Posts de Edir Pina de Barros (373)

VENTO, MAR E VIDA


3541718916?profile=originalO vento varre e verga as verdes vagas,

veloce vai valsando em mar revolto,

e vai e vem, brincando livre e solto,

cortante, mais cortante que as adagas.

 

As verdes vagas, varre e verga o vento

voraz, vociferando pelos ares

os medievos cantos, milenares,

de amor que, como o mar, tem seu tormento.

 

O vento vai e vem varrendo a vida

deixando atrás de si só dor, ferida,

quebrando as verdes ondas d’esperanças.

 

Tu varres mar e vida enquanto danças...

E segues sempre adiante! E não te cansas!

Oh! Vento! A tua força é desmedida.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                

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ANGÚSTIA

3541718571?profile=original

Preciso de teu chão, por Deus, preciso
do húmus de teu ser, onde renasço, 
liberta dessas dores, do cansaço
deste viver incerto e de improviso.

De ti recolho as flores de Narciso
e assim me recomponho, passo a passo,
a palmilhar teu chão, tão fértil e lasso
deixando as minhas marcas onde piso.

Preciso no teu chão deitar raízes
beber das águas tuas - minhas seivas -
senti-las percorrendo as minhas veias.

Se tu me queres muito – como dizes –
põe fim na dor que a minha vida eiva
e me sufoca com viscosas teias.

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ANGÚSTIA

3541718593?profile=originalPreciso de teu chão, por Deus, preciso
do húmus de teu ser, onde renasço, 
liberta dessas dores, do cansaço
deste viver incerto e de improviso.

De ti recolho as flores de Narciso
e assim me recomponho, passo a passo,
a palmilhar teu chão, tão fértil e lasso
deixando as minhas marcas onde piso.

Preciso no teu chão deitar raízes
beber das águas tuas - minhas seivas -
senti-las percorrendo as minhas veias.

Se tu me queres muito – como dizes –
põe fim na dor que a minha vida eiva
e me sufoca com viscosas teias.

Em resposta ao soneto do poeta Marco Aurélio Vieira: Meu chão

Corcel aprisionado em tuas celas,
sentindo teu calor de sóis ardentes,
feliz, cavalgo a saltos mui potentes
em torno dos limites teus, cautelas...

Mas sangro com as farpas entre dentes,
se tu me faltas para abrir janelas,
se não me vens para acender as velas
das energias minhas, tão dormentes.

Cativo assaz liberto e à mercê
de tua flor de luz, condões, poesias,
cinzelo em tua vida meu porquê... 

Preciso deste teu celeste olhar...
De tua boca me ditando os dias...
Preciso de teu chão pra caminhar...



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PENSO EM TI

3541718071?profile=original

Eu penso em ti se vejo a lua cheia

brilhando sobre as rendas estelares,

deitando purpurina pelos ares

por entre os véus das nuvens, que clareia.

 

Eu penso em ti se vejo a branca areia

coberta de conchinhas, aos milhares,

gaivotas revoando, sempre aos pares,

e a brisa que, suave, passa alheia.

 

Eu penso em ti se pia a passarada

anunciando o fim da madrugada,

e nos rosais chilreia o bem-te-vi

 

Eu penso em ti se a chuva na vidraça

escorre devagar, com muita graça

e, quando tudo passa, eu penso em ti.

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AMAR

3541718240?profile=originalAmar é ver estrelas sem ver céu,
pisar no etéreo véu das mil quimeras,
sentindo a luz d’eternas primaveras
ser prisioneiro, sem ter sido réu.
 
É cavalgar no lombo d’um corcel,
no chão das ilusões. Sentir, deveras,
a força da poesia d’outras eras
na voz do medievo menestrel...
 
Viver sentindo n’alma o mundo inteiro,
ser barco em alto mar, sem ter barqueiro,
é mergulhar no mar, sem peias, medos.
 
Planar feito uma garça pantaneira,
deixar-se ir ao léu, sem eira ou beira,
pisando as finas farpas dos penedos.

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3541717984?profile=original

Se agora escarras berros no meu rosto

razão de meu penar, de  fartos prantos

por conta dessas iras, desencantos,

que a mim me causam tanta dor, desgosto,

 

cansada estou também e, por suposto,

nos favos desse fel, e que são tantos

- outrora mel de flores de heliantos -

o fim de nosso amor está exposto.

 

Se o enfado agora habita o nosso leito

e o mundo, junto a mim, ficou estreito,

de ti a minha vida está deserta ...

 

Não quero mais ouvir sequer um berro,

o nosso antigo amor, sem dó, enterro!

