Posts de Antonio Antunes Almeida (8)

Remorso

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Existem na face da Terra,

Histórias de arrepiar.

Eu vou lhe contar uma,

Que fará você chorar.

 

Contam que há muitos anos,

Lá pelas bandas do Ceará,

Um casal arrebenta os peitos,

Pro filho poder estudar.

 

Mandam o moço para a cidade grande,

Pra ciência cultivar,

Mas não sabe o pobre casal

A tristeza que vai comprar.

 

No começo até que foi bem

Estava dando pra se ajeitar,

Trabalhavam noite e dia

E o dinheiro podiam mandar.

 

Os anos foram passando,

A saúde a se acabar, mas

Uma coisa tinham na mente,

Ver o filho se  formar.

 

Mas um dia chegou à notícia,

Bronzina pede pro Berto olhar,

Começou a ler, pra sua velha,

Mas não conseguiu terminar.

 

A emoção dominou a casa

E o casal se pôs a chorar,

Olhavam as panelas vazias,

Mas o sonho a se realizar.

 

Mais do que depressa correram,

Correram pra se arrumar,

Vestiram os trapinhos que tinham,

Mas nos pés, nada puderam calçar.

 

Começa, então, outra luta,

Na estrada o casal a marchar,

Era grande a caminhada,

Mas com fé chegariam lá.

 

Enfrentaram muito sol e poeira,

Sede, fome, cansaço e calor,

Os pés formigavam e sangravam,

Mas a alegria era maior que a dor.

 

Finalmente era noite do dia vinte

Perguntando conseguiram encontrar,

O local bonito da formatura,

Pro filho doutor poderem abraçar.

 

Mas quando chegaram à  festa,

O mundo começou a desabar,...

O porteiro olha para os dois e diz:

-Por favor, queiram se retirar!

 

O velho se pôs de joelhos,

Pedindo ao homem, pra poder chamar,

Dr. Noé da Rosa Cunha,

Já que não, podiam entrar.

 

O filho, por coincidência naquela hora,

Entre amigos, orgulhoso, passa por lá,

Cruza o olhar com o dos pais que lhe acenam,

Despista e finge quieto pra ninguém notar.

 

Jamais imaginaram que um dia,

Por decepção igual fossem passar,

Agora, tristonhos e abatidos,

Começaram então a voltar.

 

Fracos de fome e com tanta angústia,

O velho vê, o seu filho se afastar,

Abraça calado sua velha ao peito,

E, começa, então, a chorar.

 

O desgosto da tragédia,

Acabou por mutilar,

Bronzina sofreu um colapso,

Pela dor do desprezar.

 

E a noite vai se adentrando

E os olhos começam a inchar,

Tão grande era a mágoa,

Que não vê a noite acabar.

 

Surge a manhã de domingo,

O povo começa a reparar,

Pergunta o que a velha tem,

Que não pode nem se arredar.

 

O velho soluçando e sem força,

Braços magros, quase sem poder falar,

Diz que sua velha está morta,

Mas não pode a carregar...

 

Comovidos com tal cena,

Param um carro, dando sinal,

Pedem ao moço, que faça uma caridade,

Levando os dois para o hospital.

 

 

Mas, à vida tem  surpresas,

Exatamente ao cruzar o sinal,

Um carro violentamente bate,

É Noé da Rosa Cunha, filho do casal.

 

Chega à ambulância e os levam,

Todos os três pro mesmo lugar,

Logo, onde fez residência, o doutor

Que desmaiados foram chegar.

 

Logo, logo, os amigos do médico

Pediam a todos para ajudar procurar

Os pais do doutor, pra doar um rim,

Para o colega poderem salvar.

 

Como não sabiam o endereço,

E nem puderam imaginar,

Tomaram aquele velho por cobaia,

Qualquer rim serve, pra poder remediar.

 

Pela fraqueza e paixão,

O velho começa a agonizar,

Apressam o processo da morte,

Para os rins poderem tirar.

 

E assim feita, foi à cirurgia

E o colega conseguiram salvar,

Puseram os velhos pais na geladeira,

Para depois poderem os estudar.

 

Recuperado e salvo, foi ver

De quem foram os rins doados,

Não acreditou no que estava vendo,

Ao ver o pai com a mãe, congelados.

 

Sentiu a presença piedosa de Deus,

Sentiu, também, a consciência clamar,

O velho pai, que ele havia desprezado,

Sacrificado foi, pra sua vida poder salvar.

