Posts de Alexandre Montalvan (903)

Essência da Manhã

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Essência da Manhã

 

Na essência primitiva

se espera que emane as feras

mas na posse contemplativa

a aura branca cativa

se expande em sua esfera,

é na mais pura correnteza

de falsas aguas

mas de enovelada surpresa

que da nome a incerteza

de intatiáveis aguas.

 

Mesmo que tudo se pareça magoas

o brilho é tanto e ofuscante

que nos prende por fazer sentir,

amar e por sorrir

até por aquilo que se espera vir

e na verdade brilha feito diamante

um brilho tocante

de mil fragmentos indefinidos.

 

 

A transcendência do desconhecido

o fulgor do teu rosto imberbe

transparece uma mistura

como a agua falsa que ferve

ou as improváveis magoas

seus textos e suas rasuras

mas tudo são só palavras.

 

A primitiva essência é tamanha

que legitima diluir-se no abstrato

no frescor das folhas de hortelã

ou na concretude de um inverossímil retrato

espelhado nas falsas aguas

de uma ensolarada

manha.

 

Alexandre Montalvan

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Por Entre Cacos

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Por Entre Cacos

 

O que há dentro deste oco

tanto desespero incontido 

a fúria deste que vos lê

semente morta sem sentido

 

O que tenho neste vaso fúnebre

e que me traz ambiguidades

olho e vejo tantos de mim

espalhados...vermes decepados

 

Emborquei todos meus mistérios

nesta noite inconsequente e pura

com meus olhos olhei a rua

no coração disparou meus medos

 

Sou um caçador de desventuras

sou meu próprio algoz

retalho-me como as faces da lua

e a tua mão não me deixa só

 

Esta chama é tudo que me resta

esta mão insana, este inverno

estou sempre neste inferno

a alma quente neste mar de lama

 

Viver é andar em cacos de vidro

o corpo segue a frente indeciso

a alma tua é só suicídio, mas nosso

olhar vislumbra o desconhecido

 

Alexandre Montalvan

 

 

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Alma de um Poeta

3639385382?profile=RESIZE_710xAlma de um poeta

 

Tens a língua bifurcada das serpentes

Nas trevas que interiorizam o mundo

Abaixo de tudo que é baixo e entres

Almas dissecadas e escuras do profundo

 

Há tempos que se regozijas da mais

Suja e descabida sede de ultrajes

Volúpia ensandecida de vírus abissais

Mas sabe que só no amor a vida é suave

 

Enrodilha-se nas sombras com sujo ego

Escurecido por seu achar que nunca mais

Martelará com a mão a cabeça de um prego

Mas as estrelas escreverão destinos reais

 

Assim como revoam os negros urubus

Na noite o breu cria na alma o confronto

Círculos rabiscos nas linhas de uma cruz

O ponto central é quem escreve o que conto

 

Porem se este conto é real não importa

Pois o ponto é o teu viver postiço

Verme visguento vede teu fechar a porta

Abras o escuro antro deste teu sujo cortiço

 

Não diga de repente que tu respiras o ar

Imundo e bolorento mentindo ser tesouro

Que pintas da cor do ouro só para enganar

Aqueles que compram lona pensando ser couro

 

Mas o teu penar advir, eu não digo nem nego

Teu olhar tem a cor rosa de flor da maça

Sei este nosso mundo nunca será de um cego

Mas o que é melhor que o hoje senão o amanhã.

 

Talvez sim talvez não!  Azuis  os mares são?

O poeta e seu ego! Perdeu o trambelho?

O mar não é azul nem o céu é vermelho?

Eu não sei se são!

Mas sei,...estrelas choram luzes na escuridão!

 

Alexandre Montalvan

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Gandaia

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Gandaia

Eu quero respirar você...

cada pedaço do teu lindo corpo

engolir-te toda, inteirinha

na luxuria certeira e em um

indescritível conforto.

