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Poema de Amor e Estrelas

 

Poema de Amor e Estrelas

- "Loura e linda criança a fitar as estrelas,
sonhando com a vida, a ciência, o amor,
nem suspeitas que longe, outra loura criança
enfrenta o mesmo céu e sonha os mesmos sonhos..."
Assim dizia a voz do piscar das estrelas,
provocando ilusões nestas duas crianças.
Uma era do Norte. Outra era do Sul.

O silêncio da noite, a grandeza das trevas,
tinha igual importância às crianças-poetas.
Havia este desejo intenso de subir,
penetrar no irreal, de descobrir o mundo!
Ternura indescritível no piscar de estrelas;
na dourada promessa de um dia
encontrarem aquilo que buscavam...

Cresceram as crianças sem mais fitar o céu.
Abrigavam, contudo, com segura certeza,
a beleza profunda do nobre sentimento,
que o sussurro da noite prometia, ainda...
Vergonha de esperar; de um dia ter sonhado,
começou a invadir os dois jovens poetas...
Abalada já estava, e frágil era a lembrança
da voz, que há muitos anos, prometera amor.

Foi então, sem querer, que tudo aconteceu.
Com a luz da alma, os olhos reviveram
o luzir das estrelas...
Pulsando os corações, ouviram a voz do amor.

-"Eu fitava as estrelas"
-" Engraçado, eu também..."
Nada mais foi preciso e nada mais foi dito.
Somente a antiga voz aos dois se fez ouvir:
-"Minhas louras crianças, crianças-poetas...
Que a ilusão infantil seja o real do adulto;
retorne sempre o sonho, como vem a noite.
Eterna a voz da estrela como a luz do amor..."

Autora: Mª Auxiliadora Mota G. Vieira (Maux)
"Poemas Adolescentes"

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A você que se afasta

A você que se afasta

A você que se afasta dia a dia
e que leva, ao partir, minha alegria;
a você que me fez achar o amor,
ofereço estes versos da minha dor.

Sem você junto a mim não sei viver.
Se longe de você só o sofrer
é minha companhia a cada instante.
Se perto de você vivo radiante.

No entanto, você está pouco a pouco
se afastando de mim, e este amor louco
que sinto por você me faz chorar.

Escute, amor, se um dia, em seu caminho,
sentir necessidade de um carinho
venha, que eu estarei a lhe esperar...

Autora: Mª Auxiliadora Mota G. Vieira (Maux)
"Poemas Adolescentes"

♥Ernesto Cortazar. Historia de un Amor♥

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O sopro mitral

O sopro mitral

Liana não conseguia encaixar-se no cotidiano. Nela, tudo era superlativo; o conforto precisava ser excessivo e o luxo desmedido. Regida pela estética e pelo prazer, não se permitia frustrações. Necessitava ter tudo, obter o melhor sempre em qualquer área e a qualquer preço.

Egocêntrica, não permitia que ninguém ocupasse os seus espaços. Delimitava, arrogantemente, o seu território mas invadia as reentrâncias do mundo a sua volta, julgando ter direito a isso, recebendo as primazias e benesses da vida.

Disfarçada numa capa de elegância e boas maneiras, confundia educação e fineza com arrogância e prepotência. O "resto do mundo", aqueles que ousavam combater os seus privilégios e direitos únicos, eram rotulados de "grossos", de mal educados e até de invejosos.

Liana sempre foi assim. Pisou em quem quis e como bem desejou. Humilhou, agrediu e se resguardou dos naturais revides, como se houvesse um complô contra ela, por sua origem, sua família e seu dinheiro. Na realidade, a origem não era tão nobre como ela queria fazer crer, a família não possuía muita hombridade e até mesmo o dinheiro já não era tanto...

Liana possuía ascendentes ricos e poderosos mas, atualmente, nada mais restava a não ser a lembrança de um passado digno e de prestígio, obscurecido por dívidas, falências e vergonhosas maracutaias. Talvez Liana esperasse um rico herdeiro que restaurasse e até mesmo reinventasse o brilho de sua casa. Infelizmente para ela, o noivo encontrado, embora pudesse lhe oferecer um nome honrado, não possuía o suficiente para realizar seu delírio de luxo e riqueza.

O tempo passando, as rugas pregueando-lhe a face e o pescoço, perdendo o viço da mocidade, Liana deixou de ser perdoada. Seus defeitos começaram a ser execrados por aqueles que, outrora, aceitavam com benevolência suas ironias e desculpavam suas impertinências, julgando que a vida lhe ensinaria a amabilidade.

Ainda jovem, vendo que o marido não poderia prover o seu luxo, Liana resolveu ser médica. - Para os meus alfinetes, disse ao tolerante marido, trate você de sustentar a casa... Temerosa de não lograr êxito num vestibular difícil, prestou exames em uma universidade de outro estado, de mais fácil aprovação e depois, utilizando seus contatos, transferiu-se para a sua cidade.

Como sempre ocorre nessas situações, Liana foi marginalizada pelos colegas de faculdade. Os que ali haviam ingressado legitimamente, sentiam-se prejudicados por essas manobras que desvalorizavam o seu esforço e a sua capacidade.

Liana também não ajudava! Continuava arrogante mas não agredia diretamente. Com charme e maneiras delicadas, disfarçadamente, como se estivesse distraída e não percebesse que havia outras pessoas por perto, dizia o que queria para alguns colegas, sempre de forma que os outros ouvissem, mas que não pudessem retrucar suas opiniões por não serem participantes da conversa:

- Não sei o que estou fazendo aqui. As pessoas que pertencem ao meu nível social, as minhas amigas de infância e de adolescência, nunca freqüentariam esse ambiente. São pessoas ricas, bonitas, charmosas, qualidades que eu olho em volta e não encontro. As minha colegas de turma, em sua maioria, não têm nada a ver comigo. Jamais entenderiam as minhas aspirações e necessidades, pois nunca tiveram a oportunidade de conhecer ao menos de leve, o que é conforto, luxo e prazer.

Jogava para trás os longos cabelos negros, ajeitava sobre o nariz os enormes óculos escuros - sua marca registrada, com os quais escondia sua miopia de alto grau - e prosseguia:

- Eu amo a beleza, o charme, o sucesso; adoro pessoas bem vestidas e perfumadas; preciso estar próxima de quem é leve, de bem com vida... É muito difícil estar aqui; não encontro ressonância em quase ninguém. Se eu não estudasse aqui, a maioria da turma só me conheceria pelos jornais. Medicina é uma carreira de proletário com nível superior e os estudantes são muito limitados e humildes em suas pretensões na vida. Não pensam grande; nem sabem o que é ter poder e dinheiro.

Indagada sobre o porquê de não abandonar o curso, adotava uma voz cavernosa, balançava a cabeça e num tom meio cantado, enfático, pausado e lento, justificava:

- Claro que as minhas possibilidades são diferentes. Eu vou enriquecer com a Medicina. Tenho contatos, amizades, possibilidades de crescer profissionalmente. Diferente da maioria da turma, com raras e honrosas exceções...

Olhava em volta, discretamente. Percebendo que estava sendo ouvida, acrescentava:

- As pessoas acham o máximo ser médico. Justamente aquelas que não terão chance alguma na vida! Para mim, ser médica não é lá essas coisas. Sei, no entanto, que as minhas oportunidades são outras. As pessoas me invejam porisso, porque EU TENHO FAMÍLIA. E a maior parte da turma NÃO TEM. Simples assim!

- Realmente, nós nascemos de chocadeira alguns e fomos apanhados debaixo da árvore outros, respondeu-lhe, de certa feita, uma das colegas de turma que não se conformava com as atitudes arrogantes e os delírios megalomaníacos da estudante. Vá estudar, menina. Sem esforço ninguém vence na vida, principalmente numa profissão tão difícil como a nossa.