 

Caiu de joelhos e sofrendo em remorso,

Junto ao pranto começou a se lembrar,

Do que tinha feito naquela noite, àqueles,

Que lhe deram a vida, e o conseguiram formar.

 

Chamando os dois pelos nomes

Fazendo os colegas se arrepiarem,

Enterra os dedos nos próprios olhos,

Fazendo, a consciência  vingar.

 

Gritando alucinado pela última vez,

Num histerismo anormal e profundo:

Os olhos que desconheceram meus velhos,

Jamais voltarão a ver, as belezas do mundo...

Saiba mais…

A verdade não se contesta

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Não haverá revolta.

Quando o homem entender,

E com amor compreender

A pura e verdadeira razão.

Que Deus é justo e tem amor,

Permitindo a algum filho à dor

E porque esse depende da provação.

 

Não haverá revolta.

Se não houver rejeição,

E você tiver aceitação

Com o corpo que tem pra viver,

Mesmo que seja deformado

Ou até mesmo dementado,

Mas assim você pediu pra nascer.

 

Não haverá revolta.

Quando você entender enfim

Que não foi Deus que lhe fez assim,

Foi você que plantou pra colher.

Deus por ser Pai e Justo jamais pretende,

Criar um filho cego, mudo ou deficiente,

O livre arbítrio lhe permitiu o plantio escolher.

 

Não haverá revolta.

Àqueles que estudam e aprendem

Sabem o que eu disse e compreendem,

Que o futuro por nós é traçado.

Praticamos barbaridades terríveis,

Cruéis, desumanas, inadmissíveis,

Que deixam o perispírito moldado.

 

Não haverá revolta.

No dia que todos tiverem a certeza,

Que o Deus que procuram na igreja

Está dentro do seu coração!

Começarem praticar a bondade,

Desejarem a todos felicidades

O corpo vindouro será perfeição.

 

Não haverá revolta.

Se você deixar o preconceito,

Avaliar sempre todo conceito

De que se fizer necessário.

Não terá o comércio nas religiões,

Céu loteado em suaves prestações,

Com o seu dízimo temerário.

 

Não haverá revolta.

Se você compreender a doutrina,

Que Jesus pregou na Palestina

Deixando-nos um precioso legado.

Verá que tem igreja que mente

O seu Je$u$ é muito diferente

E a bênção tem preço estipulado.

   

Não haverá revolta.

Quando você optar

E não mais acreditar

Nas crendices medievais.

O fogo eterno foi criado

E até hoje é usado

Para fins comerciais.

 

Não haverá revolta.

Quando você usar a razão,

Para chegar à conclusão

Porque sofre com assiduidade.

Vive rezando, mas nunca praticou,

A religião única que Jesus ensinou

Que se chama: Amor e Caridade.

 

 

Saiba mais…

Escrava do amor

 

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Diga à todos que me ama

Nas noites, sozinha me chama

Quando sente sua alma chorar.

Diga que jamais se engana

Quando é o espírito que clama

O meu corpo querendo abraçar.

 

Olha pela janela e se espanta

Aos poucos o medo a encanta

Na certeza conseguiu me encontrar.

Nada disso aconteceu, no entanto.

A saudade é maior que o pranto

Na sua tela mental me fez projetar.

 

Abraça, sorrindo e chorando, o vento

Que no repente rodopiando é tormenta

Envolvida não sabe onde parar.

As estrelas aplaudem a façanha

A lua sorridente acompanha

Onde o amor pode levar.

 

No limite encantador dessa loucura,

Libera todas as gotas de amargura

Trancadas no seu relicário de dor.

Devassa e descortina o ego da paixão,

Nos momentos dessa viagem de ilusão

De uma infeliz escrava do amor.

Saiba mais…

Filhos do divórcio

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-Papai, você sabe que dia é hoje?

          -Você sabe quantas horas são? É meia noite, acaba de bater no relógio da matriz.

          -Sabe por que estou lhe escrevendo? Porque hoje, ou melhor, ontem, completei os meus dez aninhos.

          -Papai, eu sei que não é hora de criança ficar acordada e tenho certeza que você ficará muito zangado. Mas, acontece que hoje, depois de todos esses anos que você nos deixou, este dia parece ser o mais triste de todos.

          -Ontem acordei bem de manhãzinha, olhei aquela foto, quando eu tinha dois aninhos, você me segurava no colo e sorria para mim. Eu também sorria para você. Tente se lembrar! Eu já tentei, mas não consegui relembrar, é claro, eu era tão pequenino!

