Posts de Arlete Brasil Deretti Fernandes (494)

PRATA BABPEAPAZ

Águas de setembro

 

No palco da Natureza

Uma sinfonia de seres

prepara-se para abrir o

espetáculo da primavera
.
A rosa enredou-se entre o muro,
A compor uma nova alegoria,
As folhas reverdecem
Cai a tarde, a hora da saudade.
 
Surge errante a lua no horizonte.
Sapos coaxam e grilos cricrilam.
Uma aragem de flores e plumas chegam devagar.
Setembro corre veloz e anuncia a chegada de nova estação.
 
Os brotos voltam a reverdecer, como as nossas esperanças de um mundo mais feliz que temos que reconstruir.
As flores reabrem mostrando-nos belos coloridos, embora suas vidas sejam curtas, nao negam-nos sua beleza, viço e perfume.
Já ouviste o canto de uma flor quando oferece generosamente suas pétalas, suas cores e seu perfume?
O beija-flor bailando vem visitá-las e passa o pólen para as demais enquanto traça retas nos ares.
 
As abelhas vem beijá-las e com as joaninhas enfeitam a Natureza .
É preciso ouví-las, olhar o seu zumbido misturado ao som do vento,
até chegarem em seus favos e depositarem o mel delicioso que oferecem.
Tudo é movimento   Uma folha treme ao meu lado.
O show da vida continua seu ciclo enquanto adentra a noite e amanhece a primavera
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PRATA BABPEAPAZ

Arvores Amigas

 

 

 



No dia 21 de setembro lembrei-me de homenagear as nossas amigas árvores. 
Recordei-me do tempo em que estive na Escola Primária e que religiosamente neste dia cantávamos o Hino Nacional Brasileiro e o Hino à Árvore. A letra do mesmo permanece até hoje em minha memória: - “Cavemos a terra, plantemos nossa árvore, que amiga sincera ela aqui nos será...” As vozes das crianças ecoavam longe enquanto alguns alunos plantavam as mudinhas.

Naquela época os madeireiros já compravam terrenos muito baratos de alguns colonos que não tinham noção da riqueza em madeiras que havia ali.
Hoje, ocorre uma grande devastação de nossas matas, todos sabemos.

Lendo uma Revista sobre a influência da cultura alemã no Brasil, “Educação em Linha,” da UFRJ, encontrei um artigo valioso sobre a Conservação da Natureza, onde José Lutzemberger diz: 

“Um dos maiores desastres da atualidade, que está na base de muitos outros desastres, é o fato de estar a maioria das pessoas, mesmo as que se dizem cultas e instruídas, totalmente desvinculadas espiritualmente da Natureza, alienadas do Mundo Vivo.

As pessoas nascem, se criam entre massas de concreto,caminham ou rodam sobre asfalto, as aventuras que
experimentam lhes são proporcionadas pela TV ou vídeo.

Já não sabem o que é sentir orvalho no pé descalço, admirar de perto a maravilhosa estrutura de uma espiga
de capim, observar intensamente o trabalho incrível de uma aranha tecendo sua teia. Capim, aliás, só bem
tosadinho no gramado, de preferência quimicamente adubado! Se não estiver tosado, é feio! Na casa, a desinsetizadora mata até as simpáticas pequenas lagartixas, os gekos.”” 

FOLHA SECA NÃO É LIXO

""A luxuriante Hiléia, a floresta tropical úmida da Amazônia, floresce há milhões de anos sobre ossolos que estão entre os mais pobres do mundo. Este fato intrigava muito cientista. O grande cientista alemão, explorador da Amazônia, Alexander Von Humboldt, ainda pensava que a floresta tão viçosa, altae densa, era indicação de solo muito fértil. Como pode haver tanta vegetação, crescendo tão intensivamente,sobre solo praticamente desprovido de nutrientes?

O segredo é a reciclagem perfeita. Nada se perde, tudo é reaproveitado. A folha morta cai ao chão, é
desmanchada por toda sorte de pequenos organismos, principalmente insetos, colêmbolos, centopéias, ácaros,
moluscos e depois mineralizada por fungos e bactérias.

As raízes capilares das grandes árvores chegam a sair do solo e penetrar na camada de folhas mortas para
reabsorver os nutrientes minerais liberados. Poucas semanas depois de caídos, os nutrientes estão de
volta no topo, ajudando a fazer novas folhas, flores, frutos e sementes.A floresta natural não necessita de adubação. Assim a floresta consegue manter-se através de séculos, milênios e milhões de anos. A situação não é diferente em nossos bosques subtropicais, nos campos, pastos ou banhados. A vida se mantém pela reciclagem. Assim deveríamos manter a situação em nossos jardins.

