Sobre mim

Género

Masculino


Localização

Uruçuí, PI


Aniversário:

Fevereiro 13


Nome completo e pseudônimo, se houver:

Anchieta Alves de Santana


Como chegaste à Rede Belas Artes Belas?

Através de convite


Minicurriculum:

Professor da rede pública de ensino e escritor.


Links para sites, blogs e perfis em redes sociais:

https://www.facebook.com/anchieta.santana.5


Minhas Conquistas


Pontos ganhos: 122

  UM RIO NÃO MORRE SOZINHO

 

É contemplando a beleza suprema

                                       [das águas.

                              que me deleito

                        que dou graças...

                   que vivo!

 

Sentado às margens do rio Uruçuí-Preto,

              Vejo um exemplo vivo

Do quanto é perfeita a Natureza.

         [...é uma Criação Divina!

 

...é o hino da vida!

                  da ida

                        e da volta!

 

Percebo que as águas deslizam

Numa cadência poética e sensual!

Deslizam semeando vidas

Por este mundo de meu Deus

                  [mundo eclético.

 

                 ...mundo de homens,

                                de árvores

                                       e de bichos...

     mais bichos do que homem

    mais árvores do que bichos.

Mundo de homem-bicho sem árvores!

 

Universo

Que é meu

         Que é teu,

             Que é nosso!

 

É uma Dádiva Divina, a Natureza!

[...]

É  banhando nas águas do rio Uruçuí-Preto

Que sinto como é majestosa, a Natureza.

E aí, sempre desejo,

Que todos os dias sejam domingos de sol

Para uma eterna contemplação.

 

Mas vejo que as águas correm

Numa serenidade implacável

Correm com medo da morte

Correm em direção ao mar

Numa cadência inarrável.

 

...e nesse vagar

     nem sempre alcançam

                      a imensidão azul!!!

 

É sentindo os encantos do rio

Que não consigo entender

Porque o homem se faz sombrio

Fazendo o rio padecer,

 

Vejo que o rio sofre

Sofre nas garras do homem

Chora agônico

E aos poucos morre!

Morre e perde todo o encanto.

 

Mas vejo que o homem

       Percebe

             Mas não intercede

Sabendo que vencendo a Natureza

É também ele quem perde

Ele é vencido,

          [é quem degusta incertezas!

 

...e nesse embate

A Natureza só é forte

Se forte for a natureza humana.

Aí o rio corre

Corre e encanta.

 

Mas, se o rio para,

Cai o pano,

Termina o espetáculo.

 

 

outubro, 2006

OS CANINOS DO MEU AVÔ

 

 

           Era tarde de verão no povoado Sangue, onde morava José Pereira dos Santos, o popular José Delmiro; meu avô materno. Homem de sabedoria rara e humilde. Foi quem ajudou a desbravar aquela região do Cerrado onde nasceram meus pais e eu também. Aquele era mais um dia em que ele se contorcia com uma dor de dente que teimava em não ceder. Já havia usado todos os produtos naturais, benzedeiras, defumadores e tudo que a sabedoria popular indicava e o “diabo do dente não parava de dar pontadas”. Esta era uma reclamação constante. Então, não restava ao meu avô, outra saída: tinha que ir à cidade. Cinquenta quilometro sobre lombo de cavalo campeiro e/ou a pés. Não tinha dúvidas de que “alicate” era o único remédio capaz de por fim, de uma vez por todas, àquele sofrimento impiedoso. Já não dormia e nem se alimentava mais adequadamente.

           Ao romper do dia seguinte, pôs o “puçá´” num saco de fibra e uns trocados no bolso e partiu sob o sereno do amanhecer. Puçá lá no Sangue é rede de dormir.   Viajou quase o dia inteiro; às dezesseis horas entrou na cidade. Na realidade, àquela época, Urussuhy se resumia a um pequeno vilarejo que se imprensava e se deliciava às margens do generoso rio Parnaíba. O povo vivia ali, admirando, banhando e bebendo nas águas tranquilas do “Velho Monge”. Este e os rios Urussuhy Preto e Balsas já formavam uma bela parceria em nome da vida. Naquele tempo, ainda não se falava em Maria Laura, José da Malária, Félix Maribondo e a vida cheirava tranquilidade absoluta. Apesar de ser uma época em que já tinham estraçalhado, nos desvãos de uma cadeia pública da vida cidade vizinha, o mestre de balsa por nome Julião. Executado com os mais bárbaros requintes de crueldades após se envolver num assalto. 

         Chegando à cidade, o vô José Delmiro foi direto à casa da Tia Joaquina, uma parenta hospitaleira, que logo indicou onde residia o único dentista da cidade. Na verdade, era um prático. Alguém que, com um alicate à mão se aventura nas dentaduras necessitadas. Mas apensar de ser apenas prático nos serviços odontológicos era conhecido como Doutor fulano de tal. Meu avô não se recorda do nome do tal dentista, mas se lembra de que ele tinha um porte atlético e era muito econômico nas palavras. Chegando ao consultório improvisado nos fundos de um casebre, onde tinha sacos de legumes amontoados, galinha chocando ovos e umas tralhas imprestáveis, o médico o recebeu e foi logo questionando:

     __Há quanto tempo está sofrendo com essa dor de dente?

     __Já vai pra mais de dezoito dias. E já usei de tudo e não teve jeito. Nem o leite de cansanção, que é um ótimo remédio, deu jeito. É uma dor maldita que insiste em não me deixar em paz.

    __Vamos então, examinar esse danado. Disse o dentista em voz branda. 

       Meu avô olhou nos olhos graúdos do velho dentista de barba ruiva e propôs:

    __Você tem coragem de “arrancar” esse dente que está doendo e todos os parentes d´le?

    __Como assim?

    __Quero que você arranque todos os dentes que restam em minha boca. Não quero mais ser vítima desse sofrimento.

    __Não, isto não pode. Você não aguenta. Além do mais é um atentado à saúde. É um crime.

    __Seu doutor, crime é essa dor horrível. Atenda a esse pedido, pelo bem de seus filhos. Não quero mais esse sofrimento. Pago adiantado pelo serviço. Fico aqui na cidade o tempo que for necessário.

    __Tudo bem, se você quer assim, vamos lá.

        E assim aconteceu. Ele ficou mais de duas semanas na cidade; tempo suficiente para deixar a boca de meu avô despovoada. Ficou “banguela”. Algum tempo depois, mandou confeccionar um “par de chapa ” para auxiliar na fala e na trituração dos alimentos.

        Ao relatar esse fato, meu avô, num sorriso largo e bonito, se vangloria do feito; e se duvidarem, mostra a velha e resistente dentadura postiça. E ainda diz que hoje já não se faz dentaduras como dantes.

 

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"Parabéns!"
3 de Out de 2018
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""
2 de Out de 2018
Anchieta Alves de Santana left a comment for Anchieta Alves de Santana
"A MASSA E O PÃO
 
 
Falhou...
A massa que amansa
Os delírios que dominam
A massa humana.
 
Esqueceram que a massa que somos,
Sem a massa...se amassa
E foge o vigor.
 
A massa de que falo
É a massa
Que, neurótica,
Exige amassa que amansa
Os delírios…"
29 de Set de 2018
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27 de Set de 2018

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