Posts de Arlete Brasil Deretti Fernandes (494)

PRATA BABPEAPAZ

Acalanto para uma noite de inverno

Chegou a noite longa a girar sobre os carrocéis do tempo.Profundo seja o meu sono, e os sonhos me ajudem na larga viagem pelaEscura madrugada, para que eu possa distinguir as encruzilhadas que precisoAtravessar. Vejo névoas que me impedem a visão clara. Conto com a voz do sentir.Sou feliz porque tu estás perto de mim, a envolver-me em teu abraço.Tua respiração é ritmada como o compasso da serenata da chuva.Meu coração em suas batidas pulsa ao ritmo do ventoQue lá fora varre as últimas folhas das amendoeiras nuas,Como a seiva que corre em minhas veias à espera da próxima estação.Meus pensamentos dirigem meu olhar à platibanda da janela ondeDescansa o vaso de flores coloridas que me deste em meu aniversário.As brasas que ardem na lareira estalam a conversar com as paredes.O tempo que passamos lado a lado, soma-se em anos,Como os gomos da cana de açúcar que à terra voltarão um dia.Espreitei a lua lá fora, pelo vão da cortina, hoje ela é um tênueRisco que se esconde do frio em um céu muito limpo.Quando setembro chegar com seus dias claros, e me envolverEm suas redes, mais uma vez o amor crepitará como uma fogueira acesa.O tempo, o vento, as estrelas que se escondem, tudo se moveE nós, como dois pássaros sobre a árvore cuja ramagem caiu nas águas,Deslizamos sobre o rio, a caminho do mar, desfrutando a paisagem.O pólen voltará com a nova estação, as águas da primavera,As folhas caídas às bordas do mato. Os sons do vento E a névoa úmidaque se renova com as sombras, a aragem da grama e os insetos..O dia lança suas tarrafas lá fora. A terra, o sol, a aragem matinal,As ondas espumantes, as conchinhas e o sal,Tudo a ti eu devo, cristalizados no nosso tempo,Como a seiva que faz brotar as folhas e florir as plantas na primavera.
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PRATA BABPEAPAZ

Sinfonia inacabada.

Silencioso dia a me cingir em seus teares,Que tramam fios, coloridos e invisíveis;Enquanto dos plátanos as folhas de invernocaem e se arrastam ao sabor do vento frio.Com sempre-vivas adornei meus alabastros.Quando te foste, levaste contigo meu coração.Os beijos da chuva não demoraram a chegar,E a transmigrarem-se em novas emoções.Crepita o fogo, esquento a água e bebo o vinho,Aqueço a alma, olho as espigas, esqueço a mágoa.O piano emudeceu, em seu canto ficou sozinho..Amar é uma viagem num caminho indecifrável,sinto fome de tua boca, e estou sedenta de teu amor.O cheiro do crepúsculo trás com ele uma saudade.
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PRATA BABPEAPAZ

Pássaro Ferido

Eles foram amigos de infância em uma pequena cidade do interior. Tinham em comum a vinda de suas famílias da Itália, no tempo da emigração.

Eram vizinhos. Correram juntos atrás de pássaros, de borboletas, de cabritos e de pirilampos, estes bichinhos mágicos com suas lanterninhas acesas.
Gostavam de espantar os frangos para vê-los espalharem-se cacarejando e soltando
penas para todos os lados. Procuravam ninhos de galinha de angola nos morros, estes sempre recheados de ovos.

Por muito tempo não souberam o que era calçar um sapato. Tempos bons, em contato com a Natureza. Brinquedos infantis, não existiam para comprar. Tinham que usar da própria criatividade para construir um carrinho, que para eles era a coisa mais linda. Saiam a correr imitando os sons de um automóvel.

Passados alguns anos, os pais os encaminharam para um seminário. Isto era comum nas cidades interioranas. Iriam ser padres.

Um deles tornou-se uma alta autoridade eclesiástica. O outro, preferiu casar-se e foi um honrado pai de família.

Em algumas ocasiões, visitavam-se. Suas conversas versavam sobre a igreja, as família e a infância feliz que viveram juntos.
A política do Vaticano, brevemente alçaria o clérigo a um cargo cobiçado muito importante.

