Posts de Edir Pina de Barros (373)

POSSEIRO

O teu posseiro abraço, que me enlaça, E que meu corpo logo invade inteiro, Acende em mim, depressa, tal braseiro, Que tudo em volta vira só fumaça! Eu olho entorno e fico bem sem graça! Mas esse jeito teu moleque, arteiro, Não se contenta em ser, de mim, meeiro... Por mais que tanta oferta, a ti, eu faça! De tudo toma conta, sem detença, Como se fora, meu pudor, besteira, E quebra os nós de minhas vãs correntes... E vai meu chão lavrando, sem licença, E vai fincando esteios de aroeira... A mim cercando com seus beijos quentes!
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HOJE EU DESEJO...

Hoje eu desejo teu silêncio mais profundo, O teu fogoso toque e teu ardente olhar... Vou mergulhar nas tuas águas, vou sonhar Descortinar teu etéreo véu e ver teu mundo! Eu necessito nada mais do que um segundo, Vou me afogar nos teus sentidos, vou te amar Como ninguém na tua vida ousou se dar ... E quero desses beijos teus o mais fecundo... E num momento tão eterno, ter-te enfim Sem tuas peias, sem teus pejos, teus enredos, Pois hoje quero a tua chama, o teu fulgor... Não necessito nada mais que ter-te assim, Sem teus receios, teus limites, teus segredos Pois hoje eu quero em ti morrer-me por amor.
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SONHOS E DEVANEIOS

Sonhar! Tecer com finos fios dourados, No tear da vida, encantos e ilusões, Urdir desejos sempre sufocados, E dar mil asas ágeis às paixões! E fiar desejos puros, encantados, Que tanto faz feliz aos corações, Entretecer com lindos fios bordados, A rede que balança as emoções! Poder dormir de modo aconchegante, Na bem tecida rede, com carinho, Armada em dois seguros, bons esteios! Sonhar um sonho lindo e delirante, No enlevo terno desse afável ninho, Construído assim com doces devaneios!
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SEM MEDIDAS, SEM RECATOS

De tudo o que eu queria te dizer E que naquele dia não te disse, Até parece mesmo uma tolice: O teu amor rubi eu quero ter! Amor que invada minha vida e ser, Que nunca atole fundo na mesmice, Que nunca perca a força e a meninice, Que seja firme como o meu querer! Amor que seja luz no céu escuro, Que seja sol em dias mais cinzentos, E as águas transparentes dos regatos! É isso que queria tanto! Eu juro! Falar de meu amor, gritar aos ventos... Ser tua, sem medidas, sem recatos!
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VINGANÇA

Hoje te quero tanto e muito mais que outrora, Inda que traga em mim profundas cicatrizes! E que indizível dor sofri com os teus deslizes... E que, em vão, sonhei, por esse mundo afora! E agora o sol se põe! Enfim só resta a aurora! Banhada em doce luz, que tanto tu bendizes... E no sanguíneo céu teus olhos focalizes... E a solidão, sem par, faminta te devora! Hoje te quero assim, embora entristecida... Por ser a tua luz no fim de tua vida Quando morreu em mim, do amor, a vã pujança! Depois de tanto amar! De inútil esperança, Tanto te quero assim, quiçá só por vingança! Pois hoje tens a mim, nostálgica e vencida!
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O BEIJO QUE NÃO TE DEI

Tantas bocas eu beijei, Tantos prazeres eu tive, E o beijo que não te dei É o que mais sobrevive! Mudo, tristonho, calado Persiste nos lábios meus, Tão cálido e enamorado Desses olhos que são teus! Esconde-se pelos cantos No disfarce do sorriso, No pranto que eu não chorei! Guarda todos os encantos, Ainda é teu e indiviso, O beijo que eu não te dei! Edir
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DIA DAS MÃES!

