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O VELHO CIGANO - CONTO

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O VELHO CIGANO

 

Estrelas brilham no céu. A velha carroça continua o caminho. O cigano conhecia de cor o trajeto. Sabia cada pedra e desvio do caminho. Conhecia as plantas e animais que continha. Queria chegar rápido para colher as ervas.

Muitos precisavam delas para viver, apenas ele conhecia o local. Levava sua neta para ensiná-la. Passara o conhecimento aos jovens, mas eles se foram. No acampamento, havia apenas crianças e velhos. Só ele conhecia todas as ervas, e tentava ensinar a bisneta, filha de outra neta. Sempre colhia mudas e espalhava por onde passavam. Deixava pelo caminho sinais que apenas os ciganos conheciam.

Ervas também eram encontradas assim. As tribos sabiam onde estavam. O dia nasceu, e o velho cigano, após colher as ervas, partiu rapidamente. Queria mostrar à bisneta as ervas e plantar as mudas e o poder delas. A neta que o acompanhava era linda. Tinha olhos e cabelos negros, e a pele morena pelo sol.

Fizeram o chá e deram aos doentes, e partiram para plantar as mudas. O local, como sempre, era escondido e de difícil acesso, e adequado às plantas. Marcaram o local com pedras e a jovem cigana sorriu, olhando o avô. Gravava tudo em sua mente. O tempo passava, e o velho cigano adoeceu. A bisneta, já mulher na época, foi chamada.

Colhia plantas e mudas, sabia que seu bisavô era o mais velho dos ciganos. A sabedoria que ele tinha era grande e faria falta, e ela não sabia quem ficaria em seu lugar. Quando seu bisavô escutou sua voz, seu semblante se iluminou.

Sentia o cheiro das plantas que ela oferecia, e sorriu. Tomou o chá e a abençoou. Chegara o seu momento de partir. Despede-se de todos, e pede-lhe que continue a seguir a tradição, ensinando aos jovens o poder das ervas.

A neta casara e estava com o marido em outro acampamento e passava o conhecimento. Sua bisneta ficará em seu lugar. Ela ensinava as mulheres das tribos e os homens, assim não perderiam as ervas, espalhando pelo mundo. Graças ao velho cigano, bebemos muitos chás sem reconhecimento aos ciganos que nos ensinaram. Mudas que atravessam oceanos. Meu respeito aos ciganos e ao velho cigano, que era semeador de sabedorias.

Dione Fonseca

MG

Brasil

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