavras duras,

sem ver além de si, com os olhos d'alma cegos...

 

Para falar de amor é necessário amor

incontinente amor, que nunca cobra juras,

que exista além do eu, além do próprio ego.

 

 

 

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GUARDA OS MEUS VERSOS

Guarda estes versos que escrevi chorando
como um alívio a minha saudade,
como um dever do meu amor;
e quando houver em ti um eco de saudade,
beija estes versos que escrevi chorando. 

Machado de Assis


Guarda estes versos que escrevi chorando um dia,
Como um alívio a minha dor, minha saudade,
Por um dever d’amor, que inda agora invade
O meu viver sem ti, carente de alegria!

Os versos que te fiz são frutos da agonia
Que me consome a paz, a minha mocidade,
Gerando em mim a mais profunda soledade...
São prantos de saudade em forma de poesia!

Oh! Guarda os versos que chorando eu te fiz! 
São teus, como são meus os tristes sentimentos
Que, nestes versos, sem pudor, estou cantando...

Quem sabe um dia hás de lembrar quanto te quis...
E se saudades tu sentires por momentos
Beija estes versos que escrevi por ti chorando.

Edir Pina de Barros

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SÚPLICA D’AMOR

3541713202?profile=originalDepois? Depois não sei! Hão de passar os dias

e o tempo me dirá e nos dirá a vida

se o sonho que sonhei  - de de amor por ti, perdida –

transformará em dor as minhas alegrias.

 

Não sei! Depois não sei... E nem darei guarida

à dúvida  cruel, fonte de covardias,

pois hoje quero a luz, desejo as calmarias

dos belos arrebóis e a paz neles contida.

 

Não me perguntes, não, o que virá depois.

Por que me perguntar? Isso não faz sentido!

Ai! Deixa-me te amar sem nada perguntar,

 

sem nada a me tolher. Quero sentir nós dois,

viver esta paixão que nunca hei vivido.

Depois?!Eu não sei, não, se vou sorrir, chorar.

 

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QUISERA!

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Quisera estar vazia nesta noite,
sem ter em mim recantos de saudade,
sem ter veredas, nada que me açoite,
e a ruda dor que sempre assim me invade!

Quisera ser parede sem retrato,

sem telas, sem pinturas, sem enfeites,
ser ente bem vazio, só, abstrato,
ser lisa, nua, sem quaisquer confeites!

Quisera ser o vácuo, sem ter eco,
o vinho que, na taça, sugo e seco...
Quisera ser o nada deste instante!

Quisera! Neste meu penar disseco
a tua sombra que me vem constante,
morrendo-me d’ amor, de ti distante.

 

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DOR

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Padeço desta dor que em mim se incrusta
e mina os vales de meu ser, seus rios
a preencher os altos e os baixios
De um modo que me fere e a mim me assusta...

A dor que a mim m’invade é tão injusta
e causa dentro em mim tal desvario
que sinto dentro d’alma  o interno frio
do desencanto, que a mim me frusta.

Ai! Dor! Que a mim se impõe feito as enchentes
a solapar os meus limites todos
os sonhos e ilusões, minhas vertentes...

E nas vazantes deixam em mim seus lodos,
os seus miasmas fartos, inclementes,
restando no meu chão somente engodos.

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NÔMADE NOTURNAL

3541712310?profile=originalNoturna caçadora das quimeras
Que andeja a palmilhar milhões d’estrelas
Sonhando, dentro d’alma, sempre tê-las
Nas noites de luar das primaveras...

Boemia e solitária, feito a lua,
nômade e triste alma peregrina,
vagando entre estrelas – sua sina –
perdida vai, de si distante e nua.

E pisa os astros no sidéreo espaço
Sem ter qualquer temor, qualquer cansaço
No seu constante e errático andejar...

E na estrelada noite segue adiante,
Co’a lua refletida em seu semblante
Buscando dentro d’alma luz, luar

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LÁGRIMA (II)

Lágrima (II)

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Eu sou a terna lágrima serena

que, suavemente, tange a tua tez

e a beija com carinho e candidez

como se fora a mais sutil falena

 

beijando as belas flores dos ipês.

Sou calma, sou suave mas sou plena

- embora cristalina e tão pequena –

na minha solidária fluidez.

 

Eu vivo dentro em ti – no eu profundo –

 sou seiva de teu cerne, de teu mundo

que torno, sem querer, desnudo e exposto.