O dueto de amigos, em uma de suas lembranças cômicas da infância recordou de um banho de rio. Ambos voltavam da escola para suas casas, em um belíssimo dia de verão. No meio do caminho resolveram banhar-se numa cachoeira, que estava convidativa e deliciosa, com suas águas frescas a correr em meio às pedras e a mata verdejante.

Como não podiam chegar em casa com suas roupas molhadas, porque naquele tempo a lei era vara de marmelo nas pernas, despiram-se e deixaram as vestes sobre alguns arbustos.

Mergulharam e nadaram naquelas águas cristalinas. Cardumes de peixes miúdos saltitavam. Aves gorgeavam. Era uma delícia sem igual.


Próximo a eles um belo pássaro caiu ferido, talvez por alguma pelotada. Tentaram reanimá-lo, mas não teve jeito. Observaram que a fêmea soltava um gorgeio
triste de cima de um galho de árvore, junto a um ninho com filhotes.

Esqueceram-se das horas. Após algum tempo saíram da cachoeira, mas ao procurar sua roupas, elas não estavam mais no lugar onde as deixaram.

Alguém que ali passara as escondera para pregar-lhes uma troça. Saíram pelados,
sem saber o que dizer em casa. Quando viram o vulto de alguém a caminhar, subiram em uma alta árvore copada para não serem vistos naquele estado.

E os dois, agora na idade adulta, comentavam com alegria muitos episódios.
Muitas recordações traziam-lhes lágrimas aos olhos. Lembraram-se do pássaro ferido de suas infâncias.
Num determinado momento o clérigo tinha seus olhos e sua alma a fitar ao longe, com um quê de tristeza. Seus cabelos eram grisalhos, era um belo homem.

Como aquele pássaro ferido de sua infância ele optou pelo cargo eclesiástico,
que seria uma honra para sua terra e para seus familiares. O ninho que planejou construir para sua amada, não chegou a existir.

E ele comparou a sua dor com a dor daquele pássaro que tentaram reanimar. Mas aí, já era tarde para voltar atrás.

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PRATA BABPEAPAZ

Ciclo inexorável

Sinto-me cercada de todos os mistérios,da essência de todas as vidasda existência universal.Observo a perfeição da Natureza,o nascer luminoso de mais uma manhã,o formato geométrico de um favo de mel.No relógio do tempo a ampulheta seguedevagar, mas inexorável como a lei que marca.Enquanto isto passam lentos ou rápidos os dias...Nem todos tem inquietudes,Mas eu as tenho, e por isso, nestes ciclospermanentes revejo minha bagagem e o meu papel.Que terei para levar neste trajeto sem fim?- A alegria de viver?A gratidão por tantas bênçãos?A depuração no sofrer? Tudo isto e muito mais.Meus amores, amigos, afetos, lições e aprendizagens.Sonhos concretizados, outros frustrados.Sei que em todas estas andançasFiz a minha parte, chorei, sorri e aprendí.O que ainda me for permitido, eu vivo, viverei e viví.
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PRATA BABPEAPAZ
“ Irmã, Sóror Saudade, ah! se eu pudesse,Tocar de aspiração a nossa vida,Fazer do mundo a Terra PrometidaQue ainda em sonhos às vezes me aparece!"Américo DurãoFlorbela Espanca por outros poetasUm modelo de inspiracao de Florbela foi o poeta Americo Durao que encontroudurante os seus estudos em Lisboa e que é o criador do nome Soror Saudade como ele assim chamou Florbela num dos seus poemas, nome que Florbela posteriormente usou como o nome da segunda coletanea o Livro de Soror Saudade.Florbela Espanca causou grande impressão entre seus pares e entre literatos e público de seu tempo e de tempos posteriores. Além da influência que seus versos tiveram nos versos de tantos outros poetas, são aferidas também algumas homenagens prestadas por outros eminentes poetas à pessoa humana e lírica da poetisa.Manuel da Fonseca, em seu "Para um poema a Florbela" de 1941, cantava "(...)«E Florbela, de negro,/ esguia como quem era,/ seus longos braços abria/ esbanjando braçados cheios/ da grande vida que tinha!»".Também Fernando Pessoa, em um poema datilografado e não datado, de nome "À memória de Florbela Espanca", descreve-a como "«alma sonhadora/ Irmã gêmea da minha!»".Florbela foi do interior, Évora, para estudar em Lisboa. Tinha vários amigos intelectuais.Os Versos Que Te FizDeixa dizer-te os lindos versos rarosQue a minha boca tem pra te dizer !São talhados em mármore de ParosCinzelados por mim pra te oferecer.Têm dolência de veludos caros,São como sedas pálidas a arder ...Deixa dizer-te os lindos versos rarosQue foram feitos pra te endoidecer !Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda ...Que a boca da mulher é sempre lindaSe dentro guarda um verso que não diz !Amo-te tanto ! E nunca te beijei ...E nesse beijo, Amor, que eu te não deiGuardo os versos mais lindos que te fiz!
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PRATA BABPEAPAZ