Aos muxoxos de Liana, Celina acrescentou: - E a profissão não é NOSSA? Ou você pensa que será a única médica a se formar nesta turma? Cuide pelo menos de tornar-se uma boa profissional; até agora você só conseguiu ser a mais chata, arrogante e ... maluca!!! Acho que está precisando de uns choquezinhos. Qualquer dia, sugiro que internem você no Hospital Psiquiátrico para num tratamento intensivo, encarar a realidade... Aliás, já tomou seu Haloperidol hoje?

Com esta pergunta, Celina passou a cumprimentar Liana diariamente. Em vez do tradicional bom dia, indagava sempre: - Não esqueceu não, não é mocinha, de tomar o seu haloperidolzinho do dia?

Justamente por contestá-la e por essa piadinha diária, a moça tornou-se o bode expiatório de Liana. De forma sempre camuflada, parecendo um comentário qualquer, como se estivesse penalizada com a situação de Celina, criticava suas roupas, seus sapatos e bolsas de baixa qualidade.

- Comprados em feira livre, podem crer, dizia. Coitada! Com esta falta do básico ela nunca se tornará alguém na vida...

Quando os ouvintes discordavam, realçando a inteligência, esforço e capacidade de Celina, a estudante respondia: - Em que mundo vocês vivem? Sem boa aparência, roupas caras e bons contatos sociais ninguém vence. Este é o país do Quem Indica – e mesmo que ela tenha potencial, quem é que vai indicar essa pobre criatura para alguma coisa?"

Fartos dessa atitude sempre prepotente, alunos e mestres decidiram dar a Liana, uma lição inesquecível. O professor de Clínica Médica, numa certa tarde, após discorrer sobre sopros cardíacos, acrescentou:

- Estamos na enfermaria com um caso bem didático de sopro mitral. Coisa de livro. Amanhã apresentarei o paciente a vocês. Leiam a teoria em casa, mas saibam que a prática é diferente. Pode ser que vocês não distingüam bem o que eu desejo mostrar. É necessária certa sensibilidade auditiva.

Liana não pode se conter: - Vai ser difícil para as pessoas que só tem sensibilidade auditiva para tiro e forró.

Celina retrucou: - Para forró eu até entendo e assumo. Mas tiro?!!!

Liana respondeu, esclarecedora: - Tiro trocado entre a polícia e os marginais, guerra de gangues... Sinfonia da periferia onde muita gente daqui mora...

No dia seguinte, na enfermaria, a turma estava completa. Ninguém faltou àquela aula! Liana chegou esfuziante e perfumada, em seu conjunto de linho branco, pasta marrom de cromo italiano. Tomou logo a frente dos colegas que – SURPRESA!!! – abriram espaço para ela sem reclamar.

- Estão se educando, murmurou entredentes, também sem que ninguém respondesse a esse comentário à meia voz.

Liana olhou para Celina e a moça estava impassível – nem parecia ter ouvido o que dissera. Não lhe deu bom dia, nem lhe indagou sobre o uso da medicação psiquiátrica.

- "Você está doente?", perguntou à colega. Esta respondeu negativamente, com a cabeça, sem esconder um sorriso indefinido.

Liana pensou: - Deve estar percebendo que estou muito acima dela e que não consegue me atingir com suas piadinhas...

O mestre entregou o estetoscópio a Liana:

- Vamos começar por você. Tente ouvir o sopro e descreva APENAS o que conseguir perceber.

A acadêmica dirigiu-se ao paciente com tal segurança e desenvoltura que quem não a conhecesse julgaria ser ela PhD em cardiologia. Após alguns segundos de ausculta, jogou para trás os longos cabelos, sorriu sedutora para o mestre e olhou, poderosa, para os colegas:

- Estou ouvindo perfeitamente este sopro. Posso descrevê-lo, com certeza.

O mestre ouviu a jovem, atentamente, com um sorriso indecifrável afivelado ao rosto, balançando a cabeça em concordância. Ao final da exposição, com o mesmo sorriso, tomou a palavra. - Parabéns, doutora, por sua brilhante descrição do sopro ouvido...

Liana exultou. Esse era um dos mais exigentes professores da faculdade, além de que ela pretendia especializar-se em Cardiologia. Meio caminho andado se caísse nas boas graças do titular da cadeira...

Jogou mais uma vez os longos cabelos negros para trás, coquetemente, e sorriu, novamente, para a "plebe rude", sem perceber o ar de troça, antecipando a gargalhada que, em segundos, ecoaria pela enfermaria, deixando o acontecimento registrado no anedotário daquela escola médica.

O professor apanhou o estetoscópio das mãos da acadêmica, auscultou o paciente, retirou o aparelho do ouvido, recolocou-o novamente, deu-lhe um piparote e sorriu. Virou seu encaixe, dando um novo piparote e, satisfeito, dirigiu-se à Liana:

- Doutora, eu gostaria que você explicasse para seus colegas e principalmente para mim – já que pretende ser cardiologista e terá que passar pelo meu crivo - como conseguiu ouvir este sopro e tão brilhantemente descrevê-lo, se ao entregar o estetoscópio para você, enganei-me e, sem querer, virei o encaixe dele tornando-o irremediavelmente SURDO!!!

Autora: Mª Auxiliadora Mota G. Vieira (Maux)
"Risos e Lágrimas de Mulher"

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Chá de alface

Chá de alface

Ivete poderia ser personagem de Balzac, uma digna representante da "Comédia Humana". Metro e meio de altura, gordinha, pernas ligeiramente tortas, cara de cachorrinho pequinês, extremamente agitada, raciocínio rápido e desconfiada, assemelhava-se mais a um pequenino furacão do que a um ser humano.

Profissional séria e competente, Ivete galgou todos os postos possíveis em sua área, através de concursos e provas de capacitação profissional. Venceu em sua carreira, mas o mesmo não ocorreu em relação a sua vida pessoal e familiar. Teimosa e beligerante, relegada na infância e adolescência por esses defeitos, considerava-se, então, preterida por seus pais e irmãos, por ser a mais feia da família.

Ao obter sucesso profissional tentou comprar afeto e respeito. Prepotente e independente, queria dirigir e mandar, ser a provedora de todos mas garantindo o controle das situações, não suportando discordância e opinião diversa da sua.

A rutura fatalmente aconteceu. Sem enxergar suas dificuldades, refugiou-se na desculpa encontrada na adolescência, colocando sua feiura como a responsável por não ser bem aceita no ambiente familiar. Tornou-se cada vez mais rígida, seca, incapaz de um carinho ou de uma delicadeza. Não sabia amar nem conseguia ser terna. Concentrava toda a sua afetividade no ato sexual puro e simples, sem exigir preâmbulos ou solicitar fantasias; sem buscar romance e carinho. Rotulava os parceiros eventuais de inconstantes, sem perceber que ela própria nada mais lhes oferecia que a conjunção carnal.

A única pessoa com quem Ivete se comunicava, mostrava suas fragilidades e falava de suas dores e mágoas, era com sua ginecologista. A médica, penalizada com as crises e sofrimentos da pobre mulher, aconselhou Ivete a procurar um terapeuta, com quem pudesse trabalhar seus problemas emocionais, mas ela refugou o conselho, julgando-o desnecessário.

Preenchia sua carência afetiva buscando parceiros indiscriminadamente, até mesmo nos serviços telefônicos tipo Disque-Amizade, saindo com pessoas totalmente desconhecidas, que nunca mais veria. Como não poderia deixar de acontecer, ocorreram acidentes e tentativas de assalto; provocou abortos e contraiu doenças sexuais; seu carro foi roubado por um jovem rapaz, encontrado numa boite conhecida na cidade como "recanto da menopausa", para onde se dirigiam as mulheres sós e mal-amadas, em busca de companhia.

Com o surgimento da AIDS, Ivete começou a se preocupar, temendo adquirir um mal que não mais seria resolvido com uma injeção, uma dose maciça de antibióticos e que poderia até mesmo conduzi-la à morte. Adotou, então, um rígido padrão de comportamento na escolha de seus parceiros sexuais: só transava com médicos. Justificava esta recém nascida preferência, por considerá-los de mais fácil acesso e por julgá-los protegidos da contaminação de doenças.
- "Um médico jamais será HIV positivo pois sabe como se cuidar", dizia sempre.