A situação não é melhor nas universidades. No Departamento de Biologia de uma importante universidadede Porto Alegre, encontra-se um pátio com meia dúzia de árvores raquíticas. Ali o solo é mantido sempre bem varrido, nu, completamente nu! As folhas secas são varridas e levadas ao lixo. Não distinguem sequer entre carteira de cigarro, plástico e folha seca, para eles tudo é lixo. Já protestei várias vezes. Os professores e biólogo nem tomam conhecimento.”” (José Lutzemberger)

Quem foi José Lutzemberger?

Pioneiro da defesa do meio ambiente.
Nascido em Porto Alegre, formou-se engenheiro agrônomo pela UFRS em 1950 e fez pós-graduação em ciência
do solo na Lousiana State University, 1951-2. 
Após trabalhar em vários países, voltou à terra natal e tornou-se autônomo, inicialmente como consultor, depois como empresário.
Ao constatar os estragos causados pelos agrotóxicos na agricultura brasileira, assim como a devastação ambiental em
geral, ajudou a fundar um movimento ambiental militante, a AGAPAN – Associação Gaúcha de Proteção Ambiental, e tornouse conhecido no Brasil.
Dominando cinco idiomas (alemão, inglês, português, francês e castelhano), passou a ser conhecido mundialmente,
por intensa atividade de palestras e participação em movimento ecológicos na Europa, Américas, Ásia e África. Em
1987, criou a Fundação GAIA, para suscitar consciência ecológica e desenvolvimento sustentável, praticando e promovendo agricultura ecológica, regenerativa, educação ambiental para crianças e conscientização ecológica para a comunidade.

Recebeu inúmeros prêmios, condecorações e, em 1988, o Right Livelyhood Award, dito Nobel Alternativo. Em suas atividades e lutas, Lutzenberger usava linguagem forte e emotiva,mantendo-se, porém, estritamente dentro da visão e disciplina científica.
Foi Secretário Especial do Meio Ambiente em Brasilia, no governo do Presidente Collor, de março de 1990 até meados De 1992

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PRATA BABPEAPAZ

Aos poetas

 

imagem do google

Tua poesia é o termômetro do teu sentimento.
Como Quixote, ergue teu grito,
Vibra tua palavra,
Ouve estes ecos!

Não te entristeças pelo deserto
Que às vezes absorve tua voz!

A poesia que corre em tuas veias,
O lirismo de teus versos,
Buscam o homem,
Buscam a ti mesmo,
Buscam tua identidade essencial.

Coloca tua palavra a serviço da poesia,
E a poesia a serviço da humanidade!

Parte de teu âmago lírico,
Reveste tua voz da maciez das rosas,
Ou a enrijece no agudo aço temperado!

Tua frágil subjetividade lírica se fortalece
Quando assumes as causas humanas.
Neste mundo redondo és porta-voz do amor.
Busca acender a luz da esperança.
Como o sol que se põe e renasce,
sem jamais se cansar!
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PRATA BABPEAPAZ

Natureza, a PRIMEIRA Mestra.


imagem do google

Enquanto os rios correm para o mar,
As águas renovam-se sem parar.
Contornam obstáculos.
Oferecem-nos lições de flexibilidade,
De constância e de movimento.

O calor do sol que doura e aquece,
Evapora águas que transformam-se.
Nuvens, Chuvas, Lençóis freáticos.
Oceanos, Mares, Flora e Fauna.
Navegação, recreação, atividade.

As árvores flexíveis e de boas raízes,
Curvam-se aos vendavais e não se quebram.
Produzem sombras e frutos oferecem
Com toda a generosidade.
Aves em bando, formam desenhos unidas.

Há alma em todos os seres.
Farfalham as folhas ao vento,
Que carrega as sementes e o pólem.
Em tudo há lições de Harmonia e de Paz,
Nos quatro elementos: Terra, Água, Fogo e Ar.

O ar que respiro, forma ventos, mistura gases.
A água sacia a sede de homens, plantas e animais.
A Terra me acolhe, e tudo transforma,
O fogo me aquece e me ilumina.
Tudo carrega em si, belas lições de amor.

Eu, ser humano inteligente, leio-as, preciso
entendê-las.Também tenho missões a desempenhar.
“Na Natureza todas as partículas colaboram entre si.”
Como a árvore protege o arbusto novinho,
Que um dia cresce e dá sombra à mesma já cansada

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PRATA BABPEAPAZ

Missão do poeta




Para compreendermos melhor o que é o poético será bom entendermos que a divisão da literatura em gêneros é apenas um expediente didático-classificatório. Não é o verso o único veiculador de poesia. O caráter poético pode amalgamar-se com o narrativo, o dramático, o épico, em qualquer forma ou estrutura literária.

Literatura é comunicação. A arte literária objetiva a comunhão entre os seres humanos. E o desenvolvimento e aperfeiçoamento desta arte vamos adquirindo com o nosso esforço, o tempo, o estudo e a boa vontade.