 

Quero deixa-te nua na cama

toda exposta e desarrumada

tocar com os meus lábios

a mornitude dos teus seios

introduzir em teus meios

a minha alma excitada

 

Vou explodir em centelhas

pétalas gentis de sois poentes

fazer-te a mulher mais amada

de todas as mulheres do mundo

amar-te com a alma serena

e o coração em chamas ardentes

 

Valha-me senhor deste meu sonho

não deixes que morra em uma praia

amor faz a existência mais bonita

e me afastará de um louco fica fica

com mulheres que ficarei numa gandaia.

 

Alexandre Montalvan

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Tempo

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O tempo

Em um eterno retorno
Vive na alma humana
Com efeito sonoro
Um Tic e TAC...Tic e TAC

Pingos em uma poça de água
Passos em uma calçada
Tiros de uma automática

A morte

A estática
A difícil arte de viver
Onde estão os mortos
Porcos postos em uma funerária

Corpos cheios de feridas
Fétidas e maduras
Como a luz que irradia e se medra
Como um raio cósmico que acalma
Como a carne escura revela

Onde estão as rosas amarelas
As que brilhavam nos jardins como estrelas
Onde estão as que emitiam luzes sonoras
Como as rosas de outrora

Onde se encontram os floreados breves
Que havia tresantontem
De casais dançando sobre folhas
Eras antes de antes de antes

Em quais destinos se encontram teus sorrisos
Que um dia iluminaram a minha vida
E que hoje é o que mais eu preciso
Para aplacar a minha solidão 

Onde se encontra o horror profundo
Que por tanto o viver, ganhamos proteção 
Sentimentos que aos poucos se enregelaram
E trouxeram o inverno ao nosso coração.


Alexandre Montalvan



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Self

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Self

Em um sol errante do fim de tarde
ressoavam gemidos e alaridos
num desenho de pura e complexa arte
jazia no asfalto frio um homem caído

Na rua que a pouco estava vazia e lenta
agora fervilha louco bulício
espocavam selfs na cena violenta
eram rostos, risos um que de hospício

Morte, sangue que manchavam chão frio
Num tempo que perdeu todo o sentido
é somente uma Self para um perfil

o que é que no tempo ficou perdido
porque o moderno torna tudo sombrio
nada afeta nosso olhar apodrecido.

Alexandre Montalvan

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Castelo de Areia

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Castelo de Areia

A cada poça de silencio meu corpo
edificava-se nas sombras da
fumaça do incenso.
A alma perambulava nos extremos;
Ao abrir de portas,
entre o êxtase e o desengano,
desprezando a carne ali exposta.

Era o final de um gozo lento, mas 
passageiro e mais despedaçado
que inteiro, só me restavam incertezas.
Foram beijos e trocas de saliva que 
permeavam aqueles instantes, caricias
enoveladas de amantes extremados.

Era talvez o sentimento ficcional de
corpos gravados na memória de algum 
sonho, feito de fumaça de incenso
sem nenhuma realidade palpável ou fundamento
onde eu ponho...este meu sentir imenso.

Mas alguma coisa começa a morrer dentro de mim
E agora em minha volta a solidão permeia
Vejo rosas que estão murchando no jardim
E as poças se desfazem como um castelo de areia.

Alexandre Montalvan

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Ocaso

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Ocaso

Abandonei-me à essência da eternidade
em uma macies sedosa da branca cal
nesta procura geral por uma verdade
tantas taças loquazes do ventre do céu

O acinzentado espectro do definhamento
fórceps de uma vida que não quero mais
com todo o terror de um sentimento
das dores absurdas que deixei para trás

São tantos os amores que no peito arde
num mundo folheado de falsos atores
prefiro o sol no ocaso invernal da tarde

Pois eu amo a morte e todas as suas cores
e a sombria ventania. Oh! Deus me guarde
deixe eu morrer num jardim de negras flores.

Alexandre Montalvan

 

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Último Instante

Último Instante

Como as folhas secas que o vento leva
em meu ultimo instante lembrarei teu nome.
Lembrarei teus olhos e os teus cabelos
lembrarei do amor que esta dor consome.

