Posts de Antonio Carlos Santos Rocha (14)

Celebra teu Natal ,meu amigo!

Celebra teu natal ,meu amigo
Meu ignoto amigo,parafraseando o grande filósofo Rodhen,digo:“Celebra o teu natal de teu Cristo interno,pobre nascituro,porem,nunca nascido.”
Ah!Prezado trabalhador braçal que da terra,retira teu sustento e leva o feijão para tua família,saiba que quando suspiras ao ter teu labor realizado,a Criança cósmica que habita teu cerne está prestes a nascer,contudo,quando lamentas teu cruel destino desta exclusão social,
fechas o canal por onde a beatitude surgiria,aplacando-te as angustias...
Ah!Pobre mãe que está a perder teu filho,ora pelos descaminhos,ora,por simples desatino de seu futuro...
Derrama,mãezinha tuas lágrimas em dobro,mas deixa que teu Cristo interno cante o acalanto da Madre Divina,a cantilena consoladora de tua alma...Celebra,pois, o natal de teu Cristo.
Caro colega médico que estás a beira deste moribundo paciente,que perdera,há tempo, a esperança de viver,verta,também tuas preciosas lagrimas da compaixão,ausculta a alma que chora e,não diga nada,nem uma simples palavra,porem,sinta,em silencio,o que este Ser,que,lentamente,se despede,e que gostaria de dizer a todos,mas,por medo,ou por fraqueza não conseguiu falar.Celebra o natal de teu Cristo interno,amigo e colega...
A ti que,por algum motivo,tem em tuas mãos este meu texto escrito de forma intempestiva,pois,sinto que minha alma se contorce ,chora com os paradoxos da vida,quando sofre ao ver o mundo dividido em bandeiras,a dos que comem e morrem de indigestão nesta data e aqueles que,com suas faces marasmáticas,consumidas,morrem de inanição,exatamente,no dia em que o Salvador nasceu...
Pobre de mim,creio,que celebrarei o natal,não de meu Cristo Cósmico interior,mas,o Jesus das grandes marcas,dos grupos econômicos.
Contudo,ignoto companheiro de leitura,peço pela mãezinha sofredora,pelo indigente de hospital e por que não dizer,por mim,”Celebra o natal de Teu CRISTO”
Um feliz natal sereno,sacro,simples,fraterno a todos!

Autor Antonio Carlos Santos Rocha
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Qu' este Deus não me basta! oração

3541943566?profile=RESIZE_710xQu’este Deus não me basta !
oração

Por aqui,minh’alma ,de mim, aparta...
Não em silenciosa,silente despedida,
Mas,na angustia do cessar uma vida...
Ah!Qu’este Deus,pois,não me basta!

Não faltou-me na meridiana primavera,
Nem no cantar noturno daquela cotovia,
Ah!Qu’este Deus ,contudo,não me via!
Auscultar meu doloroso cerne quisera...

Encantador de pura criança,inocente,
Mas,qu’a insana alma,diz”Não me basta!
Sufoque-a,que volte à viver ,novamente!
Ainda que delirante ,é ave serena ,tão casta....

Qu’este Deus revele do Silêncio a voz,
Na constelação distante e no tosco ninho,
Retumbante caos no canto de passarinho!
Tilintar d’ águas,caudaloso rio em sua foz .

Se o nascer da vida,qual berceuse calma...
Encantar,em mim,esta esquecida criança,
Juro!Ainda qu’a vida não deixe na lembrança,
“Qu’este Deus se basta em toda minha alma!”

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Imagens da Ilha de Saves

Imagens da Ilha de Saves

1- Acácias do caminho
2-O pinheiro do velho mosteiro
4-As fontes e o salgueiro

Acácias do caminho

Acácia cujo doce aroma exala,
Das amarelas flores do caminho,
Neste ermo não estou sozinho...
Calada minh’alma,ainda, fala.

Ocultas pelas sombras de ciprestes,
Qu’aquelas acácias amarelas caídas,
Faltam-me lembranças esquecidas.
Voltar àquela vereda d‘amor pudesse...

Pinheiro do velho mosteiro

Envergado ao vento,o pinheiro,
O silêncio mora na casa do vazio...
Grave cantochão ecoa do mosteiro,
Gotas d’orvalho ,cristais luzidios

Eterno Deus,pinheiro da ermida?
Olha o céu,assim, perseverante,
No mosteiro,claustro,toda uma vida
Acolhe em tosco ninho,ave errante.