Suas técnicas de abordagem eram variadas, mas na essência, uma só. Ligara-se a vários planos privados de saúde mas também freqüentava a rede pública. Marcava consultas nos consultórios particulares; nos ambulatórios públicos apanhava fichas e entrava nas filas de espera; nos finais de semana procurava os plantonistas dos serviços de emergência solicitando ajuda.

A queixa era sempre a mesma: insônia, dor de cabeça persistente, vontade de chorar. A causa: - "Faz muito tempo que eu não transo, doutor. Sinto muita falta... Sou muito quente! Eu tenho medo de sair com qualquer um, pegar alguma doença. Sou uma mulher muito limpa, muito asseada, não vou me meter com qualquer pessoa. Se fosse irresponsável com a minha saúde estaria bem. Não me faltaria companhia, porque além de quente eu não tenho preconceito: dentro de quatro paredes tudo pode acontecer. O difícil é encontrar um homem confiável, que eu tenha certeza que é sadio e limpo, assim como o doutor. Tenho muito medo de doenças."

Segundo ela, a técnica era infalível. A conversa continuava, o encontro era sempre marcado. Às vezes, acontecia até mesmo nos próprios consultórios – só que assim ela não gostava.
-" Ginecologista e clínico, não tem um que não tope, doutora. As exceções são poucas e eu mesma ainda não as encontrei", afirmava ela, rindo da estupefação de sua médica. Esta, poderia até duvidar de suas aventuras, mas Ivete detalhava os fatos, citando nomes e lugares, condizentes com uma realidade conhecida. Era impossível não acreditar!!!

Uma tarde, Ivete telefonou para o seu consultório: - "Doutora, espere por mim. Estou muito chateada e preciso falar com a senhora. Não vá embora sem me atender, por favor".
- "Pois venha logo que já estava de saída. Minhas férias começam amanhã e ainda preciso arrumar minhas malas" respondeu pacientemente a médica.

Ivete chegou revoltada, zangada, parecendo querer chutar tudo a sua frente. Tropeçou no batente da porta e quase caiu. Resmungou, lamentou-se por algum tempo pela topada, como mais uma das desgraças do dia e resolveu contar sua história.

- "Eu soube lá na minha Secretaria que no nosso Instituto tem um médico lindo de morrer, delicadíssimo com os pacientes e que não usa aliança. Raciocinei logo que só podia ser solteiro ou separado. Resolvi conferir. Mandei fazer uma saia de linho preto, bem justa, lascada do lado, mostrando até o meio da minha coxa; uma blusa de organdi branca, transparente, com a frente toda bordada em labirinto, bem decotada. A senhora sabe que eu tenho bom busto".

Ivete parou seu relato e apalpou os seios que, realmente, não lhe mostravam a idade. Verificando que eles continuavam no mesmo lugar, prosseguiu:
- "Comprei um perfume francês, mais caro do que a necessidade, um tal de Callandre. Eu vou até passar para minha empregada porque ele me deu foi azar... No cabeleireiro fiz luzes para esconder essa mecha branca que está me perturbando; fiz escova, gastei uma nota preta... Hoje, toda pronta e perfumada, peguei um táxi, porque meu carro está no conserto e me disseram que o tal do doutor entra de férias amanhã. Tinha de ser hoje mesmo! Precisei comprar a ficha de um doidinho, porque ele é muito requisitado e não tinha mais consulta para ele. Doutora, quando eu vi o homem chegar, achei que o trabalho e os gastos tinham sido poucos... Sabe aquele homem com H maiúsculo, lindo, tipo charmoso sério, que entra sem nem olhar pros lados? Além de tudo cheiroso, o danado. Quando passou, perfumou todo o corredor..."

Ivete parou o relato, narinas infladas, pensativa, como se ainda inalasse o aroma decantado.

- "Eu tremia, doutora, igualzinho a menina moça no primeiro encontro. Quando a atendente dele me mandou entrar, fiquei muda de emoção. Ele me perguntou o que eu desejava, o que estava sentindo, e eu lá, calada... Ai, não sei como, comecei a falar de minhas vontades, da minha falta, essas coisas que eu digo sempre e que a senhora já está careca de saber. Mas eu lhe juro, minha doutorinha, que eu estava até acreditando mesmo no que falava, aérea, no outro mundo... Ele ali, impassível, escutando com a mão no queixo, nem se abalava. Falei, falei, e ele quieto. Não dizia que sim, que não e nem um talvez! Outros, nessa altura, já estariam na minha, se enxirindo. Mas ele não! Imperturbável, sério, calado, pedra de gelo... Eu não estou acostumada com isso, a senhora sabe. Daí que eu me afobei."

Neste ponto da narrativa, Ivete em pé, gesticulava zangada: - "Cansei daquela estátua e perguntei: - Então, doutor, quando é que o senhor vai me ajudar a resolver esse problema? O senhor sabe que tem o remédio que eu quero, que eu preciso..."

Ivete sentou-se. Ficou calada uns segundos, talvez para absorver novamente o que lhe acontecera e que ainda tanto a surpreendia.

- "Sabe o que o desgraçado me disse, sem tirar a mão do queixo, sem se mexer na cadeira, bem tranqüilão? – Tenho sim, o remédio para a senhora. Vá para casa, faça um chá de talo de alface bem forte e tome toda noite antes de deitar. Vai ficar boazinha..."

Ivete ficou em pé novamente, abriu os braços em cruz e olhando para o teto da sala, como se procurasse respostas, balançou a cabeça e murmurou entredentes: - "Eu mereço isso?"

- "E o que você fez, foi embora?", perguntou a médica, com um meio sorriso.

- "Antes tivesse ido que a decepção seria menor. Só que eu não sou mulher para me entregar no primeiro round. Insisti e perguntei: - Mas é para eu tomar sozinha, sem companhia, sem um doutor para me ajudar? Ele com a cara mais santa do mundo me respondeu: - É sim, sozinha, senão não faz efeito. Levantou-se, apertou minha mão e me levou até a porta, com a maior classe do mundo. Acredita que eu levei este fora federal?"

- "Chá de alface... Esse ai e para isso eu nunca ouvi falar, juro!!! Quem foi, mulher, o médico que resistiu ao seu assédio, e mandou você tomar esse tal chá de alface?" perguntou, curiosa, a ginecologista.

- "O nome dele é meio enrolado. Está aqui na ficha". Ivete jogou o pequeno pedaço de papel com raiva e despeito sobre a mesa do consultório.

Quando a médica leu o nome do colega, começou a rir, incontrolavelmente. Ivete zangou-se. Falta de respeito com seus sentimentos, sua frustração, sua perda de tempo e seus gastos vãos.

- "Gay eu sei que ele não é. Conheço de longe este povo. Do que é que a doutora está rindo? A senhora o conhece?", perguntou irritada, mas um pouco esperançosa de obter alguma informação que pudesse orientá-la em uma nova investida.

- "Conheço, sim. Ele realmente não é gay. É muito gato mesmo, tudo isso que você falou. Só que é casado..."

- "Isso nunca foi empecilho para doutor sair comigo... O que foi que eu fiz de errado, desta vez, minha santinha?"

- "No que errou eu não sei, mas você nem imagina quem é este seu doutor tão lindo e cheiroso? Pois ele é, nada mais, nada menos, que o MEU MARIDO!"

Autora: Mª Auxiliadora Mota G. Vieira (Maux)
"Risos e Lágrimas de Mulher"

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Uma mentira piedosa

Uma mentira piedosa

Uma tarde, no consultório de um serviço público, atendi a uma "vitalina", como são chamadas no Ceará, as moças solteiras de certa idade. Seu rosto era redondo e achatado, os contornos pareciam ter se perdido, estatelados, de encontro a uma superfície lisa e dura. Os olhos oblíquos possuíam algum brilho, mas o exagero do rímel, a linha da sobrancelha realçada fartamente pelo crayon preto, contrastando com o verde berrante da sombra nas pálpebras, desviava a atenção deles.