          -Sabe papai! Fiz mil planos para a noite, aguardando você para cantar comigo os parabéns e dar aquele soprão legal nas velinhas, que somente você sabia fazer. E, no entanto, você não chegou, você não se lembrou de ao menos de me telefonar, lembrando-se que existo. Que um dia, debruçado sobre o meu berço, dizia que eu era a criança mais querida do mundo.

          -Na verdade, você deve ser muito ocupado, atarefado, com compromissos sérios e inadiáveis. E quem sou eu, para poder roubar o seu precioso tempo! Mas agora por estas linhas saiba que muito senti, pois queria tê-lo comigo neste dia que passou.

          -Durante esses cinco anos que você e mamãe separaram-se, eu nunca mais vi você, e isto faz com que eu sofra muito.

          -Papai! Você para mim, continua a ser aquele paizão, de todas as horas, eu jamais esquecerei você, mesmo que continue com toda essa raiva de mim, embora, que culpa tenho eu, se assim quis o destino. E mesmo, que jamais possa vê-lo, possa abraçá-lo ou dar-lhe um beijo, continuará sendo o meu arco-íris, sei que você existe, mas não posso tocá-lo.

          -Desculpe-me, papai!  Por ter tomado o seu tempo, e estes pingos na folha não são do orvalho, são dos meus olhos.

          -Adeus!

                                                                                                                                           

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O brilhante que hoje encanta você

E que hoje tanto vale que tão importante é...

Que consegue captar e atrair tanta gente para si,...

Já foi simples cascalho rolado

Por tantas vezes pisado,

Pois fosco, sem brilho e sem vida,

A ninguém conseguia impressionar.

 

No entanto, hoje é brilhante,

O campeão das estantes!

Das grandes joalherias:

É a nata pura da pedra,...

Que um dia por ser lapidado

Carinhosamente modelado!...

Em joia se transformou.

 

Seja, você também, procure se lapidar,

Em joia se transformar.

Abandone essa clausura

Que tenta martirizá-lo!...

Deixe de ser o cascalho rolado

Quantas vezes embriagado,...

Pelos bancos de bares a chorar:

Eu sei que você entende

Muito mais do que essa gente!...

Que tenta nos enganar.

 

Saia desta couraça arestada,

Saia desta carcaça do nada

Que tenta lhe aprisionar...

Mostre ao mundo a perfeição!

Que existe no seu coração

E quanta gente poderá ajudar.

 

Dê a grande reviravolta!...

Saia deste seu baixo astral.

Pise firme no primeiro degrau!...

Seja a pessoa que existe em você.

 

Olhe para as belezas do mundo.

Às flores e o paraíso!...

Que o criador fez para você.

Pense nas alegrias,

Pense nas horas frias!

E sinta qual a melhor.

 

Veja no sorriso do filho,...

Veja no olhar da mulher!...

Veja que depende somente de você!...

Comece agora a cooperar.

 

Troque a falsidade do bar

Pela sinceridade do lar.

E comece então, a sentir:

As portas voltando a se abrir!

Os olhos começando a sorrir!

O amor novamente no coração a explodir...

 

Veja a família e você no centro...

Tal qual o sol no firmamento!

E as crianças em volta dizendo:

Papai! Você, ainda, é o maior!!!

 

Ouça os pássaros cantando,...

Ouça os sinos repicando!...

Ouça maravilhado também:

A serena voz do Senhor.

 

Escute pela última vez... 

As palavras do coração sobre a dor...

Erga os olhos para o céu!

Sinta as mãos do criador.

 

Agora, também você já sabe...

Que precisamos do seu talento...

Comece, então, a lapidar-se!

Com a força do pensamento.

 

E logo, veremos a brotar!...

De dentro dessa carcaça apagada!

O grande brilhante que há pouco,...

Era apenas, um pequenino seixo rolado.

 

 

 

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Simples declaração de amor

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As minhas noites são silenciosas e tristes.

Nas sombras que me envolve, um pequeno vestígio de luz.

Você partiu... Saiu da minha vida como a flecha que deixa o arco e se projeta em direção ao infinito.

Apenas restaram vibrações neste arco que faz com que o meu coração perca o compasso da vida, o valor da existência e a alegria de viver.

Olho perdido de minha janela, o vai-e-vem  das ondas que se desdobram em rendas brancas e beijam suavemente as areias, que por várias vezes testemunharam o nosso amor.

