Posts de Carlos Barão de Campos (3)

O velhote da cama 35

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Amanhã serás o ontem esmagado,
o rasto dos teus passos serão meras sombras
no desalinho das emoções esquecidas...
Galgas os dias, afugentas as horas,
abraças os instantes em despedidas
sem corpo...
Procuras as marcas da tua presença
e encontras fantasmas em agonia...
Cansado de amanhãs nascidos mortos,
caminhas na solidão sem nome...
Hoje, mais do que ontem,
sabes que ninguém escutará
as tuas súplicas...
Vives paredes meias com a morte,
sem ninguém que testemunhe
a tua existência...
Morres em cada lágrima
o desespero do tempo...
Resistes mais um instante,
como quem ainda espera por alguém
ou por alguma coisa...
Morre dentro de ti a última memória
daquilo que sentiste vida,
morre dentro de ti
o último lugar onde acreditáste
em milagres...
Indiferente, a tarde cai,
igual à última tarde...
Sentes que a tua solidão
é o teu pior carrasco...
A noite chega, escura,
quase morte...
continuas só, absolutamente só...
Não sabes se estás louco
ou lúcido...
Esqueceste-te de ti,
do teu nome...
Sabes que ninguém se lembrará
de quem foste...
Serás apenas o velhote da cama 35,
o tal que não tem ninguém,
o tal que chora todas as noites...
serás apenas mais um sem nome
e sem história...

Carlos Barão de Campos

Saiba mais…

Sinto o Tempo a Esvair-se...

Este pode ser o instante último dos pensamentos

que ainda me restam…

Instante de dor consentida na mágoa

Alucinante da saudade…

Instante último de um tempo

Que não sendo meu, senti que um dia era minha pertença…

Não lhe conhecia o seu rosto,

Não imaginava os seus contornos…

A sua presença era visível na ausência…

Contudo, o hábito do novo dia,

Criava em mim a ilusão…

Não pensava o tempo a finar-se

Levando-me consigo…

Vivia numa inconsciência só geneticamente consciente…

Acreditava na Eternidade como fazendo parte dela….

Hoje, sinto a angústia das horas,

O anunciar de novas perdas…

Ausências que anunciam outras ausências…

Agora o coração chora baixinho,

Não vá o tempo acordar de mau humor…

A dor que se expande na Alma,

Uma dor cansada, rendida…

A angústia dos fins, das inexistências infindáveis…

As vozes, os rostos, os passos, os sorrisos e as lágrimas

Que partiram para sempre…

Acordo e sei que amanhã voltarei para a sua inexistência…

Hoje tenho a clarividência de saber

Que a maior parte das coisas

Que me disseram que eram as mais importantes,

Valiam menos que o mais fedorento excremento…

Hoje, mais que ontem, menos que amanhã,

Tenho a certeza que nos militarizam a mente

Durante dois terços da vida…

Mentindo-nos sobre os valores autênticos e nobres da vida…

Durante dois terços da vida enganam-nos

Com slogans publicitários de Poder, Juventude, Riqueza,

Incitando-se a requerer o ingresso no mundo dos poderosos,

Oferecendo-se o primeiro lance ainda na condição de escravos…

Um dia, de repente, convencem-nos que já não precisam de Nós,

Somos velhos, inadequados, desactualizados, inúteis…

Tecnologicamente Incapazes…

Tentam dizer-nos que o Amor é sinónimo de Pornografia…

Reduzem o valor de um beijo, de um abraço ou de um sorriso…

O valor de tudo reside na susceptibilidade de poder ser convertido em valor económico…

Os amigos de ontem, hoje são homens e mulheres de negócios sem tempo

Para investir em relações sem valor monetário…

Todas as pequenas coisas de que a vida é feita,

São coisas ridículas….

Devemos envergonhar-nos das nossas emoções…

Somos patéticos…

Lentamente, acabam por nos abandonar num lugar sem nome,

Onde nada nos é familiar…

Um lugar, onde, quantas vezes, durante a Noite nos erguemos,

Como fantasmas, procurando na escuridão os velhos interruptores…

Quantos sons pensámos ter escutado…

Por instantes, pequeninas fracções de Tempo,

Quase sentimos Esperança,

Quase podemos sentir o calor do nosso velho cão roçar as nossa frágeis pernas…

Quase Acreditamos num Milagre,

Um Milagre antes do último instante…

Carlos Barão De Campos

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Sombras Dançando...



Ruidoso, o silêncio é fragua onde as sombras dançam e os lobos uivam...
Esta é a Madrugada, onde os lábios são memórias vermelhas, que se esmagam na impossibilidade...
Sangram na noite um olhar verde que brilha sem vida...
Não sei se ainda escutáste o apelo, o grito, o calor
derradeiro dos nossos lábios ou se partiste só na inconsciência...
O nosso AMOR é um pacto SECRETO que perdura
na eternidade, tornando a morte desprezível...
Regressas em cada Amanhecer e enlaças-me no teu corpo,
os teus lábios são doces e ternos, macios e húmidos...
Incorpóreos, os teus passos têm a cadência do teu movimento...
O toque dos teus lábios, permanece nos meus...
Há um momento em que ambos somos Sombras
feitas da nossa Eternidade...
Esta Madrugada, continuamos abraçados...
a nossa Estrela já está visível nesta época do
ano...
E tu sorris quando te recordo o toque que é só nosso...
Sabes que te AMAREI, mesmo que sejas uma Memória em forma de Sombra...
A Sombra mais bela...



Carlos Barão de Campos

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