A pele bexigosa completava o emplastramento de nariz, boca, testa, baton, rouge e pós. Seus cabelos pretos e sedosos eram até bonitos, mas ela os prendia em duas ridículas "maria-chiquinhas". De estatura baixa, pernas finas, franzina, busto reto e quadris murchos, sua aparência era mais que humilde: servil.

Tratava-se de uma mulher de quarenta e cinco anos, muito feia e que nunca, em sua vida, poderia ter tido traços ao menos agradáveis à vista. Nem caricatura parecia. Era uma máscara feia – e só... Falava baixo, como que pedindo desculpas por violar o silêncio.

Apresentava-se com uma forte gripe e viera em busca, não de uma consulta, pois não tinha mesmo dinheiro para comprar remédios:
- Gripe se cura com lambedor de mastruz ou mel com limão. O que eu quero, doutora, – e isso eu percebi como era vital para ela – é mesmo o atestado, senão eu perco o dia. A gente já ganha tão pouco e eles descontam mesmo.

Dei-lhe o atestado e procurei conversar com ela. Tímida, desconfiada, acabou cedendo a minha insistência. Vinha do interior do Ceará, possuía muitas irmãs, todas casadas, cada qual com uma "ruma" de filhos. Ela, a única solteira, cuidava da mãe velhinha e ainda "dava de um tudo" para duas sobrinhas. Trabalhava numa fábrica de castanhas.

- A senhora não sabia que as castanhas se separam na mão? - ela sentiu-se importante, face a minha ignorância - É uma a uma. Primeiro a cortadeira corta as castanhas em duas, na máquina. Depois, vem a tiradeira e separa os pedaços quebrados dos inteiros e tira a castanha da casca. Ai, vai para tostar e então vem a perita. Senta num banquinho e vai separando: as brancas das morenas e das vermelhas; as graúdas, que a gente chama de lage, das médias e das pequenas que são os brotinhos. Aí é que vão para enlatar. No fim do dia, a gente só vê castanha na frente, os olhos doem. O pior, prá mim que sou perita, é tirar as peles. Dá muito estalicismo e a gente fica espirrando sem ver nem prá que...

Ela fez uma pausa para coçar o nariz, como se estivesse no meio das castanhas e continuou:

- Mas é bom, doutora. Emprego está difícil prá quem é analfabeto. No sertão ninguém não estuda, porque trabalha no roçado e nas farinhadas, desde que nasce. Vem a seca e acaba com tudo. Prá não morrer de fome, o jeito é vir prá Fortaleza. Esse meu emprego até que é bom. Ele paga o salário, prá quem fizer até quarenta quilos de castanha. Quem fizer mais, ganha dobrado pela produção. É difícil mas a gente faz por percisão. Eu mesma faço uns quarenta e dois, por obra e graça do meu Padim Padre Ciço.

Interrompeu sua exposição para beijar, contrita, a fitinha roxo-encardida amarrada em seu pulso, vinda diretamente de Juazeiro do Norte. Após esse ato de devoção continuou:

- Tenho pena é de uma colega minha. Ela é tiradeira, que é a pior parte. O leite da castanha crua queima os braços que nem água fervente. Ela já tá dum jeito que nem o leite de mamona não protege mais. Mas ela não tem homem, que o marido dela arribou prá São Paulo de pedreiro e por lá ficou. No começo ainda mandava algum; uns seis meses depois nem notícia. Ninguém sabe se está vivo ou se foi morto. Pode de estar preso também, porque era muito esquentado. Ladrão ele num era mas já furou um. Teve sorte do cabra não morrer mas ficou jurado de morte; ai foi prá São Paulo.

Essa minha colega aguenta de tudo porque tem sete filhos prá criar sozinha; ela age de pai e mãe dos meninos, sem ajuda de ninguém porque o povo dela não tem serventia prá nada. Os irmão também arribaram prá São Paulo procurando vida melhor e sumiram no mundo; nem dão notícia. Ainda bem que a mãe dela tem aposentadoria do Funrural senão era outra boca. Mas a aposentadoria da velha nem serve prá ela, porque tem uma ruma de netos sem pai que destrói os mil réis que ela ganha do governo.

Outro dia, fui lá na hora do almoço e fiquei morrendo de pena. A velha que não pode mais andá, fica sentada na cama e os netos comendo do prato dela. Não dá prá pobre comer nada, porque os menino devoram tudinho antes.

Minha vitalina foi embora com seu atestado e algumas amostras grátis de vitaminas e "remédio de verme". Dias passados, retornou, mais confiante e próxima.

Queixas imprecisas: menstruação irregular, dores de cabeça "quando os tempos estão prá vir". Percebi que ela queria me dizer alguma coisa mas não teve coragem. Pedi alguns exames laboratoriais e ela se foi, visivelmente insatisfeita, deixando-me curiosa. Demorou muito para voltar, talvez travando alguma luta íntima...

Quando retornou, antes de me entregar os resultados dos exames, respirou fundo e começou a falar de um só fôlego, olhando de esguelha, os lábios trementes, como se temesse parar e não ter coragem de prosseguir:

- Dona Doutora, eu carrego uma tristeza muito grande mesmo aqui prá dentro de mim. Nunca namorei por causa disso. Já teve muito rapaz querendo falar comigo, mas eu nunca aceitei. Ninguém sabe, nem a mãe. Só vou dizer prá senhora...

Fez uma pausa. Os olhos encheram-se de lágrimas e ela retirou de sua surrada bolsa-mochila, um pequeno e puído lenço branco; assoou o nariz, enxugando junto o pranto e prosseguiu:

- Eu era menina velha, assim com uns seis anos; fui morar com meu padrinho que também é meu tio, irmão do pai. Ele tinha um filho duns quinze anos. Não me alembro direito do que aconteceu, só que ele bateu em mim e tapou minha boca prá eu não gritar. Eu era bem pouquinha e ele já tinha tamanho de homem. Corri dele mas cai e levei uma pancada na cabeça. Olhe só aqui a cicatriz...

Levantando da cadeira, chegou-se a mim, mostrando uma cicatriz pequena bem próxima da nuca, disfarçada pelos cabelos. Sentou-se novamente e seguiu, angustiadamente, a sua história, com a voz cada vez sumindo mais, já quase inaudível.

- O que eu lembro mesmo é que escorreu muito sangue das minhas pernas. Fiquei andando que nem pata, de perna aberta, um tempão. Quando ia na fossa fazer as necessidades, saia tudo junto: cocô e xixi, tudo misturado mais sangue, e ardia muito... Ele disse que era prá eu dizer prá minha madrinha que tinha caído, senão me matava de peia. Mas eu acho que ela mesmo não tava nem ai para saber das verdade. Assim que eu comecei a andar normal, ela armou um balaio comigo, que eu estava muito respondona, mentirosa, inventando histórias ruins de todo mundo, saídas da minha cabeça de jerico, e me mandou de volta prá casa. Ainda levei uma surra da mãe; era tempos de seca braba e uma boca a mais ia pesar muito. Só que eu não inventei nada de ninguém e nem nunca fui respondona. Até hoje eu num sou de falar muito...

A pobre mulher calou-se por um largo período de tempo, alheada na sua dor e nas injustiças que sofrera.

- Doutora, eu só queria mesmo era saber se ainda tenho a minha honra. Ele fez isso comigo de ruindade mas tenho fé em Deus que ele paga. Ele tem filha fêmea!

A pobre mulher se benzeu com o sinal da cruz e começou a chorar baixinho:

- Não estou agourando ninguém, não. Coitada das moça... Mas ele foi muito ruim demais mesmo comigo...