Pois você entrou na minha vida como o vento que entra pela porta aberta e misteriosamente inunda todo o espaço.

Você foi a tinta indelével que coloriu o meu coração para todo o sempre, com as cores risonhas da sua alegria.

Você foi o troféu que me transformava a cada instante da vida no grande vencedor.

No brilho dos seus olhos devassei sua alma e encontrei a chama latente que anima a vida.

Nos seus beijos pude sentir o calor da existência percorrer minhas artérias, saindo da inércia da solidão até explodir nos versos da paixão.

Hoje uma tristeza me emudece neste canto solitário.

Sou apenas uma ave triste no seu ninho vazio torturado pelo açoite do vento impiedoso de um inverno maldito.

Nesta noite misteriosa até as estrelas se escondem por entre o manto negro, que debruça sobre um céu trágico, quando as flores também solitárias da minha janela se empalidecem nervosas, mas tentam me alegrar espargindo um pouco de suave perfume que toca minh`alma enternecidamente.

Você não está e tampouco virá! Procuro você no silêncio frio que envolve tudo, dentro de mim próprio, olho para as minhas mãos trêmulas... A tristeza habita na angústia que domina o meu coração.

Quando você partiu, não só levou os seus pertences, mas o que tive de mais belo na vida: a alegria do viver.

Levou o calor do meu ser, o brilho dos meus olhos, a beleza abundante na aura envolvente que assimilou a pureza do seu espírito angelical. Levou não somente essas cousas, mas o sorriso sincero de um amor verdadeiro. Levou finalmente a minha vida com seus encantos e suas alegrias.

Hoje sou um homem só e na minha solidão ainda encontro você que mora na minha saudade e dentro do meu coração e por muitos anos com certeza viverá, querida.

Saiba mais…

Não seja assim

 

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Na lide abençoada da vida,

Quantos não pelejam irritados,

Outros que resmungam chateados

Pelas provas que a vida conduz.

No entanto, Deus está presente

De tudo inteiramente ciente

E cobre nosso caminho de luz.

 

Na lide abençoada da vida,

Quantos vagueiam nas ruas febris,

Esfaimados, taciturnos, infelizes

Implorando-nos um pedaço de pão.

No entanto, Deus está presente

De tudo inteiramente ciente

E pra todo sofrimento existe razão.

 

Na lide abençoada da vida,

Quantos vivendo calados sem voz,

Na angústia juntos de nós

Que não entende o porquê da mudez.

No entanto, Deus está presente

De tudo inteiramente ciente,

Pagando pelo mau uso que a boca fez.

 

Na lide abençoada da vida,

Quantos não vêem o brilho das estrelas,

Perdidos nas trevas da própria cegueira,

São caminheiros na sombra afinal.

No entanto, Deus está presente

De tudo inteiramente ciente

E o que você hoje passa, teve motivo pra tal.

 

Na lide abençoada da vida,

Quantos que nos resgates fratricidas

Perdem-se entre meio às feridas,

Bênçãos para nos purificar.

No entanto, Deus está presente

De tudo inteiramente ciente

E todas as chagas irão cicatrizar.

 

Na lide abençoada da vida,

Quantos deprimidos no álcool procuram

Resposta sem sucesso, nexo pra sua cura,

Sendo que na alma reside o seu mal.

No entanto, Deus está presente

De tudo inteiramente ciente,

Oferecendo-lhe a oração, remédio espiritual.

  

Na lide abençoada da vida,

Quantos abraçam e socorrem felizes os irmãos,

Outros sofrem à fome, mas ainda dividem o pão,

Com a certeza de um novo porvir.

No entanto, Deus está presente

De tudo inteiramente ciente,

E diz filho querido: você viveu pra servir.

 

 

 

Saiba mais…

O sonho

                   

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Sonhei, um dia com um homem,

Daquelas bandas que eu não sei contar!

Era um homem magro, de semblante triste,

Que chama o filho pra conversar.

 

Pediu que o menino se assentasse,

Bem pertinho pra escutar,

A história mais triste e cruel

Quem alguém possa imaginar.

 

Começou a conversar com o filho

E se pôs a tremular,

Pediu paciência ao garoto,

Pois era difícil até começar:

 

“Eu compreendo a sua revolta.

E sinto, também, que há muito tempo o perdi.

De nada, hoje, adiantará  minha volta,

Pois o abandonei, quando mais precisava de mim.”