E neste frio sepulcro entre as folhas secas
lembrarei dos sonhos de felicidade
das nossas noites cheias de amor intenso
momentos de esplendores que deixam saudades .

E eu pensarei querida, não me desespere.
Em meu ultimo instante estarei nas trevas.
Eu estou sozinho. . . nesta terra fria
como folhas secas nas escuras relvas.

Relvas que me envolvem como foi um dia
meu corpo envolvido pelos teus carinhos
hoje estou aqui como pássaro sem ninho
restos da minha carne e da minha poesia.

Alexandre Montalvan

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Poema sem Eira nem Beira

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Poema Sem Eira nem Beira

 

De alma em alma o poema cresce

E é assim por quem

De amor padece

Ou por quem não ama... e não padece.

 

Cresce na alma

Dos fortes e vigorosos

Ou daqueles que são somente traumas,

E também para quem

É só alegria

Ou por aquele que só se entristece.

 

O certo é que o poema não é mais inteiro

Ou ele vira o triplo

Da metade

Ou se transforma em mais

Que um e meio.

 

O poema cresce e se multiplica

E se estou errado que me

Botem freio

Ou na boca um rude arreio.

 

Para que eu me cale e nunca mais fale

Deste amor primeiro

Que é de um poema que alguem leu inteiro.

É de um poeta louco

Que por muito pouco não morreu

Prisioneiro

Por um amor possessivo de quem

O leu primeiro.

 

Alexandre Montalvan

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Olhos Azuis

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Olhos Azuis

 

Que preciosa obra prima

criada pela natureza, que se traduz

por uma luz vinda de cima

e da pureza de um corpo na cruz

 

E o céu que nos traz esta rima

que pela pobreza não produz

o efeito que esta bem acima

do esplendor deste raio de luz 

 

Brilha lindo azul na noite escura

um brilho que me lembra  jesus

traga a minha alma toda candura 

 

e a emoção que esta imagem traduz

que desvanecem na escultura

destes lindos olhos azuis

 

Alexandre Montalvan

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Edificando a Vida

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Edificando a Vida

Hoje minhas noites
são como em uma floresta,
funesta dor enferidada
por açoites, noites mal dormidas,
sem perfume, sem lume, sem nada.

Hoje os meus dias
são como frágeis alegorias,
e ressuscito a cada nova chibatada,
troco o real por imagens e emoções vazias,
sem olhar, sem tocar, sem nada.

Hoje minha estrada
é como charco de água estagnada,
a cada vereda, atalho, horrível
é o cheiro da terra pisada
e que me leva ao nada.
Enquanto você percorre o caminho do impossível.

Colocando um tijolo por vez 
na edificação da vida!

Alexandre Montalvan


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Lágrimas Secas

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Lágrimas Secas 

 

Que pena que o teu coração enregelou

se um dia fez-se ouro, foi só no exterior.

até o teu olhar a me olhar se apagou

agora que acabou todo o teu amor

 

Uma romã que se partiu pela manhã

em sumo que pela dor  era vermelho

você no meu olhar naquele espelho

e eu pobre prostrado e seco no divã

 

Sim!  sim! Como é fria esta pedra de gelo

que esvoaça em um caldeirão de neve

viscosa como um balde de veneno

 

Nela imerjo o amor que de tão breve

Foi embora... por ser leve e pequeno...

minhas dores são lagrimas secas nesta hora.

 

Alexandre Montalvan

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Boçal Naro

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Boçal Naro

Tive de ficar com boçal Naro
por que do outro lado deu PT*
mas o estrago tá ficando caro
era o que tinha para escolher

Pois se de um lado tinha bandido
do outro lado só tem charlatão
gente assim a gente tá fodido
andar para trás não pode não

Dizem que o bananal tá dividido
eu porem espero que não
pois se estiver eu estou perdido

vou precisar da tua compreensão
pois onde só se encontram inimigos
todos vão de mãos dadas ao caixão.

