Posts de Antonio Carlos Santos Rocha (10)

Imagem da musa

 

 

 

 

 

Imagem da musa
Eponina valsa de Ernesto Nazareth

Revendo,da vida linhas,já,vividas,
Onde páginas brancas,vazio tempo,
Sobre o piano velha pauta,o lamento...
Rubra rosa murcha,fora da jarra antiga.

Ainda ecoa Eponina suave e mansa.
Da negra tecla,semi tona,semi morta...
Pétala alada caindo em sinuosa dança.
Pela brisa levada através da velha porta.

Não sei,pois,o que me aflige,agora!
Mas,da saudade, um tempo perdido...
Ah!Que o amor parecia esquecido!
Eis a razão por que minh’alma chora!

Amarela foto tão bela, branco lírio,
Olhos de chuva,fitavam distantes,
Quisera viver de novo,um instante...
Dizer à quem,assim, amava tanto!

Que não passara de ilusão, quimera...
Perdera,da musa,a gentil imagem,
Esqueci de mim,o que fui,enfim,pudera...
Insano delírio,ou torturante miragem?

Da negra tecla Eponina semi morta,
Antiga foto,branco lírio,daquela...
D’olhos de chuva,musa tão bela...
No passado, atrás da fechada porta.

 

 

 

 

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Derradeira promenade

 

 

 

 

Derradeira Promenade
Conduzido por um passarinho;


Crepúsculo se avizinha entre brumas,
Da casa d’andorinha,assim, combinado,
Levado à passear de volta à um passado
D’infância,uma lembrança feito pluma....

Guardada no peito em solitário asilo,
Saudade,ave que,ora canta,ora chora.
Em silencioso canto de sacras horas,
Libera-me d’angustia que trago comigo!

Meus olhos em derradeira promenade,
Conduzidos por irrequieto passarinho,
Descerraram a incerteza que me invade!
Ah!Que fora de ventura o meu caminho!

Incontido sentimento,tamanha euforia,
Roguei,pois levar-me à ignoto futuro!
Pobre andorinha aflita,cujas asas batia,
Em canto triste , gemente,adágio soturno...

Crepúsculo se avizinha ,pressagias brumas...
Com as abelhas sumiram pombinhas alvas,
Das flores tornara néctar amarga espuma...
Andorinha triste pousou-me na palma.

Das colinas de Golã caiam rubras estrelas ,
Orfãos dormiam,sem orações e amem!
Ai!Que morrera a andorinha ao vê-las!
Nesta derradeira promenade morri também...

 

 

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O lobo e a Lua

 

 

 

 

A lua e o lobo

“ Lua que,à noite profunda, me olha.”
“ Fala d’algo lacrimoso, plena ventura?”
Ai!Qu’esta fera contorce,deveras,chora!
Arranca das entranhas a cruel amargura!


Ah!Um lobo voraz habita em mim!
Não passam os uivos de choro triste,
Intui que um paraíso d’amor existe,
Esquecida lembrança,me traz,assim...

Lua .ora lasciva ora serena e tão bela ,
Cósmica pluma qu’elegante flutua,
Ante cantante murmúrio à capela...

Em lamento,todo o céu me olha e fala...
Morre em mim,o lobo sem ver a lua.
E Deus feito lobo adormece e cala...


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Re existir

Re Existir soneto

Acuda,pois,deste tormento insano!
Que basta em si mesma,alma terna!
Re exista,silente, lágrimas do pranto.
Semi morta esquecida em fria caverna...

Ah!O amor re existe e do nada renasce.
Ante vil sofrimento, alegre esperança!
Recusa ser livre, sonho de criança...
Em sacro oficio delira para ver na face.

Em meu rosto o tempo da eternidade,
Contudo,reacende intenso fervor à vida!
Re existo e n’angustia,a humanidade,

Ah!Que basta em si minha terna alma!
Pela doce ventura por pouco esquecida,
Canta a musica de encantadora calma...