Depois de um choro prolongado, quase silencioso, continuou:

- Nunca disse prá ninguém isso. Tinha medo de namorar e aproveitarem de mim. O povo diz que os home conhece se a gente é moça só pelo jeito de andar. Eu tinha medo deles se aperceber e abusar dessa desgraça. Eu sei que não tive culpa mas tenho esta sina ruim.

Queria só saber direito o que sucedeu; eu era muito menina e não me alembro certo das coisas. Vejo todo mundo namorando, casando e só eu não tenho o direito de fazer isso. Esse é o único valor da mulher; se eu me desgracei num valho mais de nada...

Doutora, eu queria exigir que a senhora me examinasse prá eu saber se sou furada mesmo. É melhor saber logo da verdade do que guardar isso só prá dentro de mim, sem ter certeza se ainda sou moça ou se já fui descabaçada...

Coloquei-a na mesa ginecológica. Amedrontada, ela queria fechar as pernas, cobrir com as mãos a sua "vergonha". Pacientemente, consegui relaxá-la e realizei o exame. Possuía uma cicatriz extensa no intróito vaginal indo até o ânus. Após os toques vaginal e retal - dificultados pela estenose, principalmente do orifício vaginal -, percebi que por algum milagre de cicatrização da natureza, esses milagres que acontecem pelo miserável Brasil afora, os planos musculares, as mucosas e a pele haviam conseguido se recompor desordenadamente, separando, sem fístulas, os canais excretores e a vagina. Como aconteceu isso? Só o nosso bom Deus brasileiro poderia esclarecer o fato...

Sentei-me à mesa, aguardando que ela se vestisse. Coitadinha... Ser virgem ou não, era para ela sinônimo de ser feliz ou desgraçada. Não se incomodava com sua feiúra, sua pobreza, nem com a limitação de uma vida sem possibilidades de progresso. Nem imaginava que mesmo que nada tivesse impedido ela poderia não ter encontrado amor e casamento.

À minha frente, angustiada, os olhos interrogativos fixados em minha boca, aguardava minhas palavras como se espera uma sentença. Sentença que a condenaria eternamente ou a libertaria do pesadelo de toda uma vida...

- Então, doutora? Ainda tenho a minha honra?

Pensei no código de ética, tentei lembrar se Hipócrates citara algo parecido. Notei que aquela mulher só conseguiria manter uma relação sexual após uma intervenção cirúrgica, pois a entrada da vagina estava estrangulada por uma inacreditável cicatrização fibrótica que misturara todas aquelas estruturas. Era o mesmo que ainda ser virgem...
Resolvi, então, tomar a minha decisão sozinha e mandar tudo para "as cucuias", como se diz no Ceará.

- Vai em paz, mulher. Sua honra está inteira!

Autora: Mª Auxiliadora Mota G. Vieira (Maux)
"Risos e Lágrimas de Mulher"

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Primogênita

Maria Auxiliadora Mota Gadelha Vieira nasceu em Piquete, SP, em 02/11/1948. Filha de Geraldo Silvia Mota e Maria Augusta Beraldo Leite Mota, poetisa e escritora conhecida como Mariinha Mota. Realizou seus primeiros estudos em Piquete, SP. Em 1966, concluiu o curso cientifico e, no mesmo ano, formou-se na Escola Normal Duque de Caxias, tendo arrebatado o Troféu Rui Barbosa, destinado aos alunos que obtiveram a primeira colocação nos três anos do curso. Recebeu também a Medalha de Psicologia, pela primeira colocação nessa matéria, por todos os três anos do curso.

Em 1968 foi aprovada em terceiro lugar, no vestibular de medicina da Escola Médica do Rio de Janeiro, graduando-se em 13/12/1973. Em dezembro de 1974 concluiu a Residência Médica do Serviço de Cirurgia Infantil do Hospital Estadual Souza Aguiar, Rio de Janeiro. Em dezembro de 1976, concluiu Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital Maternidade Praça XV do Instituto Nacional da Previdência Social, no Rio de Janeiro. Ainda no Rio de Janeiro, em 1974, foi professora assistente da Cadeira de Anatomia e Fisiologia do Curso de Terapia da Palavra do Centro Educacional Henry Dumont.

Casou-se em 1976 com Vanius Meton Gadelha Vieira, médico psiquiatra e psicoterapeuta, psicanalista, historiador e escritor. Radicaram-se em Fortaleza, CE, desde 1977. Tiveram tres filhos: Carlos Meton, Fernando Meton e Júlia Beatriz. Os rapazes são médicos, brilhantemente formados pela Universidade Federal do Ceará. Carlos Meton, entre outras atividades, é mestrando em Genética Humana na Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Fernando Meton é médico oncologista clínico radicado no Rio de Janeiro, onde conclui mestrado em sua especialidade. Júlia Beatriz é psicóloga organizacional, formada pela Universidade de Fortaleza, concluindo MBA em gestão empresarial.

Em Fortaleza, exerceu sua atividade médica em vários setores do serviço público e em consultório particular. Atuou como médica ginecologista e obstetra no Serviço Social da Indústria – SESI – Departamento Regional do Ceará, onde desenvolveu de 1977 a 1985 o Curso de Assistência Psico-Profilática ao Parto e Planejamento Familiar, nos moldes do Programa Materno Infantil, posteriormente implantado pelo governo federal.

Médica da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, lotada na Maternidade Escola Assis Chateaubriand, pertencente a Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, atuou como obstetra, de 1978 a 1982, tendo chefiado o Ambulatório de Indigentes. Transferida para o Instituto de Prevenção do Cancer do Ceará, ali trabalhou como medica ginecologista até 1988, quando foi convidada a participar do Programa de Prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS. Nessa função, foi coordenadora e instrutora de Cursos Básicos de Doenças Sexualmente Transmissíveis e de Educação em Saúde/Estratégias para Prevenção e Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis/AIDS, destinados aos profissionais médicos e paramédicos da capital e do interior do estado.

Médica do Instituto de Previdência do Município (IPM) de Fortaleza, desde 1978, atendeu como ginecologista e obstetra até 2002, quando foi transferida para a Junta Médica Pericial. Reestruturou o atendimento pericial, redigindo a Normatização de Condutas Periciais e a Cartilha da Junta Médica, destinada ao servidor municipal. Em 2005, convidada a assumir a Coordenação de Saúde da Clínica de Atendimento Básico do Instituto de Previdência do Município (IPM), com uma visão multiprofissional, dedicou um enfoque especial à medicina preventiva e ao cuidado com as doenças ocupacionais. Desenvolveu diversos Programas de Prevenção e Reabilitação da Saúde do Servidor Municipal: Saúde da Mulher, Prevenção e Tratamento das Doenças Hipertensivas e Diabetes Mellitus, Saúde Ocupacional, Prevenção das Patologias Orais e Câncer Bucal, Reabilitação Vestibular, Aprimoramento Vocal, Apoio e Recuperação dos Alcoolistas. Em agosto de 2008 retornou à Direção da Junta Médica Pericial do IPM, onde se encontra atualmente.

Dedicou-se desde menina à literatura, à poesia e ao teatro. A influência e orientação de sua mãe Mariinha Mota, poetisa, trovadora, escritora e crítica de arte, membro da Academia de Letras do Vale do Paraíba em São Paulo, onde ocupa a cadeira nº 27, foi fundamental em sua formação intelectual. Mariinha Mota incentivou sempre seus filhos ao cultivo da arte da escrita. Sob sua orientação Maria Auxiliadora desenvolveu a oratória e a declamação, arrebatando vários prêmios e medalhas em concursos de declamação, tais como: Medalha de Ouro no Concurso de Declamação “Arnolfo Azevedo”, Lorena, SP – 1960, 1961, 1962, 1963, 1964, 1965 e 1966; Primeiro Lugar no Concurso de Declamação “Thais Florinda” em Piquete, SP – 1960 e 1961. Pertenceu ao Grupo ARTE (Artistas Reunidos do Teatro Experimental), em Piquete-SP, atuando como atriz em peças sob a direção de José Palmyro Maziero, na década de 60.