Já que poesia é comunicação, a missão do poeta é comunicar os próprios sentimentos e emoções e os apelos da razão e da sensibilidade. A própria maneira de ver e interpretar tudo o que está à sua volta, com dignidade e ética na busca de princípios de paz, de justiça, de bondade, de denúncia, de amor, para que por suas palavras possa refletir e levar alguém à reflexão.

Pela palavra e pela união de princípios e valores surgem as idéias que podem melhorar o mundo à nossa volta.

É por isto que escrevi sobre o poeta catarinense Lindolf Bell, falecido ainda jovem.
E que em décadas passadas criou um movimento de declamar os próprios poemas em
praças, teatros e vários lugares públicos. Lindolf fez isto no Brasil e exterior e o fazia com um grande entusiasmo
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PRATA BABPEAPAZ

Viagem sideral.

 

Loucas viagens percorro
nos meandros de teu corpo.
Desço como se desce
a longínquos vales.
Subo, como se vai às nuvens.

Carícias, beijos,
abraços, desejo.
Constelações
assistem nossos laços.
Até Cupido
contempla-nos nos espaços.

A cavalgar
nas estradas do infinito,
Sinto a doçura
de tua ardente boca.
Rodopiam estrelas no cio
e anjos enamorados.
Zéfiro nos embala
em todos os sentidos.

Vênus belíssima
surge sobre o mar.
Com a lâmpada acesa
Psiquê se aproxima.
Descemos em meio
a abismos estrelados,
Uma orquestra toca um hino
em suave melodia.

 

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PRATA BABPEAPAZ

O Travesseiro

 Baseado no texto de Coletânea da Revista Logosofia, Tomo I, p. 27.

""O Travesseiro- seus segredos, sua virtude, sua discrição"".                     

Amigo de noites insones,
Confidente fiel, desde criança.
Discreto, ouve todos os meus sonhos,
Vê minha luz e alegria. Vê esperança.

Terno, em íntimo contato com
 
meu rosto e meus pensamentos.
Conhece minhas vitórias e
Também minhas saudades.

Lutas, cansaços, presenciou e me acalmou.
Foi meu refúgio, segredos escutou.
Lágrimas nele derramei e o encharquei,
Ouviu meus soluços e angústias.

Serenou-me em horas angustiosas,
Aconselhou-me, com candura.
Amparou-me, como o regaço de um anjo,
Foi e é meu abrigo de ternura.

Quando doente, me aconchegou e acompanhou.
Foi paz, a receber-me quando estive triste,
Ou quando a adversidade me visitou.
Ah, companheiro, quanta lealdade!
Com humildade, serve e nada exige em troca.

Meu fiel travesseiro, em ti gravei minha história,
A essência de minha vida, que só Deus lerá.
E será em ti que gravarei meu último suspiro
E que minha última lágrima ficará.
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O limoeiro

O limoeiro

Este limoeiro já foi um delicado arbusto que nasceu espontâneo no canto do jardim. Com as podas transformou-se numa árvore forte e esparramou seus ramos, fazendo sombras e ocupando um grande espaço. Seus frutos, que são muitos, sempre foram distribuídos aos vizinhos. Um de seus galhos, com muito viço, alcançou o espaço da rua, começando a atrapalhar a passagem de automóveis. Teve que ser cortado.

O pior de tudo, o que me impede de executá-lo, são os ninhos de jurití e de outros passarinhos que abriga. Nossa cidade-ilha tem o privilégio de possuir áreas de preservação e outras ilhas menores próximas, que abrigam ninhais. Assim, vemos aqui passar belos pássaros, como a gralha azul, que eu imaginava sobreviver somente no planalto, tendo-se em vista que são plantadoras das pinhas, as sementes comestíveis das araucárias.

Uma cena linda a observar-se desde a chegada da primavera é o coro de pássaros a gorgear em frente à casa, quando começa a clarear o dia. E, quando ainda é escuro e alguém se acorda e acende uma luz, as avezinhas iniciam os gorgeios.

Recordo-me de que, com meus meninos, apreciávamos as juritís e outros pássaros miúdos se acercarem do limoeiro com capins secos ao bico, para construirem seus ninhos. Quando uma jurití descascou seus ovos, um dia vimos um filhotinho caído sobre um banco do jardim. Imaginamos que, ao dar o primeiro vôo, ele não teve força nas asinhas e caiu. E a mãe-pássaro o olhava do galho do limoeiro, em gorgeios que, certamente, só eles compreendiam. Comentei com meus garotos que comigo apreciavam a cena: - Quando os filhotes não têm coragem de voar do ninho, a mãe lhes dá um empurrãozinho e eles alçam voo.

Naquele momento tão lindo e até bucólico, eu não poderia suspeitar que meus filhotes, pouco tempo depois voariam de nosso ninho, e para muito distante. Um deles não voltaria mais. Não queiram imaginar como este ninho ficou silencioso... Muitas vezes, ao cair da tarde, ouço a jurití soluçar. Parece um grito de saudade.