BOLINHAS DE SABÃO

A menina de vestido bonito,Lá no topo da escadaSolta bolinhas de sabãoE as observa admirada!Multicoloridas bolinhasQue voam nas asas do vento!!!Vestido de bolinhas, esvoaçante,Lá no topo da escada!A menina embevecida e deslumbranteSonha que as bolinhas seguem sua estrada,Sem saber que da vida se acorda num instante,E as bolinhas explodem no ar, espatifadas!!!
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PRATA BABPEAPAZ
Lagarta, com muitos esforços saí do casulo: metamorfoseei-me.Mariposa, vaguei por muitos espaços, queimei as minhas asas em algumas lâmpadas.Borboleta irriquieta e colorida, busquei o néctar em cada flor que posei, etambém ali deixei o pólem fertilizante da paz. Suas cores e perfumes interpretei.Quis voar até o alto de montanhas escarpadas, que minhas asas trêmulas tentavam alcançar.Algumas vezes estatelei-me no espaço muito elevado para minhas frágeis asinhas.Planta, podei ramos, e com muita dificuldade eliminei pragas daninhas queme sufocavam. Que se iam e que voltavam.Grama, catei inços antes que tomassem conta do meu lindo tapete verde glauco, mas meus métodos eram ainda muito precários....................................................................................................................................O fato é que desembarquei numa madrugada de inverno, quando o sol jáexpandia seus primeiros raios.Uma freira alemã me banhava, conversando comigo em sua língua!!!Cresci e inquieta percorri caminhos diversos, todos muito rígidos, atéque um dia encontrei aquela estrada que tocou meu coração.Desde criança sofri dores que nunca imaginara sofrer: as dores da alma.Amei e amo, e aprendi o significado da dor.Hoje foi-me dada a missão de semear as sementes que encontrei noutras paragens.Numa das curvas da minha caminhada havia um out-door onde estava escrito:- Finalmente encontraste o que tanto procuravas!!!Comecei, desde aquele dia então, a percorrer o caminho do arco-íris!!!
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PRATA BABPEAPAZ

Quadros que a Natureza pinta.