 

E o garoto amofinado,

Nem sabia o que falar!

Olhava firme no rosto,

Daquele que, há muito, deixou o lar.

 

E o pai, cabisbaixo e doente,

Sentindo dificuldade até pra  falar,

Conta ao menino toda sua vivência e o que sente,

Vendo a vida a se exaurir e a morte a chegar.

 

“Eu era jovem, ainda,

Moço forte e sadio.

Procurei, então, batalhar,

Para ser alguém um dia.

 

Procurei vários empregos,

De mascate a cozinheiro.

Para mim nada servia:

Eu queria mesmo era ser fuzileiro.

 

Então, me engajei no exército,

Com toda convicção.

Queria ter no peito divisas,

Também muita condecoração.

 

Mas, com o passar do tempo,

As coisas vieram a se modificar.

Comecei a mandar nos outros;

Passei, então, a comandar.

 

Pra mostrar superioridade,

Comecei a espezinhar.

Ordenei, aos amigos de antes,

Que fossem os cavalos limpar.

 

Deixei a bondade um dia,

Para transformar-me em cruel.

Abandonei a Bíblia, o Rosário e a Cruz:

Eu era, então, um coronel.

 

Comecei a ver meu nome

Nos jornais, em todo lugar.

Senti ser mais do que rei,

Mandava nas armas, do ar, da terra e do mar.

 

Ordenei, assim, que se fizessem,

Genocídios, prisões e massacres.

Mandei prender jornalistas,

Gente pobre, advogados, freiras e padres.

 

Recordo, também, no momento,

Que mandei construir aviões.

Gastei uma fortuna, que não entendo,

Somente pra carregar  munições.

 

Mandei fabricar navios de guerra,

Foguetes, torpedos, bombas e canhões;

Tive submarinos e tanques blindados em terra.

Eu era o homem que mandava nas nações!

 

Construíram, a meu pedido colúmbias,

Bomba “H”, de Nêutrons, que maravilha!

Em “TNT”, a maior reserva do mundo,

Testes nucleares,  em quase todas as ilhas.

 

Assinei convênio para fabricar reatores,

Experimentamos a chuva amarela, nos viventes da serra .

Gastamos bilhões, em canhões de laser,

Enganamos esse povo honesto, em nome da paz na Terra...

 

Lembro do desfilar de tanques e armamentos,

Esquadrilha da fumaça em todas as comemorações.

Pra que você tenha ideia, meu filho,

Esse dinheiro gasto, acabaria com a fome das nações!

 

Recordo dos relatórios que rubriquei,

Negando provimento para hospitais.

Hoje vejo, o monstro em que me transformei:

A dor e a fome são sequelas, do que hoje não posso fazer mais.

 

Matar em nome da lei é fácil...

Somente sinto ter sido um assassino legalizado.

Com todas as prerrogativas que tive,

Matei, torturei, roubei e não fui incriminado...

 

E, hoje, aqui sentado,

Nada mais posso fazer.

Penso no ouro do cofre,

Que me deu tanto prazer.

 

Vejo, ainda, no canto do armário,

A velha bota encerada,

E  penso, nas crianças que massacrei,

E nos órfãos das guerrilhas, que eu comandava...

 

E, agora, meu filho querido,

Só tenho a fazer-lhe um pedido:

Que perdoe com o coração,

Este seu velho inimigo.”

 

“Eu queria, nesta hora papai,

Abraçá-lo e amenizar  suas dores,

Mas você me abandonou no berço, e viveu pra matar.

Então, o devolvo entre lágrimas, às suas metralhadoras.”

 

“Mas, de qualquer forma, lhe peço,

Antes deste câncer me eliminar,

Olhe bem pra estas divisas,

Que eu trouxe pra lhe mostrar.

 

Cada uma significa tristeza.

Quando penso, até começo a chorar...

Quantos  homens inocentes morreram,

Pra que eu as conseguisse ganhar.

 

Por isso, mais uma vez,

Peço, de todo o coração:

Não seja como eu fui na vida.

Ame mais a seus irmãos.

 

Este Rosário e esta Cruz,

Que eu guardei, pra não lembrar,

Tem a imagem do único Homem, com poder realmente,

Mas que, preferiu morrer que usar.

 

E pra finalizar esta história,

Antes deste meu adeus,

Saiba meu filho, que esta lágrima que rola,

É o arrependimento de não ter amado a Deus...”

 

Saiba mais…