 

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PRATA BABPEAPAZ

O Maluco corajoso

 

O Maluco corajoso

Há pessoas que em suas atitudes fogem dos padrões comuns. Não sei se as classificaria de corajosas ou de malucas.

Um destes malucos corajosos era comandante da Base Aérea. Sobrevoava esta região de belezas com um avião da FAB.

Ver lá do alto a Ilha, o arquipélago, este mar azul nos dias de sol, é um privilégio de poucos.

Avistar a cidade que é feita de belezas da Natureza entremeadas com uma bela História que os monumentos mostram, faz parte deste privilégio.

Marco da fundação da cidade, o vicentino Dias Velho, em 1675, fixou uma cruz onde foi posteriormente erigida uma pequena igreja. Naquele adro o fundador morreu em 1687 pelas armas do pirata inglês Robert Lewis.

A Catedral Metropolitana foi alí construída no ano de 1700, elevando suas torres, de frente para o mar.

As torres das igrejas e catedrais, tiveram desde a antiguidade um objetivo: - O ser humano sentir-se do tamanho de uma formiga ao olhar para cima. Daí ver-se como um pobre coitado que precisa ser dependente.

Os recursos da inteligência humana, se conhecidos e bem usados, permitem que o homem se auto-baste, e que observe e reconheça o Criador na Natureza inteira, em cada partícula.

Pouquíssimos imaginam que estas torres já serviram de alvo para acrobacias aéreas.

Numa das rasantes que costumava fazer com o avião que pilotava, numa bela e ensolarada tarde de verão o piloto teve como alvo as torres da catedral. Mas não foi com intenção de terrorismo, e sim de habilidade.

Na sequência de rasantes, passa sobre a Praça XV e com uma asa do avião apontando para o céu e a outra para a terra, fez a aeronave passar no meio das duas torres. O cálculo foi exato.

Não houve risco de tragédia para a catedral e quem teve o privilégio de assistir, até hoje pensa que foi um sonho. Muitos disseram:

- Olhem este piloto maluco o que fez...

Conhecia os espaços aéreos como a palma de sua mão. E foi nestes vôos e explorações que descobriu as nascentes do vento nordeste, típico da região e reinante para o sul e para o norte.

Certo dia contou-nos sobre as suas observações. O vento nordeste formava-se na Enseada de Brito, no recôncavo daqueles morros da Serra do Mar. Ultrapassava o Morro da Cambirela e seguia para o sul. Havia outra nascente do mesmo vento na Ilha de Ratones.

Pela posição geográfica dos municípios de Laguna, Garopaba e Imbituba, era possível distinguir de onde o vento se originava. O nordeste que se formava na Enseada de Brito, atingia a Ponta de Imbituba. O que se formava nos Ratones atingia Garopaba até a praia.

Maluco-corajoso ia sempre a Imbituba, onde tinha amigos. Aterrisava na praia, por ser confortável pela largura da mesma e o solo resistente ao peso do avião. Deparou-se muitas vezes com o nordestão e foi aí que observou as origens do mesmo.

Até que ponto é bom ser maluco-corajoso na vida?

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Pitoquinha, exótica inquilina

Pitoquinha, exótica inquilina
 

Ao me recostar para dormir meu sono merecido, percebo que uma lagartixa grande e gorda cruza a parede do quarto. Eu já sei que sua morada é na floreira da janela, sob os vasos de flores. Gosto de flores á janela, gosto de flores por toda a parte.Agora, neste calor de verão, não fecho a vidraça, pois  é muito mais agradável sentir a aragem  passar entre as frestas das venezianas.

Não sei se este réptil tem algum parentesco longínquo com os jacarés ou crocodilos, pela semelhança, embora em ponto pequeno!

A lagartixa  mencionada está bem grande e fofa porque come mosquitos, moscas, aracnídeos, insetos em geral. É, portanto, um predador útil, daí a minha aceitação em vivermos mais ou menos próximas.

Periodicamente caço insetos por todos os cantos. Os que mais me irritam são os cupins, que nos meses de dezembro e janeiro, á tardezinha invadem as janelas abertas, onde perdem as asas e se infiltram em alguns móveis de madeira, menos os que foram confeccionados com madeiras de lei.  E eu, atrás, com um frasco de inseticida.

Meu receio é ser acordada no meio da noite com aquele bicho gelado chamado lagartixa em meu pescoço. Seria pior que a queda do  meteorito de Moscou! Já descobri que elas não caem da parede porquê têm pelinhos nos pés que as grudam. De certa maneira, acho até que me afeiçoei à bichinha, mas há alguns metros distante de mim.

Porquê a chamo de Pitoquinha? Porquê quando ela era menor, eu não a vi e tranquei sua cauda na janela, atorando um  pedaço da mesma.

 

OBSERVAÇÃO: Fiz uma pesquisa sobre lagartixas no Google e pude descobrir como esta bichinha é útil e interessante.  Faça você também!