Dias muito especiais foram aqueles em que vivi com minha família, no terceiro piso, em frente ao mar.Mudamo-nos para lá no dia 31 de dezembro de 1998 e já festejamos o Ano Novo que chegava, apreciando os fogos que o saudavam, reunidos no terraço.Com o suceder dos dias de verão, a beleza do mar vista lá de cima era indescritível. A cada dia o oceano apresentava novas nuances e formas. Suas cores variavam do verde turquesa ao azul. Apresentava ondas retas e outras enviesadas.Do terraço via-se esta beleza. No meio do azul algumas vezes apareciam sombras escuras. Eram os cardumes de peixes que se movimentavam de um lado para outro.Bandos de pássaros passavam em revoada e pousavam nos matos de alguns terrenos baldios para comer as sementes das plantas. Eram os chamados «Bicos de Lacre». Seus bicos eram vermelhos, muito graciosos.Um gavião imponente, com as asas de grande envergadura, passeava na região todas as tardes. Sobre o telhado, canarinhos soltavam lindos trinados. Em um orifício do poste de concreto que fazia a iluminação pública, bem próximo à sacada, apreciávamos a entrada de canários fazendo seus ninhos.Nas travessas de sustentação do transformador de alta tensão, o construtor da floresta, «João de Barro,» com vários companheiros, construíram suas casas. E, segundo a sabedoria popular estes pássaros constroem suas casas com a única porta de entrada sempre virada para o lado contrário de onde os ventos irão predominar naquele ano.Este pássaro, pelo amor que tem pela companheira, não admite infidelidade. Algumas casas deles que foram encontradas com a entrada lacrada, quando quebradas pela mão do homem, lá dentro encontravam o esqueleto da fêmea. Ao sentir-se traído, o pássaro aproveita o repouso da sua amada e obstrui a saída.Outro fator de mudança deste construtor, é pela invasão de sua residência por pássaros preguiçosos, como chupins e pardais que invadem e se estabelecem.Arquitetos já pesquisaram sobre a resistência desta obra natural e ao fazer a análise do material constataram que a substância que dá a liga é proveniente do organismo do próprio passarinho.Voltando da digressão, à noitinha, quase à hora do crepúsculo, garças brancas passavam em revoada, formando desenhos geométricos, quando se recolhiam aos seus ninhais para passar a noite.Chegado o tempo, as baleias apareciam, procurando águas menos frias e davam verdadeiros espetáculos. Apreciei, por horas seguidas, uma enorme baleia a brincar com seu filhote. Era um bailado muito gracioso.Todos estes quadros perfeitos e ainda as duas ilhas, a Sant’Ana de Dentro e a Sant’Ana de Fora, faziam-me sentir irmã da Natureza. Estas ilhas, em épocas remotas soltaram-se da Serra do Mar, que costeia o litoral.Em outra parte da praia, meninos soltavam pipas coloridas.Dentro de casa, a samambaia de metro recebia o sol da manhã que saia do mar com toda a sua imponência. Ela caía viçosa pela escada em caracol.Nas noites de lua cheia a beleza era deslumbrante. Aquela bola gigante surgia do meio das duas ilhas, e seus raios iluminavam as ondas do mar e brilhavam nas águas do oceano com toda a imponência.Eu me sentia próxima da Criação e de seus movimentos. Uma tarde apreciei uma corrida de cachorros na praia. Para mim aquilo era uma novidade porque os animais organizavam-se sozinhos e corriam um ao lado do outro para o sul e para o norte.Foram dois anos das mais belas sensações.O primeiro inverno que lá passamos chegou cedo, em abril. Amanheceu um vento sul gelado que assobiava na cumieira da casa. Em compensação, o sol despejava seus raios generosamente por todos os lados, desde a hora que surgia até ir-se embora.Do próprio quarto de dormir, minha filha via de manhã cedo se as ondas estavam boas para surf. Mesmo no inverno, vestia o macacão de surf e ia para o mar. Chegava em casa com os pés arrocheados do frio, mas amava curtir as grandes ondas, desde criança havia feito uma bela amizade com o oceano. Conhecia-o bem, e por isto o amava e respeitava sem nenhum temor.Os meninos também deliciavam-se com toda aquela liberdade. Mesmo assim todos eram disciplinados com os estudos. Um deles fazia o cursinho pré vestibular. E para a alegria de toda a família ele conseguiu passar para o Centro Agro Veterinário em Lages, na Universidade Estadual.Sonhei, numa das noites, que ondas gigantes invadiam as janelas de minha casa. Em outra, que eu nadava em um mar muito extenso, mas conseguia sair na outra margem. Só depois de algum tempo compreendi que estes sonhos preparavam-me para outra realidade, que num futuro próximo eu teria que viver.Todos estes momentos gravaram-se indelevelmente em minha alma. Pecotche ensinou-me que «recordar é dar de volta ao coração». E é isto que estou a fazer agora.
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PRATA BABPEAPAZ

Estrada de ternura

Vou guiando meus passos na estrada da ternura.
Meus pés pisam firmes, silenciosos, macios...
Enquanto a sensibilidade de poeta
toca-me a alma e faz-me sentir o encanto
da magia da palavra, na doce brisa que sussurra.

A leveza de meus pés livres na relva.
O encanto da harmonia que se expande num frêmito,
em meu corpo suave e gotejante...
Encontro-me com a alegria, encanto-me com a poesia.
Amizade, amor, paixão, loucura.

É uma longa estrada coberta de suave textura.
São passos perfeitos, livres e enamorados,
Percorro a trilha que me conduz ao infinito,
Enquanto o vento forte acaricia-me com doçura.
Encontrei neste caminho a delicadeza e a ternura.

