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Crianças Ciganas

“O nascimento de uma criança é sinônimo de alegria para toda a tribo”, conta o cigano Juan Yuni. Para os ciganos, cada criança que nasce simboliza o renascimento da esperança. Por isso, todas as crianças são recebidas com festas e muito queridas pela tribo à medida que crescem.

Quando um cigano nasce, ganha três nomes: um secreto, que só é de conhecimento da mãe, outro, de batismo, que é apresentado à tribo, e um terceiro, que será conhecido pelos gadjes (os não ciganos). Juan, hoje com 31 anos, diz que nunca se preocupou em não saber o nome que sua mãe escolheu. “É tradição. Nós não preocupamos com isso, já temos dois nomes para usar, e este terceiro, apesar de representativo, é como se não existisse”.

A criança cigana cresce em plena liberdade. Não lhe é exigido que tenha suas atividades restritas ao universo infantil. Ao contrário: estimula-se que convivam com os adultos e entrem em contato com os ramos de negócio que seus pais estejam envolvidos. “Os meninos acompanham seus pais nas negociações do comércio e as meninas, nos trabalhos domésticos das mães e também quando elas saem às ruas para ler a sorte das pessoas. As crianças vivem em total liberdade e contato com a natureza, mas acompanham seus pais em todas as ocasiões de festividades e cerimônias assim como estão sempre boa parte do tempo com os mais velhos. Elas são muito amadas e respeitadas.”, explica Juan.

Quando uma família cigana fica por muito tempo estabelecida num lugar, as crianças passam a frequentar a escola da região, a fim de aprenderem o básico da língua do país e dos cálculos matemáticos. Mas as diferenças entre o modo de vida cigano e o modelo ocidental ao qual estamos habituados se manifesta muito cedo: devido à falta de familiaridade com as regras de uma escola (no que tange à hierarquia, estipulação de horários fixos e prazos de entrega de tarefas, por exemplo) é muito difícil que a criança cigana consiga se adaptar num ambiente educativo tradicional.

Com oito anos, Kiril frequenta uma escola pública há dois meses e ainda não se adaptou às regras. Os pais – Nadjara e Mio Vacite – contam que o menino não gosta de cumprir as ordens da professora. Além disso, devido à cultura cigana, eles mesmos acabam, sem perceber, desestimulando o filho a se dedicar à escola: “Nós nunca estudamos muito, não precisamos disso. O que ensinam nas escolas não interessa pra nossa vida”.

Muitos ciganos encaram as escolas como uma ameaça aos seus costumes. Com uma tradição ágrafa, o cigano não está acostumado a manusear papéis e canetas ou mesmo folhear livros: todo o conhecimento acumulado é transmitido oralmente. Assim, muitos acreditam que o ensino nas escolas poderia se sobrepor aos da tribo.

É em meio a essas questões étnicas que a criança cigana se desenvolve. Só a passagem do tempo é que determinará de que forma esses futuros adultos se relacionarão com o mundo que os cerca e a cultura da qual originam.

fonte: https://vidadecigano.wordpress.com/2010/11/22/criancas-ciganas/

Imagem: https://br.pinterest.com/pin/364439794841158229/

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