Rascunhou seus primeiros versos, trovas e contos, colaborando com as colunas literárias dos jornais da região do Vale do Paraíba, em São Paulo: “Folha Piquetense”, “O Regente” e “A Cidade”. Sempre escreveu. Sem pretensão, sem ambição. Escrever era inerente ao seu ser. Participou de algumas antologias como: “Anuário Coletânea de Trovas Brasileiras” de Fernando Vianna, 1979 e 1980; “Em Busca do Poema Pérola” de Fernandes Vianna, 1980; “Anuário de Poetas do Brasil” de Aparício Fernandes, 1980 e 1981; “Anuário de Escritores do Brasil” de Aparício Fernandes, 1980 e 1981; “Contos e Poesias” do Grêmio Literário de Autores Novos, sob a coordenação de José Luiz de Oliveira, 1980; “Cidade do Aço”, do Grêmio Literário de Autores Novos, sob a coordenação de José Luiz de Oliveira, 1981.

Possui várias obras inéditas: Poemas Adolescentes – coletânea de Poemas e Sonetos; Poemas de uma Vida – coletânea de Poemas e Sonetos; Eu Trovei... – coletânea de Trovas; Risos e Lágrimas de Mulher – Contos.

Autodidata, criou de forma amadora um site – http://www.mauxhomepage.com - onde disponibiliza os temas que lhe interessam: web design, música, poesia, história, educação infantil. Maria Auxiliadora assim se refere ao seu trabalho: “Nesse site coloquei minha alma, minha identidade, meus sonhos e minhas belezas”.

Dentre as diversas seções apresentadas, “Piquete Cidade Paisagem” destaca o carinho e a saudade de sua terra natal, focalizando seus morros, suas águas, suas tradições, seu folclore, sua gente e até mesmo sua culinária. Por conta desse resgate histórico e de costumes recebeu da Câmara Municipal de Piquete-SP a Medalha de Mérito Municipal, em junho de 2009, por ocasião do 118º aniversário da emancipação política da cidade.

Na sessão “Um Herói Nunca Morre” desenvolve uma minuciosa pesquisa sobre a atuação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, em homenagem a seu pai, Geraldo Silvia Mota, ex-pracinha, mineiro sapador do 9º Batalhão de Engenharia da FEB. Com esse mesmo tema é colaboradora, com vários artigos publicados, do site http://segundaguerra.org. Ainda por esse trabalho sobre a Força Expedicionária Brasileira foi destacada no site americano http://forums.wildbillguarnere.com com seus textos traduzidos para o inglês.

Ligou-se a várias instituições culturais: U.B.T de Piquete-SP; Clube de Trovas do Vale do Paraíba, em SP; Academia de Letras de Uruguaiana, Academia Internacional de Heráldica e Genealogia, Centro de Estudos e Difusão Cultural “Romangueira Correia”, e outras.

Associada à REBRA pleiteia atualmente ingresso na SOBRAMES-CE (Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Ceará).

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Moisés de Michelangelo: meu tributo ao papai

Papai, quando pracinha da FEB, fim da guerra, pode circular pelo continente visitando várias cidades da Itália e os seus monumentos.
Na ocasião, só tinha estudado até o primario e pouco ou nada sabia de História e Arte da Itália e do mundo.
Sua sensibilidade permitiu que admirasse muitas obras, sem saber quem eram os seus executores nem o seu significado.
Quando voltou ao Brasil, depois de casado, voltou a estudar e lamentava a sua falta de cultura que não lhe permitira apreciar melhor o que vira.
Papai se encantara, em especial, com o Moisés de Michelangelo e sempre dizia que não voltaria para vê-lo, mas,
que quando nós fôssemos à Itália e sabendo tudo sobre a obra, a apreciaríamos por ele.
Estou aqui, com quase 70 anos de idade e artrose nos dois joelhos.
Moisés está em uma igreja chamada San Pietro in Vincoli, com uma escadaria imensa, um sol causticante.
Mas, eu fui conhecer a obra maravilhosa, num tributo emocionado ao Geraldo Mota.
Eu vim pai, eu chorei pela maravilha da estátua e também por sua lembrança.

Auxiliadora Vieira
Itália, 21 de junho de 2018

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Um Herói nunca morre!

Simples História de um Homem Simples
Origens

Força Expedicionária Brasileira
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Homenagens aos Heróis
Saudade

A vida felizmente pode continuar...  Auxiliadora Vieira - Maux
http://www.mauxhomepage.net

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Mariinha Mota partiu!

Mariinha Mota partiu!

Mamãe partiu! Coube-nos a tarefa de organizar seu acervo para uma futura publicação. Em meio aos seus poemas, trovas, textos, fotos, títulos e diplomas redescobrimos essa mulher maravilhosa. A cada instante uma emoção renovada! Nas páginas revisitadas a lembrança de seu brilho e de sua inteligência privilegiada.

Encontramos num recorte de jornal, datado de junho de 1985: “Piquete se orgulha de sua poetisa maior”.
Na ocasião, mamãe assumia uma cadeira na Academia de Letras do Vale do Paraíba, num dos muitos momentos que viveu, de realização e reconhecimento de sua arte e de sua obra.

Indagamo-nos se hoje Piquete chora a partida de Mariinha Mota... Talvez seus pequeninos alunos, transformados por ela em artistas, declamadores, músicos e comediantes, hoje cidadãos adultos e responsáveis, preservem em seus corações a sua memória. Quiçá recordem o esforço e a dedicação da “Dona Mariinha” nos ensaios das apresentações artísticas; revejam o brilho dos desfiles do G. E. Antonio João e a sua incansabilidade na montagem dos quadros vivos da História do Brasil. Quem sabe ainda repercuta pelas ruas da cidade, em suas lembranças, o apito de Mariinha Mota regendo a impecabilidade da ginástica rítmica. Mais de um ex-aluno de mamãe, em momentos diversos, contou-nos que ela os “descobriu”, percebeu seus potenciais e, a partir de seu apoio e orientação, transformaram-se no que são hoje.

Mamãe partiu! Ela não precisa de lágrimas nem que lamentemos o seu desaparecimento. Legou-nos sua vida, sua história e sua luta. Deixou-nos a sua integridade, honestidade, patriotismo, fé e amor ao próximo.

Anos atrás, Mariinha Mota disse que se cada um de nós cumprisse apenas a tarefa que nos pertence, sem nenhum acréscimo de luta ou de esforço, apenas o que fosse de nossa responsabilidade, o Brasil e o Mundo seriam melhores. Tentamos atuar assim em nossa vida pessoal e profissional. Verificamos a cada passo dado, como eram corretas suas afirmativas. Mariinha Mota, contudo, fez mais do que lhe era devido. Acreditou na concretização dos sonhos e na beleza; educou, orientou, plasmou sempre. Amou sua família, sua escola, seus alunos e lutou por nós com todas as sua forças e crença.

Mamãe partiu! Piquete não perdeu sua poetisa maior, de quem um dia se orgulhou. Ela continuará brilhando e orientando nossos passos, através de seus poemas e de sua arte. Compete a todos nós que tivemos o privilégio de com ela conviver, prosseguir em sua missão junto às crianças carentes de educação, afeto e orientação.

Maria Auxiliadora Mota G. Vieira
Texto publicado no Jornal Cidade Paisagem
Piquete, Fevereiro de 2011
Publicação original:
http://www.mauxhomepage.net/piquete/suagente/despedida_mariinha_mota.htm

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Mariinha Mota: um olhar e um sonho

Mariinha Mota
- um olhar e um sonho -

 

Eu me acostumei com o brilho de seu olhar... Olhar intenso, brilhante, perscrutador, visionário. Absorvi todas as mensagens que ele transmitia sem palavras: aprovação, crítica, ternura, orgulho, confiança, cobrança, exigência, incentivo. Aprendi com ele e, mesmo distante, eu o sentia guiando meus passos. Em minhas lembranças mais primevas esse olhar está presente, ensinando, agregando, esclarecendo.