O amor de mãe medir não pode o filho, Sem antes conhecer a humanidade, O mundo de amargura e de maldade, Que buscam retirar do amor o brilho. Rezemos, em silêncio, neste instante, Pensando em nossa mãe, sempre querida... A mãe presente que nos guia a vida, A que morreu, ou mora, além distante... Amor de mãe não tem igual no mundo, É força tão vital, jamais se acaba... É colo que aconchega com alegria! Oh! Por favor! Silêncio, um segundo! Saudemos nossas mães, figura amada! Que o mundo se ajoelhe neste dia! Antonio Lycério Pompeo de Barros Edir Pina de Barros
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AMOR PERENE

No espelho espio minha tez vincadaNo meu semblante a vida que declina,E nada tem daquela flor-menina...Do que já fui, também não vejo nada!Nada restou daquela tua amada,De olhar seguro, jovem, bem traquinaFebril de amor, tão louca, tão felina...De tez macia, firme e bem rosada!Relembro meu passado bem vivido...Do teu amor tão meu! Amante, amigo!Tu és ternura que assim me invade!De novo espio e vejo-te, queridoComo uma sombra tu estás comigo...Tu és em minha vida só saudade!Edir Pina de Barros
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Ó, MAR...

Quisera ter, ó mar, a tua força imensa!E ser profunda e livre, como as águas tuas,que rolam pelas praias, sobre areias nuas...Mas frágil sou e nesta vida sou infensa...Quisera ser, tal como és, ó mar, extensa,Ter horizontes quais os teus, tão anchos, belos...E ter, com a vida, tantos laços, tantos elos,E ter encantos, ter devir, ser forte, intensa!Quisera ser as ilhas que, fremente, tu enlaças,Dos teus remansos, ser as águas calmas, lassas,Poder beijar, na extrema unção, o sol sangrento!Mas minhas forças se esvaem, quais fumaças,Eu sou tão frágil! Como as ondas, me arrebento!Suplico, ó mar, leva contigo o meu lamento...Edir Pina de Barros
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QUISERA!

Quisera estar vazia nesta noite,sem ter em mim recantos de saudade,sem ter veredas, nada que me açoite,e a ruda dor que sempre assim me invade!Quisera ser parede sem retrato,sem telas, sem pinturas, sem enfeites,ser ente bem vazio, só, abstrato,ser lisa, nua, sem quaisquer confeites!Quisera ser o vácuo, sem ter eco,o vinho que, na taça, sugo e seco...Quisera ser o nada deste instante!Quisera! Neste meu penar dissecoa tua sombra que me vem constante,morrendo por amor a cada instante!Edir Pina de Barros
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SOMBRAS E LUZES

A alcova está vazia e tudo está deserto,E longe agora estás. E só estou também...Replena estou de dor. Agora sou refém,Escrava desse amor. E tudo está incerto...Saudade vai e vem, preenche meu vazioMarea meu olhar,... E invade minha noite,Cortante qual punhal, me fere qual acoite,Eu já não sou ninguém! Não choro, nem sorrio...Em tudo tu estás! Teu cheiro, amor, me invade...Tu és meu bem querer. És minha luz, verdade!Nas brisas tu me vens, me tocas tão furtivo...Replena estou de ti! Tornei-me só saudade!Em tudo estás presente. Em tudo estás tão vivo!Minh’alma está refém, meu corpo está cativo...Edir Pina de Barros
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POEMA IMERSO

De palavra em palavra surge o versoDe verso em verso vou dizendo tudoQue brota lá do imo, frágil, mudo...Trazendo à tona meu poema imerso!E vão brotando tantos versos, tantos...Quais borbulhantes águas das cascatasQue, fluídas, vão correndo lá nas matas,Tais quais em mim, os meus imersos prantos!E minhas águas já não vagam ao léu...De palavra em palavra rasgo o véu,Transformo em luz a minha dor cerzida!E vertem versos, que inundam a vida,Trazendo paz à nossa humana lida...Brilhando quais estrelas lá do céu!Edir Pina de Barros
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AURORA BOREAL

No céu de teu olhar mergulho fundo, E nele encontro tudo que eu desejo Um amor tão ímpar, nobre e sem pejo Amplo horizonte novo, outro mundo... Aveludado olhar que me enternece, Que tange minha pele e a minha lira... Olhar que é só candura! Doce prece! Poema que não fiz, que em mim suspira... Olhar que é tão profundo, abismal Tão vasto quanto o espaço sideral Que me fascina e sempre me desvela! Que freme qual a chama d’uma vela, Que tanta paz e luz, em si, revela! E encanta mais que a aurora boreal... Edir Pina de Barros
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