O Silêncio do Santo Campo

O pássaro cansado , asa ferida,
Parou,da Primavera,o belo canto,
Silêncio no Campo,alma perdida!
A poesia cobriu,de versos,um manto...

A ilha de Saves,providencial abrigo,
Vale, onde da murta o perfume espalha
De sementes da Vida,tantas migalhas!
Trago,do silencio a Voz,sempre comigo...

A Fonte e o Salgueiro

E as frondes finas do velho Salgueiro,
Acariciadas pelas águas puras da fonte ,
Poemas alegres que escorrem qual ribeiro ...
Retornam saudosas por encantada ponte...

Da fonte ,do salgueiro uma lembrança,
A Ilha de Saves ,aos poucos,esquecida,
Era,ingênua ,mera fantasia de criança,
Não resiste, triste desencanto desta vida!

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Imagem da musa

 

 

 

 

 

Imagem da musa
Eponina valsa de Ernesto Nazareth

Revendo,da vida linhas,já,vividas,
Onde páginas brancas,vazio tempo,
Sobre o piano velha pauta,o lamento...
Rubra rosa murcha,fora da jarra antiga.

Ainda ecoa Eponina suave e mansa.
Da negra tecla,semi tona,semi morta...
Pétala alada caindo em sinuosa dança.
Pela brisa levada através da velha porta.

Não sei,pois,o que me aflige,agora!
Mas,da saudade, um tempo perdido...
Ah!Que o amor parecia esquecido!
Eis a razão por que minh’alma chora!

Amarela foto tão bela, branco lírio,
Olhos de chuva,fitavam distantes,
Quisera viver de novo,um instante...
Dizer à quem,assim, amava tanto!

Que não passara de ilusão, quimera...
Perdera,da musa,a gentil imagem,
Esqueci de mim,o que fui,enfim,pudera...
Insano delírio,ou torturante miragem?

Da negra tecla Eponina semi morta,
Antiga foto,branco lírio,daquela...
D’olhos de chuva,musa tão bela...
No passado, atrás da fechada porta.

 

 

 

 

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Derradeira promenade

 

 

 

 

Derradeira Promenade
Conduzido por um passarinho;


Crepúsculo se avizinha entre brumas,
Da casa d’andorinha,assim, combinado,
Levado à passear de volta à um passado
D’infância,uma lembrança feito pluma....

Guardada no peito em solitário asilo,
Saudade,ave que,ora canta,ora chora.
Em silencioso canto de sacras horas,
Libera-me d’angustia que trago comigo!

Meus olhos em derradeira promenade,
Conduzidos por irrequieto passarinho,
Descerraram a incerteza que me invade!
Ah!Que fora de ventura o meu caminho!

Incontido sentimento,tamanha euforia,
Roguei,pois levar-me à ignoto futuro!
Pobre andorinha aflita,cujas asas batia,
Em canto triste , gemente,adágio soturno...

Crepúsculo se avizinha ,pressagias brumas...
Com as abelhas sumiram pombinhas alvas,
Das flores tornara néctar amarga espuma...
Andorinha triste pousou-me na palma.

Das colinas de Golã caiam rubras estrelas ,
Orfãos dormiam,sem orações e amem!
Ai!Que morrera a andorinha ao vê-las!
Nesta derradeira promenade morri também...

 

 

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O lobo e a Lua

 

 

 

 

A lua e o lobo

“ Lua que,à noite profunda, me olha.”
“ Fala d’algo lacrimoso, plena ventura?”
Ai!Qu’esta fera contorce,deveras,chora!
Arranca das entranhas a cruel amargura!


Ah!Um lobo voraz habita em mim!
Não passam os uivos de choro triste,
Intui que um paraíso d’amor existe,
Esquecida lembrança,me traz,assim...

Lua .ora lasciva ora serena e tão bela ,
Cósmica pluma qu’elegante flutua,
Ante cantante murmúrio à capela...

Em lamento,todo o céu me olha e fala...
Morre em mim,o lobo sem ver a lua.
E Deus feito lobo adormece e cala...


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Re existir

Re Existir soneto

Acuda,pois,deste tormento insano!
Que basta em si mesma,alma terna!
Re exista,silente, lágrimas do pranto.
Semi morta esquecida em fria caverna...