Alexandre Montalvan

glossário: PT = perda total. podridão total


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A Minha Vida

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A Minha Vida

Oh Deus! Porque me deste a vida
mostrando-me o feio e o belo
debaixo deste sol de luz ardida 
que aquece casebres e castelos

Porque nas noites que são escuras
na plenitude entre ódios e amores
tão fácil é ouvir risos e agruras
alguns recebem dor e outros flores

Oh Deus! Feche meus olhos pra vida,
e tudo que existe deixara de existir
eu do mundo apenas consegui feridas
Até o amor apagou meu sorrir

Que pode ser a vida nesta imensidão
que explode sem uma aparente razão,
e que força é esta que a governa
Será a vida um fugaz raio de luz que
ilumina a escuridão eterna?

Alexandre Montalvan


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A Monstruosa Dor

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A Monstruosa Dor

Aos amores que houveram um dia
e que foram levados pelo vento
com eles hoje eu faço poesia
revivendo todo seu encantamento

Logo percebo o gosto do lamento
daqueles beijos dados com ironia
e do calor que eu sabia tão sedento
e que subia às pernas em agonia

Nestas simples palavras que escrevo
e no exílio monstruoso da luxuria
aparece este meu ato de escrever

e aqui com meus versos eu me atrevo
a expressar toda a minha penúria e
toda a dor que meus bagos hão de ter.

Alexandre Montalvan
 
 
montalvan
 

 

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Noites Sombrias

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Noites Sombrias

 

Nas noites sombrias um uivo longo

Que procura nas noites a lua

Brilhante e nua

Ao triste uivo eu não respondo

 

No ar uma tenebrosa indolência

Cai no chão a leve pluma

Apenas uma

A coruja pia na mais completa inocência

 

Reza a lenda toda a sua ferocidade

Dos dentes que amarelos rangem

Mas não restringem

As luzes brancas vindas da cidade

 

Dorme criança

 

Que cedo ou tarde noite sombria se evadi

E a historia chega ao fim

Então assim

Finalmente chega a hora da verdade.

 

Alexandre Montalvan

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Ás Vezes

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Ás Vezes
 
Ás vezes em um sono incauto
Um sonho vago! Tremo e salto
De amor sombroso e cinzento
No escuro do meu pensamento.
 
Pingos caem em sobressalto
É chuva que molha o asfalto
É este meu temor e tormento
Quero contornar este momento
 
Traga-me sobras do meu coração
Esta dor do peito é na verdade
O que resta deste meu vazio.
 
Traga-me as marcas da saudade
Em meus olhos as lagrimas secaram
Por este amor que você destruiu.
 
Alexandre Montalvan
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Amor Insensato

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Amor Insensato

 

Ás vezes teu amor me esquenta

esquenta tanto que eu emudeço

ainda não é o fim nem o começo

de um amor eterno que me atenta

 

Atenta mas o amor me inocenta

pois contido nele e eu confesso

a força desta paixão violenta

que desvaira e me vira no avesso

 

E é pelo avesso que eu te beijo

na nuca, nos lábios e na cama

eu te jogo e olho com olhos de gato

 

com todo o tesão deste amor insensato

e a paixão nos domina e o fogo cresce

neste desejo lindo que nos alucina...

 

Alexandre Montalvan

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Ideologia

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Ideologia

 

Há um mundo novo nos olhando

sedento para que o sirvamos

em seus luxuosos aposentos

como sombras mortas e raras

escravos e escombros humanos

 

Na velocidade cruel e insana

dociliza a alma e o coração

e extenua corpos e mentes,

a etiologia da dominação humana

é a tecnologia da escravidão

 

Oh Deus! que proveu nossa centelha

destrua este ninho cruel

de zangões e de abelhas

 

de tudo do que é humano o assombro

é a raiz deste mundo

moderno e desumano

 

Mil línguas de fogo queimam na lareira

fogo que consome, crepita e

somente o silencio é que nos habita

Deus salve o homem

desta ideologia moderna

e maldita.

 

Alexandre Montalvan

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