E a porta, meu amado, está aberta!


VIDE    http://www.edirpina.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=3627002


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INFERNO

3541716940?profile=original
Devora-te essa chama d’amargura,

d’atroz desesperança e nostalgia
que torna a frágil alma só, vazia,
amortalhada e triste sepultura

dos sonhos, dos desejos, d’alegria
perdida nesse enfado, dor, tristura, 
nas brumas dessa noite fria e escura,
sem lua, sem estrelas, sem poesia.

Devora-me, também, teu triste fado
de ter o coração espedaçado,
queimando, feito o inferno, no teu peito.

Porque, sem ti, me queimo n’outro inferno,
sentindo dentro d’alma o frio inverno,
morrendo-me d’amor, em nosso leito.


Em resposta ao soneto do caro poeta Ivan Eugênio da Cunha:


INFERNO

Já meus dias são cheios de tristura;
E, n'atroz negridão, pesada e fria,
Minha mente se turva em nostalgia;
E meu peito flameja em amargura.

Esta dor que devora em chama escura;
Mor se faz na lembrança de que um dia;
Tive, n'alma, esperanças em que cria;
E delas ora sou a sepultura.

O que tem coração despedaçado;
Juntar cada pedaço tem por fado,
Num deserto de treva, andando só.


Mas que fado terei do mal me feito,
Se, no inferno funesto de meu peito,
Ardeu meu coração até ser pó?

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LAMENTO

 3541716868?profile=original

A mim me dói demais ouvir a moto-serra

anunciando o  fim da bela mata virgem

por conta do poder que causa tal vertigem

que tanto mal impõe aos povos desta terra.

 

E tudo há de virar somente pó, fuligem

pois nada há de restar do vale, rio e serra

e do esplendor em si que a verde mata encerra

e da poesia e paz que nela tem origem.

 

Há de calar a voz de tantos povos, tantos,

de vida milenar e seus saberes todos

aos quais se negará sentido ou importância.

 

E tudo há de findar, até os fartos prantos

que transformar-se-ão em nada mais que lodos

em nome do poder, em nome da ganância...

 

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DEVANEIOS

3541716578?profile=original
Bem que podias vir adormecer na rede
ouvindo o sabiá que canta na mangueira,
e tantos bem-te-vis que ciscam pela beira
e vem no pote meu matar a sua sede.

Na rede adormecer sentindo o doce cheiro
das flores a se abrir, soltando o seu perfume,
enquanto lá no céu a lua vem, relume,
e o vento a farfalhar nas folhas do coqueiro.

Bem que podias, sim, amanhecer no rancho
no qual sozinha estou a te esperar querido,
ouvindo, do regato, o seu doce queixume.

Sem ti eu sofro só, qual pássaro implume
sem ninho, sem lugar, sentindo-se perdido
diante da extensão do céu escuro e ancho.

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CHEIRO DE CAJU

3541716344?profile=original Oh! Meu amor! Tu tens um doce cheiro

Que exala desse corpo teu molhado,
E nos teus lábios tenros tens guardado
O beijo que desejo, se te beiro.

Tens cheiro de caju, ó, meu amado!
E o gosto que só tem o amor primeiro,
E causas dentro em mim calor, braseiro,
D’um jeito que jamais eu hei sonhado.

S’ existe alguém nos sonhos meus, és tu!
Eu amo o teu olhar, que me fascina
E que m’envolve em nuvens de desejos.

Eu quero o teu amor, sem quaisquer pejos,
Sorver dos lábios teus a cajuína,
Roubar-te o doce cheiro de caju.

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POESIA PURA (Série Pantanais)

3541716184?profile=original
Ai! Nesses aguapés, nesses baixios
dos belos pantanais de Mato Grosso
na sua imensidão, no seu colosso,
se perdem nas enchentes, os seus rios.

A vastidão de seu silêncio, os pios
dos pássaros que fazem alvoroço,
é feito o paraíso ou  belo esboço
dos sonhos, sempre etéreos, fugidios.

E quando a enchente vem – Meu Deus! Que belo! –
os rios se repartem em vários braços
e as águas se misturam nas planuras...

Beleza sem igual, sem paralelo,
habita em seus recantos, seus espaços
que exalam, das poesias, as mais puras

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CONQUISTA DA AMÉRICA

3541715175?profile=original

       E foi assim que tudo teve início:
       o sórdido presente, o gesto, o agrado,
       e o espaço, pela cruz, foi consagrado,
      em falsa paz, mantendo-se o suplício!

 

       A faca, o espelho, a oferta do machado,
       em nome da amizade, benefício,
       o brinde que, ofertado, trouxe o vício...
       O território logo conquistado!
 