 

Eu broto nos teus olhos cheios d’água

por conta d’alegria, dor ou mágoa

e, a tremular, eu rolo no teu rosto...

 

 

 

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LÁGRIMA

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Há de secar a lágrima que rola

E escava a minha face, feito um rio

Na enchente da tristeza e do vazio

Que as margens do meu ser rompe e extrapola.

 

E rola sobre a face, qual marola

Nas tempestades d’alma em desvario

Depois d’um frio inverno e longo estio

Que a dor, bem lá no imo, se acrisola.

 

Um rio, que as comportas rompe e vence

Co’a força que é só sua e lhe pertence,

E rola sobre o chão da minha fronte...

 

Há de secar a lágrima, por certo,

E transformar a alma em um deserto

Sem oásis, miragens, horizonte...

 

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RETIRANTES

A seca que trincou os sonhos seus
deixando o chão da alma em mil pedaços,
estilhaçou seu ser, desfez seus laços,
restando-lhe partir, dizer adeus...

Os sonhos seus, matéria das quimeras,
a seca estilhaçou. Restou-lhe o nada
além da sede, a fome e a longa estrada
que lhe devoram feito as loucas feras.

Nada restou das roças vicejantes,
de seus jardins, de seu mirrado gado...
A seca lhe secou até o pranto.

Restou-lhe só a dor e o desencanto,
a vida de quem vive pelos cantos
e a sina de milhões de retirantes.

Tela: Retirantes, Portinari (1944)
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ÁGUIA

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Quero voar nas asas de meus versos

planar feito uma águia sobre os rios,

deixar os céus escuros – mais sombrios –

seus raios, seus rumores tão perversos.

***

Eu quero a paz da plena infinitude

dos céus da poesia e seus segredos,

planar sobre montanhas e rochedos,

sem nada que me prenda e a mim m’escude...

***

Quero a leveza de quem não sonhou

de quem não sofre a dor da nostalgia

perdido no seu denso véu tão gris.

***

Eu quero ser a própria águia em voo

olhando para os campos da poesia

planando sobre os versos que não fiz.

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EM NOME DA POESIA

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Eu não direi que não te amo, nunca!
Ainda que eu pudesse não diria,
Por conta deste amor - triste alegria -
Que nos meus ermos tantos versos junca...

Sem esse amor não sei o que seria
Do meu desejo – que tem garra adunca –
do meu penar que os sonhos meus me trunca
e que alimenta a fonte da poesia...

Razão de ser dos versos que em mim tramo
Que em mim latejam – feito uma ferida –
E que me escapam nos poemas meus...

Nunca! Jamais diria: eu não te amo!
Em nome da poesia – minha vida -
Não poderia, não, dizer-te adeus.

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ÍMPIOS

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Há tanta dor no mundo! Que tristeza!

E lágrimas contidas, sufocadas,
Crianças tão famintas, não amadas,
Perdidas pelas valas da incerteza.

Há corpos que carregam tal magreza,
Que deixa a pele rota, amarrotada,
Caídos pelo chão, pelas calçadas,
Enquanto outros têm faisão à mesa!

Enquanto roubam uns, à luz do dia,
E vivem uma vida vã, vazia,
Outros de fome morrem, simplesmente!

E sempre assim pergunto aos meus botões:
Serão feitos de rocha os corações
Daqueles que nem olham p’ra essa gente?

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IMPOTÊNCIA

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Jogados nas calçadas desta vida,
Perdidos de si mesmos, sem destino,
nas garras de seu vício tão felino,
que sangra, sem cessar, voraz ferida.

E eu fico a questionar, também perdida,
Em meio a tanta dor e desatino,
O que será dos jovens, do menino,
Reféns de traficantes, sem guarida.

Ai! Mães e pais... que sofrem tais sangrias
Perdendo para o crack suas crias 
que morrem pelos becos da impotência.

Oh! Deus! Como conter a mão que mata?
A dura mão, que sem pudor, desata
Os laços construídos na inocência.

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SÚPLICA

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Ao poeta Marco Bastos, dedico:


Ó, Vênus, que me habita e reina em minhas águas,
diamantinas águas - sonhos meus fluídos – 
Senhora dos amores dentro em mim contidos
fontes de meu penar, de mil prazeres, mágoas...

Ó, protetora luz do amor e dos amantes,
com tua força e lume da Crescente Lua,
vem, e ilumina a mim e a minha alma nua,
pois ora estou amando e muito mais que antes.

