Para adicionar comentários, você deve ser membro de Belas Artes Belas.

Join Belas Artes Belas

Comentários

  • Poetisa e Escritora

    Fatos inesquecíveis

    Com um carinho enorme esperamos por esta ocasião. Começamos a prepará-la meses antes, e não foram poucos trabalhos, realizados com muito carinho.
    Mais ou menos em setembro passado, decidi, para não me atrasar, fazer aquela organização de final de ano em casa, separar livros e revistas para doações às bibliotecas, doar roupas que só ocupavam espaço, e também louças.
    Agradecemos o ano que passou, com todas as suas alegrias e vicissitudes e esperamos o próximo, 2012, com tudo o que possa trazer-nos, pois nossa vida é uma escola de múltiplas oportunidades. Todas as coisas que almejamos dependem de nossos esforços pessoais, de nossa organização e empenho.
    Eu não poderia contratar uma empresa para fazer tudo o que eu queria, aí esforcei-me em fazer aflorar meu lado criativo e foi muito bom. Fui paisagista, com um jardineiro executando e sugerindo. Fui pintora, com um pintor fazendo o serviço e me ajudando a combinar as cores. Trouxe um hábil marceneiro e criei coragem de desmanchar, reformar e modificar armários e estantes.
    _Marciano, mete a mão e arranca esta prateleira toda.
    Rasc, rasc, era prá já.
    _Marciano, tira este espelho daqui.
    Meu marido já ia atrás e consertava os furos da parede.
    Marciano, hábil e caprichoso, tornou-se nosso amigo. Não faltam trabalhos para ele, mas sempre que tem encomendas para os lados do sul da ilha, vem aqui conversar um pouco e tomar um café.
    Mudei as molduras dos quadros, refiz fotos. Um pedreiro também aqui esteve presente.
    No meio de todo este rebuliço, no começo de outubro, meu filho que mora em Nova York há 6 anos, telefonou-me dizendo que conseguira o Green Card e que viria com a esposa, que é americana, os sogros e dois cunhados. Minha filha os encontraria, vinda de Barcelona. Encontraram-se todos em Guarulhos, e por coincidência vieram para Floripa no mesmo vôo. Realizamos uma “atividade de hotelaria”, em ponto pequeno, para que tudo desse certo.
    Plantamos juntos muitas flores. Achei muito romântico, eu e meu marido plantando, removendo e mudando flores. Briguei com o vento que quebrou várias vezes as petúneas rosadas das floreiras das janelas. Tive que substituí-las por outras flores.
    Apenas as petuneas rasteiras sobreviveram. Gosto muito destas flores, principalmente as de cor pink, que caem penduradas nas floreiras. É muito utilizada na decoração de ruas em algumas cidades italianas e também americanas.
    Chegou o dia e fomos recebê-los no aeroporto. Era 24 de dezembro de 2011, às 23.30h. A emoção foi grande. Meu filho foi para N. York estudar e trabalhar, com 19 anos. Quando viajou, o irmão ainda estava vivo e bem de saúde, e ninguém poderia imaginar que em pouco tempo não estaria mais entre nós.
    Em meu coração havia um espaço aberto. Mesmo assim eu estava feliz, meu menino e minha menina retornavam ao ninho e muito cheios de carinho, como sempre foram.
    Tivemos a alegria de tê-los todos quinze dias conosco.
    Ao chegarmos em casa, entre comes e bebes, principalmente muito vinho, demos muitas risadas. Nossos amigos são americanos descendentes de italianos e todos muito risonhos. Havia uma afinidade, também somos descendentes de italianos.
    Uma antiga frase era dita pelos romanos, em latim, nos tempos antigos: “In vino veritas”. Na primeira noite fomos dormir às seis da manhã e a admiração foi geral com a sinfonia dos passarinhos aquela hora. E com um galo que mora há alguns meses na vizinhança e que de vez em quando solta as notas vibrantes de um chantecler. Foi até ameaçado de ir para a panela!
    Tivemos oportunidade também de fazer as “comidinhas especiais de mamãe e de papai” que nossos filhos nos encomendaram.
    A praia esteve muito boa.Vivemos momentos inesquecíveis e muito intensos. Uma terapia completa do riso!
    Comecei hoje a escrever. Em meio à saudade realista veio-me logo à lembrança os versos de Gibran Kalil Gibran:

    Vossos filhos não são vossos filhos

    ”Vossos filhos não são vossos filhos.
    São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
    Vêm através de vós, mas não de vós.
    E embora vivam convosco, não vos pertencem.
    Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
    Porque eles têm seus próprios pensamentos.
    Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
    Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
    Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
    Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
    Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
    Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
    O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
    Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
    Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
    Pois assim como ele ama a flecha que voa,
    Ama também o arco que permanece estável.”

This reply was deleted.