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Onde estão as cigarras, os vagalumes e as borboletas?

Há momentos de nossas vidas que ficam gravados em nossos corações, como doces lembranças. Recordamos um perfume, um sabor, uma música. Marcel Proust, que muitos não gostam por considerá-lo muito minucioso, em sua Recherche descreve o efeito que lhe trouxe à lembrança, o cheiro das madeleines com chá, que tomava na casa da tia, quando criança. Considero-a uma descrição muito bela.

Fellini, em seu filme Amarcord, oferece lembranças muito saudosas e belas do seu tempo de criança.

Inúmeros são os autores brasileiros que escrevem as recordações da infância, desde José Lins do Rego no Menino de Engenho, passando por muitos outros, até chegar em Drummond, na sua querida Itabira.

Faz bem à nossa alma, praticar este exercício, sentindo como é bom sermos crianças. Como tudo era tão alegre, sem preocupações, sob a proteção dos nossos pais.

Quando chegam estas festas de final de ano, logo me vêm à mente e aos ouvidos o canto das cigarras. Lembro que começavam no início de dezembro, junto com as férias escolares. Mesmo sendo um som de taquara rachada, que afugenta os passarinhos, para mim até hoje tem uma magia especial.

Nos dias atuais não há mais cigarras, pois só as ouço nas lembranças auditivas. Muitas vezes eu encontrava a casca de uma cigarra, e minha avó dizia-me que a bichinha estourava a casca de tanto cantar!

Depois de um tempo elas desapareciam para voltar no ano seguinte, junto com as férias escolares e logo em seguida com o Natal.

Outra adorável lembrança eram os vagalumes, que com suas brilhantes lampadazinhas voavam pelos campos, e algumas vezes entravam por uma janela da casa. Pareciam-se com as lampadazinhas da árvore de Natal.

As borboletas eram outros seres encantadores, multicoloridos, que encantaram as lembranças de minha infância.

E hoje, onde estão as cigarras, os vagalumes e as borboletas?

dezembro-2010

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PRATA BABPEAPAZ

Quadros que a Natureza pinta

Quadros que a Natureza pinta

Dias muito especiais foram aqueles em que vivi com minha família, no terceiro piso, em frente ao mar. Mudamo-nos para lá no dia 31 de dezembro de 1998 e já festejamos o Ano Novo que chegava, apreciando os fogos que o saudavam, reunidos no terraço.

Com o suceder dos dias de verão, a beleza do mar vista lá de cima era indescritível. A cada dia o oceano apresentava novas nuances e formas. Suas cores variavam do verde turquesa ao azul. Apresentava ondas retas e outras enviesadas.

Do terraço via-se esta beleza. No meio do azul algumas vezes apareciam sombras escuras. Eram os cardumes de peixes que se movimentavam de um lado para outro.

Bandos de pássaros passavam em revoada e pousavam nos matos de alguns terrenos baldios para comer as sementes das plantas. Eram os chamados «Bicos de Lacre». Seus bicos eram vermelhos, muito graciosos.

Um gavião imponente, com as asas de grande envergadura, passeava na região todas as tardes. Sobre o telhado, canarinhos soltavam lindos trinados. Em um orifício do poste de concreto que fazia a iluminação pública, bem próximo à sacada, apreciávamos a entrada de canários fazendo seus ninhos.

Nas travessas de sustentação do transformador de alta tensão, o construtor da floresta, «João de Barro,» com vários companheiros, construíram suas casas. E, segundo a sabedoria popular estes pássaros constroem suas casas com a única porta de entrada sempre virada para o lado contrário de onde os ventos irão predominar naquele ano.

Este pássaro, pelo amor que tem pela companheira, não admite infidelidade. Algumas casas deles que foram encontradas com a entrada lacrada, quando quebradas pela mão do homem, lá dentro encontravam o esqueleto da fêmea. Ao sentir-se traído, o pássaro aproveita o repouso da sua amada e obstrui a saída.

Outro fator de mudança deste construtor, é pela invasão de sua residência por pássaros preguiçosos, como chupins e pardais que invadem e se estabelecem.

Arquitetos já pesquisaram sobre a resistência desta obra natural e ao fazer a análise do material constataram que a substância que dá a liga é proveniente do organismo do próprio passarinho.

Voltando da digressão, à noitinha, quase à hora do crepúsculo, garças brancas passavam em revoada, formando desenhos geométricos, quando se recolhiam aos seus ninhais para passar a noite.

Chegado o tempo, as baleias apareciam, procurando águas menos frias e davam verdadeiros espetáculos. Apreciei, por horas seguidas, uma enorme baleia a brincar com seu filhote. Era um bailado muito gracioso.

Todos estes quadros perfeitos e ainda as duas ilhas, a Sant’Ana de Dentro e a Sant’Ana de Fora, faziam-me sentir irmã da Natureza. Estas ilhas, em épocas remotas soltaram-se da Serra do Mar, que costeia o litoral.