D’orvalho, as gotas, não rolem em minha face,
diamantinas gotas – filhas de meu pranto –
e não devore o amor, a vida, que é vorace.

Nem morra a força fluída desse meu encanto,
que eu transpire o amor por onde quer que eu passe,
e que m’ encubra sempre seu divino manto.


Soneto inspirado em um comentário de Marco Bastos  - Noite sem lua:


Transportou-me às terras da Lua Crescente. O Crescente uma cimitarra, Vênus, diamante, gota de orvalho. Se fui parar no lugar certo, a pessoa inserida na sua própria cultura não sofre por existirem outros paradigmas. Não se luta para manter o indígena em seu próprio habitat, vivendo suas tradições? e por que tanto se combate o véu e a burca? Sofreria a japonesa o aperto dos sapatos, se os pés pequenos davam às gueishas mais beleza? E o que dizer dos colares que alongam os pescoços das africanas? Seriam os saltos altos, um suplício? E as viúvas que quebravam os dentes nas pedras ao perderem seus maridos? Havia alguma recompensa?

Só se sente falta do que se perde.




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NOITE SEM LUA

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E fez-se noite em mim depois que tu partiste,
triste ficou meu céu e a lua foi s’embora,
e agora estou assim com essa dor que insiste,
resiste e põe-me o véu da mais tristonha aurora.

Senhora de meu ser – sempre com o dedo em riste –
que assiste o meu penar, a dor que me devora,
devora a minha luz, tornando-me mais triste,
e insiste em me sangrar co’a sua fina espora.

Não basta o turvo véu que a mim me tens imposto?
Desgosto de viver sob o meu céu sem lua, 
nua de paz e amor, que busco, por suposto...

Agosto sem luar – realidade crua –
Tatua em minha tez as marcas do desgosto,
Imposto pela dor que dentro em mim existe.

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ODE AO AMOR

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Amemos, pois amar é dom superno,

estado d’alma que mantém a vida

e torna a aurora cinza colorida

fazendo-nos sentir um ser eterno.

 

Terno é o amor que torna a nossa lida

um gesto angelical em pleno inferno,

e aquece, qual lareira, o frio inverno,

curando dentro em nós mortal ferida.

 

Cândido amor, feito de luz d’estrelas,

Ainda que ninguém consiga vê-las

Estão dentro de nós, sempre a brilhar.

 

Amemos, pois, o amor que nos habita,

- das forças que há no mundo, a mais bendita -

e a sacrossanta dádiva de amar...

 

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ESTIO

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Esvaíram-se as águas de meu rio,
Vazio está seu leito, exposta a areia,
Cheia de lodos – mágoas – tão sombrio
Estio n’alma, estreito nó na veia...

Teia de folhas mortas no vazio,
Qu’espio feito quem mais nada anseia
- Sereia semimorta pelo estio –
Vazio que ninguém põe fim ou peia.

Volteia, pela alfombra, fugidio,
Vadio, sem fulgor da intensa cheia,
Coleia no chão rudo, em desvario...

Areia exposta! Tudo se escasseia!
Alheia à minha dor – interno frio –
Espio a minha sombra, que pranteia.

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IMPOTÊNCIA!

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Jogados nas calçadas desta vida,
Perdidos de si mesmos, sem destino,
nas garras de seu vício tão felino,
que sangra, sem cessar, voraz ferida.
 
E eu fico a questionar, também perdida,
Em meio a tanta dor e desatino,
O que será dos jovens, do menino,
Reféns de traficantes, sem guarida.
 
Ai! Mães e pais... que sofrem tais sangrias
Perdendo para o crack suas crias 
que morrem pelos becos da impotência.
 
Oh! Deus! Como conter a mão que mata?
A dura mão, que sem pudor, desata
Os laços construídos na inocência.

 

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SOLIDÃO

3541706697?profile=originalImensa é a solidão nas densas matas,
Bravatas d’alma, que sozinha chora,
Implora às forças dessas mil cascatas
- Inatas e tão belas, feito a aurora ...

Senhora dessas caixas de Pandora, 
ora vazias - mas coberta em pratas – 
Sensata invasora, cobra mora,
Embora firam a mim com vis chibatas...

Nata tristeza – que o meu ser devora 
e explora sem pensar – feito os piratas- 
à catas d’uma orquídea em minha flora,

caipora de unhas finas - como as gatas 
pacatas - chegam sem pudor, demora,
senhora de meu ser, de longas datas.

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