Ah!O amor re existe e do nada renasce.
Ante vil sofrimento, alegre esperança!
Recusa ser livre, sonho de criança...
Em sacro oficio delira para ver na face.

Em meu rosto o tempo da eternidade,
Contudo,reacende intenso fervor à vida!
Re existo e n’angustia,a humanidade,

Ah!Que basta em si minha terna alma!
Pela doce ventura por pouco esquecida,
Canta a musica de encantadora calma...

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No fundo da lagoa

Fundo da Lagoa

Sobre pedra tocada pelo vento,
Quase submersa em água cristalina,
Caricia sobre a lagoa num momento.
Distante, abafado grito de menina...

No fundo,a boneca,silente, adormece...
Efêmero pio d’agonizante cotovia,
Que alegre escutava,contudo,não via!
Secreto pranto d’amor de quem padece.

Que abriram olhos,gracioso sorriso!
Alma de boneca renascera em vida...
Carecia rever ,pois,“a criança perdida”
Ao fundo da lagoa,deveras, era preciso!

Hoje,já não ouço o canto da noturna ave,
Longe das montanhas,a lagoa distancia,
Ouvir entristecido canto não,mais, queria,
D’alegre menina e da boneca ninguem sabe...

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soneto Meu pai

Meu pai

Neste fim de tarde d’outono,
Senti uma dor que não me sai,
Ao ver os olhos velhos de meu pai !
Era,sim aperto,um abandono.

Brancos cabelos , rugas na face,
Mostram alegria em sua vida,
Choro,tolo, seu futuro desenlace...
De terna alma ,assim, querida.

Quando o frio d’inverno chegar,
E,tu,meu querido pai,partir,então,
Mesmo que um pranto me sufocar

No último adeus ,meu coração
Dirá,pois,em forma de oração
“ Ah! Meu pai é tua hora de sonhar “!

Os.meu pai está com 99 anos,lúcido e com uma alegria,um entusiasmo em viver.
Eu,tolamente,ao invés de viver cada momento,apenas, me preparo para a despedida...

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Por detrás do mundo...

Por detrás do mundo

Nalgum momento,desfeito engano,
Da perfeita razão de ser a existência,
Acima do ideal sacro ou,então,profano,
Por detrás do mundo,pois, real essência...

Por detrás do mundo ,apenas, uma hora,
A visão de um passado tempo da ventura,
Fina chama alumiando treva mais escura!
Secando da face o pranto de quem tanto chora.

Cristalinas águas vertem por detrás do mundo,
D’orvalhadas flores d’amor mais que perfeito,
Umedecem sinuosas raízes ,encontro profundo...
Retornam tranqüilas,enfim, derradeiro leito.

Por detrás do mundo a inacabada sinfonia,
Finda em andante,silente pastoral acalanto...
O poeta chorou,deixara para trás desencanto!
Da razão de ser ,por detrás do mundo, a alegria...

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poema morredouro

 

 

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Soneto morredouro

 

Queria ,não fosse verdade,vil absurdo...
Deixado,assim.sem desvelo e caridade,
Ante gemidos e apelos,fizera-se surdo.
Vasto mundo,fria casa da insanidade!

Rogo que, meus versos,leiam depressa!
Pois,este soneto,a cada segundo,morre,
Resta sombra leve de poema tão pobre...
Pura realidade d’agonia que não cessa.

Para refazer-me,tragam-me lembrança,
E,tão distante,de um esquecido tempo
A tarde,lenta,findava ao som da capela.

Como,existir?Ah,fenecida esperança!
Morredouros versos, plumas ao vento,
Pétalas soltas,no chão, poesia mais bela...



 

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poema passarinho

 

 

 

Poema passarinho


Ah!Pobre deste passarinho poema,
Que ao bater,célere, asas coloridas.
Parecia,deveras, alegrar minha vida.
Deixou,porem,em mim,triste pena...

Tanto,quisera visitar,momento fugaz,
Alma alada que em ninho,assim,embala.
Ante mavioso canto toda natureza cala!
Ah!Deixa no caminho,sementes de paz...

Desça,pois, do céu gentil poeminha ave,
Trazendo entrelaçados versos em palha,
Do mistério de tu’alma ninguém sabe...
Colho de tua poesia pequenas migalhas.

Passarinho poema se,um dia fores embora,
Não ouvirei teus sonetos em mavioso canto.
Não será de saudade o mais dorido pranto,
Mas,d’agonia que pobre de minh’alma chora!

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