Em outra parte da praia, meninos soltavam pipas coloridas.

Dentro de casa, a samambaia de metro recebia o sol da manhã que saia do mar com toda a sua imponência. Ela caía viçosa pela escada em caracol.

Nas noites de lua cheia a beleza era deslumbrante. Aquela bola gigante surgia do meio das duas ilhas, e seus raios iluminavam as ondas do mar e brilhavam nas águas do oceano com toda a imponência.

Eu me sentia próxima da Criação e de seus movimentos. Uma tarde apreciei uma corrida de cachorros na praia. Para mim aquilo era uma novidade porque os animais organizavam-se sozinhos e corriam um ao lado do outro para o sul e para o norte.

Foram dois anos das mais belas sensações.

O primeiro inverno que lá passamos chegou cedo, em abril. Amanheceu um vento sul gelado que assobiava na cumieira da casa. Em compensação, o sol despejava seus raios generosamente por todos os lados, desde a hora que surgia até ir-se embora.

Do próprio quarto de dormir, minha filha via de manhã cedo se as ondas estavam boas para surf. Mesmo no inverno, vestia o macacão de surf e ia para o mar. Chegava em casa com os pés arroxeados do frio, mas amava curtir as grandes ondas, desde criança havia feito uma bela amizade com o oceano. Conhecia-o bem, e por isto o amava e respeitava sem nenhum temor.

Os meninos também deliciavam-se com toda aquela liberdade. Mesmo assim todos eram disciplinados com os estudos. Um deles fazia o cursinho pré vestibular. E para a alegria de toda a família ele conseguiu passar para o Centro Agro Veterinário em Lages, na Universidade Estadual.

Sonhei, numa das noites, que ondas gigantes invadiam as janelas de minha casa. Em outra, que eu nadava em um mar muito extenso, mas conseguia sair na outra margem. Só depois de algum tempo compreendi que estes sonhos preparavam-me para outra realidade, que num futuro próximo eu teria que viver.


Todos estes momentos gravaram-se indelevelmente em minha alma. Pecotche ensinou-me que «recordar é dar de volta ao coração». E é isto que estou a fazer agora. Dezembro/2010

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PRATA BABPEAPAZ

Chiareta

Algumas referências reais desta história de vida é de um dos livros de meu falecido pai, "Apiúna nos Meus Apontamentos". Meu pai era historiador e pesquisava sobre A Colonização Italiana, alemã, polonesa e portuguesa no Vale do Itajaí, onde viveu muitos anos de sua vida.

Recordo-me, que ainda criança, quando Chiareta chegava na cidade e perambulava falando sozinha, as crianças sentiam medo e corriam a esconder-se.

No início do século passado, em muitas localidades catarinenses havia aldeias indígenas em plena mata.

Alguns colonizadores, muitas vezes ao embrenharem-se na selva, encontravam-se com os índios e os atacavam violentamente, provocando verdadeiras chacinas. Em contrapartida, os indígenas esperavam a ocasião propícia para revidarem com a mesma violência.

Chiareta, era uma senhora conhecida por todos na região. Em determinadas épocas, saia a perambular pelas estradas, com um saco às costas, e a falar sozinha com seus personagens imaginários. Muitos, principalmente as crianças, temiam-na, porque ela andava o dia todo em círculo vicioso. Ela ouvia vozes, discutia em italiano com vultos ocultos que lhe pareciam estar dentro das moitas, pastos e matas.

Certa ocasião, aproveitando-se os índios da ausência do chefe da família, um grupo de mais de cinquenta botocudos, na divisa entre Guaricanas e Apiúna, atacaram a casa, mataram a mãe de Chiareta, aos trinta e seis anos de idade, e duas filhas, com dez e doze anos respectivamente. Dois filhos pequenos, de seis e três anos de idade, escaparam da morte escondendo-se dentro de um bueiro.

No mesmo dia, no mesmo lugar, os índios atacaram outra família, com flechas e gritos de guerra. Dois filhos tentaram fugir, porém o pai não deixou, e usando uma espingarda calibre 16, que era carregada pelos dois rapazes, trocou tiros com flechadas, caindo morto um índio. Seus companheiros carregaram o cadáver aos ombros, desistindo da luta.

Ao se afastarem, admirou-se este chefe de família ao ouvir falar por um deles, em português, esta frase: - «Essa vocês me pagam»! Descobriu-se, depois, que quando os índios foram aldeados em José Boiteaux, que lá se encontrava o autor da ameaça. Era conhecido com a alcunha de «João Trovoada». Confessou que ajudou a atacar as duas casas. Não era índio.

Chiareta, na tenra idade de seis anos presenciou cenas de grande violência. Estas fortes impressões abalaram-lhe o juízo, manifestando desde então, sintomas de loucura. Casou-se aos vinte anos e teve filhos. Sempre vacilante e um pouco transtornada, mesmo assim trabalhava com eficiência em sua própria casa. Outra desventura contudo, penetrou em seu humilde lar, o marido estuprou a própria filha.