       Com sangue se lavou toda essa terra!
       E proclamada foi a “Santa Guerra”,
       que logo se espalhou pelos espaços...
 
      Oh! América indígena! Que sorte!
       O espelho se quebrou de sul a norte,
       Restando pelo chão seus estilhaços!

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DESEJO!

3541714854?profile=original

O beijo que eu sonhei nos lábios meus,

O doce beijo feito de ternura,

Do amor, a expressão mais clara e pura,

Anda perdido nesses lábios teus.

 

Nos lábios teus os beijos que sonhara,

Co’a força dos desejos desmedidos,

Nos cantos de teus lábios, tão perdidos,

guardam o encanto d'uma rosa rara.

 

Quisera doce beijo não me dado,

Mas tu me olhas com olhar de gelo

E não atendes nunca o meu apelo.

 

Em sonho eu o sinto em mim pousado

qual borboleta, quente e orvalhado!

Ah! Esse beijo! Eu quisera tê-lo!

 

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SERPENTE

3541714521?profile=original


Eu quero deslizar sobre o teu corpo inteiro
manhosa e devagar, suave qual serpente,
tanger a tua tez com minha boca ardente,
sentindo o seu olor, sorvendo o doce cheiro.

Sentir o corpo teu juntinho ao meu, fremente,
a tremular em mim, qual chama d’um isqueiro,
como se eu fora, enfim, o teu amor primeiro,
entregue, sem pudor, e até mesmo indecente.

Serpente a te enlaçar, a te envolver em teias
tecidas pelo amor que não conhece o pejo
e não pretende ser pudico ou inocente...

E destilar em ti, jorrar em tuas veias,
todo o veneno meu - o meu voraz desejo –
que ferve dentro em mim feito um vulcão silente.

Vide:

http://www.edirpina.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=3543967

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AREIA MOVEDIÇA



3541714221?profile=originalAREIA MOVEDIÇA
Marco Aurelio Vieira

Areia movediça que me engole
paixões, essências, ânsias, incertezas,
conflitos, credos, gritos e estranhezas,
esputa a mescla e impede que me evole...

Mistura o todo ao tudo que me acolhe... 
Meus pensamentos nobres, de levezas...
Das crenças, esperanças e purezas,
sufoca dom qualquer que me console...

Eu me debato inteiro, endoidecido
no mar de grãos de areia fementido
e mais e mais me afundo em seu furor!

Ouvi, meu Pai, o filho que vos roga:
Salvai a minha vida que se afoga
na areia movediça do temor!

A VIDA
Edir Pina de Barros

A vida, meu poeta, é movediça,
- areia movediça traiçoeira -
e traz tanta emoção na sua esteira
que o medo de viver, por vezes, viça.

Mas temos que partir d’uma premissa:
a vida é boa e passa tão ligeira
que temos que vive-la por inteira
sem medo, sem receios, sem preguiça.

A vida, meu amigo, é feito a rosa
tem seu perfume, mas também espinho
que sangra a terna mão que a acaricia.

Se a vida é movediça e caprichosa
Vamos sorvê-la como o puro vinho
Tragando-a devagar, com maestria

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SÓ QUEM AMOU DEMAIS

3541713337?profile=original


       Só quem amou demais conhece as dores
       que sangram dentro d’alma noite e dia,
       deixando-a tão dorida, tão sombria
       repleta de suspiros, de temores.

       Conhece dessas dores quem amou,
       e fez do seu amor um sonho terno,
       trazendo no seu imo dom superno,
       e sem receios, medos, se entregou.

       Quem nada viu de falso ou de maldade
       e acreditou em tudo ser verdade
       conhece d’amargura as frias teias.

       Só quem amou sem ter limites, peias,
       sentindo grão furor em suas veias,
       pode entender a dor d’uma saudade.

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ONDAS

3541713783?profile=original

Mergulho em tuas ondas, tuas praias,

Entregue aos teus carinhos, teus desejos,

A delirar de amor, sem quaisquer pejos,

Envolta em seus mil véus, lençóis, cambraias...

 

E sobre o corpo meu também te espraias

Cantando mil canções, quais realejos,

Sentindo os meus tremores, meus arquejos,

Ouvindo o doce canto das jandaias...

 

Sentindo as tuas mãos voluptuosas

Buscando mil carícias – que não nego –

Co’a taça do prazer  do amor te brindo.

 

Nas tuas ondas mornas, espumosas,

Morrendo-me d’amor a ti me entrego

Buscando em ti o mar profundo e infindo

 

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