As primeiras imagens de mamãe, retidas em minha memória, apresentam-me seu jovem olhar sorrindo, enquanto me dizia versos que eu repetia, tentando decorá-los, pois ainda não sabia ler. Assim foi com o poema “Balada da Neve”, de Augusto Gil. Apesar de muito pequenina - três anos incompletos - e a dificuldade própria das crianças dessa idade, ela afirmava que eu conseguiria declamar corretamente, articulando as palavras difíceis sem gaguejar. Sob a força de seu olhar eu repetia:

“(...) E noto por entre os mais/os passos MINIATURAIS/ de uns pezinhos de criança (...)”.

E continuava o poema, com sentimento e interpretação intensos:

“(...) Que descalcinhos doriiiiiiiiiidos,/a neve deixa inda vê-los/primeiro bem definidos,/depois em sulcos compridos/porque não podiam erguê-los (...)”.

Essa força que ela transmitia em seu olhar e em suas palavras, a certeza da vitória se depois de estabelecidas as metas houvesse dedicação e esforço para atingi-las, direcionou nossa vida e nossas conquistas sempre. Mariinha Mota acreditava até no que parecia ser impossível. Não admitia limites nem barreiras.

Essa força tão intensa não era vivenciada e sentida apenas por nós, seus filhos. Ela transmitia a todos a confiança no sucesso. Apoiava, amava, plasmava, lutava por todos nós: filhos, alunos e amigos. Íntegra, patriota e sonhadora, usando a palavra e os versos, contribuiu na formação de gerações de jovens piquetenses. Mostrava a cada um como desenvolver os seus potenciais, cobrando mais do que pensavam poder obter – e atingia seus propósitos, ampliando horizontes, com a intensidade de seu olhar e a firmeza de suas crenças.

Mariinha Mota através de seus versos e de sua arte, impulsionada pela sua sensibilidade e inteligência, voou mundo afora nas asas de suas rimas. Apesar de seus inúmeros títulos, medalhas e prêmios, considerava como expressão máxima de sua missão na terra, cuidar de crianças, carentes ou não, colocadas aos seus cuidados como professora primária. Formada em Pedagogia e Letras - inglês e português - nos seus últimos anos de magistério lecionou para o segundo grau. Afirmava, contudo, que sua maior satisfação profissional acontecera entre as crianças do Grupo Escolar "Antônio João", onde labutara toda a sua vida. Meu maior orgulho, em relação a minha mãe, não se deve às honrarias e distinções obtidas, mas ao seu trabalho anônimo e fecundo como professora primária.

Sendo Mariinha Mota a personificação da poesia, somente se pode a ela referir em versos.
Recordemos o que nos legou.

Um dia, em trova antológica, definiu o que seria a suprema felicidade:

“Duas coisas pedi a Deus/nessa vida tão sumária:/Viver feliz junto aos meus!/Ser professora primária!”.

Mulher apaixonada registrava em seus versos:

“Então fiz desse amor que me inspiraste um dia,/ a escada que Jacó em sonhos viu surgir./ E que não tinha fim, ligando a terra fria,/ aos céus de luz e paz, de sonhos a luzir (...)”.

Mãe extremosa, recordando a perda do filhinho caçula:

“Filhinho, tão querido, és no mar da distância/a nossa Estrela-Guia, o Anjo da Ternura,/que as horas abençoa e enche de fragrância/como linda florzinha perfumada e pura (...)”.

Sonhadora e visionária repetia:

“Quero sonhar, sonhar intensamente/e em cascatas de luz compor meu verso./Quero sempre viver, conscientemente,/procurando as estrelas do Universo (...)”.

Amante de sua terra e de sua gente, em belíssimo soneto registrou a sua Cidade Paisagem:

“Existe uma cidade linda, acolhedora/almo ninho imortal de cálidos olores/de edênica paisagem, tela sedutora/domicílio gentil de rosas e de flores (...)”.

Com inquestionável confiança, acreditando em seu país, grafou:

“É o meu Brasil querido, o coração do mundo/gigantesco a pulsar em ritmo grandioso,/abrigando em seu seio nobre e tão fecundo,/um povo hospitaleiro, forte e generoso (...).” E concluía: “(...) No amor pátrio que inspira e toda a alma me invade/Agradeço ao meu Deus a benção, a caridade:/Ter nascido afinal em solo brasileiro!”.

Com sua fé inabalável, em dolorosos momentos da vida, saudou o Mestre: “(...) Amparada na luz da crença nobre e santa,/esperando o porvir que acalma e nos encanta,/ sabendo que em meu ser a sombra é transitória,//ante o Cristo eu irei, sustendo sobre os ombros,/a cruz da dor cruel, dos míseros escombros,/guardando dentro em mim, certeza da vitória”.

Dirigindo-se à Virgem Maria, em prece, destacou:

“Do vosso trono, Flor de Nazaré,/derramai vossas bênçãos de ternura,/escutai nosso cântico de fé,/nossas preces de amor, ó Virgem pura! (...)”.

Para a escola, a qual se dedicou por toda a vida, rascunhou a letra de um Hino:

“(...) Minha escola é tão bonita/que dá gosto a gente ver./Tem um pátio e um jardim/e na frente há uma praça/que é mesmo uma graça,/tão galante e tão florida.//Minha escola é a mais linda/de toda essa região./Minha escola que tem tudo,/tanta coisa de valor,/eu adoro a minha escola,/meu querido Antonio João.”

Definindo sua vida, transformando sua história e seu coração em um colorido jardim, Mariinha Mota compôs:

Cultivei longo tempo, em meu jardim,/gama gentil de prediletas flores:/cravos, rosas, boninas e o jasmim,/e um mar de perfumes e esplendores.//Um dia me cansei de todas elas.../Reformei meu canteiro de vaidades/plantando só violetas, tão singelas,/a flor representante da humildade!//E, todas as manhãs, eu vou colhê-las./Elas são para mim, roxas estrelas,/escondidas nas folhas, rente ao chão.//Assim, em minha vida, finalmente,/as violetas cultivo, unicamente,/no jardim do meu próprio coração...”.

Mariinha Mota nos deixou dia 26 de janeiro de 2011. Seu intenso olhar se apagou, mas ela nos legou sua poesia, sua força, sua fé e coragem. Talvez, em qualquer dessas noites de luar, surja no céu, bem perto dos Marins, como uma nova estrelinha, o olhar brilhante de Mariinha Mota nos permitindo novamente voltar a sonhar...

Maria Auxiliadora Mota G. Vieira
Texto publicado no Jornal "O Estafeta"
Piquete, SP - Fevereiro de 2011
Publicação original:
http://www.mauxhomepage.net/piquete/suagente/despedida_mariinha_mota.htm

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Pai, resista!

Pai,

Pai, viva por nós!
Não escureça o céu azul
que brilha em seu olhar,
norteando nossa vida...

Pai, lute por nós!
Não pare de sorrir...
A alegria de seu rosto precisa
colorir a nossa estrada...

Pai, resista por nós!
Seus conselhos sensatos,
hoje mal sussurrados,
precisam ser ouvidos e seguidos...

Pai, o envolvente som de seu piston,
há tempos emudecido,
ainda ecoa em nossa saudade.
Mas, não nos deixe, pai, só a lembrança.
Ainda é cedo...

Pai, não se apague nem cale.
Pai, não desapareça.
Ainda é necessária a sua luz.
Lute, pai, por favor...
Não nos deixe, ainda não, agora,
órfãos de seu brilho...

Autora: Mª Auxiliadora Mota G. Vieira (Maux)
"Poemas de uma Vida"
Poema escrito dias antes de papai nos deixar.
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Esta vida... Este sonho...

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Esta vida... Este sonho...