Abatida com o relato, foi possuída de sintomas agudos de loucura. Quando sua demência não era tão pronunciada, voltava para casa e cuidava dos filhos. Os vizinhos ajudavam-na.

Algumas vezes saía sem rumo, levando consigo os filhos. Estes frequentavam a escola, com dificuldades. Não obstante sua debilidade mental, tinha um instinto maternal extraordinário, dispensava aos filhos os maiores cuidados. Naquela época não existiam remédios para doenças mentais.

Lúcida ou não, era de grande retidão moral. Se as galinhas dos vizinhos botavam ovos em seu terreiro, prontamente devolvia-os. Tinha os maiores cuidados com sua limpeza corporal. Quando chegava a alguma casa, e vendo que não havia asseio, perguntava se não tinha areia ou cinza e ia limpando tudo. As panelas ficavam brilhantes.

Em idade avançada, vivia com uma filha, acariciando os netinhos, mas sempre com a aparência de doente.

Como Dom Quixote, Chiareta saía de seu pequeno mundo. O personagem de Cervantes nos seus delírios lutava contra os moinhos de vento, vendo-os como gigantes cruéis.

Chiareta lutava contra um mundo distorcido dentro de sua alma, de sua mente, muito mais cruéis os fantasmas, e maiores que os moinhos de vento.
Em sua imaginação via os monstros por onde andava. Os monstros que assolaram violentamente sua vida, desde a inocente idade de seis anos.

 

REFERÊNCIA

DERETTI, Miguel. Apiuna nos meus apontamentos. Porto Alegre: Editora Gráfica Dom Bosco, 1970.

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A Sabedoria do Universo

“A verdade raramente é popular” Brien Weiss

Amor,
Paz,
Tolerância,

Paciência.
Andam juntos
E não fazem barulho.

As marés, vão e voltam,
As ondas crespas rolam
Ora verdes, ora azuis,
A cambiar as cores. 

A terra gira sobre seu eixo.
O dia cumpre-se,
As estações se sucedem
Com perfeição.
Os anos passam
Sem nunca parar.
O sol levanta-se a cada dia
E cai, sem barulho
No espaço imenso. 
As estrelas, planetas,
Galáxias, seguem
Sua rota...
em silencio. 
Cada qual cumpre
Seu papel.
Sem violência,
Sem orgulho,
E com Sabedoria.
O oxigenio 
Penetra em nossos pulmões
E corpos, discretamente. 
Os grandes poderes
São calmos,
Sem orgulho,
Sem prepotência. 
Todos os seres
Vivem em suas órbitas
Ínfimas ou ampliadas,
Pelas quais são atraídos
Por afinidades!
Os cometas, andam sós
E perdem o rumo.
Os ventos carregam
Sementes que eclodem
Se caem em terrenos
Férteis.
E a flor perfumada
Pelo cheiro
é encontrada. 
O poderoso sol
Que  move planetas,
Beija sem machucar
A modesta violeta.
As vidas humanas também
São feita de ciclos,
Como pássaros
que migram, 
Aves em bando,
Movendo brancas asas.
Ligeiras como
os sonhos das crianças, 
Atravessam mares
e continentes,
E voltam para
os mesmos lugares.
A paz é humilde,
O amor é silencioso.
É preciso aprender
Com as lições
Que vêm da
Natureza...
Arlete Deretti Fernandes
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PRATA BABPEAPAZ

Um quadro ao entardecer

 

Um hábil pincel de artista,
No horizonte azul-escarlate,
Um divino quadro realista
Pintou quando caía a tarde.

Contemplo embevecida esta beleza,
A harmonização de todas as cores,
Que mesclam-se à natureza
E misturam-se aos meus ardores.

Momento inebriante em que me beijas,
Comigo, aprecias toda esta harmonia.
Adiante, um pássaro sobre as plantas adeja.

Para fotografar tão linda obra de arte,
Colorida pelas mãos do Criador,
na tela introduzí nossa historia de amor.
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PRATA BABPEAPAZ

Coração inquieto


Como pássaro saltitante,
Dentro do meu peito aberto
pulsa um coração inquieto.

 
Vai ao infinito e volta,
salta, pula, brilha e alucina.
Sem por os pés no chão,
 
alça seus vôos pelas plantações,
Pelos trigais maduros,
campos de girassóis e campina.

Se queres ficar comigo,
Atiro-me em teus braços.
E beijo-te, choro e rio,
 
chego ao delírio de amor.
Nossos beijos murmuram
canções em som mais terno.
 
É quando então
meu coração passarinho,
quieto pousa no ninho.
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PRATA BABPEAPAZ

A Vida Como Ciência


Encanto-me a observar as
Belezas sem fim que escondem-se
Nas entrelinhas do viver,
Como raízes de seringueiras que
Transformam-se em troncos.