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No fundo da lagoa

Fundo da Lagoa

Sobre pedra tocada pelo vento,
Quase submersa em água cristalina,
Caricia sobre a lagoa num momento.
Distante, abafado grito de menina...

No fundo,a boneca,silente, adormece...
Efêmero pio d’agonizante cotovia,
Que alegre escutava,contudo,não via!
Secreto pranto d’amor de quem padece.

Que abriram olhos,gracioso sorriso!
Alma de boneca renascera em vida...
Carecia rever ,pois,“a criança perdida”
Ao fundo da lagoa,deveras, era preciso!

Hoje,já não ouço o canto da noturna ave,
Longe das montanhas,a lagoa distancia,
Ouvir entristecido canto não,mais, queria,
D’alegre menina e da boneca ninguem sabe...

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soneto Meu pai

Meu pai

Neste fim de tarde d’outono,
Senti uma dor que não me sai,
Ao ver os olhos velhos de meu pai !
Era,sim aperto,um abandono.

Brancos cabelos , rugas na face,
Mostram alegria em sua vida,
Choro,tolo, seu futuro desenlace...
De terna alma ,assim, querida.

Quando o frio d’inverno chegar,
E,tu,meu querido pai,partir,então,
Mesmo que um pranto me sufocar

No último adeus ,meu coração
Dirá,pois,em forma de oração
“ Ah! Meu pai é tua hora de sonhar “!

Os.meu pai está com 99 anos,lúcido e com uma alegria,um entusiasmo em viver.
Eu,tolamente,ao invés de viver cada momento,apenas, me preparo para a despedida...

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Por detrás do mundo...

Por detrás do mundo

Nalgum momento,desfeito engano,
Da perfeita razão de ser a existência,
Acima do ideal sacro ou,então,profano,
Por detrás do mundo,pois, real essência...

Por detrás do mundo ,apenas, uma hora,
A visão de um passado tempo da ventura,
Fina chama alumiando treva mais escura!
Secando da face o pranto de quem tanto chora.

Cristalinas águas vertem por detrás do mundo,
D’orvalhadas flores d’amor mais que perfeito,
Umedecem sinuosas raízes ,encontro profundo...
Retornam tranqüilas,enfim, derradeiro leito.

Por detrás do mundo a inacabada sinfonia,
Finda em andante,silente pastoral acalanto...
O poeta chorou,deixara para trás desencanto!
Da razão de ser ,por detrás do mundo, a alegria...

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poema morredouro

 

 

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Soneto morredouro

 

Queria ,não fosse verdade,vil absurdo...
Deixado,assim.sem desvelo e caridade,
Ante gemidos e apelos,fizera-se surdo.
Vasto mundo,fria casa da insanidade!

Rogo que, meus versos,leiam depressa!
Pois,este soneto,a cada segundo,morre,
Resta sombra leve de poema tão pobre...
Pura realidade d’agonia que não cessa.

Para refazer-me,tragam-me lembrança,
E,tão distante,de um esquecido tempo
A tarde,lenta,findava ao som da capela.

Como,existir?Ah,fenecida esperança!
Morredouros versos, plumas ao vento,
Pétalas soltas,no chão, poesia mais bela...



 

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poema passarinho

 

 

 

Poema passarinho


Ah!Pobre deste passarinho poema,
Que ao bater,célere, asas coloridas.
Parecia,deveras, alegrar minha vida.
Deixou,porem,em mim,triste pena...

Tanto,quisera visitar,momento fugaz,
Alma alada que em ninho,assim,embala.
Ante mavioso canto toda natureza cala!
Ah!Deixa no caminho,sementes de paz...

Desça,pois, do céu gentil poeminha ave,
Trazendo entrelaçados versos em palha,
Do mistério de tu’alma ninguém sabe...
Colho de tua poesia pequenas migalhas.

Passarinho poema se,um dia fores embora,
Não ouvirei teus sonetos em mavioso canto.
Não será de saudade o mais dorido pranto,
Mas,d’agonia que pobre de minh’alma chora!

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