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Quimeras de menina, idealizei um dia,
um lar perfeito, filhos; um crescer constante.
Viver com muito amor a espargir alegria;
salpicar de ternura; me doar, amante.
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Segui por uma estrada, às vezes, tortuosa.
Enfrentei tempestades - me afoguei em pranto...
Sempre, em meio à procela eu pude, venturosa,
apoiar-me em teu braço, no teu forte encanto.
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Nós somos cinco hoje; muitos mais seremos.
A ternura floresce; este amor frutifica.
Engrossando as raízes, juntos seguiremos...
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Comovida e feliz, uma certeza eu tenho:
- da esperança mais linda, da ilusão mais rica -
a nossa realidade suplantou meu sonho!...


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Autora: Mª Auxiliadora Mota G. Vieira (Maux)
"Poemas de uma Vida"

Ernesto Cortazar. Historia de un Amor
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Tomando tua mão

Tomando tua mão

Tomando tua mão, segui na revisita
do traçado das curvas na estrada vazia...
Tentando recompor pegadas nesta pista,
procurando onde foi que escondi a alegria...

Tomando tua mão, percorri todo o canto,
buscando no passado a quimera perdida.
Por qual ruga do rosto me rolou o pranto?
Em qual vinco da testa, a ternura esquecida?

Tomando tua mão, segui atrás do brilho,
da ilusão, do sonho, da felicidade.
Catei a luz, a cor, reencontrei meu trilho...

Tomando tua mão, percebi teu carinho.
Estavas ao meu lado... Na realidade,
contigo eu tive amor e paz, no meu caminho.



Autora: Mª Auxiliadora Mota G. Vieira (Maux)
"Poemas de uma Vida"

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A um louco

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A UM LOUCO
(Compromisso de amor e felicidade cumprido através de décadas...)

Ao descobrir você eu encontrei a vida:
uma vida de sonho, uma vida de amor,
onde existe verdade e ainda há a esperança.
Uma vida só nossa! Nós dois, um ideal, 
um mundo de poesia onde impera o real, 
lado a lado com o sonho!

- "São dois loucos", dirão... 
"Desconhecem na vida 
o valor do dinheiro, 
do conforto e poderes...
Vivem só de ilusão..."

Nós riremos dos outros sendo os mais felizes.
O saber e poder entender a si próprio.
Cultivar tradições com eterno progredir.
Loucos! Sonhadores! Juntos seguiremos!!!

Viverei prá você, viverá para mim.
Viveremos o amor! Amor real e imenso.
Amor total a tudo. Amor sempre Verdade.
Amor sempre Presente. FUGA DA ROTINA!!!
Vida sempre Amor. Amor cheio de Vida!...

Autora: Mª Auxiliadora Mota G. Vieira (Maux)
"Poemas de uma Vida"

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Saudade...

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SAUDADE...

Sinto saudade de um sonho,
de uma sombra,
de um momento...
Sinto saudade de um tempo,
de um cheiro,
de um sorriso...
Sinto saudade de um instante,
de um toque,
de uma canção...

Sinto saudade do sonho
que não foi vivido.
da sombra que desapareceu
na curva da estrada,
do momento que passou
fugidio...

Sinto saudade do tempo
que ficou no passado,
do cheiro que se volatizou,
do sorriso que se congelou
num esgar...

Sinto saudade do instante
apagado da memória,
do toque que roçou minha pele
sem deixar marcas,
da canção que hoje,
ainda me faz chorar...
De saudade!...


Autora: Mª Auxiliadora Mota G. Vieira (Maux)
"Poemas de uma Vida"

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Na rotina da vida...


Na rotina da vida...

Na rotina da vida me perdi!
Olhos vazios de luz, mãos sem calor.
Bocas caladas de risos...
Na rotina da vida me entreguei!
Perdido o sonho, a ânsia de lutar,
esperando o futuro sem forma,
deixando o instante passar...
Na rotina da vida me esqueci!
Percorrendo estradas sem volta,
caminhando entre vultos sem nome,
vivendo sem nada a esperar...

Na rotina da vida me encontrei!
Revi meu rosto e o brilho.
Desenterrei quimeras...
Reconstrui os planos.
Despertei os sonhos.
Na rotina da vida me animei!
Vi crianças nascendo,
desabrochando em risos;
iluminando o sol, perfumando jardins...
Na rotina da vida me enxerguei!
- Sou hoje aquilo que outros também foram.
Meus filhos, o que eu fui...

Na rotina da vida percebi:
o mundo gira e tudo então retorna.
Os sonhos são iguais, as lágrimas e os risos.
Idênticas as esperanças...
Na rotina da vida eu reencontrei
semelhante ternura e o mesmo desespero...
Na rotina da vida a eterna previsão:
mais adiante, além, outros risos e prantos,
novas luzes e sonhos... Tudo recomeça!
É a rotina da vida!...

Autora: Mª Auxiliadora Mota G. Vieira (Maux)
"Poemas de uma Vida"
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Eis que o Tempo Passou...

3541597075?profile=originalEis que o Tempo passou... Perdida a juventude,
face enrugada, cãs, brilho apagado,
resta a imensa saudade nesta solitude,
de toda uma existência; de um prazo esgotado.
3541597075?profile=originalEis que o Tempo passou... Tão longe já se vai
a esperança, o sonho, as lutas de conquista.
Eis que o tempo passou... Nesta noite que cai
espectros desfilam pela minha vista.
3541597075?profile=originalAmores fenecidos, mágoas esquecidas;
Vitórias e derrotas; risos, pranto e dor...
Desenvoltas figuras, miragens queridas...
3541597075?profile=originalNo meu cofre de vida amealhei ternura.
Avarenta que sou armazenei o amor.
Eis que o Tempo passou... mas me legou ventura!
3541597075?profile=originalAutora: Mª Auxiliadora Mota G. Vieira (Maux)
"Poemas de uma Vida"

3541597075?profile=originalNDllNmE*NjhlMWJl.gifMy Heart Will Go On (Titanic) Taylor Davis - Violin

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Ser mulher


É ser mulher a dádiva mais linda
que um corpo e um coração podem alcançar.
Ser mulher é ser astro, ser capaz
de resumir em si tudo que existe.
Ser mulher é ser sempre encantadora,
podendo despertar as mil paixões:
- do filho amado a mãe estremecida,
- do adolescente, o sonho sensual,
- do esposo terno, a esposa devotada,
- do amante ardente, a tépida parceira,
- do homem inteligente, a companheira.
Ser mulher e saber ser sempre tudo,
sem permitir jamais que as sensações
se definam, se formem, corporizem.

É ser a imagem materna, a que dá vida,
que embala o filho e aquece o enamorado;
é ter ao seio sempre, apaixonado,
um pequenino ser ou o homem amado...
Ser mulher é ser feita de carícias;
ser mulher é ser plena de delícias.
É beijar ternamente o seu amante;
é desejar como amante o namorado.
Ser mulher é viver prá ser amada;
ser mulher é morrer de dar amor.
É ser fraca e, sofrendo, reagir;
sorrindo, erguer os ombros, sobranceira,
conseguindo ser forte e então agir.

Ser mulher é ser doce, meiga e terna,
sabendo ouvir e até obedecer.
É ser forte mas frágil parecer,
ajudar a crescer, sem dominar.
É saber ser amiga e companheira,
ser gentil confidente ou conselheira;
um ser inteligente e racional;
é procurar ser sempre interessante,
ainda quando boneca social...
É calar quando fala o seu amigo;
é ser sempre a mulher ou mãe de alguém,
- a luz bruxuleante de uma vela
revelando uma peça rara e bela -
sabendo ser só ela, aquela chama
que norteia os destinos e ilumina a estrada.
Acreditando na vida e no que quer
ser mulher é poder ser tudo, sendo nada!
Ser mulher é saber ser nada, sendo tudo!

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Autora: Mª Auxiliadora Mota G. Vieira (Maux)
"Poemas de uma Vida"
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