Água, luz, lua, mar, rios, cactos,
Vida e amor seguem um ritual.
O oceano cheio de vida,
A paz que sinto num olhar.
Alegria, Amizade, Harmonia.

Cada minuto que passa
Jamais volta, a não ser lembrança.
Faz parte de um elo invisível
Que se aperta e se fortalece.
Que foge, se o deixo ir.

Sons de violinos ouço ao longe,
Adejo de experiência em experiência.
Rumores de insetos, ninhos de pássaros,
Colibri nas flores, suaves odores.
Doçura de mel, pedras insensíveis.

Uma outra face desta página que vi,
Amarga como o fel, o egoísmo,
a ignorância e a vaidade plantou.
São plantas espinhosas sem flor,
Por não terem aprendido o amor.

Folhas de cadernos,
Momentos resgatados,
Para sempre guardados,
Que ninguém poderá roubá-los
Às cavernas de minh’alma.

Que tudo recicla e acalma,
Observa, analisa, acata.
Registra e aprova se o merecer,
Fazendo de cada resultado obtido
Uma válida experiência para se viver.

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PRATA BABPEAPAZ

Registros de vida

Os dias passam velozes,
As horas correm.
Ciclos completam-se.

Quantas vezes o sol nasceu e se pôs,
Desde que cheguei neste planeta?

Quanto amei?
Quanto chorei?
Quanto sofri?

E neste cômputo geral,
O que aprendi?

Revejo,
Pontes que atravessei,
Encruzilhadas onde optei,
Decisões que tomei.

Em mares naveguei, sem me afogar,
No livro da vida, tudo estou a registrar.

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PRATA BABPEAPAZ

Ser poeta/ Estar poeta

                                         


Ser poeta,
Estar poeta,
Bancar o poeta...

Cumprimento a todos os poetas do PEAPAZ, pelo Dia do Poeta.
Aqui neste blog há grandes talentos.

Um pensamento de Roosevelt já me encorajou para fazer algumas
coisas em minha vida. É o seguinte:
“É muito melhor arriscar coisas grandiosas e alcançar triunfos e glórias, mesmo
expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito, que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta em que não conhecem vitória nem derrota”

Não me considero poeta. Não tenho esta pretensão. Eu estou poeta. Para experimentar, aprender e até, quem sabe me aperfeiçoar um dia. Tenho predileção pela prosa. Sou filha de escritor. Concluí um dos livros de meu pai, porque ele faleceu antes de o editar.
A literatura é uma arte, que nos distrai e ajuda a exorcizar pensamentos tristes, além de alcançar vários outros objetivos.

Há poetas que já nascem com talento. Aí as expressões líricas jorrarem com facilidade e em abundância. É a inspiração, que na antiguidade se atribuía às musas.
Além da inspiração há a “transpiração”, para se fazer uma poesia. É o trabalho intenso,o esforço em criar textos belos, bem trabalhados, que levam tempo.

A inspiração também depende dos estados da alma. Quando se está bem, alegre e feliz,a inspiração brota com mais facilidade.

Citarei algo que li num artigo do escritor Moacir Scliar, intitulado “O Mito do Escritor que Não Escreve”, e que penso ser interessante, por este motivo o estou dando a conhecer.
Trata-se de poetas e escritores famosos, se os estou a citar é por questão de ilustração apenas e imagino importante sabermos:
Rimbaud, (1854-1891), muitíssimo precoce, parou de escrever poesias aos 19 anos para exercer atividades comerciais. Paul Valéry (1871-1945) interrompeu sua carreira aos vinte e quatro anos e só retornou vinte anos após.
Stéphane Mallarmé (1842-1898), escreveu apenas sessenta poemas nos trinta e seis anos de sua vida de poeta.
No Brasil temos Campos de Carvalho (1916-1998), autor de A Lua Vem da Ásia (1956) , Vaca de Nariz Sutil (1961), A Chuva imóvel (1963) e que depois de O Púcaro Búlgaro (1964), interrompeu quase totalmente sua trajetória de romancista. O paulista Raduan Nassar, autor do lendário Lavoura Arcaica, que há anos não publica.
Moacir Scliar, em seu artigo: «O Mito do Escritor Que Não escreve» cita o seguinte: «Hoje em dia se fala do bloqueio do escritor, de uma inibição do processo criativo, este igualmente misterioso e que não depende da benevolência das musas.

Usando uma explicação freudiana, trata-se de uma falta de comunicação entre o consciente e o inconsciente. Neste residem as fantasias, inclusive as literárias e no primeiro, onde elas são passadas em termos literários. Por razões desconhecidas às vezes esta comunicação se interrompe.»

Concluirei com as palavras de Octávio Paz em relação ao poema e ao que lemos nas
entrelinhas:
“Também nós nos fundimos com o instante, para melhor ultrapassá-lo; também para sermos nós mesmos, somos outros”
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