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PRATA BABPEAPAZ

A Quem muito amei

Queria ser uma flor, a rosa.
De todas a mais delicada.
Queria ser pedra preciosa
que cintila ao sol, na madrugada.

Ao surgir de seus primeiros raios,
a iluminar a natureza inteira,
eu saio a vagar, a procurar-te,
até chegar a lua branca e faceira.

Meu destino será amar-te para sempre,
a plainar pela imensidão do Universo,
qual ave a chamar a companheira.

Esta cicatriz jamais se fechará,
espero encontrar-te em outra vida,
minha saudade só assim se aplacará.

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PRATA BABPEAPAZ

Noite de Verão

Numa linda noite de verão,
cortas-me a respiração,
brota-me a inspiração,
sobe da areia,
enquanto brilha dengosa
a lua cheia.
sensações doces e salgadas,
sonhos gostosos
que levaram séculos para chegar aqui.
Como estrelas cadentes descem velozes
até o horizonte, ora verde, ora azulado
que cingem as nuvens em quadros surreais.
Ah, este cheiro de maresia,
a vida a pulsar e a nascer, há milhões de anos.
E este cheiro gostoso de mar,
Mar potente, enorme, mar poderoso e premente.
Mar que sobe límpido,
cheio de vidas coloridas,
o sal que te tempera,
luzes que em tua superfície se refletem em desalinho.
A vida lateja e pulsa.
A vida cambiante e calma.
Engoles tudo, mar violento e voraz.
A estrela, a baleia, mil vidas coloridas,
E eu, aqui, tentando te decifrar!

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PRATA BABPEAPAZ

Os mistérios da noite

Noite escura e silenciosa,Ouço o bailado suave de uma folha que cai.Os mistérios da escuridão passeiam de galho em galho,De astro em astro, nas órbitas siderais.Mais adiante um pássaro noturno pia,Uma ave corta veloz os ares.O boitatá lança labaredas ao longe,a mula sem cabeça e o saci-pererê saem correndo.A coruja, na caça aos ratos, que deixamNa urina fluorescente seus rastros.Ao capturar sua presa, para o alto retornaE novamente põe-se a espreitar.Recolho-me ao meu recinto.E o tic-tac do relógio no silêncio do quarto,Parece-se com um carrilhão.Uma lagartixa corre a parede em diagonal.Da janela agora aberta, vejo no espaço sideralMilhares de pontos brilhantes. A nuvem escura recuou.E o borborinho dos pequenos seres, ouço agora.Uma rã coacha e formigas surgem do nada.Quem sou, quem fui, onde estou?Pus-me a subir e lá de cima enxerguei.Nuvens algodoadas e mares imensos.- Quem sou eu, neste universo sem fim?
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PRATA BABPEAPAZ

O pó das estrelas

Passei neste caminho há muito tempo,Há milhares de anos percorridos,Algo ficou que por mim foi reconhecido...Estas nuvens, a luz, a vida,Crianças correndo,Injustiças acontecendo...Meus filhos, meus amores,Bichinhos de estimação.Encontros, adeus, dores e saudades...Foi ontem, na noite do passado,Que se encaminha para o dia de amanhã,Que reinterpretei meus sonhos...E aprendi algo mais:Hoje sou mais que pedra, planta e animal,Sou um ser que se resgata...Na matéria, sou como o pó das estrelas,Feita de zinco, cobre e cal,Meu espírito é o elo da essência universal...
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PRATA BABPEAPAZ

TEMPESTADE E BONANÇA

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Sem limite ou direção,
forte e tresloucado vento,
por que carregas contigo,
todo este triste lamento?

Enquanto as águas tamborilam no telhado,
vergam-se casuarinas lá fora,
e a voz da montanha solta um triste gemido,
pássaros enfiam-se nos ninhos com alarido.

Veloz desce o rio de águas turvas,
das calhas escorrem apressadas chuvas.
Nuvens escuras parecem tudo desafiar,
como figuras de monstros de bocas abertas,
,
querem pela frente tudo abocanhar.
Riscam o horizonte fortes raios de luz,
Cada ser se aquieta em seu refúgio,
Onde protege-se do forte vendaval.

Suas forças potentes, a Natureza silencia.
E volta ao normal e à paz, tanta grandeza reverencia,
enquanto no galho de uma árvore um pássaro canta:
“Depois da tempestade, vem sempre a bonanza”.

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